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Nada de Crefisa. Maior receita do Palmeiras em 2018 foi a venda de atletas

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Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Quantas vezes você ouviu que o que sustenta o Palmeiras financeiramente é a Crefisa? Provavelmente muitas. Porém, o balanço alviverde referente a 2018 mostra que a principal fonte de recursos do clube foi a venda de jogadores. A arrecadação com patrocínio ficou atrás ainda das verbas geradas pela transmissão de jogos e pela bilheteria das partidas.

O documento publicado pela direção palmeirense registra que entraram no cofre alviverde R$ 169.585.000 gerados por negociações de atletas. Nesse valor está incluída a receita obtida com mecanismo de solidariedade. Em 2017, essa marca tinha sido de R$ 37.289.000. Ou seja, houve um impressionante aumento de R$ 132.296.000.

No ano retrasado, quem mais engordou a conta corrente alviverde foram os contratos de transmissão pela TV: R$ 137.307.000. Em 2018, essa foi a segunda maior fonte de recursos com R$ 136.724.000.

Da venda de ingressos no ano passado foram contabilizados R$ 116.433.000. De publicidade e patrocínio, com o suporte da Crefisa e da FAM, foram amealhados R$ 95.476.000 contra R$ 130.910.000 da temporada anterior.

O balanço cita a venda de sete  jogadores em 2018: Mina (Barcelona), Tchê Tchê (Dínamo de Kiev), João Pedro (Porto), Fernando (Shakhtar Donetsk), Roger Guedes (Sahandong), Keno (Al-Assiouty, antigo nome do Pyramidis) e Daniel Fuzato (Lazio). O valor obtido com cada um não foi especificado.

Crefisa

De acordo com o balanço do Palmeiras, em dezembro de 2018, o empréstimo junto à sua patrocinadora estava em R$ 142.685.000. A dívida existe por conta da mudança nos contratos de patrocínios vinculados a contratações de jogadores. Os acordos passaram a ser considerados empréstimos.

O alviverde terá até dois anos a partir da saída dos atletas contratados com a ajuda da parceira para restituir a empresa, caso ele deixe o clube de graça ou por valor inferior ao investido. Receitas de bilheteria e de patrocínios servem de garantia para a hipótese de inadimplemento por parte do Palmeiras.

Com receita recorde, futebol do Palmeiras gastou R$ 181,8 mi a mais em 2018

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Campeão Brasileiro de 2018, o Palmeiras gastou R$ 590,5 milhões com seu departamento de futebol no ano passado. O número representa um aumento de R$ 181,8 milhões nas despesas em relação a 2017, quando o alviverde foi vice-campeão nacional. No ano retrasado, esse custo havia sido de R$ 408,7 milhões.

Dados referentes ao balanço do alviverde, aprovado pelo Conselho Deliberativo na última segunda (18), foram divulgados pelo site “Sempre Palmeiras”, criado pelo conselheiro Roberto Fleury Bertagni. A diretoria de comunicação do clube confirmou ao blog a veracidade dos números, mas discorda da análise feita pela página (leia no final do post as respostas do clube sobre o assunto na íntegra).

O aumento do gasto no futebol veio acompanhado do recorde de arrecadação palmeirense em um ano. Foram arrecadados em 2018 R$ 688.572.176,00. Porém, o superávit obtido pelo clube, levando-se em conta todas as áreas, caiu de cerca de R$ 57 milhões em 2017 para aproximadamente R$ 30 milhões no ano passado. A despesa total palmeirense na última temporada foi de R$ 657.884.006,00. Em sua resposta, o departamento de comunicação palmeirense afirma que o superávit ficou próximo do valor previsto no orçamento para 2018. Isso porque, apesar de a despesa ter sido superior ao que se esperava, a receita também foi maior. Ou seja, para os responsáveis pela administração, não houve desequilíbrio financeiro.

O texto assinado pelos conselheiros Domingos Antonio Ciarlariello e Fleury e publicado pelo “Sempre Palmeiras” diz que a dívida com empréstimos a longo prazo aumentou de R$ 22 milhões em 2017 para R$ 142.684.560,77, apesar de ter sido quitado o débito com o ex-presidente Paulo Nobre. Segundo o clube, esse valor se refere à operação com a Crefisa e será pago com a venda dos jogadores envolvidos no acordo com a parceira.

