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Brasília em chamas e o Botafogo incendeia o Rio. Com pressa!

Leia o post original por Milton Neves

Foto: Luis Benavides/AP Photo – retirada do UOL

Ah, deixemos hoje de lado a seleção do Palmeiras, o milionário fracassado Flamengo, o Tite “ideal para presidente do Brasil” e o Galo do “Neymarzinho Equatoriano” Cazares.

Falemos do Botafogo que jamais ganhou uma Liberadores.

Mal conseguia dela participar.

Nos anos de Manga, Nilton Santos, Garrincha, Rildo, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo, o Fogão da meia cinza sempre parava no timaço do Santos de Pelé.

Isso na final ou na semifinal da Taça Brasil, o torneio que credenciava nosso único representante na competição.

Antigamente só entrava, a partir de 1960, quando foi criada a Libertadores, o campeão de cada país.

Hoje já temos até um… G-7!!!

Entra todo mundo, uma festa.

É que os cartolas engordaram a quantidade de times e espicharam o tempo de disputa, de trimestral para quase anual, só para que os direitos de transmissão pela TV fossem às alturas, como foram.

E se antigamente, nos anos de Telê, “Torcer para o São Paulo é uma grande moleza” (e hoje virou “grande dureza”), atualmente é “cívico” virar botafoguense na Libertadores.

É uma questão de gratidão ao time que nos deu 41.07% da Copa da Suécia-58, 100% da Copa do Chile-62 e 49.17% da Copa do México-70.

Hoje, acabou a minha raiva do Botafogo-1995, time do “zagueiro” Márcio Rezende de Freitas, e quinta-feira foi de chorar vendo a festa da torcida de General Severiano no “Estádio Nilton Santos”.

Que o time do Pimpão siga “todo garboso” botando fogo na Libertadores na mesma época em que Brasília arde.

Sim, a vaca por lá foi para o brejo, mas por enquanto só o sininho e o rabo.

Falta ainda quase tudo, dos chifres ao traseiro.

Para o “primo” Aécio Neves, não.

Acabou!

Foi pífio e até juvenil.

Com seu algoz gravando tudo, como ele, um “macaco velho”, não sacou que “seu amigo” estava só levantando a bola para ele ir falando, falando e falando?

Quase um monóculo, com o “interlocutor” de emboscada atrás do toco esperando a onça beber água.

Faltou ser uma raposa, símbolo de seu time, ele tão burro e ela tão esperta.

Esperta como boiadeiros de Alfenas e Goiânia.

E rápidos no gatilho.

Tão rápidos que no começo de abril quase aluguei um apartamento em Nova York para um jovem executivo brasileiro, via o broker (corretor) Freddy Gouveia, brasileiro lá radicado há anos.

Mas, aflito, ele queria entrar no imóvel com tudo dentro, do jeito que estava e no “outro dia” com mulher, dois filhos menores e a babá “que estavam chegando em Nova York”.

Não deu certo porque não dava para retirar de lá “por telefone” tanta coisa particular da família cambiando de Upper East Side para Tribeca, hoje alugado para Companhia chinesa, investidora de Wall Street, bem perto.

Mundo pequeno, o lépido quase-inquilino era mais um dos famosos e hoje tão falados Batistas.

De segunda geração, filho ou sobrinho.

Que pressa, sô!

Hoje, pelas chamas de Brasília, caiu a ficha.

E que sejamos todos felizes!

OPINE!!!

Brasil x Equador. Pra quem torcerá Moacir?

Leia o post original por Antero Greco

Quem desconhece a paixão que o equatoriano tem pelo futebol nunca vai imaginar que, um dia, este país vai disputar o título de um Campeonato Mundial.

Pode parecer exagero.

Mas é só olhar a classificação das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2018 para ver que o Equador não está para brincadeira. Está no topo, com o Uruguai.

A torcida é fanática, os times se fortalecem, os jogadores ganham destaque internacional e o grito de guerra garante que é possível uma façanha: “Si se puede, si se puede!!!” – gritam os torcedores.

E um dos futebolistas que começaram esta virada esportivo-cultural foi um brasileiro. Seu nome: Moacir, campeão do mundo de 1958, na Suécia.

Moacir jogava no Flamengo ao lado de Joel, Dida e Zagalo – todos daquela maravilhosa seleção do primeiro caneco.

Ele era o reserva de Didi e não entrou em nenhuma partida da Copa. Mas garante que fez “muitos gols” após a vitória na finalíssima sobre a Suécia, por 5 a 2.

