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‘Volta do futebol no Brasil agora é absurdo completo’ diz Nicolelis

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Em entrevista ao blog, o médico e cientista Miguel Nicolelis, renomado internacionalmente, classificou como absurdo o início de retomada do futebol brasileiro. O campeonato carioca tem partida marcada para esta quinta, 18. Um dos coordenadores do comitê científico do Nordeste para o combate à covid-19, ele também fala dos riscos de contaminação ao se realizar um jogo ao lado de um hospital de campanha, como deve acontecer no Maracanã.

Como o senhor analisa os fatos de Grêmio e Internacional já estarem treinando em Porto Alegre, o Campeonato Carioca ter volta marcada para esta quinta e os times de São Paulo estarem  querendo voltar a treinar na próxima segunda (após a entrevista o Governo do Estado anunciou que os treinamentos serão retomados em 1º de julho) num momento em que a pandemia ainda é crítica no país?

Basicamente, o diagnóstico geral da pergunta é que é um completo absurdo absurdo trazer de volta o futebol nessas circunstâncias. Independentemente do fato de o tempo das epidemias em São Paulo, Rio e Porto Alegre serem diferentes, não (é hora de voltar), é um completo absurdo. Vai colocar em risco não só os atletas, mas também as famílias dos respectivos jogadores e membros das comissões técnicas. E vai colocar em risco pessoas com quem essas famílias eventualmente vão entrar em contato. Os jogadores também, porque eu imagino que a imprensa vai cobrir os jogos, os jogadores vão dar entrevistas, vão estar cercados e, essas pessoas, jornalistas, comentaristas, gandulas, juízes, enfim… Parece um número pequeno, porque eu imagino que eles não vão abrir os estádios, porque só faltaria abrir os estádios, porque aí, então, poderia decretar a loucura total, a insanidade completa, mas… Veja, São Paulo está batendo recordes ainda. Tanto de casos como de óbitos, apesar de que alguém anunciou que tinha tido uma redução em duas semanas de três casos, isso não existe, não é estatisticamente significativo, não tem redução nenhuma. As pessoas estão tentando dourar a pílula de todas as maneiras possíveis, mas quem trabalha com estatística, como eu e minha equipe, há 40 anos, não consegue entender esses raciocínios. É como se você estivesse fazendo engenharia reversa. Você quer abrir de qualquer jeito, então, você busca justificativa nos parâmetros, na forma de administrar os parâmetros, na forma de olhar as curvas, faz malabarismos matemáticos, entendeu? E futebol é a menor das nossas prioridades nesse momento. E futebol eu equacionaria, por exemplo, com alguns lugares em que estão abrindo igrejas e cultos religiosos. E falando assim “nós só vamos colocar 30% das pessoas que cabem na igreja. E aí eu pergunto, isso aqui é o Brasil, não é a Suíça: “quem vai investigar isso?” Ninguém, né? Nós sabemos. Então, o futebol, Porto Alegre, eu olhei especialmente para falar com você, a curva que era até poucas semanas uma curva bem baixa, realmente, ela começou a subir. A região Sul, tem um “delay” de tempo em relação as regiões Nordeste e Sudeste mais ou menos de um mês. Só que lá está 10 graus. Os casos de síndrome respiratória aguda grave estão subindo. Os caos de covid estão subindo agora, Curitba começou a subir. No Sul inteiro começou a subir. Então, me perdoe a ênfase, mas eu não vejo sentido. Veja quanto tempo levou a Alemanha para voltar com o futebol. A Espanha está voltando agora com “La Liga”, talvez no limite da racionabilidade, e a Itália também está voltando.

Isso que assusta. Os outros quando voltaram, já tinham reduzido bem o número de casos. A gente não conseguiu controlar a situação e quer voltar com o futebol.

Exato. Veja o Rio de Janeiro, eu vi o Antero (Greco, jornalista) falar uma coisa sensacional, o Maracanã vai ter jogo do lado de hospital de campanha, será que os caras não sabem que no entorno de hospitais você tem aerossol de vírus circulando? Foi onde um monte de gente na China pegou. Nos Estados Unidos, em Nova York, também. Em volta das entradas das salas de emergência tem aerossol de vírus no ar, tá? E você vai fazer um jogo de futebol do lado? Vai ter gente comemorando gol do lado de onde tem gente morrendo? Que país é esse? Quando essa notícia sair lá fora, o nome do Brasil que já está na lama vai ficar pior ainda. É incompatível com a condição humana fazer um entretenimento ao lado de onde tem gente morrendo. Dizer que estou pasmo é pouco, não encontro adjetivo para classificar. Nem os romanos fizeram isso. Colocar o coliseu do lado de um hospital de campanha onde as pessoas estão morrendo.  Imagina uma foto tirada do alto, dos caras jogando bola, e do lado esquerdo tem um rabecão saindo com corpos do hospital de campanha do Rio de Janeiro. Quem quer que seja que decidiu isso, não poderia estar na posição para decidir isso.

Então, podemos dizer que o caso de maior risco talvez seja o do Maracanã?

