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Crise política e menor frequência na elite. O futebol de SC após tragédia

Leia o post original por Perrone

Perto de o acidente aéreo que vitimou a Chapecoense e o principal dirigente do Estado, além de jornalistas e membros da tripulação, completar dois anos, o futebol catarinense enfrenta crise política e frequenta menos a Série A do Brasileiro.

A situação contrasta com a projeção dada ao Estado pela ascensão da equipe de Chapecó até o trágico 29 de novembro de 2016.

Disputa pelo poder na Federação Catarinense de Futebol (FCF) na Justiça, parte dos clubes reclamando da administração da entidade, perdas em contratos de TV e dificuldades em campo marcam o cenário atual.

A política na federação local começou a perder estabilidade com a morte de Delfim de Pádua Peixoto Filho, presidente da FCF e líder da oposição na CBF na ocasião. Ele estava na no voo da Chape.

Em seu lugar assumiu Rubens Renato Angelotti, que era vice-presidente da federação. Com uma série de medidas, ele ganhou a antipatia de uma ala dos dirigentes catarinenses.

Porém, a crise política foi deflagrada de vez quando Angelotti marcou para abril deste ano a eleição para a sua sucessão, apesar de a diretoria eleita só tomar posse em abril de 2019.

A oposição apontou uma série de supostas irregularidades e foi à Justiça conseguindo uma liminar que estava travando o pleito.  Recentemente, o processo foi extinto. A votação está marcada para a próxima quinta (23), e a oposição tenta agir na Justiça.

Angelotti nega falhas no processo eleitoral e rebate todas as críticas de seus opositores em entrevista publicada no final deste post.

“As condições para a eleição não mudaram. Os requisitos previstos no estatuto impedem o processo democrático”, disse ao blog Alexandre Beck Monguilhott. Sua candidatura implodiu por não conseguir o número de assinaturas exigido para lançar uma chapa. Em seguida foi à Justiça apontando supostas falhas nos procedimentos exigidos para os candidatos. Neste momento, o atual presidente é candidato único.

“O edital da eleição foi feito para não existir disputa. A situação recolheu as assinaturas e lançou o edital depois que não dava mais para outra chapa se inscrever (por falta do número mínimo de apoios)”, disse Alessandro Abreu, advogado de Monguilhott.

Na ação, a oposição alega que houve fraude eleitoral porque, entre outros motivos, o processo eleitoral só duraria cinco dias, impossibilitando que o opositor recolhesse assinaturas de apoio. E que a situação já sabia das regras com antecipação, por isso viabilizou a chapa única.

Episódio parecido aconteceu em recente eleição na CBF. O situacionista Rogério Caboclo colheu número de assinaturas que impediu o opositor Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, de se candidatar. Caboclo foi eleito um ano antes de sua posse.

Política e arbitragem

No processo, o opositor alega que na chapa situacionista o candidato a vice-presidente é chefe da arbitragem na federação (Marco Antônio Martins) e que isso pressiona os clubes eleitores.

“De acordo com informações extraoficiais, o atual diretor de arbitragem é candidato a uma vice-presidência pela chapa da situação o que causa intimidação, especialmente aos clubes de futebol que se sentem compelidos a apoiar a chapa sob o risco de afrontar o departamento de arbitragem”, diz trecho da ação escrito pelos advogados da oposição.

Delfinzinho

No pacote que fez Angelotti ganhar a antipatia de uma fatia dos cartolas catarinenses está a demissão de Delfim Pádua Peixoto Neto, filho do ex-presidente da FCF.

Delfinzinho, como é conhecido o ex-dirigente, era assessor do pai e tem a simpatia de vários dirigentes catarinenses. Sua demissão ocorreu pouco depois de Angelotti assumir o poder.

Como o atual presidente é alinhado com Marco Polo Del Nero, o afastamento foi visto por cartolas amigos de Delfinzinho como uma medida para agradar o ex-presidente da CBF, hoje banido do futebol pela Fifa. Angelotti nega que a decisão tenha tido caráter de retaliação.

Os críticos da demissão afirmam que como o atual presidente está completando o mandato de Delfim, deveria, por respeito, manter seu filho até o final da gestão. “Ele (Angelotti) falou que veio ordem de cima para me demitir”, declarou Delfinzinho.

TV

Críticos da gestão de Angelotti apontam o fracasso na negociação para venda dos direitos do Campeonato Catarinense em TV por assinatura e pelo pay-per-view como sinal de debilidade do futebol local.

