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Clássico da saudade

Leia o post original por Antero Greco

Quando era jovenzinho, lá pelo final dos anos 60 e começo dos 70 do século passado, assistia a muitos jogos nos estádios. Na época, a carteirinha de estudante e a idade me permitiam entrar de graça. Para um menino de classe média baixa, do Bom Retiro, esse era programão. Por isso, não perdia partidas do meu time, claro, mas curtia ver os rivais em ação. Os cinco grandes (sim, a Lusa incluída) tinham formações de dar gosto.

Fascínio pra valer era o clássico Palmeiras x Santos. De um lado, a Academia alviverde; de outro, a fabulosa máquina alvinegra de jogar bola. Os dois juntos formavam uma seleção, com titulares e reservas. Perdi a conta de quantas vezes acompanhei de perto o duelo, sobretudo se estivessem em campo Pelé e Ademir da Guia!

Juro que não é saudosismo, nem aquele papo de “no meu tempo”… Mas vovôs de hoje, que por acaso estejam a ler esta crônica, podem comprovar: que lindeza, que majestade o encontro das duas lendas (tenho como relíquia uma cópia de foto original, do arquivo do nosso “Estado”, em que aparecem em destaque Pelé e Ademir, numa dividida que mais parece passo de balé. Uma obra-prima, cujo autor no momento me foge à lembrança).

Alguns desses confrontos se fixaram na memória afetiva. Dois deles em 1965 e, por coincidência, com surras e tanto dos palestrinos. O primeiro, pelo Rio-São Paulo, em 31 de março, no aniversário de um ano da “Redentora”, aquela…

O Palmeiras foi ao Pacaembu com time completo, enquanto o Santos mandava reservas, porque a força máxima à noite jogaria com o Peñarol, em Buenos Aires, a “negra” nas semifinais da Taça Libertadores. Caiu cá e lá. Por aqui, foram 7 a 1, com três de Ademar Pantera. Acolá, os uruguaios venceram por 2 a 1 e foram para a final.

Em dezembro, o Santos já comemorava mais uma conquista de Paulistão e foi ao Parque Antarctica despreocupado da vida, para cumprir tabela. Levou sapecada de 5 a 0, três gols de Dario e dois de Servílio. Naquela tarde, Ademir da Guia não esteve em campo.
Não esqueço o troco santista (4 a 1), dois anos mais tarde, no mesmo local, também pelo Estadual, que era importante e dava prestígio. Toninho (2), Silva e Pelé calaram o saudoso estádio verde; Tupãzinho descontou.

Você me permite?, dou as escalações, porque só tinha artista. Palmeiras com Valdir, Djalma Santos, Baldocchi, Minuca, Ferrari; Dudu e Ademir; Cardozinho, Servílio, César, Tupãzinho. O Santos com Gilmar, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Oberdan, Rildo; Clodoaldo e Lima; Toninho, Silva, Pelé e Edu.

Um pouco mais crescido, então calouro do curso de Letras na USP, numa tarde de março de 1972, fui ao Pacaembu para me deliciar com outro choque entre as turmas de Ademir e Pelé. Ganharam os palmeirenses, por 2 a 1. Tenho bem viva uma cena: com poucos minutos de bola a rolar, Pelé tenta dar uma “caneta” em Dudu, toma um sarrafo, não abre o bico. Em respeito ao volante procura outro espaço para suas diabruras. Opaco…

Recordações de felicidade que o futebol proporcionou a mim e a tantos garotos que tinham caminho livre para frequentar praças esportivas, sem medo de brigas, com as torcidas misturadas e a curtir seus ídolos. O máximo de perigo que havia era o desentendimento de exaltados e bebuns, aqui ou ali, logo apartados pela turma do “deixa disso”.

Não sei quem colocou nesse jogo o apelido de “Clássico da Saudade”, em homenagem àquele período. Mas acertou. E que esta tarde possa entrar para a lista de histórias a serem citadas no futuro pelos que estiverem no Allianz. O primeiro teste importante para o Palmeiras embalado e para o Santos em busca de afirmação. Que Dudu, Lucas Lima, Renato, Gabigol (se entrar) e demais honrem a tradição de camisas de peso.

