Arquivo da categoria: josé mourinho

Tite tinha razão. Nem o Corinthians venceria o Barcelona

Leia o post original por Quartarollo

Poucos dias antes de entrar de férias fiz uma longa entrevista com Tite, técnico campeão brasileiro e o melhor do país no momento, e vários assuntos importantes vieram à tona.

Foi na verdade uma ótima conversa de duas pessoas que já se conhecem há um bom tempo.

Para mim Tite sempre foi um treinador muito à frente do seu tempo, sempre quis saber e estudar mais, metido a perfeccionista no bom sentido, hoje já mais rodado dá mais sentido a tudo que aprendeu.

Por isso quando falam do ano sabático de Tite para estudar na Europa, eu sempre dou risada. Ele se aperfeiçoou mais, é claro, mas ele já era bom muito antes disso.

Desde os tempos idos do Grêmio que talvez tenha sido o último Grêmio que jogou com triangulações e com bola no chão.

Os demais foram mais força que técnica e talvez agora com um dos seus pupilos, Roger Machado, que era seu lateral e depois virou zagueiro, volte a jogar como na época de Tite.

Lembrei dessa bate-papo gostoso com Tite justamente hoje ao ver em campo o Barcelona mais uma vez massacrar um time sul-americano na final do Mundial.

Não deu para o River Plate, campeão da América e pela conquista considerado o melhor desse lado do planeta, ou pelo menos, o seu digno representante.

Tite disse nessa entrevista que se fosse o Barcelona ao invés do Chelsea o adversário da final do Mundial, em 2012, o Corinthians não seria campeão.

A diferença era e é muito grande, segundo o treinador corintiano, que justificou que nesse tipo de enfrentamento não perguntamos mais qual time vai ganhar, mas sim de quanto a equipe sul-americana vai perder?

É triste, mas hoje mais uma vez com os 3 x 0 do Barça a tese se confirmou.

A pergunta é: E como mudar isso? Acho que vai demorar um bom tempo para mudar, se mudar.

Os clubes europeus têm muito dinheiro à disposição. Barcelona, Real Madrid, Bayern e PSG, só para ficar nos quatro mais badalados do momento, são seleções internacionais.

Contratam grandes jogadores de todos os cantos do mundo e vivem fazendo negócio que fariam vergonha para o PIB de vários países do mundo.

Só transam milhões de euros. São equipes bilionárias e que desequilibram a balança ferozmente a seu favor.

O Campeonato Espanhol mostra isso claramente todo fim de semana. Hoje enquanto o Barcelona chacoalhava o River na final do Mundial, o Real Madrid batia dava de dez no Rayo Vallecano, time tradicional, mas cada vez menor no concerto do futebol espanhol.

Lá também os menos favorecidos começam a sofrer. O que destoa é o rico Chelsea que demitiu finalmente o onipotente José Mourinho e corre risco de rebaixamento no Inglês onde o Leicester é líder destacado e ninguém consegue explicar porque.

Na Alemanha sobra dinheiro para o Bayern que lidera com grande folga o Campeonato e mesmo assim vai trocar de treinador.

Guardiola vai embora depois de ganhar tudo, menos a Liga dos Campeões, e chega o ótimo Ancelotti, até outro dia técnico do Real Madrid que pode apostar novamente em José Mourinho para a próxima temporada.

E tudo isso acontece envolvendo um dinheiro impensável para os padrões sul-americanos. Diante desta situação, resta pouco a fazer.

Os bons jogadores que aparecem por aqui irão rapidinho para a Europa para reforçar as endinheiradas equipes que até por isso continuarão na ponta e os mais pobres continuarão cada vez mais pobres pois vendem as pedras brutas, elas valem cem vezes mais depois de lapidadas e quem ganha é o atravessador e o vendedor final.

Se não fizerem nada para impedir esse tipo de comércio dos chamados pés de obra, a distância ficará cada vez maior, cada vez mais inalcançável.

