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Libertadores: Só um brasileiro tem chance de chegar à final

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Libertadores: Só um brasileiro tem chance de chegar à final

Não é nem escolha, nem opinião, é que os brasileiros que sobraram na Libertadores vão se matar entre eles nas quartas de final.

Atlético Mineiro e São Paulo farão dois jogos disputados. No regulamento diz que times do mesmo país devem se enfrentar antes da final.

Ao contrário da Liga dos Campeões da Europa, aqui times do mesmo país não podem jogar a final.

Se isso valesse do outro lado do mundo não teríamos no próximo dia 28, em Milão, a final espanhola entre Real e Atlético de Madrid.

Coisas de um mundo mais atrasado. Mas mesmo sem o regulamento, neste ano as chaves de Atlético e São Paulo iriam se cruzar de qualquer jeito, então a culpa desta vez não é da Conmebol.

O brasileiro que passar vai enfrentar o vencedor de Atlético Nacional e Rosário Central, mas se o Boca se classificar do outro lado, os dois argentinos se matam na semifinal e daí mudará o adversário do brasileiro.

Sairia do vencedor de Independiente del Valle, do Equador, ou Pumas, do México. A viagem para o México é mais longa que a do Equador.

Acredito que o São Paulo tem forças para tirar o Atlético Mineiro da competição. E penso assim porque o time melhorou muito nos jogos mais decisivos e parece começar a entender melhor o técnico Edgardo Bauza.

O Atlético tem um grande time e um bom treinador e não seria surpresa se classificar.

Mas como sempre achei que o primeiro jogo decide muita coisa e acontecerá no Morumbi na próxima quarta-feira, o São Paulo terá que fazer bem a sua lição de casa e depois administrar em Belo Horizonte.

É difícil? Muito, mas não impossível.

Nas outras chaves eu acho que passam Rosário Central, Boca Juniors e Pumas.

A Libertadores é uma competição traiçoeira e às vezes aquele que sobe de produção na hora certa acaba campeão.

O último que venceu fazendo melhor campanha foi o invicto Corinthians, em 2012.

O Atlético Nacional fez a melhor campanha e foi premiado com o Rosário como adversário.

Contra qualquer outro seria favorito disparado, mas contra os argentinos não. Na minha opinião, é claro.

Independiente del Valle não conseguirá segurar o Pumas e há a rivalidade Argentina-Uruguai no confronto Boca e Nacional, mas acredito mais no Boca de Tevez e do ex-corintiano Lodeiro, que até hoje não foi pago para o Corinthians.

Tite? Guardiola? Feliz é Fernando Diniz que não tem ninguém para encher o saco

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Tite? Guardiola? Feliz é Fernando Diniz que não tem ninguém para encher o saco

Dois dos melhores técnicos da atualidade, na minha opinião, vivem semana similar. Cada um num canto do mundo.

Guardiola mais uma vez foi eliminado da Liga dos Campeões. De nada adiantou a posse de bola contra o hermeticamente fechado Atlético de Madrid.

Mesmo em dois jogos não conseguiu se classificar. Foi vaiado no fim de semana porque podia ter sido campeão antecipado na Alemanha, e não seria a primeira vez, e quando saiu do estádio, em Munique, também havia pressão pela eliminação na Liga.

Os gritos de “Fora, Guardiola” são uma afronta ao futebol. Mas ele tem contra si a sombra do técnico anterior      (Jupp Heynckes) que ganhou não só a Bundesliga, mas também Supercopa e Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões.

A verdade é que não é preciso ser Guardiola para ganhar jogos e títulos, mas o time dele joga bem futebol e isso é agradável aos olhos, mas nem sempre para quem perde.

Enalteço o trabalho de Simeone no Atético de Madrid. Um técnico tem que saber da limitações da sua equipe e não se expor mesmo. Nada contra, só estou analisando a beleza do jogo e o trabalho em campo.

Como Guardiola fez um trabalho futurista e grandioso no Barcelona, embora sempre diga que o que o seu time jogava  é o que o Brasil jogava em 1982, é sempre cobrado por títulos e espetáculo.

Mas agora só o espetáculo não basta. O futebol é profissional, precisa de dinheiro e para consegui-lo é preciso ganhar também no campo.

