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O que incomoda clubes da Série A no protocolo da CBF contra covid-19

Leia o post original por Perrone

Um clima em que se misturam dúvidas, desconfianças e temores cerca dirigentes de clubes da Séria A por conta do protocolo criado pela CBF para realizar a competição em meio à pandemia de covid-19. Abaixo veja os principais motivos de incômodo.

Adiamento de jogos

O movimento ainda é tímido, mas há entre os dirigentes quem defenda que a CBF estipule o adiamento automático de partidas em caso de contaminação em série num mesmo clube.

O Atlético-MG defende a ideia. A CBF estipularia um número de contaminados na mesma equipe a partir do qual o jogo seria adiado, independentemente de pedidos. Seriam postergadas quantas partidas fossem necessárias até os mesmos jogadores poderem voltar a atuar.

O temor é de que, se isso não acontecer, as equipes que eventualmente sofrerem surtos de covid-19 tenham grande desvantagem em campo por causa dos desfalques.

Existe também o receio de jogadores de um time terem o vírus incubado, após muitos de seus colegas serem contaminados, e jogarem com resultado negativo podendo infectar os adversários, se a partida não for adiada.

Desde antes de começar o Brasileirão, a CBF deixou claro que o calendário tem pouco espaço para remanejamento de partidas.

Testes

Problemas nos testes, como atrasos na entrega dos resultados e falha na manipulação do material coletado, estão entre os principais motivos de desconforto dos cartolas.

A CBF dispensou os clubes da obrigatoriedade de realizar os testes no Albert Einstein, hospital escolhido por ela, após as falhas na primeira rodada. Mas ainda existe clima de insegurança, principalmente por causa do grande volume de exames.

Falta de cuidados

Há desconfiança entre ao menos parte dos dirigentes das agremiações que mais investem em prevenção em relaçāo a adversários que não estariam tomando os mesmos cuidados.

Nos bastidores são feitas críticas a times que não estariam protegendo seus jogadores nos deslocamentos e nas concentrações, além de não serem cuidadosos com a orientação a eles nas folgas. Isso aumentaria o risco de uma equipe contaminar a outra, apesar dos testes.

Um exemplo de diferença nos procedimentos é em relação às viagens para os jogos fora de casa. Fretar aviões é, em tese, o procedimento mais seguro. Porém nem todos têm recursos financeiros para adotar a medida.

Red Bull Bragantino e Flamengo são clubes que já decidiram fretar voos em todas as partidas como visitante. O Çorinthians acertou fretamento para suas duas primeiras apresentações fora de casa e estuda ampliar a medida.

Já os presidentes de Fortaleza, Marcelo Paz, e Bahia, Guilherme Bellintani, afirmaram ao blog que seus times não têm condições financeiras de arcar com os voos exclusivos.

Como o Brasileirão explica a pandemia no país

Leia o post original por Perrone

O início do Brasileirão apresenta problemas e outras questões semelhantes às enfrentadas pelo país desde o início da pandemia de covid-19. Basta olhar para o campeonato para entender o que acontece no Brasil em relação à crise sanitária. E vice-versa. Confira abaixo.

Testes

Goiás x Sāo Paulo, pela primeira rodada do Brasileiro, precisou ser adiado por que o time da casa demorou para receber seus exames, pois houve uma falha técnica relacionada à coleta de material. O procedimento precisou ser refeito. No dia do jogo, o Goiás descobriu que 10 resultados deram positivo e a partida foi suspensa.

Problemas com os testes marcam o enfrentamento ao novo coronavírus no Brasil. Logo no início da pandemia, a demora nos resultados dos testes de covid-19, além dos obstáculos para a testagem em massa, se mostrou um problema grave.

Em grandes centros, como Sāo Paulo, a fila de exames aguardando resultados custou a acabar. Munícipos menores ainda enfrentam dificuldades.

Falhas na manipulação do material a ser examinado, como aconteceu no caso de atletas e outros funcionários do Goiás, chocaram a opinião pública no início do combate à transmissão do vírus.

Desigualdade

Para tentar diminuir os riscos de contaminação, os clubes que possuem recursos estão fretando aviōes para chegar ao local de suas partidas. O custo é considerado alto pelas agremiações.