Os dois conselheiros ainda fazem uma críticas à maneira como o Palmeiras é administrado: “aumento de receitas não pode estar atrelado ao automático aumento de despesas, pois o clube fica com passivo cada vez maior. Para se ter uma ideia, o orçamento deste ano (2019) não seria suficiente para pagar as despesas do futebol de 2018. A administração do clube precisa ser repensada!”. Por sua vez, o Palmeiras alega que atingiu o superávit previsto em orçamento, honrou todos os seus compromissos financeiros e ainda conquistou o título brasileiro do ano passado.

Abaixo, leia as perguntas do blog e as respostas do departamento de comunicação do alviverde sobre o assunto.
Pergunta – Os dados referentes ao balanço de 2018 publicados pelo site “Sempre Palmeiras” estão corretos?
Resposta – Os números estão corretos. A análise está distorcida.
Pergunta – Por que o clube não conseguiu manter o superávit em nível semelhante ao do exercício passado? Caiu de R$ 57 milhões para
R$ 30 milhões. Em 2016 havia sido de R$ 90 milhões. A cada ano diminui. Por quê?
Resposta – O orçamento aprovado no Conselho Deliberativo em 2017 para 2018 foi de superávit de R$ 33 milhões. Atingimos superávit de R$ 30 milhões. Há, portanto, um resultado compatível com o previsto.
Pergunta – O gasto com o departamento de futebol subiu de R$ 408,7 milhões para R$ 590,5 milhões. O que levou o clube e a optar por gastar essa quantia? O orçamento previa gasto de quanto?
Resposta – O orçamento do futebol em 2018 previa R$ 390,9 milhões de despesas e R$ 437 milhões de receitas, com superávit de R$ 46 milhões. O realizado atingiu R$ 590,5 milhões de despesas e R$ 636 milhões de receitas, com superávit de R$ 45,4 milhões. O orçamento de resultado foi cumprido pelo futebol.
Pergunta –  Os empréstimos a longo prazo saltaram de R$ 22 milhões em 2017 para para R$142,6 milhões em 2018. Por quê?
Resposta – Refere-se a operação com a Crefisa, a qual está atrelada ao pagamento da dívida coberta quando da venda dos jogadores ou dois anos após o término dos respectivos contratos.
Pergunta – Segundo os conselheiros Domingos Ciarlariello e Roberto Fleury Bertagni, “o aumento de receitas não pode estar atrelado ao automático aumento nas despesas, pois o clube fica com passivo cada vez maior. Para se ter uma ideia, o orçamento deste ano não seria suficiente para pagar as despesas do futebol de 2018. A administração do clube precisa ser repensada”. Qual a opinião da diretoria sobre esse comentário?
Resposta – Atingimos o superávit orçado para 2018 e fomos decacampeões brasileiros, além de cumprirmos com todas as obrigações previstas (correntes) e passivos diversos (trabalhistas, cíveis, tributários e outros). Os números, aliás, foram apresentados da reunião do Conselho Deliberativo na última segunda-feira e aprovados sem ressalvas por 201 conselheiros ou cerca de 80% dos presentes. O aumento do faturamento nos possibilitou investir em um elenco competitivo, tanto no profissional como nas categorias de base, tornando os atletas valorizados financeiramente e desportivamente, nos credenciando a atingir de forma permanente o objetivo da SEP: Ser protagonista, ter equipe competitiva, disputar todos os títulos e gerar satisfação aos nossos torcedores.
Continuaremos com a meta de aumentar o faturamento ano a ano para ampliar investimentos em todas áreas do clube, assim como, de forma responsável, cumprir com todas as obrigações correntes e passivos diversos.

Corinthians fecha balanço de 2018 com déficit de R$ 18,5 mi e vê melhora

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O balanço financeiro do Corinthians referente a 2018 apresenta um déficit de aproximadamente R$ 18,5 milhões, conforme apurou o blog. O documento ainda precisa passar pela análise do Conselho Deliberativo. Apesar do resultado deficitário, a diretoria comemora o número. Isso porque em 2017, o déficit foi de R$ 35,1 milhões.

