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Vida dura a do São Paulo…

Leia o post original por Antero Greco

Amigo corintiano, parabéns, curta a classificação para mais uma final de campeonato. Veio nos pênaltis, depois da vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, na bacia das almas, já nos acréscimos. O que, no fim das contas, deu sabor especial à vaga para definir o Paulistão nos duelos com o tradicionalíssimo rival Palmeiras.

O Corinthians, enfim, mostrou de novo algo que se tornou rotina nas últimas décadas: é time de chegada. Entra para ser ator principal e não simples figurante. E chega com chance de levantar a taça da qual tem uma coleção enorme. Mesmo com problemas – mas esse é tema que falaremos em outra oportunidade.

Fechemos o espaço alvinegro e vamos para o tricolor.

E que tristeza… Só quem já foi eliminado em cima da hora, a poucos segundos de alcançar objetivo, sabe o quanto frustra, dói, machuca, aborrece situação como essa. Deixa p* da vida. Não tem como trazer palavras de consolo num momento assim apertado.

Vá lá, se serve para amenizar, registre-se que houve comportamento digno nos confrontos com o Corinthians. No primeiro tempo do domingo e em quase todo o jogo desta quarta-feira. O São Paulo não foi aquela equipe chocha, abatida de antemão que se via até recentemente. Ao contrário, acreditou em si e deu trabalho enorme para o adversário.

Esse o destaque da tropa comandada por Diego Aguirre.

Mas será suficiente para fazer com que, ainda em 2018, rompa o jejum de títulos? Só o empenho ajudará na Copa do Brasil, no Brasileiro, na Sul-Americana? A garra, decantada na superação contra o São Caetano nas quartas de final e na vitória de domingo, é quanto basta para recolocá-lo na trilha do sucesso?

Não creio. Infelizmente, parece pouco

O São Paulo versão atual tem limitações idênticas às de versões anteriores da última década. O elenco está aquém do que o torcedor deseja e do que a direção apregoa. É mediano que quase chega a uma final por meandros do regulamento. Mas, na técnica, hoje está abaixo de seus rivais locais – Palmeiras, Corinthians e Santos.

Isso ficou evidente no Estadual. O São Paulo soberano, altivo, recheado de craques e campeão de tudo, tem uma cara comum. Certo que lá estão alguns jogadores de renome, como Jucilei, Cueva, Nenê, Diego Souza, porém o todo não apresenta poder de intimidação. Não impõe respeito, por ser previsível.

Se não houver reviravolta, e eis aí o desafio de Aguirre, os são-paulinos viverão de episódios de brilho, de espasmos de qualidade. Como nos jogos com o Corinthians, em que foi bem nos dois primeiros tempos, para depois cair na realidade, retrancar-se e ficar à espera de que o relógio se tornasse o grande aliado.

Vida dura a do São Paulo, tempos complicados.

 

Aguirre, não vai ser fácil…

Leia o post original por Antero Greco

Começo da madrugada de domingo, e fico aqui a imaginar se o Diego Aguirre já foi deitar. Penso que não. Embora o jogo com o São Caetano tenha terminado mais de seis horas atrás, o técnico do São Paulo talvez ainda esteja a remoer o que aconteceu no Anacleto Campanella.

E deve ter boa dose de adrenalina a circular pelo corpo dele. Não apenas pelo resultado – derrota por 1 a 0, logo na estreia no banco tricolor. Mas pela forma como ocorreu o deslize. Meus amigos, o Tricolor negou fogo, e feio. Jogou uma bolinha murcha, como reconheceram técnico recém-chegado, dirigentes e até um ou outro atleta.

Para preocupar.

Claro que não julgo aqui o trabalho de Aguirre. Seria coisa de maluco, burro ou mal-intencionado. Ou as três coisas juntas. Ele desembarcou no clube dia desses, só orientou um treino, escalou o time, viu a rapaziada entrar em campo para ver no que ia dar.

E o que deu não foi nada legal.

O São Paulo esteve travado diante de um São Caetano arrumado e que soube aproveitar, a rigor, a melhor chance que surgiu, numa vacilada de Jean que Chiquinho aproveitou. O Azulão ao menos fez isso. E a turma tricolor? Foi devagar, quase parando.

