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Análise: não há ‘bolha’ que elimine risco de casos iguais ao do Catarinense

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Depois que a Federação Catarinense adiou rodada das quartas de final de seu Estadual por conta de 14 testes positivos para covid-19 na Chapecoense fica a pergunta: outros estaduais pelo país podem passar por situação semelhante?

Conversas recentes e outras realizadas durante o crescimento da pandemia no país com infectologistas e outros profissionais da saúde dão a este blogueiro uma série de elementos para afirmar que sim, outras competições podem ter partidas suspensas por causa da contaminação de jogadores.

Uma série de elementos mostra que não há protocolo de prevenção totalmente seguro para a volta futebolística.

Uma das ameaças é a margem de erro dos testes feitos para identificar indivíduos comtaminados.

“Os testes não são perfeitos. Eles têm entre 30% e 40 % de chance de falso negativo. Depende da técnica de coleta e da qualidade dos kits.
Mas os melhores resultados são de 80% de sensibilidade, ou seja ainda teremos 20% de chance de alguém, jogador ou outro profissional, ter teste negativo e estar contaminado”, explicou ao blog o médico Luciano Cesar Pontes de Azevedo. Ele é intensivista e pesquisador do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

Para sabotar os protocolos elaborados pelas federações existe também o risco de um jogador contaminado treinar e infectar os companheiros antes de fazer teste com resultado positivo.

Contra essa possibilidade, Moisés Cohen, presidente da comissão médica da Federação Paulista, aposta numa rotina de questionários a serem feitos pelos clubes com seus profissionais para tentar descobrir com antecedência eventuais casos de contaminação.

Buscar o diagnóstico precoce faz parte da riqueza de detalhes necessária para que se evite casos como o da Chape.

Até a “bolha” projetada pela Federação Paulista, com concentração integral até o fim da competição, tem suas janelas. E se um funcionário de um hotel em que determinado time se concentra for contaminado em casa ou em outro ambiente não controlado pelo clube?

“Tudo pode pode acontecer. Mas todos que tiverem contato com os jogadores vão ser testados. Você vai diminuindo as chances. Você ter um funcionário testado, bem orientado para se preve.nir voltando pra casa é bem melhor do que todos os jogadores indo e voltando. Ter 100% de segurança, infelizmente é impossível. Mas, estando testado, negativado e concentrado, a chance de contaminação é muito menor do que se o cara for para casa e voltar todo dia. Então, estamos numa situação diferente em relação ao Catarinense”, disse Cohen.

O Estadual de Santa Catarina voltou sem concentração integral obrigatória, mas agora a viabilidade da medida é estudada.

A corrida de obstáculos enfrentada por dirigentes e médicos de clubes por una retomada mais segura inclui até o fato de a volta acontecer no inverno. Nessa estação costuma haver aumento dos casos de doenças respiratórias.

Em junho, durante entrevista ao blog, o médico e cientista brasileiro renomado internacionalmente Miguel Nicolelis classificou como absurda a volta dos times aos treinos e alertou para a questão das temperaturas mais baixas no Sul do país no inverno.

Análises e explicações dadas por especialistas da área da saúde tornam sem surpresa o fato que aconteceu em Santa Catarina e alertam para a possibilidade de o caso se repetir em outros estados.

Não é coincidência o fato de Luiz Henrique Mandetta, pouco depois de deixar  o Ministério da Saúde, ter indagado em entrevista ao canal “Globonews” o que os dirigentes fariam se um jogador infectado contaminasse os demais. Ele perguntou ainda se o campeonato seria suspenso de novo. O enigma parece ter começado a ser desvendado em Santa Catarina.

Concentração integral na mira: federação de SC discute protocolo sanitário

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A federação de futebol de Santa Catarina tem videoconferência com representantes da secretaria estadual da Saúde agendada para esta terça (14) para rever o protocolo de prevenção ao novo coronavírus no Campeonato Catarinense.

Eventuais mudanças entraram em pauta desde que a federação adiou rodada das quartas de final do Estadual depois de ser suspenso o jogo entre Chapecoense e Avaí, previsto para o último domingo. A medida foi tomada porque 14 profissionais, entre jogadores e membros da comissão técnica, da Chape testaram positivo para covid-19.

Uma das alterações analisadas é a concentração integral obrigatória até o fim da disputa, como ocorrerá na retomada do Campeonato Paulista.

Seria o ideal (fazer a concentração integral), vamos tentar alinhar”, disse 
Rubens Angelotti, presidente da Federação Catarinense.

O protocolo atual prevê testes antes das partidas, na concentração, isolamento dos contaminados e monitoramento dos demais.

Corinthians pede para prefeitura autorizar reunião presencial do conselho

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Antonio Goulart dos Reis, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, enviou na última segunda (22) pedido para o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, autorizar reunião presencial do órgão. Isso, apesar das medidas de distanciamento social impostas como combate à transmissão do novo coronavírus.

“Ainda não (recebemos resposta). Estamos tratando com o comitê de combate à covid”, disse Goulart ao blog no final da manhã desta quinta (25).

No pedido, o presidente do conselho diz que a reunião aconteceria no ginásio Wlamir Marques, local com capacidade para 10 mil pessoas sentadas, segundo o dirigente. Ele afirma que o órgão é composto por 320 pessoas e que seria possível oferecer assentos previamente marcados com distância mínima de quatro metros entre eles.

