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Oposição corintiana se movimenta para cobrar ação contra Odebrecht

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Conselheiros de grupos oposicionistas do Corinthians recolhem assinaturas para tentar marcar reunião extraordinária do Conselho Deliberativo com o objetivo de emitir uma posição oficial do órgão sobre eventual ação contra a Odebrecht. A discussão se refere a supostas irregularidades que teriam sido cometidas durante a construção da arena alvinegra e também a obras que a construtora teria deixado de fazer ou executado de maneira incorreta, de acordo com resultado de auditoria encomendada pelo clube.

São necessárias 50 assinaturas de membros do conselho para que a sessão seja marcada. Caso ela aconteça e a maioria decida que o clube deve acionar a empresa, o resultado será enviado para a diretoria. O entendimento desses conselheiros é de que só a direção, sob orientação do presidente Andrés Sanchez, pode tomar a decisão de acionar ou não a construtora. Porém, a aprovação deixaria o cartola pressionado politicamente.

Odebrecht e Andrés sempre negaram terem sido cometidas irregularidades no projeto da casa própria corintiana. A construtora também nunca reconheceu  o resultado da auditoria. E afirma que deixou de fazer parte das obras por conta de um estouro no orçamento, mas em acordo com o Corinthians. Alega ainda que respeitou rigorosamente o contrato.

Trecho do requerimento que está sendo assinado diz que ação, se concretizada, visaria a “apuração de eventuais ilícitos cometidos na construção da Arena Corinthians, bem como pendências sobre obras inacabadas e com defeitos”.

O documento não cita quais seriam os supostos ilícitos, porém, recentemente, como mostrou o blog, conselheiros do grupo de oposição Frente Liberdade Corintiana foram à Justiça Federal para tentar tirar o sigilo de um inquérito no qual ao menos um dirigente corintiano estaria sendo investigado por supostamente receber dinheiro da Odebrecht em esquema de caixa 2.

A medida foi tomada depois de o jornal “O Estado de S.Paulo” publicar reportagem apontando o envolvimento de André Luiz de Oliveira, diretor administrativo do Corinthians e homem de confiança do presidente Andrés Sanchez, no caso. A acusação é relacionada à campanha do agora novamente presidente do Corinthians a deputado federal.

O advogado de André, Júlio Clímaco, nega que seu cliente tenha recebido valores da Odebrecht e cometido irregularidades. Andrés não fala com o blog, mas afirma publicamente não ter existido caixa 2 em sua campanha e nem falcatruas envolvendo a construção do estádio.

Outro trecho do requerimento diz que o pedido “fundamenta-se no que foi deliberado em reunião desse conselho no dia 4 de fevereiro de 2019 tendo transcorrido o prazo de três meses acordado com o diretor presidente da diretoria do Sport Club Corinthians Paulista para tentar uma solução amigável junto à construtora. Caso seja aprovada a proposta (de ir à Justiça), esta servirá de posição oficial do Conselho Deliberativo, a fim de ser remetida à diretoria para a devida análise dentro de seu poder discricionário”.

Em fevereiro, Andrés afirmou em encontro do órgão que estava perto de fechar um acordo com Odebrecht e Caixa sobre eventuais pendências. O trato evitaria o risco de uma longa disputa judicial.

A discussão no conselho deliberativo sobre o acionar a construtora na Justiça é antiga, assim como a pressão de conselheiros para que a diretoria tome esse caminho.

Cartolas corintianos ligados a caixa 2? Oposição vai à Justiça para saber

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Conselheiros do grupo oposicionista Frente Liberdade Corintiana apresentaram nesta sexta (10) na Justiça Federal de São Paulo requerimento para levantar (retirar) o sigilo de inquérito no qual pelo menos um dirigente do Corinthians estaria sendo investigado por receber dinheiro de caixa 2 da Odebrecht.

O pedido é uma reação à reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo” apontando o envolvimento de André Luiz de Olvieria, diretor administrativo corintiano e braço direito do presidente Andrés Sanchez, no caso.

A matéria diz que gravações de conversas telefônicas que teriam sido entregues por um doleiro à Polícia Federal indicam que André Negão, como é conhecido o cartola, teria combinado o recebimento de dinheiro suspeito. A quantia faria parte de um esquema de caixa 2 para a campanha de Andrés, eleito deputado federal pelo PT. Os dois dirigentes negam terem cometido irregularidades.

