Arquivo da categoria: João Havelange

As diferenças entre Havelange e Laor

Leia o post original por Perrone

Nesta terça morreram João Havelange e Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor. Entrevistei pouco o ex-presidente da Fifa, mas muito o ex-mandatário do Santos.

João era de respostas curtas e grossas, exalava mau humor em seus contatos com a imprensa. Luís era capaz levar dez minutos respondendo a uma questão com seu jeito bonachão. Não me lembro de uma só entrevista com ele na qual não tenha ouvido histórias sobre Pelé. Quase sempre atendia ao telefone. Já Havelange era blindado por uma secretária. Certa vez, ela me fez enviar um fax com pedido de entrevista. Semanas depois, recebi pelo correio uma carta com uma educada explicação de que o ex-cartolão da Fifa não falaria.

Laor gostava de falar de como convenceu Neymar a renovar contrato com o Santos. Dizia que seduziu o atacante até com a promessa de arrumar um modelo de passeio da Ferrari emprestado para o jovem em início de carreira pilotar em Interlagos. Rasgava o verbo quando estava irritado com alguém, como fez ao me responder sobre seu relacionamento com Neymar pai.

Havelange foi mais discreto quando arranquei algumas palavras dele durante a Copa da Alemanha, em 2006, e estava incomodado com presidente do Brasil. “Pergunte ao senhor Lula”, disse ele rangendo os dentes sobre se o Mundial de 2014 seria em solo brasileiro.

João pode ser considerado um dos fundadores de um estilo de administrar futebol que sobrevive até hoje, com cartolas que se perpetuam no poder graças aos benefícios dados aos que os elegem, não são transparentes e fazem fortuna.

Laor assumiu a presidência do Santos prometendo ser diferente. Pregou a gestão profissional, se apresentou como o mais promissor protótipo do cartola moderno, mas não promoveu a revolução alardeada. Seu modelo de gerir o clube baseado num comitê de gestão emperrou por conta da demora na tomada de decisões e das divergências entre seus membros. Em maio de 2014, enfrentando uma oposição que queria afastar o presidente, Laor renunciou à presidência do Santos por problemas de saúde. Como parte de seu legado, deixou a polêmica transferência de Neymar, fonte inesgotável de ações na Justiça e investigações. Morreu sem ver como vai terminar essa história. Assim como Havelange partiu sem assistir ao fim do desbotado estilo de cartolagem que é a cara dele. Um jeito que agoniza, mas sobrevive e tem em Marco Polo Del Nero seu principal expoente no Brasil.

Acaba a era Blatter. Infantino é o novo dono do futebol mundial

Leia o post original por Quartarollo

Gianni Infantino foi eleito agora há pouco o novo presidente da Fifa para o quadriênio que vai até 2018, data da próxima Copa do Mundo, na Rússia.

A eleição de Infantino representa a UEFA, de Michel Platini, próximo do ex-presidente Blatter, ambos suspensos por 6 anos por corrupção.

Acaba a era Blatter, que representava João Havelange e tudo de ruim que aconteceu com a Fifa nos últimos anos culminando com a prisão de vários dirigentes por causa da zelosa polícia americana, caso contrário estariam todos soltos, entre eles o brasileiro José Maria Marin que só está preso porque foi surpreendido fora do país porque aqui com mais de 70 anos ninguém vai para a cadeia, por isso o presidente licenciado da CBF, Marco Polo del Nero não sai do Brasil de jeito nenhum.

Ele já tem mais de 70 e está na lista dos investigados do FBI, mas aqui está livre desse aborrecimento. Abaixo de 18 anos e acima de 70, qualquer um ganha imunidade no Brasil.

E nesse meio tempo se tiver bons advogados também jamais verá o sol nascer quadrado, ao contrário, estará desafiando a justiça em praias paradisíacas.

Menos os empreiteiros da Lava Jato, esses pegam cana mesmo. Agora que chegou nos políticos querem mudar as regras, mas acho que não vai dar certo.

Na Fifa, Infantino veio para manter o que está embora falando em mudanças. Vai oferecer mais algumas cabeças, mas o modus operandi não será alterado.

A Fifa é uma casa hermeticamente fechada, que só pensa em lucro e tem o futebol como pano de fundo para os seus negócios.

Se é verdade que com Havelange a Fifa tornou-se uma empresa poderosa e se expandiu como uma ONU esportiva, ao mesmo tempo, se locupletou de todas as formas e deu péssimo exemplos administrativos.

Gianni Infantino é um suiço com sobrenome italiano que lembra os mafiosos dos anos 40, aqueles dos grandes filmes de Hollywood.

Aquela máfia onde a omertá (lei do silêncio, código de honra) valia como lei. “E’ la cosa nostra”.

Va bene, Infantino, Va bene.

Ainda a dúvida: quem corrompia a CBF?

Leia o post original por Antero Greco

Antes do início das partidas deste domingo pelo Campeonato Brasileiro, os jogadores cruzaram os braços, pedindo a renúncia de Marco Polo del Nero do cargo de presidente da CBF. Finalmente os jogadores se manifestaram sobre uma situação que persiste há muito tempo: dirigentes mandam no show que eles apresentam.

