Todos os posts de Flavio Prado

O cavalo da Noruega

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Erling Braut Håland nasceu depois da conquista do primeiro mundial do Corinthians no ano 2000. Tem só 19 anos e já faz história. Ele é centro avante do Salzburg da Austria, filho de um antigo zagueiro, que quebrou e foi quebrado por Roy Keane, Håland nasceu em Leeds, mas tem naturalidade norueguesa.

Foi pela seleção sub 20 da Noruega, que chamou a atenção fazendo 9 gols no Mundial contra Honduras. Poderia ser coincidência, dia de sorte, mas aí ele só precisou de pouco mais de 20 minutos para fazer 3 gols no seu jogo de estréia na Champions League e virou uma explosão. Não é a toa que Solskjaer, um de seus primeiros treinadores ainda no país de origem,  indicou-o, fortemente para o Manchester United, clube onde trabalha atualmente.

O Salzburg nem discutiu. Håland não está a venda. Não, pelo menos por enquanto. A Red Bull, dona do clube, achou a pedra rara e vai valorizá-la ao máximo. Quando surgem jogadores assim, coisa difícil, a fama se espalha rapidamente.  E convenhamos que os números dele chamam demais a atenção.

Håland é forte, rápido e tem frieza na frente do gol. Lembra o começo de Adriano Imperador. Pode ser mais ou menos que ele, é muito cedo para se ter certeza. Mas pela repercussão do começo podemos esperar coisas grandiosas, deste “Cavalo da Noruega”. Até porque, infelizmente, Messi e Cristiano Ronaldo, não são eternos.

Pelé, o nome do jogo

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Gerou polêmica a mudança, aprovada em Maceió, para a troca do nome do principal estádio local. Sai o Rei Pelé e entra a Rainha Marta. Marta é genial, batalhadora e natural da terra. Nem se discute a justiça da homenagem. O que me assusta é a contestação sobre Pelé, como se fosse possível fazer algum comparativo.

Pelé é tão importante para o Brasil, que o esporte futebol deveria mudar de nome e passar a chamar-se Pelé, para os brasileiros. Na Itália, futebol é Calcio. Nos Estados Unidos, Soccer. Nada mais natural, que no Brasil passar a ser Pelé a arte do jogo de 11 contra 11 correndo atrás de uma bola.

Há um esporte antes e outro depois dele entre nós. Os brasileiros sempre foram bons jogadores, vide o Paulistano nos anos 20 ou a bola seleção de Leonidas da Silva na Copa de 38. Mas o respeito e reconhecimento de excelência absoluta, só veio depois de 1958, quando surgiu o Rei do Futebol, apelido dado a Pelé pela imprensa francesa.

É muito pouco o nome de um estádio, seja ele qual for. Marta pode perfeitamente ser consagrada em sua região. Nilton Santos ganhou o campo do Botafogo. Há várias personalidades, que ajudaram nosso esporte, com seus nomes consagradas nas praças esportivas.

Pelé vai além. Ele é mais famoso que o próprio país em boa parte do mundo. Seu referência superlativa até no dicionário. Há o Pelé dos médicos, dos engenheiros, dos engraxates e por aí vai. Chamar  esse esporte de futebol, uma adaptação do nome inglês para “bola nos pés”, está na nossa cultura porque nos foi ensinado dessa forma. Mudar para Pelé seria criar a nossa identidade. Fica a sugestão.

Beleza faz diferença

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Vinicius de Morais sempre elogiou a beleza e eu como fã do poetinha, concordo plenamente. Sim, a beleza é fundamental em qualquer coisa que se faça. O futebol não pode ser diferente. Infelizmente embarcamos numa triste onda de jogo feio, após a já distante conquista de 1994, quando quebrou-se um jejum de 24 anos sem Copa do Mundo, jogando-se futebol de resultado.

