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Diego não é o culpado. É o símbolo

Leia o post original por Rica Perrone

Talvez haja uma interpretação errada da perseguição ao Diego. O rubro-negro o recebeu como ídolo e o trata como estrela do time há algum tempo. E é claro que ele não é o que joga menos, nem mesmo um jogador que se acomoda em campo.

Ele corre, tenta. Mas talvez esteja claro hoje, aos 33 anos, que o Diego nunca foi o protagonista que esperávamos. Um grande jogador, tal qual seu companheiro Robinho, mas que nunca chegou perto de onde achamos que ele chegaria.

Nenhum demérito. Fomos nós que achamos, não ele que prometeu.

A relação Diego/torcida hoje é muito mais pelo que ele representa do que pelo que joga.  O rubro-negro está puto com o time porque é um time de mocinhos. Eles querem Adriano, Zé Roberto, Renato Gaucho. O diagnostico quase unanime da torcida rubro-negra é esse. Um time de santinho.

Diego é o Kaká do Flamengo.

Ele não tem jogado o que pode, mas não é o pior do time. Mas a imagem que o rubro-negro busca pra exemplificar o time de coroinhas do Flamengo é a dele. Certinho, gel no cabelo, rico, fim de carreira, satisfeito com o que tem e zero rebeldia.

O torcedor quando olha pro seu clube procura tudo aquilo que foi ensinado a repetir por identificação durante a vida. O rubro-negro se sente favelado quando olha pro clube. Popular, perrengue, drama. É disso que se trata o Flamengo.

Não adianta você transformar o Flamengo no Cruzeiro e ficar feliz por isso pois o Cruzeiro costuma ganhar bem mais títulos que o Flamengo. Eles não querem os títulos do Cruzeiro. Querem o deles de 2009.

Ele quer olhar pro campo e encontrar um jogador que faz merda, se arrepende, erra de novo, bebe, volta, se recupera, cai de novo. Eles não tem no Flamengo um clube de futebol/empresa frio que conquista campeonatos todo ano.

O Flamengo elitizado, estruturado e “funcionando” é melhor do que o Flamengo devendo, fodido e brigando pra não cair.

Mas de alguma forma, pra eles, não é Flamengo.

O Diego é retrato do que o Flamengo não é. E ele passaria desapercebido se ao lado dele tivessem 2 maloqueiros pra ser para-raios de derrota. Mas nem isso o Flamengo tem. Hoje é um time de Diegos. E ninguém pode ser mais Diego do que o próprio.

Ele não joga mal, não é ruim, nem merece ser vaiado. Ele é apenas o emblema da diferença que há entre o clube deles e o que os administradores de empresa da Gávea entendam por Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Everton e o retrato do futebol

Leia o post original por Rica Perrone

Hoje em dia o futebol é tecnicamente inferior ao que já foi um dia.  Acho que não precisa ir muito longe pra notar isso, basta ter bom senso.

Everton é um jogador de 29 anos que passa longe de ser fora de série. É um bom jogador, mas não tem status de destaque nem no seu clube. A não ser de 48 horas pra cá, onde o valorizaram por desespero.

O São Paulo busca o jogador por 15 milhões. Eu acho muito dinheiro, mas não acho um absurdo tipo os 40 milhões no Pratto.  O Flamengo recebeu a notícia e como o valor se aproxima da multa e ele pode perde-lo sem ter escolha, fez uma oferta de renovação.

O jogador ficou interessado, é óbvio. Qualquer um ficaria aos 29 anos ter luvas de uma transferência grande sem ter que ir pra China ou pra Arábia.

Absolutamente tudo dentro do normal. A não ser pra quem vive numa bolha.

 

A polêmica em torno disso tudo pra mim é mero clubismo. A megalomania rubro-negra em achar que um jogador não pode querer sair do clube somada a repentina glamourização do Everton. Outra parte bairrismo, onde até jornalistas se submetem ao ridículo de achar que por uma “fase” ruim o SPFC é um retrocesso pra algum jogador e sua vontade de ir tem que ser “explicada”.