Ou seja, os dirigentes celebram uma redução de cerca de R$ 16,6 milhões no buraco financeiro. O número também sugere uma recuperação expressiva nos últimos meses de 2018. No final outubro do ano passado, como mostra balancete publicado no site do Corinthians, o clube estava deficitário em R$ 33,3 milhões.

O discurso da direção é de que a redução do déficit foi possível, entre outros motivos, pela renegociação de contratos aumentando o prazo para pagamento e pela diminuição da despesa financeira no ano (juros de empréstimos). A análise é de o clube teria equilibrado receitas e despesas se tivesse conseguido patrocinador máster em 2018. Só em 2019 houve o acerto com o BMG para patrocinar a camisa corintiana.

Apesar de ter fechado o último ano com milhões no vermelho e das seguidas notícias sobre dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube, a diretoria alvinegra avalia a situação das finanças corintianas como “muito boa, estável e uma dívida administrável”. O blog, porém não teve acesso ao valor do débito referente a dezembro de 2018 e que será apresentado para os conselheiros.

Futebol do Flamengo gastou R$ 73,7 mi a mais que campeão brasileiro em 2017

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Sexto colocado no Brasileirão de 2017, o Flamengo gastou operacionalmente no ano passado com seu departamento de futebol R$ 73.714.000 a mais do que o campeão Corinthians. A diferença pode ser constatada pela comparação entre os balanços financeiros dos dois times.

A equipe carioca registra como despesa operacional geral do futebol R$ 351.687.000. Já o alvinegro anotou gasto de R$ 277.973.000 em 2017.

Com salários e benefícios de funcionários da área, incluindo jogadores, o rubro-negro contabiliza despesa R$ 164.989.000 diante de R$ 158.687.000 dos corintianos.

Diferença mais significativa aparece na rubrica “despesas com terceiros”. Os alvinegros marcam R$ 16.512.000, enquanto os flamenguistas marcam R$ 59.958.000.

O Corinthians apresenta  R$ 46.710.000 como custos com venda e aquisição de atletas, mas seu concorrente não registra item com essa nomenclatura no quadro de despesas operacionais. Os paulistas ainda apontam R$ 29,803.000 relativos a depreciação e amortização de direitos referentes a atletas contra R$ 64.226.000 dos cariocas.

Em outro quadro, identificado como investimentos no ativo intangível, o Flamengo revela que desembolsou R$ 64.774.000 na contratação de Everton Ribeiro, Berrio, Rodolfo, Diego Alves, Geuvânio,  Rômulo e Renê. Everton foi o mais caro com R$ 31,7 milhões por 100% dos direitos. Em segundo lugar aparece Berrio, que custou R$ 13,8 milhões. O Flamengo tem 80% dos direitos econômicos dele. O documento aponta que as quantias incluem valores necessários, sem explicar quais são.

Por sua vez, o Corinthians registra como negociação mais cara a compra de 40% dos direitos de Clayson por R$ 4.375,000.

Ao mesmo tempo em que gastou mais, o Flamengo apresentou receita maior em relação aos corintianos. Pesa nesse quesito o fato de as rendas dos jogos do alvinegro não entrarem na conta, pois vão diretamente para o pagamento da construção de sua arena.

A receita bruta com futebol obtida pelo time da Gávea em 2017, contando venda de jogadores, foi de R$ 599.764.000. Já a equipe da zona leste paulistana anotou receita R$ 357.585.000, também calculando a negociação de atletas. Nos dois casos, as quantias não levam em consideração a dedução de impostos.

Fundamentais para a vantagem rubro-negra nesse quesito foram R$ 183.069.000 embolsados com a venda de atletas. Só a negociação de Vinícius Júnior com o Real Madrid aparece registrada em R$ 150.432.000. Porém, o documento aponta que em 31 de dezembro de 2017 os brasileiros ainda tinham para receber R$ 53.788.000 milhões.

O repasse de direitos econômicos de jogadores rendeu bem menos para o atual campeão brasileiro: R$ 97.831.000.

Nesse cenário, o futebol do Corinthians fechou o ano com déficit de R$ 3.817.000. Os flamenguistas exibem no mesmo departamento superávit de R$ 220.025.000.