“Na festa em Estocolmo, após o jogo, as mulheres me procuravam achando que eu era o Pelé. Neguei uma, duas vezes, aí não deu mais… Fui Pelé por uma noite inteira”.

Moacir encerrou a carreira de futebolista no futebol equatoriano. Foi treinador do Barcelona de Guayaquil – cidade onde vive até hoje.

Neste sábado à noite o Brasil enfrenta o Equador, na estreia na Copa América. Ao contrário das outras vezes, a equipe nacional não é favorita. O time de Dunga parece uma colcha de retalhos, com jogadores sendo dispensados e chamados a toda hora.

Parece que o Brasil é o Equador de outros tempos. E vice-versa.

Para quem será que o velho Moacir estará torcendo esta noite?

(Com participação de Roberto Salim.)

Seleção Brasileira: Muita festa de véspera para um jogo importante

Leia o post original por Quartarollo

Vamos ver como se sai a Seleção Brasileira contra o Peru hoje às 22 horas, em Salvador.

Os peruanos venceram o Paraguai e conquistaram seus três primeiros pontos nas Eliminatórias no fim de semana e chegam confiantes, mas sabem que o empate já será um bom resultado.

O Peru historicamente nunca foi um grande adversário. A não ser na década de 70 quando tinha um time maravilhoso com nomes imponentes como Hector Chumpitaz, um excelente zagueiro; Ramon Miflin, El Cabeçon, aquele que entre Barcelona e Santos preferiu o Santos só para jogar com Pelé e depois foi levado pelo Rei para os Estados Unidos; Teófilo Cubillas, até hoje considerado o melhor jogador da história do Peru; Baylon, Perico Leon, Galhardo, jogadores notáveis.

Na Copa de 70 foi dirigido pelo brasileiro Valdir Pereira, o nosso Didi, bicampeão do mundo pelo Brasil em 58 e 62 e jogador histórico do Botafogo.

Em 1978 na Copa da Argentina ficou aquela mágoa da goleada que o Peru tomou da Argentina tirando o Brasil da final no saldo de gols. Os donos da casa precisavam fazer seis gols e fizeram.

Muito já se falou desse jogo porque o goleiro Quiroga era argentino naturalizado peruano, mas ele me deu uma entrevista vez na Copa América de 2004, no Peru, dizendo que nunca houve nada e tanto não houve que o brasileiro Elba de Pádua Lima, conhecido como Tim, era o técnico peruano na Copa de 82, na Espanha, e contou com ele como titular nas Eliminatórias e na própria Copa.

Disse ele: “se houvesse algo contra mim, Tim não me convocaria. Ainda mais sendo brasileiro”

É uma tese que deve ser levada em consideração.

Hoje o Peru está distante desses nomes lembrados. Tem Guerrero que é um bom centro-avante e que deve dar trabalho. Sempre joga bem com a camisa peruana.

Além de Guerrero, tem o veterano Farfán e é dirigida pelo argentino Ricardo Gareca de terrível passagem pelo Palmeiras. Não deixou saudades, deixou muitas derrotas e muitos jogadores discutíveis trazidos por ele.

Enquanto isso, ontem foi dia de festa na concentração do Brasil. Neymar recebeu Ivete Sangalo e outros artistas e fez questão de repartir a alegria com os seus companheiros mais jovens.

O sempre duro e disciplinador Dunga, dessa vez não se importou e deixou a coisa rolar.

Por que será? Mudou Dunga ou mudou o mundo? Todo time que faz festa de véspera acaba se complicando no dia seguinte.

Está certo que hoje não é final, mas é um jogo importantíssimo para as pretensões do Brasil.

Se vencer termina o ano entre as quatro primeiras ou até entre os três primeiros das Eliminatórias dependendo de outros resultados.

É menos pressão no ano que vem quando serão disputados oito jogos dessa longa Eliminatória.

Era bom o time estar concentrado, e principalmente o seu melhor jogador, nesse embate com os incas.

Tudo tem sua hora certa. Concentração já diz o nome é para se concentrar mesmo senão não precisava. Há até uma discussão se ela é não ou não necessária, mas já que está existe, levem a sério.

Parece que Dunga não consegue mais controlar a Seleção como antes com medo de ser chamado de sargentão ou de direitão.

Na verdade era uma boa característica de Dunga ser um profissional 110% nas suas exigências, mas parece que não consegue controlar Neymar que hoje manda e desmanda na Seleção.

