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O drama de Airton

Leia o post original por Flavio Prado

AFP
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Foi na Pizza 10 de Juninho Paulista, que notei Airton abatido. O tempo passou e veio um triste diagnóstico.

Airton é um cara que fala pouco. Sempre foi assim. Ele jogou num dos melhores times da história do São Paulo e nunca se importou em ser coadjuvante. Titular absoluto, admirado pela eficiência e respeitado pela torcida, não chegou a seleção brasileira como tantos companheiros de clube, mas jogou com Zico no Flamengo, com Roberto Dinamite no Vasco e com Valdir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira e ele. Almir e Heriberto, Paulo Cesar, Renato, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Oito craques de seleção no tricolor.

Quando parou com o futebol abriu sua escolinha em Santa Isabel, perto da Capital e seguiu sua vidinha de forma pacata. Reencontrei Airton nas redes sociais. Voltamos a falar, fiz algumas entrevistas e até eventos beneficentes. E foi num deles, na Pizza Solidária, na Pizza 10 de Juninho Paulista, que notei Airton abatido. O tempo passou e veio um triste diagnóstico.

Airton está com câncer e precisa de tratamento sério para se recuperar. O máximo que conseguiu foi uma consulta na Santa Casa da cidade dele, que reconheceu a necessidade de quimioterapia. Mas na melhor das hipóteses só poderá começar a se tratar em 15 dias, mesmo sabendo-se que cada minuto que passa joga contra a saúde dele. É um drama.

Sei que muitos brasileiros passam por essas dificuldades todos os dias, o que é deplorável com tantos impostos que pagamos e tantas vigarices que sustentamos. Mas conto essa história por estar vivendo de perto. Airton não tem como bancar um tratamento tão caro. Quem teria?

Muita gente está tentando ajudar. Inclusive o São Paulo FC. Espero que Airton possa ser atendido dignamente. Ele é uma pessoa como nós. Um trabalhador que as 59 anos sente-se impotente diante de uma doença terrível e que chegou forte e sem aviso prévio. A capital paulista tem vários hospitais que podem dar esse socorro. As filas são enormes e todo mundo merece um espaço para tentar se salvar. O que fazer?

 

 

 

André Jardine tem competência

Leia o post original por Flavio Prado

O jovem treinador do São Paulo, André Jardine, é estudioso e preocupado com a beleza do futebol. Tem bom relacionamento, especialmente com os jovens e experiência de disputas internacionais com as equipes de base.

 

O São Paulo fez o de sempre, simplesmente demitiu o treinador, que levou o time a uma posição muito melhor do que podia. Liderou o Brasileiro e manteve-se em zona de Libertadores, mesmo com elenco limitado. Quando caiu na realidade e a produção ficou menor, não houve qualquer estudo do trabalho realizado. Deram a cabeça de Diego Aguirre e entregaram o time a André Jardine.

Gosto do trabalho do novo técnico desde de sempre. Moderno, ele está inteirado do que há de melhor no futebol mundial. Recentemente passou uma semana na Europa vendo jogos da Champions League, Liga Uefa, Campeonato Espanhol e Premier League, onde assistiu o Manchester City de Pep Guardiola, vencendo o Tottenham em Londres. O jovem treinador do São Paulo, André Jardine, é estudioso e preocupado com a beleza do futebol. Tem bom relacionamento, especialmente com os jovens e experiência de disputas internacionais com as equipes de base.

Jardine é daqueles, que sempre sugiro, que vá para a Europa, num planejamento de carreira começando por equipes menores, para depois quem sabe, assumir os melhores times do mundo. Assim fazem os jovens argentinos, quando querem virar treinadores de grande reconhecimento. E muitos deles estão por aí. Mauricio Pocchetino, na Inglaterra, Eduardo Berizzo, Antonio Mohamed e Leo Franco, na Espanha, além do consagrado Diego Simeone, é claro, e a referência Marcelo Bielsa, agora no Leeds, mas há anos fazendo sucesso mundo afora. Os brasileiros, enquanto isso,  ficam pulando de time em time, ao sabor da incompetência dos cartolas e acabam não saindo do lugar.

