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Relatório completo de público no Brasileirão de 2012 a 2017

Leia o post original por Rica Perrone

Uma das coisas que o torcedor mais gosta de discutir é o desempenho dele mesmo perante seu clube na arquibancada.

O ADMKT é o Grupo de Pesquisa e Extensão em Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Fundado em 2012 pelos docentes e pesquisadores Marcos Severo e Ricardo Limongi, professores efetivos da UFG, o grupo foi criado com o objetivo de promover atividades da área de marketing realizadas no âmbito da instituição de ensino.

Pois este grupo fez uma incrível pesquisa sobre o público do futebol brasileiro dos campeonatos brasileiros de 2012 até 2017.

A comparação começa com a Premiere League, na Inglaterra. E logo se tem a discrepância de público dentro dos estádios.

Dessa forma, o objetivo deste relatório é responder diversos questionamentos relacionados ao Campeonato Brasileiro de Futebol, não somente aqueles que tratam do público pagante e da taxa de ocupação nos estádios, como também os que se relacionam ao desempenho das equipes de futebol.

O contexto brasileiro é particularmente marcado pela existência de 12 grandes clubes, que concentram 53 dos 59 títulos dos campeonatos brasileiros disputados desde 1959, época da primeira edição da Taça Brasil.Conhecer detalhes da dinâmica do principal campeonato de futebol do País é importante, principalmente se for considerado que os principais clubes brasileiros ainda se veem diante de problemas estruturais e organizacionais crônicos, como más condutas de gestão.

Dirigentes e profissionais de marketing que atuam nessa realidade pouco sabem dos fatores que determinam a presença de público nos estádios ou o desempenho das equipes no campo.Poucos são os clubes realmente prossionalizados que organizam ações administrativas baseadas na racionalidade da análise de dados. Entretanto, esse cenário começou a mudar nos últimos anos, com isoladas iniciativas de prossionalização e responsabilidades scal e administrativa. A apresentação do “Relatório ADMKT de Presença de Público nos estádios brasileiros”acompanha esse movimento e se apresenta como fonte de informação para gestores de clubes, prossionais de gestão esportiva e da imprensa especializada

O primeiro gráfico mostra o público médio e também o “desvio” padrão. O “desvio” é como uma margem de erro. É a média de público oscilando pra cima e pra baixo perante o público médio.

A seguir temos um gráfico para mostrar em ordem essas médias de público ao longo deste período.

A seguir a taxa de ocupação, que está sempre diretamente ligada ao público médio em virtude da capacidade de cada estádio.

Temos, então, outro gráfico interessante. A comparação entre começo e final de campeonato, para verificar se as torcidas se comportam regularmente, só nas finais ou só num começo empolgante.

Em seguida uma série de gráficos que indicam o comportamento do torcedor para ir ao estádio no Brasil, e até a sua relação com o resultado.

Esse trabalho detalhado e muito interessante para discussão sobre o futebol brasileiro foi feito pela equipe abaixo, a quem agradeço pela preferencia em ter disponibilizado a este blog primeiro.

Marielle “e o Aécio?”

Leia o post original por Rica Perrone

Talvez você ache que estou falando de política, mas não estou. Raramente falo de política. Falo de comportamento, o que é muito diferente mas também de compreensível dificuldade interpretativa diante das amostras recentes pelo país.

Toda vez que alguém comemora a condenação do Lula e/ou cobra por ela, imediatamente aparece alguém dizendo “e o Aécio?”.   E como o Aécio existem 500 pra ser presos neste país, é óbvio. A questão é tão mais simples sobre essa pergunta que eu nem sei porque ela entra na parte política.

Quando mataram a Marielle, mataram uma representante de um grupo grande de pessoas e portanto, naturalmente, sua morte foi infinitamente mais falada, cobrada e revoltante que um assassinato quase idêntico e simultâneo na Barra da Tijuca.

Ela era negra, mulher e gay. Portanto a morte dela REPRESENTAVA mais coisas do que um assassinato entre os 60 mil por ano no país. Acho que qualquer pessoa entendeu isso, mesmo as que eventualmente odiassem a Marielle.

