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Covid-19: com 108 profissionais contaminados, HC não vê falta de proteção

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, um dos mais importantes do país, contabilizou até o dia 30 de março 108 funcionários infectados pelo novo coronavírus. No entanto, o hospital não relata escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs) para quem atua na linha de frente. A falta desses materiais é hoje uma das principais preocupações do Ministério da Saúde.

Indagada pelo blog sobre a quantidade de profissionais da saúde a serviço do HC que foram infectados pelo vírus, a assessoria de imprensa do hospital enviou um balanço sobre os casos registrados, mas não dividiu as estatísticas por profissões exercidas pelos funcionários examinados. Também não há informações sobre o número de contaminações ocorridas no ambiente de trabalho ou fora dele.

“O HCFMUSP informa que o estoque (de EPIs) está regular e que há um plano em andamento para que não falte insumo”, diz trecho do comunicado.

O HC afirma que seu centro de atendimento a colaboradores atendeu a 2.549 profissionais até 30 de março. Desse total, 1.244 fizeram testes para saber se foram contaminados pelo novo coronavírus. Foram 108 casos positivos.

A nota informa ainda que neste momento 125 funcionários estão afastados para evitar risco de contaminação.

O blog havia perguntado a quantidade de casos graves e se houve óbito entre os profissionais da saúde do HC, porém, a resposta não trouxe esse detalhamento. Abaixo veja a nota na íntegra.

“O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP já atendeu, até o balanço de 30 de março, no Centro de Atendimento ao Colaborador (CeAC), 2.549 colaboradores. Destes, 1.244  foram testados e 108 confirmados. Hoje, 125 funcionários permanecem afastados para evitar qualquer tipo de contaminação, entre suspeitos e confirmados. O HCFMUSP tem cerca de 20 mil colaboradores. Informa ainda que todos os colaboradores  que precisam estão recebendo atendimento e aqueles com sintomas, de acordo com o protocolo, estão realizando testes. Todos os suspeitos são afastados temporariamente até confirmação do resultado. Aqueles que têm o exame positivo estão isolados e recebendo tratamento de acordo com protocolo. O HCFMUSP está realizando todos os esforços e seguindo todos os protocolos de segurança, inclusive com todos os equipamentos de proteção necessários, para garantir a segurança de pacientes e colaboradores. E reafirma seu apoio e admiração por todos os seus profissionais, que estão na linha de frente do combate à pandemia”.

Clubes podem cortar salários sem atletas concordarem? Advogados divergem

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O que acontece se jogadores não aceitarem eventuais reduções salariais impostas por seus clubes? Em busca dessa e de outras respostas sobre os efeitos da interrupção dos campeonatos por conta do avanço do novo coronavírus, o blog ouviu dois advogados com larga experiência na área.

Eduardo Carlezzo e João Henrique Chiminazzo têm entendimentos diferentes sobre a possibilidade de redução salarial. Abaixo, confira as respostas de ambos para as mesmas perguntas

 Blog do Perrone – Se os jogadores de um clube não aceitarem a redução salarial proposta pela direção, como fica a situação?

Eduardo Carlezzo – Entendo que a melhor via seria uma solução bilateral, com flexibilização de ambos os lados. Contudo, a realidade é que isto está cada vez mais distante e, sendo assim, o clube tem a opção, unilateral e prevista na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de reduzir os salários em até 25% neste período de crise. Segundo o art. 503 da CLT, isto pode ser feito em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, o que é justamente o que estamos vivenciando. Nestas condições pode haver a redução geral dos salários dos empregados, proporcionalmente aos salários de cada um, não podendo ser superior a 25% (vinte e cinco por cento). Não tenho dúvidas de que essa força maior já foi configurada.

João Henrique Chiminazzo – Para haver a redução, as partes precisam chegar a um acordo. Não pode ser imposto pelo clube. Eu acho que esse artigo (503 da CLT) é inconstitucional.

Blog – Há margem para algum jogador contestar a redução na Justiça do Trabalho?

Carlezzo – O artigo da lei tem um texto bastante claro, de forma que havendo um caso de força maior, que é claramente o que estamos vivendo hoje, aliado ao prejuízo financeiro, que claramente os clubes estão sofrendo em razão da paralisação,  vejo como baixa a chance de êxito por parte dos atletas caso o assunto chegue ao judiciário.

Chiminazzo – Entendo que sim. Os jogadores têm boas chances de vencer na Justiça. A constituição diz que o salário é irredutível, e como a constituição é posterior à CLT e é uma “lei maior”, ela tem prevalência.

Blog – Os contratos podem ser prorrogados automaticamente para se adequarem às mudanças do calendário?

Carlezzo – Neste caso não há previsão legal. Deveria haver um entendimento geral que passe pela CBF para que isso ocorra, na hipótese de prorrogação das competições. A FIFA está neste momento estudando o assunto e suponho que irá se posicionar sobre o tema, já que não é simplesmente uma questão local, mas sim global.

Chiminazzo – Entendo que sim. Desde que seja mantido o pagamento integral dos salários.

Blog – E como fica, por exemplo, um jogador contratado só para o Estadual e que já tenha assinado pré-contrato com outro clube para o segundo semestre?

Carlezzo – Neste momento, estão valendo as disposições e prazos dos contratos assinados.

Chiminazzo – Eu acho que se ele comprovar a impossibilidade da prorrogação, por ter um pré contrato assinado, desde que não seja de ma-fé, acredito que a prorrogação não poderá ser exercida  Mas acho que vale o bom senso.

Blog – Tem algo mais que gostaria de esclarecer?

Carlezzo– É isso. Abordamos o principal e mais urgente.

Chiminazzo – O clube conceder férias agora acho viável e justo.

 

Como anda o “caso Ronaldinho Gaúcho”?

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Achou estranho que o caso  “Ronaldinho Gaúcho” desapareceu em meio ao noticiário sobre o avanço do novo coronavírus? Neste post, o blog atualiza a situação do ex-jogador do Barcelona e de seu irmão, Assis, que seguem presos no Paraguai por portarem e usarem documentos paraguaios falsos para entrar no país.

Com o endurecimento das regras de isolamento social no Paraguai, a Justiça local trabalha em regime de urgência. Isso limita os pedidos que os advogados dos brasileiros podem fazer na tentativa de apelar novamente contra as prisões preventivas de ambos.

Os defensores dos irmãos esperam receber uma notificação informando que foi concluída a perícia nos celulares deles.

O Ministério Público não estipulou um prazo para o trabalho ser finalizado. Porém, a defesa trabalha com no máximo 15 dias a partir de 17 de março, quando a perícia foi iniciada.

Procurado pelo blog, Osmar Legal, um dos promotores responsáveis pelo caso, não respondeu às mensagens sobre os exames nos aparelhos.

Os advogados de Ronaldinho e Assis têm demonstrado tranquilidade neste momento. O discurso é de confiança de que os dois serão colocados em liberdade depois da conclusão das perícias.

Eles afirmam que não serão encontradas mensagens que indiquem participação de ambos em outros crimes ou algum vínculo com pessoas suspeitas de outros delitos.

Um dos argumentos da Justiça para manter as prisões preventivas é a necessidade de investigar se eles estão envolvidos em outras ações criminosas. Lavagem de dinheiro é uma das possibilidades levantadas pelas autoridades paraguaias.

Covid-19: contra crise, ministério busca mais 200 milhões de máscaras

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ESPECIAL  COVID-19

Um dos principais gargalos no combate ao avanço do novo coronavírus no Brasil é a disponibilidade de máscaras descartáveis de proteção para profissionais da área da saúde e de pacientes. O que o Ministério da Saúde tem feito para tentar resolver o problema?

O blog enviou essa pergunta para a pasta. A resposta é recheada de números estratosféricos. Foi realizado processo de compra de 45 milhões de máscaras cirúrgicas, sendo que 10 milhões delas já foram distribuídas, segundo a nota da área de comunicação.

Também de acordo com a assessoria de imprensa do ministério, novo processo de compra foi iniciado para a aquisição de mais 200 milhões de máscaras cirúrgicas.

A pasta informa prever um investimento de R$ 140 milhões para reforçar os estoques estaduais e municipais de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) usados por profissionais da saúde.

Entidades das classe médica e de enfermagem relatam situações dramáticas por conta da falta desses equipamentos. Profissionais têm sido contaminados por causa dessa carência.

Médicos que examinam pacientes com suspeita de contaminação ou contaminados pelo vírus são orientados a descartar os equipamentos após cada exame. O kit de proteção tem outras peças, como luvas, gorro, óculos e avental.

Devido à pandemia, as compras estão sendo feitas em regime de dispensa de licitação. Os contratos ficam disponíveis no site do Ministério da Saúde.

