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Por que Corinthians prevê corte amplo em restante de dívida com Odebrecht?

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Na diretoria do Corinthians e na construtora o discurso é de que o clube terá que pagar bem menos do que os R$ 160 milhões calculados anteriormente para quitar sua dívida com a Odebrecht Participações e Investimentos (OPI).

A confiança vem principalmente do histórico de negociações entre companhias que pedem recuperação judicial e seus credores. A OPI está no grupo de empresas da Odebrecht que teve a medida aceita pela Justiça e contestada pela Caixa Econômica. O banco pede a falência do grupo, mas a construtora se apoia na palavra de especialistas de que a chance de isso acontecer é remota. E, apesar do tom bélico adotado atualmente pela estatal credora, aposta em uma negociação favorável.

Executivos da construtora e cartolas do clube entendem que é comum em casos de recuperação judicial credores darem desconto de cerca de 50% ou aceitarem deixar de cobrar juros para receberem apenas a dívida principal em prestações a longo prazo.

Para ajudar a tocar a obra do estádio corintiano, a OPI levantou R$ 350 milhões junto a Caixa por meio da emissão de debêntures. O cálculo hoje é de que com juros e outros encargos a dívida chega perto de R$ 700 milhões.

Corinthians e Odebrecht têm um acordo pelo qual o clube se compromete a pagar 25% do valor devido pela OPI para a Caixa. Se o cálculo for feito em relação aos R$ 700 milhões, o alvinegro terá que arcar com R$ 175 milhões. Mas, se for cobrado apenas o valor principal, como esperam Odebrecht e Corinthians, a parte do alvinegro cairia para R$ 87,5 milhões. Porém, dos dois lados existe a esperança de um desconto ainda maior.

Sendo concretizado o acordo da Odebrecht com seus credores por meio da recuperação judicial, a tendência é de um prazo confortável para o pagamento dessa dívida. A aposta é em pelo menos dez anos. O Corinthians teria o mesmo tempo para fazer o acerto. Por isso, o entendimento da diretoria é de que o acordo com a Odebrecht foi uma grande vitória do clube. Na outra ponta do trato, foi quitada a dívida do alvinegro com a OEC (Odebrecht Engenharia e Construção), ligada diretamente à obra da Arena Corinthians.

Nos bastidores parte da direção corintiana vê lado bom em ação da Caixa

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Pelo menos parte dos dirigentes do Corinthians e outros envolvidos no projeto da arena do clube enxergam pontos positivos no fato de a Caixa Econômica ter entrado com ação contra o a Arena Itaquera S/A, ligada ao clube e a Odebrecht. Esse discurso, porém, é mantido nos bastidores.

Um dos argumentos usados longe dos microfones é o de que ao cobrar na Justiça o pagamento de R$ 536 milhões antecipadamente, o banco permitiu que a empresa e o fundo de investimentos que a representa sob a batuta de Corinthians e Odebrecht adiantem discussões sensíveis que estavam engavetadas. A principal delas é a insatisfação em relação ao valor dos juros cobrados pela instituição financeira.

Na última sexta, o diretor jurídico alvinegro, Fábio Trubilhano, afirmou que o clube demonstrou na Justiça a “existência de capitalização de juros excessiva e cobrança de encargos indevidos”. Isso no pedido feito para suspender a execução. O cartola, no entanto, lembrou que as partes iniciaram tratativas por um acordo e que considera esse o melhor caminho.

Pelo contrato em vigor, a Arena Itaquera deve pagar juros anuais de 9% pelo financiamento de R$ 400 milhões feito pela Caixa junto ao BNDES para ajudar a bancar parte da construção do estádio alvinegro.

Ao menos um diretor do Corinthians repete nos bastidores que a ação proposta pela Caixa foi um presente para o clube. Isso porque, a partir da execução, o pagamento foi suspenso (o banco alega que já não vinha sendo feito) até a resolução do imbróglio. Assim, o clube ganha tempo para propor uma acordo e tentar mudar o que lhe desagrada.

