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Vídeo indica que CBF, Tite e atletas não entendem gravidade de caso Neymar

Leia o post original por Perrone

Para este blogueiro, soou  como manifestação de apoio a Neymar, acusado de estupro, vídeo exibido pela CBF no qual ele é recebido calorosamente pela maioria de seus colegas de seleção na concentração.

Nada contra o astro do PSG, lesionado, visitar a delegação brasileira. Ótimo pra ele ter o carinho dos colegas. Bom para os amigos poderem abraçá-lo. Deveria ter ido mesmo.

O problema é a divulgação do vídeo de uma maneira que sugere um “acreditamos em você”.

A decisão da CBF de exibir o material demonstra que a entidade não entendeu a gravidade da acusação que pesa contra Neymar.

Pode se dizer o mesmo de Tite, dono do pedaço. A ação não rolaria se ele não tivesse permitido. E o treinador era de quem se poderia esperar mais juízo no momento. Os jogadores embarcaram numa boa na canoa furada.

Tão furada que patrocinadores de Neymar, em conjunto com o estafe dele, decidiram suspender campanhas publicitárias enquanto ele se defende das acusações. O jogador nega ter estuprado e agredido Najila Trindade.

Os parceiros comerciais do atleta demonstram ter mais sensibilidade em relação ao que está acontecendo do que a Confederação Brasileira.

Por enquanto, Neymar  não foi absolvido nem condenado. As autoridades estão investigando.

Com suas atitudes, CBF e a turma da seleção deixam claro não terem entendido que uma investigação sobre estupro não é momento para torcer por um lado ou para outro. Não é jogo de futebol. O caso é delicado e é preciso deixar polícia e promotoria trabalharem.

Alguém na CBF parou pra pensar que o vídeo pode ser interpretado como uma tentativa de angariar apoio popular para o jogador? Ou foi isso mesmo e dane-se?

Tite não imaginou que sua postura de defensor da ética pode ter sido emprestada em defesa do acusado? Sim, alguém pode ter recebido a mensagem dessa forma: “se o Neymar tivesse feito algo errado o Tite não estaria o tratando tão bem”.

Ninguém pensou na reação de Najila vendo o homem que ela acusa festejado por um monte de cara com apelo popular?

Faltou cuidado na CBF e na seleção com um tema extremamente delicado.

Ex-advogado de Najila e atual minimizam valor de suposto vídeo completo

Leia o post original por Perrone

Com Felipe Pereira, do UOL, em São Paulo

O suposto vídeo completo gravado por Najila Trindade em seu segundo encontro com Neymar em Paris e que estaria desaparecido virou uma das peças mais comentadas na acusação de estupro contra o jogador. Porém, tanto o atual advogado da modelo como o primeiro representante dela minimizam a importância das imagens misteriosas.

Segundo Cosme Araújo, que agora trabalha para Najila, o vídeo com supostamente sete minutos e que estaria num tablet e num celular desaparecidos “não tem muita coisa além do que já foi mostrado”.

“Tem ela voltando novamente, sentam na cama, ele começa consolá-la, ‘vai dar tudo certo’, ela diz, ‘não, mas você me bateu ontem, esse tipo de coisa’”, disse Araújo em entrevista coletiva nesta terça (18).

José Edgard Bueno, primeiro advogado a cuidar do caso para Najila também trabalhava com a linha de raciocínio de que o suposto vídeo completo não tinha grande relevância, conforme apurou o blog.

No entendendimento do ex-advogado da modelo, a gravação só seria fundamental se Neymar negasse que se encontrou com ela num quarto de hotel em Paris.

Como o jogador do PSG nunca negou o encontro, o argumento é de que a gravação perdeu importância.

Outro fator que diminui a relevância da gravação na concepção dos dois advogados é o fato de ela ter acontecido uma noite após o suposto estupro. Ou seja, o vídeo não poderia ter registrado o crime. Seria valioso se tivesse captado uma confissão do atleta o que não foi mencionado pelos dois advogados.

A versão da filmagem já conhecida, com um minuto de duração, mostra Najila agredindo Neymar e reclamando que ele teria batido nela e a abandonado na noite anterior.

