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Demora para decisão de adiar Jogos Olímpicos arranha mais imagem do COI

Leia o post original por Perrone

Demorou demais, mas, felizmente, o governo japonês anunciou o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021.

A demora para o anúncio da óbvia decisão arranha ainda mais a já amassada imagem do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Como se sabe, o comitê organizador e o COI só decretaram o adiamento depois de muita pressão de comitês nacionais.

Um anúncio mais ágil teria sido ótimo para ajudar na conscientização da população mundial em relação à gravidade do avanço do novo coronavírus.

O cara que ainda não entendeu direito o tamanho do problema, em alguns casos até por culpa de governantes que tratam a pandemia como uma gripezinha, teria sofrido esse impacto antes. Pensaria ele: “putz, se adiaram até a Olimpíada, o negócio é pior do que eu imaginava. É melhor eu me cuidar”.

Isso sem falar na falta de respeito com atletas que deveriam estar focados em suas saúdes e perderam tempo na dúvida sobre se a competição iria ou não ocorrer. A preparação de um competidor para disputar uma Olimpíada é algo extremamente complexo e estressante. Imagine juntar a isso a tensão de uma pandemia e a incerteza em relação à participação no evento que é o sonho de sua vida.

Certamente, o COI e o comitê organizador, incluindo o governo do Japão, perderam grande chance de mostrar ao mundo o quanto a vida é mais importante do que dinheiro. Grana, sim, porque só ela explica a demora para anunciar a única solução possível.

Ocaso*

Leia o post original por Antero Greco

João Havelange foi cartola poderoso, primeiro no esporte brasileiro, depois no futebol mundial. Reinou na antiga CBD (predecessora da CBF) e, por mais de duas décadas, deu as cartas na Fifa, com tanta autoridade quanto à de primeiros-ministros, presidentes, imperadores, reis, xeques, ditadores que visitou naquele período.

Sempre com ar altivo e autoridade incontestável para seus pares (para entrevistá-lo, exigia que o repórter se apresentasse de terno e gravata), se gabava de ter transformado em potência uma entidade modesta que assumira em 1974. Orgulhava-se, em sua fase de poder total, de a Fifa ter mais associados do que a ONU. Sempre se viu como estadista.

Agora, com 96 anos, débil e para fugir de execração internacional, por envolvimento em escândalo financeiro, preferiu a humilhação de renunciar ao cargo de presidente de honra da Fifa. Assim, foge de processo e da expulsão. Antes havia perdido posto efetivo no Comitê Olímpico Internacional, pelos mesmos motivos.

Havelange colheu o que semeou – e por caminho idêntico trafegam seu apadrinhado e ex-genro, agora recluso nos EUA, além do velho parceiro Nicolás Leoz, que parecia eterno no comando da Confederação Sul-Americana de Futebol.

Fica a pergunta: serão mantidas as homenagens a Havelange, com os nomes nos estádios Engenhão e Parque dos Sabiás, em Uberlândia?

*(Trecho, ampliado, de minha crônica no Estado de hoje, 1/5/2013.)