“No inquérito que apura o caixa 2 referido, não consta nenhuma gravação dessa ordem. Meu cliente nega qualquer envolvimento nesses fatos de recebimento de valores por parte da Odebrecht. Inclusive já prestou esclarecimentos a respeito no inquérito próprio. Acredito que as gravações estejam totalmente fora de contexto”, disse ao blog Julio Clímaco, advogado criminalista responsável pela defesa de André no caso.

Os conselheiros pedem para, na hipótese de a Justiça entender que não deve levantar o sigilo, terem acesso aos autos com o compromisso de não divulgarem as informações.

Entre outros motivos, o grupo alega que é dever estatutário dos conselheiros zelar pelos interesses do clube e por isso precisam confirmar se informações divulgadas pela imprensa são verídicas.

Delações na Lava Jato deixam diretor do Corinthians sob pressão

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Tema espinhoso no Parque São Jorge, a operação Lava Jato coloca neste momento o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) sob pressão no Corinthians. O UOL apurou que conselheiros oposicionistas se articulam para exigir o afastamento dele do cargo de diretor de relações institucionais e internacionais. Isso pelo menos até ser concluída investigação sobre afirmações feitas por delatores ligados à Odebrecht.

Cândido é acusado de ter recebido da construtora, por meio de caixa 2, doação de R$ 50 mil para sua campanha a deputado federal. A empresa teria interesse na ajuda dele em questões relativas ao financiamento para a construção da Arena Corinthians. O político nega ter cometido irregularidades.

Entre os que querem o afastamento de Cândido estão ex-apoiadores de Andrés Sanchez, presidente corintiano e responsável pela nomeação de seu colega de partido para a vaga na direção.

Os descontentes pregam a moralização no Corinthians. Eles afirmam que Cândido não pode representar o alvinegro enquanto o caso não for esclarecido. Alegam também que o fato de as denúncias envolverem o estádio corintiano, ponto sensível na agremiação, agravam a situação.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor e deputado afirmou conhecer o assunto mas o considerar irrelevante.

As declarações constam do inquérito registrado no STF (Supremo Tribunal Federal) sob o número 4448.  Em setembro, o órgão decidiu enviar o caso para uma vara federal de São Paulo já que os atos teriam sido praticados antes do início do mandato de Cândido como deputado. A investigação trata de supostas práticas de corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.

De acordo com o inquérito, Cândido, ex-dirigente da CBF, foi citado em depoimentos dos executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa Silva Júnior.

Os autos registram que Alexandrino declarou que, por já conhecer Cândido e saber de sua ligação com o futebol, o procurou em 2010 para tratar de assuntos relativos ao projeto de financiamento para a construção da Arena Corinthians. Na ocasião, o petista ainda não era diretor do clube.

O delator disse que recebeu pedido do político de doação para a sua campanha a deputado.

“Vicente Cândido nos ajudou bastante a buscar uma solução para a questão do financiamento do estádio pela prefeitura de São Paulo, tendo inclusive ido falar pessoalmente com o prefeito Fernando Haddad em nosso favor”, aponta outro trecho do relato sobre o depoimento de Alexandrino.

Por sua vez, Benedicto afirmou às autoridades que autorizou a doação de R$ 50 mil para o petista, por meio de caixa 2, sob o argumento de “disposição para defender os interesses da companhia”.

Conforme dados da investigação, Paschoal teria ficado encarregado do repasse em duas parcelas de R$ 25 mil nos dias 2 e 30 de setembro de 2010.

Em seu depoimento, o responsável pela alegada doação afirma que Cândido chegou a reclamar do valor e pediu uma quantia maior.

Ouvido na sede da Polícia Federal em Brasília, em 31 de maio do ano passado, o agora dirigente corintiano declarou que antes das eleições de 2010 Alexandrino o informou que ele estava entre os candidatos para os quais a Odebrecht pretendia fazer doações. E que na ocasião respondeu que não aceita contribuições por meio de caixa 2, exigindo eventual repasse de forma legal. Afirmou que as demais tratativas foram conduzidas pelo tesoureiro de sua campanha.

Segundo o relato, a construtora ficou de doar R$ 50 mil por meio de uma das empresas do grupo econômico da Odebrecht, mas o petista não se recorda se a doação foi feita. Alega que não consegue identificar se nas doações repassadas por meio de seu partido está alguma quantia originária de empresa ligada à Odebrecht. E que na sua prestação de contas não identificou doadoras vinculadas à construtora.

