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Até crise do Cruzeiro vira munição contra Mattos no Palmeiras

Leia o post original por Perrone

“O Alexandre Mattos quebrou o Cruzeiro e vai quebrar o Palmeiras”. Esse é o discurso adotado insistentemente por críticos do diretor executivo de futebol do Palmeiras. Na última sexta (29), o slogan da campanha pela demissão do cartola remunerado foi alimentado por entrevista de Zezé Perrella, gestor de futebol cruzeirense, na qual ele creditou a crise do clube a gestões passadas.

“Quebraram o Cruzeiro para ser Campeão Brasileiro! É essa cultura que temos que recuperar. O presidente Wagner (Pires de Sá) quando assumiu, foi pelo mesmo caminho tentando ser campeão a qualquer custo. Dia 8, quando o campeonato acabar, vou soltar um balanço e quero que todos saibam a situação real do Cruzeiro. Não estou aqui disposto a quebrar com o Cruzeiro não, mas eu estou fazendo o que posso”, afirmou o ex-presidente cruzeirense em sua entrevista coletiva.

Imediatamente, conselheiros e até gente que integra a diretoria do Palmeiras passaram a usar as declarações como comprovação de tese de que Mattos é tóxico para as finanças alviverdes. Os detratores do cartola associam o histórico dos dois clubes. Com Mattos como dirigente, ambos conquistaram dois títulos brasileiros cada e fizeram uma série de contratações caras.

Atualmente, o Cruzeiro enfrenta sérios problemas financeiros e não consegue pagar salários de jogadores em dia. Já o alviverde viveu nos últimos anos época de vacas gordas, principalmente por conta do forte patrocínio da Crefisa. Porém, este ano, a agremiação registra deficit até aqui, não levantou taças e depende da venda de jogadores para não fechar o ano no vermelho. Os salários continuam sendo pagos em dia.

Nesse cenário, os críticos apertaram ainda mais o botão da pressão sobre o dirigente remunerado assim que souberam das palavras de Perrella. Porém, o cartola cruzeirense não chegou a citar Mattos. O link é feito porque ele era o executivo de futebol do clube de BH nas conquistas do Brasileiro.

Mattos não concedeu entrevista ao blog. Quem o defende, entre outros argumentos, diz que o ataque de Perrella foi político, direcionado a outros dirigentes, como Bruno Vicintin, ex-vice de futebol do Cruzeiro e que teve seu nome pronunciado durante as críticas do cartola cruzeirense. Na defesa do executivo palmeirense também aparece o registro de que ele está no alviverde desde 2015. Ou seja, saiu faz tempo da agremiação mineira, assim, não poderia ser responsabilizado pelo que acontece lá agora.

Por sua vez, Vicintin divulgou uma carta aberta para rebater as declarações dadas por Perrella na entrevista coletiva. Abaixo, leia na íntegra a resposta do ex-dirigente do Cruzeiro.