Ao discutir a renovação de seu contrato para a transmissão da competição, o grupo Globo desistiu de comprar os direitos sobre essas duas propriedades.

Presidente de clube local que atribui a atuação de Angelotti na negociação como fator importante para o desacerto calcula que os clubes perderam cerca de R$ 4 milhões com a decisão do grupo Globo de não mostrar as partidas do catarinense pelo Sportv e pelo pay-per-view.

O mesmo cartola avalia que o atual presidente não tem a mesma capacidade de liderança que Delfim tinha. Isso teria atrapalhado na negociação. Ele pediu para seu nome não ser divulgado com medo de retaliação por parte da federação.

Porém, a opinião de que o fracasso nas tratativas deve ser atribuído principalmente a Angelotti não é unanime.

“A federação poderia ter sido mais produtiva, e a associação dos clubes (de Santa Catarina) também. Mas os clubes foram lentos demais para se posicionar, pecaram por não viabilizar. Agora isso não é um privilégio do futebol catarinense. Ouvimos das televisões que só o Paulista dá dinheiro entre os estaduais. Elas só se interessam pelos de São Paulo e do Rio, este, talvez, por questões políticas”, disse o presidente do Figueirense, Cláudio César Vernalha de Abreu de Oliveira.

Gastos

Outra conta feita por críticos da gestão de Angelotti diz respeito a um aumento nas despesas da federação. Os opositores reclamam dos salários pagos pela atual gestão.

O balanço da Federação Catarinense publicado no site da CBF mostra que em 2017 a despesa operacional da entidade foi de cerca de R$ 5,1 milhão contra aproximadamente R$ 3,59 milhões em 2016.

A entidade fechou 2017 com deficit de R$ 139,3 mil. Em 2016, havia sido registrado superávit de R$ 28,1 mil. Apesar do déficit no ano passado, a federação registrou aumento em sua receita líquida. Foram R$ 5,3 milhões diante de R$ 3,9 milhões no exercício anterior.

Os opositores também afirmam que a atual administração aumentou valores de taxas, afetando o caixa dos clubes. O balanço aponta que em 2017 a entidade arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão com taxas e emolumentos. Em 2016, essa arrecadação foi de aproximadamente R$ 1,3 milhão.

Angelotti, no entanto, nega que tenha aumentado as taxas.

A receita da federação no ano passado com participação em jogos também aumentou. Ela ficou em por volta de R$ 1,5 milhão contra R$ 991,3 no ano anterior.

Declínio?

Em campo, atualmente, os catarinenses não contam com uma sensação como era o time da Chape vitimado pelo acidente aéreo e que disputava o título da Copa Sul-Americana.

Na ocasião, além da Chapecoense, o Figueirense também representava o Estado na Série A, mas foi rebaixado naquele ano. Hoje só a Chape, 14ª colocada está na elite do Nacional entre os catarinenses. Em 2015, durante a gestão de Delfim na federação, a equipe de Chapecó teve a companhia de Avaí, Figueirense e Joinville na primeira divisão. Porém, Avaí e Joinville terminaram o ano rebaixados.

Em 2014, Figueirense, Chape e Criciúma, este rebaixado, jogaram na primeira divisão brasileira.

Hoje, Avaí, Figueirense e Criciúma estão na Série B. O Joinville acaba de ficar entre os rebaixados da Série C do Brasileiro.

“Não vejo os problemas do futebol catarinense como pontuais, são gerais do futebol brasileiro. Não tenho queixas da federação”, afirmou o presidente do Figueirense.

O que Angelotti diz

Abaixo, leia entrevista do blog com Rubens Renato Angelotti feita por meio de mensagem de celular.

Blog – A oposição fala em fraude eleitoral. Isso ocorreu?

Angelotti – Todos os procedimentos relativos ao processo eleitoral foram cumpridos conforme o estatuto.

Blog – A oposição diz que o diretor de arbitragem da federação, Marco Antônio Martins é o principal articulador de sua campanha e é candidato à vice. Alega também que isso intimida os clubes. Como analisa essa afirmação?

Angelotti – Ele faz parte de nosso grupo de trabalho que vem
conduzindo a FCF junto comigo. Nao existe impedimento legal para ele estar na chapa.
Blog – Parte da oposição culpa a federação pelo fracasso na negociação com o grupo Globo pela transmissão do Catarinense em TV fechada e pelo pay-per-view. Na sua opinião o que provocou essa situação?

