Arquivo da categoria: cbf

CBF: jogo na TV Brasil foi por viabilidade, não para agradar ao governo

Leia o post original por Perrone

Nesta quarta (14), o blog publicou post opinativo comentando sobre a exibição do jogo contra o Peru na TV Brasil mostrar como a seleção  brasileira pode ser usada para empoderar cartolas da CBF. Isso porque o Governo Federal pediu que a partida passasse em TV aberta, e a entidade comprou os direitos cedendo-os à emissora pública. Apesar de ser uma opinião, este blogueiro recebeu à noite telefonema de integrante da confederação refutando argumentos apresentados no artigo.

A versão relatada é de que a CBF não negociou com o Governo Federal pela exibição do jogo e que o principal interesse da cúpula da entidade foi permitir que as pessoas pudessem assistir à seleção sem custos. Também foi negado que os dirigentes vão pedir favores ao governo em troca da transmissão da partida.

O blog não afirmou que isso vai acontecer, mas argumentou que dirigentes de clubes com dificuldades para serem ouvidos em Brasília podem recorrer a Rogério Caboclo, presidente da CBF, que recebeu abraços e agradecimentos do governo durante a transmissão.

A versão informada por membro da confederação dá conta de que a entidade tinha a informação, ainda na terça, de que Globo e SBT tentariam transmitir o jogo. Por volta das 17h, vendo que nenhuma negociação avançou, Caboclo acionou Edu Zebini, diretor de mídia da CBF, e pediu que ele tentasse negociar com a Mediapro, que comprou os direitos da partida junto à federação peruana.

A avaliação na CBF foi de que havia clima para negociar porque a empresa já realizou ação relacionada ao “Museu Seleção Brasileira” e tem interesse em direitos de transmissão de partidas da seleção.

Segundo a mesma fonte, a Mediapro disse que não venderia os direitos do jogo com o Peru se a CBF fizesse uma revenda ou os repassasse para uma emissora que comercializasse cotas de patrocínio, informações anteriormente publicadas pelo “Blog do Marcel Rizzo”. A explicação foi de que a empresa perderia credibilidade no mercado, se isso acontecesse.

Nesse ponto, a confederação entendeu que só a TV Brasil teria condições de cumprir essas exigências. Ela não vende cotas de patrocínio e poderia transmitir o jogo para todo o território nacional, pois já transmite a Série D do Brasileiro.

Zebini, então, ligou para representante da emissora pública, ligada ao poder executivo, para se certificar de que ela poderia viabilizar a transmissão. Com a resposta afirmativa, ele concluiu a negociação com a Mediapro.

A CBF não revela quanto pagou pelos direitos de transmissão do jogo, mas o comentário na entidade dá conta de que “não foi barato”. O relato ouvido pelo blog é de que o interesse em que o público tivesse uma alternativa para ver a partida sem ter que pagar para assistir pelo canal EI Plus e dar visibilidade a seus patrocinadores, especialmente a Nike, motivaram o investimento feito pela CBF.

Em relação ao comentário deste blogueiro sobre existirem interesses em jogo no futebol brasileiro que passam por Brasília, como MP do Mandante e repactuação das dívidas fiscais dos clubes, o mesmo integrante da confederação afirmou que são questões que não estão ligadas diretamente à CBF e que estão no Congresso Nacional, não nas mãos do executivo. E que não existe a possibilidade de a entidade pedir favores ao governo.

Outro ponto negado foi que a CBF possa usar eventual proximidade com o governo federal para manter uma relação de clientelismo junto aos clubes.

Após ouvir todos os argumentos, o blog entendeu ser justo publicá-los. Porém, mantém sua opinião de que a transmissão do jogo pela TV Brasil reforçou que a seleção pode ser usada para aumentar o cacife político  de dirigentes. Não é, no entanto, uma afirmação de que,  necessariamente, cartolas e governantes irão trocar favores.

 

Jogo na TV Brasil reforça como seleção pode ajudar a empoderar cartolas

Leia o post original por Perrone

A transmissão da vitória da seleção  brasileira por 4 a 2 sobre o Peru nesta terça (13) pela TV Brasil é o exemplo mais bem acabado de como o time pentacampeão mundial pode ser usado para dar cacife político aos comandantes da CBF.

Depois de pedido do Governo Federal pela exibição do jogo em TV pública, a confederação  comprou os direitos da partida e cedeu para a TV Brasil, que já transmite a Série D.