Apesar de falarem sobre o vídeo, Bueno e Araújo afirmam que não tiveram acesso à suposta versão completa. Indagado sobre o motivo de a modelo ter dito inicialmente que a gravação integral era importante para esclarecer o caso, o atual defensor disse que ela pensou dessa maneira por não ser advogada.

Por sua vez, enquanto estava no caso, Bueno havia orientado a modelo a sustentar uma acusação de agressão, não de estupro. Neymar diz que o sexo foi consensual e que Najila pediu para que ele desses tapas nas nádegas dela.

Dúvidas sobre o caso Neymar? Advogados explicam

Leia o post original por Perrone

Desde o último domingo, o blog tem ouvido advogados para tentar elucidar dúvidas técnicas sobre o caso em que Neymar é acusado de estupro pela modelo Najila Trindade Mendes de Souza. Abaixo, leias as opiniões dos especialistas, que nem sempre concordam sobre o mesmo tema. Vale lembrar que eles falam em tese e baseados no que tiveram acesso pela imprensa.

Neymar cometeu crime ao mostrar imagens e fotos desfocadas de Najila?

Entre cinco especialistas consultados, apenas a advogada criminalista Luiza Nagib Eluf discordou fortemente da tese de que o jogador não cometeu crime ao promover a divulgação.

“Se ele não tinha autorização para divulgar as imagens, em tese, isso pode caracterizar crime. Mas o poder Judiciário vai ter que ponderar os motivos que o levaram a fazer a divulgação. Ele está sendo acusado de estupro, então pode ter feito isso para se defender publicamente da acusação. Há crime se houve dolo, intenção de expor a garota. Mas ele não divulgou o nome dela e nem o rosto nitidamente”, afirmou o advogado criminalista Marcelo Feller.
“Claramente não há dolo de Neymar na divulgação das fotos íntimas desta jovem, que foram todas desfocadas. O objetivo do jogador foi defender-se, publicando a íntegra da conversa que manteve com a mulher que o acusa. Sem o dolo e devido as fotos estarem desfocadas, afasta-se o eventual enquadramento no crime de divulgação de foto de nudez de terceiro. Também houve a preocupação de se preservar o nome da mulher que o acusa”, afirmou em comunicado Luiz Augusto D’Urso, advogado e professor de direito digital no MBA da FGV.
Luiza  Nagib Eluf discorda dessa tese. “Se todo mundo sabe quem é essa menina (até então o nome dela não tinha sido revelado, mas parte da imprensa conhecia sua identidade, e ela chegou a ser identificada em redes sociais), já provocou um dano pra ela. Não adiantou não divulgar o nome dela e desfocar as fotos porque todo mundo sabe quem é. Não protegeu ninguém”, opinou a advogada.
O fato de a suposta vítima enviar mensagens indicando vontade de transar com Neymar e de ter ido do Brasil para França com o objetivo de encontrá-lo significa que a relação foi consensual?
“Ela ter demonstrado interesse sexual e ter ido até a França não prova que não houve estupro. Todo mundo tem o direito de mudar de vontade. Pode chegar la e não querer mais por algum motivo. O que importa é o momento. Claro que os fatos de antes e depois servem como elementos para tentar reconstruir o que aconteceu”, afirmou Feller ao blog.

Para Eluf, o desejo anterior da mulher também não determina nada. “Sim, ela pode ter mudado de ideia. É o que aconteceu com o (ex-pugilista) Mike Tyson. A mulher subiu no quarto, chegou lá, o cara deu uma de violento, ela não quis mais”, declarou a advogada.
Na opinião do advogado Gilberto Passos de Freitas, o fato de a suposta vítima ter aceitado ir para Paris pode pesar em uma eventual análise do juiz que assumir o caso. “Nesses tipos de crime, o juiz também leva em conta o comportamento da vítima. Pelas mensagens, ela não pode dizer que foi ludibriada para ir para lá. Ela foi ao encontro dele , mostrou vontade de ir. Mas claro, o juiz vai ver todos os outros elementos, analisar o que aconteceu lá”, disse o advogado.
O fato de Najila ter marcado um segundo encontro com Neymar enfraquece a acusação?
Não necessariamente na opinião de Feller. “Não raro me deparei com casos em que a mulher demora para perceber que foi estuprada, por causa da situação em que acontece”, afirmou o advogado. Para Eluf, o convite feito ao jogador no dia seguinte não pesa a favor da suposta vítima. “Não é natural ser estuprada num dia e chamar (o estuprador no dia seguinte). Não ficou magoada? Mas pode acontecer, sim. Nada disso é prova de que não aconteceu. Com as informações que temos não dá pra dizer que houve ou que não houve estupro)”, ponderou a advogada.
Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça, dá um peso maior ao episódio. “Pra mim, o mais importante no vídeo que o Neymar mostra em sua defesa é a reprodução das mensagens dela o chamando para voltar no outro dia. É um indício muito grande de que não teve relação forçada”, disse ele.
O laudo médico obtido pela suposta vítima indicando hematomas nas nádegas e nas pernas, problemas gástricos e sintomas de stresses pós-ttaumático caracterizam agressões por parte do jogador?
“Sobre o laudo, o médico constatou hematomas, não é possível afirmar as causas das marcas”, lembrou D’Urso.
Na opinião de Eluf, não basta alegar que os hematomas teriam sido causados por violência com consentimento para afastar a tese de agressão. “Precisa provar, se for o caso, que a vítima consentiu as agressões. Pode ter até exame psicológico para isso”, opinou a advogada.
Em casos como esses, se a mulher pede para o homem parar de fazer sexo, há estupro, apesar de no início a relação ter sido consensual? (A suposta vítima diz que pediu para Neymar parar de agredi-la e interromper a relação, o que ele não teria feito).
“Caso em uma relação sexual, um dos participantes peça para que se pare o ato sexual no meio, e o outro agente não para, o crime é de estupro. O motivo da solicitação para se parar este ato poderia ser a violência, por exemplo”, diz D’Urso. Ele completa:  “já no caso em que o ato sexual se torna violento, mas não se fala em parar o ato, e há apenas a solicitação para que não se utilize a violência, e, mesmo assim, ocorre agressão ou violência, o crime é de lesão corporal”.
Para Feller, “se ele (acusado hipotético) se utilizou de violência para continuar praticando o ato, como por exemplo segurando-a, sim (houve estupro)”, afirmou. Sem essa essa violência, ele acredita existir outro crime. “O estupro requer uma violência ou uma grave ameaça. Creio que se não parar (de praticar o ato sexual) sem esses requisitos (uso da força), o crime seria o de importunação sexual (artigo 215-A do código penal). Mas não é uma coisa fácil de responder. Depende de interpretação”, explicou. Lembrando que o exemplo se refere a um episódio em que a relação começa com consentimento das duas partes.

Em casos de estupro, se não existirem outras provas, a palavra da vítima vale mais do que a do acusado?
“Existe jurisprudência de que a palavra da vítima prevalece sobre a do acusado, mas isso só quando não existirem provas, indícios. O natural é o caso não ficar só na palavra dos dois, não depender só disso”, explicou Eluf.
“O crime de estupro é geralmente um crime entre quatro paredes. Então, a Justiça tende a dar muito valor à palavra da vítima. Mas sempre se busca outros elementos. Por exemplo, nesse caso (envolvendo o jogador do PSG), será que a vítima quando fez o B.O. apresentou para a polícia as mensagens que o Neymar exibiu no vídeo dele? Tudo vai ser analisado”, disse Feller.
É normal o advogado da suposta vítima se reunir com os do acusado antes de a ocorrência ser registrada como fez o ex-defensor de Najila (o advogado é acusado de extorsão pelo pai do atleta e nega ter cometido o crime)?
“É normal. A Justiça é muito demorada, o estresse é muito grande. Então, é normal as pessoas se reunirem e tentarem resolver antes”, diz Eluf.  Também questionado sobre o tema, D’Urso preferiu não se posicionar.

Quando o “jogador” é um detalhe

Leia o post original por Rica Perrone

Neymar acusado de estupro. Quem vive em meio a “famosos” já sabe que a chance é bem menor do que parece, pois é absolutamente comum o assédio com má intenção a qualquer pessoa conhecida, imagine ao Neymar. Vocês não imaginam a quantidade de casos que pessoas famosas percebem aos 45 do segundo tempo e pulam…

Claro que faz diferença

Leia o post original por Rica Perrone

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone