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Santos é futebol. Ponto

Leia o post original por Odir Cunha


Benfica 2 x 5 Santos – o jogo mais importante de um time brasileiro em toda a história do futebol. Ponto.

Cada time tem uma característica pela qual é lembrado. Uns, mais por mérito de seus torcedores, são chamados “times do povo”, outros são conhecidos pela “raça”, alguns por serem “copeiros”, outros, ainda, pelo acúmulo de títulos. O Santos, senhoras e senhores, representa o futebol. Sim, o Santos encarna o melhor e o mais romântico desse esporte, do futebol arte, dos grandes craques, enfim, o Glorioso Alvinegro Praiano é, simplesmente, o futebol.

Time mais vezes campeão paulista na era profissional, duas vezes campeão mundial na época do futebol-arte, três vezes campeão da Copa Libertadores, oito vezes campeão brasileiro, cinco vezes do Torneio Rio-São Paulo, campeão das Recopas Sul-americana e Mundial, clube que revelou alguns dos maiores craques da história do futebol brasileiro, pensar em futebol é pensar no Santos, e vice-versa.

Além de toda a sua história incomparável, há o estigma de revelar virtuoses. Um time de garotos do Santos entra em campo, como nessa Copinha, e não há quem não fique curioso para descobrir novos craques. Por isso, os outros clubes têm infanto-juvenis, o Santos tem os Meninos da Vila.

Se o Brasil fosse um país sério e se a chamada crônica esportiva tivesse o mínimo conhecimento e reconhecimento, todo programa esportivo deste país deveria começar com o hino do Santos e imagens de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Gylmar, Maruco, Dorval, Lima, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Robinho, Neymar… Só depois viria o resto.

Veja você, leitora e leitor, que o auge do futebol brasileiro e mundial coincidiu com o auge do Santos. A Seleção Brasileira tricampeã em 1958, 1962 e 1970 era baseada no Santos bicampeão mundial em 1958/62 (fora a Recopa Mundial de 1968 e as três Libertadores que não quis jogar). Futebol arte = Santos e não se fala mais nisso.

Mas se eu, que sou santista, falo, dirão que sou suspeito. Então, lembro aqui o que me disse o ponta-esquerda Antonio Simões, do inesquecível Benfica, melhor ponta da história do futebol português e adversário do Santos na final do Mundial de 1962:

“É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Comparo o Santos de 1962 com a Seleção do Brasil de 1970. São as duas melhores equipes de futebol que vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já demonstrava há muito tempo.”

É óbvio que a Seleção Brasileira trouxe do Santos os craques, o espírito indomável e vencedor que a transformou na melhor Seleção de todos os tempos. Só não enxerga isso quem não quer ver ou é burro. A propósito, lembro agora uma frase do francês Gabriel Hanot, ex-jogador, jornalista esportivo e criador da Champions League. Maravilhado depois de assistir Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, ele disse:

“Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved.”

Aqui, abro um parêntese para perguntar às pessoas de boa vontade: é possível comparar uma final de mundial interclubes decidida em uma melhor de três entre o campeão europeu e o sul-americano, com outra definida em uma única partida, no Japão, em Dubai ou no raio que o parta? Uma decisão em que a torcida local recebe bandeirinhas dos clubes finalistas para balançar durante o jogo? Me poupem!

A melhor e mais importante partida de um clube brasileiro em toda a história foi Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, então o maior estádio da Europa. Quem quiser debater sobre isso, estou à disposição. E a segunda maior foi Santos 4, Milan 2, no Maracanã. O resto, como diriam os cronistas antigos, não pagam nem placê.

Pois é. Os idiotas da objetividade torceram para o Santos acabar quando Pelé parou. Estavam loucos para ter uma oportunidade de falar de seus times, de dourar a pílula da mediocridade até que se tornassem pérolas. Bem, esses não estavam e não estão interessados na história do futebol, mas sim em seus decadentes times “do povo”. Mas aí veio Juary, Pita, Nilton Batata, João Paulo, Ailton Lira, Robinho, Diego, Neymar, Ganso, Ricardo Oliveira, Lucas Lima…

E, contra tudo o que se vê nos viciados noticiários de tevê, neste século XXI, que já tem 17 anos completos, o retrospecto do Glorioso Alvinegro Praiano contra os chamados grandes clubes brasileiros não poderia ser melhor: o Santos tem saldo positivo contra todos eles.
A informação vem do amigo Guilherme Gomez Guarche, responsável pelo departamento de memória do Santos Futebol – um departamento que deveria ser ampliado e melhor aparelhado, pois a história é o melhor marketing do Santos.

Bem, mas como eu ia dizendo, o Guarche me passou o retrospecto do nosso querido Santos contra os chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro. Vejamos essa informação que, sei lá por que, a imprensa esportiva brasileira ignora. Escreve-me o Guarche:

Contra o Corinthians foram 57 partidas, com 25 vitórias santistas,14 empates e 18 derrotas. Portanto, sete vitórias de saldo.

Contra o São Paulo, em 56 partidas, 28 vitórias do Santos, 10 empates e 18 derrotas, ou seja, saldo de 10 vitórias!

Contra o Palmeiras, 49 partidas, com 19 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, duas vitórias de saldo.

Contra o Flamengo, 35 partidas, com 11 vitórias, 14 empates e 10 derrotas, uma vitória a mais.

Contra o Fluminense, 37 partidas , com 14 vitórias, 7 empates e 13 derrotas, outra vitória de saldo.

Contra o Botafogo, 32 partidas, com 14 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, cinco vitórias a mais para o Santos.

Contra o Vasco da Gama, 29 partidas, com 13 vitórias, 7 empates e 9 derrotas, ou seja, quatro vitórias a mais para o Santos.

Então, minha cara e meu caro, se a imprensa esportiva brasileira não vê ou finge ignorar um time que neste século supera, no confronto direto, todos os outros chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro, podem estar certos de que o problema não é do Santos, mas da nossa míope imprensa esportiva.

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Um goleiro à altura do São Bento

Leia o post original por Antero Greco

Um goleiro de 1,82m está à altura do São Bento?

Se o nome dele for Rodrigo Viana Conceição, ele está sim. Esse é o novo goleiro que entra para a história do tradicional clube da cidade de Sorocaba que, no próximo dia 14, completa 103 anos.

Isso mesmo, o time da Manchester Paulista é centenário e mais um pouquinho!

Mas não estou aqui falando do alviceleste só por causa do aniversário. No domingo, o São Bento reviveu grandes momentos no estádio Walter Ribeiro, com público de quase 10 mil pessoas. Obteve com a vitória sobre o Itabaiana, por 2 a 0, uma das quatro vagas para a disputa da Série C de 2017. E ainda pode ganhar o título do Brasileiro da Série D. Nas semifinais enfrenta o CSA, enquanto o Volta Redonda pega o Moto Clube.

Para chegar a essa campanha, o São Bento contou com goleiro pra lá de eficiente: Rodrigo Viana, 26 anos, canhoto. Ele começou carreira no Botafogo do Rio e passou por Tupi, de Juiz de Fora, Caldense (onde foi o goleiro menos vazado do Campeonato Mineiro) e Sampaio Correia.

Pois não é que, em 12 jogos, na Série C, Rodrigo sofreu apenas 2s gols?! Isso mesmo! Até agora só 2 gols – o que o leva a ser comparado pelos torcedores mais fanáticos aos grandes goleiros que já vestiram a gloriosa camisa centenária.

Chicão jogou lá e teve seus momentos de glória no Palmeiras, onde foi um dos responsáveis pelo título do Torneio Ramon de Carranza, pegando pênaltis em 1969. O São Bento teve também o paredão Abelha, que depois passou por Flamengo e São Paulo.

