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O Chaplin do futebol faria aniversário hoje

Leia o post original por Quartarollo

garrincha

Manuel Francisco dos Santos faria hoje 82 anos de idade.

Quem o conheceu diz que ele era uma criança até o fim.

Morreu com apenas 49 anos de idade. Bebeu o mundo e festejou a vida.

Não guardava dinheiro de jeito nenhum. Tinha apelido de passarinho: Garrincha.

Também conhecido como o anjo das pernas tortas e com elas entortava muitos laterais.

Conta a lenda que Nilton Santos quando o viu treinando pela primeira vez pediu sua contratação para não ter que enfrenta-lo como adversário.

Nilton jamais confirmou essa versão.

Sandro Moreira, grande jornalista carioca, contava muitas coisas sobre Garrincha.

Teve aquela que Zezé Moreira pedia para ele parar de driblar e jogar mais coletivamente.

Como Garrincha jogava genialmente por intuição, não obedecia o treinador.

Para resolver a situação, Zezé pôs uma cadeira antes da linha de fundo para Mané cruzar quando chegasse perto dela.

Garrincha não teve dúvida. Chegou na cadeira, deu um chapéu na cadeira, enfiou a bola debaixo das pernas da cadeira, derrubou a cadeira e foi para a linha de fundo fazer o cruzamento.

É claro que Zezé desistiu da ideia e deixou Garrincha jogar o seu jogo.

Antes da Copa de 58 em amistoso com a Fiorentina, em Firenze, Mané driblou vários zagueiros e até o goleiro, mas não fez o gol, parou em cima da linha.

Quando o goleiro voltou tentando, ele o driblou novamente e tocou para o gol sob os gritos dos companheiros e do técnico Vicente Feola que pediam para acabar logo com aquilo.

Resposta de Garrincha era uma pergunta sem sentido para todos, menos para ele: “Como eu ia fazer o gol sem goleiro?”. Simples assim e acabou.

Dizem que por causa dessa “indisciplina técnica”, Garrincha não começou a Copa de 58 como titular.

O primeiro titular foi Joel e como os resultados não eram os esperados, Garrincha foi pedido no time pelos próprios companheiros.

Jogando com Pelé foram mais de 50 partidas com a camisa da Seleção Brasileira. Os dois juntos jamais perderam um jogo com a camisa do Brasil. É um feito notável.

Em 1962, Amarildo substituiu Pelé machucado, mas quem assumiu tudo sozinho foi Garrincha que ganhou aquela Copa na marra.

Fez gol de pé esquerdo, que pouco usou durante toda a carreira e até mesmo de cabeça.

Conseguiu ser expulso de campo, outra coisa que raramente aconteceu na sua vida, e ainda jogou a final mesmo assim.

Garrincha viveu e morreu como um passarinho. Fizeram um jogo de despedida, no Maracanã, e na época deu um dinheirão.

No dia seguinte ele estava pobre de novo. Foi para a cidade de Pau Grande, onde nasceu e resolveu que precisava ajudar os seus amigos e como ele tinha amigos na época.

O dinheiro foi embora tão rápido como entrou. Elza Soares, grande cantora da música brasileira de todos os tempos, suportou os últimos anos de Garrincha com dignidade e cuidou dele mesmo nos piores momentos.

Foi muita injustiçada porque se juntou com um homem casado. Os moralistas de plantão quase acabaram com a carreira dos dois.

Elza sofreu preconceito fortíssimo ao se juntar com Garrincha.

Ela dizia que mesmo muito depois de ter abandonado o futebol, Garrincha ficava ao lado do rádio ouvindo as convocações da Seleção Brasileira na doce ilusão de que seria lembrado novamente. Para ele, o futebol não acabou nunca.

O álcool acabou com sua vida precocemente. Até hoje é reverenciado como um dos maiores gênios que o futebol já produziu.

Disseram que ele era o Charles Chaplin do futebol. Um homem que aceita sua pobreza, faz rir, faz chorar e que não se irrita com nada. Estava mais para Carlitos do que para Chaplin. É imortal, por isso é sempre lembrado.

 

 

And the Oscar goes to… Thiago “Carlitos”.

Leia o post original por Flávio Drummond

Carlitos” é certamente o personagem mais famoso do gênero “comédia pastelão”. Idealizado por Charlie Chaplin, “o vagabundo”, como também é conhecido, é representado por um andarilho paspalhão.

Assim como na sétima arte, o futebol nos mostra, a cada dia, que está recheado de andarilhos paspalhões. Foi-se o tempo – saudoso – em que os jogadores jogavam por amor ao escudo e às cores.

No capitalismo, criticado por Chaplin em seu “tempos modernos”, homens são substituídos por máquinas, que funcionam movidas pelo capital. Parece não ser outra a realidade do futebol. Os homens – aqueles da várzea, que jogam pelo amor ao esporte – dão lugar às máquinas – sem alma – que funcionam corretamente, desde que devidamente estimuladas.

Neste contexto, o que dizer das declarações do nosso (ex) jogador, Thiago Carleto? Além de escancarar em rede nacional as mazelas do nosso esporte, deixou claro que os jogadores de futebol – assim como outra antiga profissão – funcionam à base de dinheiro. Será que não basta o salário em dia, realidade do nosso Clube tão rara nos tempos atuais?

Após este final de semana, comecei a pensar: será que jogamos contra Corinthians, Fluminense e Botafogo com um time formado por homens? Ou eram máquinas? Por qual motivo nosso futebol foi tão diferente contra o São Paulo? Dúvidas cujas respostas jamais serão devidamente prestadas…

A nós, espectadores tolos desta comédia de final esperado, nada mais resta que aguardar a sessão seguinte. O final já sabemos e os protagonistas serão os mesmos.

Mas “Carlitos”, por favor, volte aos tempos do cinema mudo.

*Espartanos, como divulgado no Twitter, este post era para ser sobre o “Pós-jogo”, mas a vergonha é tamanha, que não pude tapar os olhos desta vez. Já basta o “nariz vermelho” que os 100 guerreiros usaram no Morumbi! Acorda Salum e cia.