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Jogadores frágeis

Leia o post original por Flavio Prado

Muitos deixam seus clubes e voltam, meses depois, ganhando bem mais do que recebiam antes da ida e do fracasso no exterior.

 

 

Jogadores brasileiros são frágeis. Boa parte vai e volta rápido para clubes do exterior. Ruim para eles e para a imagem dos nossos profissionais que, despreparados, perdem para a “saudade”. Mas agora essa fragilidade não chega a ser um mau negócio. Muitos deixam seus clubes e voltam, meses depois, ganhando bem mais do que recebiam antes da ida e do fracasso no exterior.

Se deixam de lado prestígio, carreiras num nível mais elevado e até boa parte de dinheiro, voltam de forma confortável, muitas vezes até, sem perder nada, já que o clube de origem pagam a diferença. Para se livrar do chorão, medroso e percebendo que não conseguirão resolver o problema, as equipes internacionais optam por diminuir o prejuízo mensal.

Cada vez eles estão indo e voltando mais rápido, mas a tendência é também o número deles ser menor. Já que a saudade é um problema e dizem que é uma palavra que só existe no Brasil, fica mais fácil contratar argentinos, uruguaios, colombianos, etc, que têm melhor senso profissional e dificilmente voltam para casa alguns dias depois de saírem.

Campeonatos Fax

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Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras

Eles estão de volta, os campeonatos estaduais. Nada mais retrógrado e superado do que essas competições que só servem para torcedores saudosistas e cartolas, que se venderam pelo voto na CBF, recebendo em troca verbas de “incentivo” ao futebol de suas regiões. A resposta são os campeonatos locais.

Houve um tempo em que eles eram realmente atrativos. Mas desde os anos 90 com a globalização, perderam qualquer sentido. O mundo está aí para ser visto. Não cabem mais joguinhos para menos de duas mil pessoas que não levam a lugar nenhum.

É como querer usar o Orkut, ou Fax, ou máquina de escrever. Eles já foram importantes no nosso dia a dia, mas hoje não se justificam e sumiram. Os joguinhos de futebol insistem em “sobreviver”. A enganação de que garantem empregos aos jogadores não cabem. Eles são sub empregados por 3 meses e depois somem, muitas vezes sem sequer receber pelo trabalho executado.

O público não quer saber de Bragantino e Guarani. Só 1653 pessoas foram ao estádio. Ou Tupy e Tombense, pelo Campeonato Mineiro, que atraiu 1235 heróis, provavelmente parentes dos envolvidos na partida. Tivemos ainda Afogados e Petrolina em Pernambuco, Veranópolis e Avenida no Rio Grande do Sul e para fechar, citado só alguns estados, um empolgante Jequié e Jacobina na Bahia.

O calendário brasileiro está arrebentando os grandes clubes. As pré-temporadas são feitas de qualquer jeito. E tudo isso é muito fácil de se resolver, colocando-se o passado, no passado. Mas os interesses menores prevalecem. Então até abril você ouvirá falar de times estranhos com apelidos de bichos, correndo por aí. Não ligue para isso. Não é nada importante.

André Jardine vai “envelhecer”

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O Brasil é um país muito curioso. Ao mesmo tempo que o povo é gentil e amistoso, é também racista e conservador. E existem algumas coisas que nunca abrem mão. No futebol especialmente. Parece que todos são bem vindos, mas o racismo é claro. Quantos treinadores negros nós temos, por exemplo? Mas os preconceitos vão além. Os jovens e estudiosos também não são vistos com simpatia.

Todo treinador brasileiro é “interino” pela deficiência dos gestores, que contratam técnicos não pela competência ou filosofia de jogo, mas sim para se protegerem. Na primeira dificuldade dão aquela cabeça e contratam outro. A regra deles, os cartolas,  é se manterem no cargo, mesmo não tendo capacidade para tal.

Mas no caso dos jovens essa “interinidade” já começa na apresentação. Mesmo sendo desconhecidos da maioria, imediatamente são contestados. As principais alegações é que são novos e que perderão o vestiário. A capacidade deles não importa. Se usarem termos acadêmicos então, viram alvo de chacotas. Em tese, para treinar grandes equipes, segundo a maioria, o perfil ideal é “ser velho e com cultura limitada”.

Nosso futebol está num nível baixo com não víamos há muito tempo. E isso passa também pelo pessoal que já está aí. Mas mesmo assim não se aceitam novas ideias. O que se pretende é a manutenção deste estado de coisas? Se for o futuro promete ser triste. Tomara que esses novos técnicos vença os preconceitos e possamos imaginar novos tempos.

André Jardine, treinador do São Paulo, é muito competente e é um dos que mais sofrem essas discriminações. Mas o time começou goleando no Campeonato Paulista. Mesmo sabendo que o nível da competição é bem baixo, gostei do que vi. Se Jardine continuar ganhando os conceitos mudarão. De repente ele ficará “mais velho” e “achará” o vestiário, que o pessoal mais novo, segundo as ideias atrasadas, perde.