André Jardine, Rogério Ceni, Fernando Diniz, Roger Machado, gente desse porte, estão acima das limitações do gestores do Brasil. Eles tentam pensar o jogo, não só o resultado imediato. De qualquer forma a chance para Jardine é interessante. Ele poderá mostrar um pouco de seu conhecimento, para grupos maiores de pessoas, e talvez adquirir a certeza de que precisa, se quiser crescer, não ficar somente estudando na Europa, mas sim fazendo carreira por lá.

Super domingo

Leia o post original por Flavio Prado

Para quem gosta de futebol o domingo foi fantástico. Teve Guardiola contra Mourinho, Boca contra River e o Palmeiras ajeitando a faixa. Um super domingo.

 

Domingo  é o dia sagrado do futebol mas alguns são especiais. No mesmo dia vimos Mourinho e Guardiola, o maior encontro de treinadores do século, o super clássico Boca e River na primeira final da Libertadores da América e ainda o Palmeiras num jogo apertado contra o Atlético Mineiro fora de casa.

Guardiola fez o de sempre e ganhou de Mourinho. Fez mais 3 gols e somando-se os 6 a 0 contra o Cristal Palace e o 6 a 1 frente ao Shaktar, atinge média de 5 gols por partida nos últimos 3 compromissos. Felipão segurou o Atlético Mineiro em Minas, enquanto Boca e River empataram. Foi um belo domingo de bola.

Tivemos para todos os gostos. Show de Guardiola, um jogo de guerra na Argentina e o Felipão pragmático caminhando para outro título, como presente para os 70 anos, completados na sexta feira passada. Não houve nenhuma decisão, embora o Palmeiras tenha caminhado muito rumo à conquista. Mas foi bem legal.

Sobrou para o sábado a discussão sobre arbitragem entre Corinthians e Palmeiras. E a incompetência do Flamengo perdendo para o Botafogo, num momento crucial para decidir. Santo futebol de todos os dias, mas alguns super domingos são para lembrar por bastante tempo.

Será mesmo Majestoso?

Leia o post original por Flavio Prado

Corinthians e São Paulo jogam no final de semana e isso sempre gera expectativa pela história e pela importância das camisas. O tamanho dos dois clubes, através dos anos, inspirou o grande jornalista Thomas Mazzoni a chamá-lo de Majestoso. E ninguém contestou.

Mas e agora, será que os elencos têm capacidade para justificar essa majestade? E as filosofias de Jair Ventura e Diego Aguirre permitirão um jogo digno desse grande passado? Tomara que sim, mas temos que torcer bastante para isso ocorra mesmo. A bola que eles têm jogado ultimamente não permite otimismo.

O Corinthians só pensa em sobrevivência na Série A. O São Paulo sonha em manter-se na fase de grupos da Libertadores. Infelizmente o empate pode ser interessante para os dois treinadores e isso preocupa. Eles já não são ousados e com esse fator, talvez vejamos um jogo amarrado. A expectativa é um gol rápido de um lado ou de outro. Aí, quem estiver em desvantagem, terá que sair da toca e quem sabe, tenhamos um jogo no nível que a tradição merece.

O “novo” Neymar

Leia o post original por Flavio Prado

Thomas Tuchel, técnico muito competente do PSG, percebeu a dificuldade de fazer seu time jogar com apenas estrelas do futebol. O grande Johan Cruyff já dizia: “onze grandes jogadores, não significam um grande time de futebol”. O jogo é coletivo e o equilíbrio, fundamental. Tuchel percebeu que a bola precisaria chegar com qualidade nos ótimos atacantes que têm. Perdeu Thiago Motta, que parou. Verratti não vinha bem. Então o jeito foi “improvisar”. E inventou o “novo” Neymar

Pegou o melhor que tinha e propôs um acordo. Neymar deixaria o ataque em nome de um maior equilíbrio da equipe. No começo foi esquisito, mas agora já vemos uma desenvoltura bem interessante. No jogo contra o Napoli, Neymar meteu 3 bolas impressionantes para M’bappé, inclusive uma que terminou em gol.