Se continuar assim, o Brasil não ganhará nada com essa geração. É muita pose, muitas caras e bocas, muitas fotos e vídeos e futebol mesmo que é bom não tem.

Tomara que me desmintam em campo mesmo contra o Peru que não é nenhuma sumidade internacional.

Tomara, mas festa de véspera é um grande gol para o adversário.

Didi, a folha-seca e a filha seca

Leia o post original por Antero Greco

Para os mais velhos, Brasil x Peru lembra as Eliminatórias da Copa de 58. Lembra a folha-seca, o inigualável chute inventado por Didi, na vitória por 1 a 0, no dia 21 de abril de 1957. Ele cobrou a falta, a bola cobriu a barreira, subiu e desceu, enganando o goleiro peruano Rafael Asca e espantando todos os 120 mil presentes ao Maracanã.

Na família do grande Didi a explicação para o chute cheio de veneno vem de um problema da infância. O menino Valdir Pereira machucou a perna, quando vivia em Campos, teve problema sério e foi curado pelo benzimento de sua avó. Restou um defeito, um pé menor que o outro. E ele teve de criar um jeito novo de bater na bola.

“Meu pai usava uma chuteira 40 e outra era 41 … quem amaciava uma das chuteiras era o amigo Zagalo”, conta Lia Hebe, uma das filhas de Didi, que mora na Ilha do Governador, no Rio, onde guarda com orgulho o troféu recebido por Didi em 1958, como o melhor jogador da Copa.

Ela acompanhou de perto a carreira do pai. “Eu queria jogar futebol, mas naquele tempo meu pai não quis, disse que não era coisa para menina”.

Lia tinha jeito para o esporte, era seca para jogar bola, tanto que seu principal incentivador era um tal de Mané Garrincha, que a ensinava a driblar – sempre que Didi não estava por perto, claro. Lia acabou mesmo jogando tênis. Viajou pelo mundo ao lado da família.

Morou na Turquia, onde o pai era adorado pela torcida do Fenerbahce. Morou no Peru, onde seu pai treinou o Sporting Crystal, e não podia pagar nem pãozinho na padaria. “Ele era idolatrado”.

Lia só não estava com Didi na Copa do México, em 1970, quando ele enfrentou o Brasil do banco de reservas. O bicampeão do mundo era técnico da seleção do Peru e o jogo, válido pelas quartas de final, terminou com vitória do Brasil por 4 a 2.

“Nesse dia meu pai chegou a chorar”, conta Lia, pois até hoje os peruanos desconfiam que Didi não passou tudo que sabia para seus comandados. “Infelizmente papai carregou essa tristeza pelo resto da vida”.

(Com Roberto Salim.)

Morre o capitão do primeiro título mundial do Brasil, o homem que eternizou o gesto de levantar a taça!

Leia o post original por Milton Neves

Clique nos nomes dos craques e veja a história deles na seção “Que Fim Levou?“.

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Morreu nosso primeiro capitão, o homem que eternizou o gesto de levantar a taça. Em um ano, perdemos boa parte da defesa campeã na Copa do Mundo de 1958. Gylmar do Santos Neves, De Sordi, Djalma Santos, Nilton Santos e, agora, Bellini. Outra coincidência, todos morreram na casa do dia 20 (Gylmar do Santos Neves – 23 de agosto de 2013; De Sordi – 24 de agosto de 2013; Djalma Santos – 23 de julho de 2013; Nilton Santos – 27 de novembro de 2013).

Temos que reverenciar esses atletas que mostraram para os estrangeiros que a capital do Brasil não era “Buenos Aires”.

Bellini foi internado ontem após sofrer uma para cardíaca. O Capitão também sofria do Mal de Alzheimer há 10 anos.

O zagueiro brilhou com a camisa do Vasco da Gama, ganhando 10 títulos com o time carioca, e ainda jogou pelo São Paulo.

