Arquivo da categoria: futebol feminino

Preparação da Seleção Brasileira para o Mundial – RFM#3

Leia o post original por Craque Neto

Hoje é dia de falar da preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será disputada na França no próximo mês de junho. O time dirigido pelo técnico Vadão já está em período de treinamento intensivo na cidade de Itu, interior de São Paulo. E eu e minha amiga Yara Fantoni batemos aquele papo sobre o tema no quadro “Resenha Futebol das Minas”. Aliás, se quiser mais informações sobre a modalidade curta o meu canal no YouTube.

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Novas regras do futebol feminino – RFM#2

Leia o post original por Craque Neto

Seguindo o quadro ‘Resenha Futebol das Minas’ essa semana eu e a amiga Yara Fantoni, repórter da TV Bandeirantes e peladeira amadora, vamos falar das novas regras que a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, está implementando para o crescimento do futebol feminino no Brasil. Assista abaixo! E se liga: se quiser curta lá meu CANAL e dê like no vídeo para concorrer a uma chuteira da Nike novinha em folha.

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Olimpíadas no Metrô: Thi-ago-Braz!

Leia o post original por Rica Perrone

Voltavamos pra casa após eliminação no futebol feminino.  O metrô não era mais o festivo do caminho de ida pro estádio, quando ainda sonhavamos com a decisão. Pior: nele dividíamos vagões com suecos felizes. Eles cantam uma musiquinha que ninguém entende, mas que a gente imagina, com muito estudo que seja “Suécia!”. Só que na língua …

Cem gols de Marta

Leia o post original por Antero Greco

Um pênalti logo no início da partida contra as mexicanas. Outro pênalti aos 10 minutos do jogo realizado na Arena em Natal. Pronto, Marta completou cem gols pela seleção brasileira de futebol.

Seleção que é a modalidade mais massacrada do esporte nacional. Equipe que já brilhou em Olimpíadas e Mundiais, mas que pagou o preço de viver sob o jugo da CBF. Dos tempos da inigualável Sissi até a fantástica Marta – eleita cinco vezes a melhor do planeta bola –, o futebol feminino foi sugado pela indiferença de quem deveria olhar por ele.

Já houve de tudo com as meninas boas de bola, de assédio sexual a desprezo em competições internacionais, quando foi negado às jogadoras levarem para casa o uniforme que vestiam em campo nos Jogos Olímpicos. Uniformes que foram trocados em rodas de cerveja por quem deveria preservá-los.

A própria goleira Maravilha, símbolo de luta e denúncias na seleção, pôs a boca no mundo e disse que o dinheiro que a Fifa dava à CBF para desenvolvimento do futebol feminino no País “nunca chegou à preparação da equipe”.

Mas as jogadoras enfrentam tudo. Marta faz cem gols com a camisa amarela, brigou com a mexicana Esmeralda, teve o pescoço arranhado, levou cartão amarelo e foi substituída pelo técnico Oswaldo Alvarez. Aliás, Vadão é um técnico de verdade e digno.

Essa turma luta contra tudo e todos. E o placar contra as mexicanas foi 6 a 0. Quarta-feira tem mais contra o Canadá.

Tudo como preparação para os Jogos Olímpicos do Rio – quem sabe até lá a CBF já tenha passado por dedetização.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

Darlene e Rio Preto campeão no feminino

Leia o post original por Antero Greco

Gostava tanto de jogar futebol que, quando os meninos não permitiam a presença dela, pegava uma faca e furava a bola. Com isso arrumou muita encrenca no Jardim Alice, na periferia de São José do Rio Preto, até que seus pais resolveram fazer um time só para suas três meninas: Milene, Sharlene e Darlene – especialmente para Darlene, a bravinha que pegava a faca.

Mamãe Dorothéa é a supervisora do time. “Desde que ela tinha dois anos dizia que seria jogadora de bola”, recorda. E papai Chicão, o treinador, mas como não anda de avião, dirige o time por telefone, quando os jogos são fora de São Paulo. “Eu queria um menino, mas Deus me deu três filhas”, resigna-se.

Pois neste domingo, o sacrifício de Dorothéa e Chicão finalmente valeu a pena: o time de Rio Preto tornou-se campeão brasileiro de futebol feminino, tendo a camisa 7 Darlene como destaque. A menina que arrumava confusão é hoje, aos 25 anos, atacante da seleção brasileira e deve assinar contrato com um time chinês.

Na finalíssima do Campeonato Nacional, o time de Rio Preto empatou com o São José, por 1 a 1, e levou a taça por ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0.

Foi uma caminhada difícil, num campeonato confuso, em que jogadoras desmaiaram em campos de todo o país por conta do calor, partidas quase foram suspensas por falta de ambulância e médico e a desorganização andou solta por todo o torneio. Como sempre, a CBF despreza o futebol feminino do país que sobrevive graças a histórias como a da família de Darlene.

Todo time tem uma artilheira, mas só a artilheira Darlene tem um time campeão: o Rio Preto.

(Reportagem de Roberto Salim.)