Neymar está jogando como os saudosistas gostavam de chamar o meia de ligação. Ele é o velho “camisa 10”, o armador, o ponto de apoio da equipe milionária francesa. Esse primeiro passo pode ser interessante também para a carreira dele e, em algum momento, até para a seleção brasileira. O cara que pensa o jogo costuma ajeitar as grandes equipes. A falta dele podem gerar desequilíbrio. Estou ansioso por ver mais do “novo” Neymar.

Vale a pena VAR agora?

Leia o post original por Flavio Prado

Vale a pena colocar o VAR as pressas no nosso futebol? Os erros de arbitragem não param no Campeonato Brasileiro. Não vejo ninguém mais ou menos prejudicado. Na verdade o certame é que fica no prejuízo, já que todas as semanas alguém levanta suspeita sobre a seriedade daqueles que apitam os jogos.

Arbitragem, como qualquer trabalho, depende de vocação e nos últimos anos não tenho percebido isso dentro nos nossos campos. A preocupação parece ser maior em colocar atletas, caras com muito fôlego e pouca percepção da regra do jogo.

Interpretação correta é fundamental e isso é com dom, não com condição atlética privilegiada. Não adianta colocar o VAR e eles verem as coisas sem entender o espírito da lei. E tem mais. A câmera lenta muda o movimento dos jogadores e aí tudo parece ser falta.

Então, antes de simplesmente colocarmos alguns equipamentos tecnológicos, para “melhorar” o trabalho, precisamos capacitar aqueles que vão usá-los. E esse trabalho não está sendo feito. Improvisar o VAR de uma hora para outra, pode ser pior do que já está.

Rogério Ceni

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Divulgação/Fortaleza

O Fortaleza comemora. Já subiu para a Série A depois de muitos anos. Liderou a B o tempo todo jogando um futebol agradável e isso tem muito do treinador, Rogério Ceni. Ele pensava em ser presidente do São Paulo, o clube de sua vida, mas mudou de ideia após conviver com Juan Carlos Osorio e assimilar seus conceitos. Convidado por Leco aceitou assumir o time, mas depois de usado politicamente pelo presidente, foi demitido com grande frieza.

A volta foi em grande estilo em Fortaleza e com tudo que conseguiu para uma equipe que vinha da Série C. Mas e agora? Ceni sabe que no ano que vem o Fortaleza brigará num outro nível, ou seja, apenas para não cair. O que fazer, seguir e tentar algo inédito ou alçar outros voos?

Rogério, nesse começo de carreira, talvez encontre alguma resistência em grandes clubes brasileiros, pela sua forte identificação com o São Paulo. Voltar ao clube de Leco seria desconsiderar todo mal que lhe fizeram recentemente e correr o risco de passar por tudo isso de novo.

Como é estudioso, talvez possamos encontrar nele o treinador para abrir fronteiras brasileiras no exterior, como já fazem argentinos, uruguaios e até chilenos e colombianos. Para isso terá que passar por equipes menores da Europa, estudar cada vez e ter paciência. Se topar esse desafio talvez crie um patamar novo de referência para os jovens e bons treinadores que estão surgindo.

Se, no entanto, resolver ficar pelo Brasil mesmo, terá enorme possibilidade de entrar na triste vala comum, que temos hoje, onde o julgamento é feito por incompetentes e só os resultados prevalecem. Acho pouco pelo que Rogério Ceni está mostrando de potencial até agora.

Prodígio paraguaio

Leia o post original por Flavio Prado

Ovelar fez um gol aos 16 minutos do clássico entre Olímpia e Cerro Porteño pelo Campeonato Paraguaio. E daí, você deve estar perguntando. E daí que ele tem 14 anos. A estreia no meio da semana passada já significou repercussão mundial. O gol no clássico, viralizou. 14 anos é uma criança, um pré-adolescente e Olímpia e Cerro equivale a Corinthians e Palmeiras, ou Flamengo e Fluminense. Não é fácil, mesmo sendo neto de um antigo jogador da seleção Gerônimo Ovelar, que chegou a ganhar a Copa América em 1979, e por certo seu conselheiro.

