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Sonho de quase primavera

Leia o post original por Antero Greco

Acordei neste setembro com sonhos de primavera. Está certo que a vitória sobre o Equador me ajudou nesses pensamentos irreais, mas os fatos que se seguiram aos 3 a 0 do Estádio Atahualpa foram determinantes: só boas notícias esportivas, culminando com a permanência de Gabriel Jesus no Palmeiras.

Como em sonhos vale tudo, a negociação do menino artilheiro foi desfeita porque faltava a assinatura da mãe no contrato para que possa pegar avião sozinho… E, arrependido da venda para o Manchester City, o presidente palmeirense resolveu devolver pessoalmente o dinheiro adiantado pelos ingleses.

“Sorry!”, disse, em perfeito e nobre inglês ao presidente do time deles.

“E o seu Pep? Quem telefona para ele?”, perguntou Gabriel Jesus meio sem jeito. Afinal, o técnico espanhol teve o cuidado de consultá-lo via telefônica no começo das negociações.

“Seu Pep”, pergunto?

Banana pro seu Pep espanhol, que é um tremendo técnico de jogadores dos outros…

Melhor ir tomar conselhos e aprender com o seu Pepe de verdade, seu José Macia, na rua México, em Santos.

Afinal foi o ponta-esquerda artilheiro que, em tempos idos, na Arábia Saudita ensinou os segredos do futebol brasileiro ao Pep Guardiola – um jogador em fim de carreira que queria ouvir histórias verdadeiras do grande Santos, que escutou a vida inteira, contadas pelo seu pai.

Enfim, moral da história ou do sonho: quanto o Palmeiras ganhou por vender precocemente a sua joia? Quem lucrou com o grande negócio? O que um dos artilheiros do Brasileiro vai aprender na Europa que já não sabia aos 19 anos? O que Romário aprendeu na Holanda? O que Rivaldo aprendeu na Espanha?

Antes de acabar a historieta, e antes que os grandes conhecedores e teóricos de futebol comecem a me xingar, vou dar uma boa notícia para a torcida corintiana também: o senhor Vicente Matheus acaba de baixar no terreiro do Pai Jaú, ex-zagueiro campeão corintiano da década de 30. Inconformado com o que está acontecendo no Parque São Jorge, ele liberou uma linha de crédito do Além e recontratou de uma só tacada Gil, Felipe, Elias, Renato Augusto e Jadson. Só não decidiu ainda se traz Vagner Love.

“Quem entra na chuva é pra se queimar!”, bradou seu Vicente.

Se é para sonhar, é melhor sonhar grandão!

PS. Na Vila Belmiro já tem gente falando em trazer Neymar de volta, mas ainda é boato.

Bayern x Atlético e vitória do futebol

Leia o post original por Antero Greco

Bayern e Atlético de Madrid fizeram uma semifinal de dar gosto, de satisfazer quem admira o futebol. Os alemães perderam a primeira parte por 1 a 0, precisavam no mínimo repetir o placar para levar para prorrogação e pênaltis. Deram azar, pois venceram por 2 a 1, na Allianz Arena de Munique, e ficaram fora da decisão pela terceira vez consecutiva. Os espanhóis esperam agora o vencedor de Real x Manchester City.

Monotonia não teve espaço no estádio alemão. Do começo ao fim, a disputa manteve-se aberta, com surpresas e possibilidade de reviravolta. E, mais importante, com jogo limpo, sem catimba em excesso, sem violência, sem ignorância. Um lado e outro se preocupou em jogar bola, tarefa simples e bem executada.

O Bayern desempenhou o papel que se esperava dele – o de pressionar, apertar, ir à frente. A responsabilidade da vitória era para a turma de Pep Guardiola. E o treinador espanhol não fez por menos: botou a rapaziada pra o abafa, com Vidal e Alonso na saída de bola, Douglas Costa, Ribery e Muller abrindo espaços e Lewandowski enfiado na área.

A insistência do Bayern poderia ter-lhe rendido vantagem de 2 a 0 antes do intervalo. Mas ficou apenas no gol de Xabi Alonso aos 30, pois Muller chutou pênalti que o goleiro Oblak pegou. O futebol da turma da casa era melhor.

No segundo, o Atlético adiantou-se, empatou com Griezzaman aos 12, levou o segundo (Lewandowski aos 28) e também perdeu chance em pênalti (mal marcado pelo árbitro): Torres chutou e Neuer defendeu. O Bayern insistiu mais até o apito final, sem criar grandes ocasiões para o terceiro gol, aquele que valeria a classificação.

O duelo mostrou que o Bayern continua com belo esquema, tem jogadores talentosos, mas de novo lhe faltou a centelha de campeão na hora H. O Atlético de Diego Simeone é um grupo guerreiro, aplicado, também composto por atletas de bom nível. Tem um pingo a mais, digamos assim, de sangue, na hora do aperto.

 

Juventus 2 x 2 Bayern de Munique

Leia o post original por Mauro Beting

Panorama da etapa inicial: Juve se defendendo em duas linhas de 4, com Lichsteiner/Cuadrado e Evra e Pogba dobrando a marcação nos flancos. (TacticalPad)

ESCREVE DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

Em Turim, Juventus e Bayern de Munique iniciaram o confronto pelas oitavas de final da Uefa Champions. O duelo foi bem interessante, principalmente pelo AMPLO domínio na primeira etapa de Pep Guardiola e seus comandados. A etapa final foi de espaços deixados para a rápida transicao de Massimiliano Allegri e seus atletas.

A etapa inicial começou com domínio territorial e possessivo do time de Guardiola. Com pontas agudos e muita troca de passes. Muita facilidade na transição defesa-ataque alemã, com blocos altos, intensidade, pressão alta na marcação da saída de bola alvinegra. Lewandowski saindo da área, buscando o jogo, fazendo o pivô, abrindo espaços para penetração dos pontas.

A Juve se defendia fechando duas linhas e deixa Dybala e Mandzukic na frente. Recomposição rápida e constante do sistema defensivo italiano, compacto, blocos baixos. Aplicação tática intensa na marcação, excelente ocupação dos espaços. Aposta no contra-ataque, pelos flancos, com Pogba na esquerda e Cuadrado na direita, visando Mandzukic na área e a velocidade de Paulo Dybala. Juve 4-4-2 em linhas, ocupando os espaços, fechando as linhas, neutralizando as jogadas pelos flancos com os pontas Robben/Evra pela direita e Douglas Costa/Cuadrado.