Outro ponto que o alvinegro quer incluir é uma redução nas parcelas de novembro a fevereiro, meses de menor movimento em seu estádio. Andrés Sanchez diz que seguia esse modelo após tratativas com o banco, mas admite que um acordo nesse formato não chegou a ser assinado. Neste momento, a direção alvinegra trabalha na proposta que vai apresentar ao banco.

Só que a Caixa tem mantido a postura de que os corintianos não estão em condições de exigir o que não está no contrato. O banco alega que a agremiação não pagou parcelas de março a agosto, quando a Justiça foi acionada.

A visão parcialmente otimista não muda o entendimento no Parque São Jorge de que obviamente há desgaste para as imagens da Arena Corinthians e do clube com a ação. Existe também um desgaste político para o presidente corintiano, pressionado pela oposição por causa do imbróglio.

Em defesa, Arena Itaquera aponta erro da Caixa ao pedir penhora

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Em sua defesa contra o pedido de penhora online de suas contas feito pela Caixa Econômica Federal, a Arena Itaquera S/A, ligada a Corinthians e Odebrecht, alega que o banco cometeu um erro ao pedir o bloqueio e violou disposição do CPC (Código de Processo Civil). O entendimento dos defensores é de que tal medida não se aplica porque no contrato entre as partes foi oferecida garantia real em caso de inadimplência. Por essa linha de raciocínio, o banco deveria ter executado tais garantias, não exigido a penhora.

Nos documentos apresentados à Justiça, a Arena Itaquera sustenta que a execução deveria recair sobre as cotas que a empesa possui do Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que recebe os recursos  gerados pelo estádio corintiano e é obrigado a repassá-los para a Caixa.

Na ação, os advogados da Arena Itaquera mostram que a empresa tem 47,57% de cotas seniores. O Corinthians é dono de 52,42% de cotas juniores, e a Odebrecht Participações e Investimentos possui 0000,765% de cotas mezanino.

A alegação da defesa é de que outros bens só poderiam ser penhorados se as cotas não fossem suficientes para cobrir o valor da execução: R$ 536 milhões. Ao processo, foi anexado laudo de avaliação que determina que as cotas valem R$ 711.790.557,50

Com essas argumentações, a Arena Itaquera pede que a penhora online seja rejeitada e que sejam penhoradas as cotas emitidas pelo fundo e alienadas fiduciariamente à Caixa pela empresa e pelo clube. Requer ainda a exclusão da Arena Itaquera do cadastro de inadimplentes do Serasa, se as garantias forem executadas.

Alegando atrasos de seis parcelas relativas ao financiamento de R$ 400 milhões feito pela Caixa junto ao BNDES, o banco executou a dívida integral, que por suas contas é de R$ 536 milhões. Enquanto o processo segue na Justiça, as partes tentam um acordo.

Fala de Andrés contraria expectativa da Caixa por tom amistoso para acordo

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Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Andrés Sanchez foi na contramão do clima de conciliação iniciado entre Caixa Econômica e Corinthians ao dizer que haverá um acordo, mas do jeito que o clube quer. A declaração foi dada depois da derrota por 2 a 0 para o Independiente del Valle, na última quarta (18), e é exatamente o que executivos do banco não esperavam ouvir neste momento.

Como mostrou o blog, as duas diretorias mantiveram contato telefônico na tentativa de um acordo amigável sobre a ação de execução proposta pelo banco contra a agremiação. A Caixa alega seis meses de atraso no pagamento de parcelas deste ano referentes ao financiamento de R$ 400 milhões feito por intermédio dela junto ao BNDES para ajudar a arcar com os gastos da construção da arena corintiana. Por conta da inadimplência, o banco executou o contrato cobrando antecipadamente a dívida total de aproximadamente R$ 536 milhões.

A conversa sobre uma eventual renegociação foi em tom amistoso e caminhou para o agendamento de uma reunião na próxima semana entre as duas diretorias. No entanto, a Caixa sinalizou ao Corinthians que esperava uma postura pública de Andrés na mesma linha das conversas internas, sem agressividade, para criar clima propício a um acerto em relação à cobrança judicial.

Conforme apurou o blog, representantes do banco estatal esperavam que o presidente corintiano adotasse a postura de um devedor que quer resolver o problema, não de quem está disposto à briga e em condições de impor regras. A expectativa era de que Andrés chegasse para a reunião de tentativa de acordo entendendo que o clube precisa convencer a Caixa a ceder, logo, o confronto não seria a melhor solução para o Corinthians. O presidente do alvinegro não fala com o blog, por isso foi impossível ouvi-lo sobre o assunto.

 

Falta de documentação para a Caixa travou acordo por Arena Corinthians

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Na notificação enviada ao Corinthians cobrando dívida de aproximadamente R$ 500 milhões e informando a execução do débito, a Caixa Econômica admitiu que houve tratativas avançadas por um acordo alterando valores das parcelas do financiamento em questão. Porém, conforme escreveu o banco, o trato não foi concluído por falta de documentação que deveria ser entregue pelo fundo responsável pela arena alvinegra.

“Acrescente-se que, quanto à renegociação pleiteada pelo clube desde o final do ano passado, em que pese ter a Caixa evoluído para a formatação de uma proposta que chegou a tramitar nas áreas internas da notificante, não foi possível prosseguir com as análises uma vez que o Fundo não enviou as demonstrações financeiras assinadas e auditadas solicitadas pela Caixa diversas vezes”, diz trecho da notificação.

A dívida se refere ao financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES por intermédio da Caixa para bancar parte da construção da Arena Corinthians. A direção alvinegra chegou a falar publicamente que considerava o acordo para mudar a forma de pagamento sacramentado. Passava, então, a pagar R$ 6 milhões por mês de março a outubro e R$ 2,5 milhões mensais entre novembro e fevereiro.

Em nota, divulgada em seu site, o Corinthians afirmou que o acordo ficou pendente diante de iminente troca de comando na Caixa e que seguiu fazendo os pagamentos conforme alinhavados no trato. A direção ficou surpresa com a atitude do banco. Abaixo, leia as duas notas do alvinegro sobre o assunto. Até a publicação deste post, a Caixa não havia respondido aos questionamentos do blog sobre a notificação.

Nota divulgada no site do clube

“O Sport Club Corinthians Paulista discorda das informações prestadas pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, ao colunista Lauro Jardim do jornal O Globo.
Na aludida oportunidade, o presidente da CEF afirmou que não haveria qualquer renegociação entre as partes, e, por conta disso, teria sido obrigado a executar as garantias contratuais.
É importante destacar que a reportagem não leva em conta negociação preliminar entre o clube e Caixa Econômica Federal (CEF) há aproximadamente um ano para adequação do fluxo de receitas com as parcelas mensais em valores reduzidos nos meses nos quais um número menor de partidas é realizado na Arena, fato já noticiado pela imprensa.
A referida negociação aguardava formalização contratual e requeria a implantação de uma série de procedimentos administrativos dentro da CEF, no entanto, reuniões frequentes foram mantidas entre as equipes para ajustar aspectos operacionais. A CEF, inclusive, expressamente reconheceu a aludida negociação, tendo encaminhado o assunto para a área interna responsável no banco”.
Nota divulgada no site da Arena Corinthians

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que enquanto finalizava negociações com a Caixa para um reperfilamento do financiamento da Arena – processo iniciado nos primeiros dias da atual gestão — foi surpreendido por uma notificação extrajudicial alegando que diversos procedimentos prescritos pelo atual contrato não estariam sendo cumpridos. 

Esta mudança de atitude não encontra respaldo na realidade dos fatos. Um acordo preliminar de adequação do contrato ao fluxo de caixa efetivo da Arena havia sido negociado há quase um ano, mas ficou suspenso pela perspectiva da iminente troca de comando da instituição, à espera da orientação da nova gestão. Desde então, os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo. 
Além dos ajustes financeiros, a Caixa requeria a implantação de procedimentos administrativos com os quais o clube esteve sempre de acordo e cuja implementação dependia, como depende, de procedimentos dentro da Caixa até hoje não especificados definitivamente.
Assim, tanto no plano financeiro como no administrativo, o clube sempre se pautou por total transparência quanto à sua atuação operacional e subordinação inconteste a um processo de pagamentos compatível com a realidade financeira do mercado esportivo atual.
Como não houve interrupção do diálogo e tudo caminhava para um acordo mutuamente vantajoso, não há como compreender o gesto intempestivo, que sequer foi previamente comunicado à agremiação.
Ao contrário de inúmeras outras arenas que receberam da mesma linha de financiamento, o clube nunca repudiou sua dívida nem deixou de dialogar com o repassador destes recursos, a CEF, quando dificuldades transitórias se interpunham. Se a CEF escolheu trocar a rota da negociação pela do confronto, não cabe ao clube outro recurso senão defender na Justiça seus direitos.
O clube continua aberto a voltar à mesa de negociação, se a Caixa optar por prosseguir a trajetória amigável que juntos vínhamos construindo até aqui.”

