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Caixa e Arena Itaquera pedem suspensão de processo por mais 60 dias

Leia o post original por Perrone

Caixa Econômica Federal e Arena Itaquera S/A, ligada a Corinthians e Odebrecht, pediram à Justiça Federal de São Paulo a suspensão da ação de execução movida pelo banco por mais 60 dias. A solicitação foi feita na última quinta (28) com o objetivo de dar mais tempo para as partes entrarem em acordo. Até a publicação deste post não havia resposta ao pedido publicada no site oficial de consulta pública de processos, mas a tendência é de que ele seja aceito.

No final de outubro a Justiça já havia atendido ao desejo dos envolvidos de suspender os efeitos da ação por 30 dias. “Em razão das tratativas com vistas à composição amigável entre as partes, requer-se a suspensão dos feitos pelo prazo complementar de 60 dias”, diz a nova petição.

Internamente, a diretoria do Corinthians afirma que aguarda o banco responder à sua última proposta. O clube não aceita ter que pagar no trato uma multa cobrada por inadimplência. Alegando que a Arena Itaquera atrasou parcelas do financiamento referente ao financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES por intermédio da Caixa, a instituição financeira executou o contrato exigindo o pagamento antecipado da dívida. Com multa, a cobrança chega a cerca de R$ 536 milhões. O empréstimo foi feito para ajudar a bancar a construção da Arena Corinthians.

Sem acordo entre Corinthians e Caixa sobre juros, perito deve ser acionado

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A diretoria do Corinthians mantém discurso de otimismo sobre às negociações com a Caixa Econômica Federal (CEF) para um acordo em relação à execução judicial movida pelo banco contra a Arena Itaquera S/A. Porém, ainda estão em aberto pontos cruciais, como cobrança de juros e multa por inadimplência.

As partes discutem a possibilidade de acionar um perito para analisar os juros cobrados até aqui e elaborar um parecer indicando qual valor deve ser estabelecido em seu entender. Essa é uma discussão que precede a ação judicial. Os corintianos já tentavam reduzir as taxas, o que a CEF rejeita.

Em outra divergência, o banco não recua de sua posição de cobrar cerca de R$ 536 milhões, quantia exigida na Justiça. Alegando inadimplência por pare da Arena Itaquera, a Caixa executou o valor total da dívida contando penalidades referentes a atrasos. O débito se refere ao empréstimo de R$ 400 milhões feitos junto ao BNDES por intermédio da CEF para bancar parte da construção da casa corintiana.

O  Arena Fundo de Investimento Imobiliário, dono da Arena Itaquera S/A, criada para colocar o projeto do estádio de pé, insiste para que no novo acordo seja levado em conta o que já foi pago até aqui. O fundo tem Corinthians e Odebrecht como acionistas.

No Parque São Jorge o entendimento é que, mesmo com discussões importantes ainda em andamento, há praticamente um consenso sobre o valor anual que será pago a partir do momento em que o trato for fechado. A quantia é mantida em sigilo. O prazo para a dívida ser quitada será maior ou menor dependendo do montante final ajustado.

Para ganharem tempo na costura de um  acordo, as partes envolvidas na disputa pediram no final de outubro a suspensão do processo por 30 dias e foram atendidas pela Justiça.

Cartolas corintianos suspeitam de perseguição política em caso da Caixa

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Pelo menos parte da diretoria do Corinthians vê perseguição política da Caixa Econômica Federal na decisão de executar dívida de cerca de R$ 500 milhões referente ao financiamento junto ao BNDES intermediado pelo banco para o clube bancar parcela da construção de seu estádio. Nos bastidores, os cartolas alinham uma sequência de fatos que teriam provocado antipatia do atual governo com o alvinegro para justificar a tese.

Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, Pedro Guimarães, presidente da Caixa, empresa estatal, negou que a medida seja algum tipo de retaliação. “Não tem perseguição nenhuma. Isso serve para qualquer caso, qualquer cliente. De maneira natural e tranquila, inclusive seguindo os ritos jurídicos”, afirmou o executivo.