Lá se vão 25 anos e seguimos da mesma forma. O que interessa é ganhar, mesmo que jogando feio as derrotas se somem ao montes. O Brasil se acomodou. Ninguém assume o espetáculo, poucos se interessam na vitória com grandeza, adotando o “ganhar de qualquer jeito”. E os treinadores compraram esses discursos. Manter seus cargos ficou mais importante do que gerar história e boas filosofias dentro de campo.

Telê Santana sofreu com isso, Fernando Diniz vive sob censura e até, os mais conformistas, criticam o estrangeiro Guardiola, que mudou a história do futebol com seu mágico Barcelona de 2008. Paramos no tempo por todos esses fatores. Até que fomos invadidos. Primeiro Juan Carlos Osório, depois Reinaldo Rueda, Gareca com idéias, mas sem tempo e por último Jorge Sampaoli e Jorge Jesus.

O mundo deles é outro. Os conceitos priorizam a beleza e eles estão ganhando. Aí acabaram os argumentos. Todos estão sendo obrigados e sair da zona de conforto e dar um pouco mais em nome do espetáculo. Felipão caiu porque seguiu na mesmice. Seus números eram bons, mas com futebol desagradável.

Que legal que essas mexidas externas estão aí. Bem vindos gringos com preocupações estéticas, maiores que os resultados, embora eles consigam também vencer. Todos gostam de vitórias e o esporte é para competição. Mas se os jogos do exterior, que vemos pela televisão,podem ser bonitos e arrastar multidões, qual motivo para renegarmos Vinicius? Sim, a beleza continua fundamental.

Querendo sofrer

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Não conheço Romildo Bolzan, mas parece que gosta de viver perigosamente. No momento que diz que o Liverpool de hoje é menos temível que o Real Madrid de 2017, corre o risco de ser ouvido na Inglaterra e a equipe de Jurgen Klopp resolver jogar a sério uma eventual partida final do Mundial de Clubes. E isso poderá ser desastroso.

Normalmente os clubes sul americanos sofrem demais já nos primeiros jogos, contra asiáticos, árabes e africanos. Nas quatro últimas vezes, passaram em duas e perderam as outras. O Internacional já foi eliminado pelo Mazembe e o Atlético Mineiro pelo Raja Casablanca. Há três anos o Atlético Nacional foi vencido por japoneses e no ano passado o River Plate conseguiu ser eliminado por uma primária equipe árabe.

Para os europeus, esse torneio é apenas um incomodo no calendário com uma grana considerável, então eles vão. Mas com o desespero do Liverpool para ganhar a Premier League, talvez o time que participe seja um reservão. A menos que mexam com os brios deles. Mesmo com reservas os ingleses deverão ganhar facilmente de qualquer um. Se levarem a sério poderemos ver resultados vexatórios para os eventuais adversários.

O presidente do Grêmio, provavelmente não sabe o risco que corre. Melhor ficar quietinho e tentar ganhar a Libertadores, que já será sensacional. Gerar expectativa poderá gerar frustrações imensas. E ser o primeiro brasileiro a vencer quatro vezes o maior título do continente, já será algo grandioso. Deixe o Mundial para quem pode ganhar e que ganhem com suavidade, como num amistoso de luxo, sem usar a competitividade de uma Champions ou Premier League. Porque se usarem força total, que Deus tenha pena do nosso representante.

Jogador bocudo

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Thiago Neves saiu falando contra o sistema tático de Rogério Ceni, o técnico recém-chegado ao Cruzeiro. Lógico que não é o ideal, mas também não há absurdo. Thiago mostrou personalidade ou falta de noção, sei lá. Mas se colocou. Nos tempos atuais os jogadores são domesticados e têm medo de tudo. Não falam nada fora do padrão e fogem quando as coisas se complicam.

Os grandes craques sempre tomaram partido em todos os sentidos, inclusive no político, embora aqui seja dispensável, no atual momento de Fla-Flu no país. Mas querer espaços, contestar o que não gostam, coisas desse tipo, fazem parte do trabalho deles no mundo todo.