Não pode ter jogo no Maracanã, imagine. Aliás, não pode ter jogo em lugar nenhum do Rio de Janeiro. Veja o que está acontecendo na cidade. A cidade do Rio de Janeiro nunca fez isolamento de verdade.

Quem voltar a jogar agora estará desprotegido, então.

Veja, não são só as pessoas que vão entrar no jogo, é quem essas pessoas vão ter contato no trajeto para o jogo, de volta para casa. Será que os jogadores de futebol vão realmente saber fazer o manejo das roupas? Vão fazer todo o processo que precisam fazer nas suas casas? Esses jogadores de futebol não vão colocar em risco só suas famílias, vão colocar em risco todo mundo que trabalha com eles, preparador físico… Se tiverem pessoas trabalhando na casa deles. Você sabe como é um vestiário de time de futebol. Não são só jogadores que ficam lá, tem segurança, tem médico, preparador físico, roupeiro, massagista. E essas pessoas, vão circular pela cidade de São Paulo depois de eventualmente entrarem em contato com alguém que pode ser assintomático? Não tem o menor sentido.

O protocolo da Federação Paulista é assim: o jogador vai trocado para o treino para não usar o vestiário, não almoça no clube  e volta para casa. Aí vai ter esse risco que o senhor falou, de conviver com as pessoas em casa. Quando voltarem os jogos, os jogadores vão do estádio para a concentração. Na sua opinião, esse protocolo não ameniza o problema?

Não ameniza nada, porque você acredita que no Brasil alguém segue protocolo 100%? Se fosse na Suíça, na Alemanha, na Coreia do Sul, no Japão, você poderia até pensar. Ninguém vai respeitar isso, ninguém respeita nada aqui. Nós temos quase 50 mil vítimas fatais (de covid-19). É o maior desastre da história do Brasil. Nós não tivemos genocídios, guerras, nada que se compare com o que está acontecendo neste momento. E as pessoas estão preocupadas com futebol, com o circo? Não faz o menor sentido. E quem disse que o jogador vai direto pra casa? E se ele for para outro lugar, e se ele for comer um bauru na padaria? Ou se ele resolve pôr gasolina no carro dele? Ele vai estar com máscara o tempo inteiro? E o contato físico entre os jogadores, como fica? O escanteio, vai, cobra o escanteio na área, vai ficar aquele negócio, todo mundo no cangote de todo mundo, você acha que se tiver alguém assintomático transmitindo o vírus ali não vai pegar?

Questionei Moisés Cohen, responsável pela comissão médica da Federação Paulista de Futebol, sobre isso, e ele disse que a chance de transmissão do vírus será pequena porque todos estarão testados. 

Já pegaram o resultados dos testes de todo mundo?

A maioria ainda não foi testada.

Com que frequência vão testar? Qual teste eles vão usar? Porque se for o teste rápido, vão ter que ser vários testes pra ter certeza que o cara não está contaminado por causa do falso negativo que dá. Você vai ter que testar o cara depois de todo jogo. Então, eu chamo isso de engenharia reversa. Tem um produto que você já quer. Você quer abrir pra jogar bola. Aí você começa a usar uma série de combinação de desculpas e meias-verdades e ideias chucras, Pra quê correr riscos extras quando o manejo da coisa no Brasil é conhecido no mundo inteiro como um dos piores manejos do mundo? Você sabe, eu sou um fissurado por futebol. Sigo o Palmeiras debaixo d’água. E eu não estou aqui, de maneira nenhuma, aflito pra ver um jogo de futebol do Campeonato Paulista, se isso vai significar colocar em risco um monte de gente, inclusive os jogadores. Fico admirado de o sindicado dos jogadores não abrir a boca.

Muito jogador quer voltar porque teve corte de salário.

Eu sei que jogador de time pequeno sofre muito mais. Mas os times grandes, o cara tem um corte de salário, não sou a favor do corte de salário de ninguém. Mas, pô, é uma emergência histórica. São 100 anos em que a gente não tinha algo tão desesperador.

É uma guerra, e na guerra todos perdem.

Todo mundo perde se a gente não estiver com o exército unido. E outra coisa, nós não estamos nem falando da potencial sobrecarga que esses jogos podem levar para os profissionais de saúde que já estão no limite. Tenho colegas de turma, médicos, que foram entubados, gente que quase morreu. Tem um colega que faleceu, a gente não sabe se é covid ou não. Esses caras, médicos, enfermeiros, atendentes de enfermagem, eles não precisam de mais pacientes. Eles estão no limite do limite do que eles podem fazer. Então, por que correr o risco? Em vez de a gente fazer o oposto, que é aumentar o isolamento e ir de casa em casa, diagnosticando, auxiliando as pessoas a fazer o que precisa ser feito, oferecer auxilio financeiro, auxílio pra se isolar em escola pública em prédios públicos, se não puder se isolar em casa, ir nas periferias ajudar as pessoas a sobreviverem, nós vamos ter futebol? A gente começa a questionar a sanidade da sociedade brasileira, entendeu?

O maior risco que o senhor vê é essa escapadinha que o jogador pode dar depois do treino?