O Lula é o organizador, o líder da maior gangue já flagrada em todos os tempos. Lula é o cara que se criou dizendo que “comigo não seria assim”, e foi o que pior fez. Ele traiu milhões de pessoas que hoje ainda preferem morrer abraçados ao ídolo do que a justiça.

Sim, o Lula é MUITO maior que o Aécio. E o Aécio por sua vez é apenas a representação mais recente do anti-PT. O que não significa que ele tenha 10% da importância e da representatividade do Lula quando se quer ver um corrupto preso.

Desconheço pessoas que defendem o Aécio.  O Aécio Neves é um derrotado em eleição presidencial, não um cara que comandou um partido/gangue/máfia no poder maior de um país por 13 anos.

Lembra do “e o Cunha?”.  Então…

É absolutamente natural que o Lula seja o “Bin Laden” dos Brasileiros e o Aécio seja um inimigo qualquer, como outros tantos. A comparação é uma resposta colegial. O garotinho que diz “bobo é seu nariz”  quando ofendido no patio.

Querer o Lula punido não tem nenhuma relação com Aécio. Exatamente porque querer justiça e se revoltar mais pela morte da Marielle também é natural diante de outras 60 mil mortes.   A não punição aos assassinos da Marielle implica em dizer para os bandidos que se nem a morte dela foi resolvida, imagine as demais.

A condenação do Lula representa a justiça acima da mais alta camada dos corruptos. E portanto abre-se o precedente fácil para que qualquer outro seja também punido. A absolvição dele seria a absolvição do Aécio. O HC dele, daria também tempo para o Aécio.  O contrário não. Hierarquia.

Representatividade. É simples. Basta querer.

E sim, queremos o Aécio preso. Mas o Lula é Copa do Mundo, o Aécio é Copa América. Ninguém pinta a rua na Copa América. O que não implica em não querer conquista-la.

abs,
RicaPerrone

Um domingo qualquer

Leia o post original por Rica Perrone

petkovic2

– Está completando 14 anos do “Gol do Pet” e por isso estou “ressuscitando” este post antigo de muito sucesso.  Confiram:


 

Era um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Abs,
RicaPerrone

Um domingo qualquer

Leia o post original por Rica Perrone

petkovic2

– Está completando 14 anos do “Gol do Pet” e por isso estou “ressuscitando” este post antigo de muito sucesso.  Confiram:


 

Era um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Abs,
RicaPerrone

Ateus tricolores

Leia o post original por Rica Perrone

Dizem que Deus existe e quase todo mundo acredita nisso. Alguns por medo de duvidar e ser punido, outros por ter no que se apegar, outros por mera lavagem cerebral. Há quem diga conversar com ele, há quem acredite ter visto.

Existe de tudo, menos a certeza.

Certeza teríamos se a lógica da tal justiça divina fosse clara todo santo dia. Não é. E não sendo, testa nossa fé.

A fé nada mais é do que uma dose de esperança no imponderável.  É a não justificativa do que esperamos para nós mesmos, merecendo ou não.

Torcedor do Flu tem fé. Poderia te-la perdido quando na série C, mas manteve. A testou em 2008 exaustivamente e lá estava ele, o tal “Deus”  dando provas de sua existencia naquele gigantesco Maracanã.

Contra o Arsenal, Deus desenhou. Contra o São Paulo, Deus existiu. Contra o Boca, Deus se divertiu. Na decisão, onde usou sua geografia para equilibrar o impossivel através da altitude, preparou um cenário perfeito para mais um de seus milagres.

Lá estavam seus fiéis, seus instrumentos e a hora marcada. O mundo todo assistiria ao milagre ao vivo, mas Deus não entende nada de futebol.

Em 82 mostrou isso e foi “suspenso” por si mesmo permitindo que naquilo não houvesse lógica ou qualquer senso de justiça. Desde então transformaram um esporte numa “caixinha de surpresas”, excluindo qualquer justiça divina de seus placares.

Ele voltou. Queria provar que os anos de observação lhe deram o dom do entendimento sobre o tal futebol. Deus criou o homem, o homem criou o futebol e Deus achou graça no que fez.

Durante todo o caminho acreditavam ser dele as ordens para um roteiro tão dramático, perfeito, justo, épico e cruelmente apaixonante.

