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Boa, Gajo

Leia o post original por Flavio Prado

 

 

 

Foi sensacional. O Flamengo esmagou o Goiás, vencendo por 6 a 1 e procurando gols até o último minuto. 500 passes corretos, 28 finalizações, 11 escanteios, 67% de posse de bola contra um time que faz uma boa campanha dentro dos seus limites e com um treinador, Claudinei Oliveira, que não costuma ser goleado.

As ideias de Jorge Jesus são específicas e um tanto fora do padrão, especialmente na aposta em dois atacantes centralizados. Eles se movimentam, mas não pelos lados e sim na direção da área adversária. Isso foge um pouco do convencional nos dias atuais. Mas funcionou bem não só contra o Goiás, como no meio de semana contra o Athetico PR.

O trabalho só está começando, mas é positivo. Sinaliza coisa boa. O Campeonato Brasileiro nos últimos anos tem mostrado muito medo dos treinadores. As defesas são Plano A e B. Depois se preocupam, um pouco, em atacar e basta fazer um gol para que todos recuem.

As coisas começam a mudar, felizmente. Temos Sampaoli e seu Santos, o Fluminense de Fernando Diniz, o próprio Athetico de Thiago Nunes e o Grêmio de Renato Gaucho. Agora chega o Flamengo procurando marcar gols. Boa, Portuga. Ajude o futebol brasileiro a voltar a ser grande.

Argentinos na Champions

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Imaginem os jogadores do Boca Juniors, emocionados, ouvindo o Hino da Champions League. O que parece cena de ficção chegou a ser considerado pelos argentinos, após as confusões na Copa América vencida recentemente pelo Brasil. Legalmente nada impede, mas ficou claro que a cogitação argentina não será realidade, pelo menos pelo motivo apresentado.

A disparidade do futebol sul americano com o europeu no dias atuais, também seria um problema a ser combatido. Uma coisa são os jogos “de briga” no nosso continente e outra os eventos criados pela Uefa,, que encantam multidões como shows de sinfônicas.

Mas claro que com o tempo a distância poderia diminuir. Num evento Uefa os ganhos são infinitamente maiores. Não haveria necessidade de vender jogadores às pecas para sobrevivência. E os próprios jogadores estariam no grande circuito da bola. Seriam destaques nos seus times de origem.

Foi uma especulação mais motivada pelo fígado atravessado dos argentinos, do que algo realmente pensado. Mas por um momento imaginei a situação. E envolvi inclusive brasileiros e alguns bons colombianos, junto com os tradicionais uruguaios. Seria o verdadeiro Mundial de clubes. Esse entre os grandões e não algo só político. Talvez fosse a única maneira do futebol de clube voltar a ter relevância nas Américas.

Aprendendo com Van Gaal

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“Não gosto de Messi e Neymar como jogadores de equipe. O futebol é um jogo coletivo. E a estrela deve ajudar o time a ganhar”. As palavras de Louis Van Gall em entrevista ao Jornal El País, correram o mundo, debaixo de muitas contestações e alguns aplausos. Podemos não concordar com algo, mas Van Gaal tem o que falar sobre futebol.

Ele observa e admira o Ajax de Ten Hag e aponta uma novidade. “O Ajax sempre jogou assim, mas não de maneira tão caótica”. Mas elogia o caos ofensivo, já que serve para quebrar defesas fechadas e se recompõe em 5 segundos. “Esse caos serve” diz ele, “tanto que o Ajax foi muito além do esperado na Champions League, porque termina bem rápido quando a bola vai para o adversário.”

Messi e Neymar geram acomodação aos treinadores, segundo holandês. Não lhes cobram o jogo coletivo acreditando que possam resolver tudo na individualidade. É isso que Van Gaal condena e provavelmente tenha gerado a fama de que “não gosta de brasileiros”. Na verdade o que o incomoda é a falta de disciplina tática.

E finalmente falou do setor de criação nos tempos de hoje. “Hoje os zagueiros devem ser armadores e os grandes meio campistas, volantes. O espaço está lá atrás e ali devem ficar os jogadores criativos”. E lembra a seleção holandesa que voltou a brilhar com De Ligt e Van Dick como defesas centrais e De Jong de volante.

O que o velho treinador fala tem muita lógica. Gostar ou não das ideias dele é gosto pessoal de cada um. Impossível é ficar neutro. Van Gaal sempre despertou amor e ódio por suas opiniões e atuações. Ganhou muito e também já perdeu jogos fáceis. Mas é parte integrante da grande evolução, que a Europa apresentou nos últimos anos, transformando-se em referência para os amantes do mundo da bola.

Balelas

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Pobre Marta, chorou de novo. Em 2008, quando foi homenageada no Troféu Mesa Redonda, ela fez o mesmo apelo pelo futebol feminino. Lá se vão 11 anos e nada mudou. Pelo contrário, são praticamente as mesmas meninas lutando, secando gelo, em busca do nada.