São vários, esse é só um deles. Se alguma pessoa do grupo for assintomática ou estiver no começo da doença, e contaminar um monte de gente, e aí, o que você faz?

Nesse momento, o número de novos casos não está diminuindo, o inverno está chegando e várias cidades reabriram pelo menos parcialmente o comércio. Nesse cenário, a volta de treinos e jogos é mais um ingrediente para aquilo que o senhor chama de tempestade perfeita?

Sem dúvida, porque os casos de dengue e chikungunya estão aumentando no Brasil todo. Vamos falar, o cara sai do jogo (ou do treino) e vai na loja do shopping, comprar alguma coisa. Ele anda no meio dos vendedores, pega a bolsa, vai pagar, vai na praça de alimentação, anda no shopping sem ventilação, você está entendendo. O futebol está querendo voltar por problemas financeiros próprios, eu entendo, mas o futebol está abrindo outro flanco desnecessário num momento crítico da pandemia no Brasil. A gente não precisa de mais incêndio. A gente precisa de bombeiros.

Qual o cenário ideal para o futebol voltar?

Futebol, teatro, igreja, eles têm que voltar quando a curva tiver caído, como aconteceu na Alemanha. Quando o fator de replicação da doença, chamado “fator R” estiver muito abaixo de 1. Ele não está muito abaixo de 1, nem em São Paulo e nem no Rio. Pelo contrário. No Rio está quase 2. Isso significa que a coisa está replicando ainda.

Qual o efeito psicológico que a volta do futebol pode ter na população, no cara que deve se cuidar mais, ficar em casa, e vê pela televisão o Flamengo jogar, por exemplo?

Primeiro, um efeito de achar que a coisa não é séria, que todo mundo está exagerando nessa pandemia, porque, se pode jogar futebol, a coisa não é tão séria. Isso é o primeiro efeito, de relaxar ainda mais. A pessoa vai falar: “vou chamar minha família para assistir ao jogo, afinal, é só a minha família, está todo mundo bem”. É isso, você começa a relaxar.

 

Testes e volta conjunta: como clubes de São Paulo articulam retomada

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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL em São Paulo

Os clubes de São Paulo começaram na noite desta terça (16) a se organizar em conjunto para que todos tenham condições de voltar aos treinos na próxima segunda (22).

Pelo menos parte dos dirigentes foi avisada pelo Delegado Olim, deputado estadual e presidente do TJD, de que o Governo do Estado aprovou o protocolo sanitário da FPF e autorizou a volta aos treinos. O retorno porém, depende de testagem de jogadores e demais funcionários, entre outras providências.

Até a conclusão deste post, no entanto, a FPF ainda não havia confirmado oficialmente a retomada.

Assim que foram avisados por Olim, representantes dos clubes trocaram telefonemas para combinar o retorno em conjunto. Cartolas de São Paulo, Palmeiras e Corinthians estão entre os que conversaram sobre o tema.

A ideia é que todos realizem os testes até sábado para que possam marcar o retorno dos atletas para segunda, desde que a autorização seja confirmada.

A ação coordenada visa fazer com que todos tenham o mesmo tempo de preparação antes de o Paulista ser retomado. A ideia já tinha sido discutida pelos dirigentes.

A expectativa dos clubes é de que o Governo do Estado e, em seguida, a FPF formalizem a retomada já nesta quarta (17) para que as medidas sejam agilizadas.

A avaliação inicial é de que são necessários pelo menos 20 dias de treinamento para que os jogadores entrem em forma, já que estão parados desde março, quando o Estadual foi suspenso por conta da pandemia de covid-19.

Pelo protocolo elaborado pela comissão médica da FPF, os treinos devem ser retomados em pequenos grupos. A orientação é para que nos primeiros trabalhos o gramado seja dividido de forma que cada atleta possa treinar sozinho, diminuindo as chances de contaminação pelo novo coronavírus.

Os grupos vão aumentando até que haja autorização para os treinos com bola.

Na fase de treinamentos, os jogadores poderão voltar para casa após o trabalho. Quando as partidas voltarem, com portões fechados, todos ficarão concentrados até o final da competição.

Nos treinos, vestiários e refeitórios dos centros de treinamentos não funcionarão.

 

Volta de jogos só vai funcionar com mudança cultural, diz médico da FPF

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O sucesso do eventual retorno do Campeonato Paulista depende de uma mudança cultural envolvendo hábitos de jogadores e demais integrantes das equipes. A opinião é de Moisés Cohen, presidente da comissão médica da Federação Paulista. Ele liderou a elaboração do protocolo sanitário que será usado para tentar impedir a transmissão do novo coronavírus entre atletas e demais profissionais.

“Sem uma mudança cultural, nenhum protocolo, nenhuma testagem vai funcionar. Conversamos muito sobre essa necessidade de os hábitos mudarem”, afirmou Cohen.

O fim da  comemoração de gols com abraços está entre as práticas sugeridas. “Pelas comemorações de gols que estamos vendo nos campeonatos que já voltaram, acho que todos já estão conscientes em relação a isso”, disse o médico. Tentar evitar cusparadas nos gramados é outro ponto abordado.

