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Os “especialistas”

Leia o post original por Rica Perrone

Dinheiro e futebol sempre foram inimigos íntimos. Cada mais especialistas em dinheiro dominam o futebol sem entender que não se trata de um produto simples e de uma matemática convencional onde se ganha mais do que se gasta e portanto há sucesso. Futebol é algo absolutamente impossível de explicar pra quem fez uma faculdade de…

Federação adverte empresa por problemas com catracas na estreia do SPFC

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A Federação Paulista advertiu por meio de notificação a empresa responsável pelo sistema de ingressos do São Paulo por conta de problemas na estreia do time no Campeonato Paulista. Em seu comunicado para a Total Acesso, com cópia ao clube do Morumbi, a entidade lista as falhas que detectou no último sábado no Pacaembu, pede explicações até a próxima quarta (23) e ainda diz que a companhia será descredenciada em caso de reincidência. O descredenciamento impede a participação em jogos que tenham a FPF como organizadora.

Notificações semelhantes foram enviadas para Omni, por falhas em Bragantino x Guarani, e Acesso Mais, devido a falhas em Red Bull x Palmeiras, ambos pela primeira rodada do Estadual de 2019. As três advertências foram confirmadas ao blog pela federação.

Antes da vitória são-paulina por 4 a 1 sobre o Mirassol, torcedores tiveram dificuldades para entrar no Pacaembu. Na notificação, a federação afirma constar no relatório do jogo que catracas não funcionaram adequadamente. Aponta também erros e atraso no momento da manobra de transferência de energia para o gerador, catracas que pararam de funcionar, falta de configuração nas antenas de comunicação e outros problemas com ingressos.

De acordo com o documento feito pela FPF, centenas de torcedores foram afetados por conta dos problemas na entrada do estádio. “Iremos responder ao ofício da Federação Paulista na data estipulada. Na ocasião abordaremos as causas dos problemas ocorridos no Pacaembu e apresentaremos quais as medidas preventivas a serem adotadas para os próximos jogos, visando mitigar problemas futuros”, disse ao blog David Jesus, da Total Acesso. Por sua vez, o São Paulo repetiu que está apurando o ocorrido, como havia dito em nota oficial.

A respeito dos problemas na partida do Bragantino, Alex Marques, gerente da Omni, declarou que foram disponibilizados pelo time de Bragança Paulista poucos bilheteiros e que já houve uma conversa para que o fato não se repita. Ele disse também que a notificação foi cancelada pela FPF. Porém, o blog apurou que o cancelamento ocorreu por causa de um nome escrito de maneira errada e que em seguida outro comunicado com o mesmo teor foi enviado.

O blog não conseguiu ouvir a Acesso Mais sobre as ocorrências registradas no duelo entre Red Bull e Palmeiras, em Campinas. A notificação emitida pela FPF alega que dois portões foram abertos com 30 minutos de atrasos provocando filas e tumultos. Relata também que crianças acabaram entrando no jogo sem os ingressos de gratuidade que servem para ajudar no controle de público.

 

Justiça aceita denúncia contra Mustafá em caso envolvendo suposto cambista

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O juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior aceitou nesta quarta (17)denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, e mais duas pessoas acusadas de envolvimento com suposta revenda ilegal de ingressos.

A abertura do processo foi determinada após conclusão do inquérito que investigava denúncias sobre a participação do cartola em suposto desvio de entradas oferecidas a ele pela Crefisa, patrocinadora alviverde. Os bilhetes teriam sido entregues a uma sócia do clube e repassados a um cambista.

Além de Mustafá, terão que responder às acusações na Justiça Eliane de Souza Guimarães Fontana, associada palmeirense, e Anderson Munari, que teria atuado como cambista.

Durante as investigações policiais Mustafá e Eliane negaram ter repassado entradas para cambistas. O dirigente alegou nunca ter revendido ingressos.  Os três acusados terão dez dias para apresentarem suas defesas.

