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Que tal o torcedor se respeitar?

Leia o post original por Flavio Prado

Sei que eles são vítimas e não quero culpar os que sofreram. Só estou cobrando um pouco de auto respeito.

 

 

O torcedor foi a grande vítima de toda palhaçada, que se viu na final da Taça Guanabara. Os cartolas armaram a porcaria, a” justiça” se intrometeu onde não devia, a ridícula Federação Carioca foi ridícula mesmo e órgãos maiores, falo da CBF, é claro, ficaram quietinhas deixando o circo pegar fogo.

Mas não espero nada dessa gente. São incompetentes, irresponsáveis e só se preocupam com negociatas à margem do mundo da bola. Eles sempre farão coisas assim. Conseguem piorar cada vez mais aquilo que já é bem ruim. Deveriam ser processados, mas não creio que alguém tome essa atitude.

O que me chama a atenção é o torcedor. Como ele pode não se respeitar dessa forma? Vimos trabalhadores, pessoas sérias, ao contrário dos organizadores, que se sujeitaram a tudo isso?  Até uma moça com um bebê apareceu correndo. Um cadeirante foi abandonado por aqueles que o conduziam. Senhores com cabelos brancos surgiram assustados entre as bombas do policiamento.

Não é possível que não imaginassem o risco que corriam. Sei que eles são vítimas e não quero culpar os que sofreram. Só estou cobrando um pouco de auto respeito. Não adianta alegar paixão. Você tem que ter um pouco de amor próprio. Quando as pessoas aceitam qualquer tipo de tratamento, não fazem valer os seus direitos, elas viram nada.

Pouco ou muito, pagam para assistir os eventos. São consumidores e tudo é feito para eles e em função deles. Só que essa gente não se valoriza. Não valoriza o seu significado no esporte. Aceita o tratamento de lixo que lhe dão. E isso faz com que os cartolas pouco se importem com eles. Muito triste. Você pode adorar sua equipe, mas tenha um mínimo de carinho por você. Quem tiver um mínimo de dignidade, não voltará a estádios, pelo menos por alguns anos.

 

O sistema dois: as amarrações

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Na hora de escolher jogadores há total prioridade para os credores. Até porque eles têm os melhores. Mas mandam bagulhos juntos.

 

 

Como disse no post de ontem 5 ou 6 empresários mandam no futebol brasileiro. Não importa clube ou seleção, sempre há um braço de empresário lá dentro. Essa ligação pode vir através do treinador, do gestor de futebol, do gerente e por certo alguém da diretoria. Isso garante o livre trânsito deles em qualquer concentração.

Claro que não precisam estar lá fisicamente. E normalmente não estão mesmo. Mas sabem tudo que rola, desde as necessidades dos clubes até quem pode participar do sistema. Qualquer equipe, que precise de aporte financeiro, terá nesses “donos” da bola a ajuda imediata. O dinheiro entra e o compromisso está garantido. Como negar algo a alguém para o qual se deve?

Esses montantes não entram, muitas vezes, de forma oficial. Aliás quase sempre não há registro de nada. Os pedidos são escritos em bilhetes, que são rasgados depois de sinais de concordância. Como não é nada oficial nunca se sabe se o dinheiro entra para os cofres dos clubes ou fica pelo caminho. Mas quem recebeu, sempre pessoa com poder de decisão, fica amarrado a quem mandou a grana.

Na hora de escolher jogadores há total prioridade para o credores. Até porque eles têm os melhores. Mas mandam bagulhos juntos. É como as televisões tinham que fazer antigamente. Para comprar os filmes de Oscar precisam levar encalhados das produtoras junto. No futebol brasileiro atual é igual. E os “encalhes” assinam longos e ótimos contratos.

Está entendendo agora porque alguns caras acertam com seu time, nunca jogam e custam fortunas ? É pagamento de pedágio. E em vários casos “devolução” de dinheiro que o clube nem viu, mas teve gente com cargo lá dentro, que usou muito bem. O sistema é bem montado. Bom para todos os participantes. Já para os torcedores a coisa está cada vez mais complicada. Jogos feios, campeonatos ruins e estádios cada vez mais montados para torcidas uniformizadas. Sim, claro, elas também  fazem parte do sistema. E em grande estilo.

As escolhas erradas de Sampaoli

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: AFP

Ele é um cara diferente, avançado nas ideias do futebol, estudioso e têm conceitos que gosto muito e respeito. Mas nos últimos tempos o argentino Jorge Sampaoli tem feito escolhas inacreditáveis. Não sei o que ocorreu com ele, mas sei que a carreira que era só ascendente, cada vez mais fica sob ameaça. As escolhas erradas de Sampaoli estão custando caro.

Quando surgiu no futebol e se destacou na seleção chilena, Sampaoli mostrou que era possível ganhar com jogo ofensivo, futebol de marcação alta e revezamento constante de jogadores, inclusive em suas posições de origem.

Foi ao Sevilha e montou um belo time, ganhando títulos e mostrando qualidades mesmo enfrentando gigantes como Barcelona e Real Madrid. Aí indicou Ganso para o clube, algo inexplicável, já que o jogador brasileiro tem apenas habilidade, mas é lento e pouco participativo no jogo coletivo. Era improvável que desse certo e rapidamente virou um mico na Espanha.

Sampaoli aceitou então dirigir a bagunçada seleção argentina, outra que não tinha como se ajeitar numa situação onde nem a AFA tinha presidente. Foi cobrado por um título mundial que não teria como vir. Pagou caro pelo segundo erro grave de avaliação.

Agora deverá vir para o Santos. Quem terá capacidade de analisar o trabalho dele? Quem conhece minimamente as teses e sistemas que ele emprega? Vão exigir resultados imediatos e qualquer derrota no campeonato paulista, que seja, implicará em cobrança enorme. Afinal ele faz diferente e isso no Brasil costuma ser quase um crime hediondo.

A genialidade que Sampaoli demonstrou tantas vezes como treinador não o acompanha na gestão de carreira. Claro que torço muito para que ele dê certo. Torci quando indicou Ganso e quando trocou o Sevilha pela seleção argentina, mesmo sabendo que era uma torcida em vão. E agora, nessa aventura no futebol brasileiro, vou torce novamente, mesmo duvidando muito que dê certo. É praticamente impossível.