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Pelé x rapa

Leia o post original por Mauro Beting

Pelé, o Pelé do futebol, começou Pelé com 17 anos, campeão do mundo na Suécia. Em 1962, quando bicampeão no Chile (mas só tendo atuado uma partida e meia pra valer), já era Rei. Contestado e contrastado por Eusébio em 1966 também pela péssima campanha brasileira, e por lesões que só o deixaram jogar uma partida mesmo a valer. Jurou que não jogaria 1970. Estava jurado por má parte da imprensa em março de 1970 e questionado até pelo treinador Saldanha antes de ser tricampeão com Zagallo no melhor Brasil do mundo, no México. Pouco depois de ter feito o milésimo gol. Contando sim até jogos pela Seleção do Exército. Alguns amistosos caça-niqueis e de caça ao Pelé.

A Fera não se enjaula. É caso pra Roswelll. Pelé é ET. PELÉT! Mas pode se discutir.

Era um futebol com mais gols no final dos 50 e quase toda a década de 60. Em 70 os gols pelo planeta bola rarearam. Como se despedindo de Pelé que parou mesmo nos EUA, em outubro de 1977. Nem antes e nem depois apareceu alguém melhor ou maior.

Mas…

Maradona foi quem chegou mais perto. Segundo Zito, o volante que mais jogou ao lado de Pelé, quem mais deu bronca Nele, Diego jogou só “2%” a menos que Pelé. Ponto final.

Mas tem uns caras que desde 2007 pedem passagem. Cristiano Ronaldo ganhou a primeira Bola de Ouro dele em 2008. Já são cinco. E desde 2009 é ainda mais absurdo muito além do excelente ponta que já era no Manchester United. Fez mais de um gol por partida pelo Real Madrid até maio de 2018. Fez mais gols que Di Stéfano (outro comparável ao incomparável Pelé).

Outra época. Sempre comparação incomparável. Mas que sempre merece discussão. Inclusive quando se fala que Pelé jogava amistosos demais. E jogava demais também neles. Porque era o calendário da época. Não era culpa dele. Apenas responsabilidade. Ele e o Santos ganhavam mais dinheiro com Ele em campo. Complexo assim. Eram menos torneios, maiores distâncias. Menos jogos oficiais onde se jogava – ou se corria – menos.

Outros tempos. Se Rodrygo já está no Real Madrid antes dos 18 por 50 milhões de euros, por quanto sairia Pelé que não quis sair de 1956 a 1974?

Claro que o mundo o quis. A Itália não podia mais por fechar portas a estrangeiros entre 1966 e 1980. Mas quis antes. Espanha sempre quis. Leis britânicas proibiam. E o dinheiro não jorrava tanto no jogo. Talvez hoje a cabeça de Pelé fosse outra. Quem sabe Ele aceitasse as propostas irrecusáveis de agora como disse não às irrecusáveis de então.

Não sabemos. Mas Pelé também queria jogar com os bambas. Na média, os melhores jogadores do mundo atuavam aqui. O Brasil tricampeão de 1958 a 1970 inteiro jogava Taça Brasil e Robertão. Não La Liga ou Premier ou Série A que tinham outros nomes. E outros craques.

Mas é muito provável também que Pelé seria ainda mais Pelé hoje. Mais atleta ainda pela condição natural e aplicação invejável. Mais alto e forte e ágil e resistente pela natural evolução humana. Mais protegido pela arbitragem e pelas câmeras (o que evitaria os revides dele que também quebraram perna e joelho de rivais).

Todas as marcas individuais atléticas evoluem. Imagine Pelé nascido em 1990. No ano em que de fato fez 50 e ainda jogou pelo Brasil em Milão. Pelé hoje com quase 29 anos como teve de fato em 1970.

Onde jogaria? Com quem? Com quantos gols estaria?

