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O mérito de atacar

Leia o post original por Flavio Prado

Santos e Oeste fizeram um jogo divertido. Nenhuma técnica apurada, mas o jeito de jogar de Sampaoli, ousando, deu a oportunidade de cinco gols e várias chances perdidas. Ainda bem que alguns técnicos gostam do ataque. Não houve nenhum domínio explícito, a técnica não foi apurada e nem vimos as ideias do treinador colocadas em prática neste jogo. Foi um lá e cá de cinco gols.

O ataque deveria ser uma norma nos regionais, especialmente onde temos times tão diferentes em termos de nível. Pelo menos aconteceu alguma coisa interessante, como vimos no sábado. São jogos sem importância, campeonato sem interesse, mas que acabou contando uma história fora do padrão, tanto que estamos falando dela.

As retrancas dos pequenos, se não forem desafiadas pelos maiores, que deveriam atacar sempre, significam jogos chatos. E aí não ficam histórias. São eventos que passarão sem deixar lembranças, a menos que mudemos a filosofia, pensando muito mais no espetáculo e não apenas no resultado, como vemos nos dias atuais.

Baresi está certo

Leia o post original por Flavio Prado

Sergio Baresi deu uma interessante entrevista ao site do Uol e aconselhou André Jardine a seguir carreira fora do São Paulo, invés de voltar para a base. Concordo. O desgaste foi muito grande e todo o preparo, que ele tem, dificilmente será usado dentro do time que o tem sob contrato. O ideal seria mudar de vida. Tentar algo em clubes menores da Europa tentando a vida em países com qualidade de futebol muito superior.

André Jardine é mais um dos treinadores usados por cartolas para esconder as incompetências deles. Só que o desgaste, que isso gerou para a carreira do profissional, deixou ônus pesados. Não vale a pena, para quem se prepara estudando e se dedicando ao conhecimento do jogo da bola.

Quem quiser ser levado a sério precisa mudar de ares. Infelizmente, até pela posição dos clubes, insistindo em poder demitir a vontade no Campeonato Brasileiro, mesmo com a sugestão da CBF de criar limitação a apenas uma, está bem claro que não querem coisa séria por aqui. Mas têm muitos profissionais querendo evoluir. Para isso só o aeroporto. Nos estádios de futebol com os cartolas que temos, está bem difícil.

Bom time

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: André Mourão/MoWA Press

Tite chamou o time que será base da seleção brasileira para a Copa América. Bom time. Vinicius Junior e Paquetá, os jovens que estão em primeira temporada na Europa, mereciam. Paquetá já tivera oportunidade, Vinicius Junior merecia a chance pela personalidade com a camisa do Real Madrid, embora ainda tenha alguns defeitos bem acentuados.

A mudança de perfil no meio campo fica clara com Arthur, que não faz a função de Renato Augusto, mas dá o ritmo que a nova formação tática precisa. É favorita para a conquista da Copa América, mas não vejo obrigação de ser campeã. É um novo sistema e isso as vezes demanda tempo e dá mais brechas a falhas.

O nível dos jogadores é elevado. Dá para montar um time bem competitivo. Ganhar ou não é outra coisa. Um novo caminho está começando. A permanência de Tite foi um raro avanço da CBF. Esperemos que possa chegar até 2022. Não há ninguém melhor do que ele no mercado para essa remontagem, que a idade de alguns jogadores, exige.

Cássio é o cara!

Leia o post original por Celso Cardoso

 

Foto: JAVIER GONZALEZ TOLEDO/AFP

A noite na qual Cássio se iguala a Gylmar dos Santos Neves como segundo goleiro que mais jogou no Corinthians – Ronaldo é o primeiro – , não poderia ter sido melhor para o corintiano. A vaga na próxima fase da Copa Sul-americana teve como grande herói o goleiro que pegou três penalidades, a defesa final no tiro desferido por Solari.  Seguro, experiente e tranquilo, Cássio soube esperar o momento certo para deixar o Timão vivo no torneio continental. Definitivamente, ele é o cara! Cravou o nome dele na história, embora novas marcas possam ser quebradas nos três anos que ainda tem de contrato.