Cândido disse ainda que não recebeu pedido para compensar a doação. Ele também afirmou que nunca tratou com os prefeitos Gilberto Kassab e Haddad sobre o financiamento relativo à Arena Corinthians.

O deputado ressaltou que sempre defendeu o Morumbi como palco de abertura da Copa do Mundo de 2014, tendo organizado um seminário com esse objetivo. Assim, segundo ele, não faria sentido atuar em favor do estádio alvinegro.

Cândido registrou que assistiu aos vídeos com os depoimentos dos delatores e que não viu indicação de que houve contrapartida pela doação eleitoral. Por fim, repudiou “veementemente” acusação do Ministério Público Federal (MPF) sobre prática de corrupção ativa e passiva.

Os delatores forneceram planilhas com codinomes de políticos que teriam recebido doações. Segundo eles, o recebedor de verbas apelidado de Palmas é Cândido.

Andrés Sanchez, que como presidente corintiano tem poder para afastar da diretoria seu colega no PT, é apontado no material produzido pelo MPF como apelidado pelos executivos de “Timão”.

Lista que faz parte da investigação indica Sanchez como suposto destinatário de pelo menos R$ 2 milhões (dois repasses de R$ 500 mil e dois de R$ 1 milhão) da Odebrecht por meio de caixa 2 para sua campanha a deputado em 2014.

André Luiz de Oliveira, atualmente diretor administrativo do Corinthians, é indicado pela acusação como intermediário responsável por receber o dinheiro. Em 2016, Oliveira chegou a ser alvo de condução coercitiva em uma das fases da Lava Jato.

Andrés e André negam terem praticado irregularidades. À “Folha de S. Paulo”, o presidente corintiano sustentou no ano passado que não recebeu recursos  da construtora para sua campanha.

 

Por economia de 47%, Arena Corinthians troca empresa de manutenção

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Por sugestão do Corinthians, o Arena Fundo de Investimento Imobiliário, responsável por parte das decisões na casa corintiana, tirou da manutenção predial do estádio a Tejofran, uma das mais antigas parceiras do palco dos jogos da equipe. Sob a alegação de gerar uma economia de 47% nas despesas para manter o local, a empresa Manserv assumiu o trabalho.

O gasto mensal com a Tejofran já incomodava a diretoria anterior que o considerava alto, tanto que foi alvo de cortes com redução do serviço prestado.

A mudança está registrada em ata de assembleia geral extraordinária do fundo realizada no dia 25 de outubro.

“Em assembleia, o quotista Sport Club Corinthians Paulista apresentou os valores devidos ao novo prestador de serviços (Manserv) com redução de 47% do atual contrato, os quais foram aprovados pelos demais quotistas”, diz trecho da ata que autoriza a troca de empresas.

Procurada, a assessoria de imprensa do Corinthians afirmou que a troca é resultado de uma busca do clube por custos mais baixos.

O valor da economia em reais não foi anotado no documento. Porém, o informe do fundo relativo ao terceiro trimestre deste ano disponível na CVM (Comissão de Valores Imobiliários) registra despesa de R$ 1.165.768,33 com manutenção e conservação no período.

Conforme mostrou o blog em setembro do ano passado, relatório feito na ocasião por conselheiros encarregados de analisar a situação da Arena Corinthians apontou que a despesa com a Tejofran era de R$ 271.102,81 mensais. Isso após uma redução de 42,19% no valor anterior que era de R$ 469.603,45.

A saúde financeira da arena é uma das principais preocupações da diretoria e do Conselho Deliberativo do clube.

Além do contrato com o Fundo, a Tejofran fez acordo com o Corinthians para cuidar da vigilância e da limpeza da arena. Esses serviços também foram dispensados, segundo fonte ligada à diretoria alvinegra.

Na mesma assembleia foi aprovada a troca da administradora do fundo. A empresa Planner foi indicada para substituir a BRL Trust, que estava no negócio desde o início. A mudança, no entanto, depende de aprovação do departamento de compliance da Odebrecht, que ainda analisa o caso.

Outra decisão foi aumentar o escopo da auditoria feita pela RSM Auditores Independentes. O trabalho até então envolvia apenas as receitas as geradas pelos jogos no estádio. De acordo com a ata, agora também será feita a “verificação e fiscalização do fluxo de todas as potenciais receitas a partir da operação e agenciamento”.