Mas o maior de todos continua sendo Walter, que ajudou o São Bento a subir para a elite do futebol paulista, numa disputa memorável com o América de São José do Rio Preto, no torneio de 1962. Era uma muralha. Se bem que o ataque era memorável e formado por Raimundinho, Cabralzinho, Picolé, Bazaninho e Paraná.

Era ruim aquele time do São Bento dirigido por Wilson Francisco Alves?

Sonho de quase primavera

Leia o post original por Antero Greco

Acordei neste setembro com sonhos de primavera. Está certo que a vitória sobre o Equador me ajudou nesses pensamentos irreais, mas os fatos que se seguiram aos 3 a 0 do Estádio Atahualpa foram determinantes: só boas notícias esportivas, culminando com a permanência de Gabriel Jesus no Palmeiras.

Como em sonhos vale tudo, a negociação do menino artilheiro foi desfeita porque faltava a assinatura da mãe no contrato para que possa pegar avião sozinho… E, arrependido da venda para o Manchester City, o presidente palmeirense resolveu devolver pessoalmente o dinheiro adiantado pelos ingleses.

“Sorry!”, disse, em perfeito e nobre inglês ao presidente do time deles.

“E o seu Pep? Quem telefona para ele?”, perguntou Gabriel Jesus meio sem jeito. Afinal, o técnico espanhol teve o cuidado de consultá-lo via telefônica no começo das negociações.

“Seu Pep”, pergunto?

Banana pro seu Pep espanhol, que é um tremendo técnico de jogadores dos outros…

Melhor ir tomar conselhos e aprender com o seu Pepe de verdade, seu José Macia, na rua México, em Santos.

Afinal foi o ponta-esquerda artilheiro que, em tempos idos, na Arábia Saudita ensinou os segredos do futebol brasileiro ao Pep Guardiola – um jogador em fim de carreira que queria ouvir histórias verdadeiras do grande Santos, que escutou a vida inteira, contadas pelo seu pai.

Enfim, moral da história ou do sonho: quanto o Palmeiras ganhou por vender precocemente a sua joia? Quem lucrou com o grande negócio? O que um dos artilheiros do Brasileiro vai aprender na Europa que já não sabia aos 19 anos? O que Romário aprendeu na Holanda? O que Rivaldo aprendeu na Espanha?

Antes de acabar a historieta, e antes que os grandes conhecedores e teóricos de futebol comecem a me xingar, vou dar uma boa notícia para a torcida corintiana também: o senhor Vicente Matheus acaba de baixar no terreiro do Pai Jaú, ex-zagueiro campeão corintiano da década de 30. Inconformado com o que está acontecendo no Parque São Jorge, ele liberou uma linha de crédito do Além e recontratou de uma só tacada Gil, Felipe, Elias, Renato Augusto e Jadson. Só não decidiu ainda se traz Vagner Love.

“Quem entra na chuva é pra se queimar!”, bradou seu Vicente.

Se é para sonhar, é melhor sonhar grandão!

PS. Na Vila Belmiro já tem gente falando em trazer Neymar de volta, mas ainda é boato.

Desafio para Gabriéis*

Leia o post original por Antero Greco

Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, o popular Gabigol, tiraram bilhetes premiados e serão milionários com menos de 20 anos. Ambos mal saíram da fase de juvenis e já conseguiram fixar-se nos respectivos clubes, ganharam medalha de ouro olímpica, caíram nas graças do público e de Tite. Mais do que isso, receberam cheques gordos para concordar com a transferência para a Europa. O primeiro vai para o Manchester City em janeiro; o segundo se deixou seduzir por proposta da Internazionale de Milão.

Ambos se veem diante de guinada estupenda na vida e com pouquíssimo tempo de carreira. Jesus completou 19 anos em abril e Gabigol assoprará 20 velinhas depois de amanhã. Mas devem preparar-se para defrontar-se com o desafio de vencerem em dois centros glamourosos, porém difíceis e exigentes do futebol. Itália e Inglaterra oferecem muito, com a contrapartida de exigirem demais de profissionais.