Aguirre apelou para o quinteto experiente que Dorival Júnior, num primeiro momento, também havia considerado como a saída ideal: Jucilei, Petros, Cueva, Nenê, Diego Souza. Não funcionou. O time não teve velocidade nem foi ofensivo. Jucilei foi substituído no segundo tempo, assim como Cueva, desaparecido em campo. Os outros foram figurantes.

Sobressaiu Valdivia, que corre por fora nesse grupo e talvez seja aquele que, aos poucos, ganha destaque. Mas insuficiente para evitar a derrota.

Claro que a diferença pode ser anulada na terça-feira. Não é esse o ponto. O xis da questão é que, mesmo com novo comando, persiste o problema maior no São Paulo: a falta de confiança, que se manifesta em desempenho “burocrático”, sem graça.

Resumo da ópera: a tarefa do Aguirre, de reerguer o time, será pra lá de complicada.

Gabigol quase estraga a noite do Santos

Leia o post original por Antero Greco

Gabigol é bom jogador. Não deu certo a aventura na Europa, não aproveitou passagem pela Inter e pelo Benfica e voltou pra casa. Tem sido útil ao Santos, mas precisa amadurecer um bocado. Já andou levando amarelos por vacilos no Paulistão e na noite desta quinta-feira por pouco não complica a vida do time, no jogo com o Nacional, pela Taça Libertadores.

Os santistas estavam em vantagem por 1 a 0, enfrentavam adversário complicado no Pacaembu e Gabigol tentava contribuir para a vitória. Só que teve dois momentos de impertinência: o primeiro ao levar cartão amarelo por reclamação, nos minutos iniciais, em lance que não tinha nada a ver com ele. Depois, aos 44, dividiu forte, de maneira imprudente e desnecessária, no campo do rival. Tomou o segundo amarelo e o vermelho.

Saiu de campo a perguntar: “O que eu fiz? O que eu fiz?” Fez bobagem. E por pouco não enrosca a vida da equipe no segundo tempo. Desfalque certo para o próximo jogo.

A compensação esteve nos pés de outros dois companheiros dele: Sasha, autor do primeiro e do terceiro gols, e de Rodrygo, que fez o segundo. Esse foi um golaço: o rapaz, de 17 anos, arrancou do meio-campo feito Fórmula 1 e só parou quando viu a bola na rede dos uruguaios. Valeu o ingresso para os 20 mil torcedores que estiveram no Estádio (ainda) Municipal.

O Santos esteve perto de resultado melhor, se Artur Gomes tivesse marcado o pênalti que sofreu e cobrou. O rapaz, 19 anos e outra cria da base, acabara de entrar no lugar de Rodrygo e só não fez a farra porque a bola ficou nas mãos do goleiro Conde. Porém, mostrou personalidade ao ir para cima do zagueiro, no lance da falta na área, e foi participativo até o fim.

O resultado em casa compensa a derrapada na estreia e mostra que, aos poucos, Jair Ventura dá cara boa ao Santos. De novo, jovens de talento despontam, encorpam e fazem o torcedor esquecer que, entre o fim de 2017 e começo deste ano, foram embora Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Zeca.

É o Santos a se reconstruir.

Mas fica o alerta: Gabigol precisa botar na cabeça que não é o astro da companhia. Nem se achar que pode bancar o xerife. Assim vai quebrar a cara outras vezes.

 

Palmeiras coloca mais dúvidas no SP

Leia o post original por Antero Greco

Palmeiras e São Paulo entraram em campo na noite desta quinta-feira cercados de interrogações. A principal delas: o que esperar de ambos na sequência da temporada, após oscilações iniciais? Qual dos dois é confiável? Ou melhor: algum é confiável?

Pois bem, após os 2 a 0 no Allianz Parque, as dúvidas aumentam para o lado tricolor. Como botar fé numa equipe que tem mais derrotas do que vitórias (5 a 4) na fase de grupos do Paulistão? Como acreditar que o sufoco de 2017 não venha a se repetir neste ano? Qual a capacidade do grupo de engrenar ainda no Estadual? Até onde vai a eficiência do técnico?

As questões procedem, e haveria outras a acrescentar, porque a tropa de Dorival Júnior esteve perto de amargar de forma mais pesada a sexta queda em seis apresentações no estádio palestrino. No primeiro tempo, sobretudo, os anfitriões jogaram muito mais, chegaram aos gols que definiram o placar e poderiam ter feito ao menos mais um.

