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Quadros de Lula e homenagem a Emílio Odebrecht viram alvos no Corinthians

Leia o post original por Perrone

Quadro no Parque São Jorge com caricatura de Lula e outros corintianos famosos Foto: Arquivo pessoal de Ricardo Buonomo

Reflexos da Operação Lava Jato chacoalharam reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians na última terça (11). Três requerimentos foram apresentados por conselheiros pedindo medidas em relação a personagens envolvidos na investigação.

Os pedidos são para a retirada de dois quadros do clube com caricaturas do ex-presidente Lula, cancelamento de título de sócio benemérito dado a Emilio Odebrecht, patriarca da construtora protagonista do escândalo de corrupção, e afastamento do deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) da diretoria corintiana.

A iniciativa contra os desenhos em homenagem a Lula foi do conselheiro Ricardo Buonomo. As peças estão no ginásio principal do alvinegro e numa lanchonete da sede corintiana.

“Haja visto que os mesmos (quadros) denigrem a imagem do clube, pois é fato que diversos torcedores rivais comparecem em nosso clube para assistirem a jogos no ginásio, além de outros eventos nas dependências do clube, sendo que muitos já tiraram fotos e fizeram vídeos dos aludidos quadros, postaram nas redes sociais e divulgaram em grupos de WhatsApp com os seguintes dizeres: ‘o ídolo deles é um presidiário’, ‘ganharam a arena do Lula, tem que colocar no quadro mesmo’. Esses são alguns exemplos das mais diversas piadas que acabam circulando, denegrindo a imagem do Corinthians”, escreveu Buonomo no documento.

Em outro trecho ele diz ser salutar para o alvinegro demonstrar não ter vínculos com o ex-presdidente preso em Curitiba. O conselheiro também afirmou que foi procurado por sócios pedindo o sumiço das caricaturas.

“Desta maneira, acredito no bom senso do presidente Andrés Navarro Sanchez para que providencie a imediata retirada dos quadros em questão”, diz a parte final do requerimento.

Ao blog, Buonomo afirmou que, se os quadros não forem retirados, ele vai pedir para que a medida seja votada pelos conselheiros durante nova reunião do órgão. O pedido foi endereçado a Sanchez e ao presidente do conselho alvinegro, o deputado Antônio Goulart dos Reis, colega do presidente corintiano como deputado federal.

Homenagem contestada

O disparo na direção de Emílio Odebrecht partiu do conselheiro Romeu Tuma Júnior, ex-candidato à presidência do Corinthians. Ele alega que o empresário não preenchia requisitos previstos no artigo 29 do regimento interno do Conselho Deliberativo para poder ganhar o título de associado benemérito em 2013. O empenho dele na construção do estádio corintiano por meio da empresa de sua família foi um dos motivadores da honraria.

Ser sócio por 20 anos seguidos e conselheiro por dois mandados são as exigências que Tuma alega não terem sido cumpridas. Além da questão técnica, o pedido se refere a fatos ligados a Lava Jato e envolvendo Emílio.

“Não é admissível manter um preso, réu confesso e delator do maior esquema de corrupção da história do Brasil como sócio intitulado benemérito”, afirma o conselheiro em parte do documento.

Tuma pediu para que seu pedido fosse votado já na reunião da última terça, mas Goulart respondeu que o caso só será debatido na próxima sessão do órgão, em fevereiro.

Afastamento

Um dia antes da reunião do conselho, o blog revelou movimentação de membros do órgão para pedir o afastamento temporário de Vicente Cândido, ex-dirigente da CBF e atualmente diretor de relações institucionais e internacionais do clube.

Na sessão, o conselheiro Carlos Eduardo Garcia de Miguel apresentou requerimento pedindo que o dirigente fique afastado de seu cargo até ser concluída investigação iniciada após delações que o envolveram na Lava Jato.

Delatores ligados a Odebrecht afirmam que ele recebeu, por meio de caixa 2, R$ 50 mil da construtora para sua campanha a deputado em 2010. A empresa teria interesse na ajuda dele em questões envolvendo financiamento relativo a fundos para a construção da Arena Corinthians.