Até que ele permite a virada, o herói, o espetáculo, o drama, menos o final feliz.

Naquele dia quase 100 mil tricolores no estádio e outros milhões de suas casas dormiram ateus. Não havia lógica, justiça, argumentos suficientes para convencer ninguém, nem mesmo o diabo, de que aquela gente sairia dali chorando e não sorrindo.

Todo o caminho para se chegar a lugar algum? Cadê seu Deus, perguntava o ateu?

E de fato, ninguém sabia.

O diabo, que se vestiu de Hector Baldassi naquela noite para assistir sua arte de perto, sorria.

Infiéis, sairam calados, aplaudindo por obrigação o que nunca entenderão ter tido um final infeliz.

A maior e mais dramática história de um torneio jamais será contada como glória, mas sim como tragédia. Talvez porque tenha que ser assim, se sua fé for tamanha para acreditar.

Ou talvez porque ele nem exista, se sua razão lhe permitir ponderar.

Ou, na mais provável das alternativas, porque ele não tenha tido nada com isso e os milagres tenham sido operados pelo Fluminense, não por alguém lá em cima.

Deus, existindo ou não, dizem controlar todas as coisas. Só o futebol que não.

Este ele deixou pro diabo se divertir.

Mas a incompetência satânica é tamanha que mesmo para verdadeiros atentados terroristas como aquela final em 2008 há uma injustiça divina.

Assim como Thiago Neves, mesmo sua enorme competência pode passar desapercebida num dia incomum.

E por isso o diabo fez o que fez, e no final todos levavam as mãos a cabeça para dizer: “Meu Deus do céu…”, incrédulos.

Porque o título pode ficar onde o diabo quiser. A história ficou nas Laranjeiras.

Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

Jornalistas não são especialistas

Leia o post original por Rica Perrone

Você deve estar se deparando pela web com desabafos de jornalistas “revoltados” com os vários convidados especiais para comentar Olimpíadas enquanto o desemprego toma as redações.  É previsível no país onde o taxista agride o motorista de Uber que a reação seja essa. Mas… peraí.

Eu fiz faculdade de jornalismo. Em 4 anos nenhuma vez, em nenhuma aula, alguém me ensinou algo sobre futebol, por exemplo. Eu aprendi a colocar virgulas (não muito), talvez a me comunicar, a levar informação, a como tratar uma apuração, mas em momento algum me tornei especialista em NADA.

A função de comentarista, me parece claro, é para alguém preparado a opinar sobre um assunto. Logo, deve ter conhecimento sobre este assunto. E nenhum jornalista sai da faculdade credenciado a comentar futebol, por exemplo. Você sai dali pra levar informação. A sua opinião não tem qualquer motivo para ser mais ou menos respeitada que a de alguém que assiste jogos toda semana como você.

Os convidados a comentar são especialistas seja por ter praticado ou por terem estudado aquilo. Mas não tem absolutamente nada a ver com “jornalismo”.  Absurdo seria coloca-los para fazer reportagem.  Não é o caso.  Talvez tão absurdo a eles seja ver alguém que aprendeu ontem a escrever se achar no direito de opinar nacionalmente sobre um esporte que nunca teve contato.

O cargo de comentarista nunca foi, e nem deveria ser, um privilegio jornalístico.

Na faculdade você aprende a usar virgulas. O que vai ser colocado entre elas são outros 500.

abs,
RicaPerrone

20 anos de Rica Perrone

Leia o post original por Rica Perrone

Era 11 de março de 1997 e, portanto, faz 20 anos. Eu entrei na Band FM em São Paulo a convite de um vizinho que era diretor da rádio, nem me lembro o nome. Morreu já.

Cheguei umas 17h. A primeira pessoa que vi na Band foi Luciano do Vale, que passava na catraca na minha frente.  Fiz Palmeiras 7×1 River-PI pela Copa do Brasil, 3 gols do Viola.

Foi a primeira vez que “trabalhei com futebol” na vida.

Pouco depois fui demitido e, puto, resolvi que faria o material e venderia pronto pra emissoras.  Veja você, moleque folgado, aos 19 anos, querendo produzir jogo pra Sportv, Rádio Globo, Rádio Record e Tv bandeirantes. Nem faculdade eu fazia ainda.