Até aí, ok. Eles logo terão consciência do tamanho da responsabilidade. Além disso, terão de superar o estigma que acompanha jovens atacantes brasileiros que se aventuram no exterior. Não são muitos os que, na era moderna do futebol, vingaram digamos, com tenra idade. Em média, se deram bem na arte de fazer gols aqueles que bateram asas um tanto mais maduros.

Foi assim com Careca (Napoli), Bebeto (Deportivo La Coruña), Jardel (Porto), Jonas para lembrar um quarteto importante – e só o último está em atividade, a divertir-se no Benfica. Primeiro cansaram de carimbar redes por estas bandas; só então, calejados e com cicatrizes de botinadas nas canelas foram encarar zagueiros europeus.

Mesmo emigrando com alguma experiência, nem todos brilharam. Roberto Dinamite saiu com 25 anos, passou uma temporada no Barcelona e fez o caminho de volta para casa. Luizão tinha 22 anos, quando se mandou para o La Coruña e resistiu a um campeonato. Adriano partiu para a Inter com 19 anos, mas rodou por Fiorentina e Parma até se fixar em Milão, entre os 22 e os 26 anos. Dali em diante, vida e obra entraram em parafuso. Pato saiu quase adolescente do Inter e nunca foi ídolo no Milan. Aos 21, Keirrison se maravilhou com a perspectiva de vestir a camisa do Barcelona e quebrou a cara.

Com 18 anos, Jô embarcou para o CSKA, de Moscou, e parecia exceção à regra. Desandou a fazer gols até despertar interesse do Manchester City. Na Inglaterra, travou. Ainda passou pelo Everton antes de ir para o Galatasaray. No regresso ao Brasil, jogou no Inter, teve o melhor momento no Atlético-MG – defendeu a seleção na Copa de 14! –, até ir pra Arábia e de lá pra China.

Exceção pra valer só Ronaldo. Não por acaso ganhou o apelido de Fenômeno. Saiu do Cruzeiro para o PSV, com 18 anos; e, da Holanda, ganhou mundo com Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan. Conquistou títulos e prêmios, superou duas contusões terríveis e terminou a carreira no Corinthians.

A conversa toda nesta crônica não é para secar, agourar, zicar os Gabriéis (com o perdão do plural que magoa os ouvidos). Serve para mostrar que a Europa implica riscos para atacantes em formação. Ressalve-se que os rapazes são talentosos e atualmente o amadurecimento se processa de maneira rápida.
Na teoria, a missão de Jesus será menos árdua, pois jogará numa equipe que tende a ter sistema leve e de muito toque de bola, à maneira de Guardiola. Já Gabigol entrará num clube com dinheiro farto (de indonésios e chineses) e pressionado pela ausência de títulos, após o penta italiano entre 2006 e 2010. Gabriel pode esquivar-se do comando do ataque, com a alegação, correta, de que funciona bem na armação. Assim não o verão como homem-gol.

Por ora, resta curtir o que for possível. Gabigol voltou da Itália e jogou o segundo tempo do jogo com o Figueirense. Gabriel Jesus desfila a arte dele no Mané Garrincha, no clássico que o Palmeiras faz hoje com o Fluminense. E a torcida verde já começa a ter saudades dos prodígios dele…

*Crônica publicada em parte da edição deste domingo do Estadão.

Medo

Leia o post original por Antero Greco

Vira e mexe torcedores invadem centros de treinamentos para tirar satisfações ou para “incentivar” jogadores. Não há um grande clube que não tenha passado por situação semelhante. Que, nem por isso, deixa de ser grave, constrangedora, aviltante. Covarde.

Comum, nessas ocasiões, ocorreram depredações, ameaças e agressões. Depois, um grupo é recebido por comissão de atletas e dirigentes para uma conversa apaziguadora. Os valentões passam o recado, quando não dão palestras para elencos, e vão embora tranquilamente, sem serem incomodados. Alguns dão declarações para meios de comunicação.