Messi (que vem de um satélite do planeta onde planejaram Pelé) e Cristiano Ronaldo (o mais focado e objetivo atleta que já jogou futebol a ponto de se discutir seu tamanho com indiscutíveis) são absurdos e espetaculares desde 2007. As temporadas menos brilhantes deles são geniais. De um nível sensacional e de de uma regularidade espantosa.

São melhores e maiores do que Ele? Não.

Questão de gosto. Mas desgosto quem os minimiza por isso. Ou os desvaloriza pela comparação com cada vez mais cabimento. Não é sacrilégio colocá-los na mesma pista de dança.

Messi também nasceu Messi desde que chegou em 2000 a Barcelona. Cristiano tem imenso mérito porque não era Ronaldo nem no Sporting e até mesmo no início no United. Virou mesmo esse absurdo na

última temporada por lá, há 11 anos. E não parou mais.

Pelé sempre teve times históricos ao lado e em torno. Cresceu no Santos bicampeão paulista de 1955-56. Fez 58 gols no SP-58. Jogou.com Pagão, Pepe, Zito, Coutinho, Mengálvio, Mauro, Gilmar, Dorval, Calvet, Aírton, Carlos Alberto, Edu, Toninho Guerreiro, Clodoaldo, Djalma Dias, Ramos Delgado, Rildo, Cláudio, Joel Camargo, Cejas, Manoel Maria, Jair da Costa, Cláudio Adão. Na Seleção, também foi tudo porque tabelava com Garrincha, Didi, Nilton Santos, Djalma Santos, Mauro, Gilmar, Mauro, Zito, Dino Sani, Dida, Coutinho, Vavá, Pepe, Zagallo, Amarildo, Julinho, Gerson, Jairzinho, Tostão, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Rivellino, Caju. Talento e entrosamento.

Messi cresceu no melhor Barcelona e o maior time que vi desde que vejo futebol a partir de 1972. Cristiano desde o United tem equipes de excelência como ele.

Ambos, dever dizer, também têm rivais de ótimo nível. Na média, provavelmente, adversários de maior qualidade que os enfrentados por Pelé.

Mas jamais subestimem os rivais do interior de São Paulo que Pelé enfrentou de 1956 a 1974. E zagueiros e volantes a marcá-lo pelo Brasil como Mauro, Bellini, Orlando, Zózimo, Jurandir, Aldemar, Aírton, Jadir, Formiga, Calvet, Altair, Djalma Dias, Ditão, Leônidas, Brito, Carabina, Procópio, Fontana, Baldochi, Scala, Luís Carlos, Luís Pereira, Perfumo, Ancheta, Reyes, Marinho Perez, Alfredo Mostarda, Vantuir, Amaral, Oscar, Abel, Figueroa, Roberto Belangero, Dino Sani, Dudu, Carlinhos, Zequinha, Denilson, Piazza, Roberto Dias, Carlos Roberto, Edson, Zé Carlos, Carbone, Tovar, Carpegiani.

Gente ótima. Alguns que seriam ainda melhores hoje. Maiores. Outros não. Porque futebol também depende do tempo e do timing e do time.

Pelé, Messi e Cristiano e poucos mais, não dependem. Criam dependência. Não como drogas. Como Pelé, Messi e Cristiano. Sem contraindicações e efeitos colaterais. Apenas efeitos especialíssimos.

O gênio do jogo

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Maurício Noriega acabou de postar algo que este ignaro que vos Instagra não sabia. João Carlos Marinho nos deixou. E como eu não sabia? GÊNIO DO CRIME, como escreveu o Cabeza, era para aprender a gostar de ler. Não só porque misturava ação, suspense e futebol. Mas porque ensinava a ter prazer com a leitura para jovens. Uma aula de simplicidade e identificação. Genial não pro crime. Mas pra impedir o crime que é não gostar de ler. Já são 50 anos desse clássico que tem que ser lido ao lado de Machado. Não pra substituir. Mas pra fazer a gente gostar mais de quem sabe contar história.