A ampliação do alcance da auditoria atente a exigências contratuais estabelecidas entre Odebrecht, Caixa e Corinthians.

Rosenberg x Citadini expõe dúvidas no Corinthians sobre dívida por arena

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Reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians no último dia 23 teve educado embate entre Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing, e Antônio Roque Citadini, um dos candidatos de oposição à presidência derrotados por Andrés Sanchez em fevereiro. A discussão foi sobre uma das maiores preocupações de conselheiros corintianos atualmente: como pagar a dívida gerada pela construção da arena alvinegra?

A postura de cada um simboliza como situação e oposição têm expectativas diferentes sobre o desenrolar do caso. A diretoria tenta transmitir otimismo e confiança de que tudo vai se resolver favoravelmente para a agremiação. Já o diagnóstico da oposição é de uma situação extremamente delicada.

Rosenberg falou antes do opositor na reunião. Discorreu sobre necessidade de renegociar contratos assinados pelo clube em relação ao estádio diante de um período de recessão no país posterior à assinatura dele e pela dificuldade de conseguir negociar os naming rights.

O diretor declarou que a estratégia da diretoria é primeiro cumprir cláusulas que não vinham sendo cumpridas, especialmente voltar a pagar as parcelas do financiamento de R$ 400 milhões intermediado pela Caixa junto ao BNDES. Segundo ele, isso já foi feito e não há prestação atrasada. Depois seriam buscadas melhorias no contrato a favor do clube.

Em seguida, a direção conversaria com a Odebrecht a respeito de um acordo sobre parte das obras que não teriam sido feitas ou tenham sido mal executadas, apesar de a construtora negar que isso tenha ocorrido. Rosenberg disse ainda que a arena voltaria a ser gerenciada pelo departamento de marketing do Corinthians, como ele havia planejado, não com uma estrutura independente.

Ao pegar o microfone, Citadini lembrou que o clube quer refazer contratos com os quais a agremiação concordou. Ou, em outras palavras, o mesmo grupo que está no poder com Andrés Sanhcez, idealizador da arena ao lado de Rosenberg, quer mudar o que assinou.

Depois, o opositor colocou em dúvida que a Caixa aceite mudanças que beneficiem o clube. Citou uma auditoria que teria sido encomendada pelo banco e que colocaria obstáculos para eventuais alterações. Também falou sobre haver eleições presidenciais no país neste ano, o que pode implicar em mudança na diretoria da Caixa a partir de 2019. Segundo ele, isso faz com que seja difícil os atuais responsáveis pelo banco assumirem responsabilidades num tema delicado. Citadini vê um otimismo exagerado de Rosenberg e aposta em dificuldade maior do que a prevista por ele para melhorar a situação. Para o oposicionista, diante do cenário atual, resta aos conselheiros acreditarem num milagre.

O diretor de marketing respondeu que esperava ser criticado quando estipulasse metas tímidas a serem alcançadas, e não altas (o que ele acredita ser o caso agora).

No final, a maioria dos conselheiros deixou a reunião como entrou. Com dúvidas sobre como o clube vai se virar para pagar a dívida pela construção de sua casa própria.

Arena Corinthians vende cerca de 45% dos CIDs liberados para 2018

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Antes considerados micos, os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) agora animam os envolvidos na construção da Arena Corinthians. A prefeitura autorizou negociações equivalentes a R$ 45 milhões nesses títulos em 2018. Desde janeiro as vendas já atingiram R$ 20 milhões. Ou seja, antes da metade do ano 45% dos papéis disponíveis até dezembro foram comercializados.

A expectativa na Odebrecht é de que a nova derrota sofrida pelo Ministério Público na tentativa de considerar inconstitucional a lei que autorizou os incentivos fiscais ao estádio corintiano aumente o interesse de empresas nos títulos.

Até 2015, a venda dos CIDs ficou praticamente estagnada. Tanto Corinthians como Odebrecht culpavam a ação do promotor Marcelo Milani atacando os títulos como responsável pelo fracasso até então. Ele pede que a Justiça considere inconstitucional a lei assinada por Gilberto Kassab autorizando os incentivos fiscais ao estádio. Porém, o membro do MP já sofreu derrotas em primeira e segunda instâncias. Ele ainda pode recorrer.

A tese na construtora e no clube é de que, a partir da primeira vitória, as empresas perderam o medo de colocar dinheiro em certificados contestados na Justiça. A expectativa é de que a decisão mais recente reforce essa confiança.