Vale lembrar que o fato de a denúncia ser aceita significa que o processo será aberto para que seja apontada pela Justiça culpa ou inocência dos réus.

Mustafá foi denunciado por supostamente ter cometido crimes previstos nos artigos 41-F (vender ingressos para eventos esportivos por preço superior ao estampado no bilhete) e 41-G (fornecer, desviar ou facilitar a venda de ingressos por preço superior) do estatuto do torcedor.

A pena prevista no primeiro artigo é de reclusão de um a dois anos e multa. No segundo, a punição é de dois a quatro anos de reclusão, além de multa. Eliane foi denunciada no artigo 41-G, e Munari no 41-F.

O MP havia pedido o arquivamento do caso, mas os advogados da Crefisa pediram novas investigações e foram atendidos.

De acordo com a denúncia, os depoimentos de duas testemunhas que alegam ter comprado os ingressos por preço maior que o de face foram fundamentais. Os dois torcedores afirmam que foram até o Sindicato Nacional das Associações de Futebol, presidido por Contursi, para comprar entradas para jogos do Palmeiras por R$ 200 e R$ 300. Um deles sustenta que ao chegar no local e perguntar pelos bilhetes uma moça chamou Mustafá. O outro relata que comprou ingressos diretamente do cartola.

Segundo a investigação, a Crefisa doava 70 ingressos para Mustafá repassar a sócios e conselheiros do Palmeiras. Pelo menos parte dessas entradas teria sido revendida de forma ilegal.

Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, donos da Crefisa, e Paulo Rogério de Aquino, o Paulo Serdan, líder da Mancha Alviverde foram ouvidos durante o inquérito na condição de testemunhas.

O casal de empresários se elegeu para o Conselho Deliberativo do Palmeiras com o apoio de Mustafá. Porém, por conta de divergências os dois se tornaram adversários políticos do ex-presidente.

 

 

 

 

Mustafá e ingressos: pedido de advogado da Crefisa evita arquivamento

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Uma reviravolta impediu que o inquérito relacionado ao suposto envolvimento de Mustafá Contursi com a venda ilegal de ingressos para jogos do Palmeiras fosse arquivado neste momento. O arquivamento havia sido pedido pelo Ministério Público de São Paulo.

Antes de analisar o pedido, o juiz ligado ao caso foi procurado pelo advogado que representa a Crefisa, interessada no procedimento. Ele argumentou sobre a necessidade de novas investigações para esclarecer os fatos. Por meio dos autos, o juiz Ricardo Augusto Ramos encaminhou a intervenção do advogado ao MP na última segunda (1º).

“Em busca da verdade real, manifesto-me favoravelmente em relação às diligências requeridas, a serem cumpridas no prazo de 60 dias”, escreveu o promotor Paulo Castilho em despacho nesta quarta (3). Ele havia sido o responsável por solicitar o arquivamento alegando falta de provas.

“Antes de o juiz analisar o pedido de arquivamento, foi procurado pelo advogado. Já me posicionei a favor e ele vai determinar essas novas diligências. Depois, o inquérito volta para o Ministério Público (manifestar se propõe ação penal ou solicita novamente o arquivamento)”, disse Castilho ao blog.

Desde o início das investigações, Contursi nega o envolvimento com cambistas ou que ele mesmo tenha comercializado entradas para as partidas. O inquérito apura se ele negociou ou facilitou a entrega de bilhetes cedidos pela Crefisa, patrocinadora do alviverde, para revendedores ilegais.

O caso estourou no auge da crise entre o ex-presidente palmeirense e o casal dono da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas). Mustafá era aliado de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, também conselheiros do clube. Eles romperam por divergências durante o processo de mudanças estatutárias que culminou com o aumento do mandato para presidente de dois para três anos.