Tinha me prometido a escrever sobre ele nestes 50 anos do lançamento da obra que tem mais de um milhão de livros em 62 edições. Não deu. Mas dona lembrança vale como figurinha carimbada. E valeu cada noite que li pros meus filhos o livro inteiro depois de OS MENINOS DA RUA PAULO. Não sei se eles lembram deles. Mas eu jamais esqueço aquelas noites antes de dormir com os meus Luca e Gabriel.

Ou melhor: antes de sonhar com eles.

PS: Leia também CANECO DE PRATA. Bela e engraçada aventura da mesma Turma do Gordo.

Quem gasta mais não ganha mais. A Europa compra e comprova.

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BetGOAT fez levantamento interessante. Listou desde 1992 os investimentos feitos pelos clubes europeus ano a ano. Os 10 que mais gastaram em contratações, e o acumulado desde então.

Batata. Para quem analisa futebol como se fosse Banco Imobiliário, a decepção. A equação investimento = título não fecha. Não é teorema CQD. É a realidade do mata-mata. E de muitas coisas mais.

Até porque, nesse período todo, o maior time que vi não foi “caro”. Ele foi feito em La Masia, o Barcelona de 2008 a 2012. Veio da base, não de la plata.

Mas pra ficar mais claro aos que insistem na burrice de que gastou mais vai ganhar mais, um dado raso. Mas que evita discussões mais tolas.

Pelo levantamento iniciado em 1991, apenas quatro vezes o clube que mais investiu até o final de cada temporada conquistou a Europa. O Barcelona de Cruyff em 1992 (vencendo a Sampdoria que não estava entre os 10 clubes de maior investimento); o Milan de 1994 (superando o Barça que era o segundo que mais investia); o Real Madrid de 2014 (contra o Atlético de Madrid que também não estava no Top-10) e novamente o time de Cristiano em 2016 (novamente superando os rivais madrilenos, que também não gastavam tanto).

No mais, tivemos equipes espetaculares campeãs feitas em casa ou com baixo custo, como o Ajax de Van Gaal, em 1995, que não estava entre as dez mais e ganhou do Milan que mais investia na Europa. Outros campeões que não estavam no Top-10 foram o Borussia Dortmund de 1997 (contra a Juventus que era a quinta que mais investia), Bayern de 2001 (nem ele e nem o vice Valencia gastavam pra estar entre os 10) e Porto em 2004 (também fora da lista como o vice Monaco).

Se desde 2008 não há um campeão que tenha gastado menos do que o vice (o Chelsea que perdeu nos pênaltis para o Manchester United investiu mais), a correlação simplória de gastos com vitórias termina por aqui.

No frigir das bolas: cobre mais desempenho dos clubes com maior investimento. Sobretudo em pontos corridos. Mas exigir mais títulos de mata-mata é atestado de burrice

Leandro, 60

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Tem cantor que é o preferido dos outros cantores. Guitarrista dileto dos outros instrumentistas. Cineasta que é o diretor dos seus colegas. Chefe de cozinha que é o master dos outros.

E tem o Leandro que é o lateral dos laterais. E de muitos pontas, zagueiros, meias, goleiros, treinadores. Rubro-negros ou não. Feliz o Brasil que tem muitos laterais históricos. Poucos com mais títulos. Raros com mais técnica. Uns quatro camisas dois (ou quatro) para jogar nesse time dos sonhos.

Mas nenhum deles só jogou com a mesma camisa. A mesma da infância em Cabo Frio. A vermelha e preta que foi campeã de tudo. Nação que o levou a ser o camisa 2 do melhor Brasil que não se viu campeão da Copa. Mas que conquistou o mundo tanto ou mais que futuros campeões.

Leandro não foi o que melhor defendia. Atacava. Chutava. Cruzava. Driblava. Passava. Corria. Mas ele fazia tudo tão bem e tão fácil que provavelmente foi quem mais se divertia. Como se fazendo do seu campinho o Maracanã. Como fez do Maraca o seu quintal.

Um monstro que conhecia os meandros da cancha. Um mestre que conhece os Leandros de dentro e fora de campo.