Um goleiro à altura do São Bento

Leia o post original por Antero Greco

Um goleiro de 1,82m está à altura do São Bento?

Se o nome dele for Rodrigo Viana Conceição, ele está sim. Esse é o novo goleiro que entra para a história do tradicional clube da cidade de Sorocaba que, no próximo dia 14, completa 103 anos.

Isso mesmo, o time da Manchester Paulista é centenário e mais um pouquinho!

Mas não estou aqui falando do alviceleste só por causa do aniversário. No domingo, o São Bento reviveu grandes momentos no estádio Walter Ribeiro, com público de quase 10 mil pessoas. Obteve com a vitória sobre o Itabaiana, por 2 a 0, uma das quatro vagas para a disputa da Série C de 2017. E ainda pode ganhar o título do Brasileiro da Série D. Nas semifinais enfrenta o CSA, enquanto o Volta Redonda pega o Moto Clube.

Para chegar a essa campanha, o São Bento contou com goleiro pra lá de eficiente: Rodrigo Viana, 26 anos, canhoto. Ele começou carreira no Botafogo do Rio e passou por Tupi, de Juiz de Fora, Caldense (onde foi o goleiro menos vazado do Campeonato Mineiro) e Sampaio Correia.

Pois não é que, em 12 jogos, na Série C, Rodrigo sofreu apenas 2s gols?! Isso mesmo! Até agora só 2 gols – o que o leva a ser comparado pelos torcedores mais fanáticos aos grandes goleiros que já vestiram a gloriosa camisa centenária.

Chicão jogou lá e teve seus momentos de glória no Palmeiras, onde foi um dos responsáveis pelo título do Torneio Ramon de Carranza, pegando pênaltis em 1969. O São Bento teve também o paredão Abelha, que depois passou por Flamengo e São Paulo.

Mas o maior de todos continua sendo Walter, que ajudou o São Bento a subir para a elite do futebol paulista, numa disputa memorável com o América de São José do Rio Preto, no torneio de 1962. Era uma muralha. Se bem que o ataque era memorável e formado por Raimundinho, Cabralzinho, Picolé, Bazaninho e Paraná.

Era ruim aquele time do São Bento dirigido por Wilson Francisco Alves?

Muricy e São Paulo, ruptura anunciada

Leia o post original por Antero Greco

Rupturas costumam ser dolorosas, mesmo no esporte. O fim da parceria entre São Paulo e Muricy Ramalho se encaixa nessa categoria. Não foi fácil para nenhuma das partes o fim da colaboração, por causa da identificação recíproca. O técnico que sai não é apenas mais um profissional a desligar-se de uma empresa; vai além, pela história longa no tricolor e o que cada um proporcionou ao outro.

Mas era inevitável. O time não tem jogado bem, assim como Muricy há tempos não é o mesmo. Duas semanas atrás, após a derrota para o Palmeiras, entregou o cargo, depois de admitir que na temporada o grupo que comandava não tinha regularidade. Na ocasião, foi convencido a voltar atrás. Desta vez, não houve jeito.

Vá lá que os bastidores no Morumbi não andam serenos; desavenças políticas muitas vezes estendem suas consequências para o futebol. Independentemente disso, porém, as coisas não têm funcionado dentro de campo.

Jogadores indicados por Muricy ainda não vingaram – casos de Bruno, Carlinhos, Cafu, Thiago Mendes – e outros figurões andam abaixo do esperado. Aumentam as falhas de Rogério, Pato continua a ser instável, Ganso aparece e desaparece, Denilson e Souza jogam aquém do habitual e assim por diante. A decepção tem sido geral.

Muricy resistiu além do habitual para treinador que enfrenta crise, em função do currículo e da proximidade com o São Paulo. Diante da perspectiva de aumentarem protestos, se a equipe não reagisse, sobretudo na Libertadores, não foi catastrófica a solução encontrada.

Pelo respeito que merece, foi melhor Muricy ter saído agora. Poderá, também, cuidar da saúde, que anda mais frágil. E o São Paulo fica livre para procurar alternativas para sair do buraco em que está metido há bastante tempo.

Futebol paulista é o melhor do Brasil, seguido por mineiros, gaúchos e, em quarto lugar, os “capengas” do Rio!