Quem ganha são os agentes, os empresários, alguns dirigentes inescrupulosos e os clubes europeus, principalmente os de ponta, e nós vamos continuar vendo tudo pela televisão e torcendo por uma grande zebra.

Mourinho com tempo livre para ser papai Noel

Leia o post original por Antero Greco

Quando se manda técnico embora, aqui no Brasil, logo vem a comparação com a Europa. Porque na Europa não é assim, porque na Europa treinador tem estabilidade, porque na Europa conta o projeto e não só os resultados. Porque na Europa isso, na Europa aquilo.

Pois bem, o Chelsea anunciou nesta quinta-feira que José Mourinho está livre para buscar novos desafios no mercado, ou seja, levou um chega pra lá, foi demitido. E por quê? Porque o time não engrena na atual temporada e, em 16 rodadas, ganhou 4 jogos, empatou três e perdeu nove. Está no fundo da tabela da Premier League.

Quer dizer, tanto lá como cá, o “professor” é gênio enquanto a equipe vai bem. Se vacilar, fica prestigiado; se continuar a frustrar, é dispensado e dá lugar a outro. Sem choro nem vela. E, no caso do Mourinho, tem uma agravante: ele conquistou o último título inglês. Em sete meses, passou de bestial para besta, para usar um trocadilho antigo.

Mourinho sai cheio da grana – a rescisão pode lhe render até R$ 58 milhões. Graninha suficiente para uma boa ceia de Natal, por uns 200 anos… Mas resta a mancha no currículo de um personagem controvertido, posudo, metido, autossuficiente… Enjoado que só.

Ele gosta de referir-se a si próprio como o “Special One” – em tradução livre, O Único – e costuma ser irônico, sarcástico no contato com a imprensa. Dá entrevistas com um pouco caso também único. No entanto, é igual aos outros: tem qualidades e defeitos como todo ser humano. É de fato bom no que faz. Mas, por presunção, também demora a enxergar erros.

Foi isso que o empurrou para a porta de saída do Chelsea. Por considerar-se infalível, acima do bem e do mal, não notou que o trabalho emperrou, que houve cisão no grupo, que as instruções dele não eram recebidas mais como orientações divinas.

Consequência disso? As derrapadas se acumularam, a torcida pegou no pé e os dirigentes se encheram. E cartola, amigo querido, é igual no mundo todo. Dão tapinhas nas costas na boa fase e um pé no traseiro quando a maré vira.

O Special One pode fazer um bico de Papai Noel no Natal.

Mourinho pode acabar em time que desdenhou

Leia o post original por Quartarollo

José Mourinho nunca perdeu tanto na sua vida. Aquele que se considera o melhor técnico do Mundo segundo sua própria avaliação, está perdidinho da vida no Chelsea e flerta com a zona de rebaixamento na liga inglesa.

Mourinho que sempre se colocou no lugar mais alto do pedestal e sempre provocou polêmicas com seus comentários ácidos, é um dos técnicos mais sujos do futebol mundial.

Embora tenha mesmo uma carreira vencedora desde que ganhou a Liga com o Porto, de Portugal, um feito e tanto para o futebol europeu.

Mourinho brigou com Eva Carneiro, médica do Chelsea no início da temporada, porque ela retirou do gramado Hazard que se queixava de dores quando faltava pouco para terminar o jogo que o time empatou (2 x 2) com o pequeno Swansea. O detalhe é que o time já tinha um jogador a menos por expulsão.

O técnico não gostou e xingou a médica de vários nomes feios. A televisão fez leitura labial, a médica se desentendeu com Mourinho, foi demitida e agora processa o Chelsea e o treinador.

Ele disse que Eva não entende nada de futebol indicando que ela atrapalhou o time ao se preocupar apenas com atendimento ao jogador e não com o placar da partida.

Cada um na sua. Eva fez o que um médico deveria fazer e Mourinho saiu do banco extrapolando todos os limites do razoável.