Angelotti – Não há fracasso, o contrato foi renovado com base nos anos anteriores,com participação dos clubes na negociação. Quanto à TV fechada, foi política da Globo não renovar com alguns estados, motivada por redução de custos.

Blog – Na sua gestão houve aumento na folha salarial da federação? De quanto? Por quê? De quanto foi o aumento no número de funcionários?

Angelotti – A FCF teve suas contas aprovadas por unanimidade pelos clubes e ligas filiadas no mês de abril de 2018. Houve aumentos naturais em função de dissídio coletivo. E reorganização do quadro de funcionários.

Blog – O senhor já recebeu críticas de clubes ao desempenho de seu superintendente, Lédio D’Altoé e em relação ao salário dele? Se sim, o que respondeu?

Angelotti – Houve questionamentos sim e de pronto esclarecidos.

Blog – Em quanto aumentaram as taxas cobradas na sua gestão e por quê?

Angelotti – Não houve aumento de taxas e sim redução de custos para os clubes filiados:

A – redução de pessoal de trabalho nos jogos, consequentemente baixa no custo do borderô;

B – subsídio e até isenção das taxas de arbitragem nas séries B,C e Base;

C – fornecimento de bolas gratuitas em todas as competições;

D – Pacotes para inscrição de atletas reduzindo o custo dos clubes. Cabe salientar que no primeiro ano tivemos dificuldades em função de negociação de impostos não recolhidos.

Blog – O senhor disse que houve redução de taxas. Foi a partir de 2018? Pergunto porque o balanço de 2017 da federação registra aumento nas receitas com taxas e emolumentos e também nas receitas com a participação em jogos. Isso em relação a 2016.

Angelotti – 2017. Houve redução de custos para os clubes. E o aumento das receitas é porque houve maior controle na arrecadação com informatização de borderô eletrônico.

Blog – Procede que o senhor disse ao Delfinzinho que ele foi demitido por ordens superiores? Por que ele foi demitido? Recebeu pedido do Marco Polo Del Nero para isso?

Angelotti – Quando assumimos realizamos alguns ajustes no quadro de colaboradores, não houve nenhuma retaliação ao Delfinzinho. Inclusive sua esposa, filho e enteada continuam trabalhando na FCF.

Blog – Em sua opinião, houve queda técnica dos times catarinenses? Se sim, por quê?

Angelotti – A FCF é responsável pela organização das competições apoia os clubes para que melhorem seu desempenho técnico. Você é nosso convidado a fazer uma visita a FCF para conhecer nosso trabalho.

 

 

 

 

 

 

Viva, Chape! Novas caras no Palmeiras

Leia o post original por Antero Greco

A Arena Condá teve, no meio da tarde deste sábado, mais uma homenagem para as 71 pessoas que morreram na tragédia de novembro. Desta vez, a honra à memória dos que partiram veio por meio da bola a rolar, uma forma gentil e generosa de mostrar que ficam as lembranças e a vida segue. Viu-se a nova Chapecoense em ação, no empate por 2 a 2 com o Palmeiras.

Bom jogo. Mas acima de tudo fluidos positivos foram enviados para jogadores, dirigentes, funcionários, jornalistas que estavam no trágico avião que caiu perto de Medellin, em 29 de novembro. Momentos de emoção não faltaram, sobretudo com a presença de parentes das vítimas e com a participação de alguns sobreviventes.

A partida foi amena, e não poderia ser de outra maneira. Não havia clima para disputa intensa. Os jogadores, é verdade, levaram o compromisso a sério, sem abusar nas divididas e com o máximo respeito mútuo. O placar é clássico nesse tipo de apresentação.

Claro que se trata apenas de ligeira amostra do que ambos podem fazer em 2017. Qualquer conclusão tem ar precipitado e corre risco de descambar logo para erro. Mas, no calor da hora, se pôde constatar que a Chape terá força, em ano de transição, com um grupo digno. É necessário ter paciência e solidariedade com os que estarão em campo a partir de agora.

O campeão brasileiro não levou todos os titulares. Vários ficaram em São Paulo para aprimorar a forma, casos de Mina, Victor Hugo, Moisés, Zé Roberto, dentre outros. Eduardo Baptista colocou um monte de gente para atuar, para ver como respondem. Valeu pelo teste.