Leia o post original por Redação Terceiro Tempo

Qual estado brasileiro tem o melhor futebol?

Em relação à organização e títulos conquistados em 2012, os paulistas assumiram liderança absoluta no país.

Corinthians campeão da América e do Mundo, São Paulo vencendo a Sul-Americana, Santos com a Recopa e até o Palmeiras, que passou vergonha no Brasileirão, levantou o troféu da Copa do Brasil.

Em seguida aparece o futebol mineiro, que foi alçado à segunda colocação graças, exclusivamente, ao ótimo desempenho do Atlético.

Porque se fosse depender do Cruzeiro…

No terceiro lugar os gaúchos Grêmio e Inter que, apesar de não conquistarem grandes façanhas na temporada, estão erguendo suas moderníssimas novas casas.

Só então aparecem os cariocas. Quase ultrapassados pelo futebol baiano.

Flamengo seguindo os passos do Íbis, Vasco decretando falência, Botafogo que não queima nada desde 1995.

E o Glorioso está tão “sem faísca” que até o Neymar, sozinho,  faturou mais que o Botafogo em 2012.

Só o Fluminense salva. Mas de maneira duvidosa, no “Apito Amigo”.

E para você, torcedor, qual a ordem do futebol nacional?

Opine!

Paulistas dão vexame pelo Brasil!

Leia o post original por Neto

Meu sotaque carregado e a identificação que sempre tive com o futebol paulista, até porque foi onde atuei boa parte da minha carreira de jogador de futebol, me fizeram ser identificado demais com São Paulo. Muita gente me chama de bairrista. Acham que protejo demais os clubes do Estado. Pra falar a verdade isso é uma grande bobagem! Tento ser isento na medida do possível. teno buscar a minha verdade. Independente de qualquer coisa.

Mogi subiu para a Série C. Exemplo raro de time paulista com sucesso no Brasileiro de 2012

Estou dizendo isso porque nesse ano de 2012 os times paulistas tem dado vexame no Campeonato Brasileiro. Na verdade em todas as divisões do Nacional. Na Série A, por exemplo, com exceção do São Paulo, que arrancou nessa reta final e fatalmente beliscará uma vaga no G-4, o restante só ocupa posições modestas na classificação. O Palmeiras é o 18º e virtual rebaixado. Portuguesa também está ameaçada pelo descenso na 15ª colocação. Ainda temos a Ponte Preta como 14º e os poderosos Santos como 9º e Corinthians na 8º posição. Muito pouco para a grandeza de ambos. Tudo bem que o Timão está pensando no Mundial, mas se tivesse se esforçado um pouco mais brigaria pelo bicampeonato.

Na Série B o caos é total! Só o São Caetano, na 5ª posição, briga por uma vaga na elite em 2013. O restante está lá embaixo. Todos brigando para fugir do rebaixamento. Pra falar a verdade o Grêmio Barueri, lanterna da competição, já era. Outro time que está no Z-4 é o Guaratinguetá. Na beira do abismo também estão Guarani e Bragantino.

Na Terceirona apenas o Oeste de Itápolis briga por alguma coisa. O Santo André segue na draga. Uma vergonha! Na quarta divisão, a recheada Série D, a única luz no fim do túnel foi do Mogi Mirim, que retornou à “C”. Ainda assim nem teve competência para chegar na final (vencida pelo Sampaio Corrêa/MA). Ou seja, o Estado de São Paulo sempre foi mega-valorizado pela estrutura e pela Federação rica que constitui. Hoje em dia nada disso está fazendo efeito. Aliás, o principal hoje em dia para se fazer uma administração vitoriosa é ser competente e trabalhar com honestidade e pés no chão. O futebol paulista como um todo está longe de viver essa realidade.

Em tempo: Tem um monte de gente que me chama de ignorante. Mas os caras não sabem nem ler direito, poxa vida! Ficou muito claro que minha crítica é pela campanha dos paulistas nos Campeonatos Brasileiros dessa temporada. Campanhas fraquíssimas! Se estavam pré-classificados para a Libertadores por títulos no primeiro semestre, pouco importa. Precisavam ter sim valorizado mais os campeonatos nacionais.