O gesto de Bellini após a conquista da Copa do Mundo na Suécia é até hoje repetido em qualquer competição. Tentando fazer com que todos vissem a Taça Jules Rimet, ele a levantou por cima da cabeça e marcou a história do futebol mundial.
Documento sem título

Cliquem nas fotos de cada  herói brasileiro campeão do mundo em 1958 e veja o arquivo mais completo da memória esportiva virtual

BelliniVicente FeolaDjlama SantosZitoNilton SantosOrlando PeçanhaGylmar dos Santos NevesGarrinchaDidiVaváZagalloPaulo Amaral

 

 

O futebol que temos é este…

Leia o post original por Odir Cunha

Perdeu, como podia empatar ou até ganhar. Bola pra frente…

O jogo foi equilibrado, a torcida compareceu desta vez e o Santos não jogou mal. A derrota por 2 a 1 para o Botafogo foi decidida em algumas jogadas. Quando o Santos era melhor, Thiago Ribeiro perdeu um gol feito e chegou atrasado em um cruzamento de Cicinho que seria outro gol. O time carioca, por sua vez, aproveitou a chance que teve para abrir o marcador, aproveitando uma jogada nas costas de Cicinho e um passe na área que caiu entre Durval e Mena.

No segundo tempo, em outra jogada pelos flancos, desta vez pela esquerda, outro cruzamento que passou entre Durval e Dracena e outro gol. Cícero diminuiu, em um belo chute de fora da área. Foi 2 a 1 para o Botafogo, uma equipe um pouco mais experiente e ajustada, mas poderia ser diferente. Faltam alguns ajustes no Santos. Torçamos para que Claudinei tenha visão e iniciativa de fazê-los.

Confira os melhores momentos de Santos 1 x Botafogo 2:

Hoje é dia do maior jogo que o futebol brasileiro já produziu

De um lado Pelé; do outro Garrincha; de um lado Zito, Pepe, Coutinho; do outro Didi, Zagalo, Amarildo; de um lado Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Mengálvio e Lima; do outro Manga, Quarentinha, Rildo, Joel… Eu ia escrever que Santos e Botafogo, os melhores times do mundo em 1962 e 63, estrelavam um confronto do mesmo nível de um Barcelona e Real Madrid hoje, mas, pensando bem, eram mais do que isso. Havia mais magia em campo…

O centro do futebol era aqui e os dois alvinegros representavam o melhor futebol que o mundo tinha visto até aquele momento. Mas o Santos era ainda mais poderoso do que o rival. Nos três confrontos mais importantes que fizeram, o Santos fez 13 gols e sofreu apenas um: 4 a 1 na final do Tereza Herrera, na Espanha, em 1959, quando o mundo estava de olho no duelo dos times que tinham os astros da Copa da Suécia; 5 a 0 na final da Taça Brasil de 1962 (jogado em abril de 1963) e 4 a 0 na semifinal da Libertadores de 1963. Por isso, para a história, o Santos ficou como o grande vencedor desse desafio.

Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, voltam a se enfrentar em um jogo importante, no qual a vitória interessa a ambos. O carioca quer continuar perseguindo o líder Cruzeiro, o Santos anseia chegar mais perto do G4 – o que três pontos hoje e três pontos sobre o Náutico, em jogo atrasado, tornarão plenamente possível. O ingresso está barato e o santista precisa comparecer para empurrar o time.

Arouca e Montillo voltam

Arouca e Montillo, recuperados de lesões musculares, devem voltar ao time, dando ao técnico Claudinei Oliveira o privilégio de escalar o melhor que este Santos pode oferecer. O Botafogo vem com seus destaques, o veterano Seedorf e o garoto Hyuri. O ex-santista Renato também está escalado e acho que seria muito legal a torcida bater palmas para ele quando adentrar a Vila Belmiro onde jogou tantas vezes e tanto ajudou o Santos, principalmente na conquista do Brasileiro de 2002.

O Santos deve jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa (Gabriel) e Thiago Ribeiro. O Botafogo, do técnico Osvaldo de Oliveira, provavelmente entrará em campo com Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Renato; Hyuri, Seedorf Rafael Marques; Elias.

A arbitragem será de Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por
Cristhian Passos Sorence (GO) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC).

Todas as circunstâncias indicam um bom jogo, disputado e com boa técnica. Os times se equivalem e o resultado natural seria o empate. Mas o fato de jogar em casa e vir de uma derrota obriga os santistas a buscarem mais a vitória. O adversário é forte e matreiro, mas o Santos tem de se impor.

Reveja o maior jogo do mundo, no maior estádio do mundo, na era do ouro do futebol, neste belo trabalho de Wesley Miranda:

E você, o que acha de Santos x Botafogo?

O futebol que temos é este…

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Meninos da Vila talentosos jogando pra frente: este é o sonho eterno dos santistas.

O futebol brasileiro está em crise e parece que as pessoas que vivem em torno dele também. Entre o que ele poderia ser e o que realmente é, há um abismo. Vivemos essa crise em todos os sentidos: técnico, tático, ético, de popularidade e, conseqüentemente, financeiro.