Como mostrou o blog, algumas equipes tentam compartilhar a mesma aeronave, devidamente higienizada, quando fazem bate e volta para a mesma cidade, mas com locais de pouso e decolagem invertidos.

O Sāo Paulo é um dos times de olho nessas oportunidades. Flamengo e Red Bull Bragantino, sem dependerem de parceria, já decidiram fretar voos em todos os jogos fora de casa na competição (o rubro-negro já havia feito cerca de 80% de suas viagens dessa forma na temporada passada).

Ao mesmo tempo, outras agremiações, como Fortaleza e Bahia, concluíram que aviões exclusivos nāo cabem em seus orçamentos. Isso cria uma incômoda diferença. Times que viajam com outros passageiros que não passam pela mesma rotina de testes correm mais risco de contaminação. Pelo menos em tese.

Além da questão sanitária, o problema pode ter reflexos esportivos, pois nem todos têm elencos robustos para suportar eventuais perdas numerosas por causa da covid-19.

Desigualdade é justamente um dos grandes pesadelos brasileiros durante a pandemia. O isolamento social é recomendado para todas as classes. Porém, quem têm menos recursos e divide um cômodo com vários parentes têm mais chances de se contaminar.

Negacionismo

Um dia depois de a abertura do Brasileirão ser conturbada por conta do problema com o Goiás, além de casos problemáticos nas Séries B e C, Walter Feldman, secretário-geral da CBF, defendeu o protocolo elaborado pela entidade e disse que nenhuma vida de alteta foi colocada em risco, negando o que era evidente. A confederação acabou alterando pontos de seu protocolo ainda na última segunda (10).

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a chamar a covid-19 de gripezinha, é apontado por especialistas da área da saúde como um dos principais erros do Brasil na luta contra a pandemia.

Pressão econômica

Houve grande pressão da maioria dos clubes para o retorno do futebol, começando pela manutenção da tabela integral do Brasileirão, mesmo sem a pandemia estar sob controle em solo nacional.

O motivo para essa pressa tem a ver com dinheiro, principalmente da TV. Os dirigentes sabiam que não receberiam a verba integral relativa ao Brasileirão na TV se todos os jogos programados não acontecessem. Ao que se refere aos seus contratos, a Globo deixou isso claro.

Antes da pandemia, a maior parte das agremiações já enfrentava situação financeira difícil. Então, por causa da crise sanitária, os campeonatos foram suspensos e a situação piorou. A retomada era vista como única saída, apesar de a população brasileira ainda ser duramente castigada pelo vírus.

O cartolas repetiram o que empresários das mais variadas áreas fizeram pressionando seus estados e municípios a promover a retomada das atividades ainda que parte deles registrasse média diária de mortes preocupante. Várias cidades precisaram recuar nas medidas de flexibilização por causa de aumento na contaminação.

A CBF já teve que adiar um jogo do Brasileirão na primeira rodada por causa dos efeitos da pandemia.

Nesse cenário, o Brasileirão reflete a disputa entre economia e saúde estimulada por Bolsonaro desde os primeiros dias de enfrentamento à covid-19 no país.

Já que é seguro, Feldman e Caboclo topariam viajar com times no Brasileiro?

Leia o post original por Perrone

O mais importante é que nenhuma vida de atleta foi colocada em risco”. A frase traiçoeira foi dita ao UOL Esporte por Walter Feldman, secretario-geral da CBF a respeito do protocolo contra a Covid-19 elaborado pela entidade. Isso apesar de nas séries A, B e C jogadores conviverem  com companheiros contaminados por conta de atrasos nas entregas dos testes.

Pelo Brasileirão, Goiás x São Paulo foi adiado depois de o time da casa saber que 10 de seus atletas têm covid-19 e acionar o STJD para a partida não acontecer neste domingo (9).

Apesar de toda essa perigosa lambança, Feldman disse que “o balanço é positivo. Tivemos sucessos em todas as outras operações”.

Diante da segurança das palavras de Feldman, uma pergunta é inevitável: o secretário-geral da CBF e seu presidente, Rogério Caboclo, topariam viajar e se concentrar com um time das três divisões do Campeonato Brasileiro a cada rodada?