 

Balanço corintiano indica R$ 9,3 mi em empréstimos de Bertolucci e Leite

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O balanço financeiro do Corinthians relativo a 2017 registra empréstimos por meio de contratos de mútuo com os empresários Carlos Leite e Giuliano Bertolucci. Em 31 de dezembro, o clube tinha a pagar por essas operações cerca de R$ 4,1 milhão para o primeiro e aproximadamente R$ 5,2 milhões ao segundo.

Os dados apresentados no documento mostram que a maior parte do dinheiro emprestado ao clube veio de agentes, apesar de eles cobrarem taxas altas em relação às instituições financeiras que fizeram operações semelhantes com o alvinegro.

No final do ano passado, eram R$ 10,9 milhões em empréstimos a serem pagos até 31 de dezembro de 2018. Dessa quantia, R$ 9,3 milhões vieram dos dois agentes.

Entre essas operações, a taxa de juros mais alta é cobrada por Leite: 1,94% ao mês. Bertolucci cobrou 1,5% ao mês. Como comparação, o BicBanco pediu 1,45% ao mês pelo empréstimo de R$ 1,1 milhão.

“São empréstimos anteriores. O problema é que assinamos os contratos lá atrás, e os juros caíram. Honramos os contratos. Hoje, com empresário não dá pra fazer”, afirmou Emerson Piovesan, ex-diretor financeiro do clube.

Segundo ele, os valores referentes a Leite estão relacionados a dois empréstimos. O agente se envolveu em polêmica na última eleição corintiana por causa de R$ 200 mil pertencentes a ele e que entraram nas contas do clube. Recibo mostrado pelo blog indica que a quantia foi usada para quitar mensalidades de sócios inadimplentes para eles poderem votar. A comissão eleitoral da agremiação enviou a documentação referente à transferência ao Ministério Público e à Receita Federal.

Na ocasião, o empresário afirmou não ter bancado taxa para associados, mas disse que havia feito novo empréstimo para o Corinthians.

Cássio, Mateus Vital, Fagner e Matheus Matias são jogadores ligados a Leite no Corinthians. Assim como Bertolucci, ele é amigo longa data de Andrés Sanchez, vencedor do pleito.

Entre as diversas negociações que Betolucci fez com o Alvinegro está a contratação de Jô para disputar a temporada passada.

Os dois empresários não aparecem com os nomes pelos quais são mais conhecidos no mercado. Giuliano é apontado apenas com outro de seus sobrenomes: Pacheco. Já seu colega é identificado como Carlos Alberto C. Leite Coutinho. Abreviado está o sobrenome Cardoso. Piovesan confirmou que as referências são aos dos dois agentes. O blog não conseguiu falar com os empresários por telefone.

Com Diego Salgado, do UOL, em São Paulo

 

Rejeitado no Santos, Cléber custou mais de R$ 11,5 mi, segundo balanço

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O balanço financeiro do Santos referente a 2017, contestado pelo conselho deliberativo do clube, dá a dimensão do que representa para o time alvinegro o fato do zagueiro Cléber não ter vingado na Vila Belmiro.

De acordo com o documento, o custo de 60% dos direitos econômicos do zagueiro, emprestado nesta semana gratuitamente ao Paraná Clube, foi de R$ 11.506.000,00. A compra foi feita junto ao Hamburgo e oficializada em janeiro de 2017.

Na parte destinada a “contas a pagar”, referente a 31 de dezembro do ano passado, porém, aparece um valor maior. São registrados R$ 11.9o8.000,00 que devem ser pagos ao Hamburgo “pela negociação, penalidade e honorários” de Cléber. Como referência, é citada a quantia em euro:  2.774.000,00.

O zagueiro já tinha sido emprestado no segundo semestre do ano passado para o Coritiba. No retorno ao Santos, acabou fora dos planos do técnico Jair Ventura. Para acertar a permanência do jogador até o final do ano no Paraná, o time paulista aceitou pagar parte do salário do zagueiro.

Abaixo, veja trechos do balanço do Santos e compare os custos dos direitos econômicos de Cléber com o de outros atletas da equipe.