“Entendo o desespero do ex-presidente Zezé Perrella. Ele aproveitou a oportunidade para tentar desviar o foco me atacando, mas vamos aos fatos:
Zezé Perrella estava fora do clube e as coisas andavam bem dentro do possível. Ao término do seu mandato como senador, sem qualquer força política, voltou ao clube por debaixo dos panos e quando teve que assumir e colocar a cara, imaginou que iria ser o salvador da pátria. Entretanto, as coisas ficaram ainda piores agora. E em uma tentativa insana vem me acusar. De quê?
Quando saiu em 2011, entregou um Cruzeiro a um ponto da zona de rebaixamento. Com muito trabalho e dedicação, de muita gente séria e que tem amor verdadeiro ao Cruzeiro, o clube foi bicampeão brasileiro, fato esse que ele não consegue engolir.
Do time que foi entregue da diretoria da qual fiz parte, para a atual gestão, o único que ganhou o título brasileiro de 2013, como titular, foi o goleiro Fábio.  Do time que conquistou a Copa do Brasil no ano passado, contra o Corinthians, dos 11 titulares, 10 atletas que jogaram a final foram deixados por nossa administração.
Ele faz ilações de que tenho seis procurações de jogadores da base, mas isso é mera desinformação. Atualmente eu represento muito mais de seis atletas no clube, porque eu tenho uma empresa aberta de representação, empresa com CNPJ, registrada na CBF e que paga todos os seus impostos. Eu sou um investidor no futebol. De de cara limpa e todos sabem disso, porque é fato público.
Existe um exemplo muito claro nesse sentido: no Atlético-MG, nosso maior adversário, um ex-presidente montou um fundo de investimentos e opera no futebol. Tudo dentro da lei e com muita responsabilidade.
Para deixar ainda mais claro, são mais de 100 jogadores representados por minha empresa em 19 clubes brasileiros
Mas quero fazer um desafio ao Zezé Perrella e seu fiel seguidor, Itair Machado: que eles me acompanhem na Receita Federal, para que lá possamos abrir nossas contas pessoais e que eles apresentem as verdadeiras contas pelas quais são responsáveis nos dois últimos anos no Cruzeiro.
Eu fui dirigente no Cruzeiro Esporete Clube por seis anos e jamais tive qualquer responsabilidade pela parte financeira. E sei que eles passaram os últimos dois anos, entre desculpas e fracassos, procurando alguma coisa do período em que estive no departamento de futebol. É óbvio que não acharam absolutamente nada, ou alguém tem alguma dúvida de que se tivesse algo, já teriam colocado na imprensa?
Esse é um sinal de evidente do desespero do Zezé Perrella. Lamento muito por envolver o Cruzeiro, clube que amo e que lutei pra torná-lo maior, mesmo com limitações nas minhas funções. Mas o fato é que, em dois anos, esse pessoal conseguiu destruir tudo que estava sendo feito, por conta de muita incompetência e extrema vaidade.
A título de comparação, do time que entrou em campo ontem e foi derrotado pelo CSA, na 35ª rodada do campeonato brasileiro, todos os jogadores ou foram trazidos pela atual administração ou, se da minha época, tiveram seus contratos renovados também pela atual gestão, o que determina que foram escolhas deste pessoal.
É interessante como Zezé Perrella não cita nessa entrevista coletiva seu parceiro e antecessor, Itair Machado, responsável direto pela formação do atual elenco. Nem sequer comenta sobre seu filho, Gustavo Perrella, que esteve trabalhando para essa gestão – em algo que nem se sabe o que, afinal, transparência não é com eles.
A verdade pura e cristalina é que a conta chegou para esse pessoal.
O Zezé Perrella usou o Cruzeiro para atingir seus objetivos, usou o Clube e o tamanho de nossa torcida para alcançar projeção política e isso é inegável. Até por ser um cidadão que, antes do Cruzeiro, não tinha nenhuma expressão.
Quero fazer mais uma lembrança: o Zezé Perrella foi presidente do Conselho na gestão do Wagner Pires, tinha obrigação de fiscalizar e não apresentou nada, agora pela pressão do atual momento vem querer acusar a gestão anterior. Estou faz dois anos completamente afastado do Cruzeiro, não frequento o Clube e até pelas divergências, eu não queria atrapalhar. Mas ele e seus parceiros não me esquecem.
Esse momento do Cruzeiro é bastante delicado e todos deveriam pensar apenas no Clube, porém, infelizmente esse pessoal prefere sangrar ainda mais o Cruzeiro. É preciso registrar da forma correta: foram eles que tiraram o clube das manchetes esportivas e o colocou o Cruziero Esporte Clube nas páginas policiais.”

Justiça rejeita queixa-crime de vice de futebol do Cruzeiro contra desafeto

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Na última quarta (20), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou queixa-crime apresentada pelo vice-presidente executivo de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, contra Bruno Vicintin, ex-vice de futebol do clube. Itair acusa o desafeto de ter cometido crime de calúnia ao afirmar durante entrevista coletiva em novembro de 2017 que foi ameaçado de morte por ele.

Como mostrou o blog, no mês passado o Ministério Público-MG ofereceu denúncia contra o vice executivo por supostamente ter praticado a ameaça citada. Assim, a juíza Adriana de Vasconcelos Pereira, entendeu que a queixa-crime não pode ser aceita até que o processo responsável por investigar se Itair cometeu a ameaça ser encerrado. Ou seja, sem saber a conclusão da investigação é impossível, segundo ela, afirmar se Vicintin caluniou o dirigente cruzeirense.

O blog procurou Itair para saber se ele pretende recorrer da decisão, primeiro, o vice do Cruzeiro perguntou: “que Vicintin?”. Depois, sempre por mensagem de texto, disparou: “Vocês  são parceiros dele, ficam fazendo matéria a favor. Vai caçar serviço”. O blog respondeu: “impressionado com sua educação. Sigo à disposição para ouvir sua versão”. O cartola devolveu: “e vocês me impressionam pela isenção”.

Após esclarecer que procurava ouvir os dois lados, de maneira isenta, o blog pediu para que Itair explicasse sua queixa. Ele não respondeu mais. Por sua vez, Vicintin afirmou que não comentaria o assunto.

Com Thiago Fernandes, do UOL, em Belo Horizonte

MP oferece denúncia contra vice de futebol do Cruzeiro por suposta ameaça

Leia o post original por Perrone

Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

O Ministério Público de Minas Gerais ofereceu, no último dia 19, denúncia contra Itair Machado, vice-presidente executivo de futebol do Cruzeiro por supostamente ter ameaçado de morte Bruno Vicintin, ex-vice de futebol. Procurado pelo blog, o atual dirigente negou ter cometido o crime.