Os clubes paulistas se prepararam para voltar aos treinos próxima segunda, mas ainda não obtiveram autorização dos órgãos competentes.

Nesta quinta (11), cartolas se reuniram com o prefeito Bruno Covas e ouviram que ele encaminhará o protocolo de retomada dos treinos elaborado da FPF para a Vigilância Sanitária analisar.

Cohen explicou que, quando a volta for autorizada, o primeiro passo será cada time testar jogadores e demais profissionais.

“Teremos etapas de treinamento que vão avançando até todos treinarem juntos. Vamos começar com treinos individuais. Você divide o campo em quatro partes e coloca cada jogador em uma parte”, contou o médico.

Os clubes foram orientados para tentarem evitar servir refeições e impedirem o uso coletivo dos vestiários em seus centros de treinamento.

A recomendação é para que jogadores almocem em casa e cheguem aos CTs uniformizados na fase de treinos antes de os jogos volatarem a acontecer com portões fechados.

“A questão cultural é vital. Todos precisam ser rigorosos com a higiene em suas casas”, declarou Cohen.

Quando a competição recomeçar todos ficarão concentrados do começo ao fim. “Quem não tiver hotel no CT deve tomar todos os cuidados onde ficar. Por exemplo, isolar andares e evitar se deslocar de elevador. Tem que usar a escada sem encostar no corrimão”, disse o médico.

E se algum atleta se contaminar e isso for descoberto depois de ele enfrentar outra equipe, o campeonato corre o risco de parar? “Acredito que não. Se acontecer, isolamos o jogador e os que conviveram mais com ele. Mas isso não deve acontecer, eles são jovens fortes”, avaliou Cohen.

‘Militarização’ do Ministério da Saúde preocupa técnicos da pasta

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A nomeação de militares para postos no Ministério da Saúde causa desconforto e preocupação em pelo menos parte dos técnicos da pasta, conforme apurou o blog.

Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, foram pelo menos 21 cargos entregues a militares na Saúde, comandada interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

A principal crítica de integrantes da área técnica é de que muitos dos escolhidos nāo têm experiência ou especialização no setor da saúde.

O retrato pintado pelos críticos é de que agora há muita gente que não entende como funciona o ministério. Isso prejudicaria decisões técnicas podendo afetar a saúde da população.

Um caso emblemático é a polêmica causada na semana passada por nota técnica referente a saúde da mulher. O documento alertava para a necessidade de serviços de planejamento familiar, como entrega de contraceptivos,  e locais para realização de aborto legal funcionarem durante a pandemia.

O presidente Jair Bolsonaro disse ter entendido a nota como incentivo ao aborto. Dois servidores que assinaram o material foram exonerados.

A leitura da ala técnica é de que não houve a interpretação correta da nota, numa demostração de que falta conhecimento em saúde a determinados ocupantes de cargos de comando.

Estudos internacionais que mostram o aumento da  violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19 basearam a decisão de técnicos em emitir a nota. Eles viram o risco de aumento de estupros na quarentena e verificaram o fechamento temporário de locais que fazem o aborto legal e também de postos que fornecem contraceptivos.

Outra queixa é que o trâmite de medidas técnicas importantes para a saúde da população estaria mais lento nas mãos dos militares.

Antes mesmo de o ministério mudar a divulgação dos números referentes à pandemia no Brasil, também havia profissionais descontentes com o modo com que a pasta passou a se comunicar na gestão interina de Pazuello.

O discurso  é de que as informações eram mais claras e diretas nos tempos de Luiz Henrique Mandetta no comando da pasta. O ex-ministro é descrito como alguém que aproveitava as entrevistas coletivas para divulgar medidas de prevenção contra o novo coronavírus, o que não estaria mais acontecendo.

Sob a batuta do general, o ministério tem focado sua comunicação nos investimentos feitos pela pasta no combate à pandemia e na quantidade de pacientes recuperados.

Na manhã desta segunda (8), por exemplo, o maior destaque no site do Ministério era para matéria que aponta investimento federal de R$ 1,1 bilhão para custear leitos de UTI para pacientes com covid-19.

O trabalho de Pazuello tem sido bem avaliado por Jair Bolsonaro, que elogia sua habilidade como gestor e chegou a dizer que o Brasil conseguiu realizar  a Olimpíada do Rio graças a ele. O presidente também afirmou em conversa com profissionais de limpeza urbana, em maio,  que o general terá uma boa equipe de médicos para lhe dar suporte.

Aumento de risco de estupro durante pandemia motivou nota que gerou crise

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Estudos sobre aumento de violência doméstica contra a mulher, incluindo estupro, durante a pandemia de Covid-19, o fechamento de locais que realizam aborto legal e de postos que oferecem insumos para o planejamento familiar, também por conta da transmissão do novo coronavírus. Esses foram os principais fatores, conforme apurou o blog, que levaram técnicos do Ministério da Saúde a produzirem nota técnica que gerou polêmica e exonerações na pasta, após cobranças de Jair Bolsonaro.

