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Fla e Grêmio enfrentam concorrência de quatro europeus em reunião por Pedro

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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, em São Paulo

Em reunião nesta quarta-feira (15), o estafe de Pedro discutirá com a Fiorentina seis propostas pelo atacante.

Flamengo e Grêmio devem enfrentar a concorrência de quatro clubes europeus que também querem o jogador brasileiro.

Apesar de os nomes das agremiações estrangeiras serem mantidos em sigilo pelos envolvidos nas negociações, o Porto, de Portugal, é um dos times que já vinham sondando o atleta.

A ideia da Fiorentina é vender o atacante. Porém, as primeiras propostas que chegaram foram por empréstimo.

Nesse momento, uma parte do stafe de Pedro entende que é melhor para o jogador voltar ao Brasil. Por esse raciocínio, aqui ele teria mais facilidade para reencontrar o bom futebol.

Ao mesmo tempo, há a no entorno do atleta quem avalie ser mais importante para sua imagen permanecer na Europa.

De acordo com gente próxima ao brasileiro, ele prefere se transferir para o Flamengo.

 

Opinião: leitura do mercado europeu ajuda a moldar Flamengo vencedor

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A iminente venda de Reinier, 17 anos, para o Real Madrid mostra como a leitura do mercado europeu ajudou a moldar o atual Flamengo vencedor.

Basicamente, funciona assim: o clube atende à demanda europeia por jogadores com menos de 20 anos e fortalece seus cofres para trazer medalhões sem espaço na Europa.

Os cartolas rubro-negros sacaram logo que a política europeia de abrir espaço para jovens despeja no balcão de negócios veteranos que dão bom caldo por aqui. São os casos de Filipe Luís e Rafinha.

Claro que vender bem suas revelações não basta para deixar o Flamengo em condições de buscar bons jogadores na Europa. A reorganização financeira do clube feita nos últimos anos permite melhor aproveitamento das receitas.

A venda de Vinícius Júnior para o Real Madrid talvez tenha sido o ponto inicial desse modelo que “troca” jovens por veteranos rodados na Europa. A ida de Lucas Paquetá para o Milan também ajudou a roda a girar.

Há um lado melancólico nessa estratégia. A venda de atletas com entre 16 e cerca de 20 anos dificulta o surgimento de ídolos formados no Ninho do Urubu.

Um tanto triste esse efeito colateral. Mas as conquistas da Libertadores e do Brasileirão do ano passado coroaram o planejamento rubro-negro.

Além de veteranos, a nova faixa etária escolhida pela elite do futebol Mundial torna possível para um clube brasileiro forte financeiramente ter bons jovens não absorvidos, ao menos atualmente, pela primeira classe europeia.

Gabigol e Bruno Henrique estão nessa cota. Aqui, de novo, o Flamengo interpretou corretamente os sinais  emitidos pela Europa.

No entanto, o clube da Gávea não é o único a se adaptar ao novo gosto Europeu. O São Paulo, por exemplo, também aposta na venda da molecada e na contratação de medalhões como Daniel Alves, Juanfran e Pato.

Mas no Morumbi a fórmula não resultou em títulos. O elenco tricolor é inferior ao do Flamengo. Além disso, o time paulista passa por dificuldades financeiras, encara um jejum de taça e sofre turbulência política.

São fantasmas que não rondam a Gávea neste momento. Isso ajuda a explicar o fato de os dois times terem resultados distintos apesar da mesma tentativa de se adaptar ao mercado europeu.

 

Opinião: ocupado com erros antigos, Trio de Ferro não reduz vantagem do Fla

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Enquanto o Flamengo faz ajustes num elenco vencedor, seus rivais paulistanos  gastam energia para minimizar erros do passado. Tal retrato atual do mercado da bola  indica como tendência a equipe do Rio de Janeiro no mínimo manter sua vantagem técnica sobre Palmeiras, São Paulo e Corinthians.

O Flamengo tem suas indefinições, como a permanência de Gabigol. Mas já deu passos animadores para sua torcida rumo a 2020. Assegurou dois bons reforços na opinião deste blogueiro: o atacante Pedro Rocha e o zagueiro Gustavo Henrique. Os flamenguistas seguem tentando qualificar o elenco com nomes como Pedro, da Fiorentina.