Tanto faz. Meu ponto é que chegamos no dia em que o Higuain vale 100 milhões, o Everton é uma grande perda pro Flamengo e um grande reforço pro São Paulo. Que o Kleber Gladiador é esperado no Fluminense aos 34 anos e que o treinador que há 2 anos era chacota recebeu uma oferta de 850 mil. E recusou.

O Geuvanio ganha uma fábula, o Gabigol é craque, o Felipão é burro e Ramiro campeão da América apenas “agrega valor”.

O Alisson era convocado só por ser gaúcho e tinha fama por ser bonito. O Ganso era melhor que o Neymar, tal qual o Bale seria o melhor do mundo em alguns anos. Lembra? Esqueceu né?

O futebol precisa ser revisto. E não é nem por velhos dirigentes cansados, menos ainda por jornalistas que juram ter a solução de tudo enquanto tomam café ignorando a capacidade lógica de quem de fato entende, faz e vive futebol.

Eu  não sei qual a solução. Se eu soubesse fatalmente não estaria desse lado da mesa e sim do outro. Mas o futebol está sofrendo de ejaculação precoce em todos os sentidos.

abs,
RicaPerrone

Feito time grande

Leia o post original por Rica Perrone

Aguirre parece ter entendido bem rápido o maior problema do São Paulo. O time dele não tem ainda nenhuma invenção tática radical, nem teve tempo pra isso. Mas tem vergonha na cara.

De alguma forma o uruguaio conseguiu tirar o elenco da zona de conforto e os fez entender que o resultado pode até não vir, mas  a briga tem que existir.

O time que perdeu pro Corinthians ostentava uma dignidade incomum nos últimos anos. E ainda que com nova derrota, conseguiu sair de campo sem ser vaiado.

O de ontem foi ainda melhor. Com um a menos, agrediu. Quase venceu. Quando sofria agressão, revidava. Não ficou com medinho de cara feia de argentino e deixou a classificação bem encaminhada pro jogo da volta em casa.

Eu não vou perder tempo falando da meia duzia de argentinos escrotos que chamaram nossos torcedores de macacos e cuspiram neles. Até porque também temos meia duzia de escrotos em nossa torcida, como em todas.

Mas como sempre na Argentina é pontapé, torcida em lugar ruim, catimba, pressão, todo o perrengue extra-campo padrão de um jogo lá.

E como digo há anos, chiliques de Rizeks a parte, o brasileiro precisa sim aprender que respeito é algo que se dá a quem também te respeita. Aqui vai ter tapete vermelho, escolta, torcida isolada, zero pressão e conforto. E se um dos nossos der uma cabeçada no rival, será expulso.

Regra é regra desde que seja contra nós. E enquanto nossa mídia achar o máximo a catimba e a “malandragem” argentina, temos que brigar em campo apenas.

No Morumbi a gente conversa. E se não quiser conversar, a gente também topa. Mas do jeito que for, manda quem pode obedece quem tem juizo.  Tenha juizo, Rosário.

Aqui, não!

abs,
RicaPerrone

Com raiva é mais gostoso

Leia o post original por Rica Perrone

Que graça teria bater no pobre Nacional de Potosí?  Nem 7 mil pessoas quiseram ver porque sabiam que o Flu venceria. Mas ninguém previa que seria com tanta raiva.

Tem jogos que, não pela importância ou pelo adversário, mas pelas circunstancias em 90 minutos vão nos dando raiva. Ontem o Fluminense entrou em campo pra bater em bêbado e acabou espancando um sóbrio muito do sem vergonha.

O Nacional não queria jogar bola. Time irritante, covarde, 90 minutos de cera e pontapés. O juiz pior ainda. Permitiu, não controlou o jogo e conseguiu deixar o time do Fluminense com vontade digna de decisão, tamanha raiva que foi sendo gerada pelo cenário.