Agora está pendurado no Chelsea e pode ser demitido a qualquer momento, o que por si só já seria inédito para o Deus-Mourinho, uma vez que quase nunca se demite técnico no meio da disputa da Liga Inglesa.

Seria uma séria derrota para a sua vitoriosa carreira. Só Felipão conseguiu algo igual.

Os jogadores comentam intra-muros que já não aguentam mais Mourinho, segundo a imprensa britânica.

Mourinho também gosta de arrumar confusão com o técnico do Arsenal, Arséne Wenger, por este estar há anos no cargo, é quase vitalício, sem ganhar nenhum título importante há muito tempo e sempre muito respeitado pela imprensa e torcedores.

Ele é o técnico que só vê resultado. Chegou a brigar com treinadores, com arbitragem e chutar adversário que caiu perto do seu banco.

Mourinho é assim. Quando não consegue um bom resultado a culpa é sempre dos outros. Ele escolhe alguém para se defender atacando. Já criticou vários jogadores do atual elenco do Chelsea.

Quando o time ganha, a vitória é todinha dele e daí aproveita e defeca um monte de regras como dono da verdade que pretende ser.

Mas a vida sempre dá algumas voltas. Quando o colombiano Falcão Garcia optou por jogar no Mônaco em detrimento do Chelsea, José Mourinho deu uma declaração que agora pode se virar contra ele.

“Tenho um time, mas não tenho um goleador. Falcao é um goleador, mas não tem time. Um jogador como ele não pode jogar apenas com três mil pessoas nas arquibancadas. O Mônaco é um clube para terminar a carreira”, disse o ranzinza Mou na ocasião.

Pois é, o Mônaco é o único clube que estaria disposto a suportar a má educação e o mau humor do treinador.

Pagaria até uma multa ao Chelsea se fosse o caso. Será o fim de carreira do “melhor técnico do mundo” como ele preconizou na época da escolha de Falcão Garcia?

A ironia é que Garcia agora está no Chelsea, mas nunca mais jogou seu brilhante futebol de antes da Copa do Mundo-2014.

Será que o feitiço se virou contra o feiticeiro? Ainda não sabemos, mas que o atual futebol do time de Mourinho não serve nem para ser visto por três mil pessoas, disso eu tenho certeza.

É, cuidado com o que dizes. Somos reféns do que pregamos e do que desejamos.

Equilíbrio e força merengue

Leia o post original por Neto

Artilheiro, Cristiano Ronaldo comemora seu gol contra alemães do Schalke

Artilheiro, Cristiano Ronaldo comemora seu gol contra alemães do Schalke

Não dá pra questionar a capacidade profissional de um técnico como o português José Mourinho. O cara dirigiu algumas das equipes mais poderosas do planeta. Conquistou praticamente tudo o que estava ao seu alcance. Mas é fato que nas três temporadas que esteve no comando do Real Madrid ele não conseguiu encontrar o equilíbrio tático que agora o time tem com italiano Carlo Ancelotti. Impressionante como defensivamente tudo está diferente. E olha que basicamente são os mesmos jogadores. Hoje os merengues conseguem vencer campeonatos importantes até com o fanfarrão do Pepe no miolo de zaga. É mole?

Na época do Mourinho tudo ia bem até as fases finais dos torneios, quando alguma coisa saia errada. É só ver que ele conquistou em Madrid apenas um título da Liga e uma Copa do Rey. Muito pouco pelo investimento que é feito por lá. Vale lembrar também que ofensivamente o Ancelotti teve os reforços do galês Bale e do alemão Kroos que são dois monstros jogando bola. E não preciso nem falar do Cristiano Ronaldo, né? Aí é chover no molhado. Êita português bom de bola! O cara tem mais gols que jogos pelo clube. Tá louco!

Acho o Bayern e Barcelona duas grandes equipes. O trio ofensivo dos catalães está empolgando todo mundo na Europa. Mas meu favorito pra ficar com o título é novamente o Real Madrid. Acompanhei os detalhes do duelo das oitavas contra o Schalke 04 e apesar de não ter ocorrido uma goleada como na temporada passada dá pra ver um futebol consistente e vitorioso.

Essa é minha aposta na Liga. E a sua?

Ainda existe clima para Felipão na Seleção Brasileira? Qual treinador você gostaria de ver no cargo mais importante do futebol???

Leia o post original por Milton Neves

scolari

Depois da eliminação, começa a caçada pelos culpados.

E o cargo de Luiz Felipe Scolari fica exposto.

Ainda no comando da Seleção Brasileira, Felipão já deve saber seu destino.

O sete a um é impossível de apagar.

Se Felipão cair, quem deve assumir seu lugar?

– Tite;

– Muricy Ramalho;

– Mano Menezes;

– Cuca;

– Wagner Mancini;

– Vanderlei Luxemburgo;

– Emerson Leão;

– Abel Braga;

– Dunga;

– Gallo;

– Marcelo Oliveira;

– Oswaldo de Oliveira;

– Tata Martino;

– Jürgen Klopp;

– Jürgen Klissmann;

– Jorge Luis Pinto;

– Simeone;

– José Mourinho;

– Pep Guardiola;

– Louis Van Gaal;

Lembra mais algum nome bom para o cargo?

OPINE!!!

Oscar reclama da pressão por Willian na Seleção. Devia reclamar com Mourinho

Leia o post original por Quartarollo

Willian ganha espaço na Seleção e pode ganhar vaga como titular no lugar de Oscar. O ex-sãopaulino está abaixo do que pode e como autoafirmação repete que está em grande momento e que essa é a sua Copa. Não é … Continuar lendo

CBF rica, clubes pobres*

Leia o post original por Antero Greco

A reportagem que abre o noticiário da seção de Esportes retrata o nosso futebol, e sintetiza um pouco, também, o que ainda é o País. O repórter Almir Leite relata o aumento fabuloso de arrecadação da CBF, sobretudo com a seleção, há muito a galinha de ovos de ouro. Joia rara vendida a bom dinheiro para comerciantes e plateias estrangeiras, e pouco acessível ao público doméstico, por não render.

Os defensores da CBF – e os há, acredite, caro amigo – podem alegar que qualquer entidade privada busca o lucro para sobreviver e expandir-se. Muito justo. Não vejo o dinheiro como algo sujo ou símbolo do Coisa-ruim. O meu, o seu, o da maioria das pessoas, vem da honrada dedicação ao trabalho, e com ele tocamos a vida.

A entidade instalada na Barra, em belo prédio erguido pelo ex que se escafedeu e vive no exílio, tem uma particularidade: administra um dos bens culturais mais caros da nação. O futebol não é febre passageira por aqui, não chama a atenção por acontecimento extraordinário e depois some. Não é sucesso de verão nem um case de publicidade.

O joguinho de bola pode ter sido inventado pelos ingleses – há controvérsias, mas deixa eles viverem na ilusão -, porém encontrou requinte por aqui. Nesta região do Atlântico surgiram os maiores astros, os craques, os semideuses – e incluo argentinos e uruguaios, por questão de justiça e obviedade.

Não preciso repetir que o futebol está no sangue do brasileiro e outras constatações seculares e consolidadas. Isso tudo pra dizer que, mais importante do que seleção, são os clubes, e para o bem-estar deles que deveriam existir Federações e CBF. Essas entidades têm obrigação de servir às agremiações e jamais de servir-se delas.

Mas aqui é o que ocorre. Vemos a CBF enricar, a troco de quê? O que fará com o dinheiro? De que adianta forrar cofres e termos times com pires na mão? Ah, observarão seguidores de Marins e Del Neros, destina parte dos recursos em ajuda a entidades locais e banca despesas de equipes de Séries C e D. Pouco, e não mais do que obrigação.

A CBF deveria ter como prioridade a organização de competições rentáveis, ou ocupar-se em encontrar recursos para os clubes. Estimular, enfim, o fortalecimento da base, e não usá-la só como massa de manobra política. A saída seria uma Liga independente. Mas é outra história, e quem tem coragem?

Somo todos… A luta contra segregação racial e preconceitos generalizados deve ser incansável e terminar só no dia em que não houver mais ninguém a sofrer humilhação por origem, padrão econômico, classe social, cor da pele, credo religioso, orientação sexual. A campanha desencadeada por Neymar repercute com furor e, espero, não se limite outro modismo, como tantos, consumidos com voracidade em tempos em que novidades duram enquanto houver curtidas nos fêices e tuítes…

Jogador, agência de publicidade que bolou o slogan, astro televisivo/empresário que lançou camiseta com a banana garantem que tudo foi feito sem interesse de promoção pessoal, institucional ou financeira. A intenção foi escancarar assunto que incomoda e envergonha.

Acreditemos. E torçamos para que tanta gente que fez barulho com o movimento não vire a cara para injustiças que trombam conosco no dia a dia. Não olhe para negros como suspeitos por definição, não veja pobres como vagabundos, não classifique gays como doentes ou pervertidos, não enxergue o migrante como inimigo, não enxote o refugiado como uma chaga, não satanize quem segue outra religião – para ficar em alguns exemplos. Pratique o slogan “somos todos humanos”.

Covardia punida. José Mourinho apostou na tática da retranca desavergonhada do Chelsea, no primeiro jogo com o Atlético de Madrid, alegrou-se com o 0 a 0, fez pouco dos “filósofos do futebol” e o time dele está fora da final da Champions. Arrogantes às vezes caem da mula e dão com o rosto no murinho.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, dia 2/5/2014.)

Atlético vira em cima do Chelsea e Espanha ganha a Liga dos Campeões. Madrid é a capital mundial do futebol, mas a decisão será em Lisboa

Leia o post original por Quartarollo

Atlético de Madrid passeou em Londres. Tomou gol de Fernando Torres e virou para 3 x 1 se classificando para a grande final da Liga dos Campeões que será dia 24, em Lisboa, no estádio da Luz. O Chelsea lotou … Continuar lendo

Zero de emoção*

Leia o post original por Antero Greco

Caro amigo, sei que você tem pressa ao ler o jornal no café ou ao chegar ao escritório, e vou direto ao ponto: foi feio de doer o jogo que Atlético de Madrid e Chelsea fizeram ontem pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Em 99 minutos, aí computados os acréscimos do árbitro, as duas equipes acertaram meia dúzia de chutes no alvo, também conhecido como gol, e não passaram do 0 a 0. Empate enfadonho, arrastado, enjoado.

Em palavras simples, o encontro entre os times espanhol e inglês foi um bate-rebate incessante. De um lado, o Atlético – que alguns aqui agora chamam de “Atleti”, intimidade que desconhecia – a martelar com uma infinidade de chuveirinhos. De outro, o Chelsea a defender-se no sistema que, na várzea do Bom Retiro, seria definido como 9-0-1. Ou seja, retranca brava, ferrolho danado, e uma descida ao ataque só se fosse extremamente necessária, e olhe lá. Fim do resumo.

Há quem pesque argúcia, perspicácia, autocontrole, requinte estratégico nessa postura definida por José Mourinho, sujeito sempre de cara feia, de quem vê o mundo por cima, com tédio. Não é por acaso que se autointitula “The Special One”. Na ótica pragmática, o treinador português exibiu repertório genial ao criar dois paredões inexpugnáveis na retaguarda. Era o que desejava e agora vai decidir em casa.

Defender-se faz parte do futebol, empate está previsto no regulamento, o confronto tem 180 minutos, pra ficar numa fileira de lugares-comuns. Fechar-se é recurso tão velho e válido quanto o esporte. O próprio Mourinho se deu bem na Internazionale campeã europeia de 2010, e o Chelsea conquistou a Champions de 2012 com a mesma alternativa, contra o Bayern.

Muito bem, acontece, e daí?