Na sequência, ao serem questionados a respeito de desdobramentos, cartolas e jogadores desconversam. Mostram indignação para inglês ver, prometem romper com as torcidas, avisam que o caso será entregue à polícia e… não se fala mais nisso. Até o próximo episódio semelhante, com as mesmas cenas e os mesmos personagens de sempre.

Por que o esquecimento? Por medo e, em alguns casos, por conivência. O pessoal do mundo do futebol sabe com quem lida nesses momentos de tensão. Sabe que não é o fanático que perde a cabeça e vai xingar; esse “zé mané” é fácil de driblar, na boa vontade ou até no mano a mano. Nas invasões está gente da pesada, com a qual é melhor não bulir. E sabe-se lá a mando de quem foram badernar…

Dá para entender – e lamentar -, quando uma multidão invade um local privado de trabalho, coloca em risco segurança de funcionários e tudo acaba se resumindo num comentário ameno, algo como: “Foram só uns tapinhas e uns chutinhos.”

A violência no futebol brasileiro está longe de virar fumaça. Ao contrário…

 

Muito tiki, pouco taka

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje o Kléber teria recuado a bola e nada teria acontecido.

O Santos de Dorival Junior é o exemplo de como a limitação intelectual dos técnicos brasileiros pode acabar com o nosso futebol. Dorival disse que foi à Europa ver como os grandes times do mundo jogam e como seus competentes técnicos agem. Veio querendo implantar o tiki-taka do Barcelona no Santos, só que parou no tiki.

O jogo contra o Atlético Paranaense mostrou que o Santos teve mais posse de bola (61,8 a 38,2%), mas chutou menos a gol (8 a 10), deu menos cruzamentos (13 a 15), errou mais passes (60 a 30) e desarmou menos (14 a 18). Gentil, o Santos também cometeu muito menos faltas (7 a 16). Esses números, pesquisados por André Schmidt, do site Lance!, mostram claramente que além da falta de empenho para buscar a vitória, o Santos se contentou apenas com a primeira parte do estilo do Barça, que é o tiki. Faltou, com o perdão do trocadilho, “takar” a bola pra dentro do gol.

Como se sabe, esse estilo de jogo, implantado pelo holandês Johan Cruyff no Barcelona, e depois pelos técnicos Luis Aragonés e Vicente del Bosque na Seleção da Espanha, se caracteriza por passes curtos e muita movimentação, com o objetivo de envolver o adversário até que haja possibilidade de fazer o gol. Mas essas filosofia não é tão nova quanto parece.

Se prestarmos atenção ao futebol argentino, mormente o de uma ou duas décadas atrás, veremos que seus melhores times se basearam na posse e no toque de bola. Lá chamam esse jeito de jogar de “toco y me voy”, o que significa tocar e já sair para receber, dando sempre opção para o passe e, assim, também seguindo até a meta adversária (no Brasil há quem traduza o “toco y me voy” como “um-dois”, mas não creio que seja a definição cem por cento correta). Aqui, onde o futebol sempre foi vertical, em busca do gol, “tocar a bola”, “segurar” ou “prender” são opções geralmente usadas quando o time está ganhando e quer deixar o tempo passar.

Na verdade, os argentinos, no geral, sempre tocaram a bola melhor do que os brasileiros. Nossa vantagem era a objetividade, a chamada “fome de gol”. É só pesquisar as estatísticas e a lista de artilheiros para perceber que os grandes times brasileiros sempre balançaram a rede mais vezes e sempre tiveram artilheiros mais profícuos do que os portenhos. Porém, essa nova mania de copiar, e copiar errado, está fazendo o futebol brasileiro perder a objetividade e se tornar, às vezes, bastante enfadonho.

Há poucas coisas mais irritantes, para o torcedor, do que ver seu time alcançar a linha de fundo e, em vez de assistir a um cruzamento, presenciar um preguiçoso recuo de bola. Pior ainda é quando o time fica tocando bola no meio de campo e, quando se pensa que dali sairá um lançamento, uma tabela pra frente ou uma arrancada, voltar a bola para trás, às vezes para o goleiro.