Foi no mínimo divertido. Um jogo de importância baixa virando sangue nos olhos dos jogadores e da torcida, que entenderam a partida como uma guerra em determinado momento e a venceram com sobras.

Os gols comemorados como Copa. E o que não entrou do Pablo Dyego, mais lamentado ainda. O Maracanã merecia aquele gol.

Na altitude eles vão correr. O Flu tem todo alvará do mundo para se jogar no chão, fazer cera, evitar o jogo e até retribuir umas faltas desnecessárias. Nosso mal é ser sempre o otário da América do Sul.

Se pode, então faça também. É uma pena que o juiz permita, e sempre contra nós.  Mas nós também sabemos “não jogar” quando preciso.

Jogar é que a gente sabe mais que os outros.

abs,
RicaPerrone

Injusto é não gostar de futebol

Leia o post original por Rica Perrone

Todo grande jogo termina com alguma polêmica e toda polêmica tem a ver com arbitragem. A diferença entre um grande jogo e uma grande vitória é bem fácil explicar: ontem a Roma teve uma grande vitória. Hoje tivemos um grande jogo.

Os grandes jogos são em sua maioria decisivos e portanto nos preparamos para eles.  Discute-se investimento como argumento base de resultados em campo, o que mostra enorme desconhecimento do tema por quem pratica.

O futebol é mera história pra contar.

Não há vitória sonsa mais interessante do que ter estado lá numa grande derrota. As brigas fazem dos jogos mais épicos, porque falamos deles eternamente. Os erros de arbitragem fazem deles épicos e revoltantes.  São coisas diferentes.

O erro aos 47 muda tudo. E nem estou entrando no mérito se houve erro hoje.  Mas ele PRECISA ser corrigido. Não só porque é justo, mas porque o sentimento de tristeza por uma derrota é infinitamente mais interessante pra nossa paixão do que o de revolta.

O VAR é necessário. Hoje ele não resolveria nada, mas ainda assim é necessário.  Na tv com 300 replays estamos discutindo se foi. O VAR hoje seria colocado em dúvida. Dividiria o papel de vilão com o juiz e nada mais.

A justiça está na cotovelada que ele não viu. Não no penalti que ele achou que foi. A justiça está no campeão decidir seu titulo contra o vice, nunca num time de férias desinteressado enquanto o concorrente joga contra alguém disputando vaga.

A justiça que o futebol precisa é para com seus principios e valores. É também a tristeza que dá olhar um jogo como o de hoje jogado para 76 mil pessoas que não se dignavam a levantar de suas poltronas caríssimas enquanto faziam selfies.

Justo é que seja sempre o nosso maior assunto de lazer, que nos faça maiores e menores sem distinção de cor, raça ou condição social. E que se considere o ideal a busca pela competição e não pelo baile.

Hoje o futebol busca o que o torcedor não quer, mas o que os fãs adoram. E quanto mais fãs, mais dinheiro. Quanto mais dinheiro, menos competição, quanto menos competição, mais ídolos impartíveis, e quanto mais impartível mais os fãs compram.

O torcedor não precisa vencer pra se apaixonar.

Injusto é não amar o futebol, não entender seu papel, sua importância e os seus valores.

O penalti foi, ou não, só mais um penalti…

abs,
RicaPerrone

Aceite: é muito grande

Leia o post original por Rica Perrone

Já era hora. Quarenta e tralalá, a certeza de mais uma derrota e a inestimável fé no que se prega não acreditar.  O botafoguense é o caso mais interessante de amor pelo futebol a ser estudado. E talvez por isso seja tão fundamental ao futebol.

Quando em alta, duvida. Quando em baixa, acredita. E nos dois casos, se o pior acontecer, “ele avisou”.

Hoje é dia de clichê. “Coisas que só acontecem ao Botafogo…”, “a cara do Botafogo”, “sempre no último minuto…”.

Mentira, oras! Todo torcedor jura que seu time adora tomar gol no fim, que é “se não for sofrido não é time x…”, entre outros.  Faz parte do delicioso folclore do futebol onde usa-se emprestado todos os termos do mundo de forma exclusiva.