A falta de programação das principais emissoras de TV abriu espaço para a Copa do Mundo, onde elas chegaram sem qualquer chance de título. Foram além do esperado, passando da primeira fase. São batalhadoras. E aí deu a lógica e perderam para a França de forma até mais difícil do que se esperava.

Então veio a velha caça as bruxas. “A culpa é do Vadão”. A mesma palhaçada de sempre. A culpa é da CBF que não tem projeto de futebol, nem para o masculino, que dirá o feminino. Virão balelas nos próximos dias, fazendo de conta que tudo mudará. Nos Jogos Olímpicos voltará o barulho e depois mais nada.

Marta ainda chorará bastante e talvez desista ou vire comentarista de alguma empresa que, eventualmente, vá cobrir algum certame, onde as mulheres estarão jogando futebol. Afinal, em algum momento haverá renovação. Mas nada planejado, nada pensado. Se você for mulher e estiver lendo esse artigo, saberá explicar, melhor que eu, a dificuldade até de se começar a praticar o esporte no Brasil.

O herói Cebolinha

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RS – FUTEBOL/TREINO GREMIO – ESPORTES – Jogadores do Gremio realizam treino durante a tarde desta terca-feira, na preparação para o Campeonato Brasileiro 2019. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Inacreditável como as pessoas são volúveis quando falam de seleção brasileira. Os treinadores ficariam enlouquecidos se ouvissem metade do que se fala. Heróis e vilões surgem a cada jogo, quando não a cada jogada. E os salvadores da Pátria podem virar vilões em poucos minutos. Agora o herói nacional é o Everton Cebolinha. Parece que a eventual entrada dele no time de Tite, resolverá todos os problemas.

Chega a ser patético imaginarmos que o Everton Cebolinha vá solucionar algo na seleção brasileira. Nada contra ele, bom jogador, mas ainda não testado em alto nível. O problema é que já tivemos o mesmo processo com Arthur, Firmino e até a absurda hipótese de time melhorar sem Neymar, sendo colocadas como aquilo que nosso futebol precisava.

Só um trabalho com tempo e sequência pode fazer o Brasil a ter um time competitivo em nível mundial. As mudanças táticas que Tite está implantando, demandam mais testes, antes de termos os devidos resultados. E sem Neymar as dificuldades aumentam muito. Afinal ele é o único jogador brasileiro, realmente protagonista, no cenário mundial.

Momento difícil esse. Os fanáticos continuam vendo o Brasil como melhor futebol do mundo e cobrando pelas suas expectativas. A equipe de Tite pode ganhar a Copa América, mas há Uruguai e Colômbia com níveis bem parecidos aos brasileiros. Perder para eles não será nada assustador. Faz parte. É só entender que não há fórmulas mágicas. Nem heróis de 90 minutos.

Ingressos invisíveis

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Ingressos esgotados, essa era a manchete antes da estréia do Brasil na Copa América. Na hora do jogo sobraram 20 mil lugares. Na Bahia também falam em lotação total. Será? Mais do que discutir o preço alto ou não, percebemos uma velha prática voltando com força no evento brasileiro. Os ingressos invisíveis.

Começou em 1998 na Copa da França. Cada federação internacional recebia pacotes de bilhetes para distribuírem entre os seus cartolas. O que deveria ser uma gentileza, transformou-se num negócio lucrativo. Os dirigentes colocavam os ingressos nas mão de cambistas e dividiam os lucros. Muitas agências de turismo brasileiras quebraram, por não conseguirem cumprir os compromissos previamente assumidos com clientes, já que os tickets que comprariam a preços oficiais foram parar no mercado negro.

Mais de duas décadas depois a fórmula ainda persiste. Quem tentou comprar pelo site oficial da Copa América, teve muitas dificuldades, sob alegação de lotação total. Torcedores foram empurrados para os ingressos vazados por cartolas. Só que encalharam. Como essa gente nunca perde e sem vendê-los, simplesmente devolveram e aí sobraram os 20 mil do Morumbi. Os ingressos invisíveis seguem firmes. Não precisa procurar muito. A discussão sobre preço esconde o crime maior, que está pelo mundo da bolahá tantos anos, sem qualquer punição.

Jogadores carentes

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Quando o juiz apitou o final do jogo entre River do Piaui e Bragantino do Pará com vitória dos paraenses por 1 a 0, quase todos os jogadores do River choraram. Não era somente o choro pela eliminação da Série D do Campeonato Brasileiro, era também a lágrima da dúvida sobre o futuro. Aquele apito significou desemprego para 27 pais de família. O River não tem mais o que fazer até 2020.

