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‘Não quebrei, não roubei’, diz líder da Independente com contas bloqueadas

Leia o post original por Perrone

Henrique Gomes, o Baby, presidente da Independente, principal organizada do São Paulo, se considera injustiçado pela inédita decisão da Justiça que bloqueou as contas correntes e veículos dele e de outros 11 dirigentes de organizadas do clube para eventualmente cobrir prejuízos provocados na invasão ao CT tricolor em agosto.

“Cada um tem que pagar pelo que fez. Tinha no CT torcedor de organizada, torcedor que não é de organizada, blogueiro, um monte de gente. Tem câmeras de segurança lá com imagens nítidas, que mostram o que cada um fez. Se alguém roubou, quebrou, peguem a imagem e cobrem de quem fez. Eu não quebrei nada, não roubei. Fiz só o que todo torcedor do São Paulo queria fazer, protestei, ninguém aguenta mais. Agora não adianta cobrar a diretoria da torcida, que controlou os torcedores o tempo todo. Não teve um carro de jogador quebrado porque a diretoria estava lá para controlar. Eu tirei os torcedores do CT”, disse Baby ao blog por telefone.

Ele afirmou que estava na estrada, voltando da Bahia, onde acompanhou a derrota de seu time para o Vitória por 2 a 0 no último domingo, no momento em que foi entrevistado e que por isso não teve conhecimento de detalhes da decisão. Além de promover o bloqueio, o juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior proibiu os 12 acusados de deixarem a capital paulista sem autorização da Justiça, de se aproximarem do CT e do Morumbi e ainda determinou que eles se apresentem a um quartel do Corpo de Bombeiros durante jogos do São Paulo enquanto durar o processo.

“Falo pela minha pessoa física, o meu direito de ir e vir e a minha paixão pelo São Paulo ninguém vai tirar. Ninguém vai mostrar para o Brasil uma imagem que não é a minha. Vou recorrer, mostrar que isso não está certo e manter meu direito de ir e vir”, declarou.

Para o torcedor, há exagero na cobertura sobre o tumulto no CT são-paulino.

“Decisão inédita pra mim é fiscalizar obra de Copa do Mundo e de Olimpíada. Vou acreditar nesse país se o Lula (investigado pela Lava Jato e que nega as acusações feitas contra ele) for preso, se o (Carlos Miguel) Aidar (ex-presidente do clube que renunciou após denúncias de irregularidades negadas por ele) for responsabilizado pelo que fez ao São Paulo, se dirigentes que lesaram o clube devolverem o dinheiro. Não adianta usar a invasão pra desviar o foco da crise do clube. A mídia fala há mais tempo da invasão do CT do que falou do impeachment da Dilma”, completou Baby.

Independente x PM. As duas versões da guerra

Leia o post original por Perrone

O que aconteceu para que o entorno do Morumbi virasse palco de cenas de horror após a vitória do Atlético Nacional, da Colômbia, por 2 a 0 sobre o São Paulo pela Libertadores na última quarta?

Para Henrique Gomes, presidente da Independente, principal uniformizada são-paulina, a PM se comporta como uma torcida organizada, e esse comportamento agressivo foi o estopim para a confusão. Se foi briga premeditada, então a PM perdeu de 15 a 1 em número de feridos, diz o tenente-coronel Luiz Gonzaga de Oliveira Júnior, do 2º Batalhão de Choque, responsável pelo policiamento nos estádios paulistas ao negar que os policiais tenham procurado encrenca.

Leia as explicações deles dadas em conversas individuais por telefone.

 Blog – O que motivou os distúrbios do lado de fora do Morumbi?

Baby – Em primeiro lugar, o que motivou é que todo jogo a gente vai receber o time lá embaixo (no portão de entrada) só que dessa vez a gente chegou mais cedo e foi abordado pelo policiamento. Falaram que era pra gente se afastar e que quando o time chegasse as grades voltariam de novo pra perto do ônibus. Afastei o pessoal, faltando 20 minutos para o ônibus chegar, falei com o batalhão. Ele simplesmente falou que não iriam aproximar porra nenhuma, que quem manda lá são eles, que eles gostam de briga, que jogo cheio assim é legal e que demorou. Eu comuniquei o comandante. Daí deu nisso aí.

Tenente-coronel – O procedimento de segurança que a gente usa na chegada das delegações é de não deixar a torcida muito perto mesmo porque é complicado. Isso já foi conversado, estão dando uma desculpa pra tentarem justificar o que fizeram. A diretoria do São Paulo vive pedindo pra gente para que o ônibus pare e desembarque ali na praça e que a delegação passe pela torcida. Isso é um absurdo, uma irresponsabilidade, porque um jogador pode ser atingido por uma garrafa, um rojão.

Baby – Vou deixar bem claro pra vocês aí, mano, a Polícia Militar de São Paulo, hoje, o 2º Batalhão de Choque, ela é uma torcida organizada que se esconde atrás de uma farda. Incita a violência a todo minuto e a todo momento. Eles são pagos pelo São Paulo para garantir a segurança nos jogos, mas já chegam revoltados, no puro ódio, discriminando, falando pra você que hoje é dia de porrada. Então, vai fazer o que? Eles prometeram desde o começo.