O ofício também aponta que a reunião será para a apreciação das contas referentes ao exercício de 2019 e que deve ser presencial para atender ao estatuto alvinegro. Goulart diz que a quarentena impediu o encontro de acontecer antes e que o prazo legal está perto de se encerrar, o que traria problemas ao Corinthians.

O dirigente assegura que todas as medidas sanitárias exigidas pela prefeitura serão respeitadas. Vale lembrar que, em grande parte, o conselho é formado por idosos, que pertencem ao grupo de risco da covid-19. A data será marcada após eventual autorização da prefeitura. Uma cópia do ofício foi endereçada ao governador João Doria

 

 

‘Volta do futebol no Brasil agora é absurdo completo’ diz Nicolelis

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Em entrevista ao blog, o médico e cientista Miguel Nicolelis, renomado internacionalmente, classificou como absurdo o início de retomada do futebol brasileiro. O campeonato carioca tem partida marcada para esta quinta, 18. Um dos coordenadores do comitê científico do Nordeste para o combate à covid-19, ele também fala dos riscos de contaminação ao se realizar um jogo ao lado de um hospital de campanha, como deve acontecer no Maracanã.

Como o senhor analisa os fatos de Grêmio e Internacional já estarem treinando em Porto Alegre, o Campeonato Carioca ter volta marcada para esta quinta e os times de São Paulo estarem  querendo voltar a treinar na próxima segunda (após a entrevista o Governo do Estado anunciou que os treinamentos serão retomados em 1º de julho) num momento em que a pandemia ainda é crítica no país?

Basicamente, o diagnóstico geral da pergunta é que é um completo absurdo absurdo trazer de volta o futebol nessas circunstâncias. Independentemente do fato de o tempo das epidemias em São Paulo, Rio e Porto Alegre serem diferentes, não (é hora de voltar), é um completo absurdo. Vai colocar em risco não só os atletas, mas também as famílias dos respectivos jogadores e membros das comissões técnicas. E vai colocar em risco pessoas com quem essas famílias eventualmente vão entrar em contato. Os jogadores também, porque eu imagino que a imprensa vai cobrir os jogos, os jogadores vão dar entrevistas, vão estar cercados e, essas pessoas, jornalistas, comentaristas, gandulas, juízes, enfim… Parece um número pequeno, porque eu imagino que eles não vão abrir os estádios, porque só faltaria abrir os estádios, porque aí, então, poderia decretar a loucura total, a insanidade completa, mas… Veja, São Paulo está batendo recordes ainda. Tanto de casos como de óbitos, apesar de que alguém anunciou que tinha tido uma redução em duas semanas de três casos, isso não existe, não é estatisticamente significativo, não tem redução nenhuma. As pessoas estão tentando dourar a pílula de todas as maneiras possíveis, mas quem trabalha com estatística, como eu e minha equipe, há 40 anos, não consegue entender esses raciocínios. É como se você estivesse fazendo engenharia reversa. Você quer abrir de qualquer jeito, então, você busca justificativa nos parâmetros, na forma de administrar os parâmetros, na forma de olhar as curvas, faz malabarismos matemáticos, entendeu? E futebol é a menor das nossas prioridades nesse momento. E futebol eu equacionaria, por exemplo, com alguns lugares em que estão abrindo igrejas e cultos religiosos. E falando assim “nós só vamos colocar 30% das pessoas que cabem na igreja. E aí eu pergunto, isso aqui é o Brasil, não é a Suíça: “quem vai investigar isso?” Ninguém, né? Nós sabemos. Então, o futebol, Porto Alegre, eu olhei especialmente para falar com você, a curva que era até poucas semanas uma curva bem baixa, realmente, ela começou a subir. A região Sul, tem um “delay” de tempo em relação as regiões Nordeste e Sudeste mais ou menos de um mês. Só que lá está 10 graus. Os casos de síndrome respiratória aguda grave estão subindo. Os caos de covid estão subindo agora, Curitba começou a subir. No Sul inteiro começou a subir. Então, me perdoe a ênfase, mas eu não vejo sentido. Veja quanto tempo levou a Alemanha para voltar com o futebol. A Espanha está voltando agora com “La Liga”, talvez no limite da racionabilidade, e a Itália também está voltando.

Isso que assusta. Os outros quando voltaram, já tinham reduzido bem o número de casos. A gente não conseguiu controlar a situação e quer voltar com o futebol.

Exato. Veja o Rio de Janeiro, eu vi o Antero (Greco, jornalista) falar uma coisa sensacional, o Maracanã vai ter jogo do lado de hospital de campanha, será que os caras não sabem que no entorno de hospitais você tem aerossol de vírus circulando? Foi onde um monte de gente na China pegou. Nos Estados Unidos, em Nova York, também. Em volta das entradas das salas de emergência tem aerossol de vírus no ar, tá? E você vai fazer um jogo de futebol do lado? Vai ter gente comemorando gol do lado de onde tem gente morrendo? Que país é esse? Quando essa notícia sair lá fora, o nome do Brasil que já está na lama vai ficar pior ainda. É incompatível com a condição humana fazer um entretenimento ao lado de onde tem gente morrendo. Dizer que estou pasmo é pouco, não encontro adjetivo para classificar. Nem os romanos fizeram isso. Colocar o coliseu do lado de um hospital de campanha onde as pessoas estão morrendo.  Imagina uma foto tirada do alto, dos caras jogando bola, e do lado esquerdo tem um rabecão saindo com corpos do hospital de campanha do Rio de Janeiro. Quem quer que seja que decidiu isso, não poderia estar na posição para decidir isso.