Como exemplo de custo das máscaras, a pasta se comprometeu a pagar R$ 2.400.000 para a empresa Farma Supply pela aquisição de 1.500.000 máscaras cirúrgicas. O custo de cada uma é de R$ 1,60.  Abaixo, leia a nota enviada pela comunicação do Ministério da Saúde na íntegra.

“O Ministério da Saúde informa que realizou processo de compra de 45 milhões de máscaras cirúrgicas, das quais já foram distribuídas 10 milhões para todo o país. Desse total, além do envio das unidades destinadas ao uso de profissionais da linha de frente no atendimento da rede pública e pacientes nos estados, 940 mil máscaras foram para Polícia Federal, 349 mil para hospitais federais e 120 mil para a administração penitenciária. Novo processo de compra já foi iniciado para  aquisição de mais 200 milhões de máscaras cirúrgicas.

Cabe ressaltar que a demanda mundial de máscaras por conta da pandemia de coronavírus tem feito com que o Brasil busque alternativas para abastecimento desse insumo. A pasta comprou toda a produção nacional e aguarda a chegada de insumos vindos da China.

As máscaras cirúrgicas são parte dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) que estão sendo adquiridos pelo Ministério da Saúde para reforçar os estoques de estados e municípios no enfrentamento do COVID-19. A previsão inicial da pasta para garantir esse reforço é de R$ 140 milhões.  Para saber mais sobre os contratos assinados pelo Ministério da Saúde relacionados ao COVID-19 acesse: https://www.saude.gov.br/contratos-coronavirus “.

 

Covid-19: anúncio de medidas vira aula de como não se prevenir

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ESPECIAL NOVO CORONAVÍRUS*

Uma aula de como não se prevenir contra a transmissão do novo coronavírus. Foi o que se viu no pronunciamento de Jair Bolsonaro e dos presidentes do Banco Central, da Caixa Econômica Federal e do BNDES, nesta sexta (28), para anunciar medidas visando minimizar os efeitos econômicos da pandemia. A falta de cuidados continuou na entrevista coletiva realizada na sequência, sem a presença do presidente da República.

Apesar de terem sido disponibilizados microfones individuais, eles acabaram usando o mesmo quase o tempo inteiro.

Além disso, durante o pronunciamento, os participantes se mantiveram próximos uns dos outros, sem respeitar a distância mínima de dois metros recomendada por muitos especialistas.

Bolsonaro, que tem 65 anos e está na faixa etária de maior preocupação para os médicos, abriu os trabalhos. Falou e deu lugar a Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Ele meteu a mão no microfone para ajustá-lo e, em seguida, segurou o púlpito.

Neto interrompeu sua fala e foi para outro microfone. Imediatamente, Bolsonaro se dirigiu para onde o executivo estava. Foi reclamar dos problemas no sistema de som. O capitão colocou as mãos sobre o púlpito, antes local de descanso para as mãos de Neto.

Autoridades da área da saúde recomendam desinfetar superfícies que foram tocadas por outras pessoas. Se isso não for possível, como era o caso, a recomendação é não tocar nesses lugares.

A sequência de descuidos continuou com Pedro Guimarães, presidente da Caixa, decidindo se afastar do microfone que estava à sua frente para usar o de Neto. Enquanto isso, Bolsonaro cochichava com um dos participantes do pronunciamento. A orientação dos especialistas é para que se evite falar muito perto de outra pessoa. Guimarães também cochichou com uma mulher que apareceu no palco.

Ao trocar de microfone com Bolsonaro, o presidente da Caixa tocou no braço do chefe. A orientação para se evitar contato físico foi desrespeitada por ele de novo com pelo menos um toque nas costas de Neto, que encostou no suporte do microfone, tocado em seguida por Gustavo Montezano, presidente do BNDES.

E foi assim até o final, sem alguns dos cuidados que o Ministério da Saúde pede para a população adotar com o objetivo de dificultar a transmissão do vírus. 

Diretor do Procon diz que pandemia é explorada por quadrilhas

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ESPCIAL NOVO CORONAVÍRUS*

Em entrevista ao blog, Fernando Capez, diretor executivo do Procon de São Paulo, afirmou que já existem no Estado quadrilhas com o objetivo de explorar consumidores durante o avanço do novo coronavírus.