Por sua vez, Vicintin disse que não poderia falar sobre o assunto já que a medida foi tomada pelo MP. Em nota enviada ao blog por meio de seu departamento de comunicação, o órgão confirmou o oferecimento da denúncia e afirmou que foi marcada para o “dia 16 de abril audiência que poderá resultar na suspensão do processo” (leia o comunicado ao final deste post).

Itair só poderá aceitar a proposta se não estiver respondendo a outro processo e caso não tenha sofrido nenhuma condenação, segundo informações do Ministério Público. Se a denúncia for aceita pela Justiça, e o processo suspenso, o juiz estipula condições como eventual pagamento reparatório à vítima. Caso todas as condições sejam cumpridas, ao final do prazo estipulado o processo é extinto.

Indagado se aceitará a suspensão, o vice do Cruzeiro afirmou que “quem aceita suspensão é culpado. E já te expliquei que não fiz ameaça, não sou homem disso”, afirmou o cartola cruzeirense. “Não tem ameaça. Quem acusa tem que ter prova. O MP não ofereceu denúncia e, sim, recebeu denúncia”, declarou o cartola. O blog reforça que o Ministério Púbico de Minas Gerais confirmou o oferecimento da denúncia por parte da 8ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte.

Se não houver acordo para a suspensão, desde que a denúncia seja aceita, a Justiça abre o processo. O crime de ameaça prevê de um mês a seis meses de detenção. A nota do MP afirma também que a ameaça teria ocorrido por telefone em 13 de novembro de 2017. O blog apurou que o órgão agiu depois de Vicintin registrar queixa sobre o suposto crime numa delegacia de BH.

De acordo com a denúncia, a qual o blog teve acesso, Itair teria dito por telefone a uma testemunha, que estava em reunião no Cruzeiro, o seguinte: “odeio o senhor Bruno Vicintin e quero que você dê o recado a ele, que se ele não parar de falar de mim na internet, vou matá-lo”.

A promotoria indicou três testemunhas para serem ouvidas pela Justiça, além de Vicintin.

Depois desse episódio, Vicintin e Itair moveram ações um contra o outro, antes de o MP oferecer a denúncia. “Eu entrei primeiro com o processo contra ele por calúnia. Aí ele entrou contra mim, com 60, 90 dias de atraso, dizendo que eu o ameacei via uma terceira pessoa e por telefone. História sem pé e cabeça. No fundo ficou chateado porque o tirei da chapa do conselho (em votação no Cruzeiro). Ele tentou montar uma e não conseguiu. Ao meu ver, vaidade política”, disse Itair.

O blog voltou a procurar o ex-dirigente para ouvi-lo sobre as declarações de seu desafeto. Ele respondeu com a seguinte nota:

Sobre o caso não vou me pronunciar, foi o Ministério Público que ofereceu denúncia contra este senhor.  Apesar de ele querer dar a este episódio um viés político, tenho certeza que o MP de Minas Gerais não tem nenhum interesse político no clube. Eu estive durante seis anos no Cruzeiro e nunca tive qualquer remuneração, nenhum benefício financeiro e nem salário. Apesar de convidado a continuar, antes mesmo da eleição, decidi não permanecer por entender que pessoas na mesma equipe devem ter os mesmos princípios éticos e morais. E as pessoas que me conhecem sabem que não abro mão dos meus princípios por cargo. Sobre a afirmação de que tentei montar uma chapa, essa informação é mentirosa, eu declinei o convite para prosseguir e resolvi me afastar da política do Clube, todos sabem disso“.

Confira a seguir nota do departamento de comunicação do Ministério Público enviada ao blog:

O MPMG ofereceu denúncia contra Itair Machado de Souza, apresentada à Justiça no dia 11 de janeiro de 2019.

Artigo 147 do Código Penal – Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave: Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.

Está marcada para o dia 16 de abril de 2019 uma audiência que poderá resultar na suspensão do processo. Caso o réu aceite a proposta, o processo será suspenso por dois anos (o prazo prescricional fica suspenso).

As condições estão previstas no artigo 89 da Lei 9.099/95

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:

I – reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II – proibição de frequentar determinados lugares;
III – proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV – comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.

§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.

§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.

§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.

§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá seu rito normal.

A ameaça, segundo a vítima, teria sido feita por telefone no dia 13 de novembro de 2017.

Foram marcadas três audiências na tentativa de composição cível ou transação penal: 27.07.2018, 25.09.2019 e 04.12.2018. O réu não compareceu em nenhuma delas, enviando apenas advogado. São essas as informações até o momento“.

Com Thiago Fernandes, do UOL, em Belo Horizonte