Vagner Love também merece reverência. Assim como aconteceu contra o Avenida, semana passada, pelo Copa do Brasil, o atacante entrou pra mudar a partida. Fez o gol de empate no comecinho do segundo tempo – Cristaldo havia aberto o placar na primeira etapa -, teve a chance da virada não fosse uma defesa milagrosa de Gabriel Arias e ainda converteu uma dos pênaltis da decisão.   O “artilheiro do amor” está fazendo jus à contratação e a Fiel agradece.

Por que o Santos não pode?

Leia o post original por Flavio Prado

O Santos fez um papelão e para ele isso estava proibido. Foi eliminado da Copa Sul Americana por um time primário, sem estrutura e sem tradição. Foi feio, mas está muito parecido com o que temos visto dos outros clubes brasileiros nos últimos anos. O Corinthians já caiu para Tolima e Guarani do Paraguai. O São Paulo conseguiu sair em sequência, para Defensa y Justicia, Colon e Talleres de Córdoba.

Mas tem mais. O Palmeiras já caiu na Libertadores perdendo do Barcelona de Guaiaquil e o Fluminense, numa final, para a LDU no Maracanã. Também foi lá que o Flamengo saiu, podendo até ser derrotado até por 2 a 0, e  sendo goleado pelo América do México por 3 a 0.

O futebol brasileiro tem muito mais dinheiro que seus vizinhos, forma seleções sul americanas, mas não consegue converter isso em superioridade. E agora foi a vez do Santos de Sampaoli. Mas nesse caso estão vendo uma “gravidade” maior por ser um time que tenta jogar um futebol mais vistoso.

Ou seja, papelão de time que joga feio, tudo bem. De quem tenta ser diferente e fazer algo, que pode significar mais beleza para o jogo, é proibido. Querem que assumam a feiura e a ruindade e que sigamos fazendo isso, que estamos vendo e que já se mostrou modelo falido.

A eliminação do Santos mostra que está tudo muito errado. Que precisamos mudar conceitos, preparação, ideias e forma de trabalhar. Alterar as gestões é o mais urgente. Simplesmente achar que o jeito agradável de jogar não serve, é pedir para que siga o caos. Mesmo com a derrota vexatória para uma equipe inferior, ainda temos que esperar algo do Santos de Sampaoli ou do Fluminense de Fernando Diniz, que aliás empatou em casa com o Antofagasta. Fora eles, fica difícil ter esperanças, pelo menos a curto prazo.

O cara do Mesa Redonda

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: Acervo/Gazeta Press

Apresento o Mesa Redonda há quase 16 anos. Alguns mais jovens pensam que sempre estive lá. Não é bem assim. Apenas sigo uma dinastia, que começou com Milton Peruzzi nos anos 70, seguida por Roberto Petri, mas que ganhou a marca forte, que ainda hoje persiste, com Roberto Avallone.

Nunca esquecerei o dia em que assumi o comando do programa, pelo qual ele tinha tanto carinho. O primeiro a me ligar foi ele. E ficou feliz de passar para um amigo o “filho tão querido”. Confesso que me emocionei. A mudança de emprego sempre nos deixa mais fragilizados. E aquela ligação me trouxe certeza de que tinha feito a escolha certa.

A morte de Avallone nos deixa mais pobres. Jornalistas que não aceitam pressão de clubes, que lutam contra os esquemas, que mantém suas convicções, estão ficando cada vez mais raros. Talvez por essa razão, Avallone tenha saído de moda. Ele era um inconformista e viveu a profissão intensamente. Era dos bons.

Tudo será como antes

Leia o post original por Flavio Prado

Ganhar é bom mas só pensar em resultado tem destruído o futebol brasileiro. Os jogos são chatos e os times medrosos. Os clubes nem disfarçam mais. A CBF chegou a propor somente uma troca de técnico por equipe em cada temporada. Os cartolas não aceitaram. Eles querem continuar fazendo trocas a todo momento, não se responsabilizando por sistemas definidos e gastos com multas se acumulando.