Pensar nessa pergunta talvez ajudasse a dupla a enxergar como a confederação está sendo arrogante e alienada. Tal postura expôs jogadores a riscos desnecessários.  Confederação e clubes subestimaram a  pandemia.

Incrível terem feito isso depois de o novo coronavírus já ter mostrado ao mundo do que é capaz.

Ao contrário dos chineses, primeiros a enfrentar o problema, os cartolas brasileiros não estão pisando num solo totalmente desconhecido, apesar das inúmeras perguntas ainda sem resposta na pandemia.

Dava para desconfiar que laboratórios em locais mais sobrecarregados tivessem dificuldade para entregar os exames. Se a testagem em massa é um gargalo no Brasil desde o começo da pandemia, porque não seria para o futebol? Não seria mais humano deixar esses testes pra quem divide um cômodo com vários parentes e não tem como se proteger?

Não é egoísmo inventar testes periódicos para times de três divisões enquanto o país ainda não se livrou da macabra marca de mais de mil óbitos por covid-19 registrados por dia?

O confiante Feldman diz que “não há risco zero”. Nesse caso há, sim. Se não houver campeonato e nem treino, não tem como jogador se contaminar no exercício da profissão.

Forçar a volta do futebol antes de uma melhora média radical da situação no país é pensar que podemos controlar o vírus quando quisermos. As incontáveis mortes pelo mundo mostram dolorosamente que não funciona assim.

Não bastasse a arrogância de desafiar o vírus, os cartolas responsáveis pela volta do Brasileirão não tiveram nem a humildade de tentar aprender com a NBA. Num país que lidou mal com a doença como o nosso, a liga norte-americana de basquete enxergou o óbvio: não dá pra ficar colocando jogador em aeroporto com um vírus tão severo à solta.

Os responsáveis por um dos campeonatos mais famosos do mundo entre todas as modalidades se adaptaram, adotaram novo formato com  sede única na tentativa de diminuir os riscos.

Pessoalmente, também acredito que a NBA ainda não deveria ter voltado, e que sua bolha não é infalível, mas pelo menos houve um reconhecimento de que era preciso mudar.

No futebol brasileiro prevalece o “temos que entregar todos os jogos para a TV, senão ficamos sem parte do dinheiro”.

Preferiram colocar a saúde de atletas e demais profissionais em risco e passar vergonha a ter bom senso e enfrentar efeitos financeiros mais agudos da pandemia. A primeira rodada do Brasileiro deixou isso claro.

Porém, pelas palavras de Feldman, não teremos uma mudança radical em nome  da saúde. Pelo jeito, ele aposta numa velha máxima da cartolagem: “vamos acertando as coisas com o tempo. Quando os gols começarem a sair, esquecem os problemas”.

 

 

 

Goiás estreia no Brasileirão com Tapetão

Leia o post original por Fernando Sampaio

O adiamento de Goiás x São Paulo mostrou logo na primeira rodada que o campeonato será uma bagunça. A tendência é o Brasileirão ser decidido no Tapetão. Pela Série C, o Vila Nova teve atleta testado positivo na terça-feira e mesmo assim viajou e jogou em Manaus. Depois, ficou sabendo que viajou com um atleta contaminado. O clube não sabia, a confusão aconteceu na coleta das amostras. Pela Série A…

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‘Grupo dos 8’ vê maior independência em relação à CBF e TV com MP e união

Leia o post original por Perrone

Ao menos parte dos dirigentes de clubes que integram o bloco de oito times que se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro na última terça (30) avalia que a MP 984 combinada com a união dessas agremiações dará a elas mais independência em relação à CBF e a emissoras de TV, em especial a Globo. No grupo que foi para Brasília estão Internacional, Coritiba, Athletico, Palmeiras, Santos, Bahia, Ceará e Fortaleza. Todos assinaram contratos para transmissão de seus jogos no Brasileirão em canal fechado com a Turner e agora brigam com a emissora. A empresa acusa cartolas de descumprirem uma série de cláusulas contratuais. Eles rechaçam a tese, e acreditam que a companhia esteja em busca de um pretexto para rescindir os acordos sem arcar com uma multa bilionária, algo que a empresa nega.