Cândido nega ter cometido irregularidades. Por meio de sua assessoria de imprensa, antes de o pedido ser protocolado no conselho, o deputado e dirigente afirmou conhecer o assunto, mas considerar o tema irrelevante.

“Ainda que ele não seja culpado, essa situação denigre a imagem do clube. É um diretor que precisa se relacionar com outras instituições. Ele mesmo poderia pedir para se afastar enquanto as investigações são feitas. Falei no conselho: ‘as empresas que têm departamento de compliance não vão querer negociar camarote, naming rights e patrocínio com quem tem um diretor nessa situação”, declarou Miguel ao blog.

O tema também não foi colocado em pauta e deve ser discutido no encontro de fevereiro. Procurado, Goulart não atendeu aos telefonemas e nem respondeu às mensagens de texto.

 

Delações na Lava Jato deixam diretor do Corinthians sob pressão

Leia o post original por Perrone

Tema espinhoso no Parque São Jorge, a operação Lava Jato coloca neste momento o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) sob pressão no Corinthians. O UOL apurou que conselheiros oposicionistas se articulam para exigir o afastamento dele do cargo de diretor de relações institucionais e internacionais. Isso pelo menos até ser concluída investigação sobre afirmações feitas por delatores ligados à Odebrecht.

Cândido é acusado de ter recebido da construtora, por meio de caixa 2, doação de R$ 50 mil para sua campanha a deputado federal. A empresa teria interesse na ajuda dele em questões relativas ao financiamento para a construção da Arena Corinthians. O político nega ter cometido irregularidades.

Entre os que querem o afastamento de Cândido estão ex-apoiadores de Andrés Sanchez, presidente corintiano e responsável pela nomeação de seu colega de partido para a vaga na direção.

Os descontentes pregam a moralização no Corinthians. Eles afirmam que Cândido não pode representar o alvinegro enquanto o caso não for esclarecido. Alegam também que o fato de as denúncias envolverem o estádio corintiano, ponto sensível na agremiação, agravam a situação.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor e deputado afirmou conhecer o assunto mas o considerar irrelevante.

As declarações constam do inquérito registrado no STF (Supremo Tribunal Federal) sob o número 4448.  Em setembro, o órgão decidiu enviar o caso para uma vara federal de São Paulo já que os atos teriam sido praticados antes do início do mandato de Cândido como deputado. A investigação trata de supostas práticas de corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.

De acordo com o inquérito, Cândido, ex-dirigente da CBF, foi citado em depoimentos dos executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa Silva Júnior.

Os autos registram que Alexandrino declarou que, por já conhecer Cândido e saber de sua ligação com o futebol, o procurou em 2010 para tratar de assuntos relativos ao projeto de financiamento para a construção da Arena Corinthians. Na ocasião, o petista ainda não era diretor do clube.

O delator disse que recebeu pedido do político de doação para a sua campanha a deputado.

“Vicente Cândido nos ajudou bastante a buscar uma solução para a questão do financiamento do estádio pela prefeitura de São Paulo, tendo inclusive ido falar pessoalmente com o prefeito Fernando Haddad em nosso favor”, aponta outro trecho do relato sobre o depoimento de Alexandrino.

Por sua vez, Benedicto afirmou às autoridades que autorizou a doação de R$ 50 mil para o petista, por meio de caixa 2, sob o argumento de “disposição para defender os interesses da companhia”.

Conforme dados da investigação, Paschoal teria ficado encarregado do repasse em duas parcelas de R$ 25 mil nos dias 2 e 30 de setembro de 2010.

Em seu depoimento, o responsável pela alegada doação afirma que Cândido chegou a reclamar do valor e pediu uma quantia maior.

Ouvido na sede da Polícia Federal em Brasília, em 31 de maio do ano passado, o agora dirigente corintiano declarou que antes das eleições de 2010 Alexandrino o informou que ele estava entre os candidatos para os quais a Odebrecht pretendia fazer doações. E que na ocasião respondeu que não aceita contribuições por meio de caixa 2, exigindo eventual repasse de forma legal. Afirmou que as demais tratativas foram conduzidas pelo tesoureiro de sua campanha.