Rosenberg x Citadini expõe dúvidas no Corinthians sobre dívida por arena

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Reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians no último dia 23 teve educado embate entre Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing, e Antônio Roque Citadini, um dos candidatos de oposição à presidência derrotados por Andrés Sanchez em fevereiro. A discussão foi sobre uma das maiores preocupações de conselheiros corintianos atualmente: como pagar a dívida gerada pela construção da arena alvinegra?

A postura de cada um simboliza como situação e oposição têm expectativas diferentes sobre o desenrolar do caso. A diretoria tenta transmitir otimismo e confiança de que tudo vai se resolver favoravelmente para a agremiação. Já o diagnóstico da oposição é de uma situação extremamente delicada.

Rosenberg falou antes do opositor na reunião. Discorreu sobre necessidade de renegociar contratos assinados pelo clube em relação ao estádio diante de um período de recessão no país posterior à assinatura dele e pela dificuldade de conseguir negociar os naming rights.

O diretor declarou que a estratégia da diretoria é primeiro cumprir cláusulas que não vinham sendo cumpridas, especialmente voltar a pagar as parcelas do financiamento de R$ 400 milhões intermediado pela Caixa junto ao BNDES. Segundo ele, isso já foi feito e não há prestação atrasada. Depois seriam buscadas melhorias no contrato a favor do clube.

Em seguida, a direção conversaria com a Odebrecht a respeito de um acordo sobre parte das obras que não teriam sido feitas ou tenham sido mal executadas, apesar de a construtora negar que isso tenha ocorrido. Rosenberg disse ainda que a arena voltaria a ser gerenciada pelo departamento de marketing do Corinthians, como ele havia planejado, não com uma estrutura independente.

Ao pegar o microfone, Citadini lembrou que o clube quer refazer contratos com os quais a agremiação concordou. Ou, em outras palavras, o mesmo grupo que está no poder com Andrés Sanhcez, idealizador da arena ao lado de Rosenberg, quer mudar o que assinou.

Depois, o opositor colocou em dúvida que a Caixa aceite mudanças que beneficiem o clube. Citou uma auditoria que teria sido encomendada pelo banco e que colocaria obstáculos para eventuais alterações. Também falou sobre haver eleições presidenciais no país neste ano, o que pode implicar em mudança na diretoria da Caixa a partir de 2019. Segundo ele, isso faz com que seja difícil os atuais responsáveis pelo banco assumirem responsabilidades num tema delicado. Citadini vê um otimismo exagerado de Rosenberg e aposta em dificuldade maior do que a prevista por ele para melhorar a situação. Para o oposicionista, diante do cenário atual, resta aos conselheiros acreditarem num milagre.

O diretor de marketing respondeu que esperava ser criticado quando estipulasse metas tímidas a serem alcançadas, e não altas (o que ele acredita ser o caso agora).

No final, a maioria dos conselheiros deixou a reunião como entrou. Com dúvidas sobre como o clube vai se virar para pagar a dívida pela construção de sua casa própria.

Como Corinthians e Odebrecht tentam reverter decisão sobre dívida por arena

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No último dia 22, Corinthians e Odebrecht deram o primeiro passo para se defenderem da sentença na qual a Justiça Federal do Rio Grande do Sul determinou o pagamento imediato da dívida com a Caixa Econômica referente  ao financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES

As duas partes apresentaram embargos declaratórios (instrumento jurídico que pede esclarecimentos sobre determinado ponto da senteça). A alegação é de que juíza Maria Isabel Pezzi Klein não teria levado em consideração na sua decisão um laudo de avaliação atualizado dos terrenos da sede corintiana dados como garantia de pagamento do empréstimo.