Quem é o melhor? Melhor é desfrutar de Messi e CR7

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Não deu dois segundos. Messi encobriu o goleiro rival com um toque de Messi e marcou um golaço de Messi. A torcida dona da casa aplaudiu mais uma genialidade de Messi em mais um jogo que ele fez um Messi-trick como ele e Cristiano brincam de superar o rival. E a eles próprios.

Não importa o rival. Quanto foi o jogo na Andaluzia. Até mesmo quantos gols Messi marcou. Como marca demais CR7.

De novo e de velho vale o registro. Vamos desfrutar como eles dizem na Espanha o que esses monstros fazem.

Quem é o melhor? O melhor é curtir e compartilhar os dois.

Quem é maior? O menor problema é discutir. A solução é aplaudir o que fazem. E desde 2007. E contando. E encantando.

Boi, boi, boi do Morumbi que não se toca que precisa se trocar logo aí

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Parece um torcedor segurando o outro pra não xingar o presidente remunerado (profissional é outra coisa), a diretoria, o conselho, a comissão técnica, o ex-treinador derrubado, o ex-treinador afastado, o atual interino, o futuro técnico, o elenco, o time, o futebolixo, o Talleres, as derrotas nos clássicos. Mas o boi, boi, boi enterrado no Morumbi é ainda pior. Foi um companheiro de equipe lamentando um chute sofrível de um time que só chegou na segunda etapa em arremessos laterais e na primeira etapa só teve a melhor chance em um lance anulado pela mão na bola. Arremedo de time. De dar medo e raiva. Trocando os pés pelas mãos. Trocando de comando como quem troca de camisa. E quem tinha que ser trocado não se toca.

O filho que se liga com o pai pelo Palmeiras e pela Jovem Pan

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Neste 16 de março de 2019 não teve como palmeirense entrar no Pacaembu para ver mais uma grande vitória no Choque-Rei porque sobrevivemos em dias de “torcida única”. Essa intolerável intolerância bastarda dos anos 1990 da praga de porradaria em todas as plagas.

Rodrigo Lombardi foi por aqueles tempos com o pai Gilberto, o tio Luiz e o primo Marcelo ao Pacaembu, em cima da hora, pra ver um clássico com o São Paulo, em 1988. Estava cheio. Não teve ingresso. Mas ele tentou de tudo que é jeito. Não rolou. Rodrigo tinha menos de 10 anos e ficou frustrado por não ver o Palmeiras que ele nem gostava tanto como hoje, aos 39.

Mas ele amava ainda mais por ser o melhor jeito de ficar com o pai separado da mãe Iraci.

“A nossa relação era o Palmeiras. O maior legado que meu pai me deixou foi o nosso time. Ir ao jogo não era só ir ver o nosso Verdão. Pra mim era o melhor jeito de ficar com meu pai”.

José Gilberto Lombardi era de Sorocaba, terra onde o Palestra jogou pela primeira vez, em 1915. De Ibiúna veio moço pra São Paulo. Casou com Iraci que era corintiana, mas tinha que ir ao estádio e ver e ouvir juntos os jogos do Palmeiras. Tiveram Rodrigo. Tiveram o Palmeiras a uni-los.

“Meus pais se separaram cedo. Mas conviveram bastante. Por isso pude ver tantos jogos com ele. Não passavam muitos na TV nos anos 80. Mas tinha o radinho a pilha preto dele ligado na Jovem Pan”.

“É gol, que felicidade! O meu time é a alegria da cidade”. O tema da Pan pros gols liga Rodrigo a Gilberto instantaneamente. Via Palmeiras que tudo ouvia.

“E como era felicidade quando saía gol nosso pelo rádio! Pena que não celebrei títulos nos primeiros anos. Nasci em 1981. Estávamos na Taça de Prata. Não ganhávamos nada!”

Mas ganhavam pai e filho a relação que a separação dos pais impedia.