Segundo o relato, a construtora ficou de doar R$ 50 mil por meio de uma das empresas do grupo econômico da Odebrecht, mas o petista não se recorda se a doação foi feita. Alega que não consegue identificar se nas doações repassadas por meio de seu partido está alguma quantia originária de empresa ligada à Odebrecht. E que na sua prestação de contas não identificou doadoras vinculadas à construtora.

Cândido disse ainda que não recebeu pedido para compensar a doação. Ele também afirmou que nunca tratou com os prefeitos Gilberto Kassab e Haddad sobre o financiamento relativo à Arena Corinthians.

O deputado ressaltou que sempre defendeu o Morumbi como palco de abertura da Copa do Mundo de 2014, tendo organizado um seminário com esse objetivo. Assim, segundo ele, não faria sentido atuar em favor do estádio alvinegro.

Cândido registrou que assistiu aos vídeos com os depoimentos dos delatores e que não viu indicação de que houve contrapartida pela doação eleitoral. Por fim, repudiou “veementemente” acusação do Ministério Público Federal (MPF) sobre prática de corrupção ativa e passiva.

Os delatores forneceram planilhas com codinomes de políticos que teriam recebido doações. Segundo eles, o recebedor de verbas apelidado de Palmas é Cândido.

Andrés Sanchez, que como presidente corintiano tem poder para afastar da diretoria seu colega no PT, é apontado no material produzido pelo MPF como apelidado pelos executivos de “Timão”.

Lista que faz parte da investigação indica Sanchez como suposto destinatário de pelo menos R$ 2 milhões (dois repasses de R$ 500 mil e dois de R$ 1 milhão) da Odebrecht por meio de caixa 2 para sua campanha a deputado em 2014.

André Luiz de Oliveira, atualmente diretor administrativo do Corinthians, é indicado pela acusação como intermediário responsável por receber o dinheiro. Em 2016, Oliveira chegou a ser alvo de condução coercitiva em uma das fases da Lava Jato.

Andrés e André negam terem praticado irregularidades. À “Folha de S. Paulo”, o presidente corintiano sustentou no ano passado que não recebeu recursos  da construtora para sua campanha.

 

Bom final de semana!

Leia o post original por Rica Perrone

Caro amigo brasileiro honesto,

Hoje é sexta-feira e eu sei como você se sente porque honesto também sou.  Fui criado também por pessoas que me impediram de roubar a caneta do coleguinha ou voltar com o troco errado da padaria. Enfim, como a enorme maioria, sou o mínimo aceitável de um ser humano.

Hoje faz cerca de 12 graus em São Paulo, onde estou passando a noite. Na entrada do mercado uma família na calçada me pediu pra comprar… um cobertor.  Eu comprei, é claro. Posso, graças a muito trabalho.  E junto dele comprei uns bolinhos pras crianças numa sacola. Quando eu dei o cobertor pra menina, ela viu a sacola cheia de bolinhos junto.

“Tio, você esqueceu esse saquinho…”.

Ela me devolveu!!!! Era pra ela. Mas eu não disse, ela não pediu, dei porque quis. Mas ela achou que era meu e com fome, na rua, passando frio, me DEVOLVEU!!!

Disse que era dela. Ela sorriu, “fica com Deus, Tio”.

Deus?

Caralho. Ela está na rua, com a família toda no exato momento em que a TV noticia a porra da absolvição do nosso honestíssimo senhor presidente.

Deus, pra ela, significa a justiça divina. A justiça que ela não vai ver mas precisa acreditar que haverá. Pois sem ela não dá pra acordar todo dia.

Essa família que agora passa frio na esquina da Oscar Freire com a Min Rocha Azevedo não tem o que comemorar. Mas quando eu fui embora, naquela situação horrível de se culpar por ter o que comer e não poder resolver o problema deles, eu olhei pra trás e ela abraçava o pai.