O investimento feito por Rogério Caboclo, presidente da CBF, certamente valeu pela gratidão do governo e consequente aproximacão com os governantes. Tanto que o dirigente e cartolas da CBF receberam abraços e agradecimentos da Secretaria de Comunicação do governo pela cessão dos direitos.

Num país em que cartolas vivem pedindo favores, especialmente repactuações  de dívidas fiscais ao Governo Federal,  o uso da seleção  para essa aproximação entre CBF e governantes é preocupante.

É natural imaginar que, depois dessa, cartolas com dificuldades para terem pedidos atendidos em Brasília recorram a Caboclo, aumentando seu poder político e, talvez, tornando clubes mais vulneráveis às vontades da CBF.

Há muitas questões  em jogo no futebol brasileiro neste momento tendo Brasília na rota. MP do Mandante, dívidas fiscais dos clubes e questões trabalhistas relacionadas a jogadores e agremiações. Isso deixa evidente como o gesto por meio da seleção foi importante para a CBF.

Há também o lado do governo, que ganhou o time de Tite para fazer a velha e má política do pão e circo, igualzinho aos tempos da ditadura militar.

Pelo meio do caminho, ficou o canal por assinatura  EI Plus, único  que tinha os direitos de transmissão da partida. Ou seja, o governo acabou, indiretamente, interferindo em questões comerciais privadas.

O movimento da CBF pode ter reflexos em diversas áreas do futebol brasileiro, por isso o favor feito por Caboclo para o governo merece atenção. Personagens que estejam do lado oposto da CBF em eventuais questões  que passem pelo executivo não terão a seleção nas mãos para se aproximar dos governantes. A isonomia pode ser ameaçada.

 

 

Disputa por realização de Palmeiras x Fla reflete atraso do futebol do país

Leia o post original por Perrone

Guerra de liminares, cartolas dando tapas na mesa e bairrismo exacerbado. Os efeitos da pandemia de covid-19 reforçam que danosas práticas do passado seguem vivas no futebol brasileiro.  A embolorada forma de gerir a modalidade no país corrói a fina camada de verniz de profissionalismo pincelada pelos cartolas.

A disputa nos tribunais em torno da realização ou não de Palmeiras x Flamengo, neste domingo (27), simboliza o estado medieval de nosso futebol. O imbróglio é digno de Eurico Miranda, Caixa D’Água, Farah, Nabi e tantos outros nomes, apelidos e sobrenomes que protagonizaram disputas nas quais a demonstração por poder era o que valia.

No caso atual, as tintas do bairrismo estão impressas na disputa entre Palmeiras e Flamengo. O que deveria ser visto sob a ótica da saúde dos jogadores virou questão esportiva e clubística.

A pauta deveria ser o risco de novas contaminações devido ao surto de covid-19. Mas a coisa descambou para a rivalidade ente Palmeiras e Flamengo e o confronto direto entre a cúpula paulista da CBF e o time carioca.

No fim de semana de mais uma rodada do Brasileirão, jornalistas se importaram mais com advogados e magistrados do que com jogadores e treinadores. Uma repetição da fórmula que teima em desvalorizar nosso futebol.

Sentimos o cheiro de mofo também quando a primeira reunião para debater a volta do público nos estádios precisou ser encerrada por causa de uma discussão entre o paulista Rogério Caboclo, presidente da CBF, e Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

As câmeras dos computadores que permitiram a moderna videoconferência registraram o velho bairrismo, tão comum nos anos 1980. A diferença é que agora a CBF está nas mãos dos paulistas. Vale lembrar que, em tese, a Ferj defendia exclusivamente o Flamengo, principal interessado no retorno do público já em outubro.

A sensação de que o grande duelo do futebol nacional é travado entre Confederação Brasileira e Flamengo foi reforçada no último sábado com a decisão do rubro-negro de não participar da reunião na qual os outros 19 clubes da Série A do Brasileiro se manifestaram contra o retorno dos torcedores agora.

O rubro-negro se apoia na decisão de prefeitura e governo do Rio de permitir a presença da torcida em sua partida contra o Athletico, no próximo dia 4. Ou seja, não saímos ainda do tempo de que ter alianças com políticos faz parte do jeito de administrar o futebol brasileiro.

Enquanto vemos cartolas darem de ombros para jogadores e demais funcionários infectados pelo novo coronavírus, admiramos o sucesso da bolha montada pela NBA para existir durante a pandemia.