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MP pede arquivamento de investigação sobre Mustafá e venda de ingressos

Carona em jato e contradições. O inquérito que envolve Mustafá e Crefisa

MP encaminha para polícia suspeita de desvio de ingressos no Palmeiras

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Após receber denúncias de membros de torcidas organizadas do Palmeiras, o Ministério Público de São Paulo pediu para a Polícia Civil abrir investigação sobre suposto desvio de ingressos de jogos do Palmeiras para permitir venda acima do preço de bilheteria.

O pedido foi feito pelo promotor Paulo Castilho para a DRADE (Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva).

A denúncia é de que funcionários do clube estariam desviando bilhetes destinados aos sócios-torcedores do setor em que ficam as uniformizadas para a revenda por preços superiores. Com isso, integrantes das organizadas estariam ficando sem ingresso, mesmo tentando a compra logo no início da venda pela internet.

“A denúncia é grave. Tem nomes, áudios. Eles afirmam que funcionários do Palmeiras ajudam uma agência de turismo a ficar com os ingressos para vender por um preço maior. Se comprovado o crime, a pena pode chegar a seis anos. Como promotor, eu tenho que abrir uma investigação ou pedir para a polícia investigar sob pena de cometer prevaricação”, declarou Castilho.

No último dia 14, o perfil da Mancha Alviverde publicou uma série de questionamentos sobre a venda de ingressos no setor gol norte, em que ficam as organizadas. Os torcedores reclamaram que a venda de bilhetes nessa área pelo Avanti, programa de sócio-torcedor, acaba em poucos minutos.

Porém, de acordo com a organizada, a Palmeiras Tour, agência licenciada pelo clube, tem os mesmos bilhetes por preços mais altos. Segundo o relato, no último clássico contra o Corinthians, a empresa vendeu bilhetes que custariam R$ 100 por R$ 150. Eles pediram explicações ao presidente palmeirense, Maurício Galiotte.

Indagada sobre o tema pelo blog, a assessoria de imprensa do clube afirmou que a manifestação que o Palmeiras tinha para fazer sobre o tema está em nota publicada em seu site no último dia 15. Abaixo, leia o comunicado na íntegra.

“A respeito das declarações veiculadas sobre a empresa Palmeiras Tour nas redes sociais, a Sociedade Esportiva Palmeiras vem a público esclarecer:

A Palmeiras Tour é a agência oficial de viagens e eventos do Palmeiras, licenciada pelo clube, com autorização para explorar comercialmente a sua marca na produção e viabilização de atividades promocionais, experiências exclusivas e eventos relacionados ao Palmeiras.

Dentre os serviços oferecidos pela Palmeiras Tour, há diferentes pacotes para o atendimento de agências parceiras e torcedores que desejam assistir aos jogos do Palmeiras. Para este fim, é destinada uma quantidade limitada de ingressos, em diferentes setores do estádio. Cabe ressaltar que, por força de decisão de autoridade arbitral competente, os assentos oferecidos nos pacotes da Palmeiras Tour para o setor Gol Norte não podem ser disponibilizados para venda no Programa Avanti.

Os valores dos pacotes comercializados mediante emissão de nota fiscal, podem contemplar, além do custo do ingresso, serviços de receptivo, guia, logística de chegada e saída do estádio, bem como transporte, hospedagem e traslado.”

Carona em jato e contradições. O inquérito que envolve Mustafá e Crefisa

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Uma história com desconfianças, supostas trocas de favores, viagens internacionais em jato particular e até um vilão misterioso. Esse é o enredo revelado pelos depoimentos colhidos pela Policia Civil que apura o suposto envolvimento de Mustafá Contursi em venda ilegal de ingressos para jogos do Palmeiras. O ex-presidente alviverde nega as acusações.

O blog teve acesso a sete depoimentos de testemunhas ouvidas pela DRADE (Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva). Seis delas não ligam Contursi ao cambista que estaria envolvido no caso e ainda não teve sua identidade descoberta. O depoimento que coloca sob suspeita o que Mustafá fazia com os ingressos é o de Leila Pereira, dona da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), patrocinadoras palmeirenses.