Não acabou. Por mais perdido que esteja, o jogo não acabou.

Eu sei que ele trocaria tudo por ter um jantar digno toda noite e uma casa pra morar. Mas eu sou capaz de apostar que esse cara não roubaria por medo de perder o olhar daquela menina de respeito e admiração.

Então, meus caros amigos brasileiros honestos que hoje dormem com mais um soco na cara, aproveite o final de semana para fazer a única coisa que esses filhos da puta não podem fazer e nós podemos:

Olhe nos olhos da sua família.  Abrace seu pai e agradeça a criação que ele te deu. Brinde com seus avós se ainda os tiver, e honre a comida comprada honestamente que estará na sua mesa.

Mas em homenagem a eles todos, o protesto mais humilhante que podemos fazer é esse. Passar o final de semana com nossas famílias e sem ter que baixar a cabeça pra desviar de um olhar.

Nós somos maioria.  Bom final de semana pra vocês!  😉

abs,
RicaPerrone

Wladimir anuncia candidatura ao conselho do Corinthians pela ‘Lava Jato’

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Wladimir com membros do grupo Lava Jato                                        Foto: Divulgação

 

O ex-lateral Wladimir, ídolo corintiano que atuou entre as décadas de 1970 e 1980, definiu hoje que será candidato ao Conselho Deliberativo do clube na eleição do próximo ano. Ele integrará a chapa do grupo de oposição batizado como Lava Jato, ferrenho crítico da ala comandada pelo ex-presidente Andrés Sanchez.

A decisão foi tomada na noite desta sexta-feira após jantar com integrantes do grupo, entre eles Roberto William Miguel, líder da Lava Jato e conhecido no Parque São Jorge como Libanês.

“Espero que, a partir da eleição, o clube retome uma trajetória incomum, com coisas mais condizentes com nosso ideal. Escolhi a Lava Jato porque é formada por pessoas que têm compromisso de administrar  com transparência e honestidade, que é a palavra que falta hoje ao Corinthians”, disse o ex-jogador ao blog por telefone.

De acordo com Wladimir, ele é sócio do Corinthians desde quando jogava, por isso reúne condições de disputar uma cadeira no Conselho Deliberativo. “Na época da Democracia Corintiana, era um desejo do Sócrates que a gente fosse conselheiro. E nós dois fomos naquela ocasião. Depois saímos e não voltamos mais. Agora resolvi retomar essa postura porque acredito que posso dar minha contribuição, principalmente tendo compromisso com a gestão”, afirmou.

Jogador que mais vezes atuou pelo Corinthians, Wladimir lembrou do ex-presidente Vicente Matheus ao falar sobre sua visão em relação ao clube hoje. “Nós que estamos de fora, ficamos indignados porque as pessoas pensam só nelas mesmas. São do venha a nós, não do vosso reino. Sou dos tempos do Matheus, de pessoas que não tiravam nada do clube. Pelo contrário, botavam dinheiro do bolso.”

Bom final de semana!

Leia o post original por Rica Perrone

Caro amigo brasileiro honesto, Hoje é sexta-feira e eu sei como você se sente porque honesto também sou.  Fui criado também por pessoas que me impediram de roubar a caneta do coleguinha ou voltar com o troco errado da padaria. Enfim, como a enorme maioria, sou o mínimo aceitável de um ser humano. Hoje faz …

Por que é arriscado para o Corinthians um acordo com a Odebrecht agora?

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Como mostrou o UOL Esporte, a Odebrecht pretende chegar a um acordo com o Corinthians para deixar o fundo responsável pela arena do clube. Porém, uma série de fatores torna essa saída arriscada para o alvinegro.

O principal deles é o fato de ainda não ter sido entregue o relatório da auditoria feita pelo escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva. Ela analisa se a Odebrecht cumpriu o contrato na íntegra dos pontos de vista de engenharia e arquitetura.