Recentemente Aguero teve séria desavença pública com Guardiola. Antes fora Steling. E nem por isso foram punidos. Têm objetivos comuns, pensam diferente, o treinador prevalece, mas reclamações estão no pacote, que qualquer comandante precisa administrar.

Gostei da postura do Thiago Neves. Ele sabe que precisará jogar mais do que vem jogando, caso queira ter lugar no novo Cruzeiro, que está sendo montado. Colocou suas discordâncias para todos ouvirem. Fim. Agora eles se acertarão, ou desacertarão nos bastidores. E vida que segue. Jogador com coragem para tomar posições são raríssimos no futebol do Brasil de agora.

Fair play faz de conta

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A CBF determinou o início do Fair Play financeiro no futebol brasileiro a partir de 2020. Mas não pensem que algo mudará. Apesar do processo já existir na Europa desde 2010, a CBF ainda dará 3 anos, a partir da data da promulgação da nova regra, para os clubes “se adaptarem”.

Isso quer dizer que teremos 2020, 2021, 2022 com os mesmos desmandos de agora. Somente, em tese, a partir de 2023, as coisas serão levadas a sério. Até lá os cartolas poderão seguir gastando indiscriminadamente, deixando passivos terríveis para seus sucessores e brincando de gestores profissionais. Foras as chances de mudanças na lei antes disso.

Na realidade é um fair play faz de conta. Se quisessem moralizar de fato o nosso futebol, as regras de respeito aos gastos dos clubes deveriam entrar em vigor imediatamente, valendo de verdade. Afinal ela determinado, apenas, que gaste aquilo que se tem efetivamente capacidade para pagar. Isso incluindo compra de jogadores e seus salários.

No modelo atual cada um faz o que quer. Não há o menor cuidado com as despesas por incompetência, desonestidade ou desespero pelos resultados. Caso sobrem dívidas terríveis, ninguém épunido seriamente. Imaginar-se que os “gestores” mudarão, só porque estão se adaptando aos novos tempos, é viver de sonho.

É mais fácil aumentarem as dívidas, tirarem proveito, ainda maior, com os sistemas caóticos atuais para seus bolsos ou egos e pensarem nas soluções somente no futuro. O problema é que da maneira que estão as gestões, alguns clubes talvez nem cheguem a ter futuro.

 

Troca necessária

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Normalmente não aprovo a troca de treinadores no meio das competições, mas entendo o Palmeiras e a atual mudança. Luiz Felipe Scolari não parecia animado com o trabalho que fazia. Pelo contrário, embora rico e bem resolvido, mostrava amargura em cada entrevista, gerando energias ruins. E o time definhou.

É uma enorme bobagem levantar dúvidas sobre o trabalho de Mano Menezes porque ele dirigiu o Corinthians. Mano é um bom profissional, fez um trabalhos competentes, inclusive recentemente no Cruzeiro e joga de forma similar a Felipão, embora sendo muito mais atualizado do que o antecessor.

Só as vitórias devolverão a paz ao clube e elas poderão vir como energias renovadas. Outras pessoas, outros desafios e gente com mais pegada poderão ajudar o Palmeiras com seu belo elenco, a retomar a briga pelo título. Não está tudo errado pela queda de produção, como não estava tudo certo no ano inteiro de invencibilidade.

Mano Menezes merece crédito de confiança. Vamos ver o que ele pode fazer com as estrelas, que perderam o brilho, no momento que Felipão deixou de falar ao coração deles, com seus discursos motivadores. O novo treinador é mais tático, tem mais repertório e poderá trazer de volta a competitividade, que sumiu nos últimos jogos.

Beleza e resultado

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Foto: Alexandre Vidal/CRF

Jorge Jesus nem é um técnico tão renomado na Europa. Seu trabalho é muito reconhecido em Portugal, mas não abriu fronteiras em outros centros de alto nível no mundo da bola. Mas ele está mostrando no Brasil, que beleza de jogo e resultados, podem andar juntinhos.