Tenente-coronel – Eles (integrantes da Independente) têm que arrumar uma desculpa. O policial veio pra brigar? Então o placar tá 15 a 1 pra eles porque eu tenho 15 policiais machucados, e só um torcedor foi preso machucado. Um tomou uma pancada de cassetete e se machucou, fez uma marca nas costas. Tenho policial que tomou 30 pontos na perna, além das queimaduras de rojão. Tenho policial que tomou 20 pontos no braço, policial que tomou sete pontos na boca e perdeu dente da frente, é lesão corporal grave. Ele tomou uma garrafada. Eles (torcedores organizados) estão ganhando então nessa conta. A gente não estava lá pra brigar, estava pra reestabelecer a ordem e deixar o torcedor comum ir embora. Não usamos gás lacrimogêneo para dispersá-los porque a gente atingiria o torcedor comum. Só usei nas ruas paralelas, onde estava havendo confronto. Sempre procuramos preservar o torcedor comum, agora, o torcedor que quer o embate, a gente tenta reestabelecer a ordem. E não queremos ficar brigando com eles, queremos dispersá-los.

 Baby – Pode colocar também que o maior culpado é o senhor [promotor] Paulo Castilho  porque colocou torcida única no Estado de São Paulo e proibiu entrada de material, de faixas, isso favoreceu a quem? Aos maus torcedores, aqueles que se infiltram sem camiseta, que você não tem controle. Acaba beneficiando o que aconteceu.

Paulo Castilho – Eu já tinha falado que as torcidas organizadas iriam aprontar pra falar que a torcida única não funciona. Torcida única foi uma das medidas tentando coibir violência entres as torcidas organizadas. Mas não é de hoje que existe briga entre torcedores do mesmo time. Estão querendo dar ênfase a isso pra dizer que a torcida única não resolve o problema. Quem não tem argumento fala qualquer coisa. Falar até papagaio fala.

Blog – Lendo as redes sociais, a impressão que temos é de que a confusão começou porque membros de organizadas estavam com raiva dos torcedores que só aparecem nos jogos de Libertadores e que são chamados de modinhas. Não foi isso que aconteceu?

Baby – Discordo. Não posso falar com certeza o que aconteceu do lado de fora porque eu estava dentro do estádio. A Independente ficou até o final do jogo e quando acabou a gente não conseguiu sair porque os portões estavam fechados. Não é um problema nosso quatro, cinco mil torcedores do lado de fora que não conseguem ingresso. Teve uma situação, o pessoal começou a hostilizar quem estava saindo, aí pé frio, trocavam ofensas, mas foi coisa mínima, não foi pra gerar o que gerou do policiamento com a torcida. O pessoal de fora estava revoltado, acho, porque não conseguiu ingresso e o pessoal de dentro saindo com 2 a 0. Isso é emocional da partida. Mas a Independente respeita toda a torcida do São Paulo, não faz divisão de A,B ou C e repudia o que aconteceu do lado de fora. Mas a rivalidade começou antes de começar o jogo entre a PM e a torcida. Eles prometeram o jogo inteiro arrumar confusão.

BlogTeve arrastão?

Baby – Quer que eu te fale? [O ator] Henri Castelli estave com nós na hora de receber o time, e roubaram o celular dele. Estava com camisa da torcida e boné e foi roubado. Pra quem não sabe, em grandes jogos, virada cultural, eventos, existe uma quadrilha especializada em furtos. Não é problema nosso, é do Estado. Ao redor do Morumbi também tem muito assalto. Querer dizer que foi a torcida organizada que roubou, pelo amor de Deus.

Tenente-coronel – Só ver as imagens das câmeras de segurança do São Paulo. Elas são bem claras. Enquanto o torcedor comum tá saindo do estádio, eles (membros de organizadas) cometem um verdadeiro arrastão. Agridem e tomam tudo das pessoas que estão saindo do estádio. Eles atacaram todo mundo. Num primeiro momento, atacaram os vendedores ambulantes. Depois atacaram os torcedores. No ataque aos ambulantes, eles estão com a cara limpa. Quando começam a atacar o torcedor comum, eles colocam camiseta no rosto. A imagem da câmera do Morumbi é de longe, não dá pra fazer identificação.  Mas eu, como oficial do choque, estou aqui há 23 anos, nunca vi um negócio daqueles acontecer. Eles atavam indiscriminadamente atacando qualquer torcedor que estava saindo, tomavam carteira, celulares, e assim por diante. Até chegar nosso policiamento. Daí partiram pra cima da gente.

Blog -Torcedoras relataram terem sido assediadas (clique aqui e leia no Blog do Menon). O que houve?

Baby – Assédio, assédio do que? Quem foi a pessoa, fez o que? Elas fizeram B.O.? Tem reconhecimento? Sabem quem foi? É o que?

Coronel – Isso eu não vi, não posso falar.