Todos os posts de Mauro Beting

Fora e dentro. Fortaleza 0 x 1 Internacional.

Leia o post original por Mauro Beting

O Inter não vencia havia 14 jogos como visitante no Brasileirão. Ao mesmo tempo em que na Copa do Brasil vem de grande vitória em Minas contra o Cruzeiro e só perdeu um jogo. Na Libertadores, então, ganhou três fora e só um empate.

Quem entende?

No Ceará, nada fez com os reservas na primeira etapa contra o Fortaleza que estreava Zé Ricardo. Na segunda etapa, bastaram 20 minutos e o primeiro lance do improvisado Parede como centroavante para ótimo Wellington Silva marcar o único gol da tarde. O xará Paulista ainda cabecearia uma bola para a terceira grande defesa de Danilo Fernandes.

E só. Odair venceu mais uma. Também porque desde 2017 trabalha bem no Beira-Rio. E não só lá.

Não por acaso os dois gigantes gaúchos ainda estão vivos nos mata-matas. Porque ninguém de fora matou o ótimo trabalho deles.

Continuidade da resultado. Com qualquer time. E não com qualquer clube.

Ivan na Seleção

Leia o post original por Mauro Beting

Reiterando.

Ivan tem muito potencial. Tempo de resposta impressionante nas ações. Fecha bem a meta e sabe usar os pés no mano a mano. Elástico. Não enfeita defesas.

Pode um dia defender a Seleção. Mas não como cota de terceiro goleiro jovem. Não precisa queimar etapas. Nem ser queimado por isso.

Tite extrapola quando chama vários goleiros jovens. Banaliza. Cria expectativas que podem ser falsas.

Ivan segue a escola ponte-pretana de grandes goleiros que viraram de Seleção como Valdir Peres, Carlos, Sérgio. Dois deles com três Copas. Duas como titulares.

Mas ninguém chegou tão cedo. Risco desnecessário.

Toda sorte para Ivan. E para o Brasil.

Mas outros melhores e mais experiente não tiveram as chances merecidas.

Altair e o mal do nosso esquecimento

Leia o post original por Mauro Beting

Fiapo era o apelido de Altair. Só Castilho, Pinheiro e Telê jogaram mais vezes pelo Fluminense do coração do lateral-esquerdo campeão mundial no Chile em 1962. Ele só foi Flu desde os 15 anos quando chegou nas Laranjeiras. O Vasco o quis ainda menino pelos treinos onde esbanjou regularidade e técnica como zagueiro. Mas ele queria o Tricolor. Tanto que a irmã forjou a assinatura do pai que não o queria jogador.

Vários clubes o quiseram quando virou lateral limpo e leal. Rei do carrinho. Mas ele só queria o Fluminense. Tanto que depois de ganhar 3 estaduais e 2 Rio-São Paulo, trabalhou no clube treinando meninos e auxiliando marmanjos. Como em 1966 também tentou ajudar jogando mais uma Copa. Mas essa era melhor esquecer pelo vexame brasileiro na Inglaterra.

Só que vergonha mesmo é quase ninguém lembrar dele. Altair morreu há uma semana. Em alguns estádios não teve minuto de silêncio. No enterro, apenas 18 pessoas. Nenhuma homenagem do Fluminense. Só Jair Marinho, companheiro de Flu e de Brasil em 1962, amigo de mais de 50 anos. Só uma coroa de flores da CBF.

Faz uma semana. E eu também só soube hoje que aquela simpatia que conheci há 10 anos partiu silencioso e discreto como era. Mas como não podemos deixar ser.

Esquecemos Altair. Como ele há quase 6 anos vinha esquecendo o que era. Na Copa das Confederações em Brasília ele se perdeu da comitiva. Foi encontrado por colegas jornalistas no meio da rua. Levado ao hotel, conta Alexandre Lozetti, ele falava que era campeão do mundo. E que ao ver as luzes bonitas da embaixada da Itália, comentou que ali poderia ser o novo estádio do Fluminense.

Altair sofria de Alzheimer. Esquecia muitas coisas. Mas jamais o Fluminense. A glória que o clube lhe deu dando ao Brasil o mundo.

E nós nem aí. A imprensa contando pouco. O clube, ainda menos. A CBF, o protocolar. Eu ainda me perguntando como jornalista, pesquisador, cidadão e ser humano como eu não sabia.

E como Altair, mesmo doente, ainda lembrava e respeitava mais do que todos nós.

Tite convoca para amistosos. E bem, apesar de Neymar.

Leia o post original por Mauro Beting

Neymar não está jogando. O Brasil precisa aprender a jogar sem o craque como ganhou a fraca Copa América (sem desmerecer jamais a conquista, mas ressaltando o que é necessário reconhecer).

A posição com mais opções de qualidade no futebol brasileiro é o lado de campo de ataque. Tanto com meias e pontas como com os externos que desequilibram. Temos com quem contar para amistosos.

Desta vez, mesmo, para os de dentro e de fora, melhor que Neymar ficasse de fora. Até para Tite observar outros nomes.

Mas o treinador tem lá seus motivos para chamar o craque. Até para tentar levantar a bola dele. Só continua não os tendo ao chamar goleiros do Sub-20, ou mesmo com idade olímpica como Ivan. E se todos os marmanjos se lesionarem e sobrar para o menino chamado jogar pelo Brasil?

Samir é bom zagueiro. Mas quando 90% das pessoas se perguntam quem ou onde joga nunca é bom. Ou suficientemente bom para ser convocado. (Só não quero que lembrem o caso de Firmino, que já era ótimo jogador na Alemanha, e apenas a nossa ignorância para o então desconhecer).

No mais, é por aí mesmo a lista. Com as dúvidas e escolhas distintas de praxe.

GOLEIROS – Já que é apenas amistoso e precisa mesmo testar, ótimo dar uma titularidade para o excelente Ederson. Weverton vive ótima fase. Neto, que chega agora ao Barcelona, mesmo que para a reserva, tinha mais bola e categoria para levado no lugar do desnecessário terceiro goleiro jovem.

LATERAIS-DIREITOS – Daniel Alves e Fagner. E estamos muito bem servidos. Até pela possibilidade de Fabinho e Militão também atuarem por ali.

LATERAIS-ESQUERDOS – Alex Sandro merece continuar lutando por um lugar. Ainda mais numa convocação que é sempre a mais complexa, por ser a da retomada de temporada europeia. Também porque Marcelo segue mal como o Real Madrid. Gosto do teste com Jorge. Tem muito potencial, e pode jogar mais do que tem jogado. Filipe Luís desfalcaria o Flamengo. Eu teria levado Renan Lodi. Mas entendo a opção de convocação para a Seleção Olímpica.

ZAGUEIROS – Thiago Silva e Marquinhos não se discutem. Militão também não. Mais um nome para a zaga é preciso conversar. Dedé e Geromel não tem sido os mesmos. E tem idade avançada. Mas ainda são melhores do que a maioria. Samir também. Mas os mais experientes têm Copa do Brasil. Eu convocaria Jemerson.

MEIO-CAMPO – Casemiro e Arthur são titulares. Allan é ótima opção para ambos. Fabinho enfim mereceu a chance que já era dele na Copa América. Paquetá pode vir mais atrás e armar um pouco mais à frente. Outro que faz muita coisa e muito bem. Coutinho pode jogar por dentro e pelos lados. E precisa jogar mais. Bruno Guimarães também poderia estar na lista não fossem as finais da Copa do Brasil.

LADO DIREITO – Douglas Costa e Lucas Moura estariam como opções. Sempre. Como Dudu. Willian. Mas é bom testar novos nomes. E confirmar como opções David Neres e Richarlison, que podem fazer outras funções na frente.

LADO ESQUERDO – Neymar falei acima. E não teria chamado. Vinicius Júnior não se discute como opção. Até porque está sendo testado pela direita no Madrid. Bruno Henrique em fase goleadora merece o chamado. Everton Cebolinha só não vai pelas possíveis finais de Copa do Brasil.

CENTROAVANTE – Firmino. Gabriel Jesus suspenso, Richarlison jogando por ali, a posição está bem servida. Até porque não são tantos os nomes. Entre eles estaria Gabriel Barbosa, mais jogador e potencial que Bruno Henrique. Mas que já teve desgaste na Seleção. Por isso entendo a escolha de Tite.

TROCA-TROCA.

Neto x Ivan; Jemerson x Samir; Lucas Moura x Neymar.

Voltando. Grêmio 2 x 0 Athletico.

Leia o post original por Mauro Beting

Talvez tenha sido a melhor partida do Grêmio em 2019. E poderia ter sido até mais. Talvez tenha sido a pior partida do Athletico na temporada. E dá até pra dizer que o time saiu satisfeito (ou conformado) da Arena tricolor.

Foi 1 a 0 gol do redivivo André, aos 23 iniciais. Foi 2 a 0 na falta bem colocada de Jean Pyerre, e aceita por Santos, aos 26 finais.

E se fosse mais não seria absurdo. A zaga não deixou Ruben jogar. O meio-campo jogou e também não deixou o Furacão se criar em noite pálida de Lucho e discreta de Bruno Guimarães.

E muito eficiente do Grêmio copeiro.

Portuguesa, 99

Leia o post original por Mauro Beting

Não teve festa pelos 99 anos. Ao que sei. Não tem tido motivo.

Tenho pouco mais da metade dessa idade. Sou do tempo quando se conheciam até os reservas. Hoje não consigo citar um titular. Ou mesmo o treinador.

Qual campeonato disputa. Se é que joga.

Porque jogaram a Portuguesa onde está. De fora para dentro. De dentro pra fora de tudo.