 

 

 

 

 

 

Contas do Santos têm empréstimo de agente e dívida de boca com Robinho

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Nesta segunda (26), o conselho deliberativo do Santos vota se aprova as contas do clube referentes a 2017, último ano de Modesto Roma Júnior na presidência. A comissão fiscal da agremiação preparou parecer recomendando que os conselheiros reprovem as contas. Valores que envolvem Robinho, dinheiro emprestado por um influente empresário e até o direito do alvinegro receber uma pequena fatia relativa à venda de Neymar para o PSG fazem parte da celeuma.

Se houver reprovação, Modesto poderá apresentar explicações e fazer eventuais correções no balanço. O documento, então, voltaria ao conselho fiscal para uma nova avaliação e encaminhamento novamente ao conselho deliberativo. Caso seja mantida a reprovação, Modesto e seus diretores podem ser punidos com advertência, suspensão e até expulsão (possibilidade considerada remota por conselheiros).

O ex-presidente nega irregularidades. “Esse parecer é uma análise política e não técnica”, afirmou Modesto.

Já o atual presidente, José Carlos Peres, tem posição diferente. “Concordo com o parecer. O mais preocupante é que a gestão anterior entregou o clube com terríveis problemas financeiros, mas, com essa marca maravilhosa, levantaremos o clube rapidamente”, declarou o dirigente.

Abaixo conheça cinco pontos importantes dos 18 citados no parecer do conselho fiscal.

Empréstimo com empresário

Em um dos argumentos que embasam sua indicação pela reprovação das contas, o conselho fiscal cita que o Santos, na gestão de Modesto, fez empréstimos junto ao um agente que detém direitos econômicos dos jogadores e que outras “fatias” de atletas são dadas como garantia. Essa parte do relatório não revela o nome do parceiro. Porém, documentos anexados a ele e obtidos pelo blog, mencionam que o alvinegro pegou dinheiro emprestado com Giuliano Bertolucci.

Um dos principais empresários brasileiros e com influência na Europa, ele atua em diversas negociações ao lado do iraniano Kia Joorabchian, peso pesado internacional do ramo.

O empréstimo foi de R$ 6.163.000. De acordo com o conselho fiscal, além de se comprometer a pagar o valor até 31 de dezembro, o clube cedeu para Bertolucci exclusividade em eventuais vendas de Thiago Maia e Vítor Bueno. O agente receberia 8% de cada negociação.

O francês Lille comprou Thiago por 14 milhões de euros (cerca de R$ 57,1 em valores atuais). Ainda conforme dados anexos ao parecer, o Santos teve direito a 9,8 milhões de euros (R$ 40 milhões atualmente) por deter 70% dos direitos do atleta. Dessa quantia, foram separados aproximadamente R$ 4 milhões para a empresa Bertolucci Assessoria e Propaganda a título de intermediação. Porém, o conselho fiscal afirmou que o clube arcou integralmente com esse montante, sendo que sua responsabilidade seria apenas sobre 70%. Os outros 30% deveriam ser descontados do atleta, que também tinha participação nos direitos.

Bertolucci ainda não recebeu de volta o dinheiro do empréstimo. A dívida aparece no balanço, ainda não publicado, no valor de R$ 6.338.000 na relação de débitos com terceiros. O documento aponta que Thiago também não recebeu a sua parte (cerca de R$ 14,4 milhões).

“O clube precisava de dinheiro e pegamos emprestado com o Bertolucci. Ele cobrou juros bem menores do que os de banco. Não pagamos porque não tivemos dinheiro”, disse Modesto. Sobre o Santos ter arcado sozinho com 8% de comissão, o ex-presidente afirmou que isso ocorreu porque há uma disputa na judicial envolvendo empresários pelos 30% que pertenciam ao atleta. “O valor teve que ser descontado só do Santos até que a questão na Justiça se resolva”, declarou.

Acerto de boca com Robinho

O conselho fiscal aponta em sua análise que dos R$ 3.294.614 que o Santos se comprometeu a pagar em acordo para quitar dívida com Robinho, em junho de 2017, cerca de R$ 1,4 milhão não aparecem nos contratos firmados com o atleta. No trato, a quantia está registrada como diferença de remuneração.

