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Opinião: Flamengo confunde querer pagar para ver o time com poder pagar

Leia o post original por Perrone

Na opinião deste blogueiro, os enganos do Flamengo em sua nota oficial para justificar a cobrança de R$ 10 para liberar o acesso à transmissão do jogo contra o Volta Redonda, neste domingo (5), a quem não é sócio-torcedor são tantos que demonstram pressa e falta de cuidados ao se tomar a decisão.

O principal deslize acontece no trecho em que o clube diz “para aqueles que não quiserem pagar para ver o jogo em áudio e vídeo, a FlaTV irá disponibilizar, de forma gratuita, a transmissão somente em áudio da partida”.

Não acredito que exista torcedor do Flamengo que não queira pagar para ver o time jogar a semifinal do Estadual no canal do próprio clube. Ainda mais por ser um espetáculo com portōes fechados.

O que temos, certamente, são torcedores que não podem desembolsar R$ 10 para assistir à partida.

A direção rubro-negra, nesse ponto, parece ignorar os efeitos da Covid-19 na economia brasileira. O fato de, certamente, muitos flamenguistas terem perdido seus empregos durante esse período não foi levado em conta.

Curiosamente, a Globo, com quem o Flamengo está rompido, tem sido mais sensível nesse ponto. Durante a pandemia sua plataforma de streaming liberou pacote de séries e filmes gratuitamente.

Em outro ponto insensível de seu comunicado, o Flamengo diz que cobra “apenas R$ 10”. Em tempos em que muita gente depende de doações de cestas básicas para sobreviver não dá pra minimizar esse valor.

No mesmo trecho,  o clube cria uma armadilha para ele mesmo ao dizer que cobra um valor “muito abaixo do normalmente cobrado no mercado de pay-per-view”. Essa é a senha para o torcedor comparar o serviço prestado pela Globo e ancorado em vasta experiência com a transmissão da FlaTV, que engatinha.

É natural que a cobertura do canal flamenguista tenha imperfeições neste momento. Assim, comparações com quem já está estabelecido no mercado tendem a ser desfavoráveis para o rubro-negro.

Numa fase praticamente experimental, faria mais sentido não cobrar pela transmissão e seguir estimulando contribuições voluntárias, como no jogo anterior.

As doações geram um valor muito pequeno se comparado com a quantia que a Globo costuma pagar. Mas a decisão de não assinar com a emissora para a transmissão do Carioca foi do Flamengo. Era de se esperar que a diretoria tivesse um plano mais sólido do que querer rapidamente tornar sua plataforma de streaming imediatamente um negócio altamente lucrativo.

Todo empreendedor sabe que um novo projeto leva tempo para dar frutos. É preciso paciência, planejamento, persistência e caixa para fazer a ideia vingar.

A leitura que faço é de que o Flamengo não teve nenhum dos três primeiros requisitos.

Em relação ao quarto (caixa), a situação é mais incompreensível. O balanço do rubro-negro relativo a 2019 sugere que o clube tem gordura financeira e crédito para enfrentar pandemia e falta de contrato de transmissão no Carioca sem precisar tomar medidas apressadas

Agora, se o clube com situação financeira mais confortável do país está tão aflito, imagine o torcedor rubro-negro que estiver desempregado. Ele pode pagar R$ 10 pra ver seu time jogar?

Para cartolas, MP fortalece clubes para fazerem TV respeitar naming rights

Leia o post original por Perrone

Há entre ao menos parte dos dirigentes de clubes brasileiros a avaliação de que a MP 984 fortalece agremiações para forçar a Globo e outras emissoras a,  contratualmente, respeitarem naming rights de arenas.

Historicamente, a Globo evita falar o nome de patrocinadores de estádios e de equipes.

A análise é de que, ao dar o direito de o clube mandante negociar sozinho os direitos de transmissão da partida, a MP aumenta a concorrência entre as emissoras. Isso porque não é mais preciso que os dois times tenham contrato com a mesma rede de TV. A comercialização passa a ficar menos burocrática. É viável, por exemplo, que um time resolva vender seus jogos de maneira avulsa, sem fechar um pacote.

O raciocínio é de que num cenário de mais concorrência e agilidade nas operações seja mais fácil os clubes pressionarem a Globo, por exemplo, a respeitar os naming rights. Isso usando esse simples argumento: “se você não aceitar falar o nome do patrocinador, arrumo quem fale”.

Antes, isso era mais difícil porque encontrar alguém com o mesmo potencial financeiro da Globo para fechar um pacote de transmissão de um campeonato inteiro com valores semelhantes aos que a Globo se acostumou a pagar era algo raro. Teoricamente, é menos complicado encontrar uma emissora com verba para fechar com um só clube ou para jogos pontuais.

Diversas vezes, Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, culpou o fato de a Globo e outros veículos de comunicação não respeitarem naming rights por seu  clube ainda não ter negociado o nome da arena em Itaquera. Seus opositores, no entanto, contestam o argumento. Dizem que o problema é que o grupo político de Andrés não soube negocoar a propriedade comercial.

O Allianz Parque, do Palmeiras, também sofre em termos de divulgação por não ter seu nome respeitado.

Vale lembrar que a Medida Provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional, apesar de estar em vigor até lá. A Globo, porém, entende que a MP não anula contratos em vigor. Esse posicionamento gerou o imbróglio que fez a emissora considerar seu contrato para transmitir o Estadual do Rio rescindido.