Fiz pra todos. Todos eles usaram. A Band me contratou pra TV após isso. Eu fiquei dois dias, pedi demissão.

Ninguém acreditava. “Maluco! Saiu da Band com 2 dias! Puta chance!”.

Chance o caralho. Se era pra fazer aquilo eu preferia ser veterinário. Odiei. Só filha da puta, ego pra caralho, panela pra cacete, nego veterano tratando mal quem chegou. Peguei um ambiente péssimo, era a época da Traffic. Enfim, não era aquilo.

Sai. Fui cobrir F-1 para um site do Deva Pascovic na AOL. Deva morreu no acidente da Chape. De reporter de F-1 fui fazendo, fazendo, até vender pra America On Line um site de Fórmula 1. Ele se tornou de automobilismo, depois foi pra outros parceiros e em um momento, acho que 2003, eu asseguro que tinha o maior site de automobilismo em lingua portuguesa no mundo. Era bizarro! Tinha transmissão ao vivo de Nascar, irmão!

Dali fiz a Rádio F-1 na WEB, há quem diga que foi o primeiro “programa de rádio” sobre o tema na web. Nunca confirmei. Em seguida começou a ter “blog” de menininha postando a vida delas. Eu fui o idiota que pensou: Porque as colunas semanais não viram blogs e postamos quando queremos sem data fixa?

Fiz isso. O primeiro. E voltei atrás com uns 3 meses porque não entendiam aquele mecanismo. Em 2006, quando já tinham alguns, voltei e está até hoje. Mas quem transformou a “coluna” em blog pela primeira vez entre os jornalistas foi esse cara aqui.

E de 2005 pra cá eu fiz SPnet, criei a Rádio SPNET, fiz a Estação Tricolor, fechei o F1naWEB, fiz do meu blog referência na web e passei por um período onde o blog foi parceiro da Globo.com. Note: Eu jamais TRABALHEI lá. Fizemos parceria, ao contrário do que pensam.

Minha carteira de trabalho está em branco. Eu abri uma empresa com 19 anos. Nunca tive um décimo terceiro, férias, nem mesmo uma indicação pra prêmio ou algo do tipo.

Batalhei todos os meus patrocínios, consegui meus views, escrevi meu livro e fui o único jornalista sem um grupo de mídia credenciado pela FIFA na Copa do Mundo. A sugestão da própria FIFA.

Não fiz grandes amigos no meio porque não gosto do meio. Não frequento, não ando em bando, pouco os conheço. Não sou “jornalista”.  Trabalho com entretenimento.

Mas nos clubes, entre os treinadores, profissionais, jogadores e gente que de fato faz a coisa girar, tenho amizades e o respeito que gostaria. Não tenho inimigos no futebol. Só na imprensa esportiva.

Conheci os meus ídolos, o Zico lê meu blog. Na Copa os jogadores compartilhavam meus textos no grupo deles de whatsatp. E a CBF me pergunta o que acho sobre algumas coisas.

Fiz o texto dos 19 clubes da série A para a Chapecoense a convite deles, lido pelo Galvão na Globo.  Fiz textos que rodaram a internet, que viraram do Verissimo, de outros tantos. Mas eram só do Rica.

Briguei pra ser o Rica enquanto o Ricardo já existia no UOL, na Folha, na Placar. Adotei o apelido e hoje sabem que tem dois Perrones. E as diferenças.

Eu não fiquei rico. Continuo sendo apenas “Rica”.  Conheci muita gente legal, muita gente escrota.  Vi jogos memoráveis, 95% da arquibancada mesmo credenciado. O 7×1 eu vi de imprensa. Talvez porque eu como torcedor não merecesse aquilo.

Passei por umas rádios. A última, a BET 98, onde fiz por 3 anos um programa de humor e futebol com Marcelo Adnet, Gustavo Pereira e Paulo Beto.

Eu não sou sortudo. Eu trabalhei pra caralho.

Eu tenho 20 anos de independência “jornalistica”, falando o que bem entendo e NENHUM processo contra mim.  Eu jamais criei uma crise, jamais menti sobre uma transferência, cravei uma notícia por ejaculação precoce ou causei mal a alguem do futebol.