“Segundo informações de representantes do departamento contábil e jurídico, em reunião de esclarecimentos com membros do conselho fiscal, teria sido um acordo verbal entre o presidente (à época Modesto) do CG (comitê de gestão) e o atleta, sem qualquer formalização”, diz documento anexo ao parecer.

O ex-presidente confirma que havia acertado verbalmente o pagamento dessa quantia com o Robinho. “Foi para completar a diferença entre o que ele recebia no Milan e no Santos”, disse Modesto.

Para o conselho fiscal é “descabido o pagamento de qualquer valor, por menor que seja sem documento de suporte”.

Mecanismo de solidariedade por Neymar

O parecer contrário à aprovação das contas menciona ressalva feita ao balanço de 2017 do Santos pela empresa de auditoria Macso Legate referente à quantia recebida pelo clube pela transferência de Neymar do Barcelona para o PSG.

Em dezembro, a auditoria identificou dívida de R$ 1,7 milhão com a empresa Quantum Solutions Limited, com sede em Malta. Segundo análise dos auditores contratados pela diretoria, o débito se refere à intermediação para que o alvinegro recebesse quantia referente ao mecanismo de solidariedade pela nova transferência de Neymar.

“Exceto por algumas trocas de correspondências eletrônicas, até o encerramento de nossos trabalhos, não obtivemos documentação, como relatórios ou documentos formais entre a Quantum e o PSG que atestem a efetiva prestação de serviços de intermediação”, diz a ressalva assinada pelos auditores. “Não sei que outro documento teria (para a empresa de auditoria examinar)”, afirmou Modesto. Ele nega irregularidade na operação e sustenta que é uma exigência da legislação francesa contratar uma empresa para intermediar o recebimento da quantia relativa ao mecanismo de solidariedade.

O conselho fiscal alega que em janeiro foi informado pelo departamento jurídico do clube, já sob a batuta do novo presidente, sobre supostas irregularidades nessa operação. O órgão, então, recomendou que o conselho deliberativo exigisse o bloqueio do pagamento. O caso foi encaminhado para comissão de inquérito e sindicância do clube.

Endividamento

Outro argumento usado para pedir a reprovação das contas pelo conselho fiscal é de que a dívida do clube foi superior a 10% da receita orçada para 2017, o que teria ferido o estatuto santista. O órgão alega que o endividamento no período foi de R$ 49,7 milhões. A quantia, segundo o relatório equivale a 15,57% da receita prevista no orçamento.

O artigo 89 do estatuto do clube diz que o limite de 10% só pode ser ultrapassado se o novo endividamento for feito para substituir financiamentos anteriores e sob condições mais favoráveis. “Não houve irregularidade porque o aumento passou de 10% por causa do acordo para pagar a dívida com a Doyen (empresa responsável por levar Leandro Damião ao Santos). Respeitamos o estatuto porque foi para substituir uma dívida com condições melhores”, declarou o ex-presidente.

Apesar da polêmica, a dívida total do Santos caiu de R$ 206 milhões em 2016 para R$ 202 milhões em 2017. De acordo com o balanço financeiro, houve superavit contábil de R$ 2,9 milhões em 2017.

Impostos não pagos

Segundo o parecer, a diretoria comandada por Modesto Roma Júnior pode ter cometido crime de apropriação indébita por reter valores de encargos trabalhistas na fonte e não recolher os impostos. O conselho fiscal alega que há R$ 12,9 milhões em impostos atrasados e que a quantia será acrescida de aproximadamente R$ 1,6 milhão referentes a juros e correções.

“Foi uma opção de fluxo de caixa, e aconteceu nos últimos quatro meses. O Peres disse que pagou, então já tá pago. Não interessa se fui eu ou ele, o clube já pagou”, argumentou Modesto.

Com Samir Carvalho, do UOL, em Santos

Análises notam falta de transparência em contas corintianas e regra ferida

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Relatórios do Conselho Fiscal do Corinthians e de empresa de auditoria contratada para analisar o balanço do clube referente a 2016 apontam dificuldade na obtenção de documentos essenciais para análise. Por conta dos relatos de falta de transparência, opositores estudam medidas para tentar anular a aprovação feita nesta quinta pelo Conselho Deliberativo e até um novo pedido de impeachment.