 

Flagrante das linhas italianas. (Reprodução EIMAX2)

Flagrante das compactas linhas italianas. (Reprodução EIMAX2)

Com 3’minutos, Vidal chutou bem de fora da area, Buffon espalmou, Robben cruzou e Lewandowski reclamou de penalti. Nada de falta. Segue o jogo. Dos 6 aos 10’min da etapa inicial foi 100% de posse de bola do Bayern. Incrível!

Porém, aos 11’min, Mandzukic quase abriu o placar. Após roubada de bola italiana, Dybala cruzou e o atacante croata quase abriu o placar. O Bayern respondeu com Müller que fez bela jogada na entrada da grande área, ficou cara a cara com Buffon e tocou para Lewandowski, que perdeu.

Flagrante dos 11 jogadores da Juventus no campo de defesa. (Reprodução EIMAX 2)

Flagrante dos 11 jogadores da Juventus no campo de defesa. (Reprodução EIMAX 2)

Aos 30’min, Bernat bateu bem na entrada da grande área, após cruzamento de Muller. Buffon espalmou, fazendo grande defesa. No fim do primeiro tempo, Robben foi no fundo, cruzou para área, Douglas Costa tocou para trás e Müller bateu rasteiro, abrindo o placar. Bayern 1 a 0.

Fim do primeiro tempo: Domínio total alemão, que SÓ fez 1 gol. Posse de bola 68 a 32% para os bávaros. 3 a 1 em escanteios para os alemães. A Juve pouco assustou.

A etapa final começou sem Marchisio, que saiu com dores para entrada de Hernanes. Melhor transição ofensiva para a “Velha Senhora”. Além da substituição, a postura italiana para a etapa final, era diferente. Adiantada, com a marcação na intermediaria, pressionando e não dando os espaços que deu na primeira etapa.

A intensa marcação aguentou apenas 5 minutos. Após isso, o Bayern retornou o domínio, jogando a Juve para o campo de defesa, que já tinha difuculdades para sair e quando saía, sempre errava passes e dava contra-golpe para os bávaros.

Saida 3

Flagrante da saída de 3 bávara: Vidal afunda entre os “zagueiros” e dá amplitude para os laterais, que avançam. (Reprodução EI MAX2)

Em jogada veloz, aos 8’min, Lewandowski trombou com Bonucci no meio campo, foi acionado, carregou e tocou para Robben, que ajeitou para a canhota e bateu no canto esquerdo de Buffon, sem chances para o arqueiro italiano. Bayern 2 a 0.

Com o gol sofrido, a Velha Senhora foi pra cima. Aos 12’min, Dybala cobrou falta e Neuer espalmou. Kimicch afastou errado e Mandzukic serviu Dybala. O jovem argentino ficou cara a cara com Neuer e tocou na saída do goleiro alemão. 2 a 1.

Daí em diante, o jogo pegou fogo. Mandzukic se entranhou com Lewandowski. A Juve passou a acreditar (e porque não?!) no empate. E foi atrás.

Aos 21’min, contra-ataque alvinegro, Mandzukic tocou para Cuadrado que bateu no alto. Neuer salvou. Pogba quase empatou em seguida. A Juve estava no jogo. Sturaro no lugar de Khedira.

A Juve continuava em cima. Guardiola tirou Bernat e colocou Benatia. Chamou a Juve. Allegri não pensou duas vezes e colocou Sturaro para buscar o empate. Aos 30’min, Kimmich falhou na marcação de novo e deixou Sturaro tocar pro fundo das redes, após cruzamento de Mandzukic.

Ribery entrou no lugar de Douglas Costa, que fez um segundo tempo apagado. Do gol de empate até o fim da partida, houve muito equilibro. A Juve ainda se manteve em busca da virada e o Bayern tentava pelos lados, com Ribery e Robben atuando nas pontas, visando Lewandowski na área. Sem sucesso.

Fim de papo. 2 a 2. Boa vantagem para os alemães, que se classificam com empates em 0 a 0 e 1 a 1. Igualdade em 2 a 2 leva a partida para a prorrogação e pênaltis, se necessário. A partida de volta será na Allianz Arena, a casa do Bayern, no dia 16 de Março.

OBS: Estatísticas tiradas do site da UEFA, aqui.

ESCREVEU DANIEL BARUD —- @BarudDaniel

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Darmstadt 0 x 3 Bayern de Munique

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Fora de casa, o Bayern venceu a quinta partida na Bundesliga 15/16. Guardiola e seus comandados venceram, sem sustos, o Darmstadt. Com Robben, Ribery e Lewandowsky no departamento médico, Guardiola colocou o jovem Comán, que fazia sua estréia, vindo da Juventus, para atuar como winger direito na equipe bávara.

Rodada 5 - Bundelisga - Darmstadt 0 x 3 Bayern de Munique_POSICIONAMENTO INICIAL

Disposição tática das equipes para a partida. Bayern aparentemente no 4-3-3, enquanto o Darmstadt foi a campo no 4-4-1-1.

Com Müller, Xabi Alonso e Philip Lahm no banco, Guardiola pouco mudou na forma de jogar de sua equipe. Mesmo fora de casa, o Bayern tomou a iniciativa, com organização, mais posse de bola, trocando passes, envolvendo o adversário, com intensidade na marcação.

Taticamente, Guardiola escalou sua equipe sem um esquema fixo (aparentemente um 4-3-3, com muitas variações), com muita troca de posição, muita movimentação, inversão de posição, etc. Götze era o “falso nove”, se movimentando, saindo da área, abrindo espaços para infiltração/penetração dos meio-campistas, fazendo o pivô. Alaba apoiava bastante pelo flanco esquerdo; Rafinha era mais defensivo.

Rodada 5 - Bundelisga - Darmstadt 0 x 3 Bayern de Munique_POSICIONAMENTO 1

Em laranja, o retângulo mostra a intermediaria defensiva da equipe mandante, onde o Bayern ocupava a maior parte do tempo, marcando intensamente.

A equipe da casa, ficava na defensiva. Taticamente, no 4-5-1/4-4-1-1, com Dominik Stroh Engel na frente, isolado. Apostando nos contra-ataques, utilizado os laterais, principalmente Garics, pela direita, aproveitando os espaços deixados por Alaba. Quando tinha a bola, o Darmstadt era vertical, objetivo, mas esbarrava na marcação e recomposição rápida da equipe bávara.

Com maior posse de bola (73% a 27%), o Bayern tinha o controle do jogo, Aos 19’min, Vidal acertou um belo chute  de fora da área, que desviou na zaga, bateu na trave e entrou. 1 a 0.