Campeonatos treinos

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Começam os regionais. Sempre a mesma conversa. Os saudosistas felizes, os “realitas” cientes do atraso que essas competições significam. Infelizmente parace pouco provável que acabem, pelo menos a curto prazo. Então a torcida é para que atrapalhem minimamente.

Clubes inteligentes vão encarar como pré-temporada e entender que são treinamentos com público. Mas a maioria poderá entrar até em crise, dependendo dos primeiros resultados. É sempre assim. Ninguém considera o ano ganho por ganhar regional, mas derrubam treinadores, interrompem trabalhos, travam evoluções táticas, por causa deles.

Vamos ver como será em 2019. Quantos campeões regionais serão rebaixados no segundo semestre? Quantos jogadores importantes aparecerão? E até que ponto haverá benefício real com esses jogos arcaicos entre times desiguais. Um em especial está mais visado: o São Paulo.

Não ganha nada há 10 anos, tem um treinador jovem e uma pré – Libertadores pelo caminho. Vida complicada. Precisa de pleno respaldo para dar conta. Veremos se deixarão André Jardine mostrar o que pode ou se joguinhos contra timecos poderão tirar o sucesso de uma torcida, que já está tão sofrida com os últimos anos de fracasso.

Uma Copinha mesmo

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A qualidade dos jogos da Copa São Paulo de futebol cai ano após ano. Quando surgiu em 1969, mostrava o que havia de melhor entre a molecada. Hoje o que vemos são meninos sendo usados e histórias de “superação”, como nos melhores programas de dramalhões das televisões.

O Galvez não tinha dinheiro nem para voltar para o Acre. Vergonhoso. Não para a meninada que veio atrás de sonhos, mas para o organizador, a Federação Paulista de Futebol e a Federação Acreana, que recebe dinheiro da CBF para investir em jovens e não lhes dá nem a condição mínima de trabalho.

128 times fazem o nível descer quase num ritmo varzeano. Muitos rapazes mal conseguem suportar 15 minutos na velocidade de equipes profissionais contra as quais são expostos na tal Copinha. É um inchaço desnecessário, quase desumano.

O que antes foi um local de exposição de revelações, virou um mercadão de moleques. Caso surja alguém sem “dono”, os empresários estarão lá para fechar negócios. Mas isso é muito difícil. Na verdade muitos dos 128 times só estão lá por pertencerem aos negociantes da bola. Equipes insignificantes e nível de jogo medíocre, mas com padrinhos bem fortes.

A lei do bate e volta

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Felipe Vizeu já voltou. Guilherme Arana está implorando para retornar. Gabigol foi para a Europa, mas fracassou, também, por causa das saudades. Sei que falamos de seres humanos, no entanto nos dias de hoje o profissionalismo deveria imperar com mais força. Os estafes aumentaram, a assistência aos jogadores é bem maior do que anos atrás, quando Viola chegou a Espanha dizendo que “a comida era ruim”.

Pouca coisa mudou. Os caras continuam batendo e voltando. Isso não depõe só contra eles, especificamente, mas contra os brasileiros em geral. Os clubes se conversam e a fama de fragilidade de quem nasce no Brasil, aumenta. Argentinos, uruguaios e até africanos de modo geral, dificilmente têm essas recaídas. Achei que isso tinha acabado com toda nova estrutura dada aos “craques”, mas parece que não.

Qualquer bom jogador pode ficar rico jogando somente no nosso país atualmente. Só que  será sempre visto, e com razão, como limitado. Pode até ser convocado para a seleção atuando aqui. Só pergunto: merece confiança? Quando a pessoa se dispõe a fazer algo, precisa se preparar bem. Fortunas são investidas, apostas são feitas e a falta de seriedade ou incapacidade de segurar a responsabilidade, mostram porque argentinos e uruguaios, normalmente, são vistos de forma mais positiva nos grandes centros do futebol mundial do que nossos “compatriotas”.

As trocas

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O futebol brasileiro perdeu a força de segurar seus jovens jogadores, por causa do dinheiro e do prestígio que dá jogar na Europa. Sobre prestígio não tem jeito, não temos sequer uma Liga para organizar  e fazer o marketing de forma decente. Mas sobre os gastos eu gostaria de discutir.

O Flamengo vendeu Paquetá, Vinicius Junior e Vizeu. A grana que entrou foi usada, em boa parte, para trazer Arrascaeta, Rodrigo Caio e Gabigol. Há uma sobra para os cariocas, mas não daria para segurar pelo menos um deles se fosse para investir tanto?

O São Paulo vende seus jovens e gasta fortunas com Trellez, Nenê, Diego Souza e até o querido Hernanes. Troca as revelações por veteranos. É isso mesmo que se pretende? David Neres nem jogou no clube. E isso vale para todos. O Fluminense, por exemplo, revela jogadores aos montes, não tem dinheiro, vende todos e agora pensa em gastar pesado para trazer Ganso. O Palmeiras não coloca seus jovens para jogar. Prefere gente de fora, envolvendo grana.

Levanto o tema para pensarmos novamente no sistema de administração do nosso futebol. O desespero pelo resultado imediato e mesmo interesses menores, impedem as renovações e melhor nível de jogo. É um ciclo sem fim. As velhas “atrações” são repetidas. Os erros se também repetem. Alguém vai ter a coragem de quebrar isso?

A Copa São Paulo é para isso?

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Foi legal a atitude do Palmeiras ajudando o adversário da Copa São Paulo, o Galvez, a voltar para o Acre, seu local de origem. Mas, qual o sentido disto? Todos os anos vemos “histórias de superação” de grupos que saem de todas as partes do Brasil para se mostrarem na competição, que deveria ser uma central de estudos, simpósios, convênios e aproximação do mundo do futebol. Não é.

Quando foi criada em 1969, a intenção era apresentar os jovens jogadores do clubes paulistanos e homenagear o aniversário de São Paulo. Não havia calendário para as categorias de base, então era o momento de conhecermos jovens, que iriam atuar em breve nos grandes clubes.

Hoje os bons jogadores são conhecidos, possuem altos contratos, inclusive com empresas de material esportivo e estão a ponto, quando já não foram, de serem negociados com o exterior. Há casos em que trazem meninos mais jovens, porque os da idade correspondente têm outros compromissos profissionais.

No caso do Galvez foi tudo muito bonito e humano. Mas o que mudará no futebol do Acre? Cadê o dinheiro que a CBF dá para a Federação local “investir no crescimento do esporte na região”. Há algum investimento ou é uma simples compra de votos? Parece que ficamos com a segunda hipótese.

Os jogadores e técnico do Galvez terão uma boa história para contar, mas o objetivo da competição é revelar jogadores, mostrar novos rumos do esporte por todo o Brasil e gerar evolução no futebol. São 128 times. 90% figurantes e que seguirão sendo figurantes com histórias para contarem a seus netos. Não há o menor sentido. Bons casos valem bons filmes e séries. Essa competição foi pensada para gerar jogadores e melhorar o nível geral no nosso país. Vocês acham que ela cumpre esta missão?

Mudança de rumo

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

E a Rede Globo não transmitiu o clássico Corinthians e Santos, mesmo sendo domingo e com o Corinthians, líder de audiência, em campo. Novos tempos para o nosso futebol. Fica muito claro que a briga por audiência está bem mais difícil. Antes jogava o Corinthians e não era preciso mais nada. Agora há opções impressionantes, mesmo para quem quer assistir algo em vídeo

Primeiro o hábito de se ver eventos em celulares está cada vez mais arraigado no público jovem. Segundo, os streamins ganharam espaço imenso e vendem bem suas séries e filmes especiais. O futebol ficou dependente da qualidade do jogo. E ela caiu demais nos últimos tempos, enquanto as séries só melhoram.

Há ainda o agravante dos famigerados Campeonato Regionais, que não servem para nada e são ainda mais modorrentos nas fases de “classificação”. As audiências despencam nesse período do ano. A maior emissora do Brasil deverá cobrar coisa melhor a partir de 2020. Espero que faça isso.

Esta terrível zona de conforto dos clubes, aceitando um calendário ridículo, que só prejudica os clubes e torcedores, só mudará por ação indireta. Os cartolas não querem mexer em nada. Pegam o dinheiro das televisões e não se preocupam com o nível do jogo, jamais discutido num nível sério por federações e confederações.

Quem paga a conta não pode perder dinheiro/audiência. Espero que o novo sistema da Globo, privilegiando pay-per-view e tvs fechadas e tirando as marcas enormes da tv aberta, acordem os clubes. Sair da exposição da Globo é um péssimo negócio a médio prazo. Quem duvidar espere e verá.

Enquanto isso, a Champions League ganha cada vez mais espaço no coração da molecada brasileira. Eles preferem os mata-matas dos melhores, do que as peladas entre clubes desiguais, só para garantir os votos para a presidência da CBF pelas inúteis Federações e seus falidos modelos de jogos

 

Futeboleiro sem bola

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Muita gente ficou chocada, mas as recentes declarações de alguns craques atuais de que “não gostam de ver futebol”, apenas renova uma velha história. Jogar é uma coisa, gostar de ver é outra. Ronaldinho Gaúcho não vê nada, nem Copa do Mundo. Ronaldo Fenômeno também não tolera ficar em frente a televisão vendo uma partida, a menos que esteja trabalhando. É normal.

Jogar futebol é uma profissão como qualquer outra. Será que o bancário quer saber de bancos nos finais de semana? E o engenheiro, fica vendo programas de cálculos matemáticos por lazer? O próprio Pelé nunca mais quis saber de jogar futebol depois que parou. E assiste só o mais refinado.

Para aumentar ainda mais essa separação, há os games, os celulares e suas milhares de opções com as novas tecnologias. Futebolista quer tudo, menos ver futebol, quando não está trabalhando. É igual todo mundo. Para ele o jogo é para tudo, menos para assistir nos momentos de folga.