Arquivo da categoria: Marcelo Portugal Gouvêa

Temor e benesses. Como a Independente ganhou espaço no SP nos últimos anos

Leia o post original por Perrone

Ligação entre Independente e diretoria tem como elo o conselheiro José Edgard Galvão. Na foto, ele aparece ao centro, com Henrique Gomes, o Baby, à esquerda

José Edgard Galvão (ao centro) e o presidente da Independente, Henrique Gomes, o Baby (à esq.)

Uma relação costurada com temor, benesses, afagos e separações transformou a Independente em parte importante da rotina do São Paulo. Muitas das últimas polêmicas no Morumbi têm o nome da maior torcida organizada tricolor bordado. Um punhado de personagens reluzentes da história recente são-paulina ostenta no currículo pelo menos um episódio com a uniformizada. São os casos de Marcelo Portugal Gouvêa e Juvenal Juvêncio, ambos falecidos, Carlos Miguel Aidar e Abilio Diniz.

Cerca de 14 anos atrás, durante a gestão de Gouvêa como presidente, o relacionamento entre torcida e clube começou a ganhar cores mais fortes. Uma reunião entre o dirigente e representantes da organizada teve a presença do advogado José Edgard Galvão, que trabalhava para o clube. A partir do encontro, ele passou a ser um elo entre a uniformizada e o São Paulo.

“Quando o Juvenal assumiu, percebeu a habilidade que eu tinha para lidar com a torcida e me usou para domar essa relação. Mas nunca influenciei as decisões da Independente”, contou ao blog Galvão, que até hoje tem amizade com membros da organizada. O advogado, que trabalhava com Gouvêa no escritório do dirigente antes de atuar no departamento jurídico do clube, auxiliando também o futebol profissional, afirma que o dirigente que mais simbolizou essa história de amor e ódio foi Juvenal.

“Ele tinha muita habilidade. Por exemplo (usando números fictícios), se dava 800 ingressos por jogo, num momento importante oferecia 1.200 e virava gênio para a torcida. Mas mesmo dando as entradas e comigo trabalhando essa relação, ele enfrentou invasão no CT. Só que quando tinha um problema como esse, o Juvenal endurecia (com a Independente) e depois de um tempo voltava ao normal”, afirmou Galvão.

Juvenal, como outros presidentes, dava uma cota fixa de bilhetes para a organizada, mas, segundo duas pessoas que trabalharam com o dirigente, ele aumentava a carga em situações de risco, como quando tinha receio de um protesto no CT, por exemplo. E Galvão era usado como termômetro do humor dos membros da organizada.

Procurada, a diretoria da Independente disse que não daria entrevista, mas negou que Galvão atuasse como elo entre a entidade e o clube assim como ter direito a cotas fixas de ingressos ao longo dos anos.

Porém, no Morumbi, são muitos os conselheiros, dirigentes e ex-cartolas que apontam o advogado como interlocutor da torcida em diferentes gestões.

Com Aidar não foi diferente. Edgard aproximou a uniformizada do presidente, que chegou a ser fotografado ajeitando a gravata de um dos líderes da torcida.

A boa relação com a uniformizada era representada com uma foto do bandeirão da torcida na sala do departamento jurídico tricolor nos tempos em que Galvão trabalhava lá. Ele foi afastado do cargo com a chegada de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à presidência.

O presidente atual seguiu com a tradição do clube de dar bilhetes para a uniformizada, como admitiu em entrevista à “Folha de S.Paulo”. O blog apurou até que houve um mal-estar na torcida quando um diretor de Leco tratou de ingressos que seriam dados para a uniformizada na despedida de Rogério Ceni com um membro mais ligado à escola de samba da Independente do que à torcida.

Desde o rompimento com a uniformizada e o fim dos ingressos gratuitos a partir dos tumultos após a derrota para o Atlético Nacional (COL) pela Libertadores, em julho, pessoas ligadas à atual gestão apontam a oposição e outros críticos como vinculados à uniformizada.

Para isso, usam basicamente dois fatos. Um deles é a doação que o empresário Abílio Diniz, crítico da administração atual, fez para ajudar a escola de samba da Independente antes do último Carnaval. O empresário, que não é conselheiro do clube, confirma a contribuição pontual, mas nega vínculo com a torcida. O outro episódio usado pelos situacionistas é a visita que Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, conselheiro oposicionista, fez à escola de samba da Independente uma semana antes de a torcida participar da invasão ao CT da Barra Funda. Ele diz que esteve lá porque gosta de samba e negou ligação com o ato de vandalismo.

O tumulto no CT deixou sob os holofotes a relação de outro ilustre são-paulino com a organizada. O ator Henri Castelli, próximo da Independente, gravou mensagem convocado torcedores a irem ao protesto que acabou em confusão.

Mas a oposição também aponta o dedo para a situação quando o assunto é Independente. Recentemente, em reunião do Conselho Deliberativo, o opositor Antônio Donizetti Gonçalves, o Dedé, acusou o vice-presidente de comunicações e marketing do São Paulo, José Francisco Cimino Manssur, de passar mensagem para um dos líderes da Independente com seu endereço, após afirmar que ele é santista. Manssur nega que tenha feito isso e diz que é preciso fazer uma perícia no celular em que Dedé guarda a mensagem e a qual o blog teve acesso para saber se ela é verdadeira.

Conversas entre líderes da torcida, dirigentes de diferentes gestões e conselheiros por meio de aplicativos e por telefone não são raras, segundo cartolas tricolores. Alguns afirmam que são procurados pelos torcedores e que conversam com medo de represálias. Já a Independente nega interferir na política são-paulina e se envolver com membros do conselho ou da diretoria.

São Paulo à deriva, sem time e sem estádio

Leia o post original por Fernando Sampaio

Juvenal posa ao lado de Leco (esq.) e Aidar (dir.)

Semifinal da Libertadores foi além da expectativa.

Seria milagre chegar mais além com tanta incompetência.

A deterioração do clube vem de anos e anos de lambanças na gestão.

Marcelo Portugal Gouvêa, formado pela São Francisco, fez uma bela administração. O São Paulo voltou a conquistar Paulista, Libertadores, Mundial, construiu o Reffis, referência mundial na medicina esportiva, trouxe Lugano, deixou um legado na área social do clube e saiu bem avaliado, elegendo seu sucessor.

Juvenal era do meio, conhecia futebol.

Apesar dos aspones, que viviam pedindo cabeça de treinadores, Juvenal manteve Muricy Ramalho e Milton Cruz e conquistou o tricampeonato brasileiro. Foi a época das boas contratações, administração responsável, pouco risco no investimento. Miranda, Josué, Mineiro, Danilo, Hernanes, André Dias, Grafite, Richarlyson… Mesmo quem não deu certo, custou pouco e deu lucro.

O futebol era administrado por “boleiros”.

Apesar de conhecedor do futebol, Juvenal se deixou levar pelo egocentrismo. Sonhava fazer a Copa do Mundo no Morumbi. Perdeu o foco. Ficou obcecado pela abertura do Mundial. Fez concessões para manter a presidência, e aí começou a decadência. Lúcio, Luis Fabiano, Ganso foram símbolos de contratações milionárias que não renderam um mísero título ao clube. No título da Sul-Americana quem resolveu a semifinal do Chile e jogou a final foi William José. Fabuloso, como sempre, estava suspenso.

Era Jadson, não Ganso. Era Maicon, não Wesley. Era Rodholfo, não Lúcio.

Carlos Miguel Aidar foi uma tragédia.

Além da suspeita de corrupção em todas as áreas, os profissionais do futebol começaram a ser boicotados e mal tratados. Osório saiu decepcionado. O treinador que implantou uma nova filosofia no Atlético Nacional era esperança de trabalho a longo prazo. Poderia fazer algo revolucionário como Bielsa fez no Chile. Não conseguiu, os aspones que sabotavam Muricy viraram chefões. Hoje, o clube vive a época das contratações suspeitas como Wesley, Kiesa, Centurión… Gasta-se milhões para banco de reserva.

Com a saída do Bauza quem apagará a luz?

Muricy, Milton, Turíbio, Rosan, Carlinhos… O clube já foi referência.

O São Paulo não é mais Futebol Clube.

E agora, além do Timeco do Leco os são-paulinos perderam o estádio para os vândalos organizados.

Triste realidade.

 

 

Sócio do Palmeiras é condenado a pagar R$ 12,4 mil por chamar ex-presidente de ogro e pateta

Leia o post original por Perrone

Marcelo Gonçalves da Silva Fonseca, sócio do Palmeiras, foi condenado pela Justiça, em primeira instância, a pagar R$ 12.440, mais juros, por danos morais a Mustafá Contursi, ex-presidente do clube.

A decisão, em primeira instância, foi publicada nesta terça-feira no Diário de Justiça Eletrônico. Cabe recurso. O blog deixou recado na caixa postal do celular de Fonseca, mas ele não retornou à ligação até a publicação do post.

Mustafá entrou com ação após uma entrevista do sócio palmeirense ao Estado de S. Paulo. Ña ocasião, Fonseca era colaborador do então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.  Entre outras críticas, ele chamou o ex-presidente de “ogro e pateta”.

O associado também terá que pagar a publicação de uma retratação no jornal. No processo, a defesa alegou que  não houve intenção de macular a honra do ex-presidente. E que outros torcedores fazem críticas semelhantes, em tom mais baixo, sem sensibilizar Mustafá.

Chama atenção na sentença do juiz de direito auxiliar André Gonçalves Fernandes o trecho abaixo, no qual é citado o ex-presidente do São Paulo Marcelo Portugal Gouvêa, já falecido.

 

 

 Veja abaixo reprodução da decisão sobre o pagamento da indenização:

TJ-SP
Disponibilização: terça-feira, 17 de julho de 2012.
Arquivo: 1992 Publicação: 56
 
Fóruns Centrais Fórum João Mendes Júnior 6ª Vara Cível
583.00.2009.187716-8/000000-000 – nº ordem 1813/2009 – Procedimento Sumário – MUSTAFA CONTURSI GOFFAR MAJZOUB X MARCELO GONÇALVES DA SILVA FONSECA – Posto isso, JULGO PROCEDENTE a pretensão para o fim de obrigar o réu a publicar, às suas expensas, a retratação nos moldes pedidos (item ii – fls.12), no prazo de 30 dias, sob pena de multa diária de R$1.000,00 (hum mil reais) e, outrossim, a condená-lo ao pagamento de indenização por danos morais arbitrada no equivalente a R$12.440,00 (doze mil, quatrocentos e quarenta reais), com juros de mora, na taxa SELIC (artigo 406 do Código Civil – que já embute, em seu cálculo, a correção monetária do período), desde o evento lesivo (Súmula 54 do STJ) até o efetivo pagamento em ambos o s casos. Condeno o demandado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% do valor da condenação, com espeque na norma do artigo 20, §3º, do CPC. P. R. I. C E R T I D Ã O: Certifico e dou fé que os valores para fins de preparo, nos termos do Prov. 577/97 do CSM., são os seguintes: Valor Singelo: R$ 100,00 Valor Corrigido:R$ 116,99 (recolhimento na Guia GARE código 230-6). Valor de porte remessa e retorno dos autos à 2ª Instância é de R$ 25,00 por volume, está no 1° volume (Guia de recolhimento do Banco do Brasil S/A – código 110-4). – ADV EVANDRO ANNIBAL OAB/SP 182179 – ADV LUIZ FERNANDO MARTINS CASTRO OAB/SP 78175 – ADV RENATA CAMPOS DE ALMEIDA MONZILLO OAB/SP 235136

 

Confira também a sentença na íntegra:

 

 
 