Não sei quando volta. Se retorna. Como será. Se um dia ainda será.

Mas sei que hoje, com amigos e colegas, começamos a contar um pouco desses 99 amos. Queremos contar ainda mais.

Porque o que hoje temos é aquela Portuguesa. Aqueles times. Aquelas festas. Aqueles craques. Aquele Canindé.

Essa camisa da foto.

Colorida do passado. Preta e branca do presente.

O futuro?

Ninguém sabe. E quem deveria contar não está nem aí. Nem lá no Canindé.

Oremos, Lusa. Rememos, Portuguesa.

A cruz que se carrega no peito não é peso. É sinal de esperança.

Retranca e as bestas

Leia o post original por Mauro Beting

Daniel Farke treina o Norwich, simpático time dos canários que volta depois de 3 anos ausente da Premier League. Na estreia, pela frente apenas o hexacampeão europeu Liverpool, em Anfield. O time que foi o maior vice da

história inglesa na temporada passada.

“Nós somos a zebra do torneio. O maior favorito para ser o último colocado (na Inglaterra). Mas não é por isso que vamos colocar um ônibus na na frente da área. Vamos jogar como gostamos e sabemos. Vamos tentar atacar”.

Não deu certo. Ou não deu resultado. Um gol contra de cara. Mais três do Liverpool. 4 a 1. Mas jogando. Ou tentando jogar o seu jogo.

Se estivesse todo atrás, mais não querendo jogar do que sair pro jogo, teria sido muito diferente?

Em nossos campos, o Fluminense é muito mais do que o Norwich. Como também pode muito mais sem a bola o time de Diniz.

Mas tem como conseguir resultados muito melhores com o que tem?

O Tricolor não consegue se dar bem no BR-19 não exclusivamente pela ideia de jogo do seu ousado treinador. Tem muito a vez com uma série de coisas. Inclusive as que não se veem.

Mas só botar na conta do estilo e da escola de jogo de Diniz é um desrespeito a ela e ao próprio jogo no Brasil.

Claro que há excessos. O gol que deu a vitória ao Galo também nasceu de uma prática que não condiz com a técnica. Não adianta sair jogando como Iniesta se você não é o Xavi. É preciso botar a bola no chão e o ego também. Ser mais simples. Por vezes mais direto.

Mas não significa só fechar a casinha o caminho. É preciso arrumá-la. E ser mais equilibrado não só em campo.

Botafogo, 115 anos

Leia o post original por Mauro Beting

Botafogo, você nasceu nas regatas em 1894. No futebol, há exatos 115 anos. A fusão da bola com o remo foi em 1942. Tem três datas de nascimento. Teve dois clubes que viraram um. Tem o mais lindo escudo do mundo. O que não precisa se redesenhar. Mas é preciso se repensar.

Porque parece que sempre foi Estrela Solitária. Fosse Heleno e suas loucuras. Garrincha e suas genialidades. Nilton Santos e suas aulas. Jairzinho e seus ventos que hoje não sopram em General Severiano. Uns tempos rebaixado a Marechal Hermes. Resgatado em Caio Martins. Agora no Engenhão que virou Enciclopédia. Porque você é história.

Mas não pode ser só isso.

Nunca foi apenas isso.

O mundo que o diga via Brasil. O país que ganha vira Rio.

O Botafogo que não pode virar o fio. É patrimônio do esporte. É uma metáfora do Brasil que já deu certo e hoje se perde em bala perdida como a bola. Em fuzil de janeiro aos sinos de dezembro.

Não sei se o Botafogo voltará a renascer das cinzas como as meias. Não sei se o futuro será negro como o presentes dos calções. Não sei se as listas de prioridades bem pensadas pelos Salles farão brilhar a estrela que precisa ser solidária.

Eu que não sou não sei. Os que são parecem que perecem com os diabos que já se foram desmandando.

O Botafogo é muito mais do que uma pintura desbotada na parede embolorada num apartamento abandoado. Não pode ser uma fresta do sol que ilumina a tarde durante tiroteio com vítimas prostradas e próceres abastados.

O Botafogo tem que ser como o Rio. Precisa reagir. Por si só. Pagar o que é impagável. Arrumar o que se pode. E se virar como se refez em 1942.

Eu não sei como. Mas um clube que fez o que fez lá dentro de campo precisa daquelas genialidades meio malucas meio Manés para revirar a história.

Rogério Ceni no Cruzeiro

Leia o post original por Mauro Beting

Para o time mineiro, tem tudo tudo para dar certo tudo que tem dado tão errado. Para mudar a filosofia de jogo. Para implementar uma nova maneira de pensar e que bate com o elenco que terá em mãos.

Para Rogério, que fez mais gols no imenso Fábio, não deixa de ser um desafio gigante. Deixar um trabalho histórico e muito bem feito no Fortaleza para ser cobrado em um clube que fez dívidas internas e externas complexas.

Mas Rogério se fez Ceni assim. Dará certo.