Foi o zagueiro Audálio quem manifestou o desespero coletivo, falando por ele na rede social. “Hoje estou triste, desempregado e com mais de 10 bocas na minha casa, para comer todos os dias”. Audálio é jogador de futebol e vive no Brasil. Parece um casamento perfeito. Mas está longe disso. Graças aos campeonato regionais, usados para comprar votos dos presidentes das federações, pela CBF, a maior parte dos quase 700 clubes do país, só oferece trabalho aos profissionais por 3 ou 4 meses no ano.

O River ainda teve uma sobrevida porque disputou a Série D e se seguisse iria até agosto. A maioria para no começo de abril, mas as contas dos orçamentos mirrados não se encerram. Eles têm que se virar para sustentar as famílias até o ano seguinte. Só a CBF pode mudar isso, criando calendário anual para todos. Mas não parece ter interesse.

Audálio vai se virar. Pode ser pedreiro, faxineiro, professor, motorista de aplicativo, sei lá o que. Hoje ele não sabe exatamente qual seu trabalho. Ele gostaria de ser jogador de futebol, mas só tem um pequeno espaço no ano para fazer isso. Pobre Audálio, pobre gente iludida. Eles ouviram falar, quando crianças, que o Brasil era o país do futebol.

Direito de jogar bonito

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Parece loucura mas tentar jogar ofensivamente no Brasil é quase um crime. Um time que tenha ideia de jogo ofensiva não pode perder. Quando acontece logo pedem para que os “conceitos sejam revistos”. Curioso que aqueles que jogam muito feio, a maioria aliás, não são conclamados a atacar. E eles perdem muito mais do que ganham.

Não sei porque razão gostam do jogo feio. Se o time ficar 90 minutos na defesa e tomar um gol no final, será visto como resultado normal. Já a equipe que busca o ataque, caso sofra o mesmo gol fatal no último minuto, num contra ataque, é motivo de contestação. Dá para entender?

Outra coisa terrível é a saída de jogo com bola dominada. Quando alguém erra e sai um gol o mundo desaba. Mas não vejo reclamações dos chutões lá de trás, que batem e voltam em 95% das vezes originando gols dos adversários, serem contestados. Chutão feio pode. Sair jogando com categoria, não se deve. Lembrei de um velho amigo, que dizia gostar dos olhos, enquanto a maioria aprecia a remela. Eu sigo preferindo os olhos.

Sábado vergonhoso

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Foram 5  jogos no sábado de Campeonato Brasileiro e somente 2 gols. Um de pênalti do Palmeiras e um nos acréscimos do Grêmio. Cruzeiro e Corinthians, Avaí e São Paulo e Ceará e Bahia empatarem 0 a 0. Vergonhoso. Isso não pode ser chamado de futebol.

Não jogam e não mostram nada. Não é que temos grandes chances e partidas bem disputadas. São partidas medíocres que afastam público dos estádios e nem atraem para transmissões de rádios e televisões. O futebol no Brasil, em especial na Série A, movimenta milhões de reais, mas o retorno é baixíssimo.

Hoje no final do jogo do Palmeiras, o atacante Deyverson confirmou que não se importa em jogar bonito. Basta ganhar e somar pontos. Isso num time milionário. Será que vale a pena o que se investe na bola nos dias de hoje? E ainda contestam Sampaoli e Fernando Diniz, que tentam algo diferente, apesar de elencos ruins. Pessoas como eles são as esperanças que restam para salvarmos o nosso combalido futebol.

Os jogos desses sábado mostraram que os times jogam contra o espetáculo e os eventuais futuros torcedores. Não é a toa que vemos cada vez mais estádios vazios pelo nosso país. Afinal de contas qual a motivação para se sair de casa, gastar dinheiro e ver essas coisas vergonhosas? Logicamente nenhuma.

O vilão virou herói

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Ele virou vilão por ser honesto num jogo contra o Corinthians. A torcida do São Paulo passou a odiar Rodrigo Caio por avisar que Jô não fizera nada errado contra ele. Agora ele tornou-se herói no Flamengo, por sacramentar a classificação na Copa do Brasil, justamente contra o mesmo Corinthians.

A vida é assim. As histórias podem ser recontadas se novas chances vierem. E mais ainda quando o “crime” da pessoa foi fazer o correto, num país onde todos amam levar vantagem, mesmo que não seja o mais justo. Só que o tempo corrige. O São Paulo, que condenou Rodrigo Caio, já ficou pelo caminho, faz tempo. O Flamengo seguiu e o gol foi dele.

O futebol é espelho da vida. Você planta o que colhe. Rodrigo Caio tinha crédito e ele foi pago agora. Ser ídolo no Flamengo, a maior torcida do Brasil, é para poucos privilegiados. E o “vilão” tricolor é um deles. Parabéns novamente ao zagueiro flamenguista. Atitude decente, mesmo no Brasil, vale a pena.