Uma das pessoas ouvidas afirma que Leila distribuía os ingressos para que sócios votassem nela para o cargo de conselheira do clube, o que ela negou em sua declaração aos policiais.

O blog não localizou na pasta sobre o caso no Fórum Criminal da Barra Funda o depoimento de Mustafá, mas obteve informações sobre as alegações mais importante do cartola. Procurado, ele não atendeu aos telefonemas.

Abaixo, conheça os principais detalhes do inquérito.

Mustafá está envolvido ou não?

O caso foi parar na polícia a pedido do promotor Paulo Castilho depois de o Conselho Deliberativo palmeirense iniciar uma investigação.

À polícia, Seraphim Del Grande, presidente do Conselho Deliberativo, contou que tudo começou ao receber um telefonema de Leila. De acordo com seu depoimento, ela dizia ter sido procurada por Paulo Serdan, presidente da escola de Samba Mancha Alviverde. O torcedor, carnavalesco e conselheiro do clube teria contado que foi contatado pela sócia palmeirense Eliane de Souza Guimarães Fontana relatando que vinha sofrendo ameaças de um cambista que se dizia integrante da Mancha e para quem ela repassava ingressos cedidos pela Crefisa.

O presidente do conselho contou aos policiais que chamou Serdan para dar explicações e que ele confirmou o pedido de ajuda feito por Eliane para cessar as ameaças. O cambista estaria nervoso porque ela havia deixado de entregar para ele ingressos vindos da Crefisa.

No depoimento de Seraphim está escrito “que em momento algum o conselheiro Paulo Rogério (apelidado de Paulo Serdan) citou o nome do senhor Mustafá Contursi”. Carlos Antonio Faedo, vice-presidente do conselho palmeirense, repetiu não ter ouvido o nome do ex-presidente ser pronunciado pelo membro da Mancha.

Também convocado a depor na polícia, Serdan praticamente confirmou as informações de Seraphim. Ele não citou Mustafá como fazendo parte da conversa com Eliane e disse desconhecer a relação entre a associada do clube e o ex-presidente.

O torcedor e membro do conselho palmeirense ainda contou que Eliane afirmou receber ingressos de Leila para distribuir  a conselheiros e associados. “Contudo, Eliane, dava alguns ingressos para um indivíduo que se dizia associado da Torcida Mancha Alviverde em troca de favores que o mesmo fez durante a campanha de Leila. Contudo, quando Eliane parou de receber os ingressos de Leila, aquele indivíduo passou a ameçar-lhe de forma insistente…”, diz trecho do relato sobre o depoimento de Serdan no inquérito.

Pivô da confusão, Eliane contou aos policiais que recebia 20 ingressos dados por Leila por jogo. E que eles eram enviados à sede do sindicato de clubes presidido por Mustafá em envelope fechado, depois repassado a ela. Contou também  que o cartola recebia em outra embalagem 50 bilhetes. Ou seja, as entradas dadas a ela nada teriam a ver com as ganhas por Contursi, segundo sua versão.

Ela negou que tenha sofrido ameaças. Contou que, durante a campanha de Leila, recebeu o telefonema de um homem que se identificou como Anderson e pediu ingressos, alegando que votaria na empresária e conseguiria mais eleitores. Ele passou a receber três bilhetes por partida para levar familiares e conhecidos. Em julho de 2017, já passado o pleito para o conselho, ela parou a receber as entradas da Crefisa. Nesse momento, Anderson, teria insistido em conseguir os bilhetes com seguidos telefonemas e mensagens. Por considerar seu interlocutor inconveniente, ela afirma ter pedido ajuda de Serdan para encerrar os telefonemas.

Em suas declarações, Eliane não menciona Anderson como cambista e também nega que tenha recebido dinheiro dele pelos ingressos.

