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Grêmio não comprou títulos. Os fez

Leia o post original por Rica Perrone

Talvez pro torcedor a fórmula simples seja um trabalho legal de revelar jogador, somado a um dinheiro em caixa, um treinador bom e pronto. Campeão!

Não, não é assim. Primeiro porque se fosse isso todos seriam campeões e não dá. Segundo porque 99% dos clubes são capazes de aplicar essa fórmula. E nem 1% deles tem sucesso. Então, talvez, não deva ser tão simples quanto imaginamos da sala da nossa casa em frente a tv.

O que o Grêmio fez de diferente?

Desde 2009 padronizou na base a forma de criar seus talentos. Só que somado aos jogadores que ele mesmo criou, iniciou um belo trabalho de buscar jogadores ainda da base de times menores e traze-los para terminar a base no clube e subir com a mentalidade profissional que o clube quer.

Em 2015 Felipão subiu alguns garotos e efetivou outros. Mas não se acertou e acabou saindo. Então veio Roger e o Grêmio campeão de tudo sem comprar ninguém começou a surgir.

O time ganhou um toque de bola absurdamente superior a maioria. Não entregava a bola de graça, era calmo e muito bem organizado. Mas lhe faltava algo mais. E foi com Renato Gaucho que os resultados do bom trabalho do clube vieram a público.

Saiba: Muito clube faz tudo direito e ninguém sabe porque não é campeão. E mais clubes ainda fazem tudo errado e parecem geniais porque a bola entrou.

O Grêmio do Renato ganhou a Copa do Brasil sendo o time do Roger só que com vontade de fazer gols.

Em 2017 o Cortez ganhou a vaga do Marcelo, o Wallace foi vendido e o Douglas se machucou. Renato fez algumas mudanças simples e uma que resolveu o maior dos problemas.

Como seria sem Douglas? O Grêmio viu entre os titulares a solução e Luan deu 5 passos para trás e não apenas resolveu como melhorou o setor.  Barrios chegava com a 9, e a dupla de zaga cada vez mais difícil de furar. Maicon começa a ter problemas de contusão, e surge Arthur.

Pedro Rocha deslancha. O Grêmio é compato e funciona de todas as formas. Do contra-ataque a posse de bola, o time está redondo e continua dando a falsa impressão que se perder uma peça desmonta. Mas não desmonta.

O Grêmio termina 2017 campeão da Libertadores com a perda do fundamental Pedro Rocha. E o gol da final, inclusive, é do seu substituto.

Vem 2018, perde-se Barrios, Fernandinho e Edilson. Entram Madson (Leo Moura), Everton e Cicero (Jael). Segue o baile, Grêmio campeão gaúcho apos quase uma década.

O que esses quadros querem dizer?

  • Não há contratação de peso.
  • As peças foram mudando e em raríssimos momentos o time mudou a forma de jogar
  • Um time que em 1 ano não contrata “ninguém”, perde 8 jogadores titulares e se mantem ganhando e crescendo deve estar fazendo algo que os outros não estão.
  • A base Grohe, Geromel, Luan foi mantida. São os 3 pilares do time. O Arthur embora fundamental, já foi substituido e viu o Grêmio jogar antes dele. Sua saída será como a do Wallace.  Maicon e Jailson continuarão fazendo funcionar.
  • 3 treinadores tiveram papel importante no processo. Os 3 são ídolos do clube. Talvez não seja coincidencia.
  • André acaba de chegar para tirar Cícero do seu papel improvisado. O time de 2018 tem 6 jogadores do título de 2016 e ainda assim mantém padrão.

O trabalho do Grêmio é muito bom, pouco valorizado pela mídia que segue idolatrando compradores eufóricos que vivem entre a euforia da chegada e a crise da explicação do resultado abaixo do investimento.

Futebol na América do Sul não se faz comprando. Quantos Grêmios serão necessários para que os 12 entendam isso?

Enquanto os outros não entendem, o Grêmio deita, rola e, como no estadual, até “finge de morto”.

abs,
RicaPerrone

Eles fingem que sofrem

Leia o post original por Rica Perrone

É tudo mentira.  Eu estive lá algumas vezes em 2016 e 2017 e lhes afirmo: é uma farsa.

Esse drama que eles fazem, a cara de medo enquanto o jogo acontece e a lamentação por ter sido sofrido, tudo mentira.

Eles sabem que vão ganhar. E se pudessem escolher como, escolheriam exatamente como hoje.   O baile de Lanus é maneiro, mas eles gostam é da porra da Batalha dos Aflitos.

Se fosse 4×0 hoje eles sairiam de lá felizes. Sendo nos pênaltis um perrengue do cacete, eles sairam de lá de alma lavada.

Ao final, pelas rampas da Arena ou nos bares na frente do estádio, se abraçam e dizem artisticamente que “quase morreram”  de nervoso. Mentirosos! Eles sabiam.

Eles sempre sabem.