O documento citado por Corinthians e Odebrecht  mostraria que os dois terrenos em que ficam a sede do clube e o estádio do Parque São Jorge são suficientes para cobrir o valor da dívida. Há também outras garantias dadas pela Odebrecht.

A intenção é fazer com que a juíza leve em consideração o laudo citado nos embargos e que com base nele altere sua decisão desistindo de pedir o pagamento antecipado. Caso a decisão seja mantida, clube e Odebrecht irão recorrer em segunda instância.

Em trecho da sentença, Maria Isabel argumenta que imóveis sofrem depreciações com o tempo, enquanto os juros do financiamento aumentam constantemente o valor do débito. Assim, ela conclui que as duas propriedades corintianas valiam suficientemente para cobrir o financiamento de R$ 400 milhões em 2013. Mas que a hipoteca delas não deve bastar para quitar o débito atual.

No processo, a juíza faz referência a um laudo de avaliação dos imóveis apresentado pela Caixa em junho de 2017 mas com data base de 24 de maio de 2013.  O documento avalia a área em que está o estádio Parque São Jorge em R$ 193 milhões. Já o terreno da sede social do Corinthians aparece com valor de R$ 222 milhões. Os dois juntos, então, atingiam na ocasião R$ 415 milhões. No processo, a dívida é calculada em cerca de R$ 475 milhões, apesar dos pagamentos já efetuados. O aumento se deve a juros e a um período de inadimplência.

Durante a ação, o Ministério Público Federal chegou a pedir a reabertura do prazo para a apresentação de provas a fim de que uma nova avaliação dos imóveis fosse feita. O pedido foi negado pela juíza.

O que Corinthians contesta em ação por R$ 400 milhões de financiamento

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Em entrevista ao blog, Fabio Trubilhano, novo diretor jurídico do Corinthians, explicou os pontos com os quais o clube discorda na decisão da Justiça Federal-RS, que exige o pagamento antecipado da dívida de R$ 400 milhões referente a financiamento junto ao BNDES. O dinheiro foi obtido via Caixa Econômica Federal para cobrir gastos com a construção do estádio corintiano.

Abaixo, veja os principais temas abordados pelo advogado.

Estratégia

Trubilhano contou que o primeiro passo será apresentar embargos declaratórios contestando alguns procedimentos eventualmente adotados pela juíza Maria Isabel Pezzi Klein. Nessa fase, o objetivo não é questionar o julgamento do mérito. Podem ser abordados, por exemplo, falta de clareza ou omissão em algum ponto da sentença.

“Ainda estamos estudando. Mas uma possibilidade é mostrar que a ação popular pedia a anulação do contrato de financiamento. E ela decidiu pelo pagamento antecipado da dívida. Isso não fazia parte do pedido”, disse o diretor.

O embargo será julgado pela mesma juíza. Se for rejeitado, então, o clube deve recorrer contra a decisão em segunda instância.

Bloqueios e penhoras

A decisão judicial determina que a Caixa Econômica tome providências para ser ressarcida o que leva ao entendimento de que as garantias de pagamento serão executadas. “Mas é preciso ficar claro que não há risco de restrição ao patrimônio do Corinthians antes de recorrermos. Por enquanto, não vai haver bloqueio de nenhuma conta e nem penhora dos terrenos do Parque São Jorge. Houve bloqueio durante o processo, mas foi derrubado antes de eu ser diretor. Nós temos confiança de que vamos reverter a decisão em segunda instância”, declarou Trubilhano.

Risco de a Caixa não receber

Para determinar o pagamento antecipado da dívida por parte de Corinthians, Odebrecht, SPE Arena Itaquera e Jorge Fontes Hereda, ex-presidente da Caixa, a juíza argumenta que houve falta de pagamento do financiamento. Ela também usa os números para sustentar que o modelo de negócios proposto para gerar recursos é ineficiente para quitar a dívida. Até 8 de maio de 2017, de acordo com dados do processo, tinham sido pagos R$ 59,2 milhões. Só que deste montante apenas R$ 14,67 milhões foram para a dívida principal. O restante acabou corroído por juros. A magistrada entende que o banco aceitou repassar o dinheiro diante de uma promessa de receitas futuras projetadas sem consistência.

