Arquivo da categoria: Crônica

Perdoem-nos

Leia o post original por Rica Perrone

Preocupado. A classe está desunida, sem rumos e sem critérios. Um patrimônio nacional sucateado pela própria falta de auto estima em tempos sombrios onde, por incrível que pareça, nossos corpos, vossas regras. Refiro-me ao gordo, é claro. Primeiro um gordo come a mulher do próximo e vaza na web. Um erro brutal, gordos sempre foram…

Quando éramos homens

Leia o post original por Rica Perrone

Por algum motivo ontem passei horas conversando e refletindo sobre o que aconteceu com o Nego do Borel. Lembrei de quando, em menor proporção, aconteceu comigo quando o covarde deputado Jean Willys compartilhou uma mentira a meu respeito sem apurar fazendo com que minha vida virasse um inferno por 4 dias em 2011. Aprendi naquela…

Tá fácil, Joãozinho!

Leia o post original por Rica Perrone

Joãozinho é um menino levado. Mais do que levado, arrogante e quase burro. Mas ainda assim, só um menino tentando acertar. Ele veste qualquer coisa, não faz cerimônias para quase nada, mas é bastante radical com relação a sua alimentação. Joãozinho não come palmito. A mãe respeita o pequeno João. Gosto é gosto. Embora as…

Dia de Finados no Futebol

Leia o post original por Antero Greco

A folhinha tradicional assinala 2 de Novembro como Dia de Finados. Pelo menos em grande parte do Ocidente, essa é data para reverenciar a memória dos que partiram, mandar orações para as almas (paras os que creem) ou para relembrar bons momentos passados.

No meu calendário emocional, o Dia dos Mortos é 5 de julho. Começou numa noite de verão europeu, em 1982, e religiosamente me vem em mente, ano após ano. Naquela jornada fatídica, o Futebol belo, poético, encantador morreu – e o falecimento foi anunciado no placar do Estádio Sarriá, em Barcelona, que apontava 3 para a Itália, 2 para o Brasil.

Naquele campo, que também não existe mais, se decretava o fim de uma era, a da escola brasileira baseada na arte de jogar bola como ninguém. Sei que soa chavão, mas é assim mesmo: o implacável Paolo Rossi, com uma tripleta, enterrava uma ideia de encarar o esporte mais popular do mundo como expressão de alegria, criatividade, molecagem.

Para ser mais injusto ainda, a seleção de Telê Santana não era um amontoado de irresponsáveis, nem bando a jogar de qualquer forma, tampouco um catadão de fim de semana. Ao contrário, era uma orquestra formada por virtuoses, com mestres no manejo da pelota. Até Valdir Peres e Serginho, os menos badalados daquele grupo, eram bons pra caramba. Nos padrões do futebol de hoje, sobrariam em suas equipes.

No entanto, a queda para a Squadra Azzurra derrubou aquele conceito. Dali em diante, espalhou-se entre nós o conceito estúpido de “que não adianta jogar bonito e não vencer”. Depois daquele desastre, até ganhamos mais dois títulos, com bons times, mas sem o fascínio da turma de 1982…

E aquele tropeço parecia improvável de ocorrer. Depois de início vacilante contra a União Soviética (2 a 1, de virada), vieram 4 a 1 na Escócia e 4 a 0 na Nova Zelândia. Primeiro lugar na chave F e passagem para a próxima fase, com Argentina (então campeã mundial) e Itália (bicampeã). As duas rivais haviam pisado na bola e terminaram os grupos em segundo.