Afinal, que camisa não é “manto”?

Eu gosto mesmo é do “contra tudo e contra todos”. Acho fofo. O cara todo ano se enxerga numa condição de vítima perseguida do planeta terra que conspira para evitar, veja você, um estadual do seu time. Não, você sabe que não.  Mas eu respeito e adoro o seu dom em criar um auto-drama para valorizar sua conquista ou justificar seu fracasso.

Botafoguense, meu caro e estimado botafoguense… ontem você errou.

Eu sei que você estava pronto pra dizer que “onde já se viu com um a mais…?”, ou que “o juiz roubou”.  No fundo tudo o que você mais temia e queria era ser o protagonista da festa que te convidaram por educação.

O improvável campeão, o time que mais perto esteve da crise em 2018, o eliminado da Copa do Brasil, o time sem treinador, sem dinheiro e portanto, mais uma vez prestes a assumir a sua condição “menor”.  Agora vai!

Assume, Botafogo! Tu não aguenta mais. Assume! Pede água!

– Não!

Mas meu Deus, você está devendo mais que os outros, ganha menos que eles, não tem um grande time, sequer tem perspectiva a curto prazo.  Me dá aqui seu crachá de grande logo!

– Não!

De novo? Era pra ter dado em 2016, inventou um ano mágico lá, foi bem na Libertadores ano passado, ok, mas terminou de novo sem nada! Desiste, cara!

– Não!

Futebol é dinheiro, Botafogo! Esquece a camisa, a história, a porra toda. Ou você tem pra competir ou está fora. Larga o osso, você, como dizem os comentaristas, “se apequenou”.  Aceita!

– Não!

Então o que falta pra você se convencer que não dá? Que seu lugar é menor que os outros e que seu momento de mais de duas décadas lhe descredencia?

– Falta 1 minuto.

Então acabou! Vai, eu espero.

Caraca, cadê ele?

– Ali, dando a volta olímpica… Quer esperar?

– Não…

abs,
RicaPerrone

Mais que o título

Leia o post original por Rica Perrone

O Cruzeiro precisava mais dessa conquista pela temporada do que pela taça em si.  Ameaçado de ver o sonho virar crise muito rápido, a conquista de hoje se tornou bem mais do que um título estadual.

O time é nuito bom. Perdeu Fred, viu seus dois primeiros jogos importantes do ano se tornarem derrotas e a torcida que estava sonhando começou a cobrar.  O paraíso é muito perto do inferno pra um time que cria expectativas. E o Cruzeiro de 2018 é um time de quem muito se espera.

Não assisti ao jogo final ainda. Vi os gols, os melhores lances, a expulsão e a polêmica toda. Sim, concordo com a maior parte dos atleticanos. A expulsão era dupla. O Edílson não só deixa o pé como imediatamente após levar a paulada, devolve com o braço.

Acho que friamente se tirassem as camisas e colocassem camisas vermelhas e amarelas, nem mesmo o presidente do Cruzeiro discordaria disso. Mas sendo azul e a outra preta e branca, é claro que o Edílson não fez nada na visão de metade de Belo Horizonte.

Mudou o jogo? Provavelmente.  Uma final com 10 contra um time que naturalmente já é melhor que o seu no papel faz diferença. E deve ter feito.

Independente da polêmica da arbitragem o título dá ao Cruzeiro uma breve tranquilidade para buscar o que ele realmente almeja no ano e as finais deram ao Galo uma sensação que “dava” pra ter batido o rival não fosse o arbitro.

Mais notável que isso só constatar que de novo, como sempre há anos e anos, o gol decisivo de um título foi de quem?  Thiago Neves….

abs,
RicaPerrone

Não dá pra sair

Leia o post original por Rica Perrone

Se o Zico fosse treinador do Grêmio hoje ele permaneceria. E não por qualquer demérito ao interessado, mas porque o Tricolor gaúcho segue escrevendo páginas absolutamente incríveis para sua história.