Inicialmente, a autorização foi para a comercialização do correspondente a R$ 420 milhões em CIDs, divididos em cotas anuais. Porém, o valor aumenta porque os papéis se valorizam. Até agora foram arrecadados com a negociação total cerca de R$ 100 milhões. A quantia representa aproximadamente 20% dos papéis disponíveis, levando-se em conta o valor atualizado dos CIDs.

Parte considerável da venda foi feita para consórcios que têm a participação da Odebrecht. A receita obtida com a negociação dos certificados é usada integralmente para pagar a dívida do Corinthians com a construtora pela construção de sua arena.

Os responsáveis pela operação de comercialização esperam que os títulos equivalentes aos outros R$ 25 milhões liberados para 2018 sejam negociados antes do final do ano.

Os certificados são vendidos por valores inferiores ao preço de face. Os compradores usam os papéis para pagar parte de seus tributos municipais. A prefeitura desconta da dívida o valor cheio.

 

 

Como Corinthians e Odebrecht tentam reverter decisão sobre dívida por arena

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No último dia 22, Corinthians e Odebrecht deram o primeiro passo para se defenderem da sentença na qual a Justiça Federal do Rio Grande do Sul determinou o pagamento imediato da dívida com a Caixa Econômica referente  ao financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES

As duas partes apresentaram embargos declaratórios (instrumento jurídico que pede esclarecimentos sobre determinado ponto da senteça). A alegação é de que juíza Maria Isabel Pezzi Klein não teria levado em consideração na sua decisão um laudo de avaliação atualizado dos terrenos da sede corintiana dados como garantia de pagamento do empréstimo.

O documento citado por Corinthians e Odebrecht  mostraria que os dois terrenos em que ficam a sede do clube e o estádio do Parque São Jorge são suficientes para cobrir o valor da dívida. Há também outras garantias dadas pela Odebrecht.

A intenção é fazer com que a juíza leve em consideração o laudo citado nos embargos e que com base nele altere sua decisão desistindo de pedir o pagamento antecipado. Caso a decisão seja mantida, clube e Odebrecht irão recorrer em segunda instância.

Em trecho da sentença, Maria Isabel argumenta que imóveis sofrem depreciações com o tempo, enquanto os juros do financiamento aumentam constantemente o valor do débito. Assim, ela conclui que as duas propriedades corintianas valiam suficientemente para cobrir o financiamento de R$ 400 milhões em 2013. Mas que a hipoteca delas não deve bastar para quitar o débito atual.

No processo, a juíza faz referência a um laudo de avaliação dos imóveis apresentado pela Caixa em junho de 2017 mas com data base de 24 de maio de 2013.  O documento avalia a área em que está o estádio Parque São Jorge em R$ 193 milhões. Já o terreno da sede social do Corinthians aparece com valor de R$ 222 milhões. Os dois juntos, então, atingiam na ocasião R$ 415 milhões. No processo, a dívida é calculada em cerca de R$ 475 milhões, apesar dos pagamentos já efetuados. O aumento se deve a juros e a um período de inadimplência.

Durante a ação, o Ministério Público Federal chegou a pedir a reabertura do prazo para a apresentação de provas a fim de que uma nova avaliação dos imóveis fosse feita. O pedido foi negado pela juíza.

Juíza vê indício de fraude e pede mais investigação sobre Arena Corinthians

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Para a juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein há indícios de fraude na operação de repasse de R$ 400 milhões do BNDES via Caixa Econômica para a construção da Arena Corinthians que precisam ser investigados por outros órgãos. Ela também pede que os financiamentos feitos às demais arenas da Copa-14 também sejam alvos de investigações.

A afirmação faz parte da decisão judicial que determina que Corinthians, Odebrecht, a SPE Arena S/A e Jorge Fontes Hereda, ex-presidente da Caixa, quitem dívida referente a R$ 400 milhões financiados para o estádio corintiano. O valor do débito deve ser acrescido de juros. A magistrada do Rio Grande do Sul determina que a Caixa tome todas as providências para ser ressarcida. Vale lembrar que uma série de garantias foi dada para o pagamento. Entre elas, estão dois terrenos em que fica o Parque São Jorge, sede do Corinthians. O contrato prevê que a área pode ser hipotecada pela Caixa em caso de inadimplência.