Mulher: o amor em campo

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 25/07/1981

Nenéca: presidente, técnica, roupeira…

Na Europa, o futebol feminino existe há muitos anos. Até campeonatos mundiais são realizados e na Alemanha, por exemplo, mais de 400 mil mulheres praticam futebol e são disputados campeonatos e torneios.

Argentina, Chile, França, Inglaterra, Dinamarca, México e Itália são alguns dos outros países que promovem o futebol do “sexo frágil”. As moças não concordam quando alguém diz que “futebol é jogo para homem” e retrucam dizendo que “novela é para mulher e todo homem gosta”.

No Brasil, timidamente, os noticiários sobre a existência e equipes de futebol feminino surgiram por volta de 1968. Sempre pouco divulgado, o futebol praticado por moças não progrediu muito.

Há times espalhados por todo o país, mas o futebol feminino pode ser visto como algo clandestino. Afinal, o próprio Conselho Nacional de Desportos se nega a reconhecê-lo e recentemente advertiu a diretoria do Corinthians que “ousou” apoiar um departamento de futebol feminino.

As moças prometem lutar de todas as maneiras para saírem da clandestinidade. Os principais jogadores do Brasil entendem que atuando como amadoras as moças provocariam um alegre e agradável visual nos gramados e os torcedores afirmam que seria “ótimo vê-las correndo atrás da bola”. A mulher que para o poeta é tudo na vida, é beleza, é esplendor, é sublime, quer jogar futebol. É difícil dizer não…

As jogadoras podem ser dividas em truculentas e delicadas?

“Podem sim… mas no meu time são raras as moças que entram num lance para machucar as adversárias. Eu oriento, prefiro que segure pela camisa, coloque a mão na bola, mas nunca dar pontapés maldosos”.

“Os times adversários, entretanto, normalmente possuem jogadoras mais violentas que muitos jogadores considerados desleais”.

Quem funciona como árbitro destes jogos?

“As vezes, alguns árbitros da própria Federação Paulista de Futebol. Mas na maioria das partidas utilizamos rapazes, alguns até bêbados, já que não temos alternativa. Não há nenhum tipo de apoio e não podemos escolher muito”.

Você já buscou apoio?

“Claro… até o Corinthians resolveu colaborar, mas o Conselho Nacional de Desportos insiste em impedir qualquer tipo de auxílio ao futebol feminino. No mundo inteiro ele existe, mas aqui não…”.

Neste futebol feminino existe cotoveladas, solas, bicões?

“Há sim. Os torcedores presenciam todos os tipos de jogadas: bicicletas, chapéus. Aliás, uma que marcou de bicicleta ficou tão mascarada que necessitou ser afastada da equipe. Mas depois de algum tempo na reserva, ela melhorou…”.

Você sabia que há registros de times feminino, aqui no Brasil, desde 1968?

“Sei sim… há muitas equipes espalhadas por todo o Brasil. São muitos os times formados no interior de São Paulo. Existem cidades em que até os prefeitos proporcionam homenagens ao nosso time. Inauguramos praças, estádios, ginásios”.

Você sabia que algumas moças tentaram montar torneios de luta de boxe e o CND impediu?

“Não posso dizer que tenho preconceitos porque estaria sendo ridícula, afinal, estou dentro de um esporte que o CND proíbe também. Mas não gosto de boxe nem para homens. É um esporte em que todos devem ser e agir violentamente e isso não me agrada. É um esporte agressivo. O futebol não precisa ser violento nem agressivo”.

Existe uma velha máxima: o futebol é jogo para homem. E daí?

“E daí? Ora, novela é uma coisa de mulher… mas vejo meus amigos, meu namorado, namorados e maridos de amigas, assistindo as novelas. Colados na televisão”.

Quantos times existem em São Paulo? Há torneios?

“Há bons times e dentro de alguns dias deverá começar um torneio patrocinado por uma grande empresa de São Paulo”.

Há torcedores para o futebol feminino?

“Muita torcida… nos lugares onde o nosso time joga nunca há menos de cinco mil pessoas. Há bandeiras, fanfarras, aplausos e vaias. É um sucesso…”.

Isso é um movimento de feminismo?

“Não. Sou contrária a movimentos feministas. Adoro sair com o meu namorado, faço questão que ele abra a porta do carro, fico feliz quando ele acende o meu cigarro. Sou romântica, aprecio ver a lua. Mas, adoro o futebol”.

O que vocês pretendem?

“Pretendemos levar a sério o futebol feminino. Tivemos o apoio do Corinthians e fomos repelidas pelo CND. Mas um dia venceremos. Se conseguirmos auxílios, ótimo. Caso contrário, vamos em frente…”.

Quantas moças participam deste time?

“São 18 moças. Era Sport Clube Corinthians – feminino, mas tivemos que mudar para Corinthians do Parque. Duas moças são casadas e com filhos. As outras, namoram e muito. No início alguns namorados tentaram impedir que as moças jogassem mas hoje eles permitem e tudo bem”.

É verdade que alguns clubes não cederam campos ou ginásios para os treinamentos de vocês?