Na observação, o treinador viu desempenho interessante de Keno, Hyoran, Antônio Carlos, Felipe Melo, Raphael Veiga (fez o primeiro gol), do grupo de recém-chegados. Tchê Tchê, Dudu, Jean, Fernando Prass (vacilou num dos gols) confirmaram a condição de titulares, assim como Jailson manteve a forma e está pronto para qualquer eventualidade.

Fabiano, Thiago Santos, Egídio, Arouca, Alecsandro, Mailton estão no bloco das alternativas. E o destaque ficou para Vitinho, jovem atacante que desde o ano passado tem sido lapidado como eventual substituto de Gabriel Jesus. O rapaz não desapontou, confirmou expectativas, fez um belo gol, nos 2 a 2 definitivos e levou esperança ao torcedor de que outra “joia” verde está a despontar.

 

 

Desta vez faltou ousadia, Santinha!

Leia o post original por Antero Greco

O Santa Cruz ganhou notoriedade nas primeiras rodadas do Brasileiro pelo estilo abusado, sobretudo nas goleadas por 4 a 1 sobre Vitória e Cruzeiro. Coragem não faltou nos 2 a 2 com o Fluminense. Mas, na hora de deslanchar, mudou de estratégia e deixou escapar dois pontos, ao ficar no 1 a 1 com a Chapecoense, na noite deste sábado.

O Santinha abriu mão do atrevimento em Santa Catarina. Ao menos depois de ficar em vantagem, obtida com gol de Arthur aos 38 minutos do primeiro tempo. Claro que há o mérito na reação da Chape, como mandante e diante de público empolgado com a invencibilidade então ameaçada. Mas os pernambucanos tiveram chance de ganhar e desperdiçaram.

O erro foi recuar demais na etapa final. O meio-campo e o ataque, fundamentais em apresentações anteriores, desta vez ficaram apenas no regular. Keno foi a exceção, com boa apresentação. O goleador Grafite, 6 gols em três jogos, apareceu pouco, com menos chances para marcar. Além disso, Milton Mendes tratou de segurar o 1 a 0 e o castigo veio aos 39 minutos, com gol contra de Thiago Costa.

Ok, são 8 pontos e ainda a liderança na Série A. Posição que pode ser perdida neste domingo, a depender do que fizeram concorrentes como Inter, Grêmio, Palmeiras, para ficar em três exemplos de times do G-4. O importante para o Santa Cruz é a lição de que tem condições de continuar a brilhar, desde que não opte pelo medo como opção tática. E no meio da semana tem clássico com o Sport. Boa oportunidade para mostrar que continua valente.

 

Grêmio tem o vacilo do ano contra a Chape

Leia o post original por Antero Greco

O Inacreditável costuma aprontar no futebol. E se divertiu em Porto Alegre, na tarde deste domingo, com os 3 a 2 da Chapecoense, de virada, sobre o Grêmio. O tricolor gaúcho foi protagonista do maior vacilo da temporada – e, o que é pior, em casa. A equipe catarinense, por conseguinte, festeja a proeza mais espetacular da competição. E aumenta chance de escapar da degola.

O que se viu na Arena foi empolgante, para torcedores da Chape, para colorados e para quem gosta do futebol em geral e não torce para nenhum desses times. E angustiante para a torcida gremista. Não pode bobear dessa maneira uma equipe que, mesmo à distância de 9 pontos do líder (antes do início da rodada), dizia acreditar na possibilidade de título. Inaceitável.

O Grêmio fez o que se esperava dele no primeiro tempo: dois gols e postura altiva. Douglas abriu o placar aos 5 e Bobô aumentou aos 33. Estava aí a fórmula para outra vitória e o cumprimento da promessa de jogar até o fim com fé em revertério na ponta da tabela.

Mas o Grêmio dormiu em cima da vantagem parcial, caiu no conto do vigário de achar que a Chapecoense estava entregue, estragada e estagnada. Entrou pelo cano, sobretudo por erro de avaliação.

Primeiro veio o gol de Túlio de Melo aos 9 do segundo tempo. Bom, imaginaram os tricolores, é só uma tentativa de reação. Mais tarde, aos 33, o mesmo Túlio empatou. Daí, bateu preocupação e veio a correria para recuperar a vantagem. E, com a correria, a armadilha: o Grêmio deu espaço para o contragolpe e Apodi, aos 50 minutos, fez o terceiro.

Coisa de provocar enfarte para torcidas dos dois clubes. Mas, com uma vantagem para os catarinenses – o sorriso deste tamanho. E com uma desvantagem para os gremistas – cara fechada até o resto do ano.

Acontece. Mas não deveria.