O primeiro argumento dos cartolas corintianos é a ligação de Lula com a arena Corinthians e com o presidente do clube, Andrés Sanchez, ex-deputado federal pelo PT. O dirigente alvinegro aponta participação ativa do ex-presidente para tirar o projeto do papel agindo com o objetivo de convencer a Odebrecht da viabilidade do projeto. Além disso, a decisão da Caixa de intermediar o repasse de 400 milhões do BNDES para o clube pagar parte das despesas da construção do estádio foi tomada durante governo petista.

Atacar a arena seria uma forma de atingir Lula, desafeto do governo Jair Bolsonaro, segundo a ala desconfiada dos cartolas corintianos. A teoria conspiratória segue com declarações ofensivas de Paulo Guedes, ministro da economia, contra a arena corintiana, em um seminário em março, em São Paulo. “No Brasil é ao contrário, os recursos estão no topo. Então, se o presidente é Corinthians, surge o estádio do Corinthians. Ninguém consegue pagar aquilo lá [a Arena Corinthians]”, disse o ministro na ocasião. Ele também afirmou que “o Corinthians começa a ganhar Campeonato Brasileiro, porque todo jogo tem um pênalti roubado lá a favor deles”. Guedes foi quem escolheu Guimarães para presidir a Caixa.

Na ocasião, grande parte da plateia riu e as declarações passaram como piadas. O clube emitiu nota de repúdio. Afirmou que o ministro foi insensível em relação ao esforço da agremiação para erguer seu estádio e que suas ironias ofenderam mais de 33 milhões de brasileiros corintianos e, parte deles, eleitores de Bolsonaro.

Outro episódio citado no clube como fator de irritação do governo é decisão da agremiação de se manifestar no aniversário de 55 anos do golpe militar. O alvinegro fez referências à democracia em suas redes sociais e também na arena.

Em meio às queimadas na Amazônia, o clube se posicionou contra os incêndios nas redes sociais com vídeo em que o escudo do clube pegava fogo na parte do mapa do Brasil em que fica a região afetada. Naquele momento, Bolsonaro era massacrado internacionalmente por suas declarações sobre o assunto. Para a ala da direção corintiana que suspeita de retaliação, isso também incomodou.

Na cúpula corintiana, há o entendimento de que o governo ficou extremamente irritado pelo fato de Andrés ter convidado recentemente para assistir a jogos em seu camarote o torcedor que xingou Bolsonaro e foi detido por PMs em seguida.

Até uma brincadeira feita por Bolsonaro ao conversar com um torcedor entrou no pacote. Na ocasião o presidente disse:  “Oposição é o Corinthians. Pode ficar tranquilo, pessoal do Corinthians, não vamos tomar o Itaquerão não, tá ok?”.

Para completar o cenário de desconfiança, os que sustentam a tese da perseguição afirmam que a Caixa mudou a abruptamente de postura, já que uma longa negociação para o mudar a forma de pagamento vinha sendo tocada. A relação entre as partes era considerada amistosa. Para a diretoria alvinegra não se justifica executar a dívida sendo que pagamentos vinham sendo feitos, segundo os corintianos.

O problema é que o Corinthians alterou a forma de pagamento conforme previa o acordo, antes mesmo de ele ser assinado. O clube passou a considerar que deveria pagar  R$ 6 milhões por mês de março a outubro e R$ 2,5 milhões mensais entre novembro e fevereiro. Por sua vez a Caixa alega inadimplência, por isso notificou o clube sobre sua decisão pela execução.

Como mostrou o blog, na notificação, o banco admite que houve tratativas avançadas, mas alega que o acordo não foi fechado por falta de documentação que deveria ser entregue pelo fundo responsável pela casa corintiana.