Houve melhora na segunda parte, com a entrada de Nenê, Trellez e Shaylon nas vagas de Marcos Guilherme, Brenner e Hudson, ainda assim insuficiente para garantir quem sabe o empate. O momento mais emocionante ficou por uma bola na trave chutada por Trellez.

Mesmo com ritmo menos intenso, o Palmeiras não foi ameaçado, reclamou de um pênalti em Dudu e teve um lance de gol anulado (bem difícil para a arbitragem). Mandou no jogo, com a consciência de que não seria ameaçado pelo adversário.

Obteve a sétima vitória, retomou a liderança geral isolada e murchou a tensão provocada por dois empates e duas derrotas nas rodadas recentes da competição. De quebra, reencontra em Borja o artilheiro que não deu as caras no ano passado. O colombiano fez o sexto gol dele. (Antonio Carlos, de cabeça, havia aberto a contagem.)

O mérito palmeirense foi o desempenho seguro no primeiro tempo, desta vez com marcação eficiente e com movimentação intensa de William, Dudu e Lucas Lima. O técnico Roger Machado ainda pôde fazer novas observações, ao colocar Moisés (saiu Bruno Henrique) e Scarpa (saiu William) na parte final. Felipe Melo foi para o banco, mas por contusão.

As limitações são-paulinas são diversas, e passam de defesa, para o meio-campo e o ataque. Embora ainda possa soar precoce, é para o torcedor ficar com a pulga atrás da orelha. O perfil da equipe, por ora, não é dos mais entusiasmantes.

E, não há como fugir da dúvida derradeira: como ficará Dorival, que não consegue fazer o time vencer clássicos? E isso não é de agora…

Romero e polêmicas estéreis

Leia o post original por Antero Greco

Amigos, se me permitem chamá-los assim, vamos falar um pouco do Romero? Sim, o moço que joga no Corinthians, paraguaio como Arce, Romerito, Gamarra, Balbuena. Nosso vizinho mandou muita gente boa fazer fama e (assim espero) fortuna por aqui.

No domingo, depois do jogo pegado que Santos e Corinthians fizeram no apagado Pacaembu, Romero saiu de cabeça quente, por discussão com David Braz, falou um monte e fechou o desabafo com um: ‘Time pequeno”, para falar da festa do adversário pelo 1 a 1.

Foi um deus nos acuda. A declaração parecia decretar o fim dos tempos e desencadeou chuva de celeuma e debates estéreis. Santistas ficaram possessos e não lhe faltaram críticas por parte da imprensa. Algumas, dizem, com exageros. (Escrevo dizem porque não vi – e isso pode ser falha minha.)

Bem, Romero foi deselegante ao fazer tal afirmação. Tanto que tentou limpar a barra, ao chamar repórteres para um desabafo na tarde desta terça-feira. Disse que não disse o que disse, ou que não era bem assim, etc e tal. Que, claro, que o Santos é grande, que não negaria Pelé, Robinho, Neymar e por aí vai.

Só que, na ânsia de justificar-se, alegou que manteve silêncio para ver o que diziam dele. E ficou estarrecido com postura de xenofobia da maioria da imprensa. Pede análise para o que faz em campo e não admite ofensas ao país dele. No que está correto: eu espumaria de raiva se falassem com preconceito a respeito do Brasil. Preconceito jamais.

Mas, para não tomar mais seu tempo, fecho a conversa com algumas observações e sugestões. Uma delas: se houve excesso nas críticas ao Romero, no que se refere a racismo, ele tem o direito e o dever de denunciar. Dar nomes aos bois. Ou melhor: de chamar os bois (ou antas) para se explicarem na Justiça. Só assim para combater xenofobia.

Outra coisa: nem é para tanto barulho o que ele falou. Quantas vezes, no calor de uma discussão, soltamos uma besteira quilométrica, na qual nem nós acreditamos? Ofendemos para provocar o oponente. Depois, com cabeça fria, percebemos a bobagem, voltamos atrás, procuramos o desafeto, pedimos desculpas e tratamos de reatar.

Creio tenha sido isso que aconteceu com Romero. Bastava, portanto, que viesse a público nesta terça-feira para dizer só um “Pessoal, falei aquilo de cabeça quente. Desculpe aí o mau jeito. E o maior carinho e respeito pelo Santos.”

Simples e direto. E bota no pau se alguém exagerou e se comportou como racista cretino.