“Chapa branca”. Não… honesto. É diferente.

Acrescente também a coerência do que prego em ter feito 2 cursos de treinador e um estágio com o Espinosa pra aprender e melhorar o meu conhecimento sobre o tema e me tornar, de fato, “especialista” em alguma coisa.

As vezes nego pergunta de onde vem o blog, o sucesso, etc.  E eu respondo: “Sou sortudo”.  Mas é só preguiça de contar tudo isso.

Eu abri um mercado. Eu criei uma alternativa que será usada por diversos novos jornalistas e até os atuais.  Não porque sou gênio, nem melhor do que ninguém. Mas porque fui maluco, teimoso e abusado.

Falo demais. Mas ainda assim, nunca me deu problemas o que falo.

Sou a falsa bomba relógio que os velhos acham que é questão de tempo pra “se explodir”. Mas não explode. E nem vai.

Porque atrás dessa marra toda tem alguém que sabe exatamente o que está fazendo. E que embora tenha tido sorte, teve bem mais do que isso pra ser a referência, o alvo ou o “filha da puta que eu odeio” de tanta gente.

Não vão ter mais 20. Eu fiz da minha meta parar com o hexa em 2018 e fazer outra coisa dentro do futebol que não mais “jornalismo”.  Talvez você tenha notado com os textos sobre outros temas.

A melhor coisa que fiz foi o Cara a Tapa. A pior foi o Futebol na WEB, um site que não vingou.

E a que mais me orgulho é de ter todo dia um e-mail na minha caixa de alguém dizendo que não concorda comigo sempre, mas que corre pra me ler quando o time dele é campeão ou ganha algo épico.

Era isso que eu queria. Mais nada.

Obrigado a quem ajudou, me desculpe com quem fui injusto e um abraço pra quem duvidou.

Porque eu tô escrevendo esse post? Porque poder escrever o que eu quero, quando quero, da forma que sinto e ter quem leia é a maior conquista da minha carreira.

Abs,
RicaPerrone

20 anos de Rica Perrone

Leia o post original por Rica Perrone

Era 11 de março de 1997 e, portanto, faz 20 anos. Eu entrei na Band FM em São Paulo a convite de um vizinho que era diretor da rádio, nem me lembro o nome. Morreu já.

Cheguei umas 17h. A primeira pessoa que vi na Band foi Luciano do Vale, que passava na catraca na minha frente.  Fiz Palmeiras 7×1 River-PI pela Copa do Brasil, 3 gols do Viola.

Foi a primeira vez que “trabalhei com futebol” na vida.

Pouco depois fui demitido e, puto, resolvi que faria o material e venderia pronto pra emissoras.  Veja você, moleque folgado, aos 19 anos, querendo produzir jogo pra Sportv, Rádio Globo, Rádio Record e Tv bandeirantes. Nem faculdade eu fazia ainda.

Fiz pra todos. Todos eles usaram. A Band me contratou pra TV após isso. Eu fiquei dois dias, pedi demissão.

Ninguém acreditava. “Maluco! Saiu da Band com 2 dias! Puta chance!”.

Chance o caralho. Se era pra fazer aquilo eu preferia ser veterinário. Odiei. Só filha da puta, ego pra caralho, panela pra cacete, nego veterano tratando mal quem chegou. Peguei um ambiente péssimo, era a época da Traffic. Enfim, não era aquilo.

Sai. Fui cobrir F-1 para um site do Deva Pascovic na AOL. Deva morreu no acidente da Chape. De reporter de F-1 fui fazendo, fazendo, até vender pra America On Line um site de Fórmula 1. Ele se tornou de automobilismo, depois foi pra outros parceiros e em um momento, acho que 2003, eu asseguro que tinha o maior site de automobilismo em lingua portuguesa no mundo. Era bizarro! Tinha transmissão ao vivo de Nascar, irmão!

Dali fiz a Rádio F-1 na WEB, há quem diga que foi o primeiro “programa de rádio” sobre o tema na web. Nunca confirmei. Em seguida começou a ter “blog” de menininha postando a vida delas. Eu fui o idiota que pensou: Porque as colunas semanais não viram blogs e postamos quando queremos sem data fixa?