Ação da Globo reforça queixas sobre falta de debate antes de ‘MP do Fla’

Leia o post original por Perrone

Com seu pedido de liminar para tentar impedir que o Flamengo transmita ou  negocie a transmissão de jogos como mandante no Campeonato Carioca, a Globo engrossa o coro de parte dos dirigentes de clubes e de parlamentares. Eles afirmam ter faltado ao presidente Jair Bolsonaro ouvir outros interessados no assunto antes de publicar a Medida Provisória 984.

Os argumentos da emissora na ação na Justiça coincidem com a tese de cartolas e congressistas de que o presidente da República agiu para atender à vontade do rubro-negro e, ao mesmo tempo, alfinetar o grupo de comunicação, que tem como desafeto. Esse sentimento fez a medida ficar conhecida no Congresso Nacional como “MP do Flamengo”.

“Conforme declarado à imprensa pelas partes envolvidas, a MP foi editada para atender a um pedido específico do Clube de Regatas do Flamengo, que pretende, com a polêmica retomada do Campeonato Carioca, poder transmitir e televisionar seus próprios jogos”, escreveram os advogados da Globo no pedido de liminar.

Antes da Medida Provisória, um jogo só poderia ser televisionado com a concordância das duas equipes envolvidas. Nesse cenário, a maior rede de televisão do país, que comprou os direitos do Estadual do Rio, não poderia exibir os jogos do rubro-negro na competição, pois não entrou em acordo com ele. Por outro lado, o clube da Gávea também não poderia negociar separadamente suas partidas.

Agora, a emissora alega que a MP não pode ter valor retroativo afetando contratos assinados antes dela. Por isso pede que o Flamengo já não possa exibir seus jogos ou negociá-los enquanto a ação se desenrola. A Medida Provisória ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas está em vigor até que isso aconteça.

Como mostrou o “Blog do Rodrigo Mattos“, no pedido de liminar, os advogados da Globo deixam explicito o entendimento de que faltou debate, o que coincide com o pensamento de cartolas como Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético-MG.

“Note-se bem: a discussão sobre a melhor forma de alocar os direitos de transmissão de um evento esportivo é legítima e precisa ser feita. O que não se pode admitir em ordenamentos jurídicos sérios é que isso se dê numa canetada para beneficiar aliados, sem qualquer debate sobre o tema”, escreveram os representantes da rede de TV na ação.

No último domingo, 21, o principal dirigente do Galo havia se queixado da falta de diálogo antes de a Medida Provisória ser assinada.

“Foi um voo solo do Landim. Acho que a forma como foi feita pegou todo mundo de surpresa, e isso incomodou os presidentes”, havia dito Sette Câmara.

Na ação, a Globo anexou entrevistas de cartolas criticando a falta de debate, como esse trecho atribuído a Mário Bittencourt, presidente do Fluminense: “o que nos preocupa inicialmente na publicação dessa Medida Provisória é ela ter sido feita num momento de pandemia quando tem tantos outros assuntos mais
emergenciais no país. Em segundo lugar, ter sido elaborada sem uma discussão ampla e profunda com os
maiores interessados, que são os clubes de futebol. Não houve um grande debate, não houve o esgotamento do tema.
Um tema que pode trazer muitos impactos econômicos e comerciais aos clubes”.

Também pela ausência de debate congressistas falam em modificações na MP, como mostrou o blog.

No pedido de liminar, a Globo diz que, incomodado com a situação atual, o Flamengo buscou ajuda de Bolsonaro para mudar a antiga regra relativa aos direitos de transmissão.

“Conforme amplamente noticiado
por inúmeros veículos de imprensa e relatado, em primeira pessoa,
pelo presidente do Flamengo em entrevista ao vivo para a TV Band,
em almoço com o presidente da República no último dia 17,
o Flamengo expôs a sua insatisfação e solicitou a mudança da regra que o impedia de dispor dos direitos de transmissão de uma partida sem a anuência da equipe contrária, no que foi prontamente atendido com a edição da MP”, escreveram os advogados da Globo na ação.

Eles também reproduziram no pedido de liminar trecho de entrevista televisiva dada por Rodolfo Landim, presidente do Flamengo para a Band.

Na conversa, de acordo com a reprodução feita pelos advogados da Globo, Landim diz o seguinte:

“Como vocês sabem o Flamengo, diferente dos demais clubes, não assinou o contrato de cessão dos direitos de transmissão com a rede de televisão que detém de todos os outros. Por causa disso, os jogos do Flamengo não vinham sendo transmitidos. Quando nós tivemos o problema de público, nós entramos em contato com eles para poder abrir para o público. Nós negociamos fazer isso com a abertura da mídia digital. […] A gente ficou conversando com o presidente ontem, teve essa posse do Ministro de Comunicações. Ele convidou a mim, ao Felipe Melo e ao próprio Ministro. Nós estávamos conversando e o presidente perguntou: ‘Vai voltar mesmo o futebol no Rio? E o televisionamento?’ Eu expliquei para ele em detalhes que a gente tem um problema na legislação que diz o seguinte: os dois clubes precisam aprovar para que um jogo possa ser passado. […] Dito isto, eu expliquei isso para o presidente, falei como ocorre em vários outros países, diversas outras ligas, onde o mandante tem direito sobre seus jogos. […] O Presidente entendeu isso,  disse que ia agir rapidamente, e eu recebi a notícia aqui de que ele acabou de publicar no Diário Oficial uma medida dizendo que o direito de imagem do clube é do mandante do jogo”.