As partes envolvidas negam irregularidades e vão recorrer da decisão (leia as notas de Odebrecht e Corinthians no final do post).

Em trecho da decisão, a juíza diz que detectou na operação “a existência de fortes indícios de práticas fraudulentas feitas sob a aparência de uma contratação formalizada. Tais evidências e indícios, no entanto, deverão – e assim espero – ser devidamente investigados pelas autoridades competentes para o combate à macrocriminalidade.  As autoridades competentes (MPF, TCU), Polícia Federal, por certo, não se restringirão às irregularidades relativas a esta contratação (referente à Arena Corinthians), mas de todo o programa governamental denominado BNDES PróCopa Arenas 2014”.

Ela explica que outras instituições devem fazer as novas investigações, pois elas extrapolariam o objeto da ação popular em questão.

Uma das irregularidades apontadas por Maria Isabel no caso do estádio alvinegro é a falta de licitação para definir a construtora que faria a obra. A juíza argumenta que a Odebrecht já tinha construído boa parte da arena quando o financiamento foi liberado. Por meio de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) o dinheiro acabou beneficiando a Odebrecht, que recuperou parte dos seus gastos com a obra e criou a empresa com o Corinthians.

“Nessa linha, se acaso fosse possível imaginar uma política pública que justificasse financiamentos para construções ou reformas de estádios de futebol pertencentes às empresas privadas, o mínimo que deveria ter sido respeitado seria um amplo certame que identificasse quais seriam as construtoras e empreiteiras que se habilitariam com as melhores propostas”, afirma trecho da decisão judicial. A magistrada também argumenta que o que ocorreu na preparação para a Copa foi um direcionamento  para determinadas construtoras. No caso da arena corintiana, para a Odebrecht.

Ela ainda sustenta que a empresa criada não é de fato uma SPE. Ou seja, teria havido apenas uma simulação para conseguir o financiamento sem garantias concretas de que a Caixa receberia o dinheiro. Maria  Isabel usa úmeros para defender que o modelo de negócio não era viável. De acordo com informação constante no processo, em 8 de maio de 2017, tinham sido pagos cerca de R$ 59,2 milhões dos R$ 400 milhões. Dessa verba, R$ 14,69 milhões foram usados na dívida principal e o restante para quitar juros.

O período de inadimplência de Corinthians e Odebrecht em relação ao financiamento também faz parte da argumentação.

Abaixo, veja as notas enviadas ao blog por Corinthians e Odebrecht sobre a decisão.

“O Sport Club Corinthians Paulista reafirma a lisura e a regularidade jurídica do processo de financiamento efetuado para a construção da Arena Corinthians. Entre as diversas provas presentes nos autos, destaca-se que o próprio banco repassador, Caixa Econômica Federal, e o Tribunal de Contas da União se manifestaram pela regularidade do repasse, apresentando pareceres consistentes e inequívocos. Sendo assim, o Corinthians informa que fará uso dos recursos judiciais cabíveis para reverter a decisão de primeira instância”.

 

“A Construtora Norberto Odebrecht S/A lamenta a informação, pois ficou demonstrado nos autos do processo a plena legalidade do processo de financiamento para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, por meio do programa Pró Copa Arenas. A Odebrecht, que é parte na ação popular, apresentará os devidos recursos nas instâncias superiores após a intimação formal e ciência da íntegra da decisão.”

 

 

Corinthians vê Odebrecht disposta a acordo e garantia para Caixa como “nó”

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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

A diretoria do Corinthians acredita que a Odebrecht tem interesse num acerto para considerar quitada a dívida do clube com ela, mas vê como entrave para fechar o negócio a falta de garantias do clube para dar a Caixa Econômica Federal.

Num dos modelos de acordo idealizados, o clube daria os Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), avaliados em mais de R$ 450 milhões, como parte do pagamento pela construção de sua arena. Além disso, descontaria cerca de R$ 151,4 milhões referentes a obras que não teriam sido feitas de acordo com o escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva, aproximadamente R$ 63,5 milhões relativos a trabalhos que precisam ser refeitos e mais multa de R$ 23 milhões por não finalizar o estádio no prazo. A dívida com a construtora hoje é avaliada pelo clube em cerca de R$ 976 milhões.

Essa proposta de acordo foi sugerida pela comissão do Conselho Deliberativo que analisou a situação da arena. Ela propõe que, a partir da negociação com a Odebrecht, o clube assuma sozinho a dívida pelo financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES. Nesse caso, a Odebrecht retiraria as garantias que deu para a Caixa, intermediária do financiamento, e o alvinegro teria que apresentar outras no lugar. E aí que está o nó.