Pelo esboço do acordo apresentado verbalmente pela construtora a dirigentes alvinegros, a Odebrecht perdoaria parte da dívida do Corinthians e sairia com um prejuízo de R$ 200 milhões, pelas contas dela. Esse é o valor aproximado que outro relatório, produzido pelo escritório de advocacia Molina & Reis, aponta como equivalente ao que a Odebrecht teria deixado de fazer ou que precisa ser refeito no estádio. Só que o documento foi produzido sem os dados do trabalho comandado por Cláudio Cunha, que não ficou pronto a tempo.

Ou seja, com os dois relatórios o resultado pode ser de um valor superior aos R$ 200 milhões. Assim, se aceitar o acordo antes de a conclusão da segunda auditoria ser entregue, o Corinthians corre o risco de não poder cobrar a construtora por montantes superiores aos R$ 200 milhões. A Odebrecht afirma ter cumprido o contrato na íntegra.

Se forem comprovadas as centenas de milhões de reais equivalentes a trabalhos não feitos ou insatisfatórios, a construtora estaria perdoando uma dívida que de fato não existe.

Outra questão é a Lava Jato. Antes do fim das investigações, o clube não pode medir o tamanho de eventuais prejuízos que teve com supostas operações ilegais envolvendo sua arena e seus dirigentes, se elas forem comprovadas. Planilhas do setor de propinas da construtora ligam o estádio a pagamentos irregulares para pessoas ainda não identificadas. Além disso, em sua deleção, Marcelo Odebrecht citou doação por meio de caixa 2 para a campanha a deputado de Andrés Sanchez, segundo a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega o recebimento de dinheiro ilegal.

Assim, conselheiros do clube defendem que nenhum acordo seja assinado com a Odebrecht antes do fim das investigações da Lava Jato.

Outro ponto que gera incertezas para o clube é o fato de a Odebrecht, pela proposta inicial, deixar de ser a garantidora do empréstimo feito pela Caixa junto ao BNDES para financiar a construção. Nesse caso, ela retiraria as garantias que deu ao banco e o clube teria que encontrar outra forma de garantir o pagamento. Só que a Caixa e outros bancos não enxergam com bons olhos garantias dadas por clubes, tanto que a Odebrecht precisou dar as suas.

Por fim, conselheiros corintianos também se incomodam com a possibilidade de a Odebrecht sair do negócio como boa moça, supostamente perdoando parte do débito corintiano, apesar da suspeitas do clube de que ela não cumpriu em 100% o combinado.

 

Presidente do conselho diz a Andrade que Andrés não pode falar pelo SCCP

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Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, repassou a Roberto de Andrade pedido de conselheiros para que ele desautorize publicamente Andrés Sanchez a negociar pelo clube com a Odebrecht. O ex-presidente foi citado em delação na Lava Jato por Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha para deputado federal por meio de caixa 2. Ele nega o recebimento.

 Strenger não se limitou a encaminhar o requerimento. Ele emitiu sua opinião, aumentando a pressão para que o presidente corintiano afaste Sanchez das negociações com a Odebrecht. Entre outros assuntos a construtora propõe sua saída do fundo administrador do estádio, como mostrou o UOL Esporte.

“Aproveito a oportunidade para, igualmente, na qualidade de presidente do Conselho Deliberativo, manifestar minha preocupação em relação as declarações prestadas pelo conselheiro Andrés Sanchez, que não pode, em hipótese alguma, pronunciar-se como se fosse mandatário do SCCP”, escreveu Strenger em sua mensagem para Andrade.

Antes de declarar o que pensa, ele pediu para o presidente corintiano prestar os devidos esclarecimentos, considerado o teor das manifestações dos conselheiros Herói Vicente e Romeu Tuma Júnior. A dupla pediu que fosse determinado que Andrade desautorize publicamente Andrés a negociar com a Odebrecht. A medida foi tomada depois de o ex-presidente dizer ao UOL Esporte que a construtora só se senta com ele para negociar. O pedido foi justificado pelo fato de o ex-presidente não integrar a comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado federal pelo PT-SP à Operação Lava Jato.