 

Palmeiras sem direito a chorumelas

Leia o post original por Antero Greco

Tinha um personagem na “Escolinha do Professor Raimundo” – aquela do Chico Anisio – que se chamava Pedro Pedreira. O intérprete era o falecido Francisco Milani. O sujeito era nervoso e enrolador. Diante de afirmações complicadas, ele pedia provas, documentos, depoimentos.

Enfim, queria certezas. E ainda arrematava com um bordão delicioso. “Não me venha com chorumelas!” Quer dizer, sem papo furado.

Pois, ao ver a derrota do Palmeiras para o São Caetano por 1 a 0, na noite desta segunda-feira, no Allianz Parque, me vieram em mente frase e comediante. Não tem desculpa para o tropeço. E, mais do que o resultado, para o futebol pobre apresentado para a plateia.

Não convence dizer que se tratava de mistão, já que os titulares descansam para o clássico de quinta-feira com o São Paulo. Não vale o papo de desentrosamento. Nem a conversa de que o adversário foi lá para jogar “por uma bola” e se defender.

Era obrigação do Palmeiras ganhar. E ele negou fogo. Como aliás, aconteceu nos empates com Linense (em casa) e Ponte Preta, além da derrota para o Corinthians. São quatro rodadas sem vencer. E, ressalto ainda, com futebol pouco convincente.

A turma que Roger Machado colocou em campo em grande parte já foi titular. Prass, Fabiano, Michel Bastos, Guerra, Keno, Tchê Tchê e por aí vai. Fora Scarpa, contratado como a jogada de mestre do mercado da bola em 2018.

Jogadores de elenco badalado, de novo apontado como candidato a papar títulos. Títulos, bom lembrar, que não vieram no ano passado.

O Palmeiras levou o gol aos 6 minutos (Chiquinho) do primeiro tempo, por desatenção total. Meio atordoado, ainda deu espaço para o São Caetano arriscar e quase toma outro. Demorou para acordar e para incomodar, um pouco, Helton Leite, goleiro que se machucou no segundo tempo.

Roger inovou com Guerra centralizado, com Scarpa e Keno pelos lados. Não deu certo, mesmo com o empenho do venezuelano. Mudou na etapa final, com a estreia do jovem Papagaio (no lugar de Guerra), depois colocou Willian na vaga de Tchê Tchê e Moisés substituiu Bruno Henrique. A equipe não se soltou.

Tudo bem que ainda é período de avaliações e testes. Ok que a classificação já está garantida. Isso não invalida a constatação de que, no torneio local, o Palmeiras deu uma baixada tremenda no nível de atuações.

Se Estadual não é parâmetro quando um time vai bem, o que pensar quando começa a ratear? No mínimo, coloca pulga atrás da orelha…

Fla, sem público e com pouco futebol

Leia o post original por Antero Greco

O Flamengo esteve perto da vitórias em duas ocasiões, ao ficar na frente do marcador. Mas, em dois momentos de desatenção, permitiu reação do River Plate. Moral da história: empate por 2 a 2, no Nilton Santos, na noite desta quarta-feira, e dois pontos perdidos na Libertadores, logo de cara.

Não foi a estreia imaginada pelos rubro-negros. Começou pela ausência de público, terminou com falta também de futebol consistente. Ok, houve reclamação, justa, a respeito de lance que poderia resultar em pênalti no primeiro tempo: Zuculini subiu para cortar, com o braço estendido, e a bola pegou nele. O árbitro Michael Espinoza achou lance acidental.

Mas a jogada discutível não escondeu instabilidade do Fla diante de um rival em parafuso. Isso mesmo, o River vai mal das pernas na Argentina e acumulava sequência de sete derrotas como visitante. Consolou-se com o ponto conquistado no Rio.

E sem ser exuberante. Longe disso: no primeiro tempo, jogou fechadinho. No segundo, atreveu-se na hora em que ficou em desvantagem, o suficiente para evitar a derrota. De quebra finalizou mais do que os anfitriões: 12 chutes contra 10.

Paulo Cesar Carpegiani confiou na criação de Diego, Everton Ribeiro e Everton, além da presença de área de Henrique Dourado. Jonas (depois Rômulo) e Lucas Paquetá aguentaram mais a marcação e a proteção ao sistema defensivo.

Funcionou pouco. Mais precisamente no segundo tempo, quando Diego sofreu pênalti que Henrique converteu e no gol de Everton. Em contrapartida, expôs limitações ao permitir duas vezes a igualdade. Mais do que isso: desperdiçou uma lei de ouro da competição: o mandante precisa ganhar todas em casa para ter vida menos difícil para seguir adiante.