Ao mesmo tempo, o Palmeiras, clube com maior poderio financeiro no país para encarar o Flamengo, demonstra estar mais preocupado em se livrar de jogadores que não rendiam o esperado do que em contratar.

A direção alviverde se esforça para diminuir a folha salarial do time vendendo ou não renovando com jogadores.

Antes de ser demitido, Alexandre Mattos era duramente criticado por contratar, com o aval de Galiotte, atletas caros e com altos salários, mas que não renderam o esperado. A nova diretoria colocou como meta corrigir a rota.

Borja tem acerto encaminhado com o Junior Barranquilla e Artur, que estava emprestado ao Bahia, com o Red Bull Bragantino. Gustavo Scarpa tem proposta do Almería, da Espanha.

Por sua vez, o São Paulo prioriza uma grande venda ainda antes do final do ano para diminuir déficit  de R$ 180 milhões previsto para 2019.

A direção sabe que tal negociação pode enfraquecer o elenco, mas está encurralada. O Conselho de Administração do clube entende que a diretoria gastou mais do que deveria neste ano para reforçar o time. Por isso, pressiona o presidente Leco a fazer cortes e mudar a política de contratações.

O Corinthians já anunciou Luan como reforço de peso e está perto de anunciar o volante Cantillo. Porém, com previsão de déficit de R$ 145,8 milhões em 2019, a diretoria trabalha incessantemente pra arrumar interessados em jogadores com bons salários mas que não resolveram os problemas da equipe.

Júnior Urso foi para o Orlando City. Clayson tem acerto com o Bahia. E Sornoza puxa a lista dos que ainda devem sair.

Assim como o Palmeiras, o alvinegro tem outro problema que o Flamengo não tem: fazer com que seu novo treinador dê rapidamente padrão de jogo ao time. Essa é a missão do corintiano Tiago Nunes e do palmeirense Vanderlei Luxemburgo. Na Gávea, Jorge Jesus já tem a equipe na mão.

Esse conjunto de fatores não sugere que o Trio de Ferro comece 2020 menos distante do Flamengo do que terminou a última temporada

 

Opinião: como Liverpool e Fla valorizaram o Mundial de Clubes

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Abaixo confira como Liverpool e Flamengo deixaram o Mundial de Clubes maior na opinião deste blogueiro.

Direitos humanos

O Liverpool transformou em algo prático e positivo o bordão “não é só futebol”. Isso ao recusar oferta dos organizadores para se hospedar num luxuoso hotel  acusado de não dar condições dignas de trabalho a ao menos parte de seus funcionários. O gesto dos ingleses jogou luz sobre um problema que tendia a ser ignorado.

Interesse europeu

Os “Reds” deram um passo importante para os ingleses e os europeus olharem o Mundial de Clubes com mais atenção.

O time de Klopp ignorou os conselhos de parte da imprensa  inglesa e de sua torcida para ir ao Qatar com reservas priorizando os calendários doméstico e continental.

A vontade de vencer a competição mostrada pelo Liverpool deve abrir uma nova discussão sobre como os europeus devem tratar o Mundial, que ganhará outro formato.

Final globalizada

Liverpool x Flamengo não se tratou de um confronto entre futebol europeu e sul-americano. Com um técnico português e alguns jogadores com anos de janela na Europa, a equipe brasileira levou para campo um jogo com pitada de estilo europeu.

O conhecimento demonstrado pelas duas partes sobre o adversário também deu um tom de globalização à final. Ninguém surpreendeu ninguém.

Equilíbrio

Não foi uma final em que o europeu encara um saco de pancadas de outra parte do planeta.

Isso aconteceu graças ao fato de o Flamengo ter levado para a disputa um time forte, capaz de criar chances para vencer o campeão da Europa. O equilíbrio torna a competição mais interessante.