Aos 23’min, veio a reposta dos mandantes. Em saída rápida, o atacante Engel pegou firme na bola, chutou bem, mas Neuer espalmou. Rode trombou na grande área, mas o juiz mandou seguir.

Com o gol feito, o Bayern diminuiu a intensidade, mas manteve o controle da partida. O Darmstadt aproveitava as chances que tinha, mas falhava nas conclusões e nas defesas de Neuer. Sempre pelos flancos, tentando achar Engel na área.

O primeiro tempo terminou com o Bayern melhor, com mais posse de bola, criou mais, mas não conseguiu converter a posse de bola em gols.

A segunda etapa não foi diferente da primeira. Com o Bayern mais em cima, amassando, abafando, marcando firme, tentando ampliar o placar.

Engel saiu para a entrada de Sandro Wagner, também grandalhão, com a mesma característica: bola aérea.

O Bayern aumentava a posse de bola: 74% a 26%. Aos 16’min, a equipe da Baviera conseguiu ampliar o placar. Em saída rápid de Sebastian Rode pelo flanco direito, que foi a linha de fundo e rolou para a grande área, encontrou Coman livre, que bateu rasteiro no canto direito do goleiro.

Logo em seguida, aos 17’min, Douglas Costa deu bom passe para Rode, que entrou em diagonal, pelo flanco direito de ataque, cara a cara com o goleiro e bateu. A bola bateu na trave e voltou no pé dele, que só rolou para o fundo das redes.

Com o placar definido, Guardiola deu descanso aos seus principais jogadores, já que no meio de semana tem mais. Tirou Vidal (que fez boa partida, se movimentando, armando, criando as jogadas ofensivas) e Douglas Costa, colocando Javi Martinez e Müller, respectivamente.

Mesmo com o placar definido, o time bávaro não perdeu a intensidade e não deixou o ritmo diminuiu, a não ser nos últimos minutos.

Guardiola engatou a 5ª vitória na Bundeliga, assumindo a liderança da competição. Terça-feira, 22, o Bayern volta a campo diante do Wolfsburg, em jogo valido pela 6ª rodada da Bundesliga.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Bayern, ou o prazer de jogar futebol

Leia o post original por Antero Greco

O futebol me fascina desde garoto. Gosto do jogo de bola, independentemente do país, e vejo qualquer campeonato. Só não torço para time estrangeiro porque tive o prazer de crescer com grandes times daqui. Mas essa é história que fica para outro bate-papo.

O que quero dizer é que, na tarde desta terça-feira, o Bayern encheu os olhos de quem se liga em futebol. O time do incansável Pep Guardiola precisava livrar-se do placar de 3 a 1 em favor do Porto para avançar para a semifinal da Liga dos Campeões da Europa. O jogo era em Munique e, claro, uma desvantagem sempre pesa nas costas.

Você sabe o que fez o Bayer, não? Levou em conta o tropeço da semana passada apenas como obstáculo a superar. E fez por mandar para escanteio a sombra da desclassificação. Em menos de meia hora tinha vantagem de 4 a 0 e fechou o primeiro tempo com 5, fora o baile. Tirou o pé na etapa final, levou um gol e ainda arrematou o placar com o sexto: 6 a 1.

Um show de um grupo moldado para jogar bola, sem rodeios, sem rococó, sem papo furado. O segredo do Bayern era o mesmo que tinha o Barça sob a direção de Guardiola: tocar a bola, enganar o adversário, envolvê-lo, deixá-lo tonto e atacar, atacar, atacar. Criar chances de gol.

Às vezes, parece até pelada de criança – e no fundo é isso mesmo. Jogar futebol com prazer. As equipes sob a tutela de Guardiola se comportam como se fossem crianças e se divertir. Pois isso é o futebol: prazer, alegria, gols. Ficou feliz o time, ficou mais feliz a plateia.

Alguém pode alegar que o Porto jogou mal? Diria que o Porto tentou fazer o possível, coitado; não conseguiu. O Bayern não deixou o clube português sequer ter iniciativa. Não dá nem para falar que Lopetegui colocou a equipe dele na retranca para defender a vantagem anterior. Nada. Veja pelo lado oposto: a turma da Alemanha é que ignorou o Porto, jogou como se só ela estivesse em campo.

Ter gente da qualidade de Muller, Lahm, Lewandowski, Gotze, Rafinha ajuda, sem dúvida. Mas é necessário que, por trás deles, esteja um “professor” que lhes ponha na cabeça que a melhor alternativa para ganhar é partir pra cima. Guardiola faz isso; o resto fica por conta dos artistas.

 

Ainda existe clima para Felipão na Seleção Brasileira? Qual treinador você gostaria de ver no cargo mais importante do futebol???

Leia o post original por Milton Neves

scolari

Depois da eliminação, começa a caçada pelos culpados.

E o cargo de Luiz Felipe Scolari fica exposto.

Ainda no comando da Seleção Brasileira, Felipão já deve saber seu destino.

O sete a um é impossível de apagar.

Se Felipão cair, quem deve assumir seu lugar?

– Tite;

– Muricy Ramalho;

– Mano Menezes;

– Cuca;

– Wagner Mancini;

– Vanderlei Luxemburgo;

– Emerson Leão;

– Abel Braga;

– Dunga;

– Gallo;

– Marcelo Oliveira;

– Oswaldo de Oliveira;

– Tata Martino;

– Jürgen Klopp;

– Jürgen Klissmann;

– Jorge Luis Pinto;

– Simeone;

– José Mourinho;

– Pep Guardiola;

– Louis Van Gaal;

Lembra mais algum nome bom para o cargo?

OPINE!!!

Xavi deu a receita para vencer o Barça. O Santos ignorou

Leia o post original por Odir Cunha

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos também fala sobre técnicos: http://issuu.com/metro_brazil/docs/20131129_br_metro-santos/17?e=3193815/5812939

Xavi
“A chave é onde surge superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo…”

Na tentativa de ajudar o Santos a derrotar o Barcelona na final do Mundial da Fifa de 2011, o santista radicado na Alemanha e leitor deste blog, Tana Blaze, traduziu uma entrevista do meia Xavi, do Barcelona – na qual este revelava que tipo de marcação complicava mais a vida do Barça – e enviou a carta para a Teisa. Pelo que ocorreu depois, entende-se que Muricy Ramalho não deve ter levado em conta as dicas de Xavi para parar o time espanhol. Leia abaixo a carta de Tana Blaze e, a seguir, as respostas mais reveladoras de Xavi na entrevista para o jornal Süddeutsche Zeitung (SZ), de Munique.