O diretor jurídico, no entanto, discorda que seja impossível quitar o débito.

“Hoje, não há inadimplência. E com o novo acordo que vamos fazer (mudando condições de pagamento) vai ficar melhor. O fato de tentarmos uma renegociação não significa que pelo modelo atual a dívida é impagável”, afirmou Trubilhano.

SPE

A Juíza entende que Corinthians e Odebrecht criaram a SPE (Sociedade de Propósito Específico) Arena Itaquera numa simulação para receber o dinheiro. Ela entende que a empresa preenche os requisitos para a constituição de uma SPE. Também assegura que a Caixa não poderia financiar R$ 400 milhões para uma empresa com capital de R$ 1 mil.

“Mas acontece que não é o capital da SPE que vai pagar a dívida. Ela vai ser paga com as garantias dadas. O TCU (Tribunal de Contas da União) atestou que as garantias valem mais do que a quantia financiada. Então, não existe risco para a Caixa”, argumentou o diretor corintiano. Ele também sustenta que a SPE foi criada de forma regular.

Concorrência

Outro ponto questionado pela juíza é o fato de a SPE receber dinheiro público e repassar para a Odebrecht que é uma das donas da empresa sem concorrência. Ela defende que a obra fosse feita pela construtora que apresentasse as melhores condições.

“O programa de financiamento usado não prevê licitação. Nenhum dos estádios  financiados precisou fazer. Seguimos as regras do BNDES”, rebateu o diretor jurídico.

Juíza vê indício de fraude e pede mais investigação sobre Arena Corinthians

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Para a juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein há indícios de fraude na operação de repasse de R$ 400 milhões do BNDES via Caixa Econômica para a construção da Arena Corinthians que precisam ser investigados por outros órgãos. Ela também pede que os financiamentos feitos às demais arenas da Copa-14 também sejam alvos de investigações.

A afirmação faz parte da decisão judicial que determina que Corinthians, Odebrecht, a SPE Arena S/A e Jorge Fontes Hereda, ex-presidente da Caixa, quitem dívida referente a R$ 400 milhões financiados para o estádio corintiano. O valor do débito deve ser acrescido de juros. A magistrada do Rio Grande do Sul determina que a Caixa tome todas as providências para ser ressarcida. Vale lembrar que uma série de garantias foi dada para o pagamento. Entre elas, estão dois terrenos em que fica o Parque São Jorge, sede do Corinthians. O contrato prevê que a área pode ser hipotecada pela Caixa em caso de inadimplência.

As partes envolvidas negam irregularidades e vão recorrer da decisão (leia as notas de Odebrecht e Corinthians no final do post).

Em trecho da decisão, a juíza diz que detectou na operação “a existência de fortes indícios de práticas fraudulentas feitas sob a aparência de uma contratação formalizada. Tais evidências e indícios, no entanto, deverão – e assim espero – ser devidamente investigados pelas autoridades competentes para o combate à macrocriminalidade.  As autoridades competentes (MPF, TCU), Polícia Federal, por certo, não se restringirão às irregularidades relativas a esta contratação (referente à Arena Corinthians), mas de todo o programa governamental denominado BNDES PróCopa Arenas 2014”.

Ela explica que outras instituições devem fazer as novas investigações, pois elas extrapolariam o objeto da ação popular em questão.

Uma das irregularidades apontadas por Maria Isabel no caso do estádio alvinegro é a falta de licitação para definir a construtora que faria a obra. A juíza argumenta que a Odebrecht já tinha construído boa parte da arena quando o financiamento foi liberado. Por meio de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) o dinheiro acabou beneficiando a Odebrecht, que recuperou parte dos seus gastos com a obra e criou a empresa com o Corinthians.