“São quadrilhas especializadas em vender máscaras e álcool em gel por preços abusivos. Eles arrumam uma casa, um ponto comercial, e fazem a distribuição clandestina. Como a procura é muito grande, os produtos acabam logo. Eles fecham o local, dificultando o trabalho da polícia”, disse Capez.

“Encontramos caixa de máscara que custa no maximo R$ 100 sendo vendida por R$ 400”, disse o diretor.

Segundo ele, também há estabelecimentos formais praticando preços abusivos. O Procon pediu a 500 locais notas fiscais referentes a compras de determinados produtos nos últimos três meses para checar se houve reajuste abusivo dos preços. “Vamos multar quem estiver fazendo isso. Os aumentos não vão compensar o valor da multa”, declarou.

Ainda segundo o diretor, um homem foi detido nesta semana em Arujá por vender uma caixa de máscaras por R$ 400. “O preço é abusivo e ele foi detido por crime contra a economia popular”, afirmou o diretor.

Capez pede que os consumidores que detectem cobranças abusivas façam denúncias por meio do site do Procon (http://www.procon.sp.gov.br/) ou pelas redes sociais da instituição.

A pedido do blog, o diretor deu dicas para o consumidor se proteger na compra de outros produtos durante a pandemia. Confira abaixo.

Gás

“O preço correto do botijão é R$ 70. Não existem motivos para cobrarem mais. Não pague R$ 100 num botijão, denuncie”.

Supermercados

“Conversei com representantes de supermercados e eles me garantiram que não há risco de desabastecimento. Então, não é preciso estocar mantimentos. Também não há motivos para grandes mudanças nos preços”.

Passagens aéreas

“Uma medida provisória determina que as companhias devem dar créditos em até 12 meses para quem não conseguiu viajar (por causa da pandemia). É melhor aceitar os créditos do que ir à Justiça. O processo pode demorar e você pode perder”.

*Além dos habituais posts publicados neste blog, por tempo indeterminado, esse espaço também será dedicado a temas relacionados ao novo coronavírus

Opinião: contra isolamento, Bolsonaro lembra Eurico em queda de alambrado

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O discurso de Jair Bolsonaro na última terça-feira (24) estimulando a população a sair de casa, apesar da quarentena imposta por governadores, lembrou uma das atuações mais bizarras do polêmico ex-presidente do Vasco Eurico Miranda. 

Em 2000, o então comandante vascaíno forçou a barra para tentar tirar torcedores caídos no campo após a queda do alambrado de São Januário. Ele queria seguir a todo custo com a final entre seu time e o São Caetano valendo o título da Copa João Havelange, correspondente ao Brasileiro daquele ano.

Tanto Jair na terça como Eurico no passado receberam críticas de todas as partes por deixarem a impressão de que consideravam algo mais importante do que vidas.

As duas desastrosas ações também se assemelham nos quesitos ataques a governadores, à imprensa de maneira geral e à TV Globo especificamente.

O presidente da República causou indignação em parte considerável da sociedade brasileira com falas contrárias ao isolamento social para combater o avanço do novo coronavírus. Foram declarações como: “nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos”, “o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade” e “por que fechar escolas?”.

Em 2000, Eurico, morto no ano passado, foi mais seco ao entrar esbaforido, encharcado de suor e com sangue nos olhos para tentar tirar vítimas do acidente em São Januário do campo. 

 “Se você pode andar, cai fora. Se não pode andar, fica aí”, disse o cartola, conforme registro da Folha de S. Paulo à época.

Hoje, Bolsonaro demonstra tanta preocupação com a economia do país que minimiza a pandemia responsável por mais de 16 mil mortes no mundo. Até ontem à noite,  57 delas tinham acontecido no Brasil.

Por sua vez, em 2000, Eurico minimizou o acidente com mais de 160 feridos para tentar dar prosseguimento ao jogo por razões óbvias. O jogo tinha apenas pouco mais de 20 minutos, mas o 0 a 0 que vinha sendo registrado daria o título ao Vasco.

Jogar outra partida inteira daria mais tempo para o São Caetano buscar a vitória. Além disso, Romário havia saído machucado e naquele momento não se sabia as condições dele para uma eventual nova apresentação. O presidente vascaíno não tinha nem a garantia de que o outro jogo seria no caldeirão de São Januário. E não foi.

No já histórico discurso de terça, Bolsonaro disparou contra os governadores que decretaram quarentena em seus Estados. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa”, ordenou o capitão.