Fiz isso. O primeiro. E voltei atrás com uns 3 meses porque não entendiam aquele mecanismo. Em 2006, quando já tinham alguns, voltei e está até hoje. Mas quem transformou a “coluna” em blog pela primeira vez entre os jornalistas foi esse cara aqui.

E de 2005 pra cá eu fiz SPnet, criei a Rádio SPNET, fiz a Estação Tricolor, fechei o F1naWEB, fiz do meu blog referência na web e passei por um período onde o blog foi parceiro da Globo.com. Note: Eu jamais TRABALHEI lá. Fizemos parceria, ao contrário do que pensam.

Minha carteira de trabalho está em branco. Eu abri uma empresa com 19 anos. Nunca tive um décimo terceiro, férias, nem mesmo uma indicação pra prêmio ou algo do tipo.

Batalhei todos os meus patrocínios, consegui meus views, escrevi meu livro e fui o único jornalista sem um grupo de mídia credenciado pela FIFA na Copa do Mundo. A sugestão da própria FIFA.

Não fiz grandes amigos no meio porque não gosto do meio. Não frequento, não ando em bando, pouco os conheço. Não sou “jornalista”.  Trabalho com entretenimento.

Mas nos clubes, entre os treinadores, profissionais, jogadores e gente que de fato faz a coisa girar, tenho amizades e o respeito que gostaria. Não tenho inimigos no futebol. Só na imprensa esportiva.

Conheci os meus ídolos, o Zico lê meu blog. Na Copa os jogadores compartilhavam meus textos no grupo deles de whatsatp. E a CBF me pergunta o que acho sobre algumas coisas.

Fiz o texto dos 19 clubes da série A para a Chapecoense a convite deles, lido pelo Galvão na Globo.  Fiz textos que rodaram a internet, que viraram do Verissimo, de outros tantos. Mas eram só do Rica.

Briguei pra ser o Rica enquanto o Ricardo já existia no UOL, na Folha, na Placar. Adotei o apelido e hoje sabem que tem dois Perrones. E as diferenças.

Eu não fiquei rico. Continuo sendo apenas “Rica”.  Conheci muita gente legal, muita gente escrota.  Vi jogos memoráveis, 95% da arquibancada mesmo credenciado. O 7×1 eu vi de imprensa. Talvez porque eu como torcedor não merecesse aquilo.

Passei por umas rádios. A última, a BET 98, onde fiz por 3 anos um programa de humor e futebol com Marcelo Adnet, Gustavo Pereira e Paulo Beto.

Eu não sou sortudo. Eu trabalhei pra caralho.

Eu tenho 20 anos de independência “jornalistica”, falando o que bem entendo e NENHUM processo contra mim.  Eu jamais criei uma crise, jamais menti sobre uma transferência, cravei uma notícia por ejaculação precoce ou causei mal a alguem do futebol.

“Chapa branca”. Não… honesto. É diferente.

Acrescente também a coerência do que prego em ter feito 2 cursos de treinador e um estágio com o Espinosa pra aprender e melhorar o meu conhecimento sobre o tema e me tornar, de fato, “especialista” em alguma coisa.

As vezes nego pergunta de onde vem o blog, o sucesso, etc.  E eu respondo: “Sou sortudo”.  Mas é só preguiça de contar tudo isso.

Eu abri um mercado. Eu criei uma alternativa que será usada por diversos novos jornalistas e até os atuais.  Não porque sou gênio, nem melhor do que ninguém. Mas porque fui maluco, teimoso e abusado.

Falo demais. Mas ainda assim, nunca me deu problemas o que falo.

Sou a falsa bomba relógio que os velhos acham que é questão de tempo pra “se explodir”. Mas não explode. E nem vai.

Porque atrás dessa marra toda tem alguém que sabe exatamente o que está fazendo. E que embora tenha tido sorte, teve bem mais do que isso pra ser a referência, o alvo ou o “filha da puta que eu odeio” de tanta gente.

Não vão ter mais 20. Eu fiz da minha meta parar com o hexa em 2018 e fazer outra coisa dentro do futebol que não mais “jornalismo”.  Talvez você tenha notado com os textos sobre outros temas.