Historicamente, os clubes brasileiros dependem de antecipações dos contratos de TV, quase sempre com a Globo, e de cotas antecipadas por CBF e federações. Nesse cenário, cartolas entendem que agremiações ficaram amarradas, sem poder explorar o potencial comercial que aumentou com o rápido surgimento de novas plataformas digitais.

A partir da MP, que dá ao mandante o direito de comercializar os direitos de transmissão dos jogos, pelo menos uma parcela dos dirigentes do grupo de oito clubes que assinou com a Turner entende que as agremiações ganharam liberdade, agilidade e, o mais importante, poder de negociação. Ficou mais fácil vender os direitos, já que não é preciso autorização do adversário como antes da MP, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. Nesse cenário eles têm mais opções do que dizer sim ou não para a proposta da Globo, que normalmente fechava com uma série de clubes e pressionava quem estava fora do bolo e que não podia negociar jogos que com adversários “globais”.

Agora cada time pode fazer o que bem entender. Porém, o que os representantes dos oito clubes desafetos da Turner mostraram a Bolsonaro é que estão e pretendem ficar unidos. Já usam os mesmos advogados e assessores de imprensa, por exemplo. Acreditam que a liberdade dada pela MP associada à união organizada os fortalece. O discurso não vale apenas para questões comerciais. O empoderamento do bloco é visto como importante, por exemplo, para debater calendário com a CBF e federações.

“O que nos uniu inicialmente foi a dor, o problema com a Turner. A gente vem conversando desde abril. E a gente percebeu, enquanto grupo, que coletivamente a gente consegue brigar mais forte, consegue mais resultados. Vou dar o meu exemplo pessoal. No ano passado, fiquei brigando sozinho com a Turner e não tive resultado tão expressivo. Agora, coletivamente, a gente sente que as portas se abrem mais, as pessoas escutam mais. Nesse grupo, a gente está falando aproximadamente de 40 milhões de torcedores. Então, tem um peso maior. Temos um sentimento de que juntos a gente consegue mais”, disse ao blog Marcelo Paz, presidente do Fortaleza. O dirigente completou afirmando que não houve conversa sobre a criação de uma Liga.

O presidente do tricolor cearense não critica CBF e Globo. Pelo contrário. Elogia a atual administração da confederação e exalta as quantias investidas pela rede de TV até aqui na compra de direitos de jogos no Brasil. Porém, Paz acredita que a mudança promovida pela Medida Provisória pode deixar os times numa situação de protagonistas ainda não atingida por eles.

“Conceitualmente, acho que os clubes têm que ter mais protagonismo em tudo no futebol. Porque o torcedor, que é a razão de existir do futebol, ele vai para o estádio para ver o clube. Os jogadores passam, os dirigentes passam, e ele continua indo no estádio para ver o clube. Então, os clubes têm que ter o protagonismo e ainda não é assim. Quando você pega Campeonatos Estaduais, olha o borderô, e o ‘time’ que mais ganhou na competição chama-se federação, é uma coisa muito errada. Talvez, com exceção do Campeonato Paulista, em todos o Estaduais, quem ganha mais dinheiro com arrecadação, estou falando de borderô e bilheteria, o ‘time” que mais ganha dinheiro em todos os Estaduais é a federação, somado o faturamento. Então, acho que os clubes tem que ter mais protagonismo, também nos direitos de TV. O modelo a partir da MP dá mais protagonismo aos clubes, desde que a gente consiga se organizar coletivamente. Essa ressalva é imprescindível”, afirmou Paz

A expectativa de dirigentes do grupo é de que as receitas das agremiações aumentem significativamente graças à capacidade de explorar novas propriedades comerciais, livres de antigas amarras burocráticas, e a um novo poder de negociação. O sentimento é de recuperar tempo e dinheiro perdidos.

Quero ver bola rolando no Brasil, e você?

Leia o post original por Fernando Sampaio

Estou com muita vontade ver o futebol brasileiro. Não é Seleção Brasileira. Essa já não dá Ibope há muitos anos. Estou falando dos clubes brasileiros. Sinto falta até do Paulistão. A bola parou quando os regionais estavam caminhando para suas decisões. A Libertadores estava começando a esquentar, os jogos ficando mais decisivos, tínhamos boas equipes brasileiras com chances de classificação…

Fonte

Ministério da Saúde liga aval a retorno do futebol a estudos sobre pandemia

Leia o post original por Perrone

Por meio de sua assessoria de comunicação, o Ministério da Saúde confirmou ao blog que estuda uma proposta para avalizar a retomada dos jogos de futebol no Brasil após a suspensão dos campeonatos como parte das medidas de combate à pandemia de Covid-19. A pasta vinculou o retorno a estudos e informações sobre a situação da transmissão do novo coronavírus no país.