A Itália bateu os argentinos por 2 a 1. Em seguida, Falcão, Sócrates, Zico & Cia. lascaram 3 a 1 nos hermanos, com direito a show de bola e vermelho para Maradona. O Brasil ia para o duelo com os italianos precisando só de empate. Ninguém duvidava do sucesso, até Enzo Bearzot, treinador da Azzurra, a quem havia entrevistado dias antes daqueles jogos. “Vamos enfrentar os atuais campeões do mundo e os próximos campeões…”

Lembro que saí do hotel com uma camisa polo azul escura, parecida com a camisa da Itália, só para tirar onda de meus colegas de cobertura pelo “Estadão”. Ainda brinquei com um deles ao afirmar. “Já estou vestido para curtir a vitória dos meus patrícios”, em clara referência à origem dos meus pais. Eu que sou brasileiro do Bom Retiro, graças a Deus…

Assim que cheguei ao estádio, encontrei vários jornalistas italianos, com os quais fiz amizade durante a Copa, porque eu havia sido designado para cobrir a Itália. Um deles me chamou e disse: “Greco, o Brasil precisa ganhar. Pelo bem do futebol.” O sujeito era um visionário…

Eu e meus colegas brasileiros nos ajeitamos na tribuna de imprensa, tiramos fotos, curtimos a festa das torcidas e nos preparamos para grandes reportagens. A bola rolou e com 5 minutos Paolo Rossi fez 1 a 0. Justo ele que vinha de suspensão de dois anos e meio e não havia visto a cor da bola nos jogos anteriores. O doutor Sócrates empatou aos 12, para alívio geral.

Jogo equilibrado, os italianos bem distribuídos em campo, até que uma bola mal tocada por Cerezo sobra para Rossi fazer o segundo aos 25 minutos. Ficou tenso dali em diante, e assim foi até os 23 da etapa final, com o novo empate, desta vez com Falcão. Foi das raras ocasiões em que extravasei durante o trabalho: dei um murro na mesa, gritei e vibrei, junto com milhões de brasileiros. Era a vaga para a semifinal!

Mas Rossi acabou com tudo aos 29, com o terceiro gol. Dali em diante foi uma agonia: o Brasil avançava, a Itália se fechava, ia em contragolpe e ainda marcou o quarto, mal anulado pelo árbitro. A última esperança veio na cabeçada de Oscar já aos 46… Zoff caiu no canto esquerdo, pegou a bola com uma mão. Uma foto do fotógrafo Arnaldo Rizzutti, do Estadão, mostrava que ela estava meio dentro do gol. Por uns gomos, não era o empate.

Ficamos atônitos nas tribunas, assim como a torcida canarinha nas arquibancadas. Meu chefe na época, Luiz Carlos Ramos, olhou pra mim e disse: “Estamos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Eu respondi. “Vai à merda, Luiz. Você tem toda razão!” Estávamos lá para contar a história, não para ficarmos tristes.

Fiz as entrevistas, escrevi os textos, com um aperto no coração. Depois de tudo terminado, saímos para jantar, eu, Nelson Cilo e outros colegas. Tomamos vinho, voltamos para o hotel, foi difícil dormir. Alta madrugada, me flagrei com lágrimas, pela seleção, pelo meu trabalho (eu havia ido para a Espanha um mês antes da Copa), pela saudade de meu filho mais velho (tinha apenas quatro meses e há dois eu não o via).

Mas sobretudo pela morte de um tipo de jogo brasileiro que provocava temor e inveja, fora parâmetro e desapareceu. Por isso, desde 1982 em todo 5 de julho dedico alguns minutos para relembrar aquele esquadrão, para agradecer Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Zico, Cerezo, Falcão, Sócrates, Serginho, Éder e mestre Telê Santana por terem permitido que eu sonhasse.

Obrigado, hoje e sempre. Vocês têm lugar de destaque no coração de quem ama o futebol.

Amém.

E Allison continua com o uniforme limpinho…

Leia o post original por Antero Greco

Lembram da apresentação do México diante da Alemanha? Marcação forte, velocidade, contragolpes mortais e vitória por 1 a 0? Resultado extraordinário, que surpreendeu o mundo. A simpática equipe do Norte da América cresceu, assustou e virou sombra para o Brasil nas oitavas de final do Mundial…

Pois bem, a rapaziada comandada por Juan Carlos Osorio, conhecido por aqui como “profe” (de professor), tentou repetir a dose, nesta segunda-feira. Procurou dar um calor na turma de Tite, na escaldante arena de Samara, e ficou só na boa intenção. Depois de 90 minutos e alguns quebrados, saiu com calombo de 2 a 0 e o bilhete de volta para casa. Não foi desta vez que chegou à quinta partida no torneio.