Isso é muito bom, significa um passo adiante da turma do Bom Senso Futebol Clube.  Chega de dúvidas e acusações. É hora de tomar atitudes. Ex-presidentes da entidade estão tendo de se explicar. E o atual, licenciado por 150 dias, também entrou na lista dos investigados pela polícia americana.

Se as investigações seguirem em frente, virá também o momento de mais gente dar explicações. Agora, por exemplo, também o quase centenário João Havelange estaria no alvo, segundo informações da BBC, de Londres. E por aí vai.

Mas, se os cartolas nacionais – e muitos estrangeiros – realmente engordaram as contas bancárias com dinheiro de corrupção, vendendo facilidades, em acordos que envolviam competições, publicidade, seleção, há uma pergunta? Se vendiam, quem comprava?

De onde vinham as propinas que corrompiam o futebol, a seleção, exigindo a convocação deste ou daquele jogador? Quem durante anos mandou na CBF?

Será que um dia ainda serão conhecidas as respostas?

Ou todos teremos de ficar só de braços cruzados?

(Com colaboração de Roberto Salim.)

Ditadura militar vigiou amistoso do Santos, e sobrou até para Havelange

Leia o post original por Perrone

Na segunda reportagem sobre arquivos da ditadura militar no Brasil, o blog conta como um amistoso do Santos em Paris, em 1971, foi espionado pelo Dops (Delegacia de Ordem Política e Social).

O caso está registrado em relatório de 9 de junho de 1971 com um título que parece de coluna social: “Notícias da França”. Porém, é um documento rico para a discussão sobre o envolvimento ou não do futebol com o regime militar no Brasil (1964 a 1985).

Informante do Dops em Paris, relatou ao órgão festa numa boate com a presença de membros da delegação do Santos, incluindo o mais famoso de todos, Pelé. O time brasileiro enfrentaria um combinado formado pelas equipes do Saint-Étienne e Olympique de Marseille.

O ambiente na casa noturna de uma mulher identificada como “uma tal Règine” não lembraria os tempos de torturas, atentados e mortes no Brasil, não fosse a presença de revolucionários brasileiros. Eles fizeram panfletagem contra o regime e pediram para que quem fosse ao jogo, ao reverenciar a majestade de Pelé, não se esquecesse das vítimas da ditadura.

O espião (ou os espiões, o relatório não precisa quantos eram os infiltrados do regime militar) ficou especialmente indignado com a passividade que notou em João Havelange, então presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), antigo nome da CBF.

Diz o relato registrado no Dops: “Há pouco, a equipe de futebol do Santos esteve em Paris para uma partida com o combinado “Saint-Étienne-Marseille (fazendo péssima figura por sinal). Lá, muita coisa desagradável aconteceu, principalmente no terreno político-ideológico. E sem nenhuma providência prática, inclusive, do senhor João Havelange que só procurou fazer média com todos porque quer ser presidente da Fifa”.

O que se esperava de Havelange, eleito número 1 da Fifa três anos depois, era uma atitude contra ataques ao regime militar e a figuras como Sérgio Fleury, considerado um dos maiores torturadores do período da ditadura.

Pelé também é citado no informe, mas de maneira jocosa. “… Registrou-se grande agitação de natureza política (aí, Pelé resolveu cantar uma música brasileira e deu esta gafe: apresentou La Paloma)”, diz trecho do documento.

Após a alfinetada no camisa 10, o relato prossegue informando que promoveu-se tumulto contra “a ditadura imperante em nosso pais” e que “mexem até com nosso doutor Fleury”.

A inclusão do nome do delegado em panfleto distribuído durante o evento com a presença dos santistas faz o Dops suspeitar que o autor fosse um brasileiro que havia deixado o país recentemente, Pedro d’Aléssio. A partir daí o relatório lista uma série de nomes e grupos suspeitos de conspirar contra o regime, numa mostra de como a espionagem em volta do amistoso serviu para outras investigações.

Anexada ao relatório, está a versão em português de um manifesto entregue a franceses pelos rebeldes. Com o título “Brasil, campeão do mundo de futebol, campeão do mundo da tortura”, o documento retrata como os movimentos de oposição à ditatura interpretavam a relação entre futebol e o governo militar.

O panfleto começa assim: “O jogo a que vocês vão assistir é um jogo de futebol utilizado para fins políticos de propaganda do governo brasileiro. Por que o governo brasileiro sente a necessidade de fazer jogos de propaganda? Porque o governo brasileiro tem que tentar esconder aquilo que ele faz”.

O manifesto afirma ainda “não nos venham dizer que esporte não se mistura com política. Hoje, dia 31 de março, é o sétimo aniversário, dia por dia, da tomada do poder pela ditadura fascista no Brasil”. E faz o apelo aos torcedores: “Espectadores do jogo Santos x Saint-Étienne/Marseille, ao aplaudir as proezas de Pelé, não esqueçam os milhares de mortos torturados pela ditadura brasileira”. Assinam o panfleto o Socorro Vermelho, a Aliança Marxista Revolucionariana, Os Amigos da Causa do Povo e a Liga Comunista.