 

O fair play e a cobrança ofensiva de lateral

Leia o post original por Emerson Gonçalves

Jogaço nessa tarde de domingo no Pacaembu, terminando com a vitória da Ponte Preta por 3×2 sobre o Corinthians. Dependendo do jogo que começará em minutos no Brinco de Ouro, em Campinas, entre Guarani e Palmeiras, e poderemos ter uma semifinal do Paulista com os dois times campineiros. Consequentemente, um dos dois faria a final do campeonato contra São Paulo ou Santos. Pensando no futebol do estado como um todo, seria realmente muito motivador ver um time fora da turma do G4 ser campeão ou mesmo vice.

Lembrete fundamental: Gilson Kleina é o treinador da Ponte. Por conta de alguns resultados ruins teve sua cabeça exigida pela turma de sempre, mas a direção da Ponte resistiu. Chegar à semifinal do torneio estadual e ao mesmo tempo estar disputando as oitavas da Copa do Brasil é, em boa parte, resultado dessa decisão.

A razão desse post, entretanto, não é o jogo ou a manutenção do treinador e sim dois pontos que achei muito interessantes.

O “tal” do fair play

Quando um jogador sofre uma falta e sente a ação do adversário ou cai de mau jeito ou ainda quando se contunde sozinho, é praxe a bola ser tocada para fora de forma a permitir ao árbitro a paralisação do jogo e o atendimento médico do jogador. O próprio árbitro pode paralisar a partida para isso, desde que ele considere que a situação é grave e o jogador caído precise de cuidados médicos imediatos.

Gosto muito do fair play, um gesto esportivo e civilizado, mas tem sido comum que esse gesto seja tomado para simplesmente parar a partida e o time ganhar tempo ou por conta de simulação de gravidade por parte do jogador atingido. Em ambos os casos, é evidente, o fair play perde todo e qualquer sentido.

Hoje à tarde, Renato Cajá, da Ponte, sofreu falta do corintiano Douglas, a poucos passos de sua própria área. Como a bola caiu nos pés de outro ponte-pretano em excelente condição para dar continuidade à jogada, inclusive armando um contra-ataque, o árbitro, corretamente, deu vantagem à Ponte. Ora, o Cajá continuava caído, mas seus companheiros não abriram mão do ataque poderia resultar em gol. Entretanto, a bola foi retomada pela defesa corintiana, voltou para as imediações da área ponte-pretana, onde Cajá continuava caído, e William, livre de marcação pela direita, entrou e chutou cruzado, fazendo o primeiro gol do Corinthians.

Pronto! Confusão estabelecida, jogo paralisado por minutos, culminando com a expulsão, correta, do treinador Gilson Kleina. Tudo isso porque os ponte-pretanos entenderam que o árbitro deveria ter paralisado a partida para atendimento do jogador caído.

Ora, ora, ora, se os próprios companheiros tiveram a chance de pôr a bola para fora e não o fizeram, por que tal ação deveria ter sido tomada pelo time corintiano, que perdia a partida?

Ou o árbitro? Reclamação absolutamente desprovida de lógica, portanto, caracterizando a intenção do fair play não em benefício de um jogador machucado, mas sim em benefício da manutenção do resultado.

Fair play é um gesto nobre e deve ser praticado sempre que necessário, dando oportunidade a um colega de profissão ser atendido. Jamais por mero e reles oportunismo.

A cobrança ofensiva de lateral

O Barcelona dominou de forma categórica o Chelsea no primeiro tempo. Criou inúmeras oportunidades claras de gol e lances de perigo, contra apenas quatro situações de risco criadas pelo time inglês, uma das quais resultou no gol de Drogba. O interessante é que duas dessas quatro oportunidades nasceram não dos pés de um jogador do Chelsea, mas sim das mãos de um deles, que executou duas colocações de bola em jogo pela lateral do gramado diretamente dentro da área do Barcelona. Nas duas situações o gol de Valdez esteve seriamente ameaçado.

Na tarde de hoje, aos 42 minutos do segundo tempo, Fabio Santos, lateral-esquerdo do Corinthians, cobrando um lateral arremessou a bola bem no meio da área da Ponte Preta, gerando uma situação de grande risco para o time campineiro.