“Nessa linha, se acaso fosse possível imaginar uma política pública que justificasse financiamentos para construções ou reformas de estádios de futebol pertencentes às empresas privadas, o mínimo que deveria ter sido respeitado seria um amplo certame que identificasse quais seriam as construtoras e empreiteiras que se habilitariam com as melhores propostas”, afirma trecho da decisão judicial. A magistrada também argumenta que o que ocorreu na preparação para a Copa foi um direcionamento  para determinadas construtoras. No caso da arena corintiana, para a Odebrecht.

Ela ainda sustenta que a empresa criada não é de fato uma SPE. Ou seja, teria havido apenas uma simulação para conseguir o financiamento sem garantias concretas de que a Caixa receberia o dinheiro. Maria  Isabel usa úmeros para defender que o modelo de negócio não era viável. De acordo com informação constante no processo, em 8 de maio de 2017, tinham sido pagos cerca de R$ 59,2 milhões dos R$ 400 milhões. Dessa verba, R$ 14,69 milhões foram usados na dívida principal e o restante para quitar juros.

O período de inadimplência de Corinthians e Odebrecht em relação ao financiamento também faz parte da argumentação.

Abaixo, veja as notas enviadas ao blog por Corinthians e Odebrecht sobre a decisão.

“O Sport Club Corinthians Paulista reafirma a lisura e a regularidade jurídica do processo de financiamento efetuado para a construção da Arena Corinthians. Entre as diversas provas presentes nos autos, destaca-se que o próprio banco repassador, Caixa Econômica Federal, e o Tribunal de Contas da União se manifestaram pela regularidade do repasse, apresentando pareceres consistentes e inequívocos. Sendo assim, o Corinthians informa que fará uso dos recursos judiciais cabíveis para reverter a decisão de primeira instância”.

 

“A Construtora Norberto Odebrecht S/A lamenta a informação, pois ficou demonstrado nos autos do processo a plena legalidade do processo de financiamento para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, por meio do programa Pró Copa Arenas. A Odebrecht, que é parte na ação popular, apresentará os devidos recursos nas instâncias superiores após a intimação formal e ciência da íntegra da decisão.”

 

 

Em reunião estafe da Caixa relata pressão para cobrar Corinthians por arena

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Em reunião com a direção do Corinthians na última segunda (5), representantes da Caixa Econômica contaram sofrerem cobrança interna e externa para serem mais duros na exigência de que o contrato de financiamento da arena do clube seja cumprido rigorosamente, sem atrasos.

Conforme apurou o blog, discurso foi de que a pressão existe porque o banco não adotou as medidas previstas contratualmente nos momentos em que o acordo foi descumprido. O fundo responsável pelo estádio chegou a ficar aproximadamente um ano e meio sem pagar as prestações enquanto discutia mudanças no financiamento. A Caixa concordou com o não pagamento evitando sanções previstas. A principal delas é executar garantias de pagamento dadas no acordo por Odebrecht e Corinthians. No caso do clube, há o terreno do Parque São Jorge comprometido.

Na última segunda, a “Folha de S. Paulo” e “O Globo” noticiaram que a Caixa ameaçou executar as garantias, o que o clube nega ter ocorrido. A medida drástica seria justificada por esse cenário de pressão relatado na reunião da qual participou Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano.

Também segundo apuração do blog, parte da pressão externa vem do Banco Central, que supervisiona as atividades das instituições financeiras do país.

O blog tentou falar com os representantes do banco que participaram do encontro, mas assessoria de imprensa da Caixa respondeu que por lei não pode comentar assuntos que envolvam o contrato.

Independentemente do estádio corintiano, a Caixa vive momento delicado por causa de acusações de corrupção contra dirigentes do banco feitas pelo Ministério Público Federal.

Vale lembrar que quando o banco aceitou ser intermediário do financiamento de R$ 400 milhões liberados pelo BNDES para a construção da casa corintiana, o Governo Federal era comandado pelo PT. Sanchez já era filiado ao partido do qual hoje é deputado federal. A saída do Partido dos Trabalhadores do governo, porém, não é apontada pela direção corintiana como fator complicador na relação com a Caixa.

Fechar um novo acordo com o banco é uma das prioridades de Andrés, que voltou a presidência do clube no último sábado.