 

Contra ‘juros altos’, Andrés fala em recuperação judicial de fundo da arena

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Em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians na última segunda (12), Andrés Sanchez cogitou o pedido de recuperação judicial do fundo que controla o estádio do clube caso não haja um acordo com a Caixa Econômica Federal para a redução dos juros cobrados no financiamento feito junto ao BNDES para permitir a construção da casa alvinegra.

De acordo com três conselheiros ouvidos pelo blog, Andrés disse que sua próxima meta é negociar com o banco a redução dos juros. Em seguida, afirmou que uma possibilidade, caso a diminuição da taxa não aconteça, é o fundo pedir a recuperação judicial. O presidente corintiano não fala com este blogueiro, por isso foi impossível ouvi-lo sobre o tema.

Porém, aliado do dirigente afirmou que Sanchez apenas quis mostrar um dos argumentos que têm para tentar convencer a Caixa a fazer um pacto, mas que não existe a mínima intenção de fazer o pedido. Seria apenas uma maneira de dizer ao banco que o fundo não teria condições de continuar honrando seus compromissos sem o acerto por juros menores.

Vale lembrar que a decisão não poderia ser tomada só pelo Corinthians, já que a Odebrecht também é cotista do Arena Fundo de Investimento, assim como a empresa Arena Itaquera, criada especificamente para a operação envolvendo a arena. O pedido de recuperação judicial acontece quando uma empresa não consegue pagar suas dívidas e recorre à Justiça para buscar sua reorganização com o objetivo de evitar a decretação de falência.

Para viabilizar a construção do estádio, Corinthians e Odebrecht buscaram a Caixa como intermediária para levantar um financiamento de R$ 400 milhões no BNDES, parte interessada num eventual acordo. Apesar de se queixar das taxas de juros, a diretoria corintiana alega que está em dia com suas obrigações.

Na mesma reunião em que ventilou o pedido de recuperação judicial, Andrés afirmou que fechou com a Odebrecht um acordo para reduzir a dívida do Corinthians com ela e que o trato será oficializado em breve. Procurada pelo blog a construtora afirmou que “reforça que continua mantendo conversas construtivas com o clube em busca de uma solução que atenda à expectativa de ambas as partes’.

Rosenberg x Citadini expõe dúvidas no Corinthians sobre dívida por arena

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Reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians no último dia 23 teve educado embate entre Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing, e Antônio Roque Citadini, um dos candidatos de oposição à presidência derrotados por Andrés Sanchez em fevereiro. A discussão foi sobre uma das maiores preocupações de conselheiros corintianos atualmente: como pagar a dívida gerada pela construção da arena alvinegra?

A postura de cada um simboliza como situação e oposição têm expectativas diferentes sobre o desenrolar do caso. A diretoria tenta transmitir otimismo e confiança de que tudo vai se resolver favoravelmente para a agremiação. Já o diagnóstico da oposição é de uma situação extremamente delicada.

Rosenberg falou antes do opositor na reunião. Discorreu sobre necessidade de renegociar contratos assinados pelo clube em relação ao estádio diante de um período de recessão no país posterior à assinatura dele e pela dificuldade de conseguir negociar os naming rights.

O diretor declarou que a estratégia da diretoria é primeiro cumprir cláusulas que não vinham sendo cumpridas, especialmente voltar a pagar as parcelas do financiamento de R$ 400 milhões intermediado pela Caixa junto ao BNDES. Segundo ele, isso já foi feito e não há prestação atrasada. Depois seriam buscadas melhorias no contrato a favor do clube.

Em seguida, a direção conversaria com a Odebrecht a respeito de um acordo sobre parte das obras que não teriam sido feitas ou tenham sido mal executadas, apesar de a construtora negar que isso tenha ocorrido. Rosenberg disse ainda que a arena voltaria a ser gerenciada pelo departamento de marketing do Corinthians, como ele havia planejado, não com uma estrutura independente.