“Eu sempre queria ir aos jogos desde pequeno. Mas no final dos anos 80 já tinha muita violência nos estádios. Meu pai por isso não usava camisa do Palmeiras e nem me deixava usar. Nem bandeira. Ele tinha medo. E tinha razão. Mas eu queria ir aos estádios. Não pra ver nosso time. Mas pra ficar perto do meu pai. Eu queria estar junto dele mais do que do Palmeiras”.

É isso.

Em 24 de novembro de 1991, Rodrigo tinha 10 anos. Pela primeira vez foi ao Palestra com o pai. Gol de pênalti de Evair no quadrangular semifinal do SP-91. Vitória contra o Botafogo. Mas o empate depois com o São Paulo impediria o título que desde 1976 não ganhávamos. Nem pra final fomos.

Naquela tarde de sol de domingo e de vitória contra o Tricolor de

Ribeirão Preto, Rodrigo ganhou o maior título com o pai Gilberto. “Descemos pela rua Clélia e estava tudo cheio. Entramos pelo gol do placar, hoje o Gol Norte. Meu pai então me botou no cangote. Subiu as arquibancadas assim. Ele de bermuda, sem camisa, boné. Depois foi tomar uma cerveja, eu um lanche e um refrigerante. Ele falava comigo como se fosse adulto, como se fosse com meu tio Miguel”.

Eram dois adultos palmeirenses. Embora não tenha nada mais maravilhosamente infantil do que ser torcedor.

“Meu pai tinha que sentar do mesmo lado do sofá nos jogos. Só queria eu e minha mãe juntos nos jogos. Fazia figos com os dedos da mão e até com os dos pés! Falando alto como italianão. Berrando como palmeirense que ele se tornou quando veio pra São Paulo. Quando se apaixonou pela Academia de Ademir da Guia. Ela que o fez palmeirense mesmo sendo filho de corintiano”.

A primeira vez no Palestra em 1991 seria a última. Em 8 de março de 1992, o Palmeiras goleou o São Paulo no Morumbi por 4 a 0. Festa pelo telefone, já que o pai já não morava mais em casa com o filho. Na quinta se falaram ao telefone antes da derrota pro Guarani, em Campinas. Iriam no sábado ao clube. O pai falou que compraria uma sunga pro Rodrigo na sexta-feira 13, no Shopping Continental, em Osasco.

Quando atravessou a rua foi atropelado. O motorista fugiu. Estava em coma na derrota para o Vasco no Palestra por 2 a 1. Morreu no dia seguinte. Dez dias antes do Palmeiras assinar contrato com a Parmalat.

“Ele tinha só 36 anos… Eu perdi minha ligação com o Palmeiras”.

Mas não o amor. Em 12 de junho de 1993 ganhava o primeiro título. O que nunca pôde celebrar com o pai. Mas o Palmeiras o fazia sentir perto dele.

“Nunca pudemos celebrar juntos. Mas sempre ganhamos tudo na vida só por sermos Palmeiras. Nosso time nos aproximou demais. Até hoje”.

A partir de 2011, Rodrigo passou a se conectar ainda mais com o pai e com a saudade dele ao decidir ir em todos os jogos possíveis.

“Toda vez que eu vejo o Palmeiras eu revejo o meu pai. O time é que me faz lembrá-lo melhor. Minha namorada que hoje vive comigo começou a achar estranho. Eu não ia tanto em jogos como eu vou agora. Aos hotéis do Palmeiras. Concentrações. Para receber o Borja no aeroporto. Hoje a Thais entende melhor”.

Porque Rodrigo se entende melhor como gente com o Palmeiras. E como filho do José Gilberto Lombardi ainda mais nos jogos. Desde 2011 ele segue o nosso Verdão para se encontrar com o pai.

“Minha mãe se emociona com essa minha paixão porque ela também enxerga meu pai nessa história. Mesmo ela sendo corintiana, sabe o que representa o Palmeiras pra nós. E também pra ela. Minha mãe revê o meu pai em mim por causa do nosso time”.