O ritual pré jogo, a tensão do jogo, o desespero na prorrogação. Tudo combinado. Eu tenho alguma convicção que gremista se reune antes do jogo e combina a cena.

E segue tudo como sempre foi. Copeiro, guerreiro, sofrido e campeão.

Renato, Grohe, a calma do Luan, as maravilhosas entradas no limite do duro e violento do Geromel.  O Grêmio tem seu ritual.

E como todo ritual, sabemos o final.

abs,
RicaPerrone

Grêmio, péssimo, mas não eliminado

Leia o post original por Antero Greco

O resultado foi péssimo para o Grêmio – derrota por 1 a 0 para o Rosario Central, em casa, na abertura das oitavas de final da Libertadores. Mas não significa que a eliminação seja fato irreversível. Se jogar um pouco de futebol, o que não fez nesta quarta-feira, pode ter sucesso na volta, na semana que vem, na Argentina.

Talvez tenha sido a pior apresentação tricolor no ano. Em mais de 90 minutos, se criou duas chances de gol foi muito – e estou até sendo generoso. A equipe de Roger Machado esteve irreconhecível, enroscou-se numa marcação bem feita pelos argentinos e se mostrou presa fácil. Em raros momentos se comportou como mandante. Na maior parte do tempo, parecia o visitante. Coisa de doido.

O Rosario não escondeu a estratégia, simples, prática e direta: segurar o Grêmio a todo custo. E soube fazê-lo, com qualidade e, em alguns lances, com divididas mais fortes. O que não significa que tenha sido catimbeiro, como costumamos classificar os gringos. Porque do lado de cá também houve entradas pesadas.

Bem fez o árbitro Victor Carrillo, que distribuiu amarelos para lá e para cá, em igual quantidade: cinco. Portanto, ninguém pode reclamar que o outro bateu mais e contou com complacência do apito.

O Grêmio teve um vacilo, e fatal: aquele no lance do gol de Marco Ruben, ainda na etapa inicial. Bola por cima, zaga indecisa e … Grohe indo buscar na rede. A vantagem que levou tensão à arena não saiu mais do lado brasileiro. Por incapacidade de superá-la, por falta de recursos e variações no jogo, por inércia.

O Grêmio não está fora, pra deixar bem claro. Mas precisa jogar bola. Um pouco que seja já será muito mais do que esse capítulo decepcionante. Sofrimento não faltará. Tomara venha a reação como prêmio.

Dunga e o grupo

Leia o post original por Rica Perrone

Dunga é gaúcho, um sujeito duro, firme em suas convicções e gostem dele ou não, sua filosofia é essa. Se querem mudar o conceito, mudem o treinador, não tentem mudar o Dunga. Dentro de suas certezas está e sempre esteve o grupo. Dunga não convoca jogadores que podem causar desconforto ao vestiário porque ele acredita …

Cássio, o maior e o melhor goleiro?

Leia o post original por Antero Greco

Provocou certo barulho a declaração de Cássio de que se considera o melhor goleiro do Brasileiro porque a defesa do Corinthians é a menos vazada. A lógica dele não é das mais consistentes, o que não lhe tira o direito de ter tão em alta conta a autoavaliação. Ora, se isso lhe faz bem, que mal há? Nenhum. Bem como não se trata de presunção, como tentaram enxergar.

Cássio, na verdade, não falou por falar. Não tirou a frase do nada; ela foi resposta a uma pergunta, durante entrevista coletiva, esses encontros corriqueiros e de praxe com os jornalistas, e dos quais em geral nada se tira de bom. Partiu para associação simples: se o Corinthians tomou menos gols, então o goleiro é bom.

Meia verdade. Cássio de fato dá conta do recado, e não é de agora. Não o vejo como um extraordinário representante da posição, não está no rol dos melhores camisas 1. Assim como não é cabeça de bagre, nem frangueiro. Passa confiança para os companheiros, com os acertos – e os erros – que todos costumam ter.

Cássio foi decisivo em diversas partidas do Corinthians – para citar uma, o clássico com o Palmeiras, em que defendeu cabeçada que daria o gol da vitória ao rival já nos acréscimos. Mas, em comparação com diversos outros goleiros, trabalha menos por jogo, porque as bolas adversárias custam a chegar. E por quê? Porque os que estão à sua frente o protegem.

Em geral, aparece mais, durante os jogos, goleiro de time com menos consistência defensiva. O que é óbvio. O que importa, porém, é a eficiência do goleiro, quando exigido, tanto faz se muito ou pouco. E nesse quesito não há o que reclamar de Cássio.

O Campeonato Brasileiro deste ano tem mostrado muitos goleiros bons, não só de times que estão na parte de cima – Victor, do Galo, e Grohe, do Grêmio são exemplos ­ – mas também de equipes que estão na parte de baixo da tabela.

Então, assim como Cássio, outros podem considerar-se os melhores. E não estarão a cometer nenhum pecado. Goleiro tem de ter astral lá em cima, às vezes mais até do que autocrítica.