A principal questão é como vão administrar o emocional do menino. Ele ganhou um status diferente e isso tanto pode ajudá-lo como derrubá-lo. Não são pouco os casos de jogadores, que ficaram pelo caminho, exatamente pela mudança de vida sem o devido preparo.

Isso vale para qualquer profissão. Quantos jovens cantores e mesmo atores não se perdem por causa do sucesso muito cedo? O cuidado precisa ser especial. Ovelar talvez nem esteja entendendo o que está ocorrendo com a fama repentina. Pode parecer tudo um conto de fadas e é claro que é muito bom ser um fenômeno. Mas caso não seja bem tratado, esse momento de sonho pode virar um triste pesadelo.

Palmeiras com a mão na taça

Leia o post original por Celso Cardoso

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

No sábado o Palmeiras fez o mais difícil: vencer o Santos em jogo movimentado de cinco gols. Aí, neste domingo, o empate entre São Paulo e Flamengo no Morumbi deixou o Verdão ainda mais perto do título. Faltando apenas seis rodadas para terminar o campeonato, o Palestra aumentou vantagem na liderança, cinco pontos à frente do novo vice-líder, o Internacional que venceu o Atlético Paranaense na bacía das almas.

E não bastasse a significativa diferença aberta em período psicologicamente complicado com a recente eliminação na Libertadores da América, a tabela traz jogos relativamente fáceis para o Palmeiras, exceção feita ao confronto do próximo domingo em Belo Horizonte contra o Atlético Mineiro. Na sequência, Fluminense em casa, o já praticamente rebaixado Paraná Clube em Curitiba, América Mineiro em casa, Vasco fora e finaliza contra o Vitória no Allianz, talvez com a taça já garantida. Pra não depender de ninguém bastam quatro vitórias nos seis jogos que faltam para se consagrar, partindo do pressuposto de que todos os rivais pelo título, Inter, Flamengo e São Paulo também vençam todos os jogos que têm pela frente. Muito provavelmente o Verdão nem precise de todos esses pontos, considerando a irregularidade de seus concorrentes. E é de fato, o melhor time do campeonato brasileiro. Se não encanta pelo futebol apresentado, tem se mostrado competitivo e efetivo.

Palmeiras quase lá

Leia o post original por Flavio Prado

Foi uma bela rodada para o Palmeiras. Ganhou do Santos num jogo bem complicado e ainda viu os dois rivais, São Paulo e Flamengo empatando. A reação foi legal. Não dava para saber como seria para o time o abalo da eliminação na Libertadores. Mas, isso já ficou no passado e ganhar um Campeonato Brasileiro, o segundo em 3 anos, não pode ser considerado ruim para um time que em 2013 estava na Série B.

Já o Flamengo continua jogando um bom futebol sem resultado prático. Os empates contra Palmeiras e São Paulo foram fatais para o título. E o São Paulo, que caiu muito no segundo turno, começa a ser ameaçado até de não ficar na fase de grupos da Libertadores, apesar de ter terminado a primeira fase na liderança.

O Palmeiras usou bem o elenco. Boa parte dos pontos conquistados foram com jogadores “reservas”. Fez diferença ter um número de jogadores de bom nível, que permitisse a Felipão trabalhar as alternativas necessárias sem a queda de produção no torneio mata-mata.

Ficou a frustração da Libertadores. Perdeu com justiça do Boca Juniors, que quase fora eliminado na fase inicial da competição, dentro do grupo do próprio Palmeiras. Libertadores é assim, difícil de ser planejada. Um jogo, ou um Benedetto, destroem qualquer esquema previamente pensado. Já no turno e returno dá para trabalhar com estratégia. E a do Palmeiras está funcionando perfeitamente no nosso mercado interno.