Falta fundamento aos jogadores, coragem e estratégia aos técnicos, moralidade aos organizadores e público nos estádios. Não é à toa que – sinal dos tempos – o outrora orgulhoso São Paulo está vendendo ingressos a dois reais. Daqui a pouco os clubes jogarão com portões abertos e mesmo assim os estádios não se encherão.

Uma seqüência de fatores, entre eles o espírito colonizado de nossa imprensa esportiva, tirou a credibilidade do futebol brasileiro e deixou claro para todos uma situação antes não declarada, ou seja, a subserviência do nosso jeito de jogar e fazer futebol ao decantado modelo europeu. Já fomos o centro, mas hoje somos o subúrbio, o arrabalde, a periferia do futebol.

Diante dessa dura realidade, os torcedores precisam criar fatos para alimentar sua paixão, ou ela também morrerá. Não importa que o Santos, sem dinheiro, esteja sobrevivendo graças a uma mescla de veteranos e garotos dirigidos por um técnico sem experiência. O torcedor quer esse time voando, como se uma equipe de Gylmar a Pepe estivesse em campo.

Não importa que o Corinthians venha de três jogos sem marcar um único gol e nem esteja no G4, apesar de ainda ostentar o título de campeão do mundo; não importa que o Palmeiras, por mais vitórias que consiga, dispute apenas a Série B; não importa que o São Paulo, na zona de rebaixamento, tenha de se humilhar para atrair os torcedores para o seu Morumbi. O torcedor precisa acreditar que é só uma fase passageira e que ainda há motivos para vangloriar-se de que o seu time é o maior.

Porém, nas crises surgem as teorias oportunistas que buscam jogar por terra os valores amealhados ao longo da história e, no lugar deles, inserir outros que alimentem o caos e a descrença. Até mesmo o estilo vistoso e ofensivo que caracterizou nosso futebol tem sido contestado por alguns – e como muitos leitores não têm conhecimento suficiente para raciocinar em cima do que lhe é imposto, a tese ganha adeptos.

Juro que li em algum lugar que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem minha. Que o Santos tem de jogar feio e retrancado mesmo, pois o importante é vencer. Ora, é claro que vencer é importante, mas quem disse que jogando feio e retrancado o time terá mais chance de vencer do que se jogar bonito e com uma mentalidade ofensiva?

Perceba que escrevi “mentalidade ofensiva”, pois ela é essencial para um time marcar gols. Isso não quer dizer que tenha de jogar com cinco atacantes, como nos anos 60. Mas tem de entrar em campo com planos definidos e bem treinados de se chegar ao gol adversário, pois isso ainda é a alma do futebol.

O grande Santos dos anos 60, o melhor time que já existiu, sabia da importância da defesa e provou isso ao não tomar gols e ao mesmo tempo golear o Botafogo duas vezes, nos jogos mais importantes que fizeram. Com um ataque que começava em Garrincha e terminava em Zagalo, o alvinegro carioca também era uma máquina de fazer gols. Mas perdeu para o Santos a final da Taça Brasil por 5 a 0 e a semifinal da Copa Libertadores de 1963 por 4 a 0, ambas no Maracanã, porque o Alvinegro Praiano era mais completo: além de um ataque incomparável, tinha uma excelente defesa e, mais do que isso, uma mentalidade ofensiva que prevalecia mesmo quando se defendia.

É pra se defender? Vamos defender com tudo. Mas quando temos a bola, precisamos de estratégias concretas para atacar e marcar gols. O que não pode é um time grande treinar 40 maneiras de destruir os ataques adversários, mas não saber o que fazer com a bola quando a tem. O ataque sempre foi o forte do Santos e sem ele o time se torna um qualquer. Se utilizar um monte de volantes e se defender loucamente fosse a solução dos problemas, os times pequenos seriam grandes e vice-versa.

Quando dominou o mundo o Santos tinha sempre o ataque mais positivo e nem sempre a defesa menos vazada. Em 1964 ele foi campeão paulista com 95 gols marcados e 47 sofridos. O segundo time com mais gols feitos, o Palmeiras, marcou 70. Porém, veja só quantas equipes sofreram menos gols do que o Santos: Portuguesa e Corinthians (34), América de São José do Rio Preto (35), Palmeiras (36), São Bento (38), São Paulo (40), Ferroviária (41), Guarani (44) e Comercial (45). Notou que o América sofreu 12 gols a menos do que o Santos no campeonato inteiro? Eu lhe pergunto: e daí?