Estou dando essa matéria agora porque, mesmo aparentemente defasada, ela trata de um tema crucial no futebol brasileiro, que é a pouca aplicação tática de nossas equipes. Nossos técnicos, mesmo aqueles considerados com “t” maiúsculo, não se reciclam, não evoluem, não se preocupam com aliar técnica e tática em treinamentos mais científicos e menos acomodados. Esta entrevista de Xavi revela como Pep Guardiola trabalhou para tornar o Barcelona o melhor time do mundo.

Carta de Tana Blaze à Teisa, em 19 de outubro de 2011

No dia 26 de Julho de 2011 o jornal Süddeutsche Zeitung de Munique publicou entrevista com o meio-campista Xavi do Barcelona, que estava na cidade para disputar a Copa Audi.

Ainda entusiasmado com a vitória na final da Champions League sobre o ManchesterU, ocorrida pouco tempo antes da entrevista, Xavi estava à vontade, com a língua solta, deslumbrado e cheio de si, quando diz coisas do tipo que pensa mais rápido que seus marcadores, que faz o Messi jogar e que só 2% das pessoas entendem de futebol. Não é uma dessas entrevistas típicas de jogador com chavões politicamente corretos, sendo por isto interessante como informação.

Revela alguns detalhes sobre o treinamento e o jogo do Barcelona, que por si só não chegam a ser novidade. O interessante é a ênfase dada pelo técnico Pep Guardiola à posse da bola e à superioridade numérica na zona da bola, com Xavi narrando que se necessário corre da esquerda para a direita, tentando sempre reestabelecer a superioridade numérica. Aliás um sistema aplicado pela seleção brasileira que ganhou o Mundial nos Estados Unidos em 1994, na qual havia quase sempre um jogador livre na proximidade para receber a bola e iniciar uma nova jogada em outro setor.

Xavi revela também, que os times que mais dificultam a vida do Barcelona, são os que marcam homem a homem “como soldados”; lembrando também as seleções do Chile e do Paraguai, contra as quais jogou na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. O Paraguai chegou a desperdiçar um penalti defendido por Casillas e foi derrotado por 1×0 com gol aos 82 minutos de jogo, perdendo ainda no finalzinho uma grande chance para empatar; poderia ter eliminado a Espanha, futura campeã mundial com o motor do Barcelona em campo, a dupla Xavi e Iniesta.

Embora a entrevista não revele nada de extraordinário, achei por bem traduzi-la e mandar para o Santos FC; talvez um ou outro tiquinho de informação possa ser útil na véspera da Copa do Mundo de Clubes. Como não achei o número da sede do Santos FC, envio via Teisa.

Saudações, Tana Blaze

Entrevista de Xavi ao Süddeutsche Zeitung (SZ) de Munique em 26 de Julho de 2011, na qual descreve o sistema do Barcelona (traduzida do alemão para o português por Tana Blaze)

Xavi Hernández, 31 anos, é considerado como o melhor meio-campista do mundo. Ele não é tão espetacular como o atacante argentino Lionel Messi, mas é o ritmo do seu pé, que cadencia o jogo do Barcelona e da seleção espanhola. Xavi, que nasceu em Terrassa / Catalunha começou a jogar com dez anos no Barcelona, foi treinado na famosa academia do clube de La Masia. Com o Barcelona ganhou o título de campeão espanhol por seis vezes, ganhou três vezes a Liga dos Campeões e com a equipe nacional se tornou campeão europeu (2008) e campeão do mundo (2010). Na terça-feira e quarta-feira o mestre do penúltimo passe jogará com o Barcelona na Copa Audi, em Munique. Eis uma manifestação de entusiasmo pelo Barcelona em forma de entrevista:

SZ: O treinador do Manchester United, Alex Ferguson disse que nunca antes seu time tinha levado tamanha surra.
Xavi: Foi um jogo milagroso. ManU não tinha qualquer chance de nos pressionar! Nós dominamos o jogo inteiro, exceto nos últimos 20 minutos, quando eles tinham algumas opções. Mas nesta fase já não acreditavam mais em si, isto se via em seus rostos, nos seus gestos. Wayne Rooney veio até a mim dizendo: ‘Não podemos fazer nada, nada”. E, ‘hostia’, ver isto acontecer com um time como Manchester, do qual tínhamos um respeito brutal, que já havíamos derrotado dois anos antes numa final da Liga dos Campeões e que procurava a revanche…- ufa!

SZ: Como se atinge tal perfeição?
Xavi: Treinando-a. Trabalhando nela todos os dias. Claro, existem coisas que simplesmente não se pode atingir com treinos, o talento por exemplo. Não dá. E nós temos naturalmente uma serie de jogadores que trazem um monte de qualidades natas. Mas Pep (treinador Josep Guardiola / nota da redação), nos proporcionou uma outra vantagem, porque através dele nós conhecemos a razão de cada ação. O porquê!

SZ: O porquê?
Xavi: Sim. Há muitas equipes que jogam muito bem, mas não sabem porquê. Onde tudo acontece por acaso. Por que defendemos arremessos laterais de tal forma e não de outra? Por que batemos escanteios curtos e não longos? Por que nos movemos para um lado do campo para terminar a jogada que está sendo feita no outro lado do campo? Por que fazemos pressão para recuperar a bola numa zona de dez metros? Pep explica isto. E ele o faz com muita didática.

SZ: Foi este o porquê da final contra o Manchester?
Xavi: A chave de tudo é sempre a questão aonde surgem situações de superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo (introduzido na tradução), Pep nos diz antes de cada jogo: “Hoje, a superioridade numérica vai ocorrer aqui ou ali ou lá”. E ele quase sempre acerta a mosca.

SZ: Antes do jogo?
Xavi: Sim. Ele fica planejando o dia inteiro. Sua máquina funciona 24 horas. Então ele está dois lances adiante de todos. Na realidade fomos surpreendidos apenas por Hércules Alicante um ano atrás, no dia da abertura da última temporada. Eles abarrotaram o centro do campo e deixaram as laterais do campo livres. Nós solucionamos isto muito mal. E perdemos.

SZ: Como foi contra o Manchester?
Xavi: Eles tinham uma linha defensiva de quatro homens, tivemos três atacantes; eles tiveram dois volantes e Rooney, nós tivemos Iniesta, Xavi, Busquets – e Messi, que caía de volta ao meio-campo para produzir situações de quatro contra três. E então começou. Toque, toque, toque (toque de bola, toque de bola, toque de bola, acrescentado pela redação), até surgir uma jogada de ataque. Isto às vezes pode durar meia hora, e para isso precisamos de jogadores que não perdem a bola, que são brilhantes. Você se lembra de nosso primeiro gol contra o Manchester?

