Arquivo da categoria: Futebol brasileiro

Carta para o Dorival

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

“PARA DORIVAL JÚNIOR,

TÉCNICO DE FUTEBOL

Bom dia Dorival, como tem passado?

Espero que esta semana que antecedeu ao clássico tenha sido produtiva, apesar da desfeita que a diretoria santista fez a você. Trazer um atacante argentino, que não foi sua indicação, é uma agressão estúpida, principalmente a pessoas com a sua história e sua conduta moral.

Sim, porque para nós jornalistas de uma certa época, você é uma espécie em extinção: competente, trabalhador e honesto até o último fio dos cabelos – que já estão rareando, hein amigo!

Desde o início de sua carreira como jogador foi assim. Descendente de uma linhagem que traz Dudu na vitrine, você foi também exemplo dentro de campo.

Como técnico nunca se deixou trair.

Lembro do dia em que enfrentou o menino Neymar, quando qualquer outro passaria a mão em sua cabeça. Tirou o outro menino Paulo Henrique de campo e enfrentou sua ira.

Suou até o fim com o Palmeiras, há dois anos, e o livrou do rebaixamento, lançou seis meninos da base e no ano seguinte foi mandado embora, abrindo caminho para a contratação de não sei quantos jogadores – que você com certeza tinha dentro do próprio clube.

Mas isso seria economia, seria inteligência, seria trabalho. Há tempos que o futebol é um grande negócio. Para você é emoção e trabalho. Paixão.

Por isso, o mais certo seria sua saída de Vila Belmiro com a contratação do jovem Maxi Rolon, que você não indicou.

Mas talvez seja isso que a máfia do futebol queira: eliminar gente como você dos campos, para poder agir mais livremente.

Então, o meu conselho a você é este: resista e siga em frente até onde der, porque os inimigos são muitos e nunca vamos deixá-los à vontade.

Nossa Senhora dos Futebolistas, amém

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Que Nossa Senhora dos Futebolistas me perdoe, mas eu não entendo mais nada.

Os salários dos jogadores que estão sendo contratados pelos times brasileiros são mentirosos.

Como o Palmeiras quer trazer um lateral para ganhar 450 mil mensais, se não tem um meia sequer de categoria, que honre o passado de um Alex, de um Ademir da Guia?

Aí, quando qualquer time nacional tem um grande jogador, acaba vendendo para o Exterior, porque não tem dinheiro para segurar o craque.

É muita contradição.

É muita contratação e pouco futebol.

Tem empresário que tem mais jogador que Corinthians e Flamengo juntos.

Como o caríssimo compadre tem esse dinheiro?

Como administra?

Por que os clubes não conseguem fazer o mesmo?

Quem me explica o caso Damião no Santos, Pato no Corinthians, Robinho de volta à Vila Belmiro?

Tem algo errado.

E poderia ser aclarado neste momento de combate aos dirigentes. A Fifa está nua. O Jerome Valcke mostrou a cara.

Está na hora de os presidentes de clubes do Brasil caírem na real, caírem do pedestal.

Que limpem a CBF, a Federação Paulista, todas as federações, confederações, Comitê Olímpico.

É hora da esperança.

Mais uma vez, que Nossa Senhora dos Futebolistas tenha piedade de nós torcedores. Amém.

A velha Elisa e o novo Corinthians

Leia o post original por Antero Greco

A velha Elisa morava no Jardim Brasil, numa rua sem calçamento. Quando chovia era uma lama só.

Mas nada que a impedisse de trabalhar numa loja do  largo São Francisco. Nada que a impedisse de ir a todos os jogos do seu Corinthians.

Elisa, a maior torcedora da Fiel, já se foi há um bom tempo.

Vamos imaginar que despertasse exatamente hoje.

Com certeza iria se informar sobre o seu querido Corinthians. E sorriria ao saber que seus meninos ganharam o título brasileiro de 2015. Uma glória para quem acompanhou os tempos difíceis do tabu contra o Santos, dos vinte e tantos anos sem títulos paulistas.

“Mas espera só um pouco Elisa, as coisas não estão assim tão bem: a diretoria vendeu um monte de campeões… sabe como é, dívidas pela construção do Itaquerão…”

Se título brasileiro é novidade, imagina o Itaquerão?

Elisa era do tempo de Vicente Matheus.

Curiosa, Elisa foi conversar com o técnico do time atual: vendendo tanta gente vai dar para brigar na Libertadores?

Os dois ficaram um tempão conversando e quem presenciou o bate-papo garante que o rosto de preocupação foi se transformando num enorme sorriso negro e simpático.

“O Tite me disse que o goleiro reserva é melhor que o Cássio, que o Danilo joga muita bola e que se o Gil e o Elias não forem para a China, não tem prá ninguém !!!”