Na base do ganhar imediatamente ou ser demitido, nada anda. Os jogos são de medo, os técnicos só cuidam dos próprios empregos e assim transmitem essa insegurança para os jogadores. Futebol é ousadia e sem ela, fazendo-se apenas jogadas de segurança, aos coisas não fluem. Mas os dirigentes estão felizes. Estão tudo seguirá como está.

Futebol fraquinho

Leia o post original por Flavio Prado

A expectativa era grande para Palmeiras e Santos. Mas o zero a zero foi justo e frustrante. Sim, o Palmeiras teve algumas chances, o Santos melhorou no final e até ficou a sensação de que alguém ganharia. Nada aconteceu. O jogo foi muito fraco e os 34 mil torcedores, que foram ao estádio, vaiaram no final.

Entendo que o Campeonato Paulista é para treinamento. Só que o desafio entre Felipão e Sampaoli, poderia ser a atração que falta a competição como todo. Não foi. Os dois foram cuidadosos, a posse de bola do Santos, que chegou a 62 %, foi em zonas mortas do campo e ninguém pode reclamar do empate, a não aqueles que saíram de casa, tomaram chuva e viram bem pouco futebol.

Em frente ao bar do futebol

Leia o post original por Flavio Prado

No dia que o São Paulo perdeu para o Talleres em Córdoba ele apareceu. Olhava o movimento de reclamação dos torcedores, que viam o jogo em telões nos bares da Paulista, com total indiferença. Sentou-se na calçada e logo dormiu. No dia seguinte continuo por lá.

O Corinthians ganhou do Palmeiras, outra vez, e ele não teve qualquer reação. Os palmeirenses reclamaram os corintianos fizeram festas, mas ele continuou passivo. Estava mais sujo, mais barbudo com alguns restos de comida espalhados em torno do corpo.

O Santos começou a fazer sucesso, o Ninho do Urubu pegou fogo e nada o abalou. Lá ficou ele, agora cheirando mal, comendo sobras dos botecos e vez por outra, pegando um dinheirinho que algum desprendido resolve lhe dar. Nunca agradece. Nem pede nada.

Os poucos que o olham franzem a testa. Ele agora está imundo, o mal cheiro tomou conta da esquina e nem chuva, nem sol, significam nada para aquele corpo magro e aqueles olhos perdidos em alguma desilusão enorme.

Em frente ao bar dos telões do futebol na Paulista, há um ser humano jogado. Faz tempo. Ninguém mexe com ele. Ele não mexe com ninguém. Virou paisagem, feia e incomoda por sinal. Olha indiferente e é indiferente para todos. Ele não existe, mas está todo dia ali. Nunca disse uma palavra. Nunca lhe perguntaram nada. É o Brasil solidário que bem conheço.

Em frente ao bar do futebol

Leia o post original por Flavio Prado

No dia que o São Paulo perdeu para o Talleres em Córdoba ele apareceu. Olhava o movimento de reclamação dos torcedores, que viam o jogo em telões nos bares da Paulista, com total indiferença. Sentou-se na calçada e logo dormiu. No dia seguinte continuo por lá.

O Corinthians ganhou do Palmeiras, outra vez, e ele não teve qualquer reação. Os palmeirenses reclamaram os corintianos fizeram festas, mas ele continuou passivo. Estava mais sujo, mais barbudo com alguns restos de comida espalhados em torno do corpo.

O Santos começou a fazer sucesso, o Ninho do Urubu pegou fogo e nada o abalou. Lá ficou ele, agora cheirando mal, comendo sobras dos botecos e vez por outra, pegando um dinheirinho que algum desprendido resolve lhe dar. Nunca agradece. Nem pede nada.

Os poucos que o olham franzem a testa. Ele agora está imundo, o mal cheiro tomou conta da esquina e nem chuva, nem sol, significam nada para aquele corpo magro e aqueles olhos perdidos em alguma desilusão enorme.

Em frente ao bar dos telões do futebol na Paulista, há um ser humano jogado. Faz tempo. Ninguém mexe com ele. Ele não mexe com ninguém. Virou paisagem, feia e incomoda por sinal. Olha indiferente e é indiferente para todos. Ele não existe, mas está todo dia ali. Nunca disse uma palavra. Nunca lhe perguntaram nada. É o Brasil solidário que bem conheço.