Das premissas sagradas que levaram o futebol brasileiro ao topo do mundo, uma delas era chegar à linha de fundo e cruzar; a outra era bater a gol sempre que houvesse uma boa possibilidade, mesmo de fora da área. Hoje, a bola vai e volta e o ato não é consumado, o que, com o perdão da palavra, é brochante. O time fica em cima, fica em cima, mas não f…az o gol. O que é pior: nem tenta fazê-lo.

Gostaria de pedir ajuda aos estatísticos para saber qual porcentagem de sucesso teria um time caso jogasse todas as bolas para dentro da área adversária. Da linha de fundo ou não, a bola seria centrada de todos os lugares para a zona do agrião. Será que esse método pré-histórico, que consagrou o técnico Muricy Ramalho, não teria mais efeito do que esse infindável tiki-tiki-tiki…?

Quantos jogos já não vimos que, no desespero dos últimos minutos, o time que está precisando do resultado cruza seguidamente na área adversária, e quantas vezes já não vimos sair gols assim, muitos deles definindo campeonatos? Agora, quando se viu um time ganhar um jogo sem chutar a gol?

Não, não estou apregoando, de forma alguma, a volta do “chuveirinho”, só quero que analisem a questão por todos os lados. Como foi que o Santos perdeu para o Atlético/PR, e como costuma perder a maioria dos jogos que faz fora de casa? Ora, com bolas centradas para a área, de escanteio, falta, ou de qualquer outro jeito, certo. Pois se o Glorioso Alvinegro Praiano não consegue anular essa jogada primária, por que também não a utiliza para tentar a vitória? Uma bola na área tem uma possibilidade muito maior de terminar em gol do que infinitos passes trocados em outras áreas do campo, não?

Outra coisa: o que se ganha, taticamente, ao se recuar uma bola do meio de campo para o goleiro? A distância entre as duas áreas não é a mesma? Por que não se tenta um lançamento que, no mínimo, tem alguma chance de terminar em gol?

Bem, é claro que para voltar a ser mais objetivo o futebol brasileiro precisará de melhores lançadores e chutadores, o que nunca lhe faltou, diga-se de passagem. Eu diria até que precisará também de melhores dribladores, pois até esses, que abundavam em nossos campos, hoje são escassos. Pelas estatísticas do jogo de sábado, apenas os santistas Gabriel e Thiago Maia e o atleticano Walter acertaram um único drible na partida (o Vanderlei também deu um). Nenhum mais foi dado!

Como resolver isso? Não sei exatamente, mas acho que tudo começa pela conscientização de nossos técnicos de que sem treinar fundamentos ofensivos que levam ao gol, o maior objetivo do futebol, nossos times, e nossos acomodados jogadores, vão ficar só no toquinho. Outro detalhe é a ausência de treinos de verdade.

Todos sabemos que o rachão é outro esporte, não futebol. Ele inibe chutes de longa distância, lançamentos, dribles, enfim, só favorece o toquinho, o tiki. Nos tempos em que toda sexta-feira era dia de coletivo de titulares contra reservas, usava-se o campo todo em um jogo normal, em que era possível constatar realmente o nível técnico e a forma física dos jogadores. Chute de longa distância, lançamento, antecipação, cobertura – tudo isso é mais facilmente observado em um campo normal. Em um campinho, com uma área menor para cada jogador atuar, dá pra enrolar muito bem – que, certamente, é o que muito jogador brasileiro tem feito ultimamente.

Enfim, proponho esse tema e sei que ouviremos opiniões valiosas e teremos preciosas informações dos comentaristas deste blog. A bola está com vocês.

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Você não acha que o Santos, e o futebol brasileiro, estão muito preocupados com o tiki e esquecendo o taka?


Telê Santana, dez anos de saudade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Faz dez anos que seu Telê Santana foi embora.

Mas quem conviveu com ele conversa com o Mestre todo dia. Topa com situações passadas a seu lado. Dá risadas ao lembrar de suas piadas. Fica admirado com seus exemplos.