Após reproduzirem as palavras do presidente flamenguista, os representantes da emissora concluem que “assim, sem que o tema tenha sido tratado com os demais clubes do país, com as federações de futebol, com veículos de mídia,
potenciais cessionários dos direitos, atletas e sindicatos ou
quaisquer das outras diversas entidades e pessoas impactadas direta
e indiretamente, mudou-se a norma que regia os Direitos de Arena
consagrada na Lei Pelé e em legislações anteriores desde 1973”.

Por sua vez, Landim chegou a dar e entrevista afirmando que a MP é boa para todos os clubes. A direção rubro-negra mantém o entendimento de que, enquanto o Congresso Nacional decide se aprova ou não a MP, a agremiação tem o direito de exibir ou negociar seus jogos como mandante.

Nesta quarta (24), o site do Flamengo publicou declaração do vice-presidente de relações externas, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, exaltando a Medida Provisória.

“Entendemos que a MP para gente é uma carta de alforria, uma lei áurea. No estatuto do torcedor, o mandante tem que cumprir com suas responsabilidades e obrigações. A MP assinada é um sopro de esperança, e tomara que seja aprovada no Congresso Nacional. Essa é a nossa opinião”, disse o cartola.

‘Volta do futebol no Brasil agora é absurdo completo’ diz Nicolelis

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Em entrevista ao blog, o médico e cientista Miguel Nicolelis, renomado internacionalmente, classificou como absurdo o início de retomada do futebol brasileiro. O campeonato carioca tem partida marcada para esta quinta, 18. Um dos coordenadores do comitê científico do Nordeste para o combate à covid-19, ele também fala dos riscos de contaminação ao se realizar um jogo ao lado de um hospital de campanha, como deve acontecer no Maracanã.

Como o senhor analisa os fatos de Grêmio e Internacional já estarem treinando em Porto Alegre, o Campeonato Carioca ter volta marcada para esta quinta e os times de São Paulo estarem  querendo voltar a treinar na próxima segunda (após a entrevista o Governo do Estado anunciou que os treinamentos serão retomados em 1º de julho) num momento em que a pandemia ainda é crítica no país?

Basicamente, o diagnóstico geral da pergunta é que é um completo absurdo absurdo trazer de volta o futebol nessas circunstâncias. Independentemente do fato de o tempo das epidemias em São Paulo, Rio e Porto Alegre serem diferentes, não (é hora de voltar), é um completo absurdo. Vai colocar em risco não só os atletas, mas também as famílias dos respectivos jogadores e membros das comissões técnicas. E vai colocar em risco pessoas com quem essas famílias eventualmente vão entrar em contato. Os jogadores também, porque eu imagino que a imprensa vai cobrir os jogos, os jogadores vão dar entrevistas, vão estar cercados e, essas pessoas, jornalistas, comentaristas, gandulas, juízes, enfim… Parece um número pequeno, porque eu imagino que eles não vão abrir os estádios, porque só faltaria abrir os estádios, porque aí, então, poderia decretar a loucura total, a insanidade completa, mas… Veja, São Paulo está batendo recordes ainda. Tanto de casos como de óbitos, apesar de que alguém anunciou que tinha tido uma redução em duas semanas de três casos, isso não existe, não é estatisticamente significativo, não tem redução nenhuma. As pessoas estão tentando dourar a pílula de todas as maneiras possíveis, mas quem trabalha com estatística, como eu e minha equipe, há 40 anos, não consegue entender esses raciocínios. É como se você estivesse fazendo engenharia reversa. Você quer abrir de qualquer jeito, então, você busca justificativa nos parâmetros, na forma de administrar os parâmetros, na forma de olhar as curvas, faz malabarismos matemáticos, entendeu? E futebol é a menor das nossas prioridades nesse momento. E futebol eu equacionaria, por exemplo, com alguns lugares em que estão abrindo igrejas e cultos religiosos. E falando assim “nós só vamos colocar 30% das pessoas que cabem na igreja. E aí eu pergunto, isso aqui é o Brasil, não é a Suíça: “quem vai investigar isso?” Ninguém, né? Nós sabemos. Então, o futebol, Porto Alegre, eu olhei especialmente para falar com você, a curva que era até poucas semanas uma curva bem baixa, realmente, ela começou a subir. A região Sul, tem um “delay” de tempo em relação as regiões Nordeste e Sudeste mais ou menos de um mês. Só que lá está 10 graus. Os casos de síndrome respiratória aguda grave estão subindo. Os caos de covid estão subindo agora, Curitba começou a subir. No Sul inteiro começou a subir. Então, me perdoe a ênfase, mas eu não vejo sentido. Veja quanto tempo levou a Alemanha para voltar com o futebol. A Espanha está voltando agora com “La Liga”, talvez no limite da racionabilidade, e a Itália também está voltando.

Isso que assusta. Os outros quando voltaram, já tinham reduzido bem o número de casos. A gente não conseguiu controlar a situação e quer voltar com o futebol.