Um combo perigoso para mulheres evidenciado em pesquisas sobre os efeitos do distanciamento social chamou a atenção dos técnicos para a necessidade de o alerta ser feito. Por conta da quarentena, muitas vezes a convivência entre os casais é forçada. Há o risco de aumento do consumo excessivo de álcool, que pode contribuir para que o parceiro tente forçar a relação sexual, cometendo estupro. Pesquisas que mostram ser essa uma realidade internacional durante a pandemia, aumentam a necessidade de oferta de serviços de saúde específicos para as mulheres, como constataram os técnicos.

Ao mesmo tempo, a equipe do Ministério da Saúde especializada no tema verificou o fechamento de hospitais que oferecem o aborto legal. Seja sob o argumento de evitar movimento com o objetivo de combater o risco de transmissão do vírus ou de transferir recursos para o combate da pandemia. De acordo com a análise técnica, esse fechamento também atingiu postos que oferecem contraceptivos para permitir o planejamento familiar. Outro aspecto levando em conta é a incerteza sobre os efeitos do novo coronavírus na saúde de gestantes e bebês, o que inspira maiores cuidados em relação a quando programar a gravidez.

Ou seja, justamente no momento em que as mulheres mais podem precisar desses suportes, o acesso a eles foi dificultado. É a tempestade perfeita para que algumas delas se sintam forçadas a procurar abrigo em métodos clandestinos, altamente perigosos. Então, os especialistas da pasta decidiram produzir a nota, que apenas reforça a necessidade de práticas já existentes e legais. O documento não traz algo novo novo e que não seja autorizado pela legislação.

A nota deixa clara a preocupação com o risco de vulnerabilidade das mulheres em meio ao combate ao novo coranavírus. “Ademais, o aumento de casos de violência contra a mulher durante a pandemia é uma preocupação mundial por afetar a dignidade, a segurança, a autonomia e a saúde das mulheres de todas as classes. Estudos evidenciam um aumento de casos em muitos países. Como consequência pode-se esperar o aumento de gravidezes indesejadas resultantes de relação sexual forçada. O acesso em tempo oportuno à contracepção de emergência deve ser pensado de modo a responder a esta necessidade das mulheres”, afirma trecho do documento.

Apesar do didatismo da nota, prevaleceu a versão distorcida de Bolsonaro. Foram exonerados pelo ministro interino da Saúde, coronel Eduardo Pazuello, Flávia Andrade Nunes Fialho, coordenadora de Saúde das Mulheres, e Danilo Campos da Luz e Silva, coordenador de Saúde do Homem. A nota, bem avaliada pela área técnica da pasta, foi cancelada.

 

Hospital de referência em RR tem falta de leitos e médicos sobrecarregados

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Pacientes com covid-19 acomodados em corredor por causa da lotação dos leitos. Médicos e enfermeiros sobrecarregados a ponto de muitas vezes não conseguirem dar conta de alguns dos cuidados necessitados pelos doentes. Esse é o cenário atual no HGR (Hospital Geral de Roraima), em Boa Vista, de acordo com médico que trabalha no local e pediu para não ser identificado. Procurada, a Sesau (Secretaria de Estado da Saúde) afirmou que nos últimos dias houve aumento na procura de pacientes pelo hospital, mas não respondeu detalhadamente aos problemas apontados pelo blog (leia a nota na íntegra no final do post). Afirmou, porém, que todos os pacientes estão sendo assistidos.

A situação do HGR, referência em Covid-19 em Roraima, se agravou por conta de uma série de adiamentos na inauguração do hospital de campanha de Boa Vista. Ainda não há uma data definida para ele começar a funcionar.

De acordo com o médico ouvido pelo blog, por falta de um maior número de profissionais no HGR, apesar do esgotamento dos leitos, a unidade segue fazendo internações e acomodando os pacientes até em corredores, quando é o caso. Pelo mesmo relato, alguns médicos chegam a trabalhar entre 12 horas e 18 horas diárias.

Por terem que cuidar de muitos pacientes em estado grave, não é raro que médicos e enfermeiros não consigam desempenhar suas funções com total eficiência, segundo a mesma fonte. Nesse cenário, há relatos de pacientes precisando de oxigênio sem que profissionais percebam imediatamente que os cilindros estão vazios.

“A gente tem uma escala, dificilmente uma pessoa passa 18 horas trabalhando direto. Só se realmente quis dobrar plantão, tirou plantão de colega, mas a gente não tem essa escala de 18 horas corridas”, disse o coronel do Corpo de Bombeiros Everson dos Santos Cerdeira, diretor do HPGR.

De acordo com o departamento de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, o governo está contratando mais profissionais. Segundo a Secretaria de Comunicação do estado, a falta de profissionais é o que trava a abertura do hospital de campanha de Boa Vista, que daria um alívio para a unidade de referência. Segundo a pasta, há dificuldade nas contratações porque o mercado da área da saúde na região é reduzido e a maioria dos especialistas já possui mais de um vínculo. A informação é de que o local será inaugurado quando o quadro de funcionários ficar completo. O hospital de campanha foi construído pelo exército e sua entrega aconteceu no final de março. Ele terá capacidade para 1.200 leitos. Por sua vez, o HGR conta com 112 leitos de enfermaria e 38 com ventiladores mecânicos.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, até a última terça (2) Roraima tinha o quarto maior índice de contaminação por Covid-19 no Brasil com 635,6 casos para cada 100 mil habitantes. Até as 21h20 desta quarta, a secretaria estadual da saúde registrava 2.803 casos confirmados em Boa Vista com 100 óbitos. Abaixo, leia na íntegra nota enviada ao blog pelo departamento de comunicação da pasta sobre os problemas no Hospital Geral de Roraima.