Por que o sonho mexicano foi travado? Porque assim quiseram os deuses do futebol e lugares-comuns do gênero?

Entrou pelo cano porque topou com um rival consistente, seguro, sereno. Mais forte, mais bem organizado e tecnicamente superior. O Brasil se mostra sólido. Pode ser econômico no ataque (sete gols em quatro partidas), porém compensa com uma fortaleza na retaguarda (um gol sofrido, na estreia, diante da Suíça e em lance irregular.)

Nos últimos dias se especulou muito a respeito de qual seria o comportamento mexicano para repetir a façanha da rodada inaugural. Atacaria ou ficaria à espera do Brasil? Buscou acelerar no início, com lançamentos e passes longos para Vela, Chicharito e Lozano, além de descidas de Herrera e Guardado. O objetivo era pegar distraído o sistema defensivo da “amarelinha”.

Fora certa euforia nas arquibancadas, não aconteceu nada de prático no gramado. Allison assistiu ao jogo no primeiro tempo – e mais ainda no segundo. Aliás, o goleiro brasileiro fez no máximo duas defesas difíceis até agora na competição. Provavelmente, chega no vestiário, tira o uniforme e o entrega para o roupeiro, que tem o trabalho só de dobrá-lo e guardá-lo para o próximo jogo. O material está limpinho.

O Brasil percebeu a tática rival, deu o troco  com coordenação perfeita, fechou espaços, segurou Fagner e Filipe Luís ao lado de Miranda e Thiago Silva, com Casemiro de guardião. Coutinho e William puxavam contragolpes, em busca de Gabriel Jesus e Neymar. Só Paulinho desta vez destoou, pois ficou entre marcar ou aparecer de surpresa na área; não se destacou em nenhuma das duas funções.

Isso fez do primeiro tempo uma etapa sem graça, mas já do jeito que Tite gosta – sem correr riscos. E, reconheça-se, a seleção não levou um susto sequer. O México não incomodou no ataque. Eis o desafio para adversários: como furar as linhas compactas da fortaleza nacional.

Para aumentar a segurança, aos 5 minutos explode o talento de Neymar. O Brasil resolveu acelerar, empurrou o México para o próprio campo e resolveu dar as cartas. Neymar arrancou pela esquerda, passou para William e entrou na área, à espera da devolução, que veio. A bola passou por Ochoa (outra vez com defesas importantes), por Gabriel Jesus, mas não por Neymar, que só empurrou para o gol.

O 1 a 0 desmontou os mexicanos. Na verdade, ali acabou o jogo para eles. O peso da camisa brasileira desabou sobre os moços e fez estrago. Não aconteceu nada mais de significativo para o lado verde e branco. Quer dizer, aconteceu sim: o segundo gol, que teve participação de Neymar e conclusão de Firmino já nos minutos finais.

Sei lá o que virá por aí – talvez Bélgica (que joga daqui a pouco). Não sou vidente – nem bidu ou adivinhão, como se dizia antigamente no Bom Retiro. Mas taí um quebra-cabeças para quem topar com o Brasil: como sujar o uniforme de Allison, como despentear o cabelo do goleiro, como fazê-lo buscar bola no fundo do gol.

“Puta que pariu…”

Leia o post original por Rica Perrone

Douglas era o “último 10”, o ponto central do Grêmio na articulação e peça insubstituível pra 2017.  Aí um dia um gremista me disse: “Puta que pariu, perdemos o Douglas…”.

O ano começou sem ele, o time manteve o padrão, Renato mexeu no Luan, e o Grêmio se ajeitou.

Nessa época o Grêmio já havia anunciado a volta de Fernandinho. E então o garoto que perdia muitos gols era uma opção ainda contestável, o reserva mais ainda.