A melhor coisa que fiz foi o Cara a Tapa. A pior foi o Futebol na WEB, um site que não vingou.

E a que mais me orgulho é de ter todo dia um e-mail na minha caixa de alguém dizendo que não concorda comigo sempre, mas que corre pra me ler quando o time dele é campeão ou ganha algo épico.

Era isso que eu queria. Mais nada.

Obrigado a quem ajudou, me desculpe com quem fui injusto e um abraço pra quem duvidou.

Porque eu tô escrevendo esse post? Porque poder escrever o que eu quero, quando quero, da forma que sinto e ter quem leia é a maior conquista da minha carreira.

Abs,
RicaPerrone

Uber escancara a burrice

Leia o post original por Rica Perrone

Eu tenho uma teoria de que um dos maiores problemas do Brasil é como ele se trata como bebê e, portanto, não cresce. Aqui nós temos que pedir permissão pra tudo, até pra apostar nosso próprio dinheiro.

Aqui não posso fumar maconha, porque faz mal. Não posso levar um rojão no estádio, pois posso apontar pro lado errado e machucar alguém.

Não posso nada, para que sempre alguém tenha controle dos erros que eu possa cometer. Eu jamais vou aprender a arcar com as consequências do que faço se as causas são mais culpadas do que eu.

E então surge o Uber. Um tapa na cara de um país onde ser empregador ou patrão é uma função que lhe coloca imediatamente como vilão aos olhos da lei.

No país dos direitos trabalhistas, um sujeito não pode sugerir trabalhar por conta própria e ter sua condição de vida determinada pelo seu esforço. É um absurdo! Onde ficam os 20% do governo, os 20% de quem arrumou o ponto, os 20% de quem era dono da permissão pra ter o taxi, e mais os 20% daquele rolê a mais que damos com o gringo?

O brasileiro é tão domesticado a ver o mundo como um funcionário fodido que não enxerga nem as oportunidades que aparecem no seu nariz.

Sou taxista. Eu pago diária, impostos, uma taxa pro ponto, outra grana pra ter o direito de ser taxista, já que as permissões legais estão nas mãos de uma máfia há décadas e décadas.

Um cara do meu lado abre uma possibilidade de eu comprar meu carro e trabalhar livre disso tudo e ganhar meu dinheiro honesto sem ter que dividir com tanta gente que não merece.

O que eu faço?

Enxergo a oportunidade de barganhar com isso no meu trabalho e melhoro minha renda ou reclamo da concorrência e peço ajuda aos caras que me comem diárias absurdas pra distribuir na máfia dos taxistas?

O taxista não consegue entender que, embora seja justo que o Uber seja cobrado com impostos, o que está acontecendo é a abertura do mercado que ele trabalha.

Na cabeça do brasileiro médio as coisas não funcionam com fins lucrativos mas sim com algum ideal.

O Uber é a libertação do taxista. E ele, limitadíssimo em sua visão de negócio, fecha com a máfia que o extorque para protegê-la.

Os taxis vão ganhar ainda algum tempo, afinal, é nas mãos dos praças dos governantes que estão a porra das licenças. Mas a vitória dos taxis será a maior derrota dos taxistas, que imploram por pagar as taxas e serem estuprados pela máfia ao invés de receber bem a oposição a ela.

Falta ao brasileiro o direito de ganhar dinheiro, o prazer em tê-lo e a não ostentação em se foder.

abs,
RicaPerrone

O contrato

Leia o post original por Rica Perrone

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Enfim, o que todos os torcedores de Fluminense, Botafogo e Vasco sempre desconfiaram chega a conhecimento público.  Este blog conseguiu com exclusividade um termo de contrato assinado em 1895 que pode explicar muito das viradas espetaculares do Clube de Regatas Flamengo.

Confira.

CONTRATO DE PARCERIA

Parceiro Outorgante: Clube de Regatas Flamengo, com sede na Av. Borges de Medeiros, 997 – Lagoa Rio de Janeiro – RJ – Brasil. CEP – 22.430-040.