“A Sesau esclarece que nos últimos dias houve um aumento da demanda de pacientes que procuram a unidade hospitalar em busca de atendimento. Porém vale ressaltar que no fim de semana as UBSs (Unidade Básica de Saúde) funcionam de forma limitada, o que causa o aumento no fluxo de pacientes no HGR.

Em relação aos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) em Roraima, na rede pública de saúde, de acordo com o Plano de Enfrentamento ao Coronavírus (COVID-19), a Unidade de Referência para atendimento da COVID-19, é o HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento), o único hospital de todo o estado para adultos. Atualmente o Hospital conta com 112 leitos de enfermaria e 38 leitos com ventiladores mecânicos.

Ressalta-se ainda que, nos meses de maio e junho, Roraima registra o aumento de casos relacionados às doenças respiratórias comuns, como gripes e resfriados, por conta do período de inverno. E nesse momento há ainda uma demanda maior, por conta da pandemia causada pelo Coronavírus (COVID-19).

Vale reforçar que todos os pacientes estão sendo assistidos, uma vez que a gestão está adotando providências para reorganização do fluxo para ampliar o número de leitos e assim garantir o atendimento a todos.

Para suprir essa necessidade e viabilizar o trabalho adequado dos servidores da saúde, o Governo está contratando mais profissionais para ampliar o quadro de servidores nas unidades hospitalares, incluindo o HGR”.

Para médico e professor plano de retomada deixa SP entre ciência e ganância

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

A convite do blog, o médico sanitarista e professor universitário Sérgio Zanetta, analisa o plano de retomada às atividades em São Paulo durante a pandemia de Covid-19.

Covid-19: São Paulo entre a ciência e a ganância

SÉRGIO ZANETTA

Médico sanitarista e professor universitário

 

A pandemia da covid-19 ensina constantemente. Os aprendizados, poucos, que são consistentes com as evidências mundiais podem ser resumidos em 5 dimensões:

  1. Controle do contato com higienização das mãos, roupas e superfícies; uso de máscaras pessoais, etiquetas de tosse e espirro e restrição de circulação.
  2. Controle da transmissão: isolamento social para reduzir o contágio e, desta forma, reduzir o impacto dos casos sobre o sistema de saúde, sob risco de colapso.
  3. 80% dos casos tendem a ter poucos ou nenhum sintoma, mas 20% vão precisar de cuidados hospitalares, 5% UTI.  Os 80% de casos mais leves tendem a circular e transmitir a covid-19. O isolamento social além de estratégia é “tratamento preventivo” para a contaminação.
  4. Não há vacinas nem remédio específico para tratamento (não há mesmo!). O uso de oxigênio infundido no sistema respiratório (de cateter nasal até assistência ventilatória mecânica – respirador) por vários dias, ajuda a melhorar as chances de recuperação e tratamento. Além de outros tratamentos de suporte.
  5. Não há exames efetivos disponíveis para fazer a testagem necessária de todos os suspeitos e, desta forma, poder usar estratégias mais seletivas e focadas de isolamento. Não há produção nem distribuição adequadas no mundo.

Quem hesitou em seguir esses aprendizados no mundo pagou um alto preço em sofrimento, em vidas perdidas, além de prejuízos materiais. A Itália, os Estados Unidos são exemplos emblemáticos desse desfecho.

No Brasil, a cidade e o estado de São Paulo se transformaram no epicentro da pandemia, em grande medida por suas relações comerciais, turísticas e culturais com a Europa e, notadamente, a Itália.

Os governantes de São Paulo assumiram, desde cedo o compromisso de atender aos imperativos da ciência para organizar as ações de combate a covid-19, através de comitês de técnicos e cientistas da área. Instituíram regras de isolamento social e tomaram medidas apropriadas para isso, resistindo à pressão de setores, sobretudo, comerciais. As dificuldades decorreram do discurso federal negacionista da pandemia e as ações políticas de desinformação que até hoje instigam seguidores e “assanharam” as bases políticas municipais ligadas, sobretudo ao comércio e serviços, além dos templos religiosos, dentre outros.

O documento publicado como plano “Retomada Consciente” que, (neste 1º de junho), autoriza a flexibilização das regras de isolamento social, apresenta a contradição entre as evidências e a sua inspiração.

As evidências documentadas corroboram o acerto e o sucesso (relativo) na contenção da transmissão da covid-19 no Estado de São Paulo, indicando quantos casos de doença foram subtraídos da tendência inicial, quantas mortes foram evitadas e, o melhor, que as curvas de crescimento da doença estavam iniciando uma tendência de retificação (de aplainamento) demonstrando o sucesso da estratégia. Lembremos que os outros países do mundo só conseguiram controlar a transmissão quando promoveram a redução efetiva e sustentada dos novos casos. 