Exato. Veja o Rio de Janeiro, eu vi o Antero (Greco, jornalista) falar uma coisa sensacional, o Maracanã vai ter jogo do lado de hospital de campanha, será que os caras não sabem que no entorno de hospitais você tem aerossol de vírus circulando? Foi onde um monte de gente na China pegou. Nos Estados Unidos, em Nova York, também. Em volta das entradas das salas de emergência tem aerossol de vírus no ar, tá? E você vai fazer um jogo de futebol do lado? Vai ter gente comemorando gol do lado de onde tem gente morrendo? Que país é esse? Quando essa notícia sair lá fora, o nome do Brasil que já está na lama vai ficar pior ainda. É incompatível com a condição humana fazer um entretenimento ao lado de onde tem gente morrendo. Dizer que estou pasmo é pouco, não encontro adjetivo para classificar. Nem os romanos fizeram isso. Colocar o coliseu do lado de um hospital de campanha onde as pessoas estão morrendo.  Imagina uma foto tirada do alto, dos caras jogando bola, e do lado esquerdo tem um rabecão saindo com corpos do hospital de campanha do Rio de Janeiro. Quem quer que seja que decidiu isso, não poderia estar na posição para decidir isso.

Então, podemos dizer que o caso de maior risco talvez seja o do Maracanã?

Não pode ter jogo no Maracanã, imagine. Aliás, não pode ter jogo em lugar nenhum do Rio de Janeiro. Veja o que está acontecendo na cidade. A cidade do Rio de Janeiro nunca fez isolamento de verdade.

Quem voltar a jogar agora estará desprotegido, então.

Veja, não são só as pessoas que vão entrar no jogo, é quem essas pessoas vão ter contato no trajeto para o jogo, de volta para casa. Será que os jogadores de futebol vão realmente saber fazer o manejo das roupas? Vão fazer todo o processo que precisam fazer nas suas casas? Esses jogadores de futebol não vão colocar em risco só suas famílias, vão colocar em risco todo mundo que trabalha com eles, preparador físico… Se tiverem pessoas trabalhando na casa deles. Você sabe como é um vestiário de time de futebol. Não são só jogadores que ficam lá, tem segurança, tem médico, preparador físico, roupeiro, massagista. E essas pessoas, vão circular pela cidade de São Paulo depois de eventualmente entrarem em contato com alguém que pode ser assintomático? Não tem o menor sentido.

O protocolo da Federação Paulista é assim: o jogador vai trocado para o treino para não usar o vestiário, não almoça no clube  e volta para casa. Aí vai ter esse risco que o senhor falou, de conviver com as pessoas em casa. Quando voltarem os jogos, os jogadores vão do estádio para a concentração. Na sua opinião, esse protocolo não ameniza o problema?

Não ameniza nada, porque você acredita que no Brasil alguém segue protocolo 100%? Se fosse na Suíça, na Alemanha, na Coreia do Sul, no Japão, você poderia até pensar. Ninguém vai respeitar isso, ninguém respeita nada aqui. Nós temos quase 50 mil vítimas fatais (de covid-19). É o maior desastre da história do Brasil. Nós não tivemos genocídios, guerras, nada que se compare com o que está acontecendo neste momento. E as pessoas estão preocupadas com futebol, com o circo? Não faz o menor sentido. E quem disse que o jogador vai direto pra casa? E se ele for para outro lugar, e se ele for comer um bauru na padaria? Ou se ele resolve pôr gasolina no carro dele? Ele vai estar com máscara o tempo inteiro? E o contato físico entre os jogadores, como fica? O escanteio, vai, cobra o escanteio na área, vai ficar aquele negócio, todo mundo no cangote de todo mundo, você acha que se tiver alguém assintomático transmitindo o vírus ali não vai pegar?

Questionei Moisés Cohen, responsável pela comissão médica da Federação Paulista de Futebol, sobre isso, e ele disse que a chance de transmissão do vírus será pequena porque todos estarão testados. 

Já pegaram o resultados dos testes de todo mundo?

A maioria ainda não foi testada.

Com que frequência vão testar? Qual teste eles vão usar? Porque se for o teste rápido, vão ter que ser vários testes pra ter certeza que o cara não está contaminado por causa do falso negativo que dá. Você vai ter que testar o cara depois de todo jogo. Então, eu chamo isso de engenharia reversa. Tem um produto que você já quer. Você quer abrir pra jogar bola. Aí você começa a usar uma série de combinação de desculpas e meias-verdades e ideias chucras, Pra quê correr riscos extras quando o manejo da coisa no Brasil é conhecido no mundo inteiro como um dos piores manejos do mundo? Você sabe, eu sou um fissurado por futebol. Sigo o Palmeiras debaixo d’água. E eu não estou aqui, de maneira nenhuma, aflito pra ver um jogo de futebol do Campeonato Paulista, se isso vai significar colocar em risco um monte de gente, inclusive os jogadores. Fico admirado de o sindicado dos jogadores não abrir a boca.

Muito jogador quer voltar porque teve corte de salário.

Eu sei que jogador de time pequeno sofre muito mais. Mas os times grandes, o cara tem um corte de salário, não sou a favor do corte de salário de ninguém. Mas, pô, é uma emergência histórica. São 100 anos em que a gente não tinha algo tão desesperador.

É uma guerra, e na guerra todos perdem.