SZ: O gol de Pedro após seu passe de trivela? Depois de você poder conduzir a bola 20, 30 metros sem ser marcado?
Xavi: Quando recebi a bola perto do círculo central e me virei, pensei, ‘hostia’, estou sozinho aqui! Os defensores não saem! Eles simplesmente não saem! E por que? Porque os defensores têm, digamos assim, respeito do Villa, Pedro e sobretudo do Messi, a ponto de não se atreverem a deixar suas posições.

SZ: O ex-atacante do Liverpool Michael Robinson, um dos maiores especialistas de futebol da televisão espanhola, lhe atesta de ter junto com o Barcelona democratizado o futebol: Ninguém nunca vai novamente enxotar um adolescente, porque ele é pequeno ou franzino demais.
Xavi: Isto tem algo de verdade. Alguns anos atrás, os jogadores como eu eram ameaçados de extinção, porque meias tinham que ter uma altura de 1,8 metros e ser fortes fisicamente. O meu futuro foi questionado. Não faz três anos, que as pessoas diziam, que Andrés Iniesta e eu não poderíamos jogar juntos. E agora? Todos concordam que somos a chave para o sucesso desta equipe. Felizmente, o futebol ainda é um esporte no qual o talento está acima da força pura. E eu digo isso não porque eu sou um jogador tecnicamente dotado.

SZ: Então por quê?
Xavi: Porque é uma bênção para o esporte, para o espetáculo para o público. E porque eu sou um romântico. Quando eu vejo um cara que mata uma bola que cai de 30 metros de altura com um simples toque, eu digo: `hostia!‘ Isso é talento! O mais simples é uma equipe fechar atrás com oito jogadores, uma situação em que qualquer pessoa pode jogar, até o meu irmão que não está em forma. O difícil é acertar três passes em seqüência. Passar a bola quatro vezes em seguida com toques únicos. É isto que importa.

SZ: Passes diretos são a chave do jogo?
Xavi: Você se lembra do Hugo Sánchez? Muitos antigos defensores dizem hoje: No Hugo Sanchez eu nem conseguia dar um pontapé. Numa temporada marcou 38 gols todos com chutes de primeira sem matar a bola! (acréscimo do tradutor) O que quero dizer: não há defesa contra o jogo direto. Você pode me marcar. Mas a bola vem para os meus pés, e, pum, já passei para um outro. Como se defender contra o toque direto? Impossível! Pode se defender contra ações individuais. Dribles.

SZ:Houve quem dificultasse o jogo do Barcelona?
Xavi: Sim, com marcação homem a homem. Os russos e ucranianos são os mais irritantes. Como soldados. Ou, Paraguai e Chile na Copa do Mundo. Mesmo assim continua valendo: quanto mais direto for o jogo, maior dificuldade o adversário terá em se defender.

SZ: Como vocês treinam isto no Barça?
Xavi: Tanto faz se o treino for de força, velocidade ou condicionamento. Cada unidade de treinamento começa com o “Rondo”, uma forma de jogo em que você, se perder a bola, tem que ir ao meio – um treinamento mental bestial. E sempre termina com uma forma de jogo em que se deve manter a posse da bola. Jogos de posicionamento, nos quais que se deve pensar rápido, onde se pode tocar na bola apenas uma vez. Num espaço confinado. Sem tempo para pensar em perder a bola. E ninguém perde. Ninguém. Às vezes, digo a Pep: “deveríamos filmar nosso treino. É melhor do que qualquer jogo. Muito melhor.

SZ: Quando se avalia as estatísticas dos jogos do Barça, chama atenção que um quarto dos seus passes são feitos a Messi e Iniesta, e que um terço dos passes de Messi, Iniesta, Daniel Alves e Busquets, são feitos a você. Isto corresponde a uma orientação?
Xavi: Não Se eu tiver a bola, tento avançar. Quando percebo, oh, o Messi não tocou na bola por cinco minutos, penso: isso não pode ser! Não deve ser. Onde está ele? (Xavi olha para a esquerda e direita), até encontrá-lo. Então pego o Messi e digo”(Xavi faz um movimento de chamada com a mão): vem, vem. Vem aqui, venha perto de mim, comece a jogar”… Ele é atacante, atacantes desligam as vezes. Como se estivessem ‘off’. Muitas vezes ele está apenas chateado porque não recebe a bola com freqüência suficiente, ou porque sofre marcação cerrada. Mas se ele, em seguida, volta para nós no meio-campo, fica novamente feliz. Ele aprecia isto, porque ali pode tocar na bola uma vez, duas, três vezes, e então inicia uma jogada de ataque… esse cara é uma bomba. Eu nunca vi um jogador que sequer chegasse a seu nível Eu não quero atingir os Pelés e Maradonas, nem mesmo os Di Stefanos e Cruyffs. Dos quais eu nunca vi dez jogos em série. Mas aqui, Messi é o melhor do mundo. Em todos os jogos!

SZ: Mas no campo você mesmo é o rei da posse da bola.
Xavi: Se não estiver em constante contato com a bola, me falta algo. Eu estou sempre indo para o lugar onde a bola está, para ajudar um colega, para produzir superioridade numérica. Se eu estou no lado direito e Andres Iniesta e Abidal com seus respectivos marcadores estiverem no lado esquerdo, apresso-me para me juntar a eles e provocar uma situação de três contra dois.

SZ: Como você consegue manter sempre a visão de jogo, mesmo sendo permanentemente pressionado de todos os lados?
Xavi: É o instinto de sobrevivência. Eu não tenho físico privilegiado, então tenho que pensar rápido. No futebol existem dois tipos de velocidade. Por um lado, a velocidade de execução da ação, como a tem Messi, que faz tudo a 100 por hora, ou Cristiano Ronaldo. E depois há a velocidade mental. Alguns têm na cabeça um” top” de 80, outros de 200 km / h. Eu tento chegar perto dos 200. Isso significa, acima de tudo, saber sempre onde você está no campo. Saber o que você faz com a bola antes de recebê-la: Você aprende isso no Barça desde pequeno. Se um adversário vier em minha direção, é em 99 por cento dos casos mais forte do que eu. A minha única chance é pensar rápido. Fazer um passe, um movimento, me livrar da marcação, uma finta, deixar o adversário correr para o vazio… Este tipo de velocidade hoje quase vale mais do que a velocidade pura física.