Então, podemos dizer que o caso de maior risco talvez seja o do Maracanã?

Não pode ter jogo no Maracanã, imagine. Aliás, não pode ter jogo em lugar nenhum do Rio de Janeiro. Veja o que está acontecendo na cidade. A cidade do Rio de Janeiro nunca fez isolamento de verdade.

Quem voltar a jogar agora estará desprotegido, então.

Veja, não são só as pessoas que vão entrar no jogo, é quem essas pessoas vão ter contato no trajeto para o jogo, de volta para casa. Será que os jogadores de futebol vão realmente saber fazer o manejo das roupas? Vão fazer todo o processo que precisam fazer nas suas casas? Esses jogadores de futebol não vão colocar em risco só suas famílias, vão colocar em risco todo mundo que trabalha com eles, preparador físico… Se tiverem pessoas trabalhando na casa deles. Você sabe como é um vestiário de time de futebol. Não são só jogadores que ficam lá, tem segurança, tem médico, preparador físico, roupeiro, massagista. E essas pessoas, vão circular pela cidade de São Paulo depois de eventualmente entrarem em contato com alguém que pode ser assintomático? Não tem o menor sentido.

O protocolo da Federação Paulista é assim: o jogador vai trocado para o treino para não usar o vestiário, não almoça no clube  e volta para casa. Aí vai ter esse risco que o senhor falou, de conviver com as pessoas em casa. Quando voltarem os jogos, os jogadores vão do estádio para a concentração. Na sua opinião, esse protocolo não ameniza o problema?

Não ameniza nada, porque você acredita que no Brasil alguém segue protocolo 100%? Se fosse na Suíça, na Alemanha, na Coreia do Sul, no Japão, você poderia até pensar. Ninguém vai respeitar isso, ninguém respeita nada aqui. Nós temos quase 50 mil vítimas fatais (de covid-19). É o maior desastre da história do Brasil. Nós não tivemos genocídios, guerras, nada que se compare com o que está acontecendo neste momento. E as pessoas estão preocupadas com futebol, com o circo? Não faz o menor sentido. E quem disse que o jogador vai direto pra casa? E se ele for para outro lugar, e se ele for comer um bauru na padaria? Ou se ele resolve pôr gasolina no carro dele? Ele vai estar com máscara o tempo inteiro? E o contato físico entre os jogadores, como fica? O escanteio, vai, cobra o escanteio na área, vai ficar aquele negócio, todo mundo no cangote de todo mundo, você acha que se tiver alguém assintomático transmitindo o vírus ali não vai pegar?

Questionei Moisés Cohen, responsável pela comissão médica da Federação Paulista de Futebol, sobre isso, e ele disse que a chance de transmissão do vírus será pequena porque todos estarão testados. 

Já pegaram o resultados dos testes de todo mundo?

A maioria ainda não foi testada.

Com que frequência vão testar? Qual teste eles vão usar? Porque se for o teste rápido, vão ter que ser vários testes pra ter certeza que o cara não está contaminado por causa do falso negativo que dá. Você vai ter que testar o cara depois de todo jogo. Então, eu chamo isso de engenharia reversa. Tem um produto que você já quer. Você quer abrir pra jogar bola. Aí você começa a usar uma série de combinação de desculpas e meias-verdades e ideias chucras, Pra quê correr riscos extras quando o manejo da coisa no Brasil é conhecido no mundo inteiro como um dos piores manejos do mundo? Você sabe, eu sou um fissurado por futebol. Sigo o Palmeiras debaixo d’água. E eu não estou aqui, de maneira nenhuma, aflito pra ver um jogo de futebol do Campeonato Paulista, se isso vai significar colocar em risco um monte de gente, inclusive os jogadores. Fico admirado de o sindicado dos jogadores não abrir a boca.

Muito jogador quer voltar porque teve corte de salário.

Eu sei que jogador de time pequeno sofre muito mais. Mas os times grandes, o cara tem um corte de salário, não sou a favor do corte de salário de ninguém. Mas, pô, é uma emergência histórica. São 100 anos em que a gente não tinha algo tão desesperador.

É uma guerra, e na guerra todos perdem.

Todo mundo perde se a gente não estiver com o exército unido. E outra coisa, nós não estamos nem falando da potencial sobrecarga que esses jogos podem levar para os profissionais de saúde que já estão no limite. Tenho colegas de turma, médicos, que foram entubados, gente que quase morreu. Tem um colega que faleceu, a gente não sabe se é covid ou não. Esses caras, médicos, enfermeiros, atendentes de enfermagem, eles não precisam de mais pacientes. Eles estão no limite do limite do que eles podem fazer. Então, por que correr o risco? Em vez de a gente fazer o oposto, que é aumentar o isolamento e ir de casa em casa, diagnosticando, auxiliando as pessoas a fazer o que precisa ser feito, oferecer auxilio financeiro, auxílio pra se isolar em escola pública em prédios públicos, se não puder se isolar em casa, ir nas periferias ajudar as pessoas a sobreviverem, nós vamos ter futebol? A gente começa a questionar a sanidade da sociedade brasileira, entendeu?