Todo mundo perde se a gente não estiver com o exército unido. E outra coisa, nós não estamos nem falando da potencial sobrecarga que esses jogos podem levar para os profissionais de saúde que já estão no limite. Tenho colegas de turma, médicos, que foram entubados, gente que quase morreu. Tem um colega que faleceu, a gente não sabe se é covid ou não. Esses caras, médicos, enfermeiros, atendentes de enfermagem, eles não precisam de mais pacientes. Eles estão no limite do limite do que eles podem fazer. Então, por que correr o risco? Em vez de a gente fazer o oposto, que é aumentar o isolamento e ir de casa em casa, diagnosticando, auxiliando as pessoas a fazer o que precisa ser feito, oferecer auxilio financeiro, auxílio pra se isolar em escola pública em prédios públicos, se não puder se isolar em casa, ir nas periferias ajudar as pessoas a sobreviverem, nós vamos ter futebol? A gente começa a questionar a sanidade da sociedade brasileira, entendeu?

O maior risco que o senhor vê é essa escapadinha que o jogador pode dar depois do treino?

São vários, esse é só um deles. Se alguma pessoa do grupo for assintomática ou estiver no começo da doença, e contaminar um monte de gente, e aí, o que você faz?

Nesse momento, o número de novos casos não está diminuindo, o inverno está chegando e várias cidades reabriram pelo menos parcialmente o comércio. Nesse cenário, a volta de treinos e jogos é mais um ingrediente para aquilo que o senhor chama de tempestade perfeita?

Sem dúvida, porque os casos de dengue e chikungunya estão aumentando no Brasil todo. Vamos falar, o cara sai do jogo (ou do treino) e vai na loja do shopping, comprar alguma coisa. Ele anda no meio dos vendedores, pega a bolsa, vai pagar, vai na praça de alimentação, anda no shopping sem ventilação, você está entendendo. O futebol está querendo voltar por problemas financeiros próprios, eu entendo, mas o futebol está abrindo outro flanco desnecessário num momento crítico da pandemia no Brasil. A gente não precisa de mais incêndio. A gente precisa de bombeiros.

Qual o cenário ideal para o futebol voltar?

Futebol, teatro, igreja, eles têm que voltar quando a curva tiver caído, como aconteceu na Alemanha. Quando o fator de replicação da doença, chamado “fator R” estiver muito abaixo de 1. Ele não está muito abaixo de 1, nem em São Paulo e nem no Rio. Pelo contrário. No Rio está quase 2. Isso significa que a coisa está replicando ainda.

Qual o efeito psicológico que a volta do futebol pode ter na população, no cara que deve se cuidar mais, ficar em casa, e vê pela televisão o Flamengo jogar, por exemplo?

Primeiro, um efeito de achar que a coisa não é séria, que todo mundo está exagerando nessa pandemia, porque, se pode jogar futebol, a coisa não é tão séria. Isso é o primeiro efeito, de relaxar ainda mais. A pessoa vai falar: “vou chamar minha família para assistir ao jogo, afinal, é só a minha família, está todo mundo bem”. É isso, você começa a relaxar.

 

MP do Rio recomenda que prefeitura e Ferj suspendam volta de campeonato

Leia o post original por Perrone

O Ministério Público do Rio de Janeiro expediu recomendação para que o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e a Ferj, a federação local de futebol, suspendam o eventual retorno do Campeonato Carioca. A suspensão deve valer até autoridades da área da saúde atestarem queda no número de casos de contaminação e óbitos por Covid-19 no estado.

A recomendação faz parte de inquérito instaurado para apurar o suposto retorno do Estadual, provavelmente em junho. A retomada neste momento pode violar regras de distanciamento social e de prevenção contra o novo coronavírus, segundo a promotoria.

Na última segunda (25), a Ferj fez uma reunião com os clubes para discutir a volta. Fluminense e Botafogo são contra.

O inquérito e a recomendação são de responsabilidade da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital. A recomendação é assinada pelo promotor Rodrigo Terra.

 

14 palavras para descrever o plano para a volta do futebol no Rio

Leia o post original por Perrone

Alienado.

Ignorante.

Desrespeitoso.

Desumano.

Perigoso.

Egoísta.

Ganancioso.

Desesperado.

Ofensivo.

Descabido.

Indefensável.

Conspiratório.

Insano.

Ridículo.

Qualquer uma dessas palavras serve para definir o movimento de clubes, federação e prefeitura do Rio para permitir a volta dos times locais aos treinos nesta terça 26) com o objetivo de retomar o Campeonato Carioca em meados de junho.

Parabéns aos dirigentes de Botafogo e Fluminense, que não concordam com o plano … (complete com uma ou todas as palavras da lista acima).

Com o caos no sistema público de saúde da capital do estado por conta da Covid-19, não é hora de se pensar em retomar o futebol. Tem cartola brincando com fogo.

 

Zico pede intervenção na CBF e critica clubes

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Zico em frente ao Pacaembu                      Foto: Ricardo Perrone/UOL

 

No banco traseiro de um carro, durante os 34 minutos do trajeto entre o estádio do Pacaembu e o Aeroporto de Congonhas, o blog entrevistou Zico na última segunda (13). O ex-jogador pediu intervenção na CBF, criticou cartolas de clubes por não se rebelarem contra a entidade e defendeu Neymar na polêmica do pênalti com Cavani.

A conversa aconteceu depois de ele participar da série “10×10”, que reúne entrevistas com vários astros que vestiram a camisa 10. A produção vai ao ar em maio pelo Esporte Interativo, canal no qual o Galinho é comentarista.

