Arquivo da categoria: doping

Punir ou tratar? Que tal separar?

Leia o post original por Rica Perrone

A polêmica está de volta. Jogador dopado com cocaina é “vítima” pra alguns, vilão pra outros.  Eu vou morrer abraçado a minha “ignorancia” de achar que ninguém é vítima de um pó assassino que voa para as narinas de pessoas indefesas que estão trabalhando dignamente. E mais: vou morrer sabendo separar as funções. A Conmebol…

Doping: o importante é… faturar

Leia o post original por Antero Greco

O mercado do doping movimenta milhões, talvez bilhões de reais, euros, dólares ou a moeda que você escolher.

Quanto vale o atleta campeão, ganhador de medalhas, recordista? Quanto custa montar um laboratório? Quanto custa cada exame antidoping?

Isso só no mundo do esporte regularizado, “fiscalizado”, televisionado.

Imaginem o dinheiro que rola com o doping de academia: aquele das substâncias que dão músculos, que dão corpo sarado, que envenenam embelezando os jovens?

Pois bem. A nadadora Etiene Medeiros, uma das jóias do esporte nacional, foi apanhada no antidoping ( prova e contraprova). A defesa da atleta alega que a substância fenoterol encontrada em no exame está em um remédio para asma.

Recentemente, a melhor velocista do atletismo do país, já credenciada para a Olimpíada, foi apanhada no controle.

Três meses atrás, a apanhada foi a nossa melhor lutadora de boxe, também com passagem garantida para os ringues dos Jogos do Rio.

E teve ciclista apanhado e atletas de várias outras modalidades. Isso só no Brasil.

O mundo tem uma novidade a cada dia, deixando de lado os russos e a musa Maria Sharapova.

Voltando ao Brasil: se a coisa está assim tão comum, assídua e disseminada, não seria a hora de procurar os responsáveis?

Ou ainda tem quem acredite que atleta se dopa sozinho? Ou toma remédios por conta própria? Hora de investigar entidades, clubes, médicos, treinadores.

É capaz de continuar sobrando apenas para os jovens praticantes do esporte de alto nível. Afinal, o esquema é milionário e tem de seguir adiante.

Como não dizia o velho Barão: no esporte, o que importa é ganhar… dinheiro.

Custe o que custar.

(Com participação de Roberto Salim.)

Ciclismo julga atleta que driblou antidoping

Leia o post original por Antero Greco

Reportagem de Roberto Salim.

Nesta terça-feira (22), no bairro do Capão da Imbuia, em Curitiba, um novo caso de doping no esporte brasileiro poderá ser elucidado. Caso incomum.

Um escândalo, se for confirmado que o ciclista Ricardo Andrei Queiroz Ortiz fugiu do exame antidoping com o auxílio do técnico Luiz Mazzaron, da equipe de Osasco.

Era o dia 15 de novembro do ano passado, quando se disputava na cidade de Botucatu (interior de São Paulo) uma etapa da Copa América de Ciclismo – Tour Brasil. Como vem fazendo nestes meses antes da Olimpíada, a agência ABCD – responsável pelos exames antidoping em nosso país – resolveu dar uma blitz após a etapa botucatuense. E… Ortiz teria fugido do exame.

Pelo menos é o que consta da intimação emitida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação de Ciclismo para que o atleta e seu técnico compareçam à sessão das 18 horas desta terça feira no tribunal, cuja sede fica na Secretaria de Esportes e Turismo de Curitiba.

“O ciclista fugiu com o auxílio do treinador”, escreveu no documento o procurador geral do STJD do Ciclismo, Said Mohmoud Abul Fattah Júnior.

Também foram intimados a comparecer ao tribunal o comissário chefe da União Ciclística Internacional naquela prova, Iverson Ladewig. Mais o oficial de controle de dopagem Luiz Eduardo

Cavedal. E ainda o senhor Luís Gabriel Gago Horto, consultor internacional contratado pela Unesco para a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Todos eles seriam testemunhas da fuga de Ricardo Andrei Queiroz Ortiz, que é o campeão paulista de provas de montanha.

O que complica mais a situação do ciclista é o fato dele já ter sido suspenso por doping, pelo uso de eritropoetina, no ano de 2009.

Conversando às 14 horas desta segunda-feira, com o procurador Said Mohmoud, ele confirmou o julgamento e disse que no tempo em que trabalha no STJD do ciclismo nunca participou de caso em que o ciclista fugiu do exame.

Mohmoud falou também que o caso da ciclista Uênia Fernandes foi julgado novamente e ela foi punida com 4 anos de suspensão, depois de ter sido inocentada pelo próprio STJD. Houve uma reviravolta no caso e a decisão foi alterada.

Pelos bastidores corre a informação de que um novo caso, envolvendo um ciclista famoso, virá à tona.

Doping só para Sharapova e russos?

Leia o post original por Antero Greco

Crônica de Roberto Salim.

O esporte brasileiro andou muito tempo atrasado quando o assunto era doping. Agora, infelizmente, já atingiu o primeiro mundo das substâncias proibidas. Os órgãos nacionais responsáveis pelo controle andam a passo de tartaruga, mas temos um número considerável de atletas consumidores de droga na lista de dopados.

Houve um tempo em que a inocência imperava em nossas equipes. Dona Vanda dos Santos, por exemplo, participou da Olimpíada de Helsinque, em 1952, e para ficar mais competitiva nas provas de atletismo o técnico lhe dava gemada.

Mais recentemente, pouquinho antes dos anos 2000, acompanhando um treinamento da Beth do levantamento do peso, fui com ela até um açougue na cidade de Viçosa, onde mora até hoje. Falavam que a creatina era boa para a saúde e ela foi pedir ao açougueiro alguns olhos de boi – pois lhe falaram que havia creatina neles. Beth nunca usou a creatina vendida nos potes grandões de substâncias mágicas de academias.

Mas o mundo do esporte não é feito só de donas Vandas e de Bethes, que competiu nos Jogos Olímpicos de Sydney. O esporte é um grande negócio, como mostra a Olimpíada do Rio, com suas obras pomposas. E, para brilhar no alto nível, vale tudo: primeiro é preciso ter talento; depois, bem, depois vale fazer o que for preciso para ganhar, assinar contratos milionários, agradar patrocinadores e vender de tudo.

O ídolo vende. O fã compra, hipnotizado.

E o doping é doce ilusão – para quem toma e arca com os efeitos colaterais. E também para quem acredita que é possível vencer, subir no pódio, sem usar algo a mais para bater o inimigo.

A bola da vez é a Rússia.

Parece que só os atletas russos são apanhados no antidoping. Maria Sharapova teve exame positivo no Aberto da Austrália. Será que no mundo elitista do tênis só Maria tem culpa no cartório?

E ela teve a dignidade de assumir o erro. Não transferiu culpa para laboratórios de manipulação.

 

Anderson, o doping e a ‘corrupção total’

Leia o post original por Antero Greco

Anderson Silva voltou, depois de um ano de suspensão, e… perdeu. Não vou entrar no mérito da decisão dos juízes da luta deste sábado do brasileiro contra Michael Bisping, no UFC Londres. Não é minha área, admito. Deixo análises técnicas para os especialistas na matéria.

O que me chamou a atenção foi a reação do astro brasileiro. O Spider cuspiu abelhas africanas, após saber do resultado, e não teve dúvida em abrir o verbo e falar em “corrupção total”. Jogou o revés nas costas dos jurados que avaliaram o desempenho dele e do adversário.

Anderson foi mais enfático ao acrescentar, após o “corrupção total”, que “às vezes é que nem no Brasil”. Epa, calma lá? Que papo é esse de aliar maracutaia só com o Brasil? Que história é essa de pensar que o país dele, meu, seu, é feito apenas de tramoias, roubalheiras e safadezas?

Não sou ingênuo, não nasci ontem e me incomoda ver sujeiras. Não gosto de ser garfado e sei que temos muita corrupção. Infelizmente, é fato. Essa praga vai dos pequenos deslizes do dia a dia até as mamatas bilionárias, que jogam no bolso de ladrões a saúde, a segurança, a merenda escolar e tantas outros direitos.

Mas o brasileiro é acima de tudo batalhador. O povo trabalha, se esfola, dá duro pra tocar a vida. Não merece ser jogado na vala-comum dos mutreteiros, como muitos desabafos mandrakes. Temos corrupção, mas não aceito o complemento de “total”.

Quanto mais se bate nessa tecla, mais se aprofunda a péssima imagem que nós temos de nós mesmos. E mais nos mostramos subservientes para os ladrões da pátria.

Anderson perdeu, tem o direito de irritar-se, vale criticar os critérios dos jurados. Pode até falar em falta de transparência. E não surpreenderá se, logo mais, vierem com proposta de revanche. Com bolsa milionária.

Mas não venha com a conversa de que “parece o Brasil”.

A propósito: não é Anderson que retorna às atividades depois do gancho por doping? Doping não é uma espécie de corrupção?

Bernardino Santi: “Hoje, o Brasil está reprovado no controle antidopagem”

Leia o post original por Wanderley Nogueira

Wanderley Nogueira entrevistou, durante o programa JP Online Entrevista, o médico Bernardino Santi, que falou sobre o controle antidopagem no Brasil e deu um panorama alarmante: o país, hoje, está reprovado neste quesito.


 

E chega de doping no Fluminense! Afinal, o Tricolor das Laranjeiras é nobre clube de futebol e não uma farmácia “clandestina”. E o Luis Fabiano, abençoado pelos volúveis deuses da bola, terá hoje em BH a sua noite de herói improvável? Não! E avançam Flu e Galo!

Leia o post original por Milton Neves

 

Confira abaixo o que comentou Milton Neves na manhã desta quarta-feira, na Rádio Band News FM

Opine!

Encher pneus*

Leia o post original por Antero Greco

O homem tem necessidade de deuses, mitos, heróis. Era assim na Antiguidade, é assim ainda hoje. Só muda a forma de veneração a um ente superior. Antes, temia-se a ira ou invocavam-se os poderes dos ocupantes do Olimpo, por exemplo. Ou se acreditava que as vísceras de um bode continham revelações extraordinárias. Agora, idolatra-se o atleta que bate recordes, fatura milhões, não sai da mídia e vive rodeado de lindas mulheres e carrões. De quebra, tanto outrora como na atualidade, vira e mexe aparece um líder carismático para encantar multidões – os salvadores, ou pais, da pátria.

Por isso, foi uma pancada no imaginário popular a metade inicial da entrevista que Lance Armstrong concedeu para Oprah Winfrey, atração da semana na tevê americana. O heptacampeão da Volta da França, a mais emblemática competição do ciclismo, pela primeira vez admitiu em público que mandou ver no doping ao longo da carreira vitoriosa. Não foi pouquinha coisa, não. Nada de um chá turbinado ou uma bolinha fortificante. O coquetel continha drogas pesadas: EPO, dosagem sanguínea, cortisona, hormônios de crescimento e sabe lá o diabo que substâncias mais.

O surto de sinceridade de Armstrong chocou as almas puras que até a quinta-feira, dia em que as revelações foram ao ar, supunham que ele não passava de vítima de inveja e campanha sórdida. O multicampeão já havia algum tempo fora punido porque as evidências das maracutaias eram gritantes. Tomou processo pra cá e pra lá. E, em todos as etapas, sustentou a tese de inocência. Jurou que o sucesso deveu-se a dedicação, argúcia, dom, aptidão e superação. Que incluía a volta por cima após um câncer nos testículos. Que história de vida!

Que fraude, isso sim! Que mistificação! O super-homem sobre as duas rodas não era real, quem colecionou prêmios era um ponche de química embutido num corpo esguio. Por duas décadas mais ou menos, os fãs aplaudiram um trapaceiro. Com talento, não se pode negar; mas sempre um mutreteiro.

A vigarice ganhou contornos tão rotineiros que a ingestão dos petardos tinha o mesmo peso de calibrar os pneus da bicicleta. Ou tomar um cafezinho na esquina, beber uma água mineral. Armstrong mandava veneno para o organismo porque se acostumou àquilo; nem não o atormentavam questões éticas ou de consciência. O negócio era dopar, pedalar, ganhar. Um círculo interminável.

Armstrong tirou proveito das falcatruas, não apelou pra desonestidade por ignorância ou boa fé. Ele sabia que, daquela maneira, levaria vantagem sobre os concorrentes – e mandava ver. Só que não se deu conta de que também era vítima. Vítima de um esquema que sugou a capacidade dele (noves fora os aditivos, tinha qualidade de sobra), que foi cúmplice e beneficiária da podridão. Ou você acha que o moço ingeriu todas as porcarias sem orientação? Tirou o lixo do nada?

Armstrong se transformou em presa de fraquezas bem humanas, uma delas é a vaidade, com o desejo de conseguir mais e mais, a qualquer custo. O poder, a glória, a badalação excitam, seduzem – e destroem, se o espírito vacilar. É assim em qualquer atividade. Olhe a sua volta e comprove.

Ele aguentará o tranco sozinho? Não sei. Se escancarar mais o jogo, provocará tsunami no meio; o ostracismo é conveniente para resguardar muito picareta. Por isso, talvez só ele pague o preço da malandragem. Depois da entrevista, quem sabe se sinta enfim homem, culpado e aliviado. Porém, fica a dúvida: quantos semideuses há por aí que são bombas ambulantes?

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 20/1/2013.)