Oposição corintiana usa sucesso do Flamengo para pressionar Andrés

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“Fala com o [Jorge] Jesus daqui a quatro ou cinco meses. Ele vai jogar de quarta a domingo, com viagem de avião, concentração. É outro mundo. Lá na Europa não se concentra, não viaja (tanto). Nós brasileiros temos um defeito que é falar bem dos outros e mal de nós. No dia que o Jorge Jesus perder uma Copa do Brasil ou uma Libertadores e invadirem o CT… Brasil é outro mundo”. Essas declarações dadas por Andrés Sanchez para o canal a Fox Sports em julho hoje são usadas pela oposição para criticar e pressionar o presidente corintiano.

As previsões de dificuldades não se concretizaram. O treinador português já levantou os troféus do Brasileirão e da Libertadores. No sábado (21) disputa o título do Mundial de Clubes contra o Liverpool. Adversários políticos do presidente corintiano afirmam que o cartola não só errou nas projeções como viu o Flamengo abrir larga vantagem sobre o Corinthians dentro e fora de campo.

Desde sua primeira passagem pela presidência alvinegra, Andrés diz que o rival direito de seu clube é o rubro-negro. Isso principalmente pelo fato de as duas torcidas serem as maiores do Brasil. Os opositores argumentam que o alvinegro chegou a ter vantagem em campo e nas finanças, mas que agora precisa de binóculos para ver o adversário. Eles creditam o distanciamento às atuações do grupo político de Sanchez. O “Renovação e Transparência”  está no poder desde outubro de 2007.

Enquanto o Flamengo disputa o Mundial, o Corinthians se prepara para jogar a fase preliminar da Libertadores. A situação é resultado do 8º lugar no Brasileirão conquistado com 34 pontos de desvantagem para o rubro-negro. A diferença ilustra a distância do time de Jesus dentro de campo que é alvo de queixas da oposição corintiana.

Relatórios financeiros elaborados pelos dois clubes também mostram como o rubro-negro abriu vantagem sobre o rival paulista. Em 2016, o Corinthians terminou um ano com receita bruta operacional no departamento de futebol maior que a do Flamengo pela última vez. Os alvinegros registraram na ocasião receita no departamento de R$ 458.295.000. Os flamenguistas ficaram um pouco atrás com R$ 453.534.000.

Em 2017, o Flamengo arrecadou operacionalmente R$ 178.395.000 a mais do que o Corinthians. No ano passado a vantagem rubro-negra foi de R$ 64.645.000. Os dados financeiros dos dois clubes referentes a 2019 também não são favoráveis para os paulistas que têm previsão de terminar o ano com déficit de R$ 144,8 milhões. O número diminui se o clube conseguir vender jogadores até o fim do mês. Por sua vez, o rubro-negro já registrava em setembro (último balancete publicado em seu site) superávit de R$ 74.721.000. Vale lembrar que os corintianos têm suas receitas prejudicadas porque o dinheiro arrecado com a venda de ingressos vai para o pagamento da dívida pela construção de sua arena.

Toda essa diferença já consolidada entre os dois rivais ficará maior ainda aos olhos da oposição corintiana se o rubro-negro alcançar seu bicampeonato mundial. A pressão sobre Andrés deve aumentar.

 

Opinião: Flamengo mostra mais virtudes do que falhas em semifinal sofrida

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A dificuldade enfrentada pelo Flamengo no primeiro tempo contra o Al-Hilal pode ter desapontado seu torcedor, porém, no geral, o time brasileiro mostrou mais virtudes importantes do que falhas preocupantes na opinião deste blogueiro.

A vitória por 3 a 1 parecia algo distante após o domínio saudita na primeira etapa da semifinal do Mundial de Clubes. O Al-Hilal melhorou incrivelmente na marcação em relação à vitória por 1 a 0 sobre o Espérance, da Tunísia, nas quartas de final. Seu potencial do meio para frente já era conhecido.

Até abrir o placar, o time da Arábia Saudita fez uma eficiente marcação alta. Depois do gol, recuou. Mas, nos dois casos, fechou as laterais e impediu o Flamengo de usar uma de suas principais armas: a velocidade. Bruno Henrique e Gabigol foram peças quase decorativas nos 45 minutos iniciais.