Abaixo, leia a entrevista em que Zico falou de seleção brasileira, do comportamento suspeito de cartolas da Fifa em sua tentativa de disputar eleição na entidade e da segurança no Rio de janeiro, entre outros temas.

Blog – A convocação do Tite para os últimos amistosos antes da Copa te surpreendeu muito?

Zico – Já tierei essa palavra surpresa do meu dicionário do futebol. O treinador tem todo direito de convocar quem ele acha que deve ser convocado porque é sempre a cabeça dele que está a prêmio. E a gente tem que respeitar isso. Ele é um cara que realmente vai aos estádios, vês os jogos. Então, por tudo aquilo que ele tem feito na seleção, acho que a gente tem que dar uma certa credibilidade a ele no sentido de dar um voto de confiança quando há um nome que as pessoas não esperam.

Blog – O preparador físico da seleção, Fábio Mahseredjian, disse que na lesão do Neymar há um lado positivo: o fato de ele chegar menos desgastado na Copa…

Zico – Isso aconteceu com Ronaldo e Rivaldo em 2002. Eles tiveram tempo suficiente para se recuperar de lesões e se preparar para a Copa do Mundo. Acho que o importante é isso, você conseguir a tempo para se recupear da parte clínica porque a parte física um jovem como o Neymar consegue rapidinho. O problema maior é a confiança na recuperação na parte clínica.

Blog – Tem se discutido muito a questão disciplinar do Neymar e também sobre individualismo. O que você pensa sobre essas duas questões?

Zico – Cara, eu não sou favorável a essa coisa, não. Vejo o Neymar jogando muito bem na seleção. É uma característica dele, das jogadas individuais, é por isso que hoje é o jogador de maior número de assistências no clube dele. E o time sentiu muito a ausência dele no segundo jogo contra o Real Madrid (pela Champions League), por essa falta de assistências, de jogadas individuais que ele cria e que desarma os adversários. Então, lógico, o jogador que tem uma boa condição individual, alguma vezes, é normal que exagere um pouco. Mas é tudo na tentativa de criar condições pro time dele. Se você pegar as médias dele, de assistências, de tudo,  ele tem sido muito mais decisivo do que individualista.

Blog – E a questão disciplinar?

Zico – Isso aí é do ser humano. O que vejo que o Neymar  tem que ter preocupação quando o time tá perdendo. Aí ele se enerva um pouco mais. Aí ele comete alguns erros disciplinares. Isso que ele tem que entender. Quando você tá perdendo a calma tem que estar mais a frente disso tudo. Não pode se desesperar porque é desarmado. O Neymar é um jogador que a bola pra ele é um grande brinquedo. Então, ele quer ficar com a bola o tempo inteiro. Se o cara tira a bola dele, ele fica revoltado com o cara. E aí ele esquece que é um profissional. Então isso é normal de um garoto que gosta de jogar futebol. É um jogador que não sabe marcar, como eu era. Então ele tem que ter essa tranquilidade. Perdeu a bola, é mais cercar do que ir em cima do adversário pra tirar a bola porque às vezes ele se desespera, faz faltas desenecesárias e corre o risco de sair de um jogo. E ele tem que entender que é importante, não pode deixar um time, uma seleção na mão por causa de um ato impensado.

Zico não vê motivo para Cavani reclamar de Neymar       Foto: AFP PHOTO/CHRISTOPHE SIMON

Blog – Você cita o exemplo de um pênalti que deixou de bater na Copa de 1986 pro Careca cobrar porque ele disputava a artilharia. Neymar teve uma situação semelhante em relação ao Cavani e fez questão de bater. Acha que ele deveria ter tido uma atitude como a sua?

Zico – Isso aí é de cada um. É aquele momento que você vive o clima ali na hora. Não acho que tenha sido errado. Acho que é questão de você saber o que pode ser melhor no momento. Acho que o Cavani não tem que reclamar nada dele porque o Neymar deixa o Cavani toda hora na cara do gol pra fazer gol. Eu, no lugar do Cavani, fico na minha esperando a hora porque uma hora a bola vem no meu pé, às vezes até sem goleiro. Acho que isso é um erro muito grave. Por isso que o Real Madrid é grande, o Barcelona é grande, o Bayern é grande, o Milan já foi grande. Porque essas picuinhas não saem com facilidade (na imprensa). Eles detonam isso logo de cara. E o PSG ainda tá imaturo nessa questão. São muitas coisas que saem e parece que não há uma estrutura adequada pra fazer com que essas coisas não saiam e não perturbem o ambiente.

Blog – Agora sobre Vinícius Júnior. Você acha melhor ele se transferir no meio deste ano para o Real Madrid ou só sair do Flamengo em 2019?

Zico – O melhor é ele continuar jogando. Não tenho dúvida que, chegando lá, se o Real achar que ele ainda não tá preparado, vai fazer alguma coisa com ele (emprestar para alguém). Hoje, eu vejo ele totalmente preparado para jogar de início no time do Flamengo. Se for pra jogar em outro time (emprestado pelo Real), acho melhor ele jogar aqui. Ele já tá consolidado aqui. Lá ele vai ter que ter performance muito boa porque sempre vão estar comparando o valor da transação (45 milhões de euros). Ele sempre vai carregar esse peso. Os caras que custam isso aí, não tem como não fazer esse tipo de comparação hoje no futebol.