É como se o basquete norte-americano fizesse parte da animação de temática futurista “Os Jetsons”, e o nosso futebol estivesse no roteiro de ” Os Flintstones”.

Nossa defasagem em relação ao esporte bem gerido de outros países só fará aumentar a cada ano a quantidade de meninas e meninos que vemos com camisas de clubes europeus.

E não são só as crianças que se afastam de nossos times. Cada vez mais mulheres e homens de negócios empregados em grandes empresas preferem evitar patrocinar os times brasileiros. Claro, quem vai querer colocar seu nome numa página amarelada e que já deveria ter sido arrancada faz tempo?

Porém, em vez de olharem para o que acontece ao redor, muitos dos dirigentes brasileiros preferem dar atenção a seus próprios umbigos. Não importa se existe uma pandemia.

 

Precisa falar mais alguma coisa?

Leia o post original por Craque Neto 10

O Flamengo segue na tentativa de adiar a partida contra o Palmeiras neste domingo pelo Campeonato Brasileiro. Eles alegam que o time profissional está praticamente todo contaminado pelo Covid-19 e que só sobraram 12 atletas para disputar o jogo. Engraçado, e os demais inscritos? São da base? E daí? A verdade é que situações parecidas […]

O post Precisa falar mais alguma coisa? apareceu primeiro em Craque Neto 10.

Após gritaria, cartolas ainda tentam acordo por volta de público

Leia o post original por Perrone

Mesmo após a reunião virtual da CBF para discutir o tema terminar em gritaria e sem resolução, cartolas que defendem a volta de público nos estádios só quando todas as praças puderem adotar a medida seguem tentando um acordo favorável à isonomia.

Eles avaliam que apenas Flamengo e Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) são contra a ideia.

Como mostrou o “Blog do Rodrigo Mattos”, a reunião desta quinta (24) foi interrompida após discussão entre Rubens Lopes, presidente da Ferj, e Rogério Caboclo, mandatário da CBF.

A sessão virtual foi interrompida sem definição sobre o assunto e sem uma data para a pauta ser retomada.

Mas o dia terminou com um vilão eleito pelos cartolas que pregam a isonomia em relação ao público: o presidente da Ferj. Dois dirigentes de agremiações da série A ouvidos pelo blog usaram adjetivos impublicáveis para definir Lopes.

O entendimento da maioria que pede a liberação da torcida no mesmo momento para todos é de que o presidente da Ferj sabia que perderia a votação proposta por Caboclo a respeito do e forçou a barra acabando com o clima para a continuidade da reunião.

Assim como o Flamengo, a federação do Rio defende que a venda de ingressos seja liberada nos municípios que autorizarem a medida, independentemente da situação em outros locais em relação ao combate à pandemia de Covid-19.

Há entre os defensores da isonomia a avaliação de que a CBF é soberana para decidir sobre público nos jogos do Brasileirão e que Lopes deve tentar judicializar a questão. O blog não conseguiu entrar em contato com o presidente da Ferj.

Segundo, o “Blog do Rodrigo Mattos”, Caboclo aumentou o tom de voz depois de Lopes apontar que não se tratava de um conselho arbitral para votar a questão do público. No meio da gritaria, o presidente da Ferj perguntou se o colega tinha deixado de tomar remédio no dia, o que justificaria o nervosismo.

O estado do Rio já autorizou a volta de público nos estádios com 30% da capacidade. A prefeitura liberou o Maracanã. A ideia é fazer Flamengo x Athletico com torcedores nos  próximo dia 4. No entanto, uma batalha em relação a esse plano está armada nos bastidores do futebol brasileiro.

FPF apoia clubes por isonomia na volta de público, sem ‘forçar barra’

Leia o post original por Perrone

A decisão do Ministério da Saúde de aprovar o protocolo da CBF para a volta de público nos estádios, com 30% da capacidade, intensificou a movimentação de cartolas dos clubes brasileiros nos bastidores em relação ao tema.

Basicamente, quem não é do Rio de Janeiro luta para que a venda de ingressos só seja permitida para todos ao mesmo tempo. Nesse sentido, os times de São Paulo ganharam o apoio da Federação Paulista. A prefeitura do Rio pretende que o jogo entre Flamengo e Athletico, no próximo dia 4, já tenha a presença de torcedores.

Entidade estadual e agremiações estão alinhadas no sentido de defender o retorno dos torcedores ao mesmo tempo em todas as praças. A FPF deixou isso público em nota emitida nesta terça.