Thaís também e corintiana. Também vai com o Rodrigo aos jogos. Todas as camisas que não usou de menino agora ele usa sempre. Na rua, na casa de amigos. E, no estádio, quando é jogo importante, ele veste a camisa com o nome do pai nas costas. Gilberto que o levou nos ombros em 1991 ao único jogo no Palestra. Gilberto que há exatos e errados 27 anos partiu. No mesmo dia em que o Palmeiras venceu mais uma vez o São Paulo, em 2019, no mesmo Pacaembu onde não puderam entrar em 1988, e onde ninguém pode entrar em 2019. Em 1992, o São Paulo venceu tudo. Da América e no mundo. E até ganhou do Palmeiras, nos deixando mais um ano na fila. Até 1993 virar o jogo e história.

Muita coisa mudou nesses 27 anos. São Paulo não é mais aquele. O Palmeiras é o de sempre. Mas será ainda mais Verdão se souber que tudo pode virar, como o São Paulo vai se revirar um dia.

O que permanece é o que nos faltou na fila e nos dias difíceis como os que vivem os rivais. Amor incondicional pela camisa que Rodrigo não podia usar então. E agora não tira nunca para o cornetar com quem não está mais aqui.

Mas o fez homem. E Palmeiras.

Boi, boi, boi enterrado no Morumbi deixa o São Paulo desse jeito aí

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Parece um torcedor segurando o outro pra não xingar o presidente remunerado (profissional é outra coisa), a diretoria, o conselho, a comissão técnica, o ex-treinador derrubado, o ex-treinador afastado, o atual interino, o futuro técnico, o elenco, o time, o futebolixo, o Talleres, as derrotas nos clássicos.

Mas o boi, boi, boi enterrado no Morumbi é ainda pior.

Foi um companheiro de equipe lamentando um chute sofrível de um time que só chegou na segunda etapa em arremessos laterais e na primeira etapa só teve a melhor chance em um lance anulado pela mão na bola. Arremedo de time. De dar medo e raiva.

Trocando os pés pelas mãos. Trocando de comando como quem troca de camisa. E quem tinha que ser trocado não se toca.

Não é pedido de impeachment, até porque já impedido pela incapacidade. Mas é súplica porque não é possível só isso. Ainda mais para um presidente profissional.

#NuncaCritiquei. São Paulo 0 x 1 Palmeiras.

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Nunca critiquei. Jamais. Sempre achei que valia o investimento. Que não era caro pagar 6 milhões de dólares…

Mas tem coisas que só o futebol. E que só o São Paulo de hoje e destes anos pra levar o golaço que sofreu de Carlos Eduardo. Bela tabelinha com Dudu que originou o foguete que bateu no travessão no chão e em tudo que é lugar na vitória verde justa pelo segundo tempo em que Felipão fez o time jogar um pouco mais. Ou muito mais do que aquela troca de bola inerme e inerte que irritava quase tanto quanto o São Paulo de Leco. Presidente que teve o nome lembrado quando o caríssimo Everton Felipe foi a campo para tentar algo que o Tricolor só chegou na segunda etapa nos arremessos laterais de Reinaldo e depois Leo.

Mais nada. Na primeira etapa o time de Mancini ainda quis jogo. Anthony atento à direita, Gonzalo contando mais do que carneirinhos à esquerda, e criando o melhor lance da sonífera primeira parte, só parando na defesa espetacular de Weverton. Mas já com o jogo parado pela única boa jogada de Pablo. Uma bola na mão.

Nos pés, ainda que mais perigoso nos longos 45 iniciais, o São Paulo de novo teve pouco de Hernanes. Quase nada de aproximação de Hudson. Pouco de Luan. Não fosse Arboleda marcar e jogar por todos, pouco seria elogiável no primeiro tempo pobre e irritante pela limitação e falta de ousadia e confiança do São Paulo, e pela falta de interesse e intensidade do Palmeiras.