Comprovantes de entrega de ingressos da Crefisa para Mustafá anexados ao inquérito sobre suposto repasse a cambista

A versão de Eliane não bate totalmente com o depoimento de Leila. A dona da Crefisa disse que em meados de 2015 passou a enviar 70 ingressos por jogo para Mustafá, por solicitação dele e com a finalidade de serem entregues a conselheiros e sócios. A cortesia era feita em virtude do respeito que tinha pelo ex-presidente. Os bilhetes eram enviados para o sindicato. Ela não cita a cota de 20 entradas para a associada. Admite, porém, que em “poucas vezes, concedeu poucos ingressos, não mais que meia dúzia, a Eilane, a pedido do próprio Mustafá, ignorando por completo que aqueles 70 ingressos enviados a ele (Contursi) eram revendidos por cambistas.”

Ela ainda contou que, certa vez, não enviou as entradas porque Mustafá estava hospitalizado. Então, Eliane ligou para cobrar. Em seguida, Contursi teria feito o mesmo.

Segundo a empresária, por conta de seu patrocínio ao clube, ela tinha direito a uma cota de cerca de 310 ingressos por jogo e ainda comprava mais 250 junto à construtora Wtorre. Os bilhetes, segundo afirmou Leila no depoimento, eram cedidos gratuitamente para clientes e funcionários a título institucional.

Trecho do depoimento no qual Leila Pereira explica cessão de ingressos para Mustafá

Ingresso por voto?

Eliane afirmou à equipe da DRADE que recebia 20 ingressos por jogo da dona da Crefisa para que fosse entregues a sócios para votarem em Leila na disputa pelo conselho.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa da empresária respondeu à pergunta sobre a afirmação de Eliane com a seguinte mensagem: “Eram entregues ao sr. Mustafá Contursi 70 ingressos por jogo. Ele quem deve esclarecer como foram parar nas mãos desta senhora Eliane. Ele quem deve esclarecer para as autoridades essa suposta venda de ingressos que lhe eram entregues com protocolo. Esses 70 ingressos deveriam ser dados em cortesia para conselheiros e sócios.”

Em depoimento, Paulo Serdan explica o que ouviu de Eliane

Quem vai ficar com Eliane?

Uma das dúvidas geradas pelos depoimentos é quem tem mais intimidade com Elaine, a protagonista da polêmica: Mustafá ou Leila.

Serdan, por exemplo, relatou que em todos os eventos em que Leila comparecia, Eliane estava junto. Porém, afirmou também que a empresária negou para ele que fosse amiga de longa data da associada, a quem, na ocasião, disse conhecer havia cerca de um ano. O primeiro encontro, segundo a dona da Crefisa, foi casual, em junho de 2016. Musatafá estaria almoçando com Eliane num restaurante e apresentou a amiga ao casal de patrocinadores.

A versão do almoço é confirmada pela sócia palmeirense, que relata ter sido apresentada para ajudar a patrocinadora palmeirense em sua campanha ao conselho.

Na delegacia, Leila afirmou que, a seu ver, Eliane atuava como uma espécie de operadora dos interesses de Contursi.

Mas há pontos divergentes nos depoimentos.  A empresária diz que num segundo encontro Mustafá pediu que ela desse carona para Eliane em seu avião particular até os Estados Unidos para que a amiga dele pudesse visitar a filha que mora lá. Já a suspeita de envolvimento com cambista declara que foi Leila quem ofereceu um lugar na aeronave.

Eliane contou em seu depoimento que fez quatro viagens no avião da dona da Crefisa para Nova York. E que já na primeira reuniu um grupo de torcedores e um sócio do Palmeiras num restaurante para uma confraternização com a empresária e seu marido, José Roberto Lamacchia.

Pelas contas de Leila, segundo seu depoimento, foram oito caronas no jato para associada até os Estados Unidos, além de viagens para acompanhar jogos do Palmeiras. A empresária afirma que Eliane viajava a pedido de Contursi para passar informações ao cartola. A dona da Crefisa diz que a sócia do clube tratava mal funcionários palmeirenses e que chegou a falar com dedo em riste com um membro da comissão técnica.