Porém, a federação coloca que a segurança sanitária deve ser priorizada, deixando a decisão nas mãos das autoridades ligadas à saúde pública e informa que não liberará a volta da torcida em suas competições em andamento.

O posicionamento da FPF pode ser interpretado como um gesto contra forçar a barra pela volta.

Ao blog, dirigente do Santos informou que o clube está alinhado com a entidade pelo não retorno dos torcedores neste momento em que a pandemia de covid-19 não está controlada no país. Abaixo, leia a nota da Federação Paulista na íntegra.

“A respeito do retorno de torcedores nos estádios, a Federação Paulista de Futebol vem a público manifestar sua posição:
1- Desde o início da pandemia, a FPF e os clubes de São Paulo sempre agiram priorizando a saúde da população e de todos os profissionais envolvidos na realização das partidas;
2- A retomada de todas competições organizadas pela FPF foi construída em conjunto pela área médica dos clubes, da FPF e pelo Centro de Contingência do Governo do Estado de São Paulo, seguindo rigorosos protocolos de saúde;
3- A FPF entende que o retorno do público aos jogos deve seguir o mesmo processo e depende do aval das autoridades públicas estaduais e municipais, conforme diz o Ministério da Saúde;
4- Quando houver essa autorização, a FPF defende que, por uma questão de equilíbrio técnico e isonomia, somente seja permitido público nos estádios caso haja uniformidade de decisões por parte dos Estados que tenham equipes envolvidas na competição;
5- A FPF reafirma que prioriza a saúde pública antes de qualquer outro assunto e, assim, nenhuma competição em andamento organizada por esta entidade terá público nos estádios.

 

O que incomoda clubes da Série A no protocolo da CBF contra covid-19

Leia o post original por Perrone

Um clima em que se misturam dúvidas, desconfianças e temores cerca dirigentes de clubes da Séria A por conta do protocolo criado pela CBF para realizar a competição em meio à pandemia de covid-19. Abaixo veja os principais motivos de incômodo.

Adiamento de jogos

O movimento ainda é tímido, mas há entre os dirigentes quem defenda que a CBF estipule o adiamento automático de partidas em caso de contaminação em série num mesmo clube.

O Atlético-MG defende a ideia. A CBF estipularia um número de contaminados na mesma equipe a partir do qual o jogo seria adiado, independentemente de pedidos. Seriam postergadas quantas partidas fossem necessárias até os mesmos jogadores poderem voltar a atuar.

O temor é de que, se isso não acontecer, as equipes que eventualmente sofrerem surtos de covid-19 tenham grande desvantagem em campo por causa dos desfalques.

Existe também o receio de jogadores de um time terem o vírus incubado, após muitos de seus colegas serem contaminados, e jogarem com resultado negativo podendo infectar os adversários, se a partida não for adiada.

Desde antes de começar o Brasileirão, a CBF deixou claro que o calendário tem pouco espaço para remanejamento de partidas.

Testes

Problemas nos testes, como atrasos na entrega dos resultados e falha na manipulação do material coletado, estão entre os principais motivos de desconforto dos cartolas.

A CBF dispensou os clubes da obrigatoriedade de realizar os testes no Albert Einstein, hospital escolhido por ela, após as falhas na primeira rodada. Mas ainda existe clima de insegurança, principalmente por causa do grande volume de exames.

Falta de cuidados

Há desconfiança entre ao menos parte dos dirigentes das agremiações que mais investem em prevenção em relaçāo a adversários que não estariam tomando os mesmos cuidados.

Nos bastidores são feitas críticas a times que não estariam protegendo seus jogadores nos deslocamentos e nas concentrações, além de não serem cuidadosos com a orientação a eles nas folgas. Isso aumentaria o risco de uma equipe contaminar a outra, apesar dos testes.

Um exemplo de diferença nos procedimentos é em relação às viagens para os jogos fora de casa. Fretar aviões é, em tese, o procedimento mais seguro. Porém nem todos têm recursos financeiros para adotar a medida.

Red Bull Bragantino e Flamengo são clubes que já decidiram fretar voos em todas as partidas como visitante. O Çorinthians acertou fretamento para suas duas primeiras apresentações fora de casa e estuda ampliar a medida.

Já os presidentes de Fortaleza, Marcelo Paz, e Bahia, Guilherme Bellintani, afirmaram ao blog que seus times não têm condições financeiras de arcar com os voos exclusivos.