O ministério não detalhou os critérios para que dê seu aval ao retorno das partidas, mas deixou claro que precisa ter mais informações, principalmente com ajuda de uma maior testagem da população para apontar o momento mais seguro para o retorno. Apesar de a pasta não afirmar isso, a retomada deve acontecer com portões fechados.

Na segunda (27), o ministro da Saúde, Nelson Teich, indicou em entrevista coletiva acreditar que os jogos de futebol podem ter um efeito psicológico positivo em parte da população durante o período de distanciamento social.”

“Existe um pedido para avaliar o retorno de jogos sem público, da CBF. É uma coisa que estamos avaliando, não é definitiva ainda. Mas são iniciativas que, de alguma forma, poderiam trazer uma rotina um pouco melhor para as pessoas, porque o enclausuramento e a restrição têm impacto muito negativo no bem-estar das pessoas”, afirmou.

No mesmo dia, a direção da CBF disse a dirigentes de clubes que não pediu ao Governo Federal o retorno “em breve” das competições e que prioriza as questões ligadas á saúde, como mostrou o UOL Esporte. A confederação informou também que vai seguir as diretrizes estaduais sobre o enfrentamento à pandemia.

Abaixo, leia a nota enviada pelo Ministério da Saúde.

“O Ministério da Saúde informa que está estudando a proposta de retomada dos jogos de futebol. Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde tem empenhado esforços seja no campo da pesquisa e evidências científicas ou testagem para conhecer melhor a doença e orientar as próximas ações, ajustando as medidas ao seu tempo e local, considerando o momento da transmissão”.

 

 

Em meio à pandemia, defesa trabalha por volta de Marin assim que for solto

Leia o post original por Perrone

Depois de conseguir que a Justiça americana alterasse a sentença de José Maria Marin considerando a pena cumprida, os advogados do ex-dirigente agora trabalham para viabilizar o desejo de seu cliente de retornar imediatamente ao Brasil assim que consiga deixar a prisão nos Estados Unidos.

Para isso, os advogados do ex-presidente da CBF e ex-governador de São Paulo terão que driblar os problemas de locomoção causados pelo avanço do novo coronavírus no mundo.

Marin tinha ainda nove meses de pena para cumprir por conta de condenação por prática de crimes de corrupção, acusação que sempre negou. Em 2018, ele havia sido sentenciado a quatro anos de prisão.

Os advogados do ex-presidente da CBF, de 87 anos, pediram a redução de sentença em função da idade avançada dele, alegaram que foi cumprido tempo suficiente e que com a pandemia seria um risco deixá-lo na prisão. Por conta da idade, o ex-cartola faz parte do grupo considerado de risco pelos médicos.

A defesa do dirigente espera que ele seja solto nos próximos dias, mas evita cravar uma data. Sem entrar em detalhes, Júlio Barbosa, um dos advogados de Marin, disse que ainda precisam ser finalizados procedimentos burocráticos para que seu cliente seja colocado em liberdade.

Agora, os defensores trabalham numa logística que permita Marin voltar o mais rapidamente possível para o Brasil. A pandemia provocou uma série de restrições e diminuição da oferta de voos praticamente no mundo inteiro. “Veremos tudo o que é necessário para mandar Marin de volta para casa”, afirmou Barbosa.

De acordo com dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), neste momento a previsão é de cerca de 15 voos semanais dos Estados Unidos para o Brasil. Uma alternativa para Marin seria fretar uma aeronave.

Vale lembrar que o ex-dirigente não pode retomar suas atividades no futebol porque foi banido pela Fifa.

Clubes podem cortar salários sem atletas concordarem? Advogados divergem

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O que acontece se jogadores não aceitarem eventuais reduções salariais impostas por seus clubes? Em busca dessa e de outras respostas sobre os efeitos da interrupção dos campeonatos por conta do avanço do novo coronavírus, o blog ouviu dois advogados com larga experiência na área.