 
Texto integral da Sentença
 

Vistos. Trata-se de AÇÃO COMINATÓRIA/INDENIZATÓRIA proposta por MUSTAFÁ CONTURSI GOFFAR MAJZOUB em face de MARCELO GONÇALVES DA SILVA FONSECA, visando compelir o réu em obrigação de fazer, consistente em retratação pública em periódico, além do pagamento de indenização por danos morais sofridos, em razão das ofensas por ele proferidas em face de sua imagem e honra no mesmo jornal (fls.02/13). Ao ser contestada a ação (fls.54/62), foi aduzido que: a) a postura do autor nunca foi pautada pela serenidade e temperança; b) o réu apenas defendeu apenas os interesses do clube, rebatendo a denúncia feita pelo autor; c) o clube estava com um passivo enorme, deixado pela gestão do autor; d) o réu não teve o propósito ofensivo a ponto de macular a honra do autor; e) o mero dissabor não pode ser equiparado ao dano moral; f) outros torcedores fazem o mesmo e em tom muito mais baixo, sem que isso sensibilize o autor; g) a pretensão não procede. Houve réplica (fls.85/87). É o relatório. DECIDO. O artigo 186 do Código Civil estabelece a diretriz que ilumina todo o sistema brasileiro de responsabilidade extracontratual: “Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.” Depreende-se que três são os elementos essenciais da responsabilidade civil aquiliana: ação ou omissão culposa ou dolosa do agente, dano e o nexo causal. Para a procedência desta ação, é necessário que todos os elementos acima aludidos sejam confirmados no caso vertente. Por proêmio, deve ser ressaltado que a controvérsia tem, como pano de fundo, o universo – apaixonado e muitas vezes pitoresco – dos bastidores de política de clube de futebol, no caso concreto, da Sociedade Esportiva Palmeiras, cujas maiores conquistas foram o título de campeão da taça Libertadores da América e de vice-campeão mundial de interclubes, ambos no ano de 1999 (fls.05). Nesse meandro, o nível de serenidade e de equilíbrio dos postulantes aos cargos diretivos – com raras exceções, como o falecido presidente do São Paulo Futebol Clube, Marcelo Portugal Gouveia – não é equivalente a de um oráculo de um templo grego ou a de um tribuno romano: em regra, costumam defender a agremiação (externamente) ou a própria gestão (internamente) mais com a emoção do que com a razão. As palavras sóbrias cedem espaço para o duelo verbal, que deveria restar circunspecto ao nível do torcedor comum. Se, por um lado, sob certo aspecto, também são torcedores, por outro, quando assumem um cargo de envergadura, deveriam dar o exemplo de mínima civilidade no trato recíproco quando o assunto envolve política de clube. Se Max Weber já disse que, quem quer buscar a salvação, que não a faça nas vias da política, asseguro que, quem quer buscar a ponderação, que não a procure nas vias dos bastidores agremiativos. No caso dos autos, o réu, membro da oposição que assumiu o comando do clube, seguindo o exemplo superior (fls.23), extrapolou na crítica e referiu-se ao réu nos seguintes termos: “a verborragia mentirosa digna de um ogro é o sinal de humilhação de quem foi reduzido a um pateta nos últimos anos. Eis o ogro-pateta” (fls.25). Como que se justificando do excesso verbal e, digamos, qualificativo do autor, o réu desvia sua argumentação com alegações estranhas ao campo do direito à imagem e honra. Traz números e mais números (fls.56/57) que, ainda que comprovassem o efetivo estado deficitário do clube, não são aptos a legitimar sua referência ao autor como um ogro (tosco) e pateta (idiota), qualificativos que, certamente, o réu não gostaria de ser chamado. Apenas discordo da alusão da verborragia, porque a regra, no mundo do futebol brasileiro, é justamente a fluência verbal divorciada da mesma fluência intelectiva. Mutatis mutandis Yussef Said Cahali preleciona que pelo menos quando se trata de dano moral padecido pela pessoa física em razão de o abalo de crédito decorrente de protesto indevido de título, tem prevalecido na jurisprudência o princípio geral da presunção do dano, afirmando-lhe a desnecessidade de uma demonstração específica, porquanto ela é inerente ao próprio evento: é fato notório e independe de prova que um protesto, comprovadamente indevido, acarreta transtornos para a pessoa na sua vida em sociedade, ocasionando-lhe perturbação nas relações psíquicas, na tranqüilidade, nos sentimentos, nos afetos, na auto-estima, no