O maior risco que o senhor vê é essa escapadinha que o jogador pode dar depois do treino?

São vários, esse é só um deles. Se alguma pessoa do grupo for assintomática ou estiver no começo da doença, e contaminar um monte de gente, e aí, o que você faz?

Nesse momento, o número de novos casos não está diminuindo, o inverno está chegando e várias cidades reabriram pelo menos parcialmente o comércio. Nesse cenário, a volta de treinos e jogos é mais um ingrediente para aquilo que o senhor chama de tempestade perfeita?

Sem dúvida, porque os casos de dengue e chikungunya estão aumentando no Brasil todo. Vamos falar, o cara sai do jogo (ou do treino) e vai na loja do shopping, comprar alguma coisa. Ele anda no meio dos vendedores, pega a bolsa, vai pagar, vai na praça de alimentação, anda no shopping sem ventilação, você está entendendo. O futebol está querendo voltar por problemas financeiros próprios, eu entendo, mas o futebol está abrindo outro flanco desnecessário num momento crítico da pandemia no Brasil. A gente não precisa de mais incêndio. A gente precisa de bombeiros.

Qual o cenário ideal para o futebol voltar?

Futebol, teatro, igreja, eles têm que voltar quando a curva tiver caído, como aconteceu na Alemanha. Quando o fator de replicação da doença, chamado “fator R” estiver muito abaixo de 1. Ele não está muito abaixo de 1, nem em São Paulo e nem no Rio. Pelo contrário. No Rio está quase 2. Isso significa que a coisa está replicando ainda.

Qual o efeito psicológico que a volta do futebol pode ter na população, no cara que deve se cuidar mais, ficar em casa, e vê pela televisão o Flamengo jogar, por exemplo?

Primeiro, um efeito de achar que a coisa não é séria, que todo mundo está exagerando nessa pandemia, porque, se pode jogar futebol, a coisa não é tão séria. Isso é o primeiro efeito, de relaxar ainda mais. A pessoa vai falar: “vou chamar minha família para assistir ao jogo, afinal, é só a minha família, está todo mundo bem”. É isso, você começa a relaxar.

 

Procon recebe 25 queixas contra Corinthians por não reembolso a torcedores

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A decisão do Corinthians de não reembolsar torcedores que compraram ingressos para um jogo adiado e outro realizado com portões fechados por conta da pandemia de covid-19 gerou uma série de reclamações contra o clube no Procon.

O órgão foi procurado por consumidores que não se conformaram com o fato de o alvinegro se recusar a devolver o dinheiro gasto por eles, cedendo crédito para que adquiram bilhetes para outros jogos da equipe.

O blog questionou o Procon sobre quantas reclamações recebeu contra o Corinthians por causa desse episódio.

Foram 25 queixas relativas a dois jogos, conforme informou a assessoria de imprensa do órgão.

São 10 registros relacionados ao duelo com o Ituano, sem presença de público, e 15 referentes ao clássico com o Palmeiras, adiado. As duas partidas seriam em março, na Arena Corinthians, pelo Campeonato Paulista.

O departamento de comunicação do órgão de proteção ao consumidor informou ainda a existência de duas queixas ligadas ao pagamento do Fiel Torcedor (programa de sócio-torcedor) e outras quatro nas quais não foi possível identificar os problemas.

Todos esses casos estão sendo analisados pelo Procon. Os técnicos apuram se houve irregularidade no procedimento da agremiação.

Procurada, a assessoria de imprensa do clube enviou a seguinte no ao blog:

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que está oferecendo crédito aos seus torcedores, que poderá ser usado até 31 de dezembro de 2021, conforme previsto na MP 948, de 8 de abril de 2020”.

A Medida Provisória citada na nota diz que “na hipótese de cancelamento de serviços, de reservas e de eventos, incluídos shows e espetáculos, o prestador de serviços ou a sociedade empresária não serão obrigados a reembolsar os valores pagos pelo consumidor, desde que assegurem a remarcação dos serviços, das reservas e dos eventos cancelados, a disponibilização de crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços, reservas e eventos, disponíveis nas respectivas empresas, ou outro acordo a ser formalizado com o consumidor”.

A Medida Provisória não cita expressamente partidas de futebol. O texto aponta que a MP dispõe “sobre o cancelamento de serviços, de reservas e de eventos dos setores de turismo e cultura afetados pelo estado de calamidade pública no país por causa da pandemia. Também não há menção a clubes de futebol entre os prestadores de serviços que devem seguir essas regras. No entanto, a direção alvinegra entende que ao citar “eventos” a MP contempla jogos de futebol.

 

Testes e volta conjunta: como clubes de São Paulo articulam retomada

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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL em São Paulo

Os clubes de São Paulo começaram na noite desta terça (16) a se organizar em conjunto para que todos tenham condições de voltar aos treinos na próxima segunda (22).