Ao pegar o microfone, Citadini lembrou que o clube quer refazer contratos com os quais a agremiação concordou. Ou, em outras palavras, o mesmo grupo que está no poder com Andrés Sanhcez, idealizador da arena ao lado de Rosenberg, quer mudar o que assinou.

Depois, o opositor colocou em dúvida que a Caixa aceite mudanças que beneficiem o clube. Citou uma auditoria que teria sido encomendada pelo banco e que colocaria obstáculos para eventuais alterações. Também falou sobre haver eleições presidenciais no país neste ano, o que pode implicar em mudança na diretoria da Caixa a partir de 2019. Segundo ele, isso faz com que seja difícil os atuais responsáveis pelo banco assumirem responsabilidades num tema delicado. Citadini vê um otimismo exagerado de Rosenberg e aposta em dificuldade maior do que a prevista por ele para melhorar a situação. Para o oposicionista, diante do cenário atual, resta aos conselheiros acreditarem num milagre.

O diretor de marketing respondeu que esperava ser criticado quando estipulasse metas tímidas a serem alcançadas, e não altas (o que ele acredita ser o caso agora).

No final, a maioria dos conselheiros deixou a reunião como entrou. Com dúvidas sobre como o clube vai se virar para pagar a dívida pela construção de sua casa própria.

Como Corinthians e Odebrecht tentam reverter decisão sobre dívida por arena

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No último dia 22, Corinthians e Odebrecht deram o primeiro passo para se defenderem da sentença na qual a Justiça Federal do Rio Grande do Sul determinou o pagamento imediato da dívida com a Caixa Econômica referente  ao financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES

As duas partes apresentaram embargos declaratórios (instrumento jurídico que pede esclarecimentos sobre determinado ponto da senteça). A alegação é de que juíza Maria Isabel Pezzi Klein não teria levado em consideração na sua decisão um laudo de avaliação atualizado dos terrenos da sede corintiana dados como garantia de pagamento do empréstimo.

O documento citado por Corinthians e Odebrecht  mostraria que os dois terrenos em que ficam a sede do clube e o estádio do Parque São Jorge são suficientes para cobrir o valor da dívida. Há também outras garantias dadas pela Odebrecht.

A intenção é fazer com que a juíza leve em consideração o laudo citado nos embargos e que com base nele altere sua decisão desistindo de pedir o pagamento antecipado. Caso a decisão seja mantida, clube e Odebrecht irão recorrer em segunda instância.

Em trecho da sentença, Maria Isabel argumenta que imóveis sofrem depreciações com o tempo, enquanto os juros do financiamento aumentam constantemente o valor do débito. Assim, ela conclui que as duas propriedades corintianas valiam suficientemente para cobrir o financiamento de R$ 400 milhões em 2013. Mas que a hipoteca delas não deve bastar para quitar o débito atual.

No processo, a juíza faz referência a um laudo de avaliação dos imóveis apresentado pela Caixa em junho de 2017 mas com data base de 24 de maio de 2013.  O documento avalia a área em que está o estádio Parque São Jorge em R$ 193 milhões. Já o terreno da sede social do Corinthians aparece com valor de R$ 222 milhões. Os dois juntos, então, atingiam na ocasião R$ 415 milhões. No processo, a dívida é calculada em cerca de R$ 475 milhões, apesar dos pagamentos já efetuados. O aumento se deve a juros e a um período de inadimplência.

Durante a ação, o Ministério Público Federal chegou a pedir a reabertura do prazo para a apresentação de provas a fim de que uma nova avaliação dos imóveis fosse feita. O pedido foi negado pela juíza.

Juíza vê indício de fraude e pede mais investigação sobre Arena Corinthians

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Para a juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein há indícios de fraude na operação de repasse de R$ 400 milhões do BNDES via Caixa Econômica para a construção da Arena Corinthians que precisam ser investigados por outros órgãos. Ela também pede que os financiamentos feitos às demais arenas da Copa-14 também sejam alvos de investigações.