“Sim, é verdade. A pressão do CND é muito grande e por todo o Brasil. Confesso que a tendência é parar com o futebol feminino, a não ser que muita gente apareça para ajudar…”.

E os comentários de que as mulheres que jogam futebol são masculinizadas?

“Tudo que é proibido geralmente gera todos os tipos de comentários. No Corinthians do Parque não há moças masculinizadas. Uma vez desconfiei de uma moça e resolvi afastá-la da equipe. Aqui existem meninas de 15 e 16 anos e levo muito a sério o ambiente. Quero um ambiente saudável”.

A constituição física não prejudica as moças que jogam futebol?

“Temos um bom preparador físico, que força um excelente condicionamento físico, mas nada que gere musculatura nas meninas. As moças têm um apreciável fôlego”.

E as jogadas de calcanhar?

“Muitas… os torcedores aplaudem em pé. É um espetáculo que precisa ser visto. O meu time joga no campo do Cruzeirinho, em Itaquera, um bairro de São Paulo, das 14 às 15 horas, todos os domingos. O campo fica lotado e a torcida vibra com os gols, com as jogadas, com a força de vontade”.

E quando alguém pede a camisa das jogadoras?

“Troca de camisa não existe, por motivos óbvios…”.

Seu time gostaria de jogar no Parque São Jorge?

“É um sonho dourado, mas o Corinthians seria prejudicado”.

A Federação já deu uma posição?

“Oficialmente não, mas parece que o CND promoveu uma certa pressão e a FPF não falou nada”.

O futebol feminino continua na clandestinidade?

“Infelizmente sim… Veja bem: o torcedor trabalha muito, paga muito caro um ingresso e poderia ver muitas moças bonitas jogando futebol. Seria um visual agradável e atraente. Por que não fazem uma pesquisa?”.

O futebol profissional, dos homens, está decepcionando?

“Péssimo nível. Assisti o jogo do Atlético e vi um time sem fibra e garanto que as meninas correm muito mais que os jogadores atleticanos”.

As meninas cuidam das pernas?

“Claro… como vão usar minissaias, shorts…”.

Qual o gol mais bonito que você viu neste futebol feminino?

“Foi um gol marcado pela Pimenta. Ela se desmarcou muito bem e deu um chute sem ângulo, marcando um gol importante. Foi o gol da vitória”.

Qual o time que pode ser considerado titular?

“Há variações é claro, mas normalmente jogamos com Pico, Sandra, Cristina, Biza e Lívia, Kika, Batata e Pimenta, Giórgia, Márcia e Regina”.

O que você faz no time, Nenéca?

“Tudo… sou a técnica, a presidente, e logo serei derrubada como treinadora (sorrindo)”.

Quem é o principal adversário do Corinthians do Parque?

“A Polícia Militar. São moças fortes que jogam muito bem”.

Quem é a massagista?

“Há dezenas de moços que querem preencher este cargo, mas preferimos uma massagista…”.

As moças escondem contusões?

“Claro… querem jogar e escondem quando estão machucadas”.

O seu time joga e não cobra nada?

“Não cobra nada… quando é em cidade do interior aquele que convida paga a viagem do ônibus e as refeições. Nada mais…”.

Qual a média de idade deste time?

“É um time jovem, média de idade de 18 anos e deverá jogar por mais dez anos. As moças marcarão ainda muitos gols e farão muitos corações baterem mais rápido…”.

Dinheiro público e saída de Teixeira não bastaram para salvar futebol feminino

Leia o post original por Perrone

 Eliminada diante no primeiro mata-mata do futebol feminino olímpico, a seleção brasileira era ao mesmo tempo cartão postal da nova direção da CBF e do Ministério do Esporte.

Dez jogadoras do time que fracassou diante do Japão são beneficiárias do bolsa-atleta. Entre elas a goleira Andréia e Maurine, que recebem ajuda de custo mínima de R$ 3.1000 mensais do Governo Federal.

Além do apoio governamental, as meninas passaram a ter um pouco mais de atenção da CBF com a saída de Ricardo Teixeira, que praticamente ignorava a equipe. Com José Maria Marin, ao menos o estafe do time nacional ganhou mais integrantes. E um canal aberto com a direção da confederação.

O sucesso do futebol feminino olímpico ajudaria Marin a mostrar que a CBF está sob nova direção. Mas não deu. A derrocada de Marta e suas colegas mostra que a pincelada de verniz foi insuficiente para dar um brilho dourado ou ao menos um bronzeado para o futebol feminino.

CBF, COB e Ministério do Esporte precisam primeiro organizar um campeonato nacional de verdade e constante. Não é fácil. Para a engrenagem funcionar o torcedor tem que sair de casa para ver as mulheres em ação. E isso só vai acontecer se o espetáculo for atraente e existir identificação entre plateia e time.

Ao menos um projeto de desenvolvimento foi entregue ao Governo, como disse René Simões, comentarista e diplomado no assunto, ao final da transmissão da Record na melancólica despedida brasileira.