Desconfiança

Entre suas declarações à polícia, Leila afirmou desconfiar que algo anormal acontecia com os ingressos cedidos para Mustafá porque seus funcionários começaram a receber ligações de torcedores querendo comprar bilhetes da Crefisa. A empresa alega que nunca colocou entradas à venda. Ela afirmou também que chamou atenção o fato de não receber ligações de agradecimento por parte de pessoas que teriam sido agraciadas com ingressos por meio do ex-presidente, diferentemente do que faziam outros beneficiados. Essas desconfianças e a cobrança que recebeu quando deixou de entregar as entradas para o ex-presidente fizeram Leila cancelar os repasses, de acordo com a versão da empresária.

Por sua vez, Eliane diz que começou a receber os bilhetes da empresária em novembro de 2016. E que em meados de julho de 2017, quando teria se encerrado o acordo entre Crefisa e WTorre por cadeiras centrais do Allianz Parque, a cortesia foi cortada.

Cambista misterioso

As testemunhas ouvidas no inquérito se referem ao suposto cambista de quatro formas diferentes: Dande MV, Alemão, Alexandre e Anderson. O último nome só foi usado por Eliane, única também a não descrever o sujeito como revendedor ilegal de ingressos.

Reginaldo Pereira dos Santos, membro da Mancha,  descreveu o personagem enigmático como tendo pele branca e, aparentemente 35 anos. Ele narrou ter sido procurado por Serdan e que a partir de uma foto fornecida por Eliane localizou o suposto revendedor ilegal como sendo Alemão. Em sua lista de amigos no Facebook, o mesmo aparecia como Dand MV (sigla de Mancha Verde). O torcedor e André Guerra, presidente da torcida Mancha Alviverde, declararam terem chamado o acusado de fazer ameaças para conversar na quadra da escola de samba.

Está escrito no depoimento de Reginaldo que “Dand teria negado as ameças a Eliane” e que a conheceu “durante a campanha de Leila para conselheira e que Eliane lhe fornecia alguns ingressos do setor central do campo, os quais Dand repassava para cambistas.” Ele afirmou também que o acusado não disse para quem enviava o dinheiro arrecadado com a venda dos bilhetes e nem como era feita a divisão da receita, além de não saber como a associada do clube conseguia as entradas.

Reginaldo contou ainda que ele e o presidente da torcida pediram para Dand não importunar mais Eliane e nem usar o nome da organizada. Ambos, porém, falaram para a equipe do DRADE que não pegaram o telefone do interlocutor e nem confirmaram se ele é sócio da Mancha.

O(s) segredo(s)

Leia o post original por Rica Perrone

Qual o mistério que faz Cruzeiro e Palmeiras levarem gente ao estádio enquanto todos os demais clubes tem suas torcidas ignorando os estaduais?

Aliás, seriam os estaduais?

Não. Claro que não.  Palmeirenses e cruzeirenses estão indo ao estádio ver seus times, viver expectativa de um grande ano e curtir a boa fase. Não tem absolutamente nada a ver com o jogo.

Não há um palmeirense no mundo que acordou domingo e disse: “Opa! Contra o Novorizontino? Não posso perder!”.

Os dois tem em comum cerca de 60% do público formado por Sócios torcedores.  Isso indica competência do clube ao criar os planos. O sócio que vai no jogo passa a achar util ser sócio.

Não são duas torcidas que compram crise. Palmeirenses e cruzeirenses são chatos, extremamente exigentes e acostumados com timaços. Eles não “curtem” o drama. Curtem a vitória, o show de bola.  São perfis diferentes que raramente um torcedor de um clube nota, pois só enxerga o dele.

O Cruzeiro baixou o preço pra algo justo num estadual horrível. O Palmeiras segue usando o fenômeno que é o interesse de sua torcida na nova casa.  Aliás, paulista que sou, até encontro uma justificativa a mais: paulista adora coisa “premium”, “gourmet”.