O relato do Dops não traz detalhes sobre a partida, nem o resultado. De acordo com a imprensa na época, o jogo terminou sem gols, com vitória francesa na disputa de pênaltis, no dia 31 de março de 1971. E o pontapé inicial foi dado pela deslumbrante atriz Brigitte Bardot.

Ocaso*

Leia o post original por Antero Greco

João Havelange foi cartola poderoso, primeiro no esporte brasileiro, depois no futebol mundial. Reinou na antiga CBD (predecessora da CBF) e, por mais de duas décadas, deu as cartas na Fifa, com tanta autoridade quanto à de primeiros-ministros, presidentes, imperadores, reis, xeques, ditadores que visitou naquele período.

Sempre com ar altivo e autoridade incontestável para seus pares (para entrevistá-lo, exigia que o repórter se apresentasse de terno e gravata), se gabava de ter transformado em potência uma entidade modesta que assumira em 1974. Orgulhava-se, em sua fase de poder total, de a Fifa ter mais associados do que a ONU. Sempre se viu como estadista.

Agora, com 96 anos, débil e para fugir de execração internacional, por envolvimento em escândalo financeiro, preferiu a humilhação de renunciar ao cargo de presidente de honra da Fifa. Assim, foge de processo e da expulsão. Antes havia perdido posto efetivo no Comitê Olímpico Internacional, pelos mesmos motivos.

Havelange colheu o que semeou – e por caminho idêntico trafegam seu apadrinhado e ex-genro, agora recluso nos EUA, além do velho parceiro Nicolás Leoz, que parecia eterno no comando da Confederação Sul-Americana de Futebol.

Fica a pergunta: serão mantidas as homenagens a Havelange, com os nomes nos estádios Engenhão e Parque dos Sabiás, em Uberlândia?

*(Trecho, ampliado, de minha crônica no Estado de hoje, 1/5/2013.)

 

Julgamento de Havelange gera movimento para Teixeira perder título de patrono da CBF

Leia o post original por Perrone

Se João Havelange pode perder o cargo de presidente de honra da Fifa, Ricardo Teixeira também deveria ter o seu posto de patrono da CBF colocado em xeque. Esse é o argumento de desafetos do ex-presidente da Confederação Brasileira para extinguir o título honorário.

Na Fifa, Joseph Blatter se pronunciou favoravelmente a destituição de Havelange e criou uma espécie de julgamento para decidir o caso. Como Teixeira está envolvido na mesma acusação de suborno, seus desafetos querem que a CBF faça uma assembleia para decidir se ele deve ter seu nome riscado da entidade.

José Maria Marin, no entanto, já foi pressionado antes para ir contra Texieira e resistiu. Afirmou que seu antecessor continuará recebendo salário da entidade como consultor.

O fato de RT e JH terem feito um acordo com a Justiça suíça para evitar condenação por suborno não mudou a admiração que Marin tem pela dupla. Os dois foram acusados de receberem juntos mais de R$ 45 milhões em propinas da empresa ISL.

O ex-presidente virou patrono da CBF por iniciativa de Marin, que sugeriu a honraria em assembleia da entidade. Ninguém levantou a voz contra.

Com pouco poder político para tirar o título de Teixeira, a estratégia de seus detratores é alimentar o movimento sem aparecer até que ele ganhe corpo e deixe a cúpula da CBF no mínimo constrangida.

Pedido de Blatter contra Havelange deixa Del Nero em saia justa

Leia o post original por Perrone

Como membro do Comitê Executivo da Fifa, Marco Paulo Del Nero terá de se posicionar sobre a destituição de João Havelange do cargo de presidente de honra da federação internacional. Está numa saia justa.

Se votar pela permanência do brasileiro, o novo homem forte da CBF irá contra Joseph Blatter. O presidente da Fifa quer a saída de Havelange por conta da revelação feita pela Justiça suíça de que ele e Ricardo Teixeira fizeram acordo para não serem condenados por aceitarem propinas em contratos envolvendo a Fifa.

Segundo Blatter, a decisão sobre afastar Havelange será tomada no próximo congresso da entidade, com a participação do Comitê Executivo.

Del Nero foi indicado para o Comitê com a bênção de Teixeira, apesar de oficialmente o ex-presidente da CBF não ter a ver com a indicação de seu substituto no cargo. Porém, nos bastidores, Del Nero, vice da confederação Brasileira, e RT  ainda estão alinhados. Tanto que Teixera segue recebendo da entidade, como consultor.

Se for favorável à exclusão de Havelange, Del Nero, além de ir contra o ex-sogro de Teixeira, estará nas entrelinhas reconhecendo a culpa do ex-presidente da CBF no episódio. E indicando que ele mereceria o mesmo castigo, se não tivesse saído da Fifa.