E, gargalhando, Elisa sumiu pelos lados do Pacaembu, enrolada em sua inseparável bandeira alvinegra.

“Elisa!? Elisa?! E se o Elias e o Gil também forem embora???”

Deu para ouvir ao longe a voz abafada da corintiana:

“Aí meu filho… aí até o Tite pega o boné e volta para o Rio Grande do Sul levando junto a imagem de São Jorge”.

(Com Roberto Salim.)

Tite para a presidência da CBF…

Leia o post original por Antero Greco

Crônica de Natal do jornalista Roberto Salim.

Dormi e sonhei.

Dormi pesado e sonhei com gosto.

Dona Rose conversou muito com ele.

Os filhos também. E,depois de duas caipirinhas, Adenor Leonardo Bachi aceitou o convite feito pelo Paulo André, do Bom Senso Futebol Clube, e vai ser o novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Tudo aconteceu depois que o prédio da CBF foi cercado no Rio e os dirigentes fugiram de helicóptero para local ignorado – mas parece que o FBI já sabe onde estão.

Tite aceitou… mas sob algumas condições:

1) Seu vice-presidente será Raí.

2) Seu conselheiro será o filósofo Mário Sérgio Cortella.

3) O assessor de imprensa será o Jamil Chade.

4) Todos os dirigentes antigos não poderão ser presidentes nem de clubes de bairro.

5) Os ingressos serão bem baratos – porque não se pode elitizar o esporte e afastar o povo das gerais.

6) O patrocinador da seleção brasileira não escala mais o time, nem escolhe amistosos.

7) Os jogos da seleção serão considerados prioridade da cultura nacional e serão transmitidos por qualquer emissora de tevê do País.

8) O técnico da seleção será Marcelo Oliveira, com o auxílio de Tostão, que mineiramente trocará idéias por telefone com o treinador.

9) E de agora em diante o artilheiro do campeonato nacional terá cadeira cativa no time.

10) José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, João Havelange, Ricardo Teixeira e outros mais serão proibidos de falar a palavra futebol – estejam onde estiverem.

11) Os dirigentes que respondem na justiça terão de dizer quem os corrompeu, quem deu o dinheiro para ter exclusividade nos assuntos do nosso futebol e quem está solto mas se faz de bonzinho.

12) O Tribunal de Justiça Desportiva será mudado e do grupo farão parte César Sampaio, Rogério Ceni, Muricy, Paulo Autuori, Ricardo Gomes e Juca Kfouri.

13) A profissão de juiz de futebol será finalmente regulamentada.

14) Todo ano vai ter um festival de músicas de futebol, sob o comando de Paulinho da Viola e Chico Buarque de Holanda.

Eu estava quase acordando, até cantando, quando ainda deu para ouvir o Tite pedindo mais uma caipirinha para sua esposa, antes de fazer uma última solicitação: quer ter três meses de férias todo começo de ano para dirigir o Corinthians no Campeonato Paulista.

Ficaram de responder!!!

Não dá liga

Leia o post original por Rica Perrone

A LIGA é que o sonho do torcedor brasileiro movido por uma repetição vazia da mídia sobre como deveria ser. Pois bem, tentaram, tentarão, e não entenderão a diferença brutal de LIGA de fora do Brasil para as nossas condições. É impressionante como as pessoas indicam soluções sem conhecer os problemas no nosso futebol. Uma […]

Muricy está invicto

Leia o post original por Antero Greco

O que estava previsto aconteceu: Muricy Ramalho foi apresentado como técnico do Flamengo nesta terça-feira. Casamento perfeito. Um grande técnico para um grande clube. “Estou invicto há oito meses”, brincou Muricy na entrevista coletiva, referindo-se ao tempo de afastamento dos campos de futebol.

Na verdade, no jogo da bola, Muricy está invicto desde o início da carreira como treinador.  Aprendeu com Telê Santana, seguiu a linha de honestidade e competência do Mestre, tem um comportamento digno e até sua rabugice não incomoda tanto, quando ele consegue dosá-la, ainda mais no contato com jornalistas.

E a invencibilidade dele não é exatamente no jogo da bola. Muricy é invencível no caráter: não se dobra, não se vende, não compactua com as tramoias do mundo do futebol. A maior demonstração de dignidade foi a negativa em assumir a seleção brasileira quando foi convidado por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF.

Talvez um dia Muricy conte por que recusou o convite. Mas aos poucos o mundo inteiro está descobrindo o que havia por trás da camisa amarelinha e as convocações muitas vezes surpreendentes.

(Colaborou Roberto Salim.)

O argentino bravo

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Quando eu era pequeno, o velho Jamil almoçava correndo aos domingos.

O Morumbi era longe, quase uma viagem.