Pelo menos parte dos dirigentes foi avisada pelo Delegado Olim, deputado estadual e presidente do TJD, de que o Governo do Estado aprovou o protocolo sanitário da FPF e autorizou a volta aos treinos. O retorno porém, depende de testagem de jogadores e demais funcionários, entre outras providências.

Até a conclusão deste post, no entanto, a FPF ainda não havia confirmado oficialmente a retomada.

Assim que foram avisados por Olim, representantes dos clubes trocaram telefonemas para combinar o retorno em conjunto. Cartolas de São Paulo, Palmeiras e Corinthians estão entre os que conversaram sobre o tema.

A ideia é que todos realizem os testes até sábado para que possam marcar o retorno dos atletas para segunda, desde que a autorização seja confirmada.

A ação coordenada visa fazer com que todos tenham o mesmo tempo de preparação antes de o Paulista ser retomado. A ideia já tinha sido discutida pelos dirigentes.

A expectativa dos clubes é de que o Governo do Estado e, em seguida, a FPF formalizem a retomada já nesta quarta (17) para que as medidas sejam agilizadas.

A avaliação inicial é de que são necessários pelo menos 20 dias de treinamento para que os jogadores entrem em forma, já que estão parados desde março, quando o Estadual foi suspenso por conta da pandemia de covid-19.

Pelo protocolo elaborado pela comissão médica da FPF, os treinos devem ser retomados em pequenos grupos. A orientação é para que nos primeiros trabalhos o gramado seja dividido de forma que cada atleta possa treinar sozinho, diminuindo as chances de contaminação pelo novo coronavírus.

Os grupos vão aumentando até que haja autorização para os treinos com bola.

Na fase de treinamentos, os jogadores poderão voltar para casa após o trabalho. Quando as partidas voltarem, com portões fechados, todos ficarão concentrados até o final da competição.

Nos treinos, vestiários e refeitórios dos centros de treinamentos não funcionarão.

 

Corinthians parcela salários de abril de jogadores em duas vezes

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Com Diego Salgado, do UOL em São Paulo

Por conta das perdas de receita durante a pandemia de covid-19, o Corinthians pagará o salário de abril de seus jogadores em duas parcelas de 50%. A previsão é de que a segunda metade seja quitada no final do ano.

A forma de pagamento da remuneração de maio ainda está sendo discutida.

Estão atrasados os salários referentes a março, abril e maio. A diretoria pretende pagar ainda esta semana as quantias referentes a março e à parcela inicial de abril.

O pagamento equivalente ao terceiro mês do ano será de 75% do total previsto nos contratos, isso porque houve acordo com os atletas para redução de 25% por causa da queda de receitas desde que as competições foram suspensas, no início da pandemia.

Pela Lei Pelé, jogadores com três meses de salários registrados em carteira de trabalho podem pedir desligamento do clube sem pagamento de multa. No entanto, internamente, os cartolas dizem estarem seguros de que isso não vai acontecer.

De acordo com fonte na diretoria, os pagamentos de março e da primeira parcela de abril serão feitos com recursos próprios da agremiação e que não envolvem a receita gerada pela venda de Pedrinho.

Para ganhar respiro financeiro, o alvinegro negociou com uma instituição financeira estrangeira a antecipação da quantia que seria paga parceladamente pelo Benfica. Porém,  o dinheiro ainda não entrou na conta do clube.

O Corinthians tem direito a 14 milhões de euros (R$78,9 milhões) pela negociação que envolve do Pedrinho.

‘Militarização’ do Ministério da Saúde preocupa técnicos da pasta

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A nomeação de militares para postos no Ministério da Saúde causa desconforto e preocupação em pelo menos parte dos técnicos da pasta, conforme apurou o blog.

Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, foram pelo menos 21 cargos entregues a militares na Saúde, comandada interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

A principal crítica de integrantes da área técnica é de que muitos dos escolhidos nāo têm experiência ou especialização no setor da saúde.

O retrato pintado pelos críticos é de que agora há muita gente que não entende como funciona o ministério. Isso prejudicaria decisões técnicas podendo afetar a saúde da população.

Um caso emblemático é a polêmica causada na semana passada por nota técnica referente a saúde da mulher. O documento alertava para a necessidade de serviços de planejamento familiar, como entrega de contraceptivos,  e locais para realização de aborto legal funcionarem durante a pandemia.

O presidente Jair Bolsonaro disse ter entendido a nota como incentivo ao aborto. Dois servidores que assinaram o material foram exonerados.

A leitura da ala técnica é de que não houve a interpretação correta da nota, numa demostração de que falta conhecimento em saúde a determinados ocupantes de cargos de comando.

Estudos internacionais que mostram o aumento da  violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19 basearam a decisão de técnicos em emitir a nota. Eles viram o risco de aumento de estupros na quarentena e verificaram o fechamento temporário de locais que fazem o aborto legal e também de postos que fornecem contraceptivos.

Outra queixa é que o trâmite de medidas técnicas importantes para a saúde da população estaria mais lento nas mãos dos militares.

Antes mesmo de o ministério mudar a divulgação dos números referentes à pandemia no Brasil, também havia profissionais descontentes com o modo com que a pasta passou a se comunicar na gestão interina de Pazuello.

O discurso  é de que as informações eram mais claras e diretas nos tempos de Luiz Henrique Mandetta no comando da pasta. O ex-ministro é descrito como alguém que aproveitava as entrevistas coletivas para divulgar medidas de prevenção contra o novo coronavírus, o que não estaria mais acontecendo.

Sob a batuta do general, o ministério tem focado sua comunicação nos investimentos feitos pela pasta no combate à pandemia e na quantidade de pacientes recuperados.

Na manhã desta segunda (8), por exemplo, o maior destaque no site do Ministério era para matéria que aponta investimento federal de R$ 1,1 bilhão para custear leitos de UTI para pacientes com covid-19.

O trabalho de Pazuello tem sido bem avaliado por Jair Bolsonaro, que elogia sua habilidade como gestor e chegou a dizer que o Brasil conseguiu realizar  a Olimpíada do Rio graças a ele. O presidente também afirmou em conversa com profissionais de limpeza urbana, em maio,  que o general terá uma boa equipe de médicos para lhe dar suporte.

Aumento de risco de estupro durante pandemia motivou nota que gerou crise

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Estudos sobre aumento de violência doméstica contra a mulher, incluindo estupro, durante a pandemia de Covid-19, o fechamento de locais que realizam aborto legal e de postos que oferecem insumos para o planejamento familiar, também por conta da transmissão do novo coronavírus. Esses foram os principais fatores, conforme apurou o blog, que levaram técnicos do Ministério da Saúde a produzirem nota técnica que gerou polêmica e exonerações na pasta, após cobranças de Jair Bolsonaro.

Um combo perigoso para mulheres evidenciado em pesquisas sobre os efeitos do distanciamento social chamou a atenção dos técnicos para a necessidade de o alerta ser feito. Por conta da quarentena, muitas vezes a convivência entre os casais é forçada. Há o risco de aumento do consumo excessivo de álcool, que pode contribuir para que o parceiro tente forçar a relação sexual, cometendo estupro. Pesquisas que mostram ser essa uma realidade internacional durante a pandemia, aumentam a necessidade de oferta de serviços de saúde específicos para as mulheres, como constataram os técnicos.

Ao mesmo tempo, a equipe do Ministério da Saúde especializada no tema verificou o fechamento de hospitais que oferecem o aborto legal. Seja sob o argumento de evitar movimento com o objetivo de combater o risco de transmissão do vírus ou de transferir recursos para o combate da pandemia. De acordo com a análise técnica, esse fechamento também atingiu postos que oferecem contraceptivos para permitir o planejamento familiar. Outro aspecto levando em conta é a incerteza sobre os efeitos do novo coronavírus na saúde de gestantes e bebês, o que inspira maiores cuidados em relação a quando programar a gravidez.

Ou seja, justamente no momento em que as mulheres mais podem precisar desses suportes, o acesso a eles foi dificultado. É a tempestade perfeita para que algumas delas se sintam forçadas a procurar abrigo em métodos clandestinos, altamente perigosos. Então, os especialistas da pasta decidiram produzir a nota, que apenas reforça a necessidade de práticas já existentes e legais. O documento não traz algo novo novo e que não seja autorizado pela legislação.

A nota deixa clara a preocupação com o risco de vulnerabilidade das mulheres em meio ao combate ao novo coranavírus. “Ademais, o aumento de casos de violência contra a mulher durante a pandemia é uma preocupação mundial por afetar a dignidade, a segurança, a autonomia e a saúde das mulheres de todas as classes. Estudos evidenciam um aumento de casos em muitos países. Como consequência pode-se esperar o aumento de gravidezes indesejadas resultantes de relação sexual forçada. O acesso em tempo oportuno à contracepção de emergência deve ser pensado de modo a responder a esta necessidade das mulheres”, afirma trecho do documento.

Apesar do didatismo da nota, prevaleceu a versão distorcida de Bolsonaro. Foram exonerados pelo ministro interino da Saúde, coronel Eduardo Pazuello, Flávia Andrade Nunes Fialho, coordenadora de Saúde das Mulheres, e Danilo Campos da Luz e Silva, coordenador de Saúde do Homem. A nota, bem avaliada pela área técnica da pasta, foi cancelada.

 

Reitora da Unifesp diz haver conversa para Brasil produzir eventual vacina

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Entrevista com Soraya Smaili, reitora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que vai coordenar em São Paulo testes com a vacina contra a Covid-19 que a Universidade de Oxford tenta desenvolver.

Como a Unifesp foi escolhida para liderar a pesquisa em busca de uma vacina contra a Covid-19 no Brasil?

O que acontece é que nós (Unifesp) temos um centro de referência em imunização, que é liderado pela professora e pesquisadora Lily (Yin Weckx). E esse centro de referência, o Crie (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais), já trabalha há diversos anos com epidemias. E, também, o Crie trabalha com todos os sistemas de imunização, das crianças, dos adultos, dos pacientes do hospital, dos trabalhadores de saúde, tem projetos de pesquisa, tem ensaios clínicos. Então, ela (Lily), tem conhecimento internacional também. Tem um contato com uma das pesquisadoras importantes desse estudo que é a (brasileira) Sue Ann Clemens. Então, em contato com a Sue Ann, a professora Lily, digamos, se candidatou como pesquisadora e também como instituição para participar desse estudo. E, depois de um tempo, ela foi comunicada que a nossa universidade foi escolhida para liderar o estudo no Brasil.