É relativamente comum vermos essa jogada ser praticada por times europeus, mas entre nós ela é uma raridade. E, geralmente, quando executada costuma levar perigo ao adversário. Aliás, o mais comum é vermos as cobranças laterais sendo rigorosamente desperdiçadas, com o adversário tomando a bola com facilidade. Não há jogadas ensaiadas, treinadas, ensaiadas, para as cobranças de laterais. Geralmente, o atacante ou meio-campista deixa a bola na lateral à espera do “especialista”, sempre o lateral direito ou esquerdo. Um ou às vezes dois jogadores se apresentam, com os adversários junto. Não há como receber, dominar, pensar e executar algo com a bola, uma vez que o marcador está em cima. Ninguém mais se apresenta e o “especialista” manda a bola para o companheiro mais próximo, vale dizer, para o adversário mais próximo.

E assim se perde uma bola, se perde um ataque e dá-se ao adversário, não poucas vezes, um contra-ataque já armado, prontinho.

Será que é tão difícil respeitar o espírito do fair play e treinar cobranças de laterais?

Post scriptum I: Campinas está na final do Paulista. Só resta saber se com o Bugre ou com a Macaca. Independentemente de quem seja, fico na torcida para que essa semifinal de Paulista seja somente o primeiro passo do retorno do futebol campineiro à linha de frente do futebol brasileiro.

Post scriptum II: o que foi o jogo do Rio essa tarde? Que loucura esse Flamengo x Vasco! Não é todo fim de semana, mas de vez em quando o futebol brasileiro mostra porque é, creio que ainda, o maior produtor de bons e grandes jogadores de futebol do mundo.

Futebol: a “lojinha” pode quebrar

Leia o post original por Wanderley Nogueira

Sobram motivos para a ausência de torcedores nos estádios de São Paulo. E, pelas informações que chegam, em todo o país o número de assistentes é decepcionante.

Sei que não é fácil compreender a causa das coisas. Também reconheço que é melhor compreender pouco do que compreender mal.

Aqui em São Paulo, a federação, organizadora da competição, não mexe uma palha para tentar mudar a situação. Está chegando a fase mais importante do campeonato, e o pequeno público virou motivo de chacota.

Fiquei observando a lojinha de um simpático “turco” lá pelos lados do Mercadão. Depois, tomei coragem e perguntei como ele faz quando os clientes somem. A minha curiosidade era descobrir se ele ficava esperando o retorno da clientela ou fazia alguma coisa para atraí-la.

Olhando com jeito de quem sabia que eu não entendia nada do “negócio”, o negociante deu uma pequena aula: “claro que eu faço alguma coisa. Um dos segredos é que a mesa que os meus clientes comem deve ser melhor que a minha, caso contrário eu quebro”.

Imediatamente, pensei na cartolagem do futebol. Os dirigentes fazem exatamente o oposto. O futebol perde consumidores nos estádios. Os estaduais estão anêmicos. Alguns, não voltaram às praças esportivas nunca mais depois de decepções pelo tratamento recebido.

Mas, vamos lembrar apenas das arquibancadas vazias nos estádios do interior e das capitais. Com cada vez mais raras exceções. Se o público é pequeno, qual a dificuldade para liberar a entrada para todas as crianças com suas mães? Qual o empecilho para franquear a entrada de escolas com seus professores e coordenadores ? Que tipo de barreira existe para não conceder ingresso livre para casais?

Você deve estar pensando que seguindo o meu desejo, ninguém vai pagar para ir ao jogo. E é exatamente isso. A rica Federação Paulista de Futebol, por exemplo, deveria garantir a renda equivalente ao público médio da temporada 2011 e determinar o “portão livre”.

Pesquise e constate que a grande maioria dos clubes tem presença/média de 2 mil pessoas gerando arrecadação aproximada de 40 mil reais. Há jogos com 600 torcedores ou menos!

Se a entidade estivesse mesmo interessada em resolver o problema, pagaria essa cota/padrão e tentaria acabar com o triste cenário de estádios vazios.

O público definha na “lojinha” e ela não mexe uma palha, não faz nada e ignora a terrível possibilidade do futebol quebrar…