A imobilização imposta pelo rival fez o Flamengo cometer sua principal falha no jogo: não controlar os nervos. Por conta do nervosismo, a equipe brasileira errava passes mais do que está acostumada a fazer e entregava a bola para os árabes. Seja contra Liverpool ou Monterrey, a decisão deve exigir mais controle emocional. Jesus precisa dar seu jeito para melhorar isso. Se bem que, na etapa final, os flamenguistas estavam bem mais calmos. O fato de já começarem o segundo tempo acertando contribuiu para essa tranquilidade.

As virtudes rubro-negras começaram a aparecer. A primeira a ser vista na volta do intervalo foi a capacidade de Jesus de arrumar o time sem fazer substituições. Na conversa, o treinador acalmou seus comandados, conseguiu melhorar o passe e, finalmente, explorar a velocidade no ataque. Foi assim que conseguiu a virada.

Outra qualidade foi o preparo físico aparentemente melhor do que o dos adversários. Isso depois de quase que uma temporada inteira desgastante e festas para comemorar as taças do Brasileirão e da Libertadores.

A força ofensiva rubro-negra acabou chamando atenção pelos três gols no segundo tempo. Mas é preciso destacar o trabalho na marcação. O resultado mais importante foi a capacidade de neutralizar Gomis, o melhor jogador do Al-Hilal. Encaixotado na marcação, o atacante francês só acertou uma finalização na partida inteira, além de errar duas conclusões, de acordo com o site “Footstats”. É verdade também que os sauditas mantiveram Gabigol sob controle na maior parte do jogo. Ele errou seus dois únicos arremates nos 90 e poucos minutos, também de acordo com o Footstats.

Claro que Jesus tem o que melhorar para a partida decisiva. Mas, mesmo sem ser brilhante, o rubro-negro mostrou mais uma vez como é forte. Tem força, inclusive, para virar jogos bem complicados. Já tinha sido assim na final da Libertadores diante do River Plate. E, se o Flamengo não encaixar seu jogo desde o início da decisão do Mundial, o roteiro tende a ser semelhante outra vez. Azar dos corações flamenguistas.

Opinião: Flamengo encara adversário trapalhão na defesa e esperto no ataque

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O Flamengo vai enfrentar nesta terça, na semifinal do Mundial de Clubes, um adversário esperto no ataque, mas ingênuo na defesa. O Al-Hilal reforçou essa imagem na vitória por 1 a 0 sobre o Espérance, da Tunísia.

Na partida em que assegurou sua classificação para enfrentar o time brasileiro, a equipe saudita cometeu erros infantis entregando a bola nos pés dos atacantes adversários e por pouco não tomou gols. Por outro lado, foi perigosa no campo de ataque e venceu com um golaço do francês Gomis. Força ofensiva e trapalhadas na defesa já tinham sido mostradas pelo Al-Hilal na final da Liga dos campeões da Ásia, na qual derrotou duas vezes o Urawa Reds, do Japão, quase sempre buscando o gol.

Se tiver o volume de jogo ofensivo que costuma ter, o rubro-negro deve vencer sem maiores problemas. A capacidade dos sauditas de se atrapalharem com as bolas nos pés perto de sua área defensiva faz com que manter o jogo por lá seja garantia de algumas molezas durante a partida. Marcar sob pressão também é uma excelente pedida. O Espérance usou pouco esse recurso, mas foi o suficiente para ganhar algumas bolas de presente. Faltou qualidade para fazer o gol.

Atacando, porém, o Al-Hilal é outro time. Meio-campistas e atacantes tabelam bem, trocam de posições e fazem infiltrações com perigo. O francês Gomis é o mais perigoso. Habilidoso, o atacante marcou um golaço contra os tunisianos após sair da reserva. Ele tem boa capacidade para resolver jogadas com pouco espaço, é bom de tabela, de drible, sabe atacar pelo lado, mas também se posiciona como centroavante. Com esses recursos foi artilheiro da última Liga dos Campeões da Ásia marcando 11 gols.

Até chegar em Gomis a bola passa por mais caras que sabem jogar. A começar pelo volante Cuéllar. O ex-flamenguista tem a missão de fazer a transição da defesa para o ataque com qualidade. No campo ofensivo, o peruano Carillo e o brasileiro Carlos Eduardo também costumam dar trabalho para os adversários. Ambos têm boa movimentação, participam das tabelas e finalizam.