Em qual estágio está a pesquisa hoje?

Obviamente, a pesquisa começou na Universidade de Oxford. Ela entrou em vários estágios, está hoje em um estágio bastante avançado, que é de fase três, está entrando na fase três, que já é uma fase mais avançada do estudo clínico. Porque tem várias etapas, antes do estudo clínico, no laboratório, in vitro, depois em animais, e agora já chegou numa fase que tem segurança para aplicar em humanos. A fase três significa que pode ser aplicada em humanos com segurança e em populações específicas. Depois, esses grupos vão ser ampliados, aumentando o número das amostras, até termos um número razoável de pessoas, de resultados e daí o resultado final, que vai ser a eficácia da vacina, se ela protege ou não protege e quanto por cento ela protege. Então, isso acaba tendo que ter um prosseguimento agora de alguns meses.

Como vão ser os testes no Brasil?

Esse grupo que vai receber a vacina vai ser comparado com o grupo que não recebe a vacina, mas recebe um placebo, algo inócuo, só pra comparar os efeitos da aplicação. O grupo que recebe, no caso, a vacina, tem que ser semelhante em termos de perfil populacional ao grupo controle (que recebe o placebo). Então a mesma faixa etária, as mesmas condições de exposição, tem lá vários critérios que têm que ser atendidos.

Então, o voluntário, pode ficar no grupo que tomará placebo. Ele não vai saber que está tomando placebo.

Claro, não vai saber. Só que, aí é que está, as condições de exposição dos grupos vão ser semelhantes. Não é que eles serão expostos de maneira diferente. Não,  eles vão estar nas mesmas condições. Vão ser escolhidos para esse primeiro  grupo profissionais de saúde ou indivíduos que estão trabalhando no setor de atendimento com um grau de exposição que pode levar à infecção. Ninguém vai ser submetido a uma situação de insegurança e de infecção proposital.

Nada será forçado. O voluntário continua na rotina dele.

Exatamente. Então, você tem aí um grupo grande de pessoas que está mexendo com o coronavírus, com pacientes que estão doentes. E os profissionais de saúde estão adoecendo muito, estão morrendo, inclusive. Nós tivemos já um número grande de óbitos de enfermeiros, de profissionais de enfermagem, e também muita infecção entre os médicos. Então, claro que a gente toma todas as providências, o nosso hospital, o Hospital São Paulo, tem um baixo grau de infecção.

Quantos voluntários serão selecionados?

A doutora Lily e sua equipe vão selecionar mil voluntários, na faixa etária de 18 a 55 anos, dentre profissionais de saúde ou outros adultos que estejam com o risco aumentado de infecção. Por exemplo, os profissionais da limpeza, da lavanderia, das áreas de nutrição, eles estão dentro do hospital, eles podem pegar algum tipo de infecção. Então serão mil participantes, depois mais mil, logo em seguida, na cidade do Rio de Janeiro.

No Rio vocês vão coordenar também e outra universidade vai participar?

A doutora Lily coordena, do laboratório do Crie, Unifesp, mas vai ter um parceiro no Rio de Janeiro que está em fase final de decisão, por isso não posso te dizer exatamente se já fecharam isso porque quem coordena quem vai ser o parceiro no Rio de Janeiro é a Universidade de Oxford. E mais devem vir. Na verdade, eles estão querendo mais do que dois mil (voluntários).

Eles já manifestaram o interesse em ampliar o número de voluntários testados?

Já, porém, tem que pensar o seguinte, eles estão produzindo a vacina, então, não é assim: chegam cinco mil doses de vacina de uma vez. Eles também têm que se programar pra isso. Então, pode ser que a gente tem mil, logo em seguida mais mil e depois mais dois, três mil, nos próximos dois, três meses, por exemplo.

Os voluntários do Rio só vão ser selecionados depois que forem selecionados os de São Paulo?

Eles vão ser selecionados mais ou menos ao mesmo tempo. A gente só não pode dizer quando porque não depende só da gente. Não vai demorar muito. A seleção vai ser praticamente simultânea, até porque esse estudo leva alguns meses.

Qual o primeiro passo depois da seleção?

Depois da seleção, começam os exames porque esses voluntários têm que ser soronegativos. Eles não podem ter tido a doença, não podem ter o anticorpo para a doença. E, depois, eles recebem a vacina, o Crie vai acompanhando a evolução ao longo de alguns meses. E, se chegar daqui a seis meses, no grupo controle, (que tomou o placebo), de cada cinco indivíduos cinco estão infectados, e do grupo que recebe a vacina  de cada cinco um ou nenhum está infectado… esse tipo de resultado que tem que ser compilado com base nos exames. Todos esses resultados vão ser compilados, analisados e, ao longo de alguns meses, eles vão poder dizer se a vacina tem eficácia ou não.

Alguns médicos receberam uma mensagem com um pequeno roteiro para voluntários dizendo que eles precisam estar disponíveis num prazo de 12 meses para responder a perguntas e colher sangue num prazo de 12 meses. Então, está correto dizer que a vacina não sai antes de um ano?