Indagado sobre o fato de emitir uma opinião dura para Andrade sobre Andrés, o presidente do conselho disse, em mensagem de texto por celular, apenas que “era necessário”.

Strenger agora aguarda pela resposta do presidente corintiano.

Andrade é cobrado para afastar Andrés de conversas com Odebrecht por arena

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Roberto de Andrade está sendo pressionado a afastar Andrés Sanchez das conversas com a Odebrecht sobre a Arena Corinthians. Um grupo de conselheiros enviou nesta quinta requerimento para o presidente do conselho deliberativo do clube, Guilherme Gonçalves Strenger, para ser encaminhada ao principal cartola alvinegro a determinação de afastamento.

A medida foi tomada após o ex-presidente declarar ao UOL Esporte que a Odebrecht não senta com ninguém do clube para negociar a não ser com ele. Na ocasião, Sanchez sustentava que ainda não há proposta feita pela construtora para se afastar do fundo que administra a Arena Corinthians. Como revelou o UOL Esporte, a empresa quer fazer um acordo para deixar o fundo.  Oficialmente, ela nega tal interesse. A declaração irritou conselheiros de diferentes alas, incluindo gente da situação próxima ao presidente alvinegro.

O requerimento pede que, em virtude da declaração, seja encaminhado ofício para Roberto de Andrade determinando que ele desautorize publicamente Andrés a negociar em nome do Corinthians.

O pedido é justificado pelo fato de o ex-presidente não fazer parte da comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado à Operação Lava Jato.

Segundo a Folha de S.Paulo, Andrés foi citado em delação de Marcelo Odebrecht como recebedor de doação para sua campanha a deputado federal via Caixa 2.

Entre as explicações para o pedido está exposto que, apesar de ter o direito de se aconselhar com quem quiser, Andrade deve se pautar pela moralidade e pela legalidade em suas ações.

No caso de o presidente do conselho entender que a solicitação não faz sentido, é solicitado que ele informe se o deputado federal está autorizado por Andrade a negociar com a Odebrecht pelo clube.

Também é lembrado no documento que ficou estabelecido que tudo referente à Arena Corinhtians seja submetido à comissão criada no conselho. Ela não foi informada sobre o assunto.

Há ainda o temor de que autoridades interpretem a fala de Andrés como coação a Marcelo Odebrecht.

Indignação

O blog não teve acesso à relação de conselheiros que assinaram o pedido, mas conversou com membros do conselho que ficaram indignados com a afirmação do ex-presidente.

“Foi uma declaração de prepotência e arrogância imensuráveis. O deputado não é dono do clube (para falar dessa forma). Salvo engano, ficou a impressão de que ele usou a imprensa para mandar recado para quem o está delatando. O presidente precisa se posicionar publicamente afastando as pessoas que não estão autorizadas a falar pelo clube. Já é notório o prejuízo financeiro e de imagem para o Corinthians mostrados pela Lava Jato”, disse ao ser indagado sobre o assunto Romeu Tuma Júnior, conselheiro oposicionista.

A afirmação de Andrés sobre ser o único com quem a Odebrecht senta para conversar também não caiu bem na comissão do conselho especializada no estádio. Além de pelo menos parte dos membros achar que por causa da Lava Jato Andrés deveria manter distância da Odebrecht, há também o argumento de que a afirmação não representa a verdade. Isso porque integrantes da comissão afirmam que recentemente conversaram com representantes das áreas financeira e de engenharia da construtora.

Entre aliados do presidente corintiano, há a critica de que a declaração desrespeitou Roberto de Andrade, já que Sanchez teria se mostrado superior em relação ao presidente no trato com a Odebrecht.

Andrés não pôde ser ouvido porque não fala com o blog. Andrade não atendeu às ligações.