A afirmação faz parte da decisão judicial que determina que Corinthians, Odebrecht, a SPE Arena S/A e Jorge Fontes Hereda, ex-presidente da Caixa, quitem dívida referente a R$ 400 milhões financiados para o estádio corintiano. O valor do débito deve ser acrescido de juros. A magistrada do Rio Grande do Sul determina que a Caixa tome todas as providências para ser ressarcida. Vale lembrar que uma série de garantias foi dada para o pagamento. Entre elas, estão dois terrenos em que fica o Parque São Jorge, sede do Corinthians. O contrato prevê que a área pode ser hipotecada pela Caixa em caso de inadimplência.

As partes envolvidas negam irregularidades e vão recorrer da decisão (leia as notas de Odebrecht e Corinthians no final do post).

Em trecho da decisão, a juíza diz que detectou na operação “a existência de fortes indícios de práticas fraudulentas feitas sob a aparência de uma contratação formalizada. Tais evidências e indícios, no entanto, deverão – e assim espero – ser devidamente investigados pelas autoridades competentes para o combate à macrocriminalidade.  As autoridades competentes (MPF, TCU), Polícia Federal, por certo, não se restringirão às irregularidades relativas a esta contratação (referente à Arena Corinthians), mas de todo o programa governamental denominado BNDES PróCopa Arenas 2014”.

Ela explica que outras instituições devem fazer as novas investigações, pois elas extrapolariam o objeto da ação popular em questão.

Uma das irregularidades apontadas por Maria Isabel no caso do estádio alvinegro é a falta de licitação para definir a construtora que faria a obra. A juíza argumenta que a Odebrecht já tinha construído boa parte da arena quando o financiamento foi liberado. Por meio de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) o dinheiro acabou beneficiando a Odebrecht, que recuperou parte dos seus gastos com a obra e criou a empresa com o Corinthians.

“Nessa linha, se acaso fosse possível imaginar uma política pública que justificasse financiamentos para construções ou reformas de estádios de futebol pertencentes às empresas privadas, o mínimo que deveria ter sido respeitado seria um amplo certame que identificasse quais seriam as construtoras e empreiteiras que se habilitariam com as melhores propostas”, afirma trecho da decisão judicial. A magistrada também argumenta que o que ocorreu na preparação para a Copa foi um direcionamento  para determinadas construtoras. No caso da arena corintiana, para a Odebrecht.

Ela ainda sustenta que a empresa criada não é de fato uma SPE. Ou seja, teria havido apenas uma simulação para conseguir o financiamento sem garantias concretas de que a Caixa receberia o dinheiro. Maria  Isabel usa úmeros para defender que o modelo de negócio não era viável. De acordo com informação constante no processo, em 8 de maio de 2017, tinham sido pagos cerca de R$ 59,2 milhões dos R$ 400 milhões. Dessa verba, R$ 14,69 milhões foram usados na dívida principal e o restante para quitar juros.

O período de inadimplência de Corinthians e Odebrecht em relação ao financiamento também faz parte da argumentação.

Abaixo, veja as notas enviadas ao blog por Corinthians e Odebrecht sobre a decisão.

“O Sport Club Corinthians Paulista reafirma a lisura e a regularidade jurídica do processo de financiamento efetuado para a construção da Arena Corinthians. Entre as diversas provas presentes nos autos, destaca-se que o próprio banco repassador, Caixa Econômica Federal, e o Tribunal de Contas da União se manifestaram pela regularidade do repasse, apresentando pareceres consistentes e inequívocos. Sendo assim, o Corinthians informa que fará uso dos recursos judiciais cabíveis para reverter a decisão de primeira instância”.

 

“A Construtora Norberto Odebrecht S/A lamenta a informação, pois ficou demonstrado nos autos do processo a plena legalidade do processo de financiamento para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, por meio do programa Pró Copa Arenas. A Odebrecht, que é parte na ação popular, apresentará os devidos recursos nas instâncias superiores após a intimação formal e ciência da íntegra da decisão.”