O artigo 81 do estatuto diz que o conselho deve apreciar o relatório geral do presidente da diretoria sobre as contas, que não foi enviado com antecedência para os conselheiros, mas lido durante a reunião do conselho. Além disso, o conselho fiscal do clube aponta em parecer que não recebeu o relatório da diretoria, ao contrário do que determina o estatuto. Desobediência às regras do clube é um dos motivos para pedidos de impeachment. Ela precisa ser comprovada e o afastamento aprovado pelo conselho, que já rejeitou um processo de destituição contra Andrade.

Em seu parecer, o Conselho Fiscal corintiano afirma que analisou as contas sem os relatórios de gestão de diretoria e de auditoria interna, além de não receber informações sobre operações realizadas. “Nos foi disposto um prazo curto para o balanço do exercício de 2016, para uma análise e aprovação ou não, sem elementos para um estudo minucioso e necessário”, afirma o relatório. Mesmo assim, o conselho fiscal considerou as demonstrações contábeis aptas a serem votadas pelos conselheiros. O artigo 102 do estatuto diz que o órgão tem que examinar o balanço anexado ao relatório anual da auditoria, que não foi apresentado, segundo o parecer.

 Incerteza sobre arena

O blog teve acesso também à minuta do relatório da Parker Randall Brasil, especializada em auditoria, feito sobre o balanço de 2016. A minuta foi enviada aos conselheiros, sem assinatura. Num de seus trechos mais importantes, o parecer encaminhado para a diretoria a fim de ser discutido, afirma que há “incerteza significativa relacionada à continuidade operacional do investimento Arena Fundo de Investimento Imobiliário”, responsável pelo estádio corintiano. Essa é uma das três ressalvas feitas às contas apresentadas.

A incerteza existe, segundo a análise dos auditores, por conta da decisão da administradora BRL Trust de sair do fundo. “Solicitamos apresentação formal dos consultores jurídicos do clube para avaliação dos potenciais riscos contingenciais daquela decisão (saída) do gestor do fundo. Até a emissão desse relatório não havia sido apresentada a resposta…”, diz trecho da minuta.

O relatório lembra que o fundo tem como principal ativo o estádio alvinegro e que a continuidade operacional do empreendimento depende da geração de receitas para fazer face à manutenção de sua estrutura operacional, assim como para o cumprimento da liquidação dos passivos e demais fontes de investimento relacionadas à construção do empreendimento.”

Em outra ressalva, o documento afirma que os auditores não obtiveram resposta à totalidade das solicitações de confirmação direta de resposta sobre quatro assessores jurídicos. O saldo da dívida do Corinthians com eles seria de R$ 20,4 milhões.

No mesmo item está registrado que a auditoria não recebeu confirmação de depósitos e empréstimos de Caixa, Polo Fundo de Investimento, Horizonte Conteúdos e Bradesco com saldos de R$ 1,3 milhão (ativo) e R$ 30,9 milhões (passivo). Também não foram obtidas confirmações de valores a receber de Globo, Federação Paulista, Caixa, Apollo Sports Solution, Estrella de Galícia Importadora e Comércio de Bebidas, AMC assessoria em negócios, Boca Juniors e valores a pagar para fornecedores.

 Em mais uma ressalva, o parecer contesta a reavaliação de bens do ativo imobilizado do clube. Afirma que ela foi feita em desacordo com práticas contábeis e que em 31 de dezembro de 2016 os saldos imobilizado e do patrimônio líquido foram apresentados a maior em R$ 407,7 milhões.

O blog enviou mensagem por celular para Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, mas ele não mandou resposta até a publicação do post, apesar de visualizar o texto. Roberto de Andrade não atendeu à ligação do blog.

Ex-diretor cita fim da “Marginal sem número” para exaltar Arena Corinthians

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Fonte de aflições no Parque São Jorge por conta da dívida gerada e alvo de auditorias para saber se ela foi entregue como previa o contrato, a Arena Corinthians é usada pelo ex-diretor financeiro do clube, Raul Corrêa da Silva, para destacar o trabalho da antiga diretoria alvinegra. Ele cita entre os acertos dos ex-dirigentes o fim do apelido “Marginal sem número”, usado por torcedores rivais na época em que o time jogava no Pacaembu. Parte do antigo estádio do clube fica voltada para a Marginal do Tietê.