Eduardo Carlezzo e João Henrique Chiminazzo têm entendimentos diferentes sobre a possibilidade de redução salarial. Abaixo, confira as respostas de ambos para as mesmas perguntas

 Blog do Perrone – Se os jogadores de um clube não aceitarem a redução salarial proposta pela direção, como fica a situação?

Eduardo Carlezzo – Entendo que a melhor via seria uma solução bilateral, com flexibilização de ambos os lados. Contudo, a realidade é que isto está cada vez mais distante e, sendo assim, o clube tem a opção, unilateral e prevista na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de reduzir os salários em até 25% neste período de crise. Segundo o art. 503 da CLT, isto pode ser feito em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, o que é justamente o que estamos vivenciando. Nestas condições pode haver a redução geral dos salários dos empregados, proporcionalmente aos salários de cada um, não podendo ser superior a 25% (vinte e cinco por cento). Não tenho dúvidas de que essa força maior já foi configurada.

João Henrique Chiminazzo – Para haver a redução, as partes precisam chegar a um acordo. Não pode ser imposto pelo clube. Eu acho que esse artigo (503 da CLT) é inconstitucional.

Blog – Há margem para algum jogador contestar a redução na Justiça do Trabalho?

Carlezzo – O artigo da lei tem um texto bastante claro, de forma que havendo um caso de força maior, que é claramente o que estamos vivendo hoje, aliado ao prejuízo financeiro, que claramente os clubes estão sofrendo em razão da paralisação,  vejo como baixa a chance de êxito por parte dos atletas caso o assunto chegue ao judiciário.

Chiminazzo – Entendo que sim. Os jogadores têm boas chances de vencer na Justiça. A constituição diz que o salário é irredutível, e como a constituição é posterior à CLT e é uma “lei maior”, ela tem prevalência.

Blog – Os contratos podem ser prorrogados automaticamente para se adequarem às mudanças do calendário?

Carlezzo – Neste caso não há previsão legal. Deveria haver um entendimento geral que passe pela CBF para que isso ocorra, na hipótese de prorrogação das competições. A FIFA está neste momento estudando o assunto e suponho que irá se posicionar sobre o tema, já que não é simplesmente uma questão local, mas sim global.

Chiminazzo – Entendo que sim. Desde que seja mantido o pagamento integral dos salários.

Blog – E como fica, por exemplo, um jogador contratado só para o Estadual e que já tenha assinado pré-contrato com outro clube para o segundo semestre?

Carlezzo – Neste momento, estão valendo as disposições e prazos dos contratos assinados.

Chiminazzo – Eu acho que se ele comprovar a impossibilidade da prorrogação, por ter um pré contrato assinado, desde que não seja de ma-fé, acredito que a prorrogação não poderá ser exercida  Mas acho que vale o bom senso.

Blog – Tem algo mais que gostaria de esclarecer?

Carlezzo– É isso. Abordamos o principal e mais urgente.

Chiminazzo – O clube conceder férias agora acho viável e justo.

 

Férias já: clubes tentam estender jogos por dezembro e manter grana da TV

Leia o post original por Perrone

Uma das principais metas dos dirigentes de clubes brasileiros diante dos efeitos causados no futebol nacional por conta do combate ao novo coronavírus é entregar para a TV todos os jogos vendidos nesta temporada. Isso, apesar da interrupção nas competições atuais e de ameaça ao Brasileiro.

Por isso, os cartolas incluíram em seu pacote de propostas para os jogadores férias de 30 dias com início imediato, como mostrou o UOL Esporte.

Se isso acontecer, será alterado o calendário atual que prevê férias a partir do dia 7 de dezembro. Os jogos se estenderiam pelo último mês do ano.

Até a conclusão deste post, os clubes ainda aguardavam um posicionamento das entidades que representam os atletas a respeito de suas sugestões.

Conseguir completar o calendário evitaria redução nos pagamentos das emissoras de TV, especialmente da Globo em relação ao Brasileirão.

Por tabela, a manutenção das competições em seu formato atual, em tese, também evitaria corte nos pagamentos de patrocinadores, já que eles manteriam a exposição prevista.