Como o Brasileirão explica a pandemia no país

Leia o post original por Perrone

O início do Brasileirão apresenta problemas e outras questões semelhantes às enfrentadas pelo país desde o início da pandemia de covid-19. Basta olhar para o campeonato para entender o que acontece no Brasil em relação à crise sanitária. E vice-versa. Confira abaixo.

Testes

Goiás x Sāo Paulo, pela primeira rodada do Brasileiro, precisou ser adiado por que o time da casa demorou para receber seus exames, pois houve uma falha técnica relacionada à coleta de material. O procedimento precisou ser refeito. No dia do jogo, o Goiás descobriu que 10 resultados deram positivo e a partida foi suspensa.

Problemas com os testes marcam o enfrentamento ao novo coronavírus no Brasil. Logo no início da pandemia, a demora nos resultados dos testes de covid-19, além dos obstáculos para a testagem em massa, se mostrou um problema grave.

Em grandes centros, como Sāo Paulo, a fila de exames aguardando resultados custou a acabar. Munícipos menores ainda enfrentam dificuldades.

Falhas na manipulação do material a ser examinado, como aconteceu no caso de atletas e outros funcionários do Goiás, chocaram a opinião pública no início do combate à transmissão do vírus.

Desigualdade

Para tentar diminuir os riscos de contaminação, os clubes que possuem recursos estão fretando aviōes para chegar ao local de suas partidas. O custo é considerado alto pelas agremiações.

Como mostrou o blog, algumas equipes tentam compartilhar a mesma aeronave, devidamente higienizada, quando fazem bate e volta para a mesma cidade, mas com locais de pouso e decolagem invertidos.

O Sāo Paulo é um dos times de olho nessas oportunidades. Flamengo e Red Bull Bragantino, sem dependerem de parceria, já decidiram fretar voos em todos os jogos fora de casa na competição (o rubro-negro já havia feito cerca de 80% de suas viagens dessa forma na temporada passada).

Ao mesmo tempo, outras agremiações, como Fortaleza e Bahia, concluíram que aviões exclusivos nāo cabem em seus orçamentos. Isso cria uma incômoda diferença. Times que viajam com outros passageiros que não passam pela mesma rotina de testes correm mais risco de contaminação. Pelo menos em tese.

Além da questão sanitária, o problema pode ter reflexos esportivos, pois nem todos têm elencos robustos para suportar eventuais perdas numerosas por causa da covid-19.

Desigualdade é justamente um dos grandes pesadelos brasileiros durante a pandemia. O isolamento social é recomendado para todas as classes. Porém, quem têm menos recursos e divide um cômodo com vários parentes têm mais chances de se contaminar.

Negacionismo

Um dia depois de a abertura do Brasileirão ser conturbada por conta do problema com o Goiás, além de casos problemáticos nas Séries B e C, Walter Feldman, secretário-geral da CBF, defendeu o protocolo elaborado pela entidade e disse que nenhuma vida de alteta foi colocada em risco, negando o que era evidente. A confederação acabou alterando pontos de seu protocolo ainda na última segunda (10).

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a chamar a covid-19 de gripezinha, é apontado por especialistas da área da saúde como um dos principais erros do Brasil na luta contra a pandemia.

Pressão econômica

Houve grande pressão da maioria dos clubes para o retorno do futebol, começando pela manutenção da tabela integral do Brasileirão, mesmo sem a pandemia estar sob controle em solo nacional.

O motivo para essa pressa tem a ver com dinheiro, principalmente da TV. Os dirigentes sabiam que não receberiam a verba integral relativa ao Brasileirão na TV se todos os jogos programados não acontecessem. Ao que se refere aos seus contratos, a Globo deixou isso claro.

Antes da pandemia, a maior parte das agremiações já enfrentava situação financeira difícil. Então, por causa da crise sanitária, os campeonatos foram suspensos e a situação piorou. A retomada era vista como única saída, apesar de a população brasileira ainda ser duramente castigada pelo vírus.

O cartolas repetiram o que empresários das mais variadas áreas fizeram pressionando seus estados e municípios a promover a retomada das atividades ainda que parte deles registrasse média diária de mortes preocupante. Várias cidades precisaram recuar nas medidas de flexibilização por causa de aumento na contaminação.

A CBF já teve que adiar um jogo do Brasileirão na primeira rodada por causa dos efeitos da pandemia.

Nesse cenário, o Brasileirão reflete a disputa entre economia e saúde estimulada por Bolsonaro desde os primeiros dias de enfrentamento à covid-19 no país.