Parceiro Outorgado: Lucifer Gallardo, com sede no Inferno, sub solo, sem cep, próximo a Bangu, Rio de Janeiro, Brasil.

As partes acima identificadas têm, entre si, justo e acertado o presente Contrato de Parceria, que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas condições descritas no presente.:

DO OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1ª – O presente contrato tem como OBJETO a troca de favores entre as partes. Sendo o Flamengo capaz de proporcionar momentos de muito terror aos seus quando tudo caminha para a paz e vice-versa. Sempre que precisar, porém, o Flamengo terá uma ajuda não justificável no plano físico do Lucifer.

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGANTE (C. R. Flamengo)

Cláusula 2ª – Se manter sempre numa divisão igual ou acima dos três concorrentes da cidade sede.

Parágrafo primeiro – Prometer, sempre, mesmo que seja impossível, estar num nível incrivelmente superior a maioria

Parágrafo segundo – Exalar fé e confiança mesmo sem motivos para tal.

Parágrafo terceiro – Aumentar de forma constante o número de fiéis seguidores.

Parágrafo quarto –  Causar dúvida na presença divina sempre que possível contrariando a lógica com algum milagre que cause dor a seus fiéis.

Parágrafo quinto – Usar em seu uniforme sempre um pedaço de cor vermelha em respeito ao Lucifer

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGADA (Lucifer) 

Cláusula 3ª –  Lucifer fornecerá ao Clube de Regatas Flamengo, a força do mal suficiente para manipular zagueiros, árbitros e até mesmo tufos de grama tendo como objetivo o resultado acordado entre as partes.

Parágrafo primeiro – Não negará jamais uma queda rival de, pelo menos, 10 em 10 anos.

Parágrafo segundo – Havendo necessidade e interesse, Lucifer solicitará ao Clube de Regatas Flamengo um vexame de proporções nacionais para gerar sofrimento entre os seus.

DAS COMPETIÇÕES

Cláusula 4º –  O Clube de Regatas Flamengo fica responsável por se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Lucifer será responsável por evitar a queda quando o Clube de Regatas Flamengo não for auto-suficiente.

Parágrafo primeiro – Será de responsabilidade de Lucifer a conquista de um torneio mata-mata de alto nível por década. O Clube de Regatas Flamengo não precisa manter um elenco digno para tal.

Parágrafo segundo – Em torneios continentais, o Clube de Regatas Flamengo poderá solicitar uma vez por década ajuda a Lucifer para conquistar o título.

Cláusula 5º –  Não haverá ajuda entre as partes nas decisões contra clubes mexicanos

DA PRIVACIDADE E SEGURANÇA

Cláusula 6ª – Fica proibida a captação de dados particulares dos clientes do Clube de Regatas Flamengo pela parte de Lucifer e vice-versa.

Cláusula 7ª–  O contrato em questão jamais será divulgado.

DA RESCISÃO CONTRATUAL

Cláusula 8ª – A parte que desejar rescindir o presente instrumento, notificará de forma expressa sua intenção à outra parte, com antecedência mínima de 60 (sessenta) anos.

Parágrafo primeiro – No casso do disposto da Cláusula 9ª, não caberá indenização em nenhuma hipótese.

Cláusula 9ª – Estará rescindido automaticamente o presente contrato de parceria, em ocorrendo a violação de qualquer cláusula, por dolo ou culpa, constante neste instrumento pelo Clube de Regatas Flamengo.

DA VALIDADE E PRAZO DO CONTRATO

Cláusula 10ª – O presente instrumento de contrato de parceria, passa a vigorar na data de assinatura de ambas as partes.

Cláusula 11ª– O presente contrato de parceria vigorará pelo prazo de 12000 anos, a contar da data de assinatura.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Cláusula 12ª – Fica compactuado entre as partes a total inexistência de vínculo trabalhista entre as partes contratantes, excluindo as obrigações previdenciárias e os encargos sociais, não havendo entre CONTRATADA e CONTRATANTE qualquer tipo de relação de subordinação.

Por estarem assim justos e contratados, firmam o presente instrumento, em duas vias de igual teor.

Rio de Janeiro, 13 de março de 1895.

(Lucifer Gallardo)

(Clube de Regatas Flamengo)