Ainda com um crédito incomensurável, Guardiola não fica sem emprego. Vai para o Manchester City, que teve no chileno Manuel Pellegrini um grande treinador.

E Tite? O que tem com isso?

Tite vive uma outra realidade, mas também é um treinador extraordinário e foi eliminado na Libertadores, uma espécie de Liga dos Campeões do lado de cá do mundo.

Viveu, guardadas as devidas proporções, uma semana parecida com a de Guardiola.

Tinha sido eliminado do Paulista há poucos dias e o time no primeiro jogo, em Montevidéu, jogou bulhufas. Foi muito mal, não deu um chute ao gol adversário.

Acabou empatando em casa em 2 x 2 com o Nacional uruguaio e está fora da competição.

Tite começa a ser questionado novamente. É a sina do treinador no mundo todo pelo jeito.

Já ouvi que ele não ganha mata-mata. Mentira, ganhou uma Libertadores invicto e o Mundial no mata-mata. Ganhou Copa do Brasil com o Grêmio contra o próprio Corinthians também no mata-mata.

Na saída do estádio ontem cheguei a ouvir: “Ele não pode escalar Rodriguinho, é muito fraco, podia ter colocado o Guilherme”.

Guilherme? Aquele que todos criticavam e que ainda não se adaptou ao time? Ah, bom, aquele que a mesma torcida queria fora da equipe?

Sempre o de fora é o melhor quando o time perde. “Ah, tem que treinar pênaltis”. Sinceramente você acha que ninguém treina pênaltis no Corinthians? Claro que treina, mas é verdade, não tem dado certo.

Ao contrário de Guardiola, Tite conta com o que tem. Chegou em janeiro para comandar o time que tinha acabado de ser campeão brasileiro (é isso mesmo, se vocês esqueceram o time foi campeão brasileiro há poucos meses) e encontrou o elenco desfalcado por negociações para o exterior.

Teve que repor essas peças com os jogos em andamento. É consertar avião no ar e de vez em quando uma peça ficava pelo caminho.

Quase perdeu Elias e Cássio para o exterior. Daí seriam 9 baixas em relação ao time campeão do Brasil.

Queria ver Guardiola retornando de uma temporada vitoriosa e encontrando o Bayern sem Douglas Costa, Lahm, Neuer, Thiago Alcântara, Robben, Lewandowski e outros mais. Iria embora na mesma hora e ainda chamaria aquilo de imensa falta de profissionalismo.

Agora que ele está indo para o City já enviou a lista de reforços e ela começa só com Neymar e tem outros que não podem passar por equipes brasileiras nem em sonho. Os preços são impraticáveis para nós.

Terá milhões para gastar na montagem do elenco e vai dispensar muita gente boa também. E todos aplaudem.

Acho que Tite gostaria de viver uma situação como essa. Garantia total de emprego por três anos, um salário altíssimo e um dinheirão à disposição para contratar gente boa.

Garanto que não jogaria com Alan Mineiro, Romero, Guilherme e outros. Pensaria mais alto, com certeza.

Por isso que eu digo, feliz mesmo é Fernando Diniz, técnico do audacioso Audax, que já é no mínimo vice-campeão paulista.

Se perder está bom, se empatar está bom e se vencer está ótimo. Não será pressionado, não será cobrado por torcida que o time não tem, não verá seu nome pichado no muro em meio a palavrões, não será obrigado a ouvir insultos e pressões nos vestiários.

Vai continuar a vida e ainda será chamado por nós da imprensa como impetuoso e moderno. Responsabilidade zero.

Mas também não terá os salários de Tite e muito menos os de Guardiola. São os ônus que carregam o bônus. Você ganha mais, também será mais cobrado e precisa vencer mais também.

É o paradoxo do futebol atual e do chamando mundo capitalista. Não há mais romantismo na quentura dos estádios. Só em Osasco para o feliz Diniz.

Nem parecia final

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Nem parecia final

O jogo foi tão bom que nem parecia final. Normalmente os jogos decisivos são chatos, amarrados, estudados ao extremo e dificilmente têm tantos ataques.

Santos e Audax chegaram ao gol por 17 vezes. Fizeram poucas faltas e inebriaram aqueles que gostam de futebol.