O curioso é que o atual plano do governo de São Paulo parte desse reconhecimento, no entanto, toma a decisão inversa, que foi interromper a estratégia até aqui, vitoriosa, e antecipar – sem nenhuma base científica ou empírica – o final das regras mais rígidas do isolamento social. O que a ciência recomendou e demonstrou como acerto, ou seja, o isolamento com redução da progressão do contágio e a diminuição do número de mortos, teve como resposta o relaxamento prematuro do isolamento social e, como inspiração, apenas a ganância. 

Esse erro capital é justificado por indicadores que mais parecem projeções produzidas sob encomenda para dar um pseudocientificismo e objetividade às decisões cuja inspiração não é a melhor ciência.

Um bom exemplo são os critérios de cobertura assistencial (lotação dos leitos locais) para definir o nível do isolamento na grande São Paulo que, além de não serem parâmetros preditores suficientes do colapso assistencial, desconsideram as dinâmicas do sistema de saúde e da sua integração sistêmica regional. Essa contradição tem sido observada por prefeitos que – percebendo a fragilidade das regras e atendendo a pressões comerciais municipais pleiteiam  e conseguem,  de forma equivocada, a alteração do status de suas cidades.

Desta forma, vamos abandonar as poucas certezas adquiridas em mais de cinco meses da covid-19 e ignorar o aprendizado mais importante que tivemos com a pandemia: é preciso evitar saídas não seguras, pois elas podem promover tragédias humanas inaceitáveis, justamente, porque seriam evitáveis.

Comorbidades neurológicas são as mais presentes em crianças com Covid-19

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ESPECIAL COVID-19

Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta (29) aponta comorbidades neurológicas como fator de risco mais presente em crianças de 0 a 12 anos incompletos diagnosticadas com Covid-19. Os dados foram coletados entre 16 de fevereiro e 23 de maio. Estão no levantamento 662 casos. Em 17,8% deles foram constatados problemas neurológicos. O relatório, porém, não detalha quais.

Das crianças doentes, 270 registraram algum fator de risco, sendo que 48 apresentavam comorbidades neurológicas. Na mesma faixa etária, em segundo lugar como fatores de risco mais encontrados aparecem imunodepressão e asma com 14,4% cada. Em seguida vem cardiopatia, com 10%.

A doença evoluiu em 402 crianças. Foram 62 óbitos (15,4%) registrados em pacientes entre 0 e 12 anos incompletos. O número de recuperados atingiu 340 (84,6%).

O relatório também traz dados sobre adolescentes entre 12 anos completos e 18 anos com Covid-19. Foram 254 infectados. Nessa faixa etária o fator de risco mais presente é a asma, que apareceu em 21,5% dos casos. Em segundo lugar estão as comorbidades neurológicas, registradas em 20% dos casos. Em 146 dos adolescentes a doença se desenvolveu. Foram 109 curados (74,7%) e 37 mortes (25,3%). Entre os adolescentes, 32,5% apresentavam algum fator de risco.

O boletim ainda mostra que entre os pacientes com idades até 18 anos, 43,7% apresentavam alguma comorbidade. Destes, 67,5% tinham até 12 anos incompletos, de acordo com o estudo do Ministério da Saúde. Os estados que tiveram maior número de casos registrados até 18 anos no período foram: São Paulo (40,7%), Rio de Janeiro (11,5%) e Pernambuco (10,8%). O documento destaca que não há dados relativos ao Acre e que o Amapá não registrou casos em crianças e adolescentes.

MP vê pelo menos descuido de SP em compra de respiradores chineses

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS

Após ouvir mais de dez depoimentos no inquérito que apura se houve irregularidade na compra de respiradores chineses por parte da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o Ministério Público paulista avalia preliminarmente que o governo estadual foi pelo menos descuidado na compra. Porém, apesar da quantidade de pessoas já ouvidas, a investigação ainda não está perto de ser concluída. Por isso, não há conclusões definitivas. A secretaria nega ilegalidades no procedimento (veja nota completa no final do post).

Pelo que a promotoria apurou até aqui, um dos descuidos teria sido pagar uma quantia significativa antecipadamente, ou seja, antes de receber os equipamentos, fundamentais para o tratamento de pacientes de Covid-19 em estado grave.

Conforme mostrou reportagem da “Folha de São Paulo”, a secretaria estadual pagou antecipadamente US$ 44 milhões (cerca de R$ 233,1 milhões) por respiradores que deveriam ter sido entregues em abril. Até a publicação da reportagem tinham chegado 50 dos 3.000 equipamentos comprados, de acordo com a publicação.

Ainda na linha de falta de cuidados por parte do governo, a promotoria entende que não foi assinado um contrato formal nos padrões brasileiros com previsão de multa para casos de atrasos ou de não entrega dos equipamentos. A apuração do Ministério Público aponta para a existência de um termo de compromisso entre as partes, prática normalmente e legalmente usada pelos chineses, segundo a investigação. Porém, para o MP, o compromisso firmado não dá garantias ao estado de ser ressarcido em caso de descumprimento do acordo.