As qualidades ofensivas do Al-Hilal fizeram com que o time saudita tivesse o melhor ataque da Liga dos Campeões da Ásia com 26 gols. Gomis foi o artilheiro da competição. Ele balançou a rede 11 vezes. Só que a pontaria foi um problema no último jogo. Contra o Espérance foram 13 finalizações, mas apenas três certas, segundo estatísticas do site da ESPN. Na partida decisiva, na liga asiática foram 19 conclusões com oito acertos. Além de acertar mais o alvo, o desafio do Al-Hilal contra o Flamengo é conseguir criar tantas chances de gol. E, principalmente, não presentear os atacantes adversários.

Flamengo e Cruzeiro são exemplos para times pararem de poupar jogadroes

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O Brasileirão de 2019 deixa como uma de suas principais lições o quanto pode ser maléfico para os clubes poupar jogadores pensando na Libertadores ou em outras competições. É emblemático que o campeão Flamengo tenha evitado na maioria das vezes preservar atletas e que o rebaixado Cruzeiro tenha agido de maneira oposta.

Dizendo que poupar jogadores não faz parte de sua cultura, Jorge Jesus ajudou o rubro-negro a levantar a taça continental, além da nacional. O português transformou em papo furado a prática de seus colegas brasileiros. Justamente ele, que tinha mais argumentos para colocar reservas para atuar em algumas partidas do Brasileiro por ter um elenco muito robusto.

Por outro lado, o time mineiro começou a temporada com pinta de que poderia brigar por todos os títulos que disputasse. Tinha um trabalho consolidado com Mano Menezes e uma equipe jogando um bom futebol. Porém, Mano menosprezou o Brasileirão e começou a encher o time de reservar pensando em evitar contratempos na Libertadores. Mas seu elenco não era equilibrado como o do Flamengo.

Os maus resultados começaram a aparecer na competição nacional, o time foi ficando para trás e, inicialmente, ninguém levou a sério o risco de rebaixamento. Direção e comissão técnica agiam como se a situação estivesse sob controle. Mas não estava.

Seria ingenuidade creditar o rebaixamento cruzeirense apenas à prática de poupar atletas. Uma série de fatores contribuiu para isso. Péssima gestão, falta de comprometimento de jogadores e dirigentes, remunerações atrasadas, a aposta em um técnico novato como Rogério Ceni para domar medalhões como Thiago Neves, a falta de habilidade de Abelão para fazer o time reagir e a confiança de que um ídolo do clube (Adilson Batista) seria o salvador da pátria. Paro por aqui de listar os problemas que afundaram o Cruzeiro para o leitor não perder o fôlego.

Porém, mesmo com esse caminhão de erros, quatro pontinhos perdidos com reservas em campo enquanto o clube celeste ainda disputava a Libertadores teriam evitado esse vexame histórico. Estamos cansados de saber que quando um time grande está na zona de rebaixamento a perna dos atletas pesa mais, o nervosismo é inevitável e o que parecia simples vira impossível. A torcida ameaça quem precisa de apoio, e nem todos reagem bem. Tem aqueles que somem nos momentos decisivos. Definitivamente, não dá pra brincar com o monstro do rebaixamento.

A situação cruzeirense já bastaria pra os clubes repensarem essa bobagem de poupar jogadores. Porém, se a fobia em relação à Série B não for suficiente, vale olhar para o Flamengo e realizar que dá, sim, para vencer Brasileirão e Libertadores ao mesmo tempo. Cabe às outras diretorias cobrarem uma nova postura de suas comissões técnicas a partir de 2020.

Opinião: Palmeiras reage de maneira diferente em caso de veto à sua torcida

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Ao se manifestar contra o veto à sua torcida na partida deste domingo (8) diante do Cruzeiro, o Palmeiras teve uma posição mais agressiva do que adotou quando os flamenguistas foram barrados no Allianz Parque na semana passada.