Para você, o que falta aos técnicos brasileiros para se equipararem a um Pep Guardiola?

A era dos professores*

Leia o post original por Antero Greco

Na sexta-feira, Bayern e Chelsea fizeram jogo movimentado em Praga na disputa da Supercopa Europeia – os alemães como vencedores da Copa dos Campeões e os ingleses por terem faturado a Liga Europa. O time de Munique levou o troféu ao vencer nos pênaltis, com empate por 1 a 1 no tempo normal e 2 a 2 após a prorrogação.

Estiveram em campo estrelas como Neuer, Lahm, Ribéry, Robben e Muller no pelotão bávaro e Cech, David Luiz, Ramires, Oscar e Hazard na tropa londrina. No entanto, antes do clássico, no decorrer dele e após a entrega dos prêmios os personagens mais citados foram Pep Guardiola e José Mourinho. Os técnicos atraíram a atenção durante a semana para o confronto que fariam no banco de reservas. Ganharam espaço superior ao dos rapazes que ralaram por mais de duas horas.

O espanhol e o português são figuras de destaque no futebol: eficientes, vencedores, inteligentes, cheios de si. Têm sucessos no currículo e recebem fortunas. Guardiola, mais diplomático e descontraído. Mourinho, espécie de semideus. O que digo?! Ele é todo-poderoso e Deus, no máximo, o representa no céu, enquanto para lá não for para assumir em definitivo o lugar que lhe cabe.

Treinadores são parte relevante no mundo da bola, seria estupidez negar o valor deles na preparação das equipes. Mas há supervalorização da função, e de um tempo para cá foram elevados à condição de protagonistas. Não está certo. Algo vai mal no futebol quando eles roubam a cena no lugar dos boleiros, os reais artistas do espetáculo.

Não há torcedor que vá ao estádio ou se coloque diante da televisão, nem fique com o ouvido colado no radinho, para acompanhar as peripécias dos professores à beira do gramado. A fixação está nos dribles do atacante, no passe do meia, no desarme do volante, na defesa do goleiro, na rebatida do zagueiro. Ou, até, nas decisões dos árbitros e nos vacilos dos bandeirinhas – o que já seria distorção, embora passável.

A guerra tática vai até a página 5. Os técnicos dispõem da programação rotineira para ensaiar jogadas, simular situações de jogo, planejar mudanças, observar características e qualidades dos profissionais que compõem os elencos, estudar particularidades dos adversários, sugerir contratações. Tarefas de gestor, o apelido mais bacaninha e moderno que deram para os chefes.

Na hora em que a moçada sai do vestiário e pisa na relva, esvai-se grande parte do poder desses senhores. Assim que o juiz assopra o apito, é por conta dos jogadores. Por mais que tenham se exercitado, mesmo com uma infinidade de estratégias estudadas, na hora H contarão o talento, o raciocínio, a dedicação de cada um. Fora o Imponderável de Abreu, talvez o maior definidor de placar que exista, há décadas detectado pelo gênio de Nelson Rodrigues.

Uma situação comum: um time está tinindo, cria 20 chances de gol, dá dez chutes certeiros, mas todos morrem nas mãos do goleiro inimigo. O danado está com a macaca naquele dia e não passa nada, nem espirro, nem mau olhado. Pode-se dizer que o treinador falhou? Não. Assim como não se pode dizer que foi esplendoroso se o atacante estiver endiabrado e mandar pras redes cinco ou seis bolas.

Ou seja, que os técnicos tenham o reconhecimento devido e justo, sem exagero pra cima ou pra baixo. Não são os sábios que muitos se imaginam (e temos exemplos notórios por aqui também), nem os astros como se vê com frequência na mídia. Da mesma forma, não merecem a esculhambação de serem classificados como bestas quadradas ao errarem. A dimensão adequada fará bem para todos, sobretudo para eles.

Em tempo: o epíteto de professor, no duro, cabe para poucos, ao menos no Brasil. Uns dez, e olhe lá, encabeçados por Telê Santana.

(Tema principal da minha crônica no Estado de hoje, domingo, 1/9/2013.)

Um lúcido desabafo

Leia o post original por André Rocha

POR ROBERTO PIANTINO (@rpianta)

Das conversas de boteco às mais conhecidas mesas redondas televisivas brasileiras, existe uma linha de pensamento quase universal, já confrontada por outra corrente, mesmo minoritária, mas consistente e embasada, capaz de enxergar o que há dentro do embrulho, mais além do laço e papel para presente. Beleza é fundamental, como dizia o poeta, e, para esta maioria, parece ser o único visível e importante.

Muito do oxigênio que dá sobrevida a esta corrente de pensamento vem da imprensa esportiva brasileira, formadora de opinião, que muitas vezes coloca entretenimento à frente de informação, com clara preferência a quaisquer tipos de polêmica, exploração de lances isolados, desqualificação de conceitos táticos e outros preconceitos.

Para estes, o termo tática, ou uma equipe bem armada taticamente, significa, em termos gerais, entrincheirar-se, com o objetivo de não deixar o rival jogar, inclusive com emprego de violência, também conhecido, de maneira pejorativa, como a popular retranca.

Elementos táticos e físicos são demonizados e desconsiderados, pressupondo tratarem-se artifícios empregados por “brucutus”, por bárbaros praticantes do chamado anti-futebol, e pelos desprovidos de “técnica refinada”.

Desde uma guerra, a uma partida de rúgbi ou basquete, as táticas empregadas, aliadas a habilidades e outras capacidades, são as chaves para quaisquer possibilidades de sucesso. Nesta ordem.

Inúmeras convicções e sensações estão muito arraigadas na cultura futebolística brasileira, baseada no talento individual, personificado por craques como Arthur Friedenreich, Leônidas da Silva, Zizinho, Pelé, Garrincha ou Zico, e seus mais recentes herdeiros Romário, Ronaldo, Ronaldinho e Neymar.

A maioria acostumou-se, desde sempre, a louvar times que resolvem seus jogos escorados em lampejos individuais, que, naturalmente, são de importância indiscutível, mas não podem nem devem ser a base do jogo. Reivindicam em excesso o individualismo, como se fosse um elemento separado do coletivo, mesmo que estes sejam capazes de decidir uma partida num mal dia da equipe como um todo, fato que não justifica a supervalorização individual.

Aqueles que apedrejam a tática, e, muitas vezes, a utilização da mesma desde os primeiros passos do futebolista em categorias inferiores, ingenuamente não percebem que tática é o conceito, a estratégia do jogo, e que todos devem estar a serviço destas ideias. Confundem tais elementos com cerceamento à liberdade, necessária, que os jogadores têm em campo. Uma mistura de ignorância, preconceito e preguiça.

A absoluta maioria da imprensa nativa, inclusive os veículos de comunicação dos próprios clubes, num claro desserviço ao público, insiste em esparramar as equipes no anacrônico, e praticamente extinto na elite nacional, 4-2-2-2 (inclusive no tão falado e badalado Corinthians de Tite, nitidamente armado em um 4-2-3-1); o famigerado quadrado no meio-campo, que, aos poucos, vai desaparecendo dos gramados onde pratica-se futebol de alto nível no país, juntamente com a grama de jardim e as multidões de penetras e repórteres.

Observa-se um fato curioso, geralmente no início de cada campeonato. Equipes deficientes e defasadas coletiva e defensivamente, embora contem com alguns bons valores individuais, são prontamente apontadas como favoritas aos títulos em disputa.

Há, ainda, outra coincidência. No geral, são treinadas pelos, segundo os supracitados setores da imprensa, grandes ou maiores técnicos do país. Abel Braga, Dorival Júnior, Muricy Ramalho e o contestado e ultrapassado Emerson Leão, que surpreendentemente retornou a um clube da elite nacional, e cuja equipe, o São Paulo, continua sem convencer e ainda é incapaz de ter um nível de jogo superior aos rivais do mesmo patamar, mesmo com os alardeados valores individuais que possui.

O mesmo ocorre com Dorival. Com apenas um punhado de bons trabalhos na carreira, teve grande destaque à frente da altamente técnica e goleadora equipe santista quando encaixou bem vários jovens talentos que coincidiram naquele time, comandados pelo fora de série Neymar. Porém, pelo famoso atrito com o jovem craque santista, sua permanência na Baixada Santista não durou mais que alguns meses, após bom trabalho na recondução do Vasco da Gama à elite.

Abel, de carreira apenas mediana e com fracassos em clubes na França e Portugal, renasceu com um Inter já forte ao ser campeão continental e do Mundial Interclubes mais na base da conversa e motivação, pela competente gestão de grupo que demonstrou ao longo dos anos. Tática e conceitualmente, porém, continua aquém e defasado. O forte elenco do Fluminense acaba por mascarar tais carências.

Por outro lado, os “patinhos feios” atendem pelos nomes de Celso Roth, com a incrível fama de “retranqueiro”, e com bons trabalhos pouco reconhecidos; Caio Júnior, capaz de rever conceitos durante sua permanência recente fora do país, após altos e baixos na parte inicial de sua carreira como técnico, e Tite, atual campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores.

Mais do que ter levado o limitadíssimo elenco do Paraná Clube a uma Libertadores, Caio reinventou, na última temporada, um Botafogo defensivo e com claras limitações táticas herdado de Joel Santana. Mudou toda configuração da equipe com as mesmas peças disponíveis para o treinador anterior. Períodos pouco brilhantes no comando de Palmeiras e Flamengo deixaram no ar a sensação de que o ainda jovem Caio não passaria de um treinador mediano.

O grande problema de ambos ainda parece ser a harmonia com o grupo de atletas, o pouco carisma e a relação às vezes conturbada com as respectivas diretorias. Precisam firmar-se com trabalhos mais consistentes e duradouros, embora conceitualmente sejam superiores ao grupo preferido pela maioria.

O caso de Tite é o mais emblemático. Seu Grêmio de 2001, constante, agressivo e com marcação adiantada e sufocante, marcou época no futebol brasileiro há mais de dez anos, um estilo inédito por estas terras àquelas alturas. Possui ainda vários destacados momentos na carreira, e, assim como Caio Júnior, confessou ter aprendido bastante durante seu período no Oriente Médio. Entre outros detalhes, disse ter ido pessoalmente a Turim observar in loco uma partida da Juventus para entender melhor o funcionamento das duas linhas de quatro, esquema inexistente no futebol brasileiro.

Seu excelente trabalho à frente de um Corinthians muito forte e consistente faz do treinador de Caxias do Sul provavelmente o melhor entre seus congêneres em clubes do país.

O forte e consistente Corinthians de Tite no 4-2-3-1 que confundem com 4-2-2-2.

Muricy Ramalho teve seis meses para preparar seu time especificamente com vistas ao aguardado duelo contra o Barcelona no Mundial Interclubes. O massacre impiedoso, que só não teve um placar mais amplo pela conveniente falta de ambição blaugrana no segundo tempo, foi contemplado por um desolado comandante santista, que mesmo após a partida parecia atordoado, sem entender o que ocorrera, a considerar o nível da lamentável entrevista coletiva pós-jogo. Continuava sem decifrar o jogo do adversário.

A seleção holandesa da Copa de 1974 sabidamente baseava seu jogo de intensa movimentação e pressão naquilo que passou para a história como “Futebol Total”. Mesmo que, para muitas pessoas, o craque e cérebro daquela equipe, Johann Cruyff, eclipse em parte o brilhantismo coletivo holandês, a maioria é incapaz de citar ao menos metade dos jogadores daquele esquadrão comandado por Rinus Michels, que contava com ótimos coadjuvantes, membros do imortalizado “Carrossel”, do brinquedo de parque de diversões formado por figuras (jogadores) que giram em torno de um eixo com movimento comum a todos (conceito de jogo).

A Holanda de Rinus Michels: muito mais que o time de Johan Cruyff.

O jogo belo e dominante do Barcelona é exaltado, mas são incapazes de entender, mesmo após descobrirem o que todo o mundo vê, duas vezes por semana e há quatro anos, um futebol cujo funcionamento é baseado, além da extensiva posse de bola, em uma asfixiante marcação imposta ao rival. O craque e multicampeão Xavi Hernández, já declarou não ser nada sem seus companheiros, em alusão à fundamentação do jogo coletivo.

Sem ir muito longe, lancemos um olhar sobre um de nossos vizinhos. A recente final da Europa League, disputada entre o vencedor Atlético de Madrid, e o Athletic de Bilbao, contou com Bielsa e Simeone, dois argentinos no comando de ambas as equipes, que, embora conterrâneos, adotam estilos e filosofias diversos em seus trabalhos e gozam de grande respeito e mercado na Europa.