Está correto. Em condições normais, do final da fase três até o final do estudo levaria de 12 a 18 meses. Porém, eles estão considerando, pela situação de emergência e pelo número de pessoas que vão entrar no estudo, que é possível obter o registro final em 12 meses. Isso é o que, digamos, está sendo colocado como meta por eles, da organização, também dos entes internacionais que controlam isso, controlam o registro da vacina também.

Ou seja, a ideia é ter a posição final, funciona ou não, em 12 meses. É isso?

É isso. Pode até ser um pouco antes dos 12 meses, vai depender dos resultados, da eficácia da vacina, do número de pessoas que ela vai proteger. Então, quando você junta os dados, e se for feito com um número razoável de pessoas, isso aumenta a chance de encurtar o tempo. Então, digamos, que até o final desse ano, com o resultados bem positivos, até o final desse ano, início do ano que vem, talvez já tenhamos um cenário bem promissor. Tudo depende dos resultados da vacina.

Então, fazer uma previsão sobre quando a vacina, se ela funcionar, pode estar sendo usada em massa, é muito difícil hoje.

É difícil, não é impossível. É importante, também, manter a esperança nas pessoas, porque tem muita gente trabalhando nisso, esses pesquisadores não estão começando do zero, houve processos anteriores, tem uma ciência que é muito ativa no Brasil. É por isso que o Brasil foi escolhido, não é só porque a epidemia está em ascensão aqui, mas porque tem pesquisadores, tem laboratório, tem gente que conhece, que tem muita experiência. As pessoas às vezes pensam que a universidade pública está só na sala de aula. Não, estamos também no laboratório, na ciência. E o que é mais importante, o que é observado no laboratório pode ser aplicado na assistência e o paciente do SUS, que é o paciente atendido no nosso hospital universitário pode se beneficiar fortemente de uma descoberta. Isso é o mais importante. Nós queremos dar acesso às pessoas mais vulneráveis, às pessoas que mais necessitam. Então, a pesquisa é fundamental. E a gente não partiu do zero, como estou dizendo. Então, é possível que processos levem menos tempo.

Agora, a pergunta que o país inteiro faz hoje: o fato de o Brasil participar tão ativamente dessa pesquisa significa que quando a vacina for chancelada, se for, o Brasil terá algum tipo de prioridade para conseguir a vacina?

Então, nós acreditamos que sim, porque como um país que faz parte dessa pesquisa, em especial com a participação de uma universidade pública federal… e é em São Paulo, um estado que é grande, que tem forte inserção, inclusive internacionalmente, com suas indústrias, com sua economia. Então, acreditamos que, é possível, sim, essa parceria na hora da produção (de uma eventual vacina). Aí vem a outra pergunta, que já me fizeram também, mas eu já te adianto: a gente tem capacidade de produzir? Tem. Nós temos, sim. São Paulo tem o Instituto Butantã, o Rio de Janeiro tem a Fiocruz, a gente pode produzir essas vacinas em larga escala. Então, a gente tem cientistas, um parque, corpo, não só para a obtenção da vacina, como parte desse todo, mas também para a produção em larga escala.

Imagino que ainda não exista uma conversa formal sobre essa questão de produzir uma eventual vacina no Brasil ou existe?

Tem, tem uma conversa, mais ainda é preciso avançar, então não dá para a gente adiantar muito nesse sentido ainda.

Imagino que seja uma conversa em termos de Governo Federal, de Ministério da Saúde…

Provavelmente, mas vamos ver como as coisas evoluem. Quando você fala em nível governamental, e que eu disse que sim, mas que os detalhes (a serem discutidos) são ainda muitos… mas, lembrando que a utilização da vacina foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A Anvisa é uma agência de saúde do Ministério da Saúde, isso mostra que temos o aval para continuarmos. No momento adequado a gente vai ter essas conversas também.

Alguns médicos mostram uma ansiedade, justificável, sobre quando começarão a ser aceitos os voluntários para a pesquisa. Já existe uma definição sobre quando vão começar as inscrições?

Nos próximos dias. Nós apenas solicitamos um período para que a gente possa disponibilizar todas as informações sobre isso, sobre como os voluntários vão poder se inscrever. Provavelmente, vai estar disponível na página da Unifesp em breve.

E quando começa a pesquisa?

Provavelmente, na terceira semana de junho.

Voltando aos voluntários, muitos vão se encaixar no perfil. Como será a seleção a partir desse ponto?

A pessoa tem que apresentar uma série de condições, não pode ter outra doença, não pode ser grávida, tem todo o compromisso que o indivíduo tem que comparecer (para exames de sangue), de que vai se submeter aos questionários (periódicos). É verdade que muita gente está interessada, mas, no final, isso vai afunilando, porque são muitos itens que os voluntários precisam apresentar.

A Universidade de Oxford tem parceria com um laboratório farmacêutico na tentativa de desenvolvimento da vacina. Esse parceiro banca todos os custos, inclusive no Brasil?

Não posso entrar nesse nível de detalhe porque no Brasil também tem a parte da Fundação Lemann, que também entrou com apoio, com financiamento. Agora, eu não tenho detalhes do acordo comercial porque isso não foi tratado com a Unifesp.

A senhora sabe dizer qual o custo total da pesquisa no Brasil, independentemente do acordo comercial?

Também não tenho esse custo total.