O que nos resta

Sem craques notáveis; sem ídolos; sem técnicos mirabolantes capazes de formar times fantásticos, como foram Lula, Bella Guttmann e Telê Santana; o que resta ao torcedor brasileiro é transformar o pouco em muito. Ele sabe que, mesmo no campeonato de pior nível técnico, ainda assim haverá um campeão, haverá classificados para a Libertadores e equipes rebaixadas, e se apega a essas funcionalidades para viver o futebol do que jeito que dá.

Cada time tem sua cultura, seu DNA, que resiste, sobrevive e se sobrepõe ao longo do tempo. Descobri o do Santos estudando a história do clube desde o princípio, e usei esse termo – DNA – no livro Time dos Sonhos, lido e repercutido por outros santistas. Há expressões que são marqueteiras, forjadas, oportunistas, mas esta é o resultado de um longo estudo.

A reverência aos Meninos da Vila também não é uma invenção gratuita. Eles escreveram os capítulos mais brilhantes da história santista, pois estiveram majoritariamente presentes nos times formados em 1912, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010. Extirpe essas etapas da vida do Santos e pouco sobrará.

Portanto, se apesar do precário panorama geral do futebol brasileiro, o santista ainda tem no que acreditar, por que não fazê-lo? Se ainda temos uma história baseada no jogo ofensivo e na revelação de grandes jogadores – quase todos atacantes –, por que trocar essa vocação por desempenhos feios e medrosos?

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, por que não preparar esses Meninos com carinho e dar-lhes reais oportunidades de se tornarem ótimos profissionais? O que não se pode é deixá-los ao Deus-dará. Nessa fase da carreira o que mais precisam é de um acompanhamento pessoal, de alguém que os dirija ao caminho do sucesso. O trabalho com as divisões de base é a melhor opção e a grande esperança para esse futebol brasileiro obrigado a se reinventar.

E pra você, o que deve ser feito para o futebol brasileiro voltar a ser grande?

Neymar foi bem instruído e pelo menos por enquanto não cometeu o erro de Didi

Leia o post original por Quartarollo

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didiA Copa de 1958 terminou com novas estrelas cintilando no futebol mundial. Pelé era aclamado Rei aos 17 anos de idade e tinha ao seu lado gente como Gilmar, Djalma Santos, Zito, Garrincha, Vavá, Zagalo e o extraordinário Didi. Se … Continuar lendo

O que é eterno – e está nos livros – e o que é passageiro no futebol

Leia o post original por Odir Cunha

O Santos que goleou o Benfica no Estádio da Luz por 5 a 2, tornou-se campeão mundial e confirmou a supremacia do Brasil sobre a Europa na era de ouro do futebol.

Como em todo ano há e haverá campeões, qualquer que seja o nível técnico ou a relevância dos times, o torcedor muitas vezes fica em dúvida sobre o que é mais importante no futebol, sobre o que ficará para a história e o que passará, esquecido entre números e fatos similares. Bem, para se avaliar com propriedade um evento, é preciso notar o contexto histórico em que ele está inserido.

Se o Brasil, ainda hoje, mesmo sem ocupar as melhores posições no ranking de seleções, ou de times, da Fifa, ainda é respeitado como o país do futebol, é porque construiu essa imagem ao longo dos anos.

Costumo chamar o período de 1958 a 1970 a era de ouro do futebol-arte e, simultaneamente, a era de ouro do futebol brasileiro, porque foram naqueles 12 anos que o Brasil ganhou três das quatro Copas disputadas e revelou ao mundo um futebol vistoso, ofensivo, repleto de craques habilidosos, irreverentes, inesquecíveis, como Pelé, Garrincha, Didi, Coutinho, Pepe, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto Torres…

O bicampeonato de 1958 e 62 deu ao Escrete o status de melhor seleção do mundo. E o fato de o Santos se tornar o primeiro bicampeão mundial de clubes em 1962/63 confirmou que também entre os times o mais técnico futebol do planeta era praticado em terras brasileiras.

O Mundial de 1962, conquistado com duas vitórias sobre o Benfica, por 3 a 2, no Maracanã, e 5 a 2 no Estádio da Luz, em Lisboa, gerou frases de admiração e espanto dos mais respeitados especialistas do esporte. O francês Gabriel Hanot, editor do L’Équipe, ex-jogador e jornalista que criou a Liga dos Campeões, disse: “Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved”.