Na partida decisiva interrompida, o entrevero de Eurico foi com Anthony Garotinho, então governador do Rio e que determinou a paralisação do jogo.

“O governador é um frouxo, incompetente. Ele manda no coronel (responsável pela segurança do estádio), não manda no Vasco. Ele fica num gabinete com ar condicionado, fazendo preces para Jesus”, disse. 

A fúria do dirigente atingiu também a imprensa. Ele chegou a ser acusado de tentar agredir um repórter depois de chamá-lo de idiota. O cartola ainda mirou na Globo, que era um de seus alvos preferidos noutra semelhança com Bolsonaro. “Vai dar problema para a televisão. Tem emissora que está com medo do que vai acontecer com sua programação”, disse.

Ou seja, em meio à confusão no estádio, com gente ferida no gramado, o dirigente arrumou tempo para atacar a imprensa e a Globo.

Soa familiar para você? O presidente da República fez a mesma coisa num cenário muito mais grave, enfrentando uma feroz pandemia. “Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão (de acalmar a população). Espalharam exatamente a sensação de pavor”, queixou-se Bolsonaro em seu discurso.

Depois, alfinetou sua inimiga íntima, a Globo, rotineiramente atacada pelo ex-presidente vascaíno.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico (Dráuzio Varella) daquela conhecida televisão.

Duas décadas atrás, Eurico venceu sua guerra. O Vasco bateu o São Caetano por 3 a 1 na nova partida, no Maracanã e levantou o caneco. Já o confronto de Bolsonaro contra os efeitos do avanço do novo coronavírus no Brasil está longe de ter um fim. No entanto, é certo que, aconteça o que acontecer, não será um final feliz. Não há felicidade quando se perde vidas.

Covid-19: quarentena em comunidade tem futebol, baralho e obra

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O fraco movimento de veículos no viaduto na região central de São Paulo por volta das 17 horas de terça-feira (24) denuncia que a cidade está num ritmo diferente. Ao lado dele, a pelada no campinho de terra no coração da comunidade do Moinho, próxima à região conhecida como Cracolândia, lembra um simpático feriado.

Mas, na verdade, é a primeira tarde da  quarentena que só não fechou o comércio essencial na capital paulista. Deveriam ser tempos de absoluto isolamento social para combater o avanço do novo coronavírus.

Foto: Ricardo Perrone/UOL

Do alto da janela de um edifício vizinho, os dez caras que mostram até mais disposição do que alguns profissionais, como todo bom peladeiro, parecem ignorar as orientações de prevenção contra a transmissão do vírus.

No momento em que não tocar o próximo virou regra de proteção à saúde, o jogo tem divididas e agarrões. Enquanto alguém vai buscar a bola rola até uma imitação de MMA entre dois amigos capaz de deixar o doutor Drauzio Varella sem ar, tamanha a transgressão às regras para evitar contágio.

Em volta do campo, uma turma que espera sua vez de jogar indica que mais gente na comunidade, colada a uma estrada de ferro ativa, trocou o isolamento pelo lazer.

Para completar o cenário de domingo no parque, um garoto passeia de bicicleta em volta do campo. Sem pressa, também passa por lá um casal.

Relativamente perto de onde se disputa a partida há um grupo jogando baralho numa mesa ao ar livre. Eles estão em frente do que parece ser um boteco.

Porém, nem todos na comunidade do Moinho estão em ritmo de folga. Bem próximo ao  viaduto tem gente dando duro. Homens estão descarregando um caminhão cheio de tijolos para tocar uma obra. O trabalho termina antes da pelada, que só se encerra quando acaba a luz natural.

A estreita rua principal, abarrotada de barracos, fica mais movimentada. É a vez de quem chega do trabalho com passo apertado atravessar a comunidade, que já foi alvo de pelo menos dois graves incêndios.

A galera do baralho resiste mais um pouco, numa troca frenética de jogadores. Às 20 horas eles já não estão mais lá.

 Ainda há movimento na rua, mas a comunidade está razoavelmente silenciosa. Um cão latindo aqui e uma criança gritando ali. O bar que praticamente todos os dias e noites toca forró no último volume parece ter dado um tempo, entrando no espírito da quarentena.

Baralho no lugar de quarentena

Por volta das 20h30, o silêncio é interrompido por um panelaço na região. São muitos os moradores de prédios na vizinhança protestando contra o presidente Jair Bolsonaro. Não dá para saber se parte do barulho vem da comunidade.