Se o Renato preferisse sair do Grêmio agora e ir pro Flamengo para ganhar igual ou menos, meramente por amor a cidade do Rio de Janeiro, eu tiraria o Cristo e colocaria a estátua dele lá em cima.

O Renato é Flamengo no Rio. Poucas coisas irritam mais a alma do tricolor carioca, mas é um fato. O negócio dele sempre foi o rubro-negro, ele fala abertamente que sonha em estar lá, e até quando fala da final de 95 exalta a torcida dos caras.

É o clube que ele quer, porque no Grêmio ele já é Deus. Normal querer ser perto de casa onde quando ele foi absolutamente brilhante, havia alguem maior que ele. Talvez venha daí a vontade de ser “o cara” no Flamengo.

Mas hoje, quando o Grêmio conquista mais um título, passa o trator em tudo que vê pela frente, mantém a base campeã da América e é portanto favorito ao bi, porque diabos Renato abriria mão disso pra tentar salvar um clube onde em 10 jogos ele pode ser humilhado pela torcida?

No Grêmio ele é Deus. No Flamengo ele é dúvida.

O Grêmio hoje é o time onde qualquer um queria estar. E ele está. A tentativa é honesta, não vejo qualquer falta de ética em se oferecer algo pra alguém empregado.  O não é também ético, transparente e muito bem justificado.

Esse casamento vai acontecer. É evidente que vai.

Mas agora ele tá muito bem acompanhado pra pensar em se aventurar “com outra”.  Mesmo sendo “a outra” quem é…

abs,
RicaPerrone

“Chato” e não roubado

Leia o post original por Rica Perrone

O campeão paulista de 2018 é o mesmo de 2917. Nenhum deles era brilhante, mas os dois são extramente competentes e “chatos”. Chatos de ganhar. Chatos de irritar. Chatos de desequilibrar. E porque não, chatos de “roubar”.

O pênalti não aconteceu, e portanto não houve um “roubo” que determinou o título do Corinthians. Poderia haver um roubo determinante ao campeonato caso o Palmeiras fizesse o gol de pênalti, porque não houve.

Mas a polêmica não é essa. É a mesma do aborto.

Você sabe que tem, se preciso até é capaz de fazer ou no mínimo sabe quem faz. Não tem como interromper, sempre o farão. E ainda assim você quer fingir que não está acontecendo.

Está. Há muitos anos está. O juiz sabia do erro dele no intervalo por um telefonema pra casa. Hoje ele sabe olhando pra qualquer lado onde todos tem um celular na mão e já podem dizer se houve ou não o pênalti.

Entre mudar de ideia e mudar o jogo, eles mudam de ideia. Pode? Não. Mas eles fazem.  Já temos uns 30 casos de lances onde o juiz voltou atrás de um tempo pra cá, e antes disso, na história, nem 5.

Será que deu virose de mudança de ideia, ou alguém avisa eles?  Curioso como sempre que mudar de ideia eles acertam, né?  Isso sem contar o olhar biônico de bandeiras e árbitros auxiliares que conseguem ver o que nem na tv é claro num rápido replay.

Eu duvido que ele viu. Apostaria em mais um lance de interferência externa que jamais será provado e, portanto, o arbitro acabou “acertando”  em sua decisão final.

Independente do lance, o jogo foi ruim tecnicamente. Um Palmeiras cheio de qualidade tentando resolver tudo num passe profundo no primeiro tempo, e bem marcado no segundo. Um Corinthians chato ao extremo, que se arrisca pouco, dá pouco espaço pro adversário e me lembra até o Capitão Nascimento “voce vai manter a calma. Pode o pau ta quebrando voce vai manter a calma”.  Nada altera o Corinthians.

É mérito. Frio. Repito, quase “chato”. Mas pra quem não tem um timaço, as armas são diferentes do que esperamos. E o controle emocional e tático do jogo que o Corinthians tem são visíveis.