Agora, o Flamengo terá de recuperar esses dois pontos como visitante. Contra o próprio River, por exemplo. A conferir. Tem muita água pra rolar. Mas ficou uma ponta de decepção.

Cruzeiro perde. E foi um jogaço

Leia o post original por Antero Greco

O torcedor do Cruzeiro vai dormir aborrecido nesta terça-feira. Constatação gritante. Não é nada satisfatório ver o time estrear com derrota na Libertadores – e por 4 a 2. Não era isso que se previa para quem iniciou a temporada a todo vapor – ao menos no plano doméstico.

Mas, se serve de conforto, viu um jogaço contra o Racing, no El Cilindro, em Buenos Aires. Ritmo intenso do início ao fim. E, sem exagero, se tivesse empatado estaria de bom tamanho. O Cruzeiro mostrou futebol para encarar o rival argentino.

Por que levou quatro, então?

Porque não teve Fábio, o que não significa que Rafael tenha falhado. Mas o titular dá outro status. Porque não teve Edilson e Leo, importantes na defesa. E o setor defensivo cochilou em momentos cruciais. Perdeu também porque Fred ficou apenas alguns minutos em campo; sentiu contusão, precisou sair cedo.

Mas o Cruzeiro caiu sobretudo porque o Racing tem Lautero Martinez. O que o moço jogou merece destaque e nota 10 com louvor. Ele desmontou o rival brasileiro, não só por ter feito os três primeiros gols, mas pela movimentação, deslocamentos, passes. Foi um tormento.

E o Cruzeiro não soube pará-lo. Não houve marcação atenta sobre Martinez. Não sou favorável à marcação homem a homem, algo superado no futebol. Porém, há casos em que jogadores que estejam “com a macaca” requeiram atenção redobrada. E isso não ocorreu.

O Cruzeiro também oscilou, o que é admissível diante das adversidades do placar. Começou bem e sentiu o golpe do primeiro de Martinez. Mesmo assim, reagiu e empatou com Arrascaeta. Daí, levou o segundo, sempre do Martinez, antes do intervalo.

No segundo tempo, voltou em busca de novo empate e… lá veio o terceiro. Com falta de Robinho, diminuiu. Quando imaginava o 3 a 3, veio a estocada final com Solari. Não tinha mais como reagir.

Mano Menezes colocou a equipe para a frente, e isso é bom. Mano tem alternativas para torná-la mais criativa. Agora, preciso cuidar da defesa, que só tinha sofrido um gol… só que no Campeonato Mineiro. O que é bem outra história.

A classificação virá, sem susto, se seguir esta conta: vencer as três como mandante e garantir dois ou três pontos como visitante (o que significa dois empates ou uma vitória fora). O chacoalhão de hoje pode ser útil lá na frente.

 

Quanto custa não ser um cuzão?

Leia o post original por Rica Perrone

Eu sei que você adora as pessoas que quase todo mundo adora. A fórmula simples da simpatia alheia é determinada pelo perfil do país, do mercado publicitário e da mídia:  seja um cuzão.

Quanto menos você achar alguma coisa, menos gente terá algo contra você. E quanto mais neutro e pica sonsa você for, mais fácil é pra uma marca se atrelar a você.

Logo, quanto mais cuzão, mais dinheiro.

Um departamento de marketing de uma empresa não tem culhão pra meter o Gustavo Lima numa propaganda hoje cedo porque ele, DENTRO DA LEI LOCAL, usou uma arma de fogo. Pior: emitiu a opinião dele que não é 100% bem vinda. E se desagrada alguém, não serve pra publicidade.

Não porque o Gustavo não mereça. Mas porque as empresas são fruto de uma sociedade cuzona, manipulada por uma mídia covarde que massacra e por um grupo de intelectuais/artistas que ditam o que pode ou não se achar.

Não vai ter propaganda com o Gentili e com o Gregório. Porque você sabe o que eles pensam. Tem bastante com o Leifert, e veja o dia de hoje na rede social o inferno que se tornou a vida dele porque disse algo que pensa.

Crescemos num país que não acha nada, que tem padrões determinados do que se deve ou não achar. Num país onde é permitido defender um bandido, mas não se pode emitir opinião favorável a um candidato que não agrada a classe artistica.