Daí que não ameniza o jogo maçante do clube londrino. Futebol não é xadrez – belíssimo e cerebral -, mas explosão, toque de bola, lançamentos, troca de passes. Gol. E, quanto mais qualificado o conjunto, tanto maior a obrigação de atuar bem, de justificar a fama, de ter coragem. Com diversos nomes de peso, jogadores caros e de variadas seleções, quantos dribles deu o Chelsea? Quantos lances emocionantes criou? Que suspiros arrancou da plateia? Raros, perto de zero. O mesmo vale para o Atlético, incensado nos últimos tempos pela ousadia, porém que se mostrou acanhado e sem criatividade diante de rival fechadinho.

Certamente há quem discorde do que escrevo, e ainda bem que seja assim. A divergência de opiniões anima a vida e a unanimidade seria tediosa. Mas não tem como suavizar: jogo feio é jogo feio, aqui, na Espanha, na China. Retranca, igualmente. Pode ser definida com algum termo em inglês, pra ficar chique, nem assim se torna bela. Cresci com a certeza de que o gol é tudo no futebol, não penduricalho acessório. Não será nesta fase da vida que mudarei, só para mostrar-me sofisticado e moderninho.

Sem pegar no pé do Mourinho, e sem perder a oportunidade da cutucada: o que ele fez em Madri foi muito diferente do que criticamos em técnicos patrícios, como Joel Santana, Celso Roth, Mano, Tite, Muricy, Felipão e tantos outros? Digo que não. A diferença está no fato de ele ser europeu, de comandar um elenco milionário, de participar de uma competição atraente. A sovinice criativa de ontem foi a mesma que corneteamos quando são preferidas pelos professores de cá.

Minha esperança foi transferida para hoje, para Real Madrid x Bayern. Tomara não decepcionem.

Vai ou fica? Inacreditável como o Palmeiras não tem sossego. Alan Kardec é artilheiro da equipe, das escassas esperanças de gol, e há ameaça de pular o muro (São Paulo) ou ir para outro Parque (o São Jorge) por diferença salarial. Só falta virar um novo caso Barcos. Vixe!

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quarta-feira, dia 23/4/2014.)

Mourinho torce o nariz para Neymar e Balotelli

Leia o post original por Antero Greco

José Mourinho é o tipo do sujeito que considera Deus um ser criado à sua imagem e semelhança. Com imperfeições, é evidente. Ele não se vê além de uma criatura extraordinária, singular, única, cuja missão na terra é ensinar, iluminar os outros com sua luz. Não é à toa que se derrete quando o chamam (ou ele mesmo o faz) de Special One.

As falhas humanas o aborrecem, entendiam, tiram-lhe o humor. Na verdade, a vida parece incomodá-lo, talvez pelo fato de estar rodeado apenas por reles mortais vulgares. Mesmo os pobres coitados que se vê obrigado a comandar nessa atividade inútil chamada futebol.

Pois Mourinho, agora, inicia campanha pelo fim da simulação no futebol. Não quer mais ninguém a catimbar em campo. Já escolheu até dois alvos para dirigir a ira santa: Neymar e Balotelli. O brasileiro e o italiano são, na avaliação dele, dois exemplos negativos de como induzir arbitragem e rivais ao erro. A dupla exagera nas quedas espetaculares, provoca advertências ou pênaltis – e isso não é bom, no entendimento do treinador do Chelsea.

Mourinho, o Dom Quixote do jogo limpo, torce o nariz para esses moleques atrevidos, que dão dribles como poucos, têm o dom de desestabilizar defesas e, acima de tudo, fazem gols. Boa coisa, de fato, não são. Como não é flor que se cheire Cristiano Ronaldo, aquele conterrâneo dele metido a estufar as redes a torto e a direito. Não é por acaso que viveram às turras no Real Madrid.

Para Mourinho, pelo jeito, bom é Pepe, o zagueiro que bate até na sombra. Esse, sim, tem fairplay e conquistou-lhe a confiança. Vá catar coquinho, Mourinho!