Na segunda etapa, Mancini manteve o 4-1-4-1. Mas pareceu 4-0-0-0. Pouco se fez. Muito se deixou jogar o Palmeiras mais atento. O que não era difícil. Com Borja enfim sacado no intervalo depois de irritar até Felipão pelas paredes descascadas e até por algo que parece descaso quando sai da área, Carlos Eduardo começou de centroavante. A linha Scarpa-Goulart-Dudu se manteve, embora longe do brilho usual. Mayke e Victor Luís foram bem e o Palmeiras enfim foi se acertando, Felipe Melo limpando a área na bola (e com faltas que mereciam o amarelo que não recebeu), e aproveitando certo nervosismo tricolor, e incerta apatia do São Paulo que não vence pelo Paulista um Choque-Rei desde 2009. E gol não faz desde 2012!

Quando Carlos Eduardo foi pra esquerda, Dudu centralizado e Goulart adiantado (mas trocando bastante de posição), o Palmeiras cresceu e chegou ao golaço aos 34. Tão inesperado que o repórter Marco Aurélio Souza flagrou a pilha do banco pro autor da proeza: “você errou o chute, né?”

Pode ser. O que não pode é o São Paulo seguir tão mal e até com risco de não se classificar. O que não pode é apesar da ótima vitória no Pacaembu com torcida única do São Paulo e contra Leco o Palmeiras ainda passar essa impressão de sempre pode jogar mais. E muito mais do que não quis jogo na sofrível primeira etapa.

Agora são 108 vitórias palmeirenses e 108 tricolores. Contando o Choque-Rei desde a fundação do São Paulo em 1930.

Mundial a cada 4 anos? Tem certeza?

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Não tem mais como seguir com a fórmula atual do Mundial de Clubes. O campeão da UEFA quase sempre joga o torneio como se fosse jogo beneficente de Amigos do Cristiano Ronaldo x Inimigos da Imprensa e vence fácil o campeão da Libertadores, opa, o campeão african, epa, pode até ser o asiático campeão do país-sede…

Enfim, desde a proeza corintiana em 2012, e antes mesmo dela, não é mais garantia que o campeão da Libertadores ainda jogue a vida contra o campeão europeu que, por vezes, ganha o Mundial e demite o treinador campeão CINCO DEPOIS DIAS, como Rafa Bemítez, na Inter de 2010.

Não é culpa do torneio ou da fórmula em si. É da cada vez mais oceânica distância entre o primeiro e quase único mundo da bola e os fornecedores de pé de obra que não tem como se defender do assédio e nem como atacar os donos da bola e das boladas.

Algo precisava ser feito.

Mas Mundial de Clubes com 24 equipes e cada quatro anos?

Não.

A pergunta já se responde.

O torneio deve ficar muito interessante. Não se duvida. Mas e os outros anos? E os outros campeões? Um clube ganha uma Libertadores em 2022 e só vai ter a chance de conquistar o mundo em 2025?

Não é mesmo o melhor dos mundos.

O que fazer? Modestamente, deste cantinho aqui, e sem resolver “em definitivo”, colocaria mais um europeu e mais um sul-americano na parada. Mais ou menos como o Mundial de 2000. E ainda o campeão mundial do ano anterior, tendo a chance de defender o título (caso ele já esteja como campeão continental, entra o vice; caso ele também já esteja como campeão continental, entra o terceiro colocado, e assim até se chegar a um clube que não tenha vaga adquirida)

Quais seriam os clubes a mais dos continentes mais importantes: além dos campeões da Champions e da Libertadores, os vencedores da Europa League e da Sul-Americana. O campeão mundial do torneio anterior entraria direto nas quartas. Enfrentando o vencedor da Sula OU da Europa League (um clube do mesmo continente; se o detentor do título mundo for de outra confederação sem ser Europa e América do Sul, seria por sorteio a chave).

Como acontece agora, os campeões da Champions e da Libertadores estreiam na semifinal.

Não é o ideal. Mas ainda é melhor do que um só torneio a cada 4 anos.