Mete um “gourmet” na porta do podrão e eles lotam. É um perfil comum em São Paulo pagar mais por coisas mais novas e modernas.  Diferente de Bh, RJ, por exemplo, que são mais “butequeiros”  do que degustadores de cervejas artesanais.

Mas o caminho é simples: Interesse.

Quando seu time joga bem e tem ídolos, destaques, jogadores capazes de te gerar a dúvida do que você irá ver, vale a pena.  Ninguém paga pra ver 11 caras que você sabe que vão se esforçar pra ficar no óbvio.  Você paga pelo ídolo, pelo inacreditável, tal qual o gol de Arrascaeta.

Futebol é simples. Quando marketing e clube entendem o que estão fazendo, a torcida responde. Ou você acha que eu não sairia da minha casa se pudesse ir ver Fred, Thiago Neves, Arrascaeta… ?  Ou ver Lucas Lima, Borja, Felipe Mello?  Espetáculo se faz pelas atrações. E o jogo em si, no Brasil e no mundo, hoje não é mais um espetáculo por si só.

Que Palmeiras e Cruzeiros se multipliquem em 2018.

abs,
RicaPerrone

Com Mustafá suspeito, Palmeiras inicia apuração sobre venda de ingressos

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Com Danilo Lavieri, do UOL, em São Paulo

O Conselho Deliberativo do Palmeiras vai instaurar nesta terça sindicância para investigar venda irregular de ingressos que supostamente pertenciam à Crefisa, passaram pelas mãos de Mustafá Contursi e chegaram a cambistas. Seraphim Del Grande, presidente do órgão, convidou um integrante de cada um dos principais grupos políticos do alviverde para formar a mesa de trabalho.

A comissão tentará ouvir todos os envolvidos, porém, para Del Grande há uma diferença entre os status de Mustafá e do casal de patrocinadores do Palmeiras no processo. Para ele, o ex-presidente do clube ostenta a condição de investigado, enquanto os conselheiros José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, donos da Crefisa e da FAM, são vítimas.

“Não vou influenciar no trabalho da comissão, dizer como eles devem agir. No meu entendimento, a Crefisa não fez nada de errado e foi prejudicada. Ela cedia os ingressos como cortesia ao Mustafá, não entregava para cambistas. A comissão precisa apurar como eles (bilhetes) chegavam nos cambistas”, disse Del Grande.

Paulo Castilho, promotor público que pediu a instauração de inquérito sobre o caso, também trabalha com a tese de que os donos das empresas patrocinadoras do alviverde foram vítimas.

A suspeita de irregularidade chegou ao conselho por meio de Paulo Serdan, presidente de honra da Mancha Alviverde e conselheiro do clube. Ele afirmou que foi procurado por uma sócia do Palmeiras chamada Elaine. Ela teria pedido ajuda por estar sendo ameaçada por um cambista após parar de vender ingressos para ele. Pelo relato, os bilhetes teriam sido dados a ela por Mustafá. Ainda conforme a denúncia, o ex-presidente recebia frequentemente da Crefisa entradas para os jogos do clube, mas de repente parou de ser agraciado.

O blog telefonou para Mustafá, mas ele não atendeu às ligações. Ao UOL Esporte, no último dia 20, o ex-presidente disse que recebia os ingressos e dava a algumas pessoas, negando envolvimento com cambistas. Para aliados do ex-presidente ele é vítima de alguém que tenta prejudicá-lo por questões políticas.

Envolvidos considerados culpados podem ser punidos com advertência, suspensão ou até expulsão. Serdan também será ouvido. Quando encerrar os trabalhos, a comissão apresentará o resultado ao Conselho Deliberativo, que tomará uma decisão por meio de votação. Por sua vez, Elaine será investigada em uma sindicância fora do conselho. Ela pediu sua exclusão do quadro de associados, mas Del Grande solicita que o desligamento não seja aceito para que ela possa ser investigada e eventualmente punida.