Ônibus até o Vale do Anhangabaú e depois o especial até o estádio do São Paulo.

E quando a escalação era anunciada pelo alto-falante, seu nome é o que vinha primeiro.

O goleiro tricolor sempre foi atração.

Forte, alto, bravo não batia faltas, nem fazia gols. Mas como defendia, como comandava a defesa.

Foi assim durante 565 jogos.

Nunca mais haveria um goleiro como ele…

De 1957 em diante, o time passou um bom tempo sem conquistar título.

Mas ele era um símbolo do clube da fé.

A torcida o adorava, tanto que diz a lenda que ele ajudou a vender milhares de cadeiras cativas na época da construção do Morumbi.

E quando ele parou de jogar, tornou-se um respeitado administrador do clube, um técnico cheio de manias, princípios e vitórias. Queria, porque queria, por exemplo, que o jovem Muricy aparasse o cabelo comprido.

”Ele foi um pai para mim”

Ganhou quatro títulos paulistas desde que chegou ao clube em 1948. Antes da Copa da Suíça houve um movimento para que o argentino de Rosário se naturalizasse. Mas não deu certo.

Neste dia em que todos falam de Rogério Ceni, eu senti saudades do meu velho pai e do goleiro argentino José Poy.

Seu Pepe e o bêbado

Leia o post original por Antero Greco

Crônica de Roberto Salim.

Semana de Santos e Palmeiras, na minha juventude, era semana santificada.

Duelos entre Pelé e Aldemar, um dos melhores marcadores do Rei. Não sabem quem foi Aldemar?

Então não têm 60 anos… Adivinhei? Aldemar era elegante se comparado ao seu parceiro de zaga, o Waldemar Carabina.

Uma vez perguntei ao Carabina – já velho e treinador de futebol – se o Viola fizesse “porquinho” na sua frente o que aconteceria. E ele na maior naturalidade: “Viola ficaria de quatro o resto da vida”.

O Aldemar não. Era elegante.

Mas teve um Santos e Palmeiras que nem elegância, nem nada. Foi um jogo de 13 gols. Não tinha defesa de Palmeiras ou de Santos que desse jeito. Era gol em cima de gol. E seu Pepe fez três. O penúltimo deles de cabeça: 7 a 6 para o esquadrão santista – 6 de março de 1958.

“A gente voltava de táxi para Santos”, relembra o Canhão da Vila. Eram quatro, cinco carros com “chauffer” carregando aqueles jogadores mágicos. Pepe sempre voltava no táxi de um português fuinha, pão-duro que dava gosto: “Ele deixava a gente na Vila Belmiro, não levava ninguém até em casa”.

E Pepe precisava pegar ônibus. O jogo tinha sido à noite no Pacaembu.  Já era alta madrugada. Pepe, o goleador de um jogo histórico, o artilheiro da partida, o que deixou Pelé para trás naquela noite… na fila do busão.

Finalmente o coletivo chegou e Pepe foi sentar no último banco. Logo foi alcançado por um bêbado. O cara queria conversa: começou falando do inacreditável jogo de algumas horas atrás. “Sete a seis… e o Pepe acabou com a partida”. Mesmo com sono, o seu Pepe se animou com a conversa.

“Eu sou o Pepe”, apresentou-se seu José Macia..

“Tá bom… e eu sou o Pelé”, indignou-se o bêbado, que se levantou e foi sentar em outro banco, resmungando: “Como tem mentiroso neste mundo”.

Bons tempos, os de Pepe, Pelé, Carabina e Aldemar que, por sinal, não jogou esta partida – só foi contratado do Santa Cruz no fim daquele ano.

 

CBF e clubes chiam, mas se rendem a clubes

Leia o post original por Antero Greco

A CBF e diversas federações haviam jurado, nos últimos dias, que não aprovariam a realização do campeonato proposto pela Liga Sul-Minas-Rio. Cartolas de alto e baixo coturnos arrotavam autoridade e prometiam bombardear a entidade, que veio para incomodá-los.

Daí, há reunião na sede da CBF, com toda a cartolagem presente, e o que acontece? A Liga tem aval, embora com “restrições”. Os supostos donos da bola dizem que a competição só sai se forem feitas adequações ao calendário já divulgado, ao Estatuto do Torcedor e etc e tal.

Ou seja, a CBF e seus parceiros tentam mostrar força que, sentem, podem perder, se os clubes deixarem de ser submissos e se derem conta de que são fortes. Eles são os protagonistas do futebol, a razão de ser dos espetáculos e da grana que se movimenta, cada vez mais, com ingressos, patrocínios, direitos de transmissão.

As federações são figuras decorativas, nichos para exercício de poder, instituições arcaicas, superadas, sem função no esporte moderno. E a CBF entra nessa; a atribuição dela seria apenas a de cuidar das seleções – e olhe lá, pois até nisso vacila.