 

 

Em reunião estafe da Caixa relata pressão para cobrar Corinthians por arena

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Em reunião com a direção do Corinthians na última segunda (5), representantes da Caixa Econômica contaram sofrerem cobrança interna e externa para serem mais duros na exigência de que o contrato de financiamento da arena do clube seja cumprido rigorosamente, sem atrasos.

Conforme apurou o blog, discurso foi de que a pressão existe porque o banco não adotou as medidas previstas contratualmente nos momentos em que o acordo foi descumprido. O fundo responsável pelo estádio chegou a ficar aproximadamente um ano e meio sem pagar as prestações enquanto discutia mudanças no financiamento. A Caixa concordou com o não pagamento evitando sanções previstas. A principal delas é executar garantias de pagamento dadas no acordo por Odebrecht e Corinthians. No caso do clube, há o terreno do Parque São Jorge comprometido.

Na última segunda, a “Folha de S. Paulo” e “O Globo” noticiaram que a Caixa ameaçou executar as garantias, o que o clube nega ter ocorrido. A medida drástica seria justificada por esse cenário de pressão relatado na reunião da qual participou Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano.

Também segundo apuração do blog, parte da pressão externa vem do Banco Central, que supervisiona as atividades das instituições financeiras do país.

O blog tentou falar com os representantes do banco que participaram do encontro, mas assessoria de imprensa da Caixa respondeu que por lei não pode comentar assuntos que envolvam o contrato.

Independentemente do estádio corintiano, a Caixa vive momento delicado por causa de acusações de corrupção contra dirigentes do banco feitas pelo Ministério Público Federal.

Vale lembrar que quando o banco aceitou ser intermediário do financiamento de R$ 400 milhões liberados pelo BNDES para a construção da casa corintiana, o Governo Federal era comandado pelo PT. Sanchez já era filiado ao partido do qual hoje é deputado federal. A saída do Partido dos Trabalhadores do governo, porém, não é apontada pela direção corintiana como fator complicador na relação com a Caixa.

Fechar um novo acordo com o banco é uma das prioridades de Andrés, que voltou a presidência do clube no último sábado.

 

 

Corinthians vê Odebrecht disposta a acordo e garantia para Caixa como “nó”

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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

A diretoria do Corinthians acredita que a Odebrecht tem interesse num acerto para considerar quitada a dívida do clube com ela, mas vê como entrave para fechar o negócio a falta de garantias do clube para dar a Caixa Econômica Federal.

Num dos modelos de acordo idealizados, o clube daria os Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), avaliados em mais de R$ 450 milhões, como parte do pagamento pela construção de sua arena. Além disso, descontaria cerca de R$ 151,4 milhões referentes a obras que não teriam sido feitas de acordo com o escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva, aproximadamente R$ 63,5 milhões relativos a trabalhos que precisam ser refeitos e mais multa de R$ 23 milhões por não finalizar o estádio no prazo. A dívida com a construtora hoje é avaliada pelo clube em cerca de R$ 976 milhões.

Essa proposta de acordo foi sugerida pela comissão do Conselho Deliberativo que analisou a situação da arena. Ela propõe que, a partir da negociação com a Odebrecht, o clube assuma sozinho a dívida pelo financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES. Nesse caso, a Odebrecht retiraria as garantias que deu para a Caixa, intermediária do financiamento, e o alvinegro teria que apresentar outras no lugar. E aí que está o nó.

Em reunião do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), na última terça, Emerson Piovezan, diretor financeiro alvinegro, afirmou que a Odebrecht está disposta a fazer um acordo, mas que a dificuldade é encontrar garantias para dar a Caixa, além de algumas que já foram dadas pelo clube.

Recentemente, o Cori rejeitou proposta que dava as receitas do programa do Fiel Torcedor, seu programa de sócios para o futebol, como garantia para a Caixa numa operação que mudaria a forma de pagamento do financiamento dos R$ 400 milhões, sem envolver acordo de quitação com a construtora.