Os argentinos possuem ainda treinadores de destaque em vários clubes importantes por toda América Latina, além de eventualmente na Espanha e Itália. Jorge Sampaoli, discípulo bielsista, que tem feito primoroso trabalho na Universidad de Chile, Gerardo Martino, de ótimas campanhas à frente da seleção paraguaia até o último ano, Edgardo Bauza, na LDU de Quito, Marcelo Gallardo, no Nacional de Montevidéu, Jorge Burruchaga, no Libertad, e Ricardo Lavolpe, de tantos trabalhos no México, inclusive com a seleção nacional. Todos estes com trabalhos acima da média.

Mesmo sendo a maior potência econômica da região, e com poder econômico amplamente superior a todos os vizinhos, o futebol brasileiro, por cultura própria, resiste, desde depois das marcantes passagens de Manuel Fleitas Solich e Béla Guttmann por clubes nacionais, em voltar a abrir-se aos treinadores estrangeiros, como já acontece agora no basquete brasileiro, igualmente prejudicado pela enorme defasagem tática e conceitual deste esporte no Brasil.

Mano Menezes e Ney Franco realizam na CBF um complexo trabalho visando estabelecer e aprimorar conceitos e conceber uma nova forma de jogo para todas as seleções, além de servir de referência para os clubes em geral. Porém, julgados e pressionados prematura e erroneamente pelo alto escalão da entidade e pela imprensa, após um período de pouca evolução no nível de jogo e na formação do time, existe o risco de que o interessante trabalho seja abruptamente interrompido em caso de insucesso da seleção olímpica em Londres.

Josep Guardiola, agora ex-treinador do Barcelona, cujos feitos e nível de jogo da equipe possivelmente sejam insuperáveis na história do futebol, em suas tertúlias com treinadores antes de tomar as rédeas no clube catalão, dirigiu-se à Argentina para beber na fonte de referentes do futebol local, a fim de incorporar, aprimorar e polir ideias e conceitos.

Após fazer história no Barça, parte do mainstream da mídia tupiniquim definiu Guardiola como a solução para a perda de identidade de jogo na seleção. Foi alçado à condição de Messias, como sendo o único capaz de resgatar o estilo de jogo brasileiro.

A mesma parcela da imprensa ainda incapaz de entender os fundamentos do jogo aplicado pelo treinador catalão no Barcelona. Inclusive, alguns de seus figurões apostaram, convictos, por uma vitória santista contra os catalães.

O Barcelona de Guardiola: time histórico de Messi, mas essencialmente coletivo.

Atualmente não há nenhum treinador brasileiro trabalhando fora do país em clubes ou seleções de ponta. No máximo, o nome que algumas vezes aparece como especulação em clubes italianos é o de Dunga, em período sabático desde a última Copa do Mundo.

Vanderlei Luxemburgo e Felipão fracassaram em dois clubes da elite europeia, ainda que ambos tenham tido que lidar com ambientes complicados. O primeiro, cujos grandes trabalhos ficam cada vez mais no passado, ousou adotar o 4-2-2-2 no Real Madrid. Sua passagem pelo clube mais vencedor do século passado é lembrada com um misto de ironia e decepção na capital espanhola.

Apesar de tudo, evoluímos. Lembro-me bem do primeiro semestre de 1994, quando as vozes mais ressoantes da época pediam em suas tribunas, a uníssono e exaustivamente, que a seleção jogasse com cinco atacantes em plena Copa de Mundo daquele ano (Bebeto, Romário, Muller, Ronaldo e ainda Dener – antes de sua morte prematura). Menos mal que Carlos Alberto Parreira, como Tite e Roth, era “burro e retranqueiro”; e discordava.

ESCREVEU ROBERTO PIANTINO (@rpianta)


Na despedida de Guardiola, um Barcelona em sua essência vencedora

Leia o post original por André Rocha

Descansado e com a motivação de encerrar o ciclo sob o comando de Pep Guardiola com o 14º título em 19 possíveis, seria natural que o time catalão fosse intenso e pressionasse o Athletic Bilbao desde o início da final da Copa do Rei.

Mas o que se viu nos primeiros 25 minutos no Vicente Calderón, em Madri, foi o Barcelona voltando à sua essência, à proposta de jogo nos melhores momentos da equipe durante os quatro anos de domínio blaugrana.

O desenho tático foi o 4-3-3, com Messi de “falso nove”, Pedro e Sánchez nas pontas buscando as diagonais, Busquets, Xavi e Iniesta dando as ordens no meio-campo. Pressão na saída adversária, troca intensa de passes e a volúpia ofensiva na busca incessante de gols para nocautear rapidamente o oponente.

A vitória foi definida com dois gols de Pedro e o 73º de Messi pelo Barça na temporada – mais cinco pela seleção argentina no período que faz o craque superar Pelé, que marcou 77 em 1958. No lance, o camisa dez lembrou seus tempos de ponta-direita recebendo passe de Iniesta e batendo, de pé direito, na saída de Iraizoz.

O Bilbao de Marcelo Bielsa, um dos treinadores que Guardiola tem como referência, tentou conter a dinâmica adversária prendendo os laterais Iraola e Arteneuxte com os ponteiros, mantendo Ekiza na sobra e avançando Javi Martínez e Amorebieta para apertar Messi na intermediária. A ideia era até interessante, mas diante de um Barça inspirado era impossível segurar.

Em respeito ao futebol praticado na temporada e à própria filosofia ofensiva de Bielsa, o Bilbao em nenhum momento desistiu de atacar, também avançou a marcação e teve um pênalti de Piqué sobre Llorente, já com 3 a 0 no placar. No segundo tempo, teve boas chances de marcar, mas a equipe de Guardiola, mesmo em clima de festa, seguiu controlando o jogo, como quase sempre.

Supercopa da Espanha, Supercopa da Europa e Copa do Rei. Três títulos em cinco possíveis em 2011/12. Messi maior artilheiro da história (oficial) em uma temporada. Este é o saldo do canto do cisne do melhor time que este blogueiro viu nos campos desde que começou a acompanhar futebol com algum discernimento, em 1981, e, mesmo sem os títulos mais importantes na temporada, ainda a mais qualificada do planeta.

Um Barcelona de Guardiola deu espetáculo, venceu e levou mais uma taça para casa. Tudo com simplicidade e reencontrando a própria essência. Um ato final histórico e coerente.

Na despedida de Pep Guardiola, Barcelona no 4-3-3, marcando a saída do adversário e ficando com a bola; Bilbao tentou conter Messi avançando zagueiros e congestionando o meio. Mas era impossível resistir aos 25 minutos mágicos do melhor time do mundo.