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Para juiz, fama de Neymar não justifica segredo em caso com advogados

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Com Pedro Lopes, do UOL Esporte, em São Paulo

Para o juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, a notoriedade de Neymar não é motivo para decretar segredo de justiça em interpelação judicial feita pelo pai do jogador a ex-advogados de Najila Trindade.

Foram pedidas explicações a José Edgard Bueno e seus sócios advogados sobre declarações dadas a respeito do caso envolvendo acusação de estupro feita por Najila contra Neymar, que nega o crime. Eles foram os primeiros a defender a modelo no episódio.

Entre 13 perguntas, Neymar pai  indaga sobre o suposto envolvimento de Mauro Naves, repórter da Globo, com Bueno, acusado de tentativa de extorsão. Ele rejeita a acusação.

O pedido feito pelos advogados do pai do atleta para decretar sigilo em relação à interpelação foi negado pelo juiz.

“No caso dos autos entretanto, não obstante as pessoas envolvidas – especialmente o jogador Neymar – causem “interesse do público”, não há motivos para a decretação do segredo de justiça, até porque, como mencionado pelo requerente, trata-se de interesse privado”, escreveu o juiz do Juizado Especial Criminal  (SP) em sua decisão. 

“Ademais, não é o fato de ser uma pessoa pública, seja pelo cargo que ocupa ou mesmo porque é altamente conhecida do público, exercendo uma função privada, que a exceção (segredo) deve convolar-se em regra. Assim, indefiro o pedido de segredo de justiça”, completou o magistrado.

O juiz também argumentou que “o processo penal por essência é público e todos os atos processuais, da mesma forma, devem ser praticados de forma pública. Aliás, a publicidade, até para que haja efetivo controle dos atos processuais, é pressuposto de um Estado Republicano”.

Os advogados de Neymar pai tinham pedido o segredo de justiça sob o argumento de resguardar “o interesse privado das partes, inibindo a divulgação indevida de aspectos sigilosos da demanda, sobretudo em vista da ampla repercussão na mídia envolvendo os fatos ora tratados”.

 

Acusação contra Neymar vira ‘furacão’ que atinge de repórter a juiz

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Foto: Thyago Andrade/AgBrazilNews

Conforme os fatos se desenrolam, o caso em que Neymar é  acusado de estupro avança como um furacão e provoca estragos. Pelo menos dois advogados,  um juiz, um jornalista, uma rede de restaurantes, o pai do jogador e a relação entre o astro e seus patrocinadores sentiram os efeitos.

Isso além dos personagens centrais: Neymar, que nega a acusação, e Najila Trindade, a acusadora.

Choveram comunicados oficiais para explicar cada situação decorrente do escândalo que mexe com o país como final de campeonato. E que tem capítulos diários dignos de novela, com direito à torcida contra e a favor.

O poder de destruição do escândalo pôde ser sentido na última quarta (5), quando William Bonner surpreendeu os telespectadores do Jornal Nacional anunciando que Mauro Naves, emblemático repórter esportivo da Globo, foi temporariamente afastado da cobertura esportiva por conta de sua participação no episódio.

Naves foi quem fez a ponte entre o primeiro advogado de Najila e o pai de Neymar, que acusa o ex-representante da modelo de tentativa de extorsão.

Amigo de José Edgard Bueno, que defendia a acusadora, o jornalista se limitou a passar o telefone de Neymar pai para o advogado e a avisar que ele faria contato para tratar de um possível caso de agressão, segundo um dos envolvidos no episódio. Mas a Globo busca saber se seu envolvimento foi maior do que isso.

O próprio Bueno, que rejeita a acusação de extorsão, sentiu a força devastadora desse furacão. Ele deve ter que se explicar na comissão de ética da OAB sob a suspeita de vazar informações das conversas com sua ex-cliente. Najila ainda fez críticas públicas a Bueno, que entende ter havido agressão, não estupro, como alega a modelo.

Até um juiz que atua em processos da Lava Jato vai ter que dar explicações. O corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, pede esclarecimentos ao  juiz federal Marcelo Bretas, conforme  informou o UOL Esporte nesta sexta (7).

O magistrado postou comentário sobre o caso dizendo que nem sempre a vítima é o lado mais fraco da relação.

Já  a advogada Maíra Fernandes aceitou participar da defesa de Neymar e foi expulsa do Cladem (Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher).

Outro “atingido” foi o pai de Neymar. Ele protagonizou confusão em Brasília ao  tomar a câmera de um fotógrafo da Agência Reuters, que tentava registrar no aeroporto a saída de seu filho de Brasília após ser cortado por contusão da seleção.

Além de cuidar da defesa do filho, o Neymar mais velho precisa lidar com o temor dos patrocinadores do jogador. A NR Sports, empresa liderada pelo pai e que cuida da imagem do astro,  divulgou nesta sexta que suspendeu algumas campanhas em conjunto com parceiros e patrocinadores por conta da gravidade da acusação, que considera injusta.

Na rota desse furacão também entrou a famosa cadeia de restaurantes Paris 6. A rede apareceu nesse mapa porque, como mostrou o UOL Esporte, Bueno, ex-advogado de Najila, era sócio do empreendimento até novembro do ano passado e o grupo mantém parceria com o Instituto Neymar Jr.

A diversidade dos envolvidos mostra o poder de alcance da imagem do brasileiro do PSG.

Só que, mais uma vez, como ocorrera no recente caso de agressão a um torcedor, essa força não se mostra dentro de campo, com belas jogadas. Mas do lado de fora, em nova confusão.