Em nota enviada ao blog por meio de sua assessoria de comunicação, a secretaria afirma que há, sim, garantia contratual de recebimento de multa em caso de não cumprimento do trato. Declara ainda que, entre a documentação que possui para comprovar a lisura da operação, está a “Fatura Proforma”, que, segundo ela, substitui legalmente o contrato. Em outro ponto, a nota afirma que o estado decidiu agir para salvar vidas de pacientes que não tinham tempo para esperar.

O entendimento no Ministério Público é de que a gravidade da pandemia permite a dispensa de licitação para as compras emergenciais, mas não dispensa as formalidades para que elas sejam realizadas. No caso, a suspeita é de que algumas delas teriam sido deixadas de lado.

Por enquanto, a promotoria tem dificuldade para concluir se houve sobrepreço na compra dos respiradores porque a corrida pelo equipamento fez seus valores dispararem e quantias diferentes serem praticadas internacionalmente.

Mais apurações serão feitas antes que integrantes do governo comandado por João Doria (PSDB) sejam ouvidos. investigação é conduzida pelo promotor José Carlos Blat, da promotoria do Patrimônio Público. Ele desmembrou o inquérito inicial, sobre os respiradores, em outros cinco. O total de compras investigadas nos inquéritos equivale a R$ 695,3 milhões.

A seguir, leia na íntegra a nota enviada ao blog pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

“A Secretaria de Estado da Saúde adquiriu 1.280 respiradores chineses junto à empresa Hichens. O pedido original de 3 mil equipamentos foi repactuado e teve como premissa básica a entrega dos equipamentos até meados de junho, prazo máximo para atendimento à demanda da rede pública de saúde e pico da pandemia no Estado.

São Paulo é o epicentro da crise do novo coronavírus, com mais de 6,7 mil mortes e 89,4 mil casos. Os dados epidemiológicos apontam disseminação da doença em território estadual e o aumento de infecções tem reflexo direto na demanda da rede hospitalar, em especial por leitos de Terapia Intensiva. Para salvar a vida dos pacientes que não têm esse tempo para esperar o Estado decidiu agir. Tanto que as entregas do lote de 1.280 respiradores já começaram a acontecer e 183 equipamentos já estão em fase de calibragem.

O contrato firmado junto à Hichens prevê a devolução do dinheiro e multa de 10% sobre o valor caso haja descumprimento das cláusulas do documento. O Governo do Estado antecipou o pagamento de US$ 44 milhões diretamente à Hichens mediante o parecer da Procuradoria Geral do Estado, reconhecendo a urgência da aquisição e prática global de antecipação no mercado. As compras emergenciais seguem a Lei 13.979 da COVID-19.

A Secretaria apresentou ao Ministério Público documentos referentes à aquisição, com instrumentos previstos na Lei federal 8.666, que institui normas para licitações e contratos da Administração Pública. A legislação cita, por exemplo, nota de empenho ou ordem de execução de serviço, exibida inclusive na própria matéria.

A Proforma Invoice/Fatura Proforma é outro instrumento adequado que integra a relação de documentos da Secretaria. Conforme definição do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, “a Fatura Proforma substitui o contrato. Este documento formaliza e confirma a negociação, desde que devolvido ao exportador contendo o aceite do importador para as especificações contidas.

A pasta permanece disposição do órgão para esclarecimentos.”

Casos de Covid-19 quase dobraram em Porto Alegre desde que times voltaram

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Desde que Grêmio e Internacional voltaram aos treinos físicos, com permissão da prefeitura, os casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Porto Alegre quase dobraram. O mesmo aconteceu com o número de óbitos por Covid-19 registrados na cidade.

O retorno das equipes de futebol ao trabalho, com restrição e medidas sanitárias, junto com a retomada de outras atividades, por meio de decreto municipal, foi um marco no relaxamento do distanciamento social para combater a pandemia no município.

Atletas dos dois clubes retornaram ao trabalho no último dia 5, quando tinham sido registrados 537 casos de pessoas contaminadas pela Covid-19 em Porto Alegre, de acordo com gráfico disponível em boletim produzido pela Secretaria Municipal de Saúde. O mesmo documento apontava que até as 17h desta terça o número de infectados havia subido para 1049.

Nesta terça, o gráfico apontava que desde a volta dos rivais aos treinos o número de óbitos por Covid-19 na cidade passou de 17 para 32.

Especialistas na área da saúde demonstram preocupação com o aumento de casos e atribuem o crescimento principalmente ao relaxamento das medidas de distanciamento social. No último dia 19, novo decreto municipal autorizou outros estabelecimentos a funcionarem com restrições, como shoppings e restaurantes.

De acordo com o site da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, a taxa de ocupação em leitos de UTI para adultos na capital era de 75% até as 8h05 desta quarta (27). Já a taxa de ocupação de leitos fora de UTI para adultos infectados pelo novo coronavírus era de apenas 10,6%.