A citação foi feita por Raul em carta ao Conselho Deliberativo para se defender da acusação de que teria maquiado o balanço patrimonial do clube de 2014 em R$ 328 milhões.

“Por fim, registro que a atuação diligente da antiga gestão no registro contábil da participação da arena foi apenas mais uma das diversas medidas implementadas para conferir maior transparência e eficiência à administração do SCCP – inclusive acabando com a história de Marginal sem número –, …” diz trecho da mensagem enviada pelo ex-dirigente.

Ele decidiu se manifestar após reportagem da Folha de S.Paulo que mostrava carta de seus sucessor no cargo, Emerson Piovezan, também aos conselheiros. O atual dirigente explicava que em reunião do órgão disse que usou a expressão “maquiado” de maneira coloquial para definir o balanço preparado pelo antecessor. Mas afirmou que a suposta informação errada distorceu a análise dos conselheiros, que acabaram aprovando a peça.

A maquiagem teria acontecido porque as cotas pertencentes ao clube no Arena Fundo, ligado ao estádio, foram computadas como receita direta tornando o balanço superavitário. Para Piovezan, elas deveriam ser registradas como patrimônio líquido, o que teria causado déficit.

Em sua carta, Raul negou a maquiagem. Ele escreveu que a forma como foram registradas as cotas observou estritamente as regras do Conselho Federal de Contabilidade. Entre outras explicações, disse também que a regularidade da maneira como incluiu as cotas no balanço foi atestada por uma auditoria independente e um escritório de advocacia.

Balanço mostra como o SPFC antecipou R$ 50 milhões das cotas da Globo

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O balanço contábil de 2014 publicado pelo São Paulo detalha como o clube antecipou R$ 50 milhões de seu contrato com a Globo referente ao Brasileirão. Foram comprometidas parcialmente cotas que vencem até 2017.

A operação foi feita da seguinte forma, em março do ano passado, durante a administração de Juvenal Juvêncio: o São Paulo cedeu ao Polo Clubes Fundo de Investimento o direito de receber R$ 50 milhões da Globo parcelados em 40 vezes, com vencimento final em 2017. Em troca, o clube recebeu o dinheiro à vista dos investidores.

Porém, nessas transações, os investidores cobram juros, o que reduz a quantia recebida pelos clubes. O balanço são-paulino não registra os juros cobrados pelo Polo Clubes, mas um quadro explicativo registra R$ 48 milhões como valor da operação com o fundo de investimento.

“O que posso dizer é que, em média, pagamos 1,5% de juros ao mês nas operações que fazemos com diferentes instituições”, disse ao blog Osvaldo Vieira de Abreu, vice-presidente de administração e finanças do clube.

Para se ter uma ideia de qual é o impacto da antecipação de R$ 50 milhões que seriam recebidos entre 2014 e 2017, no ano passado o clube tinha direito a R$ 77,9 milhões da Globo.

A antecipação feita em março é só um dos exemplos da crise financeira encarada pelo São Paulo. O maior deles é o déficit de R$ 100,1 milhões apresentado no ano passado.

“Estamos sem patrocinador principal e não fizemos uma venda como a do Lucas (para o PSG), isso explica esse resultado. Se tivéssemos vendido ‘meio Lucas’ no ano passado teríamos uma reviravolta nas nossas contas”, afirmou Abreu.

O discurso do dirigente é respaldado pelos números do balanço. A receita operacional do departamento de futebol do São Paulo diminuiu R$ 109,5 milhões de 2013 para 2014 (foi de R$ 253,3 milhões). A arrecadação com a venda de jogadores caiu R$ 107 milhões do ano retrasado (quando foi contabilizada a negociação de Lucas) para o passado. Já a receita com publicidade e patrocínio foi reduzida de R$ 33 milhões em 2013 para R$ 22,5 milhões no ano passado.

 

Abaixo veja reprodução de trecho do balanço são-paulino sobre a antecipação.

 

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