Como dizer que o título não fica em boas mãos após eliminar o SPFC aos 47 e o Palmeiras na casa deles, nos penaltis?

Se é de história pra contar que vive o futebol, teremos pra contar a mais surpreendente das possíveis neste campeonato.

abs,
RicaPerrone

Nós somos loucos; vocês não

Leia o post original por Rica Perrone

Para alguns, um negócio. Para a mídia, um esporte.  Para os fãs, “uns desocupados fazendo festa”.  Para nós, futebol.

E futebol é para mim exatamente o que aconteceu ontem e hoje em São Paulo.  Por isso, meus caros, eu defendo e vou morrer abraçado a ideia de que torcer por um time europeu nos afasta do futebol.

A paixão e o sentido deste jogo não está nos 90 minutos. Está no pré, no pós, no bar, no pai que passa pro filho o clube, na família que não tem foto da avó na sala, mas tem a bandeira do clube.

Da identificação cultural, da origem, da relação entre pai e filho. Tem a ver com a porra toda, menos com gostar de 22 caras correndo atrás de uma bola.

Nós gostamos de futebol. Não do esporte.

Futebol não é esporte. Futebol é uma vida paralela que alivia nossa.

A gente se entende mesmo quando se odeia. O colorado e o gremista querem a mesma coisa, vivem o mesmo ideal, tem os mesmos sonhos e usam o futebol pro mesmo fim: se completar.

É a nossa religião, nossa terapia e nossa doença.  É nosso elo com o pai, nosso assunto diário com o porteiro, é a mais próxima forma de nos colocar em igualdade com outras milhões de pessoas ignorando qualquer questão física, racial, religiosa, social ou financeira.

É o abraço mais sincero que conseguimos dar. O choro mais idiota, mas o mais gostoso de todos.

Você é branco, preto, pobre, rico, paulista, baiano, carioca, catolico, evangelico, ariano, engenheiro, ateu e….. torcedor do time X. Porque é parte de você. Devia vir no RG.

Devia ser proibido de trocar. E quem troca  é um estúpido infiel. Foda-se se ele tiver razão ou direito. Está na bíblia. Não pode.

Aliás, fodam-se vocês todos que não nos entendem que acham bobagem e que entendem isso como algo superficial e irrelevante. Gasta na terapia, eu pago o socio torcedor.

Ontem e hoje  mais de 70 mil pessoas sairam de suas casas pra dizer “te amo” aos seus clubes e nada mais. Não havia evento, contrapartida, jogo, nada. Era só pra dizer que estava ali.

É um ato de amor. Num mundo que clama por menos ódio, que sentido faz não reverenciar tanto amor?

Se você acha que futebol é aquilo que te faz sentar na frente da tv e assistir por 90 minutos dois times jogando você  não entendeu nada. Aquilo é esporte.

Futebol é isso que aconteceu na Arena Corinthians e no Allianz Parque. É o que acontecerá amanhã por todo país nas finais. São pais e filhos trocando abraços e criando momentos que os unirá pra sempre. É a indescritível sensação de ser parte da conquista ou da derrota.

E sim, torcedor que mora na cidade do clube tem mais POSSIBILIDADES de futebol na veia do que  quem não mora. O que torce pra um clube de outro país então, coitado, as vezes pode morrer sem experimentar futebol.

Prova disso é a vontade que quem é de fora querer estar perto e a nenhuma tentativa de quem está perto querer ficar longe. Irrefutável.  Quanto mais perto, melhor a sua experiência com futebol.  E ainda que seja em estados diferentes, há o bar e o vizinho pra te sacanear.

Toda discussão sobre qualidade, espetáculo, gramado, arbitragem, cbf, etc, etc, etc é valida. Mas não é isso. Futebol nunca esteve atrelado a nada disso.

Amanhã disputa-se por todo país os títulos menos cobiçados do ano. Ou seja, não é pela taça. É pelo clube.

Nós somos loucos. Eu sei. Vocês não. Vocês não são nada num domingo a tarde.

abs,
RicaPerrone