“Puta que pariu, o Fernandinho…”

Preciso lembrar dos “dois gols do Pedro Rocha!?”. Nem os do Fernandinho, imagino eu.

Vem Léo Moura, que o Flamengo achou “inútil”.  E “Puta que pariu, o Léo Moura…?”.

Vem Cortez, nada cotado. E “puta que pariu… O Cortez!?”

Veio Barrios. Outro “refugo” que saiu espinafrado do Palmeiras.  “Puta que pariu, o Barrios…”.  E ele resolveu a vaga contra o Botafogo.

Perde-se Wallace.  “Puta que pariu, sem o Wallace…”. E surge Arthur.

Perde-se o Pedro Rocha. E “puta que pariu, como vai ser sem o Pedro Rocha….”.

A bola na área, o atacante cara a cara, “puta que pariu, fudeu…” e o Grohe estica o braço e faz um dos maiores milagres da história do futebol.

Vem Jael. Vem Cícero.

Mas “puta que pariu…. O Cícero!?”

E aos 35 do segundo tempo na decisão surge a plaquinha:  Entra Jael!

“Puta que pariu, o Jael!?”

Ele escora, Cícero empurra, o planeta treme.  É mais um gol do Grêmio.

Mas não está resolvido. Tem o jogo da volta, a grande final, e será lá.

Ouvi alguém dizer “puta que pariu, a final será fora de casa…!”?

abs,
RicaPerrone

O travesti dos doces

Leia o post original por Rica Perrone

pudim-de-pao-061 (1)Me pergunto, sempre que me deparo com uma delas, quem foi a pessoa que criou algo totalmente sem sentido.

Passo horas avaliando a mente do Padre Baloeiro, por exemplo, tentando encontrar motivos para tal idiotice.

Sou assim, meio curioso. E nessa de tentar entender o motivo de tudo, acabei descobrindo algumas coisas sem resposta. Entre elas, o “pudim de pão”.

Tire um minuto do seu dia para pensar: Quem é que gosta de pudim de pão?

Não, eu não perguntei quem “até come”. Eu perguntei quem gosta. E gostar, pra mim, é quando você já acordou num domingo pensando: “Hummmm, vontade de pudim de pão!”.

Isso nunca aconteceu.

Foi uma véia desocupada que o criou, não tenho dúvidas. Ninguém ocupado faria tal bobagem. Mas o que incomoda não é o fato dele existir, mas sim o fato dele ser mau caráter.

Eu respeito o pepino. Ele parece pepino, todo mundo sabe que é uma bosta e só vai quem quer. Mas o pudim de pão é filho da puta, ele é o travesti dos doces.

Parece pudim de leite. Você almoça pensando nele, e quando corta vê que tinha um “piruzinho” naquela gostosa.

Ele se camufla de doce. Mas não é. É apenas uma forma cafajeste de não jogar fora restos de pão que nem pombo ia querer comer.

Sabe como é feito essa merda? Com tudo que é usado pra um pudim de leite condensado, mas aí você troca o leite condensado por pão velho e duro.

Quem foi a detestável vovó que resolveu fazer pudim sem leite condensado e sim com pão velho pro seu neto?

Prendam essa senhora! Ela pode ser uma serial killer de receitas e ter também no currículo o bolo de laranja.

Ninguém quer bolo de laranja. Ou é bolo, ou é fruta. Não fode, velha!

Por um mundo melhor, menos mentiroso e por infâncias menos traumáticas. O fim do pudim de pão!

abs,
RicaPerrone

A grande lição

Leia o post original por Antero Greco

Há 35 anos que a lembrança pontualmente ressurge, no dia 5 de julho. Data especial para quem ama o futebol em geral, o do Brasil em particular. Sim, a folhinha nos recorda da fatídica partida com a Itália, na segunda fase do Mundial da Espanha.