conceito e na credibilidade que desfruta entre as demais pessoas de seu círculo de relações; à diferença do dano material, resultante do abalo de crédito e outros prejuízos, e que deve ser demonstrado através de fatos concretos, já não, porém, o dano extrapatrimonial, decorrente de indevido protesto de título já pago, pois este é um dado da experiência comum e se concretiza na ofensa à reputação da pessoa, e a outros valores que integram o seu direito subjetivo da personalidade (in Dano Moral; RT; 2a ed.; 3a tiragem; São Paulo; 1999; p.398/399). Segundo as máximas de experiência, causa vexame ao ofendido a declaração veiculada na imprensa escrita, de conteúdo claramente ofensivo à reputação do autor. Em se tratando de simples sentimento, não há como exigir que seja provado. As regras da experiência comum o tornam notório, dispensando-se com isso a necessidade de prova (CPC, artigo 334, inciso I). A dificuldade de prova sobre sentimento íntimo, como é a dor por injustiças cometidas que têm como exemplo a tratada nos autos, levaria fatalmente à improcedência da maioria das ações que fossem ajuizadas com fins reparatórios. Ou, no mínimo, instigaria a produção de prova forjada sobre a existência da dor, prática que deve ser evitada. O mencionado sofrimento causado ao requerente representa dano moral indenizável. Com isso, configurado o dano moral, por ele responde o requerido. Quanto ao terceiro elemento ( o nexo causal ( o ré não merece melhor sorte, visto que a origem do abalo moral sofrido pelo autor foi a publicação ofensiva, segundo o já exposto. Demonstrado, em uníssono, a ação culposa do requerido e o nexo causal entre esta e o dano moral sofrido pelo requerente, tem aquele o dever de indenizá-lo. Cumpre, pois fixar o montante da indenização a que tem o requerente direito. Essa fixação depende de diversos fatores, que precisam ser analisados a fim de que o quantum estabelecido se mostre adequado. Com o objetivo de estabelecer o valor da indenização, é preciso considerar, em primeiro lugar, a condição social do requerente, uma vez que a indenização precisa ter montante que seja suficiente para compensar a dor sofrida, mas não pode chegar ao ponto de representar um enriquecimento dele, em detrimento do réu. O requerente pode ser considerado uma pessoa proeminente no âmbito esportivo do futebol (fls.04/05). Tendo em vista tal fato incontroverso, uma indenização de valor razoável se impõe, para que se obtenha compensação financeira para ele significativa, mas modulando-se com o ambiente beligerante que normalmente cerca as discussões e as críticas provenientes de uma gestão recém-empossada em relação à anterior. Em regra, a jurisprudência tem estabelecido em duzentos salários-mínimos a indenização por dano moral no caso de morte de parente próximo e, em cem salários mínimos, a compensação pecuniária por dano estético. O fulcro da indenização converge para o eixo das forças compensatória, acima apreciada, e punitiva. Uma indenização nos moldes subliminarmente pleiteados pelo réu não o tornará mais precavido no futuro, a ponto de não tornar o dano indene, a descrédito do Poder Judiciário, frente ao seu excesso verbal culposo. Portanto, para que o réu se veja realmente castigada pela ofensa que praticou, além de assegurar uma justa compensação ao autor, uma indenização na quantia de 20 salários-mínimos é suficiente, atendendo-se à convergência de forças acima aludida (RT 675/100), sem prejuízo da retratação pública no mesmo veículo causador do dano moral. Posto isso, JULGO PROCEDENTE a pretensão para o fim de obrigar o réu a publicar, às suas expensas, a retratação nos moldes pedidos (item ii – fls.12), no prazo de 30 dias, sob pena de multa diária de R$1.000,00 (hum mil reais) e, outrossim, a condená-lo ao pagamento de indenização por danos morais arbitrada no equivalente a R$12.440,00 (doze mil, quatrocentos e quarenta reais), com juros de mora, na taxa SELIC (artigo 406 do Código Civil – que já embute, em seu cálculo, a correção monetária do período), desde o evento lesivo (Súmula 54 do STJ) até o efetivo pagamento em ambos os casos. Condeno o demandado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% do valor da condenação, com espeque na norma do artigo 20, §3º, do CPC. P. R. I. Campinas, 11 de maio de 2012. André Gonçalves Fernandes Juiz de Direito Auxiliar