Honved era uma equipe húngara que fez furor na década de 1940. O depoimento de Gabriel Hanot, que nasceu no século XIX e viveu o surgimento e o crescimento do futebol na Europa, tinha uma importância fundamental ao designar o Santos como o melhor time de todos os tempos.

Em 1963, quando se sagrou o primeiro bicampeão do mundo mesmo sem Pelé, Calvet e Zito, e uniu técnica e garra para derrotar o Milan, promissor campeão europeu, o Santos ratificou sua supremacia, e a supremacia do futebol brasileiro. Enviado ao Rio para cobrir os jogos, o jornalista argentino Bernardo Neustadt escreveu: “Ainda que hoje envelhecido, o Santos é mais do que o Milan no aspecto técnico. Entendo que mesmo com problemas na última noite, ganhou bem. Que o título está nas mãos mais aptas”.

O craque Gianni Rivera, que se tornaria um dos grandes ídolos do futebol italiano, na época um atacante promissor do Milan de apenas 20 anos, concordou com o jornalista argentino: “O Santos é uma equipe madura, com jogadores veteranos, mas, tecnicamente, muito superior à nossa. A chuva nos freou e, então, morta a velocidade, sem a circunstância física, nos superaram”.

Assim, para as estatísticas do futebol, todo ano há campeões, números, porcentagens etc, mas, para a história, obviamente alguns campeões e algumas circunstâncias serão mais relevantes. As conquistas do Santos venceram as últimas resistências e consolidaram um domínio do futebol brasileiro que só foi rigorosamente questionado com o sucesso da Holanda e da Alemanha Ocidental na Copa de 1974.

Hoje, a supremacia da Europa – tanto em seleções, como em clubes – é inquestionável, e o máximo que uma vitória brasileira poderá conseguir no Mundial de Clubes é ser olhada como um gesto de resistência, como foram os títulos de Internacional e São Paulo, que nada mudaram no panorama global do esporte.

Continuamos vendo os europeus recebendo as maiores cotas de tevê para vender seus campeonatos; escolhendo os melhores jogadores do ano apenas entre os que jogam lá; elegendo suas equipes e competições como as mais bem organizadas do planeta e forçando a barra para que todos os jogadores de destaque se mudem para seus times. Ou seja: querem ser vistos como os únicos fornecedores do espetáculo futebol – e acabam conseguindo isso com a cumplicidade da própria crônica esportiva sul-americana, que deveria se apor a essa dominação.

Dê livros no Natal! Aproveite a promoção do Blog!

O que é relevante fica para a história, para os livros. Talvez por isso o Santos tenha tantos livros sobre ele. E para facilitar a difusão dessa rica história, neste Natal o Blog do Odir fará uma promoção geral que envolverá todos os títulos, incluindo o luxuoso Livro do Centenário. Aproveite! É só clicar no banner superior do blog e será direcionado aos livros, com preços beeeem promocionais!

Percebeu a diferença entre o eterno e o passageiro no futebol?

Puxei da Memória SANDISK: Brasil deu show na Suécia, em 1958 também!

Leia o post original por miltonneves

Hoje  é dia de puxar da memória com a Sandisk! Ontem o Brasil goleou a Suécia por 3 a 0 e em 1958, no mesmo estádio Rasunda de Estocolmo, Pelé e companhia aplicaram um sonoro 5 a 2, nos donos da casa, trazendo a primeira Copa do Mundo para o nosso país.


Que imagem maravilhosa! O Rei sueco Gustavo VI cumprimentando Pelé ,
sob os olhares de Zito (de bigodinho) e também de Zagallo.


Dois craques inconstestáveis! Do lado esquerdo, nada mais, nada menos,  que o Rei do Futebol Pelé
e na direita, José Altafini Mazzola nos arredores da concentração brasileira na Suécia


O experiente Zito levando Pelé para passear na Suécia


Foto raríssima: na esquerda Didi, seguido por Garrincha e por último o menino Pelé



Momento de descontração antes da estreia na Copa de 1958.
O primeiro da esquerda para a direita, é Didi, no centro,
o massagista Mário Américo e na direita, Garrincha

 

Clique aqui e guarde momentos maravilhosos na memória Sandisk!