Em reunião do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), na última terça, Emerson Piovezan, diretor financeiro alvinegro, afirmou que a Odebrecht está disposta a fazer um acordo, mas que a dificuldade é encontrar garantias para dar a Caixa, além de algumas que já foram dadas pelo clube.

Recentemente, o Cori rejeitou proposta que dava as receitas do programa do Fiel Torcedor, seu programa de sócios para o futebol, como garantia para a Caixa numa operação que mudaria a forma de pagamento do financiamento dos R$ 400 milhões, sem envolver acordo de quitação com a construtora.

Por mensagem de celular, o blog pediu a Piovezan uma entrevista para falar sobre o assunto, porém ele não respondeu.

Já a Odebrecht afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem informações sobre o tema acordo e que não participa das reuniões do Cori.

A construtora nega que tenha desrespeitado o contrato para a construção da Arena Corinthians.

Sobre os Cids, em março deste ano, tinham sido negociados R$ 42,5 milhões. A maioria foi comprada por consórcios com a participação da Odebrecht. Na ocasião, havia contratos que garantiam a negociação de papéis no valor de R$ 70 milhões com companhias desvinculadas da construtora. Quem compra os certificados, com desconto no valor de face, usa os documentos para quitar impostos municipais.

Auditoria vê risco para público na Arena Corinthians. Odebrecht nega

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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Auditoria feita na Arena Corinthians pelo escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva aponta riscos para o público em pelo menos dois casos por conta de obras supostamente malfeitas. Clube e Odebrecht, no entanto, contestam o laudo e afirmam não haver perigo para os frequentadores.

O relatório lista “ações emergenciais” e “obras a serem iniciadas de imediato” para solucionar os problemas. Entre as situações de periculosidade são citados riscos de novas quedas de forro do estádio e de placas de mármore na área dos elevadores. As peças poderiam atingir os frequentadores. Até agora foram registradas quedas fora de dias de jogos e ninguém se feriu.

“Refazimento do forro de gesso acartonado, seguindo as corretas orientações, substituindo as fixações em rebites e as estruturas de suporte conforme detalhado em nosso relatório, em função do alto risco de acidentes com o público”, diz trecho do documento produzido pela empresa contratada pelo Corinthians.

O entendimento dos auditores é de que o desprendimento da placa de gesso que caiu numa área da entrada mais luxuosa da arena em fevereiro de 2016 aconteceu porque o forro estava preso com rebite, mas deveria estar fixado com parafuso. Na ocasião, a Odebrecht afirmou ter vistoriado o forro do estádio, reforçando as partes em que viu necessidade disso.

O estudo também sugere o “refazimento do revestimento de mármore (do tipo) Nero Marquina nos elevadores e paredes seguindo as normas técnicas. Atualmente, existe risco iminente de quedas de placas de mármore e, consequentemente, risco de acidentes graves com o público circulante.” Em fevereiro de 2016 houve quedas de placas de mármore instaladas perto da porta de um elevador da arena.

Ainda de acordo com a auditoria, há problemas de drenagem no setor Oeste “com graves consequências na estabilidade da estrutura do estádio”.

Há ainda, entre outras recomendações, pedidos de construção de casa de máquinas para os sistema de ar condicionado, instalação de sistema de extração de fumaça e mudanças em peças da cobertura do estádio com o sistema de condução de águas pluviais sendo refeito.

O escritório Cláudio Cunha terminou suas vistorias na arena em abril, mas a conclusão do relatório e a entrega para a diretoria só aconteceu no segundo semestre.

Apesar de apontar riscos para o público, a auditoria não pede a interdição do estádio ou de setores dele.

O que diz a Odebrecht

Consultada pelo blog, a construtora disse que “reafirma que a arena não tem problemas que coloquem em risco o público, conforme atestam órgãos externos que lá passaram, como Defesa Civil, Ministério Público e subprefeitura, entre outros”.

O que diz o Corinthians

O blog procurou a assessoria de imprensa do Crointhians responsável pela arena para falar sobre o assunto e recebeu a seguinte nota como resposta:

“Todos os itens apontados pela auditoria estão sendo tratados internamente e não trazem qualquer risco aos frequentadores da Arena Corinthians”.