Por mensagem de celular, o blog pediu a Piovezan uma entrevista para falar sobre o assunto, porém ele não respondeu.

Já a Odebrecht afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem informações sobre o tema acordo e que não participa das reuniões do Cori.

A construtora nega que tenha desrespeitado o contrato para a construção da Arena Corinthians.

Sobre os Cids, em março deste ano, tinham sido negociados R$ 42,5 milhões. A maioria foi comprada por consórcios com a participação da Odebrecht. Na ocasião, havia contratos que garantiam a negociação de papéis no valor de R$ 70 milhões com companhias desvinculadas da construtora. Quem compra os certificados, com desconto no valor de face, usa os documentos para quitar impostos municipais.

Corinthians rejeita pedido da Caixa e impede trato para retomar pagamento

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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

O Cori (Conselho de Orientação do Corinthians) rejeitou nesta segunda (28) exigência da Caixa Econômica encaminhada ao órgão pelo presidente do clube, Roberto de Andrade, para que as receitas do programa de sócio-torcedor do alvinegro passassem a ser entregues para o banco. O dinheiro seria usado para quitar parte da dívida pela construção da arena em Itaquera.

Com a decisão, a proposta não será nem encaminhada ao Conselho Deliberativo, que daria a palavra final sobre o caso.

A recusa dificulta ainda mais o acordo com o banco para que o clube volte a pagar, por meio do fundo responsável pela operação, as prestações referentes aos R$ 400 milhões financiados pelo BNDES por intermédio da Caixa para o pagamento da obra do estádio. Em 2016, o Corinthians obteve autorização para pagar somente juros e, posteriormente, nem isso até pelo menos abril de 2017 enquanto negocia redução no valor das prestações e aumento no prazo para quitar a dívida.

Apesar de o acordo ter sido costurado pela diretoria, havia na direção quem fosse contra comprometer mais receitas para pagar a dívida. É o caso de André Luiz de Oliveira,  o André Negão, que participou da reunião do Cori por ser o presidente em exercício do clube já que Andrade se afastou do cargo para viajar.

“Nós queremos pagar as prestações, mas no valor atual não conseguimos. Estamos pedindo para reduzirem o valor (aumentando o prazo) e eles pediram mais uma garantia (as receitas do Fiel Torcedor). Não concordo porque eles já têm uma garantia (rendas das partidas). Se não aceitarem sem (o cumprimento da nova exigência), vão continuar sem receber, o que não é a nossa vontade”, disse o dirigente. Ele não teve direito a voto por não ser membro do órgão, no qual a situação é maioria. O cartola também afirmou não saber de cabeça qual o valor atual da prestação.

Pelo modelo vigente, toda a receita de bilheteria nos jogos da equipe precisa ser repassada para o pagamento das prestações. Um dos motivos que levaram os integrantes do Cori a rejeitar a cessão das receitas do Fiel Torcedor foi o entendimento de que o clube ficaria ainda mais sufocado financeiramente. O repasse do dinheiro referente ao programa criado para os torcedores seria retido até que fossem atingidos R$ 50 milhões. A receita poderia ser liberada em março de 2019 caso 12 prestações seguidas fossem pagas sem atraso.

Outros argumentos usados foram que houve pouco tempo para analisar o tema e que o assunto não havia passado pela comissão do Conselho Deliberativo encarregada de analisar casos que envolvem a arena.

Pré-candidatos de oposição à presidência corintiana, os conselheiros Romeu Tuma Júnior e Osmar Stabile cobraram antes da reunião que membros do Cori não aprovassem a medida.

Uma das leituras feitas por integrantes do órgão é de que a diretoria agora está numa situação confortável, pois pode dizer para a Caixa que tentou aprovar a condição exigida por ela, mas que não obteve autorização. Quem pensa assim crê que a direção não queria aceitar a exigência.