Para quem acompanhou o episódio e para os jovens que só ouviram falar ou assistiram pela tevê, é o momento de recordar dos 3 a 2 que eliminaram a seleção de Telê. Maldito Paolo Rossi! Que de maldito não tinha nada. Apenas fez o que se esperava de um centroavante – gols, três de uma vez.

Para mim, a “Tragédia do Sarriá” como o duelo ficou conhecido – por causa do nome do antigo estádio do Espanyol – tem significado decisivo. Foi um marco profissional e uma lição de vida. Quero dividir a experiência com os amigos, sobretudo com os que são ou sonham em ser jornalistas.

A Copa de 82 foi a primeira das sete que cobri ao vivo – em outras três fiquei na redação. Na época, já não era um iniciante (“foca”, na nossa gíria), tampouco muito rodado. Tinha acompanhado um pouco times brasileiros na Libertadores e contava com o Mundialito do Uruguai (80/81) no currículo. Mesmo assim, a turma do “Estadão” botou fé em mim e decidiu me mandar para aquela grande cobertura.

No entusiasmo de quem tinha 20 e tantos anos, topei a parada. E mais: fui um mês antes do pontapé inicial e voltaria só um mês depois. Quase 90 dias fora de casa – e tinha um filho de apenas três meses. O primeiro ensinamento: aguentar saudade da família. Para piorar, eu fiquei a maior parte do tempo sozinho, pois minha missão era seguir os passos da Itália.

O ambiente entre os italianos era péssimo. Os jogadores não falavam com a imprensa, irritados com críticas que recebiam e até insinuações maldosas. Era um sufoco obter notícia – e não tinha internet, smartphones, tevês a cabos e novidades do gênero. Era máquina de escrever, gravador e telex. Alguém ainda sabe o que seja um telex?

Mesmo assim, deu pra fazer coisa boa, digna da tradição do jornal. Ruim era o futebol da Itália, que passou de fase com empates com Polônia, Peru e Camarões. Por pouco, a equipe africana não tira a “Azzurra” do páreo. A certeza de todos, incluído o técnico Enzo Bearzot, era de que penariam diante de Argentina e Brasil na etapa seguinte.

A Itália saiu do nada, derrubou os argentinos (então campeões do mundo) e atropelaram o Brasil, na última vez em minha carreira em que vibrei e fiquei triste com a “amarelinha”. Para não tomar mais seu tempo precioso, chego ao ponto central desta crônica.

Na tribuna de imprensa do estádio, eu estava sentado entre Nelson Cilo, companheiro de muitas batalhas, grande repórter, e Luiz Carlos Ramos, na época o chefe de Esportes do “Estadão”. Tão logo acabou o jogo, Cilo e eu nos olhamos sem saber como reagir, tal a decepção, a incredulidade diante do que acabáramos de assistir.

Assim que me viro para o Luiz Carlos, que passou o jogo todo batucando na máquina de escrever, ouço o seguinte: “Bem, estamos todos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Reagi: “Vai à merda, Luiz! Você tem toda razão.”

Entendi, naquela hora, que minha missão ali era contar a História e não chorar como torcedor. O jornal me mandara para o “front” por avaliar que estava preparado para qualquer situação anormal. E aquela derrota era totalmente fora do comum, um choque.

Só que eu não tinha direito de me abater. Ao menos enquanto estivesse em atividade. Deveria manter equilíbrio e serenidade para relatar para os leitores o que havia acontecido ali, por que, como, e o que aquilo representaria para nosso futebol. As pessoas confiavam que, no jornal do dia seguinte, encontrariam uma luz – e ela viria dos profissionais enviados para tal tarefa.

Levantei-me da tribuna, fui à entrevista de Telê Santana (aplaudido pelos estrangeiros), conversei com jogadores, escrevi meu material e ainda dei uma ajuda pro Cilo, que continuava abalado. Depois, sem pressa, fomos andando até nosso hotel, nos trocamos, saímos para jantar. Tomei uns dois copos de vinho (o que era um despropósito pra mim, abstêmio convicto) e só então me emocionei. Permiti que algumas lágrimas rolassem.