Já que é seguro, Feldman e Caboclo topariam viajar com times no Brasileiro?

Leia o post original por Perrone

O mais importante é que nenhuma vida de atleta foi colocada em risco”. A frase traiçoeira foi dita ao UOL Esporte por Walter Feldman, secretario-geral da CBF a respeito do protocolo contra a Covid-19 elaborado pela entidade. Isso apesar de nas séries A, B e C jogadores conviverem  com companheiros contaminados por conta de atrasos nas entregas dos testes.

Pelo Brasileirão, Goiás x São Paulo foi adiado depois de o time da casa saber que 10 de seus atletas têm covid-19 e acionar o STJD para a partida não acontecer neste domingo (9).

Apesar de toda essa perigosa lambança, Feldman disse que “o balanço é positivo. Tivemos sucessos em todas as outras operações”.

Diante da segurança das palavras de Feldman, uma pergunta é inevitável: o secretário-geral da CBF e seu presidente, Rogério Caboclo, topariam viajar e se concentrar com um time das três divisões do Campeonato Brasileiro a cada rodada?

Pensar nessa pergunta talvez ajudasse a dupla a enxergar como a confederação está sendo arrogante e alienada. Tal postura expôs jogadores a riscos desnecessários.  Confederação e clubes subestimaram a  pandemia.

Incrível terem feito isso depois de o novo coronavírus já ter mostrado ao mundo do que é capaz.

Ao contrário dos chineses, primeiros a enfrentar o problema, os cartolas brasileiros não estão pisando num solo totalmente desconhecido, apesar das inúmeras perguntas ainda sem resposta na pandemia.

Dava para desconfiar que laboratórios em locais mais sobrecarregados tivessem dificuldade para entregar os exames. Se a testagem em massa é um gargalo no Brasil desde o começo da pandemia, porque não seria para o futebol? Não seria mais humano deixar esses testes pra quem divide um cômodo com vários parentes e não tem como se proteger?

Não é egoísmo inventar testes periódicos para times de três divisões enquanto o país ainda não se livrou da macabra marca de mais de mil óbitos por covid-19 registrados por dia?

O confiante Feldman diz que “não há risco zero”. Nesse caso há, sim. Se não houver campeonato e nem treino, não tem como jogador se contaminar no exercício da profissão.

Forçar a volta do futebol antes de uma melhora média radical da situação no país é pensar que podemos controlar o vírus quando quisermos. As incontáveis mortes pelo mundo mostram dolorosamente que não funciona assim.

Não bastasse a arrogância de desafiar o vírus, os cartolas responsáveis pela volta do Brasileirão não tiveram nem a humildade de tentar aprender com a NBA. Num país que lidou mal com a doença como o nosso, a liga norte-americana de basquete enxergou o óbvio: não dá pra ficar colocando jogador em aeroporto com um vírus tão severo à solta.

Os responsáveis por um dos campeonatos mais famosos do mundo entre todas as modalidades se adaptaram, adotaram novo formato com  sede única na tentativa de diminuir os riscos.

Pessoalmente, também acredito que a NBA ainda não deveria ter voltado, e que sua bolha não é infalível, mas pelo menos houve um reconhecimento de que era preciso mudar.

No futebol brasileiro prevalece o “temos que entregar todos os jogos para a TV, senão ficamos sem parte do dinheiro”.

Preferiram colocar a saúde de atletas e demais profissionais em risco e passar vergonha a ter bom senso e enfrentar efeitos financeiros mais agudos da pandemia. A primeira rodada do Brasileiro deixou isso claro.

Porém, pelas palavras de Feldman, não teremos uma mudança radical em nome  da saúde. Pelo jeito, ele aposta numa velha máxima da cartolagem: “vamos acertando as coisas com o tempo. Quando os gols começarem a sair, esquecem os problemas”.

 

 

 

Goiás estreia no Brasileirão com Tapetão

Leia o post original por Fernando Sampaio

O adiamento de Goiás x São Paulo mostrou logo na primeira rodada que o campeonato será uma bagunça. A tendência é o Brasileirão ser decidido no Tapetão. Pela Série C, o Vila Nova teve atleta testado positivo na terça-feira e mesmo assim viajou e jogou em Manaus. Depois, ficou sabendo que viajou com um atleta contaminado. O clube não sabia, a confusão aconteceu na coleta das amostras. Pela Série A…

Fonte