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Dinamarca 1×1 Austrália

Leia o post original por Rica Perrone

É até difícil comentar um jogo desses porque o que mais eu elogiaria provavelmente nem se classifique. Mas a Austrália, embora  não tenha vencido ainda na Copa, é uma das seleções que melhor me impressionaram. Não, não é porque joga uma barbaridade. É pela evolução. Pela brutal diferença do jogo ruim que praticavam por décadas…

Opinião: Neymar mostra quatro faces na Rio-2016

Leia o post original por Perrone

Um jogador comum, o maestro do time, craque que garante a vitória num lance e o esquentadinho que pode ser expulso e colocar tudo a perder. Essas quatro faces foram apresentadas por Neymar até aqui na Rio-2016, numa demonstração de irregularidade preocupante para a seleção brasileira.

Nas duas primeiras partidas da Olimpíada, os empates sem gols contra África do Sul e Iraque, o astro do Barcelona teve atuação discreta, não fez algo que o destacasse dos demais.

Já diante da Dinamarca, foi maestro, garçom e fundamental para a goleada por 4 a 0, mesmo sem balançar as redes.

Neste sábado, desequilibrou uma partida difícil com a Colômbia ao cobrar uma falta com maestria e abrir o caminho para a vitória por 2 a 0 que colocou a seleção nas semifinais da Olimpíada. Porém, no mesmo jogo, Neymar mostrou uma impressionante dificuldade para lidar com provocações e marcação dura, às vezes violenta, dos adversários. O atacante do Barça levou um cartão amarelo e ficou a impressão de que poderia cair na armadilha colombiana e ser expulso.

A maneira como se desequilibrou não combina com a experiência que o brasileiro já tem, apesar de jovem. Muito menos com a braçadeira de capitão do time nacional. Desde as categorias de base ele é caçado e provocado. Deveria saber tirar isso de letra. Mas não sabe, e quando os rivais apertam o botão certo ele vira uma bomba-relógio, capaz de explodir o sonho dourado da seleção com uma expulsão.

Essas atuações irregulares fazem a sorte do Brasil na Rio-2016 depender de qual Neymar estará em campo contra Honduras e numa eventual final ou disputa pelo bronze.

Vitória tranquila do Brasil

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

A Seleção Brasileira venceu a Dinamarca com tranquilidade em Salvador e agora enfrenta a Colômbia nas quartas.

Micale iniciou com os quatro atacantes. Manteve Gabriel na direita, abriu Gabriel Jesus na esquerda e colocou Neymar e Luan por dentro, com o gremista dentro da área na maior parte do tempo.

Nos jogos anteriores, o time caiu de produção com os quatro juntos, mas desta vez foi diferente. Neymar fez muito bem a função pelo meio, soube o momento de cadenciar e o momento de acelerar.

O gol cedo deu tranquilidade. Nos outros jogos, a ansiedade tomou conta, conforme o tempo passava e o gol não saía.

Foi a primeira boa atuação coletiva da Seleção, com isso o individual cresce. Gostamos de criar heróis e vilões, claro que existem os destaques negativos e positivos, mas se o coletivo não funcionar o time não anda. O individual pode resolver alguns jogos pontualmente, mas não um campeonato.

No Grupo B, seguem o craque e o time

Leia o post original por André Rocha

O fantástico Cristiano Ronaldo de Manchester United e Real Madrid, Bola de Ouro em 2008 e sempre candidato a craque e artilheiro dos campeonatos que disputa, enfim deu as caras com a camisa da seleção portuguesa.

Sem medo de arriscar e ser decisivo, o atacante resolveu o jogo e a classificação de seu país para as quartas-de-final com a melhor atuação individual até agora na Eurocopa. Dois gols que poderiam ter sido quatro se as bolas nas traves tivessem ido às redes de Stekelenburg, que evitou uma despedida ainda mais melancólica da outrora favorita Holanda no Estádio Metalist.

Os críticos ferrenhos do camisa sete podem justificar o espetáculo com o pífio desempenho da retaguarda da Oranje na partida e na fase final do torneio. Mas Cristiano Ronaldo já teve atuações apagadas contra defesas tão ou mais frágeis.

Precisando da vitória, Bert van Marwijk trocou Van Bommel e Afellay por Van der Vaart e Huntelaar. Porém insistiu com Sneijder pela esquerda e Van Persie por dentro completando com Robben a linha de três armadores no 4-2-3-1 holandês.

Até abrir o placar com o belo chute de Van der Vaart, a Holanda acuou o adversário abafando a saída de bola e jogando com volume e intensidade. Pela direita, Robben levava vantagem sobre Coentrão, que não tinha o auxílio de Cristiano Ronaldo na recomposição. Por ali surgiu a jogada do primeiro gol.

Mas com o recuo natural na tentativa de controlar o jogo, a equipe de Van Marwijk mostrou porque precisava de dois volantes marcadores à frente da defesa. Exposta e hesitante, foi presa fácil para Cristiano Ronaldo.

O mérito do técnico Paulo Bento foi encontrar uma solução para liberar o craque do time sem prejudicar a marcação pelo lado esquerdo: inverteu o posicionamento de Moutinho e Meireles. Mais marcador, o meia do Chelsea abria para combater à esquerda e Nani, como compensação, voltava pela direita formando praticamente uma linha de quatro no meio-campo. Bem parecido com o que o Vasco de Cristóvão Borges faz para proteger Felipe na lateral e liberar Diego Souza pela esquerda (leia mais AQUI).

Holanda exposta em um 4-2-3-1 ultraofensivo que funcionou até abrir o placar; Portugal atacando no 4-3-3 e defendendo com duas linhas de quatro (Nani recuado e Meireles aberto à esquerda) e Cristiano Ronaldo livre para puxar contragolpes e desequilibrar.

Com liberdade de movimentação, “mordido” com as críticas e diante de uma marcação frouxa, Cristiano Ronaldo fez a diferença e protagonizou a virada com dois belos gols. O segundo foi típico do craque: contragolpe rápido, recebeu a inversão de Nani em alta velocidade e teve a calma de limpar Van der Wiel e tirar do alcance do goleiro.

Van Marwijk, que já havia mudado o posicionamento dos meias centralizando Sneijder, abrindo Van Persie à direita e invertendo o lado de Robben, arriscou tudo trocando o violento Willems – bom “discípulo” de De Jong, que agrediu Raul Meireles na intermediária holandesa e nem amarelo recebeu – por Afellay. Em uma espécie de 3-1-4-2 sem lateral ou ala esquerda, a Holanda ficou com a bola (terminou com 62% de posse), mas pouco criou e concluiu – apenas três finalizações certas, além do chute na trave de Van der Vaart, contra oito lusas – e foi um convite às arrancadas de Ronaldo nos contragolpes.

Para que sua estrela maior brilhasse, a seleção portuguesa funcionou coletivamente com solidez defensiva, apoio efetivo dos laterais João Pereira e Coentrão e toque fácil no meio-campo. No final, se defendeu com cinco homens na última linha após a entrada do zagueiro Rolando na vaga de Nani. Custódio alinhou com Miguel Veloso à frente da retaguarda e Nélson Oliveira, que entrara na vaga do apagado Postiga, ficou mais à frente.

No final, Portugal com cinco zagueiros e dois volantes para conter o sexteto ofensivo holandês.

Vitória para mudar o patamar e as perspectivas portuguesas no torneio. Entra como favorita diante da República Tcheca. Ainda mais se o melhor jogador europeu seguir brilhando. A Euro pode ser do craque.

Ou do melhor time. Única com 100% de aproveitamento na primeira fase e com impressionantes 14 vitórias consecutivas em jogos oficiais, a Alemanha ratifica todo o favoritismo atribuído antes da bola rolar na Ucrânia e na Polônia.

Nos 2 a 1 sobre a Dinamarca em Lviv, teve calma para controlar o jogo e trabalhar a bola diante do ferrolho armado por Morten Olsen em busca do empate. No 4-1-4-1, o plano era travar a articulação alemã com Kvist entre as linhas de quatro acompanhando Ozil e Zimlig e Jacob Poulsen atento à movimentação de Khedira e Schweinsteiger, volantes no 4-2-3-1 germânico que marcam, jogam, trocam de lado e alimentam o quarteto ofensivo.

Com o meio-campo bem marcado, a Alemanha mostrou que sabe criar também pelos lados: jogada de Thomas Muller pela direita, centro que passou pelo artilheiro Mario Gomes, mas não por Podolski, meia pela esquerda que não brilha tecnicamente, mas compensa com inteligência tática e bom entendimento com Philipp Lahm.

A Dinamarca empatou com sua única ação de ataque efetiva ao longo da Euro além dos contragolpes: centro da direita de Jacobsen na cabeça de Bendtner. O gigante ajeitou e Khron-Dehli venceu Neuer em uma das duas conclusões certas na partida (contra quatro alemães), além da conclusão na trave de Jacob Poulsen. Muito pouco para quem passou a depender da vitória desde o empate luso na outra partida.

Dinamarca no 4-1-4-1 negando espaços a Ozil, Khedira e Schweinsteiger, mas o 4-2-3-1 alemão também funciona pelos flancos com a técnica de Muller e a inteligência tática de Podolski.

Sem mudar o ritmo, a equipe de Joachim Low seguiu rondando a área do oponente e ganhou movimentação na frente com as entradas de Andre Schürrle e Klose nas vagas de Podolski e Gomez. Na jogada de Ozil pela esquerda, o gol de Bender, meiocampista improvisado na lateral que melhorou a produção ofensiva pela direita.

A Alemanha tem tradição, entrosamento, mantém a força mental, a concentração e a perseverança que caracterizam a seleção desde sempre e agora tem a técnica de uma geração talentosa que vai ganhando “cancha” em grandes competições.

O tetra continental é mais que possível. A menos que a Espanha novamente surja no caminho. Ou um Cristiano Ronaldo iluminado.


E Varela salvou Cristiano Ronaldo do “carrasco” Bendtner

Leia o post original por André Rocha

Silvestre Varela é um ponteiro revelado no Sporting e que joga no Porto bicampeão português. Útil taticamente, mas sem protagonismo no time de Hulk e João Moutinho. Niklas Bendtner é a referência do ataque dinamarquês, mas não prima pela técnica e depois de passagem sem brilho pelo Arsenal, apesar de alguns bons momentos, foi emprestado ao Sunderland.

Cristiano Ronaldo dispensa apresentações. Só fica atrás de Messi na disputa pelo trono do planeta bola. Entre os três personagens, quem teria mais chances de ser fundamental em um jogo decisivo?

Como futebol não é estatístico nem lógico, por isso apaixonante, Portugal precisou de muito mais que sua maior estrela para superar a dura Dinamarca no Estádio Metalist.

Ronaldo jogou pela esquerda do ataque no 4-3-3 habitual dos lusos. Os dois gols da equipe surgiram em jogadas pelo setor. Mas foi João Moutinho quem cobrou o escanteio para Pepe, um dos melhores zagueiros do torneio até agora, escorar para as redes e Coentrão o autor do cruzamento para Nani servir e Postiga desviar do goleiro Andersen.

Com Jakob Poulsen na vaga do lesionado Zimlig desde os 16 minutos, a Dinamarca abandonou a proposta inicial de forte bloqueio e passou a ocupar o campo de ataque. Com Krohn-Dehli bem marcado e Eriksen novamente apagado na articulação central do 4-2-3-1 costumeiro, restava à equipe de Morten Olsen rodar a bola até o cruzamento para Bendtner.

No entanto, o gol dinamarquês saiu no centro de Jacobsen, antes mais contido pela direita para vigiar Cristiano Ronaldo, para Dehli, que escorou e Bendtner colocou nas redes pouco antes do intervalo.

Portugal no 4-3-3 costumeiro e objetivo no ataque; Dinamarca no 4-2-3-1 acionando Bendtner.

Na segunda etapa, cenário óbvio: Portugal mais contido, marcando com Nani à direita acompanhando C.Poulsen e tentando acelerar os contragolpes com Cristiano Ronaldo; Dinamarca com Mikkelsen na vaga de Rommedahl, em nova troca por lesão, e tocando a bola no campo português, mas sem muitas ideias.

Cristiano Ronaldo perdeu a primeira chance de definir o jogo logo aos 4 minutos em contra-ataque velocíssimo. A Dinamarca ameaçou em chutaço do meia central Kvist e com Bendtner, que limpou Coentrão e bateu para fora com perigo. Paulo Bento trocou o extenuado Postiga pelo promissor Nélson Oliveira, mas o ataque não ganhou mobilidade e rapidez.

Quando a disputa parecia morna e o time dinamarquês cansado, veio a sequência capital: aos 32, gol feito perdido por Ronaldo à frente de Andersen, daqueles que o camisa sete marca aos caminhões pelo Real Madrid – bem semelhante ao lance que decidiu o campeonato espanhol no Camp Nou contra o Barcelona. Dois minutos depois, novo centro de Jacobsen, que não foi acompanhado pelo craque português, e cabeçada de Bendtner às costas de Pepe. O sexto do “carrasco” em cinco jogos contra Portugal. Fundamental para manter a “zebra” do grupo A com boas chances de classificação.

Enquanto o mundo via incrédulo, mas também impiedoso, o jogador mais valioso e talentoso da Euro falhar novamente em momento decisivo para sua seleção, Varela entrava em campo no lugar de Raul Meireles. Em um ofensivo 4-4-2, com Varela e Nani pelos lados e Cristiano Ronaldo e Nélson Oliveira na área, Portugal se lançou à frente. Sem coordenação, muito mais no “abafa” por conta da necessidade do resultado.

Aos 42, o momento chave, prova cabal da imprevisibilidade e até da democracia do esporte. O heroi seria o limitado Bendtner e Cristiano Ronaldo o questionado. Mas Nani centrou da esquerda, Varela furou espetacularmente, porém a bola caiu à feição para o chute forte que redime Portugal na Euro.

Mais que isso, salvou Cristiano Ronaldo das críticas pela atuação infeliz e da sádica alegria de quem vê no fantástico atacante apenas um “produto de marketing”. Dos pés não tão brilhantes de Varela nasce uma nova chance para Portugal e seu craque. Isso é futebol.

No momento do gol salvador de Varela, Portugal atacava num ousado 4-4-2 com Cristiano Ronaldo centralizado ao lado de Nélson Oliveira.


Portugal bate Dinamarca no melhor jogo da Euro-12

Leia o post original por Antero Greco

Jogo bom, pra mim, é aquele que tem muitos gols, chances perdidas, placar indefinido, nervosismo até o final. Esses ingredientes todos se combinaram na partida em que Portugal, agora há pouco, derrotou a Dinamarca por 3 a 2, em Lviv, na Ucrânia. O resultado deixa o Grupo B embolado, com as duas equipes com três pontos. Logo mais jogam Holanda (zero ponto) x Alemanha (três). Chave bem embolada, como se previa.

Velocidade e ousadia também fizeram parte da rotina do duelo. Os portugueses tomaram a iniciativa do jogo, pressionaram, fecharam espaços para os dinamarqueses e abriram dois gols de vantagem, com Pepe aos 24 e com Postiga aos 36. A situação só não ficou totalmente tranquila, antes do intervalo, porque a Dinamarca diminuiu com Brendtner aos 40. Ele só confirmou a estrela que tem contra os lusos, pois havia marcado em quatro duelos anteriores.

E foi o próprio Bendtner quem colocou pilha total, ao empatar aos 35 da etapa final, depois de os dinamarqueses terem forçado o ritmo. Aquele placar era devastador para Portugal, porque o deixava bem perto da desclassificação, após a derrota na rodada inaugural. Mas Varela, aos 42 minutos, se encarregou de manter as esperança dos vice-campeões europeus de 2004.

Até agora essa foi a melhor partida da equilibrada Euro-12.  Valeu pela entrega das duas equipes. Um confronto, porém, no qual não brilhou Cristiano Ronaldo. O astro português esteve aquém do que costuma apresentar no Real Madrid – e na própria seleção -, perdeu chance clara, antes do empate da Dinamarca, e ainda tomou um cartão amarelo. Pareceu abatido com o desempenho.

 

Os pecados da Holanda na trágica estreia

Leia o post original por André Rocha

Seleções no 4-2-3-1; Holanda ocupou o campo de ataque e criou, mas a Dinamarca que foi às redes.

– O time de Bert Van Marwjik marcou à frente, movimentou o quarteto ofensivo, ficou com a bola – chegou a ter 70 % de posse – e transformou o domínio em conclusões. Mas não em gols. De um total de 30 arremates, apenas cinco foram na direção da meta de Andersen.

– Os números chamam ainda mais a atenção considerando que Van Persie, o atacante único do 4-2-3-1 holandês, foi um dos artilheiros da temporada europeia (44 gols em 57 jogos). A atuação na estreia, porém, foi tétrica, com direito a furada monumental e erros primários;

– Quando o combate na intermediária adversária era superado, a última linha defensiva sofria com a exposição. Por isso o treinador insiste com De Jong e Van Bommel à frente da zaga. No primeiro mano a mano, Krohn-Delhi passou como quis por Heitinga e tocou na saída de Stekelenburg;

– A Dinamarca em nenhum momento abdicou do ataque. Só não conseguia jogar. Eriksen, o meia central do 4-2-3-1 de Morten Olsen, se entregou à marcação de De Jong e a saída de jogo ficou prejudicada. A saída foi a óbvia: recuar e compactar as linhas;

Flagrante da compactação defensiva da Dinamarca, chegando a concentrar seis homens à frente da defesa (imagem: reprodução SporTV).

– No toque errado do goleiro Andersen, a trave impediu o gol de Robben, que novamente pecou pelo individualismo. Quando o camisa onze teve a melhor chance de concluir…preferiu tocar. Definitivamente, a fase não é das melhores;

– No segundo tempo, as entradas de Van der Vaart e Huntelaar nas vagas de De Jong e Affelay empurraram Sneijder para a esquerda. Por ali o camisa dez acertou lindo passe de três dedos para Huntelaar, mas Andersen salvou.

– No desespero, a entrada de Kuyt no lugar de Van der Wiel abrindo de vez a Holanda em uma espécie de 3-1-4-2 pouco acrescentou quando o nervosismo pela estreia catastrófica já era maior que o ímpeto ofensivo. A Dinamarca ganhou espaços e confiança para equilibrar a posse de bola – no final, apenas 55% para a Holanda – e administrar o resultado surpreendente, que torna ainda mais imprevisível a disputa no Grupo B.

No final, o desespero holandês em uma espécie de 3-1-4-2 recheado de atacantes, mas pouco efetivo.


As boas notícias de Hamburgo

Leia o post original por André Rocha

– A seleção de Mano Menezes marcou à frente, pressionou a saída da Dinamarca, trabalhou a bola desde a defesa e chutou de fora da área nos ótimos primeiros 45 minutos em Hamburgo. Tudo que não vinha acontecendo em sincronia no trabalho coletivo;

– Oscar vestiu bem a camisa dez e deu à articulação central no 4-2-3-1 brasileiro a dinâmica que Ganso, por estilo, e Ronaldinho, por preguiça, não conseguiram. Combateu no campo adversário, recuou no momento certo para trabalhar a saída de bola com os volantes e passou com correção. Só precisa ganhar um pouco de massa muscular para agüentar a intensidade de jogos mais marcados. Ainda assim, foi a melhor notícia do amistoso, com sobras, pela dificuldade de encontrar o meia para a função;

– Hulk repetiu com a camisa verde e amarela o desempenho no Porto há, pelo menos, três anos. No primeiro gol, o domínio pela meia direita, o timing para esperar o lateral-direito passar atraindo a marcação, o corte para dentro e o canhão de canhota com efeito que Sorensen aceitou; A colaboração na pressão sobre a defesa da Dinamarca resultou na bola roubada por Oscar e nas belas jogadas que terminaram no segundo (Zimling, contra) e no terceiro gol, do próprio Hulk. O atacante lembra em vários lances o Adriano Imperador, enquanto este quis ser um atleta profissional. Corre por fora atrás de uma vaga na Olimpíada;

– Thiago Silva pode ser o líder que faz falta há tempos. Não se conforma com derrotas e erros, segue evoluindo, mesmo com o reconhecimento como um dos melhores defensores do planeta, e cobra dos companheiros dando o exemplo. Cobriu Danilo, orientou o menino Juan no auxílio ao pouco inspirado Marcelo e tranqüilizou Jefferson na meta. Nome certo em Londres;

– Rômulo e Sandro protegeram a defesa e facilitaram o toque de trás com simplicidade. Casemiro também entrou bem. É outro setor que ganha soluções em momento importante. Com a bola e no trabalho defensivo;

– A Dinamarca fez boa campanha nas Eliminatórias da Eurocopa e até reagiu no segundo tempo, diminuindo com Bendtner. Mas o 4-2-3-1 não funcionou, Eriksen, o meia criativo, ficou encaixotado pelos volantes brasileiros, a retaguarda foi surpreendida pela vontade do oponente na ocupação do campo de ataque e Bendtner sofreu isolado na frente. Uma combinação do mérito brasileiro e uma performance pouco inspirada da seleção nórdica, que deve penar no Grupo B diante de Alemanha, Holanda e Portugal;

– Mesmo com Damião fora de sintonia e Lucas sacrificado pela esquerda, o trabalho do quarteto ofensivo foi o melhor desde a estreia de Mano nos 2 a 0 sobre os Estados Unidos. Hoje é possível imaginar esta formação inicial com Neymar pela esquerda como a que deve ganhar sequência no futuro;

– Aliás, agora já é possível vislumbrar um futuro para a pressionada seleção de Mano. Sem ufanismo e conclusões precipitadas, mas com o otimismo que a equipe brasileira fez por merecer.

O 4-2-3-1 brasileiro funcionou com Oscar na articulação central, Hulk buscando a diagonal a partir da direita, sacrificando Lucas do lado oposto, marcou à frente e evoluiu muito coletivamente; Dinamarca, no mesmo desenho tático, foi surpreendida pela postura do oponente, mas mostrou que terá muitos problemas na Eurocopa.