Blog – E eu não tenho como não comparar. Se os caras valem tudo isso que valem hoje, quanto você acha que valeria se jogasse nessa época?

Zico – Ah, cara. É difícil porque você tem que colocar em termos de números. Hoje, a valorização de um jogador acontece pelos números dele. De gols, de participação, assistência. Hoje fazem uma matemática nesse sentido. Então, hoje eu seria um jogador muito valorizado por isso, né? Porque eu tinha resultado nessas avaliações.

Quanto valeria Zico hoje?                         Foto: Homero Sérgio -15.out.1988/Folhapress

Blog – Você lembra por quanto foi vendido do Flamengo para a Udinese?

Zico – Lembro. Por quatro milhões de dólares.

Blog – Hoje você não compra ninguém por esse valor.

Zico – É, acho que hoje é difícil (risos).

Blog – Sobre CBF. Marco Polo Del Nero (presidente suspenso preventivamente por acusações de corrupção negadas por ele) fez uma manobra e praticamente assegurou que seu sucessor será Rogério Caboclo (CEO da confederação), que é seu homem de confiança… (Zico interrompe).

Zico – Mas essa manobra não foi feita agora, os clubes silenciaram, aceitaram. Desde o momento em que ele (Del Nero) criou aquele critério dos pesos dos votos (dando peso maior para as entidades estaduais do que para os clubes), tava na cara. Qualquer manobra é pinto perto do que ele fez. Se ele tem as federações nas mãos, desde o momento em que os clubes aceitaram aquilo, aceitam qualquer coisa. Se eles não se rebelaram, é porque eles estão satisfeitos com o que está acontecendo hoje na CBF.

Blog – Parece que os clubes não querem ser ajudados.

Zico – Exatamente. Hoje eu só trabalho pra quem tem uma causa.

Blog – Talvez por isso que você tentou ser candidato à presidência da Fifa, mas não teve vontade de se candidatar à CBF agora?

Zico – Porque a CBF passou, cara. Você chega a um ponto que passa. Ou é naquele momento ou não é. Então, hoje, quando entra o presidente atual da CBF, ele vai ficar 12 anos. Ele (Del Nero) fez um trabalho para ficar 12 anos, só não deu por causa dessa questão da suspensão dele (imposta preventivamente pela Fifa até seu caso ser julgado). Mas tava na cara que isso iria acontecer. Então, hoje, ninguém consegue entrar. Pra se candidatar você precisa de oito federações e cinco clubes. Ele pegou vinte cartas (federações), só sobraram sete. Não tem mais carta para os outros.

Blog – A primeira coisa que deveria mudar é essa exigência de apoios pra se candidatar?

Zico – Claro, a primeira coisa que você tem que mudar é o tipo de eleição. Tem que aumentar o colégio eleitoral. Não sei porque os clubes da Série C e da Série D não têm direito a voto. Por que os atletas não votam? Podia se criar um modelo, atletas que foram campeões mundias, que têm tantos títulos têm direito a voto. Aí você não teria essa possibilidade de ter só um grupo e se eleger. Por isso, hoje ninguém vai conseguir entrar.

Blog – Por isso não te motivou?

Zico – Não me motiva. De maneira nenhuma. Aquele momento da Fifa era importante e aconteceu a mesma coisa. Você tinha que ter cinco cartas (apoios de federações nacionais) pra poder se candidatar, o que é difícil porque esse sistema tá viciado. E um sistema viciado te leva a ter que oferecer alguma coisa. Você fala o teu projeto, aí você para de falar e o cara fica: “e aí?”. Ele quer aquele extra que o pessoal tá acostumado a dar. E não tem esse extra. Daí o cara vai te dar carta? Nunca. Ele não vai ganhar nada com isso. É a troca que eles fazem.

Blog – Chegaram a te propor essa troca na Fifa?

Zico – Eu não falava. Eles não vão propor, né? Porque me conhecendo, eles não vão se meter a falar alguma coisa.

Blog – Mas chegaram a insinuar que queriam algo em troca para te apoiar?

Zico – Basicamente, o cara ficava esperando você falar alguma coisa. Como eu não falava… Eu vi isso no congresso da Fifa. Teria uma eleição após o congresso. Antes de encerrar, o (Joseph) Blatter (ex-presidente da Fifa afastado por acusações de corrupção) falou: “a gente teve um saldo positivo e vai destinar uma quantia tal para todas as federações”. Todo mundo sorriu. Daí ele continuou: “vocês acham que eu devo ser eleito? Quem for a favor levanta o braço. Todo mundo levantou o braço. Mas dois minutos antes o cara deu uma verba pra cada federação. Isso é vergonhoso. Não é à toa, onde tá o cara? Um dia pegam, né?

Blog – E é difícil imaginar que isso não se reflita aqui.

Zico – Sem dúvida, se você tem um preso (José Maria Marin), outro (Del Nero) não pode sair do país, suspenso, e outro também acusado (Ricardo Teixeira), é sinal de que a conivência é total. (nota do blog: os três cartolas negam terem cometido irregularidades).

Blog – Onde o futebol brasileiro vai parar desse jeito, com cartolas se perpetuando no poder?

Zico – Eu não sei. Se não houver uma intervenção, acho que fica difícil. Acho até que a CBF, na parte de baixo tem trabalhos bons, que às vezes ficam escondidos por causa de quem tá em cima. (Nota do blog: o Ministério Público do Rio tenta obter uma liminar para o afastamento da atual diretoria da confederação com a consequente nomeação de um interventor. Também é pedido o afastamento definitivo por suposta irregularidade na reunião que mudou o peso dos votos já que os clubes não participaram).