O presidente do Conselho afirma que se preocupou em montar uma comissão de sindicância politicamente equilibrada. O blog apurou que ele escolheu cinco nomes nesta segunda, mas precisou substituir um deles. Por isso, a oficialização dos responsáveis pelo caso só deve será feita nesta terça. As chapas políticas UVB (União Verde e Branca), Academia, Palestra e Palmeiras Forte terão um integrante cada. O quinto nome deverá ser do único conselheiro vitalício e membro do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) no grupo.

Escândalo no SPFC: fiscalização eficiente ou contratação imprudente?

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A descoberta de um suposto esquema de venda irregular de ingressos e camarotes para shows no Morumbi é vista pela direção do São Paulo como prova de eficiência da diretoria executiva montada pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva. A revelação é atribuída principalmente a Márcio Aith, diretor executivo de comunicação e marketing, que investigou o caso.

O fato é importante para a direção tricolor porque a montagem do corpo executivo sofre vários questionamentos por parte de membros do Conselho de Administração (que aprovou as indicações, segundo a diretoria) e do Conselho Deliberativo. A queixa é de que Leco indicou conselheiros com influência política no clube (não é o caso de Aith) e pessoas com bom relacionamento na direção para o cargo no lugar de contratar uma empresa especializada em identificar profissionais de alto nível para cada área.

A atual gestão tem orgulho de ter apontado a suposta fraude e demitido por justa causa o gerente de marketing Alan Cimerman, que nega as acusações.

Mas há um efeito colateral na demissão do funcionário. Integrantes do Conselho de Administração e membros da oposição tricolor afirmam que o desfecho do caso comprova o desleixo de cartolas da atual administração que confiaram em Cimerman.

O ex-gerente foi contratado no final de 2015, quando Leco já havia substituído Carlos Miguel Aidar, que renunciou após denúncias de irregularidades. Cimerman tinha a confiança de Vinícius Pinotti, então diretor de marketing e hoje diretor executivo de futebol.

A presença do ex-gerente no quadro de funcionários era fortemente questionada por conselheiros pelo fato de a Spirit, empresa dele, ser acusada por diversos fornecedores do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014) de calote. O argumento é que o clube não poderia ter contratado alguém com esse histórico e de que a escolha foi imprudente.

Por sua vez, Cimerman alegou em entrevista à “Folha de S.Paulo” em 2016 que o estouro no orçamento a Copa aconteceu por causa de mudanças de última hora que encareceram as cerimônias de abertura e encerramento, responsabilizando o COL pelas dívidas. Afirmou também que o comitê devia a ele R$ 1,8 milhão.

 

Cambista cobra até cerca de 20 vezes mais por ingresso da final do Paulista

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Cambistas pedem até cerca de 20 vezes mais do que o valor de face de ingressos para a partida deste domingo entre Corinthians e Ponte Preta pela final do Campeonato Paulista. É o caso do tíquete do setor sul, pelo qual um dos vendedores pedia durante a semana R$ 800. Com descontos para os sócios-torcedores mais assíduos, o mesmo bilhete custava R$ 40,50.

Neste sábado (6) a presença de cambistas na arena corintiana era pequena. Um deles oferecia ingressos das áreas sul e norte (R$ 32 com descontos) por R$ 600. E o comprador teria que retirar o bilhete com outra pessoa em frente ao Parque São Jorge.

Longe da arena, outro cambista, por telefone, oferecia bilhete do setor oeste superior por R$ 300. Na venda oficial, o mesmo ingresso valia de R$ 40,80 a  R$ 136, de acordo com o desconto.

Na partida de abertura da decisão, em Campinas, a pedida era de R$ 200 pela entrada de visitante, vendida oficialmente por R$ 80.

Vale lembrar que, apesar da falta de cerimônia dos cambistas, a prática é proibida.