Apesar da sensação de tranquilidade demonstrada por moradores que desfrutavam a tarde ensolarada em meio à aglomeração de barracos, a situação das comunidades brasileiras têm sido alvo de preocupação de médicos durante a pandemia.

“Na minha opinião, sim, lugares que têm mais aglomeração de pessoas pela própria característica da comunidade merecem receber atenção especial a fim de minimizar os riscos de transmissão” disse ao blog Maria Luísa do Nascimento Moura. Infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Vila Nova Star”.

A médica respondia se, em sua avaliação, as comunidades precisam receber atenção especial das autoridades em relação a informações sobre a prevenção contra o novo coronavírus.

Maria Luiza também explicou os riscos de contaminação a que ficam expostas pessoas que jogam futebol ou cartas durante a pandemia como ocorreu na comunidade do Moinho.

“Qualquer ambiente que propicie aglomeração está sujeito a um maior risco de transmissão de coronavírus, isso porque o vírus é transmitido por gotículas presentes em secreções respiratórias que frequentemente são passadas por contato próximo ou por contato com superfícies contaminadas pelas mãos de pessoas infectadas. Sendo assim, atividades como jogar cartas e futebol, pelo contato próximo que as pessoas acabam tendo, também podem propiciar maior transmissão”, analisou a médica.

Demora para decisão de adiar Jogos Olímpicos arranha mais imagem do COI

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Demorou demais, mas, felizmente, o governo japonês anunciou o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021.

A demora para o anúncio da óbvia decisão arranha ainda mais a já amassada imagem do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Como se sabe, o comitê organizador e o COI só decretaram o adiamento depois de muita pressão de comitês nacionais.

Um anúncio mais ágil teria sido ótimo para ajudar na conscientização da população mundial em relação à gravidade do avanço do novo coronavírus.

O cara que ainda não entendeu direito o tamanho do problema, em alguns casos até por culpa de governantes que tratam a pandemia como uma gripezinha, teria sofrido esse impacto antes. Pensaria ele: “putz, se adiaram até a Olimpíada, o negócio é pior do que eu imaginava. É melhor eu me cuidar”.

Isso sem falar na falta de respeito com atletas que deveriam estar focados em suas saúdes e perderam tempo na dúvida sobre se a competição iria ou não ocorrer. A preparação de um competidor para disputar uma Olimpíada é algo extremamente complexo e estressante. Imagine juntar a isso a tensão de uma pandemia e a incerteza em relação à participação no evento que é o sonho de sua vida.

Certamente, o COI e o comitê organizador, incluindo o governo do Japão, perderam grande chance de mostrar ao mundo o quanto a vida é mais importante do que dinheiro. Grana, sim, porque só ela explica a demora para anunciar a única solução possível.

Apesar de pandemia, GP Brasil mantém previsão de vender ingressos em abril

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Apesar de uma série de adiamentos no Mundial de Fórmula 1 provocada pelo avanço do novo coronavírus, o GP Brasil mantém o seu cronograma inicial.

 A previsão de começar a venda de ingressos em abril está mantida. A corrida está marcada para 15 de novembro. A informação foi dada ao blog pela assessoria de imprensa da organização do evento.

Vale lembrar que, tradicionalmente, a maior parte da comercialização das entradas é feita pela internet.

Chase Carey, CEO da F-1, já anunciou que o calendário sofrerá várias alterações e que a competição terminará depois do previsto. A data de encerramento escolhida era 29 de novembro. O GP brasileiro é o penúltimo do ano. O dirigente, no entanto, não detalhou se a prova em São Paulo será afetada.

Por conta da pandemia, o campeonato de 2020 ainda não começou. Já foram canceladas as etapas de Austrália e Mônaco. As provas marcadas para Azerbaijão, China, Bahrein, Holanda e Espanha foram adiadas.

“Reconhecemos que existe um potencial significativo de novos adiamentos no atual calendário. No entanto, nós e nossos parceiros esperamos que a temporada comece em algum momento do verão (europeu), com um calendário revisado e com entre 15 e 18 provas”, escreveu Carey em nota oficial. Estavam programadas 22 etapas.

Ele também explicou que as tradicionais férias de verão dos envolvidos no campeonato foram antecipadas para março e abril  Assim, o período original do recesso de verão será aproveitado para realizar provas adiadas.