Blog – Por falar em intervenção na CBF, o que você pensa da intervenção militar na segurança do Rio?

Zico – Acho que o importante é se fazer qualquer coisa em termos de segurança da população porque isso não pode ser uma coisa pontual, passageira. Tem que ser um projeto que possa trazer benefício pra segurança do Rio de Janeiro. É uma cidade maravilhosa, porta de entrada do Brasil, então, os caras que estão lá vendo acham que a necessidade é essa, temos que dar um voto de confiança. Do jeito que estava, é complicado.

Blog – Como chegamos ao aeroporto, a última: como você vê o estágio atual do futebol carioca, com públicos baixíssimos nos jogos.

Zico – Nota 1. Uma tristeza. O campeonato sendo disputado fora do Estado. Daí você abre o Maracanã pra 5 mil pessoas, 300 pessoas. Não do. Lamento porque isso já foi motivo de grandes competições, grandes públicos, grandes rivalidades. Você não pode ter um campeonato que você jogue 11 jogos sendo oito deficitários. É lamentável.

Blog – Por que chegou nessa situação?

Zico – Pela falta de infraestrutura e de valorização de competição.

 

 

E a culpa também é nossa

Leia o post original por Rica Perrone

O campeonato carioca já foi o último que fazia sentido. Quando eram 12 times, 5 jogos, semifinal, final. 6 jogos, semifinal, final.  Era rápido, decisivo o tempo todo, com mata-mata no meio e o charme de se manter ainda uma Guabanara. Aí resolveram que tava muito maneiro e tinham que mexer. Mexeram e, óbvio, pioraram. …

Vasco e o título para erguer o ânimo

Leia o post original por Antero Greco

Sem essa de “o respeito voltou”. A frase usada após a conquista do Estadual do ano passado no fim virou mote para gozações com a terceira queda no Brasileiro. O Vasco agora voltou a conquistar o título carioca e deve tê-lo como referência para trabalho consistente na Série B de 2016. E, principalmente, para voltar mais forte para a elite no ano que vem.

Os torneios regionais não são parâmetros fieis para avaliar força ou fraqueza das equipes. Devem ser tomados com cautela, tanto na alegria como na decepção. Não se pode classificar um elenco como extraordinário nem repleto de cabeças de bagre só por aquilo que fez nos primeiros meses da temporada.

Feita a ressalva, exalte-se o bicampeonato vascaíno. Primeiro, porque teve méritos para isso. Foi melhor, mais eficiente do que os demais concorrentes. Em segundo lugar, por ter vindo de forma invicta; não é a toda hora que se ganha uma competição sem nenhuma derrota.

Acima disso tudo, vale para encorajar Jorginho e seus rapazes nos demais desafios. O Vasco precisava desse empurrão para compensar o rebaixamento. O trabalho de reação começou com a chegada do técnico e colaboradores, apesar de insuficiente para evitar o pior em 2015. Mas segue com consistência até aqui.

Jogadores que andavam em baixa foram resgatados com essa campanha doméstica, a ponto de seis integrarem a seleção do campeonato: Martin Silva, Rodrigo, Juan, Andrezinho, Nenê e Riascos. Jorginho ganhou como melhor técnico e Nenê levou ainda o prêmio de melhor do campeonato.

Que bom para eles e para a torcida. O Vasco não está pronto, não é um time extraordinário. Mas a partir deste domingo condições de encarar a provação da Segundona como um período de amadurecimento, de crescimento, que desembocará num retorno triunfal ali adiante.

E o Botafogo não deve sentir-se humilhado. Também provou que tem honra e pode manter-se na Série A, neste retorno, sob a guia de Ricardo Gomes.

 

Magno Alves, o goleador pacífico

Leia o post original por Antero Greco

Tem jogador que faz gols, mas cria ambiente ruim no grupo. Tem centroavante que faz gols, mas fala mais do que joga. Tem artilheiro que faz gols e quer aparecer mais que os companheiros.

E tem Magno Alves, o Magnata.

Aos 40 anos, ele continua fazendo história. Em sua segunda passagem pelo Fluminense marcou neste domingo o gol de número 119, em 300 partidas disputadas. Números que enchem de orgulho qualquer profissional, ainda mais com a idade dele.

A façanha aconteceu na partida contra o Volta Redonda, que terminou com placar de 2 a 0 e levou o Flu às semifinais do Carioca. O contrato de Magno vai até o fim da temporada e é impossível alcançar o maior goleador da história do Clube das Laranjeiras: o inigualável Waldo, com 319 gols.

Também não dá para ameaçar Orlando Pingo de Ouro, com 184. Mas já deu para alcançar Ézio, na 10.ª colocação dos goleadores tricolores. Quem sabe sob o comando de Levir Culpi consiga ultrapassar Washington (124) e Preguinho (128). Principalmente agora que Fred se indispôs com o treinador e disse, segundo as publicações cariocas: ‘Ou ele ou eu’.

Tomara Fred faça as pazes com Levir. Mas Magno Alves também vai seguir balançando as redes.

Só para completar a história: Fred é o terceiro da lista dos goleadores, com 167 gols.

(Com colaboração de Roberto Salim.)