Corinthians promete apuração na arena após pouco fazer diante de alertas

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Na última quinta, a diretoria corintiana divulgou nota em seu site afirmando o seguinte:

“O Sport Club Corinthians Paulista, tendo tomado conhecimento de trechos da delação do sr. Marcelo Odebrecht que envolvem a Arena Corinthians, vem a público reforçar que quaisquer irregularidades ou desvios de conduta, constatados por autoridades ou não, serão devidamente apurados pelo clube, que tomará todas as providências para resguardar seus direitos e buscar a punição dos responsáveis, bem como diligenciará para garantir que todos os prejuízos causados ao clube e à arena sejam devidamente ressarcidos”.

O comunicado contrasta com a maneira como a direção lidou até aqui com alertas sobre supostas irregularidades e eventuais prejuízos causados ao alvinegro por conta da obra do estádio e pedidos para que questionasse a Odebrecht na Justiça ou em corte de arbitragem.

Na maioria das vezes o clube não reagiu. São inúmeros os relatos de pessoas que fizeram alertas e se sentiram ignoradas pela diretoria.

Em setembro de 2015, Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena, enviou e-mail para Roberto de Andrade alertando o dirigente para a suposta existência de um esquema fraudulento envolvendo o estádio. Ele apontou que o fundo responsável por administrar a arena aceitou relatórios da Odebrecht que atestavam a conclusão das obras um ano antes de a própria construtora declarar os trabalhos encerrados.

O caso foi revelado pelo blog em outubro de 2016. Na ocasião, por meio de sua assessoria de imprensa, Andrade, respondeu que a direção corintiana estava “tomando providências junto aos responsáveis pela gestão da arena”. Isso cerca de um ano após a denúncia ser feita.

Também em 2015, Coutinho apresentou extenso relatório no qual descreveu cenário de caos, desrespeito e descalabro, afirmando que a Odebrecht não havia feito trabalhos previstos em contrato ou realizado outros com baixa qualidade, o que a construtora nega.

Ele ainda listou prejuízos ao Corinthians e pediu imediata apuração dos fatos. Na ocasião, procurado pela Folha de S.Paulo para comentar o relatório, Andrés Sanchez, principal responsável pelo estádio no clube, não quis se pronunciar. Deputado federal pelo PT-SP, ele é citado em planilha entregue pela Odebrecht ao Ministério Público como recebedor de R$ 3 milhões em caixa 2 de campanha. O ex-presidente corintiano nega ter recebido dinheiro de forma irregular.

Nenhuma medida enérgica foi tomada pelo clube após a entrega do relatório feito por Coutinho.

A Odebrecht deu a obra por encerrada em setembro de 2015. Pressionada pelo relatório do arquiteto, a diretoria, então esclareceu que esperaria a conclusão de auditoria que verificaria dos pontos de vista arquitetônico e de engenharia se a construtora cumpriu o contrato. O trabalho dos auditores só começou no segundo semestre do ano seguinte e ainda não foi concluído.

No final de 2016, em novembro, Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians disse que pediria a Andrade que tomasse medidas judiciais contra a Odebrecht. Até agora, a questão não foi levada aos tribunais e nem para a arbitragem.

Em dezembro de 2016, relatório apresentado por comissão de conselheiros do clube destacou desequilíbrio na relação entre Corinthians e Odebrecht. A conclusão foi de que a construtora sempre contou com profissionais altamente especializados para discutir pontos divergentes, enquanto o clube não montou uma estrutura no mesmo nível para enfrentar a empresa quando necessário.

Outro relatório, feito pelo escritório Molina & Reis, concluiu em janeiro de 2017 que a construtora deixou de executar cerca de R$ 200 milhões em obras na arena, fato contestado pela empresa. O clube seguiu aguardando a auditoria técnica.

A diretoria só chegou a endurecer o jogo com a Odebrecht no final de 2016, após novos problemas na arena se tornarem públicos. O Corinthians trocou cartas e notas ásperas com a empresa e chegou a impedir a ação dela na reparação de um dos defeitos, mas depois autorizou o serviço.

Nesse cenário, pelo menos parte das pessoas que fizeram alertas ao presidente corintiano sobre a situação leu com indignação a nota em que ele promete apurar eventuais desvios de conduta.

Na manhã desta sexta, o blog telefonou para Andrade, mas ele não atendeu à ligação.