O Flamengo de Jorge Jesus está sobrando no Campeonato. É muito bom vê-lo atuando com os mesmos jogadores que meses atrás andavam em campo, procurando justificar os altos investimentos do clube. Jorge Sampaoli também deu ao Santos, clube com muito menos dinheiro que os cariocas, uma forma bonita de atuar. E eles dividem a liderança.

Criamos o mau hábito no país de aceitar qualquer coisa. Nosso futebol sempre foi de ponta, mas nos últimos 15 anos começamos a aceitar times ridículos, preocupados só em se defender e jogar nos erros dos adversários, como praticantes da boa arte do jogo.

Ganhar é muito bom, mas foi o jogo artístico, que consagrou os brasileiros. Nos anos 60 e 70 não se ganhavam tantas Libertadores, nem Copas Américas e nossos times arrastavam multidões, enquanto os jogadores eram endeusados. Era um Cirque de Soleil. Após a frustração da Copa de 1982, passamos a nos renegar.

Felizmente um argentino e um português estão devolvendo nossas verdades. Flamengo e Santos valem a pena serem vistos, ganhando ou perdendo. A maioria dos demais times do Brasileiro, não merecem essa consideração, mesmo que tragam um monte de taças para mostrar aos seus torcedores. Eu, pelo menos, penso assim.

O Felipão de sempre

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Palmeiras e Grêmio tem o mesmo nível. Cada um ganhou um jogo, mas o Grêmio aproveitou os dois gols fora e passou de fase. No jogo de Porto Alegre, depois do gol de Scarpa, o Palmeiras se segurou e o Grêmio procurou jogo. Mas deu certo para o time de Felipão. No Pacaembu, quando o Grêmio passou a frente o Palmeiras sequer conseguiu jogar.

O Palmeiras não mudou o jeito de jogar. Felipão é o mesmo de sempre. Já ganhou muito com essa forma de atuar, mas não tem dado certo nos últimos mata matas. Não sei o que ocorrerá, no entantoFelipão não fez nada diferente. Trabalhou como sempre. Entregou o que tinha, só que sem sucesso, desta vez.

Os gringos no comando

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A escravidão aos resultados têm gerado jogos feios e trocas constantes de treinadores. Quem vem de fora não fica tão preso a isso, já que pode voltar ao lugar de onde veio. Coincidência ou não temos 20 treinadores na Série A do Campeonato Brasileiro, sendo apenas dois estrangeiros. E lá estão eles em primeiro e segundo lugares na competição.

Vejo críticas veladas e abertas a Jorge Jesus e Jorge Sampaoli, mas é bobagem. Os técnicos brasileiros deveriam, sim, aproveitá-los para trocar experiências. O futebol europeu está anos luz a frente da América nos dias atuais, então eles têm coisas para passar aos brasileiros e também, é claro, aprender.

Por exemplo, Jorge Jesus jamais troca 11 jogadores numa partida. Ele não poupa todos. Promove os devidos descansados, que o calendário obriga, mas com apenas 3 ou 4 por vez em sistema de rodízio. E o Flamengo está bem em todas as competições.

No Brasil as mudanças radicais tem gerado times abaixo do que podem, como Grêmio e Cruzeiro nos mostram. No passado funcionou no Palmeiras com Felipão ganhando o Nacional com a equipe reserva. Neste ano não está a mesma coisa.

Pode ser mera coincidência e vale esperar mais pouco antes de tirarmos conclusões. Mas o certo é que a medida que a competição foi passando, os dois gringos começaram a tomar conta. Santos e Flamengo estão lá em cima. Os outros seguem brigando apenas por resultados. Talvez tenha chegado a hora de olharmos o futebol como show. Quem tem feito isso está se dando bem.