Em relação ao jogo no Mineirão, o clube paulista emitiu nota  falando em “depreciação do produto futebol” e afirmando que a torcida única “não deve jamais ser aplicada de maneira casuística, visando vantagem competitiva”. Há aqui uma insinuação de que a recomendação do Ministério Público mineiro tem a ver com ajudar os cruzeirenses a vencerem o duelo, resultado fundamental para o time de Belo Horizonte tentar evitar o rebaixamento no Brasileirão.

Porém, ao comentar a proibição aos flamenguistas em seu estádio, a direção alviverde não falou em casuísmo em busca de favorecimento competitivo. Na ocasião, apesar de argumentar que os jogos sempre devem ter a participação das duas torcidas, o clube paulista foi muito mais compreensivo com a recomendação da Polícia Militar e do Ministério Público, que culminou com a exclusão dos rubro-negros.

“No entanto, a segurança é um bem maior a ser preservado, e a Polícia Militar e o Ministério Público são as autoridades competentes para avaliar as condições de segurança de um evento, até porque são agentes ativos no processo. O Palmeiras não tem elementos técnicos para avaliar ou julgar as medidas de segurança recomendadas pela Polícia Militar ou Ministério Público e irá respeitar as orientações das autoridades competentes e da CBF”, escreveu a direção palmeirense antes do jogo com o Flamengo. É nítida a diferença de postura dos palmeirenses nos dois casos.

De fato, brigar publicamente contra uma medida de segurança sugerida pelas autoridades da área é arriscado. Se acontece algo de ruim, quem conseguiu impedir a decisão está lascado. Porém, é sabido que todos os grandes clubes do Brasil têm corrida para agir nos bastidores para fazer valer seus desejos. Seja para vetar a presença de visitantes em seu estádio ou para derrubar tal impedimento.

Na opinião deste blogueiro, o Palmeiras não se esforçou para colocar os rubro-negros em seu estádio e já levou o troco, como eu já esperava que acontecesse, mas não tão rapidamente. O Cruzeiro foi ao STJD pedir a torcida única, saiu derrotado, mas viu o MP mineiro agir e o Tribunal de Justiça do Estado conceder liminar para a realização do jogo só com torcedores do time da casa.

O desfecho do caso é mais um indício de que cada vez teremos mais jogos com torcida única no país. Palmeiras x Flamengo foi o primeiro duelo interestadual com esse tipo de determinação. Já na rodada seguinte, o Flamengo anunciou a venda de ingressos reservados ao Avaí pra os rubro-negros alegando que os visitantes não exerceram seu direito de compra dentro do prazo estipulado. Os catarinenses contestam essa versão.

Para este jornalista, está claro que  a maioria dos grandes clubes mandantes não gosta de receber visitantes. Por falta de visão comercial, a preferência é lotar seu estádio apenas com seus seguidores, criando um clima mais hostil para os adversários. Para a Polícia Militar, jogo com torcida única representa uma logística a menos: a de isolar os visitantes. É menos desconfortável.

Assim, caminhamos para um futebol ainda mais sem sal, com torcida única e notas oficiais casuísticas, como as duas emitidas recentemente pela diretoria do Palmeiras sobre o tema. Tadinho do torcedor brasileiro.

 

Por que executivos viraram protagonistas em clubes e até torcida opina?

Antes chamado de “Mittos” pela torcida do Palmeiras, Alexandre Mattos foi demitido no último domingo após um desgaste que incluiu protestos de organizada em frente ao condomínio em que mora e ameaças de torcedores. Agora, a discussão sobre seu substituto provoca engajamento de torcedores que tratam o assunto como se estivessem falando da contratação do próximo técnico ou de um grande craque. No São Paulo, virou tema prioritário se o clube deve manter ou demitir Raí, dirigente remunerado tricolor. Mas como os diretores executivos de futebol viraram “menina dos olhos dos clubes” e fizeram os torcedores se importarem tanto com eles? Para tentar responder à pergunta, o blog ouviu profissionais da área.

Entre as análises estão o excesso de exposição desnecessária de cartolas remunerados, uma visão equivocada de seus trabalhos nas agremiações e o grau de complexidade que as contratações de atletas e outras funções no departamento de futebol ganharam nos últimos anos.

A final da Copa do Brasil de 2011, vencida pelo Vasco na decisão diante do Coritiba, é um momento importante para se entender a visibilidade que os dirigentes remunerados ganharam no país. Na ocasião, recebeu destaque da imprensa o duelo entre dois cartolas profissionais: Rodrigo Caetano, então no Vasco, e Felipe Ximenes, que trabalhava para a equipe paranaense.

O interesse jornalístico nas atividades dos dois atraiu a atenção dos torcedores e ela não parou de crescer na direção dos profissionais dessa área. Porém, a função já existia há tempos, mas sem tanta badalação. Caetano é prova viva dessa transformação. Passou a ser tratado com status de craque em seu ramo. Hoje está no Internacional e divide com Diego Cerri, do Bahia, o posto de preferido dos dirigentes amadores do Palmeiras para a vaga de Mattos com direito a tratados escritos por torcedores nas redes sociais.

Mattos é um dos que mais colaboraram para a consolidação da fama dos dirigentes profissionais. Com dois títulos brasileiros durante sua gestão no Cruzeiro, ele já chegou ao Allianz Parque com pinta de ídolo.

“A importância é proporcional à responsabilidade que cada um (diretores executivos, outros profissionais e dirigentes estatutários) assume dentro da estrutura. Acho natural que, com a responsabilidade e o papel que todos esses agentes do negócio, do futebol, assumem que isso seja reconhecido”, afirmou Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Flamengo.

Com passagens por São Paulo e Santos como diretor remunerado, Gustavo Vieira de Oliveira, atualmente membro do conselho de administração da Botafogo S/A, ligada ao Botafogo de Ribeirão Preto, atribui, em parte, o destaque dado aos executivos de futebol à participação deles em contratações de atletas.

“Embora as atribuições do executivo sejam bem mais amplas, o que mais gera visibilidade são as negociações, e, nos últimos 15 anos, as negociações passaram a ser mais complexas, demandando maior dedicação de tempo, relacionamentos e expertise para sua condução. Soma-se a isto, o fato de a opinião pública acompanhar com maior interesse, o que tem a ver também com o fenômeno das redes sociais. O executivo personifica o clube neste mercado com mais visibilidade”, afirmou o filho do ex-jogador Sócrates.

Tal visibilidade leva os dirigentes profissionais a serem exaltados ou massacrados nas redes sociais e virarem personagens de selfies ou protestos de torcedores dependendo do resultado do time. Para Tiago Scuro, CEO da parceria entre Red Bul e Bragantino e ex-executivo do Cruzeiro, a atenção que esses funcionários das agremiações recebem tem a ver com a exposição de parte deles na mída.

“Essa situação no Brasil é única. Em outros países, esse profissional não tem a mesma relevância. Na Premier League (Inglaterra), quantas vezes você vê o executivo de futebol dando entrevista coletiva, falando na zona mista ou apresentando jogador contratado? A função do executivo é gerir o clube, não reagir a tudo que acontece. O executivo não deveria ter esse protagonismo que tem no Brasil, mas uma atuação mais discreta como acontece em outros países. Claro, alguns momentos específicos vão exigir um posicionamento (pela imprensa)”, disse Scuro. Recentemente, ele foi sondado para o lugar de Mattos no Palmeiras, mas entendeu que não poderia deixar o projeto de Red Bull e Bragantino num momento de implantação.

Para Gustavo, essa exposição passa por uma estratégia dos dirigentes amadores. “Há interesse também de conferir visibilidade ao executivo por parte da diretoria estatutária na necessidade de expor alguém que seja o contratado (e descartável) e não aquele que tem carreira política”, analisa. Ou seja, esses profissionais estariam sendo usados como escudos pelos cartolas tradicionais. “A pergunta que temos que fazer é: ‘querem um escudo contra o que?”, opina o executivo do Red Bull Bragantino.

Profissionalismo x amadorismo

A convivência entre “cartolas de carteirinha” e profissionais do futebol nos clubes tem sido conflituosa em alguns casos. E a corda costuma estourar do lado dos funcionários. Na Santos, recentemente, Paulo Autori reclamou de declarações de José Carlos Peres que sugeriam interferência dele no futebol do clube e avisou que deixará a agremiação ao final da temporada. O próprio Gustavo foi demitido na Vila Belmiro depois de uma curta passagem tumultuada por problemas políticos. No Palmeiras, após a saída de Mattos, Maurício Galiotte optou por criar um comitê de diretores amadores para atuar no futebol, sem dispensar a contratação de um novo executivo. Por sua vez, Leco, presidente do São Paulo, sofre grande pressão interna e até de parte da torcida para demitir o executivo Raí, um dos principais ídolos do clube do Morumbi.

“O (diretor estatutário)  tem o desejo de participar, o clube espera que ele participe, ele próprio fez carreira política com a intenção de participar das decisões, ele é perguntado na rua e na família por sua participação, há uma sensação geral de que fazer futebol é fácil, enfim, é muita tentação e pressão para o estatutário administrar o próprio ego e abster de interferir”, afirmou Gustavo ao ser indago sobre a relação entre diretores profissionais e amadores.

A demissão de Mattos também levantou a questão sobre como o trabalho dos executivos é avaliado. O ex-funcionário do Palmeiras não resistiu à falta de taças na atual temporada, mesmo tento no currículo dois títulos Brasileiros e um da Copa do Brasil pelo alviverde.

“Essa importância maior dada aos executivos veio na visão de tirar um pouco o poder do treinador. Mas existe uma distorção na visão sobre as responsabilidades do cargo, creditam o fraco desempenho ou o êxito ao executivo. Dão muito valor às contratações, como o se o executivo contratasse sozinho. Muitas vezes, ele contrata quem o dirigente pede. Como em qualquer indústria, o executivo deve liderar um departamento, ele é parte de uma engrenagem. Sua avaliação não pode ser só em relação às contratações e aos resultados do time. É preciso ver todo seu trabalho. Mas, não existe vítima nessa história. O executivo, muitas vezes, precisa ter um posicionamento mais discreto. Dirigentes e imprensa precisam avaliar melhor esse trabalho. Até o torcedor precisa entender mais essa função”, declarou Scuro.

Gustavo também avalia que jornalistas, dirigentes amadores e torcedores não estão preparados para analisar a atuação desses profissionais do futebol. “Seguramente não. Imagina-se que o trabalho do executivo seja somente contratar e vender atletas, sendo que as atribuições são muito mais amplas. Além disso, os clubes não definem claramente suas metas. E, quando o fazem, têm receio de comunicar ao torcedor. O executivo deveria ser executor das estratégias instituídas pelo clube”, ponderou o profissional da Botafogo S/A.

Por sua vez, o diretor do atual campeão brasileiro e da Libertadores não reclama das avaliações instantâneas de acordo com os resultados do time. “Acho que, como em toda a carreira, qualquer que seja ela, as pessoas são avaliadas pelos seus resultados. Então, é natural que tenha uma avaliação imediata. Nas vitórias e títulos uma avaliação boa. E quando acontece o contrário, dependendo como foi, que seja em sentido contrário. Acho que isso é natural, não dá para esperar nada diferente disso”, afirmou Spindel.

Sobre a maneira como imprensa, torcedores e dirigentes analisam o trabalho dos executivos, o diretor rubro-negro ainda afirma que não se pode generalizar. “O torcedor é o maior patrimônio do clube. No caso do Flamengo é a maior torcida do Mundo. Por eles que a gente faz tudo e o que a gente mais quer é que o clube vença sempre para que eles estejam felizes e que aconteça o que agente viu. Isso não tem preço, o que aconteceu no apoio ao time esse ano todo. Imprensa e dirigente também é difícil de generalizar. O fato é que quanto mais preparado o dirigente do clube, que é representante do torcedor do sócio, mais bem tomadas vão ser as decisões. Imprensa, de forma geral, acho que a qualidade da informação que a ela recebe, tem o papel do clube, dos funcionários, dos executivos de informar e dar o maior subsídio possível à imprensa para que a opinião seja formada à luz das melhores informações possíveis”, declarou o diretor do Flamengo.