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E se o Leco sair?

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A torcida do São Paulo xingou novamente o presidente Leco, após a derrota para o Palmeiras. Muito merecido, é claro, afinal o clube vive talvez o pior momento de sua existência e a gestão tem bastante culpa nisso. Mas e se o Leco sair, será que mudará alguma coisa? Acho bem pouco provável.

No anos 70 e até o final de 90, o clube era exemplar em tudo. Os dirigentes davam lições de criatividade e ousadia. Virou modelo e os mais inteligentes seguiram as lições vindas do Morumbi, para poder acompanhá-los no futebol. Até que veio a infeliz eleição entre Antonio Leme Nunes Galvão, um grande empresário e que cabia exatamente no perfil citado acima.

O adversário era Juvenal Juvêncio, oriundo da parte social e com um currículo bem diferente de Galvão. Mas de forma incrível ganhou Juvenal e ali o São Paulo mudou para sempre. A paz acabou as rivalidades e baixarias, que não existiam nem em sonho, viraram rotina. Verdade que vieram conquistas também, muito em cima do trabalho já realizado pelos grandes sãopaulinos do anos anteriores. Até os anos 2000 havia alternância no poder e, mesmo sem o clima das décadas passadas as coisas funcionavam.

Mas o tempo foi passando. Grandes homens morrendo e com reposição bem inferior. No final restava apenas Marcelo Portugal Gouveia para controlar o agora símbolo tricolor. Símbolo dos novos e lamentáveis tempos. Com a morte de Marcelo ficaram os súditos de Juvenal Juvêncio e a decadência administrativa foi rápida. Violentaram o estatuto de clube para perpetuá-lo. Cabeças boas, divergentes, eram cortadas e só a cartilha de Juvenal valia. Ele cercou-se de iguais.

Quando morreu, o clube, que já era engolido por concorrentes, entrou em deriva total. E o cargo de presidente foi caindo em colos despreparados. Carlos Miguel Aidar era uma esperança, que naufragou rápido e Leco assumiu algo muito maior que ele, cercado por gente sem capacidade para uma história tão grande. E eles estão lá, lado a lado com o presidente. A oposição inexistente e não parece ter algo muito diferente. E aí está a triste realidade. Não sobrou nada do clube modelo.

Quem te viu e quem te vê. Não é um caso isolado. Tem “leco” por todos os lados, ou “juvenais”,que não dão grandes esperanças de mudanças. Triste história de uma agremiação que já foi maravilhosa, mas que agora não parece ter futuro de grandes expectativas. Se sair Leco, dificilmente virá algo melhor.

Dá para apostar em alguém?

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O sorteio da Champions League também virou atração mundial. E hoje as redes sociais ferveram enquanto as bolinhas caiam lá na Suíça. O sorteio deixa margem a termos até 3 ingleses nas semi finais. E sendo assim final também entre eles, que por algum tempo ficaram à margem dos momentos decisivos do mais importante torneio do mundo.

Para isso ocorrer, três ingleses nas semi finais, precisaríamos de um resultado bem surpreendente. O Manchester United teria que eliminar o Barcelona. Impossível não é. Se olharmos os elencos, retirando Messi, o Manchester é melhor. Mas o Messi é do Barcelona, então eliminá-lo será algo que chamará a atenção de todos.

O Manchester City vai encarar o Tottenham e se tomarmos por base a Premier League, a equipe de Guardiola deverá passar. O Ajax deu azar e pegou uma Juventus embaladíssima com Cristiano Ronaldo voando. Os holandeses deverão ser apenas figurantes, embora estejamos falando do maravilhoso futebol, que as vezes nos apresenta  surpresas.

O mesmo raciocínio vale para Porto e Liverpool. Os “búfalos” de Klopp são bem favoritos, mas a camisa do Porto é importantíssima. Teoricamente as chances dos portugueses são remotas, mas todo respeito é pouco para uma equipe que já tem Champions na sua galeria.

Serão jogos maravilhosos, imperdíveis. Reserve sua agenda se gosta de futebol bem jogado. Valerá muito a pena e você terá boas histórias de futebol para contar para os seus netos. Afinal aqui no Brasil estamos no período dos campeonatos estaduais. Ou seja, nada que lembraremos dez minutos depois que acabar.

Carille ajeitando a casa

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As coisas vão se encaixando no Corinthians. Depois da bela atuação contra o Santos, a equipe readquiriu confiança e com ela um futebol de mais ousadia. Verdade que não foi nenhuma atuação de gala, mas fazer 3 a 1 no Ceará é para poucos. A equipe está evoluindo e essa é a melhor notícia para o corintiano.

Até alguns jogadores, que não vinham bem, estão melhorando. Danilo Avellar já não é mais vaiado, Jadson voltou a marcar gol, Boselli fez um primeiro tempo interessante. Vagner Love jogou bem pelo lado direito e fez gol quando centralizou. Enfim, quando Carille disse que tinha achado o jeito de jogar, não estava blefando.

Faltam definições de peças e até mais variações táticas maiores. Mas vimos no jogo do Ceará o início no 4/3/3 e depois a volta ao posicionamento 4/1/4/1, que a equipe tanto gosta. A classificação está quase certa para a quarta fase da Copa do Brasil e o condicionamento físico agora já está mais perto do ideal. O começo, que anunciava um ano caótico, começa a tomar forma de casa se ajeitando.

Coutinho: o gênio triste

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Conheci o homem Antonio Wilson Honório, bem mais do que Coutinho, o genial jogador. Ele começou cedo, nos 50 e parou cedo. Com 15 anos era titular do Santos, um timaço histórico. Mas com 24 anos teve que abandonar a carreira por causa do peso e dos joelhos. E nesse período esteve quase sempre ao lado de Pelé. Isso foi muito bom, mas também ruim.

A comparação era cruel. Poucos entendiam que ele não era o outro, mas sim o que acompanhava o raciocínio do maior gênio, que o futebol já conheceu. E isso mexia com a cabeça dele. Sentia-se injustiçado. O Antonio Wilson era um homem pobre e isso também lhe gerava frustração. Nunca inveja, mas questionamento do porque se ganha tanto dinheiro, nos dias atuais, com futebol bem inferior ao dele.

No geral era um homem triste. Viveu intensamente por pouco tempo. E depois ficaram as histórias. O Coutinho é eterno e não havia necessidade de fazer mais nada. Mas no dia a dia do Antonio Wilson, havia com privações. O homem foi esquecido. Isso acontece mesmo. Esquecemos que por trás de seres mitológicos fora do cinema, há um ser humano, que precisa comer, beber, se vestir, se divertir.

A diversão dele o aborrecia. Ver o futebol nos últimos tempos, para quem foi tão hábil com a bola nos pés, era algo muito complicado. Ele sabia que era possível se fazer algo melhor com a bola nos pés, especialmente no Brasil. O futebol abandonou Coutinho definitivamente. Não dava para jogar, nem para assistir. E ficou um espaço enorme no coração dele.

Time empresa: vale a pena?

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O Red Bull estaria interessado num time da Série B do Brasileiro. Bragantino e Oeste seriam os alvos, com o time de Barueri mais próximo de fechar negócio. Além disso, mudaria a sede para Jundiaí, aproveitando o vácuo deixado pela história do Paulista. O que você pensa disso?

Eu gosto muito e só vejo solução para o futebol brasileiro com operações deste porte. Enquanto as empresas não entrarem em nossos clubes, teremos apenas marcas importantes vivendo do passado glorioso. O City Group quis uma equipe no Brasil. Alguns dizem que os olhos visavam o São Paulo. Aí a administração seria de Ferran Soriano, Ceo do grupo internacional e antigo diretor do Barcelona.

Quem você acha que cuidaria melhor da marca São Paulo FC, Leco ou Soriano? É bom lembrar que Leco não ajudou em nada o nome espetacular do São Paulo. Ele apenas aproveitou o legado e não ajudou em nada. E a Crefisa? Será que essa empresa dirigiria mal o Palmeiras, que já teve até presidente indiciado por roubo, anos atrás?

Que tal o Santos, com as ligações históricas de Pelé? Acham que empresários de entretenimento americanos não fariam coisa melhor do que temos agora? E ainda Corinthians com 28 milhões de seguidores e o Flamengo com seus 30 milhões. Conseguem imaginar uma Disney dirigindo esses clubes dentro das diretrizes daquela empresa?

Os clubes não são de ninguém. Pessoas estão lá, temporariamente, no poder. E isso não mudaria. Apenas teríamos empresários sérias cuidando de algo, que ficou largado nos últimos tempos de forma muito triste. Se você imagina isso como absurdo, deve estar se sentindo representado pelos atuais cartolas do nosso futebol.

Grandes em casa

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A Copa do Brasil é muito legal. É importante ganhar por tudo. Primeiro pelo título, que é o segundo mais importante do Brasil. Depois pela classificação para a Libertadores e finalmente pela grana alta que entra. Tudo muito bom. E o sorteio ajudou a maioria dos grandes. O Santos, que pegou o Atlético de Goiás, decidirá em casa. O Corinthians da mesma forma jogará a segunda, contra o Ceará, na Arena de Itaquera, enquanto o Fluminense decide no Rio diante do Luverdense.

Botafogo e Vasco vão ter vida mais difícil. O Vasco vive um belo momento, mas é bom resolver a vida no primeiro jogo, já que o segundo será em Florianópolis contra o Avaí, onde não é fácil para ninguém. Finalmente o Botafogo, que não está lá essas coisas, atuará em Caxias na segunda partida contra o Juventude. Paradas mais complicadas.

Esses confrontos de equipes desiguais são válidos apenas dessa forma. Não tolero os longos regionais, que não levam a nada. Já nas Copas podemos ver equipes menores tentando a superação e se expondo em grande nível. Tomara que saiam partidas legais e que possamos ver equipes diferentes da rotina, num torneio rápido e que não atrapalha calendário, ao contrário dos estaduais de começo de ano.

Compras desnecessárias

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Cada vez os jovens saem mais cedo das bases dos times brasileiros, rumo ao exterior. E, cada vez mais, compram veteranos a peso de ouro. O São Paulo está se livrando de Diego Souza. Salário pesado, que passa para o Botafogo. Mas porque Diego veio? Por causa de resultados imediatos. Fica mais fácil comprar jogador “pronto” do que dar tempo aos meninos e tê-los por um período maior e mais valiosos na hora das vendas.

O imediatismo dá inclusive prejuízos. São contratos longos. Trellez, por exemplo, está preso ao São Paulo por 5 anos. Caso não achem “heróis” para pagá-lo o clube terá que arcar com os prejuízos das compras desnecessárias. Verdade que prejuízo e desconforto ficam somente com os clubes, porque a maioria cartolas adora essas compras e vendas. Há sempre comissões nas idas e nas vindas. E assim o dinheiro gira.

O certo é que estamos trocando jovens promessas, por jogadores decadentes, deixando o futebol brasileiro, cada vez mais, correndo atrás do próprio rabo. O nível de jogo é baixo, a intensidade é nula. Enquanto isso vemos David Neres, Vinicius Junior, Paquetá e tantos outros mostrando habilidades lá fora. Aqui aceitamos o nível rasteiro para resultados rápidos. Depois ficam as contas. Mas e daí ? Elas nunca ardem nos bolsos de quem faz as negociações. Talvez eles fiquem até mais cheios.

Vitória sem brilho

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Palmeiras estreou na Libertadores com um belo resultado. Ganhar na Colômbia, contra qualquer equipe é sempre muito difícil. Mas o futebol apresentado foi bem fraco. Quando começou a partida a equipe parecia disposta a impor sua superioridade, que é indiscutível. Mas após marcar, aos 11 minutos, abdicou da criatividade e esperou erros do Junior.

No momento que fez o segundo, tinha passado um sufoco enorme, mesmo com o adversário jogando com apenas 10 homens nos 15 minutos finais. Foi competitivo. Assim é Felipão, sempre. Mas será que isso basta para sonhar com a conquista da Libertadores?

Nos últimos anos não foi assim. Desde 2015 o campeão sempre apresenta times, que priorizam a posse de bola e jogam se impondo no sistema ofensivo. Em 2015 foi o River Plate de Marcelo Gallardo. Em 2016 o Atlético Nacional de Reinaldo Rueda. 2017  o Grêmio de Renato Gaúcho e finalmente, no ano passado, outra vitória de Gallardo com seu River bastante técnico.

O Palmeiras têm jogadores de nível muito alto para o mercado sul americano. O elenco custa caríssimo. Mas a opção pelos contra-ataques pragmáticos, usa bem pouco do potencial de cada um. Ganhar pode. Bauza com um sistema ainda mais fechado venceu em 2014. Mas nos últimos tempos, temos visto filosofias bem diferentes nos pódios da Libertadores. Vamos ver como será desta vez.

Klopp e o Play Station

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Jurgen Klopp é uma figuraça e dá declarações sempre bem humoradas. Mas ele ficou muito bravo, quando questionado, sobre aumentar o número de atacantes num time, na hora das dificuldades ofensivas. Klopp deu as explicações táticas e lembrou que futebol não é Play Station.

O que ele quis dizer é que o equilíbrio é vital. No Play Station sim, quando você coloca mais um atacante a equipe fica mais ofensiva. No jogo de verdade pode até piorar e quase sempre fica bem menos eficiente. A postura em campo depende do preenchimento de espaços.

Futebol tem ciência e Guardiola é mestre nisso. Mas Klopp também possui sua arte e seu jeito de trabalhar e poucos contra atacam como ele. A fórmula adotada depende da ideia de cada treinador. Perguntas sempre são válidas, mas sem dúvida muitos atacantes, para deixar equipe mais ofensivas, é coisa de game mesmo, não de jogo para valer.

O mérito de atacar

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Santos e Oeste fizeram um jogo divertido. Nenhuma técnica apurada, mas o jeito de jogar de Sampaoli, ousando, deu a oportunidade de cinco gols e várias chances perdidas. Ainda bem que alguns técnicos gostam do ataque. Não houve nenhum domínio explícito, a técnica não foi apurada e nem vimos as ideias do treinador colocadas em prática neste jogo. Foi um lá e cá de cinco gols.

O ataque deveria ser uma norma nos regionais, especialmente onde temos times tão diferentes em termos de nível. Pelo menos aconteceu alguma coisa interessante, como vimos no sábado. São jogos sem importância, campeonato sem interesse, mas que acabou contando uma história fora do padrão, tanto que estamos falando dela.

As retrancas dos pequenos, se não forem desafiadas pelos maiores, que deveriam atacar sempre, significam jogos chatos. E aí não ficam histórias. São eventos que passarão sem deixar lembranças, a menos que mudemos a filosofia, pensando muito mais no espetáculo e não apenas no resultado, como vemos nos dias atuais.