Na volta para o hotel, como estava difícil conciliar o sono, fui conferir a crônica do Luiz Carlos, nosso guia e experiente homem de imprensa. Ela dizia que a “história iria julgar” aquela seleção. E a História a colocou dentre as melhores do futebol.

O Luiz (“Barriguinha” para os amigos e colegas) estava certo em tudo: na previsão e no conselho que me dera ainda no calor da hora. Nunca mais esqueci que jornalista precisa manter o sangue frio enquanto a história passa na frente dele. Deve ter nervos sob controle. Terminada a jornada, então ria, chore, grite, viva como “um ser normal”.

Porque afinal de contas, como diria o sábio, “jornalista também é gente”.

 

Corinthians afobado. E Santo André aproveita

Leia o post original por Antero Greco

Os últimos dias não foram bons para o Corinthians. Primeiro, o furo n’água na tentativa de trazer Drogba como atração de 2017. Depois, teve a Ponte que pouco se lixou para negociações com Pottker, botou o moço em campo na Copa do Brasil e, com isso, tornou impossível a transferência.

Para fechar a semana ruim, veio a derrota por 2 a 0 para o Santo André, na noite deste sábado, em Itaquera. Resultado pouco comum no confronto entre os dois times. Mas o que aumenta a preocupação da torcida foi o futebol da equipe: confuso, ainda descoordenado, com a agravante de ter sido frágil no sistema defensivo. A turma do ABC desceu três vezes com perigo, em duas aproveitou e fez a festa.

Claro que há méritos para o rival. O Santo André foi aplicado, correto, atento na marcação. Nada excepcional, porém eficiente. Dentro das limitações, cumpriu à perfeição o papel dele e teve no goleiro Zé Carlos um dos pontos altos. Ele fez defesas importantes, a maior delas ao parar pênalti chutado por Jô no primeiro tempo.

É preciso sempre levar em consideração que se trata de início de temporada, o segundo jogo oficial, fora três amistosos de preparação. Ainda tem gente para ser aproveitada, como o jovem Maicon (na desastrada seleção Sub-20) e o veterano Jadson, que deve assumir o papel de astro da companhia. A ressalva vale para que o público não se desespere logo de cara.

Mas o desempenho não foi grande coisa, independentemente do resultado. Comum uma equipe jogar bem e perder. Não foi o caso. O Corinthians mostrou-se afobado, pouco prático e com criatividade baixa. Abusou dos cruzamentos, a maioria na tentativa de encontrar Jô para as finalizações. Uma ou outra, apenas, foi bem sucedida; de resto, só serviu para fazer o nome da zaga do Santo André.

A defesa corintiana não foi incomodada além da conta. Porém, em dois lances decisivos vacilou, e justamente nos gols de Edmilson (no primeiro tempo) e Claudinho (no segundo). Fagner e Moisés desceram muito ao ataque, sem perigo. Pablo e Balbuena necessitam de ajuste no entendimento. No meio, Gabriel tratou de fechar espaço, e só. Felipe Bastos procurou o jogo, mas sem regularidade. Tanto que saiu no intervalo para a entrada de Guilherme, que passou em branco. Marquinhos Gabriel esteve muito aquém do que pode, Marlone e Rodriguinho andaram perdidos à frente e não encostaram em Jô. Ainda entraram Kazin e Romero, sem acrescentar grande coisa.

A tarefa de Fabio Carille é enorme. Será necessária paciência, e ele precisará de mão forte para apoiá-lo. Terá?

Entendeu agora?

Leia o post original por Rica Perrone

Alexi, meu bom filho; Por muito tempo tive que te preparar para o que você encontraria pela frente. Foi muito difícil te ver sofrer, sem entender, pedir, me ver negar e ainda assim ouvir um “obrigado” de ti. Sua devoção e fé nunca me deixaram dúvidas de que eu preparava um cenário a quem merecia. …