Santos contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet

Leia o post original por Odir Cunha

Os 5 a 0 de ontem pela melhor TV do mundo: a SantosTV:

Bastidores do “Nós contra Rapa”:


O santista Carlos Alberto Torres ergue a Jules Rimet

Participei ontem, domingo à noite, do programa Esporte Visão, da TV Brasil, e em determinado momento afirmei que o Santos foi o time que mais contribuiu para a conquista da Taça Jules Rimet. Ao que fui agressivamente contestado pelo companheiro Márcio Guedes, que participava do programa do estúdio no Rio de Janeiro.

Acho que expliquei que, somados titulares e reservas, o Santos teve mais jogadores nas três Copas que deram ao País a posse definitiva da Taça. Foram três jogadores em 1958 (Pelé, Zito e Pepe), sete em 1962 (Pelé, Zito, Pepe, Gylmar, Mauro, Mengálvio e Coutinho) e cinco em 1970 (Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto, Joel e Edu), completando 15. Nenhum outro time cedeu tantos jogadores. O segundo é o Botafogo, com nove, ou seis a menos.

Ouvia os convidados do Rio pelo “ponto”, aquele aparelhinho que a gente põe no ouvido. Se mais de uma pessoa fala ao mesmo tempo, você não consegue distinguir bem. Só sei que ouvi o Márcio dizer que reservas não valem, que os titulares é que jogam. Claro que concordo com essa afirmação. Percebi que ele deve ter entendido que eu disse que o Santos teve mais reservas. Se eu disse isso, me embananei, pois queria dizer que o Santos teve mais jogadores somando-se titulares e reservas.

Como o Márcio Guedes deve ter uns 413 anos de crônica esportiva e como reagiu de maneira tão confiante e até um tanto brusca, preferi não estender a discussão, até porque não há como comparar os resultados do Santos de Pelé e do Botafogo de Garrincha, por mais boa vontade que se tenha. Um foi seis vezes campeão brasileiro, duas vezes da Libertadores e duas Mundial; o outro só ganhou um brasileiro, o da Taça Brasil de 1968, direito que defendi galhardamente no Dossiê da Unificação.

Santos também teve mais titulares na Jules Rimet

A vida é um constante aprendizado e não tenho nenhum problema de aprender uma nova lição a cada dia. Assim, humildemente, ao chegar em casa, fui consultar meus livros para checar a informação que Márcio Guedes anunciou com tanta certeza. Confira junto comigo, caro leitor e cara leitora:

Copa de 1958 – O Santos colaborou com os titulares Pelé e Zito; enquanto o Botafogo cedeu Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos ainda teve um reserva, Pepe, enquanto o alvinegro carioca não teve nenhum reserva.
Detalhes – Em 1958, Zagalo do Flamengo, assim como Gylmar ainda era do Corinthians e Mauro do São Paulo.

Copa de 1962 – O Alvinegro Praiano teve quatro titulares: Pelé, Gylmar, Mauro e Zito. O Botafogo, outros quatro: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo. Entre os reservas ainda havia três santistas: Mengálvio, Coutinho e Pepe. O Botafogo tinha um reserva: Amarildo.
Detalhes – Pelé se machucou no segundo jogo e foi substituído pelo botafoguense Amarildo. Coutinho e Pepe foram inscritos na Copa como titulares, mas, devido a contusões nos últimos jogos preparatórios, Coutinho foi substituído pelo palmeirense Vavá e Pepe pelo botafoguense Zagalo.

Copa de 1970 – O Santos teve três titulares no México: Pelé, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. E ainda mais dois reservas: Joel Camargo e Edu. O Botafogo só teve Jairzinho como titular. Roberto e Paulo Cezar Lima, ou “Caju”, foram reservas.
Detalhes – Gérson foi inscrito na Copa como jogador do São Paulo. Nas Eliminatórias, quando o time foi denominado “As Feras do Saldanha”, por ser dirigido pelo jornalista João Saldanha, o Brasil fez todos os jogos com seis titulares do Santos: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Pelé e Edu.

Portanto, em que pese a ênfase dada pelo companheiro Márcio Guedes, a realidade é que além de ter mais jogadores nas três Copas, somando-se titulares e reservas, o Santos também teve mais titulares do que o alvinegro carioca nas Copas que deram ao Brasil a Jules Rimet.

Mesmo que se divida a titularidade entre Pelé e Amarildo em 1962, o fato de ter dois titulares a mais em 1970 ainda daria ao Santos o mesmo número de titulares do que o Botafogo, com nove titulares nas três Copas. Isto sem contar os reservas, que proporcionam uma vantagem absoluta ao melhor time de todos os tempos. E ainda sem contr o time nas Eliminatórias de 1970.

E pra você, que time contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet?