Arquivo da categoria: Eurico Miranda

Opinião: contra isolamento, Bolsonaro lembra Eurico em queda de alambrado

Leia o post original por Perrone

O discurso de Jair Bolsonaro na última terça-feira (24) estimulando a população a sair de casa, apesar da quarentena imposta por governadores, lembrou uma das atuações mais bizarras do polêmico ex-presidente do Vasco Eurico Miranda. 

Em 2000, o então comandante vascaíno forçou a barra para tentar tirar torcedores caídos no campo após a queda do alambrado de São Januário. Ele queria seguir a todo custo com a final entre seu time e o São Caetano valendo o título da Copa João Havelange, correspondente ao Brasileiro daquele ano.

Tanto Jair na terça como Eurico no passado receberam críticas de todas as partes por deixarem a impressão de que consideravam algo mais importante do que vidas.

As duas desastrosas ações também se assemelham nos quesitos ataques a governadores, à imprensa de maneira geral e à TV Globo especificamente.

O presidente da República causou indignação em parte considerável da sociedade brasileira com falas contrárias ao isolamento social para combater o avanço do novo coronavírus. Foram declarações como: “nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos”, “o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade” e “por que fechar escolas?”.

Em 2000, Eurico, morto no ano passado, foi mais seco ao entrar esbaforido, encharcado de suor e com sangue nos olhos para tentar tirar vítimas do acidente em São Januário do campo. 

 “Se você pode andar, cai fora. Se não pode andar, fica aí”, disse o cartola, conforme registro da Folha de S. Paulo à época.

Hoje, Bolsonaro demonstra tanta preocupação com a economia do país que minimiza a pandemia responsável por mais de 16 mil mortes no mundo. Até ontem à noite,  57 delas tinham acontecido no Brasil.

Por sua vez, em 2000, Eurico minimizou o acidente com mais de 160 feridos para tentar dar prosseguimento ao jogo por razões óbvias. O jogo tinha apenas pouco mais de 20 minutos, mas o 0 a 0 que vinha sendo registrado daria o título ao Vasco.

Jogar outra partida inteira daria mais tempo para o São Caetano buscar a vitória. Além disso, Romário havia saído machucado e naquele momento não se sabia as condições dele para uma eventual nova apresentação. O presidente vascaíno não tinha nem a garantia de que o outro jogo seria no caldeirão de São Januário. E não foi.

No já histórico discurso de terça, Bolsonaro disparou contra os governadores que decretaram quarentena em seus Estados. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa”, ordenou o capitão.

Na partida decisiva interrompida, o entrevero de Eurico foi com Anthony Garotinho, então governador do Rio e que determinou a paralisação do jogo.

“O governador é um frouxo, incompetente. Ele manda no coronel (responsável pela segurança do estádio), não manda no Vasco. Ele fica num gabinete com ar condicionado, fazendo preces para Jesus”, disse. 

A fúria do dirigente atingiu também a imprensa. Ele chegou a ser acusado de tentar agredir um repórter depois de chamá-lo de idiota. O cartola ainda mirou na Globo, que era um de seus alvos preferidos noutra semelhança com Bolsonaro. “Vai dar problema para a televisão. Tem emissora que está com medo do que vai acontecer com sua programação”, disse.

Ou seja, em meio à confusão no estádio, com gente ferida no gramado, o dirigente arrumou tempo para atacar a imprensa e a Globo.

Soa familiar para você? O presidente da República fez a mesma coisa num cenário muito mais grave, enfrentando uma feroz pandemia. “Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão (de acalmar a população). Espalharam exatamente a sensação de pavor”, queixou-se Bolsonaro em seu discurso.

Depois, alfinetou sua inimiga íntima, a Globo, rotineiramente atacada pelo ex-presidente vascaíno.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico (Dráuzio Varella) daquela conhecida televisão.

Duas décadas atrás, Eurico venceu sua guerra. O Vasco bateu o São Caetano por 3 a 1 na nova partida, no Maracanã e levantou o caneco. Já o confronto de Bolsonaro contra os efeitos do avanço do novo coronavírus no Brasil está longe de ter um fim. No entanto, é certo que, aconteça o que acontecer, não será um final feliz. Não há felicidade quando se perde vidas.

Eurico foi exemplo de cartola obsoleto que volta por fracasso dos outros

Leia o post original por Perrone

A primeira vez que entrevistei Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco, morto nesta terça (12), foi na década de 90, por telefone, para o extinto “Notícias Populares”. Não terminou bem. Eurico se revoltou quando de supetão perguntei: “qual a sua próxima cartada?”. O homem que para mim já era sinônimo de cartola da velha guarda reagiu aos berros: “que cartada? Eu não dou cartada”.

Foi apenas a primeira de várias passagens marcantes de Eurico pra mim. As entrevistas com ele iam dos coices à gozação, passando pela ironia. Ouvi coisas do tipo: “o que vou fazer aí em São Paulo, nem a comida aí é boa”.

Mesmo quando ele perdeu o poder, após anos como presidente do Vasco, era impossível não associar sua imagem ao clube de São Januário. Tanto que logo após o time ser rebaixado, em 2008, telefonei para ele para fazer uma entrevista para a “Folha de S.Paulo”.  “Se eu tivesse continuado na presidência, o Vasco não teria caído”, afirmou ele com convicção. Perguntei “por que” e a resposta foi a seguinte: “não teria caído, você conhece meus métodos, não me faça explicar.”

Não tomei aquilo como uma confissão de que ele teria feito algo ilegal para evitar o rebaixamento, mas que ele lutaria nos bastidores contra o descenso. Em 2015, no entanto, o Vasco viria a ser rebaixado com Euricão na presidência.

Antes, em 2000, eu havia topado com Eurico ao entrar no gramado do Parque Antarctica depois da final da Copa Mercosul. Enlouquecido, ele puxava o grito de guerra do clube, após histórica virada em cima do Palmeiras que terminou com vitória vascaína por 4 a 3 acompanhada do título do torneio.

Mas, a cena que mais define o que foi Eurico como dirigente pra mim é dele no gramado de São Januário, em 2000, retirando vítimas da queda de parte do alambrado na final da Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) contra o São Caetano. “Consegue andar, então levanta e vai ser atendido lá fora (do campo)”, dizia ele para um torcedor caído no gramado. O cartola queria na marra que o jogo continuasse, o que não aconteceu.

O ex-presidente do Vasco era assim. Queria fazer até na marra o que achava ser melhor para seu clube. Não ligava para o que os outros pensavam, era hábil com o regulamento embaixo do braço, atropelava seus adversários e ignorava praticamente a todos que o acusassem de falta de ética. Era a imagem bem esculpida do cartola antigo, amador, que não tem mais espaço no futebol que pretende ser moderno e transparente, mas que resiste e volta à cena graças à incompetência de seus sucessores. Basta lembrar de Roberto Dinamite como presidente do Vasco.

Quem é você, presidente?

Leia o post original por Rica Perrone

Um dia eu fui entrevistar Campello e Brant, candidatos da mesma chapa pela presidência do Vasco.  Foram horas ouvindo duas pessoas claramente desalinhadas em diversos pontos, mas muito focadas em falar sobre moralidade, tirar o Eurico, fazer eleições honestas e transparentes. Bom, eles brigaram. O Campello fez uso da brecha que teve para ser eleito…

O dia em que Neto quebrou o pau no “Terceiro Tempo” com Godoi e Eurico

Leia o post original por Milton Neves

Em novembro de 2003, o lateral Galego, do Marília, denunciou que dirigentes do Botafogo teriam procurado os atletas do time paulista para a combinar resultados no quadrangular final da Série B daquele ano.

Na mesma semana da denúncia, Galego foi um dos convidados do programa “Terceiro Tempo”, à época na TV Record. Só que o assunto debatido deu início a uma série de discussões envolvendo integrantes e convidados da atração. Primeiramente, Neto, então dirigente do Gurani, se estranhou com Oscar Roberto Godoi. Depois, o Xodó da Fiel bateu boca com Eurico Miranda. E, por fim, o cartola vascaíno se desentendeu com o apresentador Milton Neves.

Confira abaixo o vídeo completo da briga:

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE NETO NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE GODOI NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE EURICO MIRANDA NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

Opine!

O fim

Leia o post original por Rica Perrone

 

Um dia tudo acaba. Sua vida, seu emprego, seu namoro, sua paz.  Sua saúde, seu direito de dirigir, sua força, sua relevância.  Saber conviver com o fim é algo muito difícil e pouco condenável, pois todos passam por esse processo e tem dificuldades.

Eurico mistura dificuldade com dignidade. E se perde no meio do caminho.

Não entende que acabou. E sim, acabou.  O coronel que gritava na CBF e resolvia hoje grita e vira piada no outro dia.  Ninguém mais ouve.  Suas bravatas são humor, não causam mais terror.

É um ex dono de morro prometendo matar geral só que desarmado. Um cão sem dentes latindo na porta de casa.

Mas a casa, essa sim, é preocupante.

Não mudou. Ainda é uma mansão que guarda ouro, história, valores e muito poder. E lá está o cachorro, agora idoso, sem dentes, ainda latindo na porta.

O respeito acabou. Ele não morde mais.

Mas late. Porque é o que ainda dá pra fazer: latir, latir, latir.

Mais um dia que prova o sequestro do Vasco. O quanto o clube tem um dono ilegítimo, que tomou a “boca” por pressão, que comprou a oposição e deixou mudo o conselho.

Eurico é o ser que menos ama o Vasco no planeta hoje. É ele, ele, ele.  A guerra do cão sem dentes pra tentar morder alguém.

Eurico, meu caro, você não morde mais. Ninguém mais teme você. Seus pares estão todos no fim, o reinado acabou. A “gangue” acabou.

Mandam no carioca. Que também está no fim. E deve ser constrangedora a reunião de vocês com charutos bradando que podem, que fazem, que resolvem, e que no fundo estão apenas simulando uma sobrevida impossível.

Acabou, cara.

Sai.

Mas sai feito homem e deixa o Vasco em paz. Ou além de acabar pro clube, você vai conseguir destruir a única coisa que levou da vida: a certeza de que foi um grande vascaíno. E então, sem isso, você não só não será mais nada como terá o dom de também não ter sido.

Acabou.

abs,
RicaPerrone

Mais indícios de fraude

Leia o post original por Odir Cunha


Marco Antonio Villa: “O senhor tenha dignidade, tenha vergonha na cara!”

O sociólogo Marco Antonio Villa, 62 anos, natural de São José do Rio Preto, mas que morou também no ABC e hoje vive na capital paulista, se tornou um dos mais importantes formadores de opinião do País por suas posições claras, incisivas e em defesa da ética e da honestidade. Sua participação no programa “Jornal da Manhã”, da rádio Jovem Pan, é sempre acompanhada com interesse. Pois bem , nesta quinta-feira, 30 de novembro, Villa, que também é torcedor do Santos, fez um comentário contundente sobre os fotes indícios de fraude eleitoral nas eleições do Santos Futebol Clube, marcadas para o dia 9 de dezembro.

Sem tergiversar, Marco Antonio Villa foi direto ao ponto e certamente munido de mais informações ainda do que as que já são conhecidas, disse exatamente o seguinte:

Palavras de Marco Antonio Villa no programa Jornal da Manhã, da Rádio Jovem Pan:

Vou fazer uma menção à Baixada Santista. É que nós temos o Eurico Miranda. O Eurico Miranda dois é o Modesto Roma. Viu, seu Modesto Roma, estou falando com o senhor. A denúncia é grave. Quase 2.500 sócios nos últimos dias que permitiam se associar ao Santos para participar das eleições que vão ocorrer agora em dezembro.

E a turma do senhor – a “turma” eu vou chamar, poderia dizer uma palavra mais forte, o senhor sabe do que estou falando – encheu de associados ali, associados que não são santistas, que não moram em Santos, que têm e-mails estranhos, telefones estranhos, em suma, o senhor está querendo fraudar as eleições. Eu quero falar diretamente. O senhor sabe, não gosto de tergiversar. O senhor quer fraudar as eleições.

O senhor não é o Eurico Miranda da Baixada Santista. A urna sete lá de São Januário não vai se repetir em Santos. Santos não é palhaçada! Portanto, o senhor tenha a dignidade, vergonha na cara e retire aqueles 2.500 votos que o senhor colocou lá.

É uma vergonha. E tem empresário, empresário picareta, eu sei o nome do cara, que está pagando de 100 a 200 anuidades de sócios para ter voto. O Santos não é local de roubo, de ladrão… Eu não estou dizendo que o senhor é ladrão, mas o empresário é pilantra, o senhor sabe muito bem do que estou falando…

Querem transformar o Santos no Vasco da Gama. Lá não tem Eurico Miranda, não, lá não tem palhaçada! Portanto, tenha honra, tenha carátrer e vergonha na cara!

Mais indícios de fraude

Acostumado a denunciar as falcatruas que envolvem os poderosos políticos brasileiros, Marco Antonio Villa está sempre bem fundamentado para fazer acusações como essa sobre as eleições no Santos. Desde ontem, quando a distribuição de carteitinhas foi denunciada pela matéria assinada pelos jornalistas Diego Garcia e Thiago Cara, do site ESPN.com.br, outros fatos sobre essa enxurrada de carteirinhas do dia para a noite chegaram ao conhecimento da imprensa, fatos que no mínimo exigem uma investigação rigorosa do Ministério Público. Alguns deles:

– Dos 335 associados de última hora de Piracicaba, 155 deles, praticamente a metade, não possuem e-mail, o que, convenhamnos, é muito estranho para os dias atuais.

– Na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, dos 37 associados, 23 tem o mesmo e-mail: galeguinho030@hotmail.com

– Na Avenida Dom Pedro II, Cidade Náutica, em São Vicente, em um pequeno trecho de rua 22 pessoas foram associadas e uma delas, a sócia Daniella Bernardes, matrícula número 173.750, é declarada torcedora do Corinthians.

– Foram associadas várias jogadoras do futebol feminino do Santos, funcionários do clube e seus parentes, assim como parentes de muitos dirigentes do Santos.

A fraude eleitoral e sua punição

Não cabe a nós afirmar quem praticou essa fraude, já que nada poderá ser dito antes de uma investigação rigorosa que envolva as áreas jurídica e policial. Porém, em busca de um conhecimento maior sobre o assunto, busquei, em primeiro lugar, a definição de tal crime. Lá está:

Uma fraude eleitoral é a intervenção deliberada numa eleição com o propósito de impedir, anular ou modificar os resultados reais, favorecendo ou prejudicando alguma candidatura, partido ou coligação.

Assim, mesmo um leigo , como eu e você, podemos deduzir que, diante dos fatos, é inegável que houve o propósito deliberado de modificar os resultados da eleição do Santos por meio de uma intervenção ilícita para favorecer uma candidatura e prejudicar as outras.

Mesmo sem saber quem possa ter apelado para atitude tão reprovável, que interfere no direito mais sagrado do sócio do Santos, que é o de votar e escolher o seu presidente, temos a obrigação de conhecer um pouco mais sobre esse crime e saber de suas consequências. Assim, encontramos o trabalho acadêmico de Lourivaldo Ferreira Junior, do curso de Direito da Universidade de Itajaí, que diz:

Art. 299. Crime de compra e venda de votos. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem , para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita.
Pena: Reclusão até quatro anos e pagamento de 5 a 15 dias – multa.

Veja, caro leitor e cara leitora, que são considerados culpados e puníveis pela lei não só quem compra o voto, mas também quem vende o seu, concordando com a ação ilícita e se tornando copartícipe. Assim, os que vão votar, valendo-se dessa barganha, também serão enquadrados nesse artigo.

Como apenas um jornalista esportivo, amante do futebol e do Santos, espero que tudo termine bem e que as eleições do dia 9 transcorram da maneira mais civilizada, pacífica e limpa possíveis, dando a vitória a quem receber mais votos conscientes, jamais comprados. Também espero, e creio que esse anseio é geral, que essa fraude eleitoral seja desmarcarada e os culpados sejam punidos. Como disse Marco Antonio Villa, o Santos não pode se transformar no Vasco de Eurico Miranda.

E você, o que acha disso?


Mirem-se no Vasco

Leia o post original por Odir Cunha


Na Copa do Brasil do ano passado foi assim…

O Vasco é o adversário que o Santos precisa vencer logo mais, às 21h45, na Vila Belmiro, para continuar sonhando com o título brasileiro, mas também é o clube que em sua eleição presidencial, concluída ontem, nos deu uma lição do que não fazer para dividir as oposições e deixar o poder novamente nas mãos de um cartola do futebol adepto de velhos e discutíveis métodos de dirigir um clube, como é o senhor Eurico Miranda.

Das três chapas que concorriam à eleição vascaína, uma era a do atual presidente, o eterno Eurico Miranda, e outras duas de opositores: Julio Brant e Fernando Horta. Apenas pouco antes de começar a apuração Horta resolveu desistir e passou a pedir a seus seguidores que votassem em Brant, mas já era tarde. Eurico acabou sendo reeleito com 2.111 votos, contra 1.975 de Brant. O detalhe é que o desistente Fernando Horta teve 421 votos, que somados aos de Julio Brant teriam dado uma vitória folgada a este oposicionista.

Tememos que o mesmo possa ocorrer no Santos. Se Andrés Rueda e Nabil Khaznadar não se unirem a José Carlos Peres em uma chapa única de oposição, a reeleição de Modesto Roma se tornará bastante provável na eleição de 9 de dezembro. Como as filosofias de Peres, Rueda e Nabil são bem parecidas, o mais sensato é que estejam juntos, tornando a eleição santista um embate de ideias e procedimentos opostos e dando aos eleitores duas opções de voto claramente distintas.

Jogo é perigoso, mas Santos é favorito

Quanto ao jogo de hoje, vejo o Vasco com um elenco inferior ao do Atlético Mineiro, que o Santos derrotou sábado, porém com um espírito competitivo maior. Quem sabe aliviado pelo fim da eleição no clube, o time se solte e se empenhe em busca de uma vaga na Copa Libertadores. Respeito o atacante Nenê, que sempre joga bem contra o Santos. Apesar disso, porém, não dá para não considerar o Alvinegro Praiano como o favorito do confronto.

O técnico Elano, até agora com três jogos e três vitórias, deverá escalar o time com Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, David Braz e Caju (ou Jean Mota); Alison, Renato e Lucas Lima; Arthur Gomes, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira. Essa equipe tem um bom sistema defensivo, melhorou muito no meio de campo com o crescimento de Alison e a volta de Renato, e também possui um ataque respeitável, em que a experiência de Ricardo Oliveira combina bem com a impetuosidade do garoto Arthur Gomes e a onipresença de Bruno Henrique, que vive a sua melhor fase no Santos.

O Vasco, do técnico Zé Ricardo, deve iniciar a partida com Gabriel Félix, Gilberto, Breno, Paulão e Henrique; Jean, Wellington, Pikachu, Mateus e Nenê; Andrés Ríos. A arbitragem será de Rafael Traci, auxiliado por Pedro Martinelli Christino e Rafael Trombeta, todos do Paraná. O jogo será transmitido pela TV Globo para quase todos os Estados.
Caminhada para o título

Faltam seis rodadas para acabar o campeonato e alguém pode dizer, com razão, que é muito difícil o Santos ganhar seis jogos consecutivos, três deles fora de casa. Eu concordo. Porém, a matemática tem as suas mágicas. Analisados um a um, todos os embates santistas até o fim da competição são ganháveis, a começar pela partida de hoje.

Os adversários de melhor técnica serão o Grêmio, na Vila, e o Flamengo, no Rio, porém estes estarão mais interessados em outras competições e provavelmente joguem com times mistos. Considero Chapecoense e Bahia, que receberão o Santos em suas casas, adversários difíceis também, mas é inegável que o Alvinegro Praiano tem mais possibilidades que ambos.

Quanto ao líder da competição, terá apenas um jogo em que é franco favorito: o Avaí, no Itaquerão. No mais, sairá para enfrentar Atlético Paranaense, Flamengo e Sport, e receberá os tradicionais Fluminense e Atlético Mineiro. Como vem cumprindo uma campanha muito fraca no segundo turno, não me surpreenderia se o alvinegro paulistano perdesse pontos em todos essas cinco partidas.

Mudança de domicílio eleitoral
Você que é sócio do Santos e quer votar em São Paulo no dia 9 de dezembro, deve enviar um e-mail para o endereço domicilioeleitoral@santostd.com.br avisando que pretende votar em São Paulo. O e-mail deve conter o seu nome completo, número do CPF e número de sua carteirinha de sócio do Santos. No dia da eleição, compareça à sede da Federação Paulista de Futebol, na rua de mesmo nome, Barra Funda, com sua carteirinha do Santos e um documento de identidade com foto.

E você, o que acha disso?

EMPREGO PARA TODOS

chapa cabide gigante pintada

Meus amigos e minhas amigas, a imagem acima me foi enviada por um amigo que mora em Santos e a recebeu esses dias. “Veja Odir”, diz ele, “o gesto generoso da chapa Santos Gigante, do candidato à reeleição Modesto Roma, pois quer acabar com o desemprego, ao menos entre os seus seguidores”. No começo não entendi muito bem, já que não sou dos santistas mais inteligentes, mas depois notei o inusitado e generoso item que pergunta ao pretendente a uma vaga no Conselho Deliberativo do Santos: “Você pleiteia ocupar cargo remunerado no clube? ( ) Não ( ) Sim. Se sim qual?“

Que maravilha. Como todos gostaríamos de ser tão astutos a ponto de desvendar a mágica desta dadivosa chapa. O país ainda está em crise e o número de desempregados beira os 13 milhões, a Prefeitura de Santos sofre com seus cofres às moscas, a dívida do nosso querido Alvinegro Praiano aumenta a cada trimestre e já ultrapassa meio bilhão de reais, a falta de pagamento de obrigações e impostos pode fazer o Santos perder o CT Rei Pelé e o CT da base, não há dinheiro para contratações e muito menos para obras patrimoniais, mas esse brilhante presidente oferece cargos no clube como quem serve omelete de bacon.

O curioso é que o Santos já tem o dobro de funcionários do Bayern de Munique, apesar de não alcançar nem sombra da eficiência do clube alemão. Como conselheiro, testemunhei o Conselho Fiscal alertar reiteradamente a direção do clube para que reduzisse as despesas, mas elas só aumentaram nesses três anos, principalmente com a contratação desmedida de funcionários. Falei sobre isso com o meu amigo santista e ele contou o que ouviu de um velho funcionário do clube:

“Trabalho no Santos há muito tempo e há anos não tenho um aumento. Mas todo dia esbarro com gente no corredor que nunca vi antes e que já ganha mais do que eu”.

Não se sabe ao certo a quantidade desses novos funcionários vindos pela agência de empreg…, ou melhor, pela administração Santos Gigante, mas os relatórios apresentados pelo Conselho Fiscal indicam que são mais de 300. Como a chapa terá de reunir 240 nomes para o Conselho Deliberativo, e como a maioria pedirá um empreguinho na sagrada instituição alvinegra, fico aqui imaginando como o presidente Modesto Roma fará para acochambrar todo mundo no Santos e ainda arrumar dinheiro para pagar as dívidas do clube. Quem sou eu, porém, para duvidar da capacidade de líder tão brilhante e altruísta.

Vejo, evidentemente, um lado bastante criativo nessa iniciativa de oferecer emprego aos que apoiam a chapa Santos Gigante. Isso evita a burocracia e diminui a perda de tempo nas negociações. É o tipo da coisa: “Você me ajuda a continuar no poder e eu uso o dinheiro do clube para lhe dar um emprego”. É cômodo para os dois lados. Confesso, porém, que na Somos todos Santos jamais cogitamos e jamais faríamos algo assim. Acreditamos em algo que parece fora de moda no momento, que se chama ÉTICA.

Sei que esse meu papo parece careta. Para muitos, a pergunta inserida na ficha de inscrição da chapa Santos Gigante abre mil oportunidades. Esse meu amigo de Santos disse que pretende dizer que quer trabalhar no clube no cargo do superintendente Dagoberto dos Santos. Outros podem preferir o lugar do técnico Elano, ou do centroavante Kayke, ou do milionário reserva Leandro Donizete… Enfim, vai que sobra uma vaga e, de repente, você está empregado com um salário acima do mercado. Todos os sonhos são possíveis em uma administração inchad…, ou melhor, gigante.

Em uma coisa eu e meu amigo concordamos: esse milagre, infelizmente, tem prazo de validade e ele é bem curto. A previsão de despesas e receitas indica que 2018 será um ano muito difícil para o Santos. O aconselhável seria tomar medidas urgentes para o equilíbrio financeiro do clube, e se a chapa Santos Gigante ganhar a eleição e continuar contratando funcionários a torto e a direito, essa estará longe de ser uma decisão sensata. Porém, repito, quem sou eu para duvidar de gênios da economia e da política?

E você, o que acha disso?