Cada um ao seu estilo, os dois times foram se distribuindo no gramado com as suas qualidades.

O Audax com posse de bola e o Santos com mais talento individual, mas mostrando um grande conjunto e muita velocidade com Lucas Limas, que prende a bola, mas quando a solta dá um toque especial para os companheiros de ataque onde encontra Ricardo Oliveira e Gabriel pensando muito rápido no que fazer.

Vitor Bueno, bom de bola e uma revelação do Campeonato, destoou nesse primeiro jogo da final. Esteve apagado e meio murcho. Não parecia estar ligado na final. Coisa de garoto.

O técnico Dorival Júnior foi inteligente ao obrigar seus homens da frente a correr humildemente atrás dos defensores do Audax para provocar os erros deles. E conseguiram em várias ocasiões.

O goleiro Sidão é grande no tamanho, mas não domina todos os fundamentos que um goleiro deve dominar.

Ao contrário de Vanderlei, que é muito bom goleiro e que segundo seu treinador Sebastião Martins Oliveira Júnior, o Arzul, tem nível de Seleção Brasileira e nos pênaltis é especialista porque seu tempo de reação é assombroso.

Enquanto o Santos tem mais individualidades, o Audax tem um conjunto muito bem treinado por Fernando Diniz, que segundo informações, às vezes treina 11 titulares contra 13 reservas para os jogadores aprenderem a se livrar em espaço pequeno da marcação e melhorar os passes.

A posse de bola é a maior virtude do time. Tem na frente esse bom Mike, formado no Internacional, de Porto Alegre, e ainda Camacho, que nunca jogou nada na vida, mas agora é o craque e capitão do time, e Bruno Paulo com pífias passagens em outros times grandes como Palmeiras e Flamengo.

Mas num time de bom conjunto o jogador médio se ajusta. O que faz falta é mesmo na hora da decisão. Aí a individualidade acaba pesando um pouco mais.

Mesmo assim não parece uma final comum. O Santos tem o retrospecto de não perder há 27 jogos na Vila Belmiro.

Só no Campeonato Paulista são 5 anos sem derrota em seu estádio, mas o Audax joga bem fora de casa e já passou por pressão maior no Itaquerão contra o Corinthians e mesmo contra o São Paulo, em Osasco.

A final está aberta. Na torcida e na análise acho que vai dar Santos, mas o Audax está mais vivo do que nunca.

O futebol do São Paulo foi a surpresa das oitavas da Libertadores

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O futebol do São Paulo foi a surpresa das oitavas da Libertadores

Corinthians patinou em Montevidéu, mas conseguiu pelo menos um bom resultado. 0 x 0.

Tite preferia empate com gols, mas como fazer gols Tite se seu time não deu um chute no gol adversário?

Foi pífia a atuação corintiana principalmente no segundo tempo. Decide em casa quarta-feira que vem e tem boas chances de passar.

Grêmio perdeu em casa e se complicou diante do Rosário Central. Não deve se classificar.

Atlético Mineiro empatou com o Racing também em 0 x 0. Ao contrário do Corinthians deu uns chutinhos a gol e tem boas chances de classificação.

Ontem o São Paulo, cuja desconfiança era total apesar da boa atuação e a classificação na altitude de La Paz, deu um show de futebol.

Deve se levar em consideração que o Toluca veio com seis baixas e não jogou nada.

Não jogou nada porque o São Paulo também não deixou, mas também não é a grande equipe que superou Grêmio, LDU e San Lorenzo na primeira fase.

Na volta quarta-feira da próxima semana, em Toluca, o São Paulo pela vitória de 4 x 0 já chega classificado.

Sem jogos no fim de semana o time de Bauza tem toda as condições de descansar e fazer um bom jogo também no México.

O Toluca nessa altura já sabe que não se classifica e presta mais atenção ao Campeonato local.

Mas ponto positivo foi o Edgardo Bauza fazer o time jogar de forma compacta, ter uma posse de bola barcelônica e fustigar o tempo todo o adversário.

O Toluca não teve nenhuma chance. Renan Ribeiro, tal qual Conde, goleiro do Nacional, na quarta-feira, só assistiu o jogo de dentro do campo.

Paulo Henrique Ganso se achou com Bauza. Joga de área a área, ou como dizem por aí box a box, mas a verdade é que é mais produtivo e além de bons passes por conta de sua bela técnica, tem ainda entrado na área, coisa que não fazia muito antes.

Aliás, desde a época de Muricy Ramalho no Santos, o pedido era para entrar na área, para chutar mais a gols e não viver apenas de passes preciosos, mas Ganso gosta mais de dar o passe do que fazer gols. Precisa tomar gosto pelo gol.

Outra surpresa foi Centúrion que fez dois gols, o primeiro deles um golaço, e que só jogou por conta da suspensão de Calleri e da caganeira do Alan Karde, que passou mal o dia inteiro e ainda entrou no finalzinho da partida.

Em suma, foi mesmo na cagada, mas Centúrion aproveitou bem e saiu do Morumbi pela primeira vez sorrindo e de cabeça erguida.

Ontem dois “malditos” perante a torcida, Michel Bastos e Centúrion, fizeram a sua parte e parece que pelo menos por enquanto apaziguaram os ânimos com os torcedores mais exaltados.

Sinalizadores apareceram no Morumbi no primeiro jogo enfumaçando o jogo. O árbitro uruguaio, Jonhatan Fuente, foi medroso e não quis parar o jogo. Era o que devia ter feito.

Outro dia na Arena Palestra Itália, Vinícius Furlan foi corajoso e parou a partida. O São Paulo pode ser multado por causa dos sinalizadores.

No jogo em Montevidéu, o Nacional pediu encarecidamente para seus torcedores não usarem sinalizadores e foi atendido. No Morumbi a coisa correu solta e veio principalmente das Organizadas, sócias ocultas do clube.

 

Malditos (benditos) pênaltis

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Malditos (benditos) pênaltis

Duas eliminações na decisão de pênaltis no fim de semana nas semifinais do Campeonato Paulista.

Mas por outro lado, duas classificações também nos pênaltis.

Malditos pênaltis dizem os derrotados. Benditos pênaltis dizem os classificados.

No sábado, o Corinthians sofreu para se equilibrar ao audacioso Audax, time de futebol irresponsavelmente belo que comandou o marcador e acabou em dois gols para cada lado.

Mesmo placar do tempo normal de ontem, em Santos. A diferença é que se o jogo de sábado foi ótimo, talvez o melhor do Campeonato, ontem só deu Santos na maior parte do tempo e o Palmeiras tirou da cartola e de sua própria história a inspiração para fazer dois gols já nos minutos finais da partida e levar a decisão para a marca da cal.

A decisão por pênaltis é cruel até para quem ganha. Ela é sofredora por si só, é como eu digo sempre, uma fábrica de heróis e vilões.

No sábado, os heróis foram os jogadores do Audax que bateram com muita categoria enquanto os corintianos continuaram com a sua sina de pênalti perdido que começou na verdade com Matheus Pereira e aquela maldita cavadinha na Copa São Paulo de Júnior.

Parece praga. De lá para cá se contarmos os três pênaltis mal batidos no sábado, já são 6 desperdiçados no ano de 9 batidos. É muita coisa.

Falta o quê? Concentração, treinamento, estudar melhor o goleiro adversário, o que mais?

Tite treina pênalti praticamente todos os dias e agora na Libertadores também poderá decidir nesse tipo de jogada. E daí, o drama vai continuar na cabeça dos corintianos?

Fagner, que vive grande fase, e Rodriguinho desperdiçaram suas cobranças. André que fez os dois gols no tempo normal, foi um grande nome do jogo, confirmou com categoria o seu pênalti, o primeiro do Corinthians na decisão.

Ontem na Vila, Fernando Prass cresceu aos olhos de todos quando o seu time foi buscar um empate quase impossível com dois gols de Rafael Marques em um minuto e meio em jogadas envolvendo Lucas Barrios.

Seriam eles justamente os dois que errariam as cobranças para as boas defesas do goleiro Vanderlei que foi o verdadeiro tapa penales da noite tomando o lugar do herói de Prass que bateu o último pênalti do Palmeiras na trave.

Lucas Lima que tanto provocou antes do jogo nas redes sociais, viu o seu chute ser defendido por Prass que parecia que de novo, como na Copa do Brasil, sairia contando vantagem do clássico com o Santos. Dessa vez a história foi contada pelo santista Vanderlei.