Onde a mídia camufla e manipula descaradamente os tons de cada palavra dada pelos seus inimigos/amigos conforme convém. E que até mesmo os resultados da política norte-americana nos são omitidos pela vaidade do jornalista/editor que bancou que não daria nada certo com fulano.

Quantos “famosos” você acha que votarão no Bolsonaro e não tem coragem de dizer?  Quantos queriam gritar “Lula 2018” mas perderiam uma parte dos fãs e portanto uma fatia de publicidade.

– Fulano, manda um abraço pra Belém!
– Nossa, Belem! Beijo Belem! Adoro Belem! Sempre que posso vou a Belem!

Mentira. Ninguém sempre que pode vai a Belem. Vai a Disney. É só clichê, e como esmola, você agradece.

Somos treinados para ser cuzões. O que você espera de um cuzão?

Quanto menos se pensa, menos se acha. Quanto menos se acha, mais você é aceito e mais você vende. Quanto mais se vende, mais importante fica. E quanto mais cuzão, mais relevante se torna.

Essa é a lógica de um país que “briga” feito uma menininha de 10 anos pelos seus direitos. Grita, berra, puxa cabelo, mas nem sabe exatamente o que está fazendo e menos ainda se está batendo ou apanhando.

Aqui ninguém bate, nem apanha. Porque a dica é passar ao lado da pancadaria. Ali não te leva a nada, não te faz melhor, não te ajuda a crescer. Mas paga bem. E que mal tem ser cuzão se for tomando champagne?

Duro é chegar aos 39 anos tendo como característica falar o que pensa e ser independente e notar que cada dia que passa você sonha em conseguir, quem sabe, se tornar um cuzão.  Porque entre brigar sozinho e ficar rico…  talvez seja melhor ser cuzão do que burro.

abs,
RicaPerrone

Clima de Santos reacende Gabigol

Leia o post original por Antero Greco

Parece cascata, mas não é. Tem jogador que se dá bem em determinados clubes. Pode ir embora, por um tempo, desanda e se reencontra quando retorna. O mais famoso que me ocorre, sem forçar a memória, é Roberto Dinamite.

Lá por mil novecentos e bolinha, deu tchau para o Vasco e se aventurou a jogar no Barcelona. Quebrou a cara, voltou rapidinho para São Januário e, na reestreia, fez a farra em cima do Corinthians, com cinco gols na vitória por 5 a 2. Regressou para ser ídolo de vez.

Lembrei dessa história ao ver Gabigol marcar pela quarta vez desde que foi acolhido pelo Santos, após desastradas experiências na Inter e no Benfica. O rapaz deixou o carimbo dele na vitória por 2 a 0 sobre o Santo André, na noite deste domingo, na Vila. Anteriormente, havia mandado a bola pras redes contra Ferroviária, São Caetano e São Paulo.

Está feliz da vida. E a torcida alvinegra também, porque imaginava que seria difícil encontrar substituto para Ricardo Oliveira, que debandou para o Galo mineiro.

Gabigol tem 21 anos e as etapas na carreira se sucederam com muita rapidez. Apareceu no Santos como alguém que iria fazer a plateia esquecer Neymar, participou do grupo medalha de ouro nos Jogos do Rio, chamou a atenção dos gringos. Desembarcou na Itália cheio de confiança e, em pouco tempo, desencantou-se e murchou o ânimo dos italianos.

Teve aparições esporádicas na Inter, com menos de seis meses quase é despachado de volta para o remetente. O Benfica foi uma tentativa de recolocá-lo no mercado europeu e ver se o investimento não ia por água abaixo. Travou também em Lisboa. Gabigol não desabrochou em duas das cidades mais bonitas da Europa – e do mundo. E em dois times míticos.

A sorte lhe deu outra oportunidade, com a perspectiva de recomeçar tudo no Santos. E, ao menos por enquanto, não deve estar arrependido. Tem dado conta do recado, faz gols, recupera a autoestima. E, quem sabe?, no futuro possa tentar a Europa novamente.

Os desafios mais agudos virão com a Libertadores, as fases decisivas do Paulista e o Brasileirão. Mas como importa o presente, que curta o bom momento.

Só não pode botar na cabeça que é a salvação da lavoura santista ou que é o herdeiro de Neymar. Daí o caldo entorna. Seja Gabigol, que já estará de excelente tamanho. Respire fundo e encha o peito com os bons ares santistas.