Telê mandava jogadores humildes devolverem os carrões comprados com o dinheiro dos prêmios. Obrigava essa turma a comprar primeiro uma casa para suas famílias invariavelmente pobres.

Telê era exemplo de dedicação, levantava cedinho no Centro de Treinamento do São Paulo e ia catar praguinha no meio do gramado, onde seus meninos iriam treinar dali a pouco.

Telê não fugiu da concentração após a derrota para a Itália, no Sarriá, em 1982. No dia seguinte estava lá esperando firme e forte a chegada dos poucos jornalistas que se arriscaram a tentar entrevistas com os derrotados de Barcelona.

E, como foram poucos os repórteres, acabamos comendo uma bela feijoada com todo o time, que tinha homens como Sócrates e Zico – que também não fugiram às explicações, nem abandonaram a delegação.

Telê Santana sabia ganhar. E sabia perder.

Era leal, mas não protegia ninguém. Não dava notícias exclusivas a repórteres de meios de comunicação influentes. Todos os trabalhadores tinham o mesmo direito às informações.

Telê rompeu barreiras, ensinou futebol e ensinou a vida a muita gente.

Telê Santana, num domingo, logo após abandonar o futebol, foi ver o neto jogar numa equipe mineira. Chegando ao estádio, viu o menino dividir uma bola e cair ao chão. “Fraturou a perna”, disse contrariado e foi caminhando para dentro do campo.

Sem se alterar chegou perto do menino, pôs a mão no ombro dele e disse: “Isso não é nada, logo você volta a jogar”.

Dez anos se foram e Telê continua vivo. Na memória dos que o queriam bem. Nos exemplos que deixou.

Centurión quer respeito Torcida pede produção

Leia o post original por Antero Greco

O elenco do São Paulo não anda entusiasmando dentro de campo. Mas, fora, a turma chia que é uma barbaridade.

Michel Bastos está aborrecido porque a torcida o pegou pra Cristo. Há possibilidade de ir embora, e o Inter abriu-lhe as portas. Depois, Kieza (quem?) se recusou a ficar no banco contra o Palmeiras e já está de malas prontas para ir embora. Mal passou dois meses no Morumbi e se decepcionou pelo pouco aproveitamento. O erro não é dele, mas de quem o contratou como craque.

Agora vem Ricardo Centurión lamentar-se, via redes sociais. O atacante argentino pediu respeito e disse que as pessoas não devem associar a vida particular com o baixo rendimento. Ele se referia ao fato de que a preocupação com problemas de saúde da noiva interferia no trabalho.

Centurión merece consideração, como todo mundo. E que sua família esteja sempre bem e em paz. Mas, por aquilo que escreveu, há margem para interpretações.

Por exemplo, pode ser que fez autocrítica sincera, o que seria interessante, pois não tem mostrado muito pouco. Ou teria embutido alguma crítica a alguém, por não render o que pode? A quem? Ao técnico? Não pode ser. Com Edgardo Bauza tem tido oportunidades como nunca. Não ficou claro o tom do desabafo nas redes sociais.

Claro é o fato de que Centurión chegou ao São Paulo como astro. Diziam que era ídolo na Argentina, fazedor de gols e tudo o mais. Sério mesmo?

Pouco se fala que o Racing o emprestou para o Genoa, por onde teve passagem discreta, para usar termo gentil. Depois voltou para a Argentina. O Genoa, para quem não sabe, é time que foi grande no passado e hoje não passa de coadjuvante meia-boca no futebol da Itália.

Ah, essas contratações mirabolantes que se fazem no futebol brasileiro… Ah, os investidores…

 

A teoria do ingresso caro

Leia o post original por Rica Perrone

Eu conheço dezenas de dirigentes de clube. Alguns honestos, outros nem tanto.  Alguns com noção, outros nem tanto.  Mas não conheço nenhum que consiga unir o conceito profissional de um negócio com o entendimento de que vende-se paixão e não um ingresso e camisas. Talvez seja mesmo impossível pro sujeito apaixonado por um clube entende-lo …