David Braz, Zeca e Vitor Ferraz confirmaram para o Santos. Apenas Cleiton Xavier e Jean marcaram para o Palmeiras.

O Santos mereceu a classificação. Foi sempre melhor na maior parte do jogo e mostrou de novo uma molecada dedicada ao extremo e um Gabriel iluminado com dois gols e um futebol de altíssimo nível. Jogou muito o dez da Vila.

Mas Gabriel Jesus do outro lado ficou devendo. Quem também ficou devendo foi o artilheiro Ricardo Oliveira que se livrou de bater o quinto pênalti já que Fernando Prass perdeu o último do Palmeiras e a série terminou ali.

Domingo próximo, em Osasco, e no domingo seguinte na Vila Belmiro acontecem as duas finais do Paulista entre Audax e Santos.

Tomara não termine nos pênaltis. É uma crueldade com os competidores e com o coração dos torcedores, embora seja emocionante.

Acho que em dois jogos dá Santos campeão paulista, mas o Audax já mostrou que surpresa e coragem para enfrentar os grandes é com ele mesmo.

Será uma final de dois times que gostam de atacar. Teremos muitos gols.

Estou fazendo um ano hoje

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Estou fazendo um ano hoje

Há um ano, no dia 23 de abril de 2015, tive uma embolia pulmonar que me levou a UTI.

Perdi naquela ocasião as finais do Campeonato Paulista entre Santos e Palmeiras e vários jogos na sequência no Campeonato Brasileiro.

Comecei a sentir uma dorzinha do lado esquerdo do peito, embaixo do braço, quando entrei no carro para voltar para a casa após o “Esporte em Discussão”.

O Flávio Prado me convidou para almoçar e declinei. Disse que iria para casa descansar um pouco.

Achei que era mau jeito ou coisa que o valha. É sempre assim, o corpo avisa e a gente não entende ou não quer entender.

Só que a dorzinha virou uma dorzona, a pior que já senti em minha vida. Nem mesmo numa crise de cálculo renal que eu tive há mais de 20 anos, senti tanta dor.

Achei que era infarto, minha filha Aline me levou ao Hospital e eu pedia para ela parar em qualquer farmácia, benzedeira, terreiro, enfim, onde alguém tirasse aquele dor que só aumentava. Era lancinante.

Me levou para o Hospital Samaritano que salvou minha vida. Os primeiros atendimentos foram decisivos.

Lembro que entrei por uma ala infantil com a mão no peito e pedindo ajuda. Devo ter assustado algumas pessoas que estavam ali.

Fui para outro setor e o atendimento foi nota mil. Todos preocupados em buscar a causa daquele dor incrível.

Primeiros exames cardiológicos não deram nada, menos mal, mas o mal continuava lá e doía muito.

Depois de alguns minutos a conclusão era de embolia pulmonar. Me internaram e começaram o tratamento.

Nem fiz a ficha e já estava sendo atendido. Minhas filhas cuidaram disso mais tarde. Minha esposa, Creusa, ligava de 5 em 5 minutos para saber se eu já tinha sido atendido. Ela já estava na rua também se dirigindo para lá.

Vi que o atendimento era rápido para outros pacientes também em situações difíceis.

Deveria ter anotado o nome daqueles médicos todos para agradece-los mais tarde. Foi uma falha minha.

No dia seguinte me transferiram para o Sírio Libanes que tinha UTI disponível para mim. O Samaritano com problema de dengue e outras doenças estava superlotado.

Eu que nunca tinha entrado numa ambulância, nunca tivera qualquer problema mais grave, vinha de uma cirurgia de menisco que agora está novinho em folha, obra do Doutor Fernando Leopoldino, não sabia nem o que pensar a não ser que a coisa era grave.

Era grave, mas nem tanto. Numa escala de zero a 10, a minha embolia foi 4. Não cheguei a ser entubado, fiquei apenas um dia na UTI, mas saí de lá como se tivesse nascido de novo.

Doutor Alfredo Salim Helito, consultor Jovem Pan e amigo para sempre, me tranquilizou o tempo todo e transformou a UTI na sala da minha casa. Só tenho a agradecer eternamente.

Sem restrição alimentar, sem os médicos saberem até hoje porque aquilo aconteceu e com a orientação para emagrecer, coisa que ainda estou tentando preguiçosamente sem sucesso, mas vou conseguir, nasci de novo.

Tomei remédio para afinar o sangue por um bom tempo, tenho que usar meias elásticas, ou algo assim, quando viajar de avião ou ficar muito tempo em pé, as vezes esqueço, não tem problema.

Sei que aos 58 anos de idade é normal ter algumas dorzinhas, mas quando alguma coisa aparece, eu já fico mais atento.

É aquela velha história. Depois de uma certa idade se acordar sem dor é porque morreu. É preciso entender melhor a gente mesmo.

Preciso aprender a tirar uma hora por dia só para mim, ainda não consegui, mas estou chegando lá. Ficar mais próximo dos familiares e amigos e gozar o futebol como um divertimento.

É disso que eu gosto e tenho sorte que seja também o meu trabalho. Um dos bons momentos da minha vida é quando estou no ar, trabalhando, falando com gente e discutindo sobre vários assuntos, mas de preferência o futebol que é o que sei um pouco mais.

Continuo chato, ranzinza e gosto de defender minhas ideais, mas sinceramente não tenho mais tanta opinião formada sobre tanta coisa. Quem precisa ter? Quem precisa saber tudo ou de tudo?

Tudo está passando rápido demais e agente vai pegando pedaços de vida daqui e dali e formando a nossa.

Dizem que todos temos várias vidas dentro das nossas vidas. Esta é mais uma etapa.

Tenho apenas um ano dentro desses meus 58 e acho que ainda estou aprendendo. Por isso vale à pena.

Que malandro é você, Calleri?

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Calleri já provou que é goleador e dos bons. Tem 8 gols na Libertadores, 4 deles só contra o raquítico Trujillanos, no Morumbi, mas não interessa, esse é o tipo de jogo que tem que aproveitar mesmo.

Tem feito os últimos gols do São Paulo em todos os jogos e parece adaptado ao futebol brasileiro.

Ele é jogador do time do empresário Juan Figger, no Uruguai, e tem promessa de jogar na Internazionale, de Milão, no segundo semestre quando começa a temporada européia.

Tricolor sonha em ficar com o atacante, mas sabe que é difícil. Na verdade o clube desde à época de Juvenal Juvêncio virou barriga de aluguel para jogador de Figger. Calleri é só mais um.

Depois de ter sumido completamente no clássico com o Corinthians quando ficou no bolso do zagueiro Felipe a quem provocou o tempo todo e não conseguiu tirar do sério, caiu de rendimento e parecia que não ia dar certo.

Desandou a fazer gols de novo e ajudou demais o São Paulo nessa classificação para as oitavas da Libertadores contra o Toluca e pode ficar fora, no entanto, dos dois jogos por conta de expulsão em La Paz após o jogo terminado.

Dizem que argentino é provocador e malandro, mas que malandro é você, Calleri?

Senão vejamos: Contra o River fez dois gols, foi um destaque, mas Bauza o retirou de campo antes do fim de jogo para não ser expulso.

Levou um tapa na cara de Vangioni no segundo tempo. D”Alessandro fingindo que estava lá para apartar qualquer briga, na verdade segurou Calleri para Vangioni socá-lo.

O árbitro deu cartão amarelo para o lateral do River e amarelo também para Calleri. Apanhou, levou tapa na cara e ainda ganhou um amarelo de presente.

Em La Paz já estava fora do jogo e resolveu adentrar o gramado para cumprimentar o zagueiro Maicon que acabou o jogo como goleiro na vaga de Dênis que foi expulso e o São Paulo não podia mudar mais ninguém, já tinha feito as três alterações possíveis.

Pois se envolveu em confusão e só levou a pior de novo. Foi socado, levou chute na bunda e para ir ceder material para o exame anti-doping precisou de escolta.

O árbitro chileno Roberto Tobar, aliás muito fraco, entendeu que Calleri só foi ao meio-campo abraçar o seu companheiro para provocar os nervosos jogadores do Strongest que queriam sua cabeça por declarações dadas aqui no Brasil.

Calleri disse que queria fugir do Boca Juniors nas oitavas e conseguiu fugir mesmo com esse empate, mas os bolivianos tomaram como provocação porque foi dito antes da classificação sãopaulina. Bobagem boliviana, mas o futebol tem dessas coisas.

Não devia ter voltado ao campo, devia ter ido direto para os vestiários e lá falaria com Maicon. Como costumamos dizer, deixou a bunda na janela e deu chances ao árbitro para expulsa-lo.

Que malandro é esse, meu Deus? Agora pode ficar fora por três jogos de suspensão da Conmebol.

O São Paulo vai protestar e tentar mostrar o vídeo do jogo onde realmente Calleri aparece não fazendo nada demais. Ele foi vítima e não agressor.

Mas com seu temperamento explosivo é bem possível que pegue uns três jogos de gancho.

É assim que a Conmebol tem agido em vários casos semelhantes e precisa saber também se o árbitro carregou contra ele na súmula.

Espero também que a Conmebol puna o Strongest pela várzea que arrumaram no fim do jogo. Jogadores querendo agredir atletas do São Paulo jogando perigosamente a torcida contra o time brasileiro.

Foi um clima de Libertadores da década de 60 e isso tem que acabar. Não ganha jogo e só atrapalha o futebol.

O “irresponsável” Audax testará o favoritismo do Corinthians

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O “irresponsável” Audax testará o favoritismo do Corinthians

A maioria dos torcedores independente de time reconhece o bom momento do Corinthians.

Mesmo para os mais despeitados não há como mentir. O time é um dos melhores do momento com um trabalho magnífico de Tite que perde jogadores, arranja outros e vai se adaptando à várias situações que duvido que muito técnico europeu badalado conseguiria suportar.

Imaginem Guardiola chegando de uma temporada para outro e fica sabendo que perdeu 7 titulares? Iria embora imediatamente chamando os dirigentes de amadores.

Aqui os dirigentes não foram amadores porque nada podiam fazer para deter a debandada do elenco, tudo foi legal e dentro do contrato e os chineses se aproveitaram do péssimo momento econômico vivido pelo país.

Tite foi reagrupando o elenco sem grandes estrelas transformando jogadores médios em bons e os bons em excelentes.

O que vale no Corinthians é o coletivo, não há nenhuma grande estrela a não ser o treinador que está mesmo entre os melhores do mundo, na minha opinião.

Sábado o Corinthians testará mais uma vez a sua força. Jogará as semifinais do Paulista em seu estádio, às 18h30, contra o audacioso Audax de Fernando Diniz, que não tem torcida, não tem grandes gastos, paga em dia e não tem pressão nenhuma.

Joga até de forma irresponsável porque não precisa dar satisfação a ninguém além dos seus próprios profissionais e dirigentes.

Ninguém vai pichar muro, destruir sede e ameaçar jogador se o time for eliminado pelo Corinthians.

Se passar ótimo, ficará na vitrine mais duas semanas, se não passar já fez o seu comercial com um jogo coletivo de posse de bola e como eu disse antes, até com alguma irresponsabilidade,o que tornou mais bela sua ótima campanha.

O Audax tem jogador de Seleção? Não tem. O Audax é um primor de time? Não é, mas é um time bem montado.

Fernando Diniz faria a mesma coisa em um time grande? Pode ser, mas tenho minhas dúvidas. Iria perder muito e tenho quase certeza que os dirigentes não segurariam sua onda.

Portanto, diante de tudo isso a responsabilidade é toda do Corinthians. Tem obrigação de vencer e ir às finais do Paulista coisa que não conseguiu no ano passado diante do Palmeiras nos pênaltis dentro do Itaquerão.

Tite terá que se arriscar com marcação na saída de bola do adversário para impedir o toque de bola dele.

Terá que abrir um pouquinho um time que sabe como poucos se defender e sabe o que fazer quando tem a bola nos pés, por isso é bom recupera-la mais perto do gol adversário.

O Corinthians tem 80% de chances de passar pelo Audax num jogo só de semifinal.

Restam 20% para o Audax, o que significa muito para um time atrevido e que não tem medo de ser feliz. Joga sem obrigação e com alegria.