Claro que ainda haverá queda de braço, com ameaças de entraves para a Sul-Minas-Rio. Mas, se a turma que está no comando dessa empreitada não cair na conversa do medo, o torneio sai e será um sucesso. Um indício de que se trata de negócio promissor está na televisão: várias redes, Globo à frente, se interessaram.

E, se a tevê enxerga possibilidade de sucesso de audiência e renda, não haverá CBF ou federações que vão sufocar a iniciativa.

A hora é esta.

Casa da sogra já era*

Leia o post original por Antero Greco

Nos tempos de chefatura de polícia, juizado, radiopatrulha, balão chinesinho, Emulsão de Scott, caderneta em empório, palmatória na escola, sanduíche de mortandela – ou seja, bem antigamente –, era comum mandar a seguinte advertência para um sujeito folgado, espaçoso e sem modos: “Pensa que está na casa da sogra?” Dessa forma, se tentava fazê-lo ver que mordomias só em ambientes privilegiados, e anacrônicos.

Pois bem, muitas das coisas citadas no parágrafo acima viraram lembranças para os veteranos – os mais jovens deem um google e confiram o que era. Até as sogras não são mais as mesmas. Felizmente, para elas, ora bolas, que não têm mais de cuidar de marmanjos filhos de outras.

No entanto, no futebol certos hábitos permanecem inalterados, se não piores. O principal deles: um presidente do momento se considera dono do clube. Durante o período em que ocupar a cabeceira da mesa de reuniões, terá sempre a última palavra, quando não também a primeira e a do meio.

Reinará como Rei Sol, senhor absoluto, dono dos destinos da agremiação. O time vai confundir-se com o brilho da imagem dele. Faz e desfaz, contrata e dispensa jogadores ou técnicos, como bem entender. Fecha acordos de patrocínio, publicidade, tevê como considerar melhor. Se houver alguma reação contrária ou esboço de crítica, a resposta estará na ponta da língua: “O regime é presidencialista.” Autoritarismo disfarçado de regra democrática.

O mar de lama em que se atolou o São Paulo, nestes dias, é exemplo acabado dos malefícios do presidencialismo – que, a bem dizer, não se limita ao Morumbi; ao contrário, é prática disseminada e enraizada Brasil afora. Segundo denúncias de ex-colaboradores, o presidente Carlos Miguel Aidar tomou decisões controvertidas, para ficar em termos gentis, que combinam com a outrora postura altiva dos tricolores.

Há acusação de desvio de conduta, e paira no ar a promessa de apresentação de dossiê alentado a respeito de negócios mal explicados conduzidos por Aidar. Não é por acaso que a turma da situação se encolheu e o pessoal da oposição ficou ouriçado. A pressão para a renúncia é forte – e, por mais que tenha prometido resistir, parece a ponto de capitular. Humilhante. Mais desgastante, porém, são as dúvidas. As reticências atingem o cartola e o clube.

Aidar deve explicações, e muitas, a Conselho e torcedores. O pouco que já vazou para a imprensa é suficiente para provocar terremoto numa agremiação séria, tradicional e octogenária. As suspeitas levantadas por Ataíde Gil Guerreiro não podem passar batidas – nem por quem toma decisões no São Paulo, tampouco por Aidar.

Todos precisam esclarecer a fundo as respectivas posições. A decência, a transparência, a honra pessoal e tricolor o exigem. Como vai terminar o episódio não se sabe, oficialmente, embora cresçam os sinais de saída de cena. Aidar procura parecer irredutível na recusa de jogar a toalha, mas o panorama ficou insustentável. Mesmo que deixe o cargo, tem o dever de ir a fundo – e de cobrar quem o acusa.

Acima do caso pontual do São Paulo fica lição maior e óbvia: não se pode mais admitir, em clube algum, que o presidente seja intocável, se coloque acima do bem e do mal, viva e se movimente como um semideus. Bajulação é obsoleta, resquício de coronelismo que o futebol – duro na queda para a modernidade – abriga como se fosse natural.

No Brasil, nenhum presidente é dono de clube, e não pode agir como se não tivesse de prestar contas de seus atos. Escrevi dias atrás, mas vale repetir: dirigentes são escolhidos para administrar bem que não lhes pertence, tesouro cultural e afetivo, imaterial e de valor incalculável, que é de sócios e simpatizantes.

Que os clubes se mirem no vendaval da Fifa e acabem com a figura do mandachuva. Todo-poderoso já era, não apita nem na casa da sogra. Aliás, está na hora de as mulheres terem espaço na cúpula do futebol e botarem ordem nessa bagunça.

*(Minha crônica publicada no Estadão impresso deste domingo, 11/10/15.)