O instável São Paulo busca “La Paz” perto do céu, mas vivendo no inferno

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O instável São Paulo busca “La Paz” perto do céu, mas vivendo no inferno

Depois dos 2 x 1 sobre o River Plate, no Morumbi, na semana passada, eu disse aqui que o São Paulo estava melhorando e estava melhor porque tentava jogar futebol.

Sem essa bobagem de raça, de gritaria, de motivação extraordinária, é só jogar bola, mas eis que ontem, em Osasco, levou uma sova do Audax, 4 x 1, e Lugano ainda disse que não foi vexame.

Imagine se fosse? Com todo respeito, o São Paulo mesmo com time reserva, e não foi o caso, não pode perder de 4 para o Audax.

Achava até que poderia perder, mas não de forma tão acachapante. Foi humilhado e eliminado do Campeonato Paulista.

Isso só bota mais pressão nos ombros sãopaulinos para o jogo contra o Strongest, na quinta-feira, em La Paz.

La Paz, essa é uma coisa que o tricolor tem que buscar, desculpando o infame trocadilho com o nome da capital boliviana, uma das cidades mais feias que conheci e além de tudo dá nos nervos, falta ar e para quem tem que correr pelo menos para segurar um empate e não tem tanta qualidade futebolística, deve ser ainda mais difícil.

Esse o momento tricolor. Até a paz que procura é num lugar que não condiz com o nome.

Dizem os bolivianos que no topo do mundo estão mais próximos das estrelas, mais perto do céu.

Para o São Paulo pode ser o inferno perto do céu. Se não passar pelo Strongest, Bauza pode dar adeus ao Morumbi antes de esquentar lugar.

Alguns jogadores também podem segui-lo levando a faixa de campeão da instabilidade do futebol mundial.

Cleiton Xavier é o meia que o Palmeiras precisa ou é o novo Valdívia?

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Cleiton Xavier é o meia que o Palmeiras precisa ou é o novo Valdívia?

O Palmeiras cansou dos chinelinhos de Valdívia. Contratou Cleiton Xavier que tinha tido uma boa passagem pelo clube, assim como o chileno na primeira vez, e ele chegou com muitos problemas de contusões.

Não só herdou a camisa 10 de Valdívia como seu lugar no Departamento Médico.

A diferença é que Xavier é mais profissional que Valdívia que era mau paciente e ainda queria derrubar o departamento médico. Se cuidava menos que Cleiton e ainda arranjava confusão dentro do elenco.

Por isso levou uns sopapos de Marcos Assunção que não suportou suas ironias em um momento terrível da história do time. Enquanto os caras botavam a cara para bater, ele se escondia no DM e ainda queria gozar os companheiros.

Assunção contou pela primeira vez esta história na Jovem Pan respondendo um questionamento deste repórter que vos escreve.

Depois a história virou lugar comum e todo mundo disse que deu de primeira mão. Mas quem levou a primeira mão mesmo foi Valdívia.

Cleiton ficou 7 meses fora e voltou contra o frágil River Plate, do Uruguai, o jogo já estava ganho e o Palmeiras já sabia que não passaria para as oitavas da Libertadores da América.

Foi ontem à noite na Arena Palestra Itália. Mas deu para ver que o toque de bola ainda é de alto nível e que joga objetivamente para a frente. Não errou nada enquanto esteve em campo.

Tudo bem que o adversário não era dos melhores e que já estava cansado pelo calor e pelos gols tomados, mas Xavier entrou bem com muita personalidade.

É jogador para ser titular. Cuca me disse que ele pode jogar com Robinho ou em alguns momentos ambos podem ficar fora se precisar de um time mais rápido.

Não creio que um jogador desse nível fique no banco até porque Robinho não vem conseguindo manter um bom nível. Ontem foi um dos piores em campo.

Cleiton deu entrevista na Academia hoje à tarde e confessou que se desesperou tanto com as contusões que pensou até em parar de jogar.

Ainda bem que não parou, tomara que volte bem porque esse é do bem mesmo. Desteta DM, só ficou lá por inteira necessidade.

De Valdívia tem apenas a camisa 10, mas tem mais caráter e comprometimento com os companheiros e por consequência com a equipe.

Respondendo ao questionamento da manchete: Pode ser mesmo o meia que o Palmeiras precisa.

Que Cuca saiba aproveitar o seu melhor potencial e não o transforme em mais um marcador do meio-campo.