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Uma lenda chamada Santos

Leia o post original por Odir Cunha

Outro dia o novo presidente da Fifa, um tal de Gianni Infantino, soltou um documento dizendo que a Fifa só considera campeões mundiais oficiais os clubes que ganharam a competição organizada por ela a partir de 2000 (?). O homem perdeu uma grande oportunidade de prestar um importante serviço à história do futebol, pois com sua nota ele apenas admite que na época mais competitiva desse esporte, em que grandes esquadrões se espalhavam pela Europa e América do Sul, por incompetência ou falta de estrutura a Fifa não conseguiu produzir uma competição mundial entre os clubes, deixando esse encargo para a Uefa e Conmebol.

Seria bem mais digno a Fifa soltar uma nota tipo: “Como se sabe, não organizamos as disputas mundiais de clubes desde 1960, só o fazendo a partir de 40 anos depois. Entretanto, validamos as competições anteriores por julgarmos que elas atenderam ao objetivo de definir o melhor clube de cada ano.” Pronto, a federação, humildemente, reconheceria que não inventou o futebol e que se valeu dos esforços das entidades europeia e sul-americana para manter o interesse pelo esporte que ela tem a obrigação de cuidar.

Amigos me pediram para fazer um dossiê para oficializar os títulos mundiais desde 1960. Há vários motivos para isso. Um deles é que África, Ásia e Oceania nem tinham uma competição oficial para definir seu representante. Portanto, o duelo pelo título mundial teria de ser, mesmo, entre o campeão da Europa e o da América do Sul, como ocorreu.

Ocorre que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram criados pela mesma entidade que em 1971 criou também o Campeonato Nacional. No caso, revelou-se decisivo o testemunho de João Havelange, presidente da CBD e depois da CBF, o homem que lançou todas essas competições com o claro intuito de definir o campeão brasileiro. Mas com a Fifa é diferente. Ela pode alegar, como alega, que só pode oficializar as competições que realizou.

Já teve presidente da Fifa que considerou válidas todas as disputas mundiais de clubes, outros que ficaram em cima do muro e agora temos mais esse que, sem apresentar nenhum estudo ou justificativa, diz uma bobagem dessas. Qual a culpa que o futebol tem se uma entidade fundada em 1904, 56 anos depois ainda não conseguia organizar uma simples melhor de três entre o campeão europeu e o sul-americano, a ponto de abrir mão desse encargo para as bravas Uefa e Conmebol, que se incumbiram da tarefa com um sucesso absoluto? Agora, a história do futebol deve ser punida pela incompetência da entidade que deveria preservá-la?

Não creio que deva ser assim, mas admito que tudo é uma questão de caráter das pessoas que dirigem a Fifa. Burocraticamente podem, mesmo, reconhecer como oficiais apenas as competições que organizaram, legislando em benefício próprio e validando até um torneio mambembe, como o de 2000, no qual faltou o campeão sul-americano e ficou mais quatro anos sem ser realizado novamente. Sim, se quiser a Fifa pode fazer isso. Como eu disse, é uma questão de caráter.

Agora, como todos poderão ver no documentário acima, produzido pela tevê italiana, há um time que pairou acima de currículos e burocracias, até se tornar uma lenda. Assista e não se emocione se for capaz. Será difícil, pois o próprio locutor diz que “Santos era la squadra più emozionanti del pianeta”. Isso não é apenas deixar um nome na lista dos campeões da história, mas construir essa história de um jeito único. E eterno.

Agora ouçam um santista inteligente, corajoso e irreverente:

E você, o que você acha disso?

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Santos x Benfica

Leia o post original por Odir Cunha

Festa na embaixada de São José dos Campos

Alô, alô, santistas de São José dos Campos e região. Neste domingo, dia 9, a partir das 9 horas, a Embaixada do Peixe em São José dos Campos promove a festa “Futebol e Churrasco”, com a exposição da Taça de Campeão Paulista de 2016 e a apresentação da Nova Camisa III.
O evento será realizado na Associação Sabesp, na Travessa Lineu de Moura, 522, próximo ao Clube Santa Rita.
Contribuições para participar da festa:
Futebol: 10 reais.
Churrasco individual: 25 reais. Churrasco dupla: 40 reais. Número da rifa, com diversos prêmios: 10 reais para Sócio e 15 reais para não sócio.

Promoção dos livros Time dos Sonhos e Dossiê acaba neste domingo

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E você, o que acha disso?


Sonho de quase primavera

Leia o post original por Antero Greco

Acordei neste setembro com sonhos de primavera. Está certo que a vitória sobre o Equador me ajudou nesses pensamentos irreais, mas os fatos que se seguiram aos 3 a 0 do Estádio Atahualpa foram determinantes: só boas notícias esportivas, culminando com a permanência de Gabriel Jesus no Palmeiras.

Como em sonhos vale tudo, a negociação do menino artilheiro foi desfeita porque faltava a assinatura da mãe no contrato para que possa pegar avião sozinho… E, arrependido da venda para o Manchester City, o presidente palmeirense resolveu devolver pessoalmente o dinheiro adiantado pelos ingleses.

“Sorry!”, disse, em perfeito e nobre inglês ao presidente do time deles.

“E o seu Pep? Quem telefona para ele?”, perguntou Gabriel Jesus meio sem jeito. Afinal, o técnico espanhol teve o cuidado de consultá-lo via telefônica no começo das negociações.

“Seu Pep”, pergunto?

Banana pro seu Pep espanhol, que é um tremendo técnico de jogadores dos outros…

Melhor ir tomar conselhos e aprender com o seu Pepe de verdade, seu José Macia, na rua México, em Santos.

Afinal foi o ponta-esquerda artilheiro que, em tempos idos, na Arábia Saudita ensinou os segredos do futebol brasileiro ao Pep Guardiola – um jogador em fim de carreira que queria ouvir histórias verdadeiras do grande Santos, que escutou a vida inteira, contadas pelo seu pai.

Enfim, moral da história ou do sonho: quanto o Palmeiras ganhou por vender precocemente a sua joia? Quem lucrou com o grande negócio? O que um dos artilheiros do Brasileiro vai aprender na Europa que já não sabia aos 19 anos? O que Romário aprendeu na Holanda? O que Rivaldo aprendeu na Espanha?

Antes de acabar a historieta, e antes que os grandes conhecedores e teóricos de futebol comecem a me xingar, vou dar uma boa notícia para a torcida corintiana também: o senhor Vicente Matheus acaba de baixar no terreiro do Pai Jaú, ex-zagueiro campeão corintiano da década de 30. Inconformado com o que está acontecendo no Parque São Jorge, ele liberou uma linha de crédito do Além e recontratou de uma só tacada Gil, Felipe, Elias, Renato Augusto e Jadson. Só não decidiu ainda se traz Vagner Love.

“Quem entra na chuva é pra se queimar!”, bradou seu Vicente.

Se é para sonhar, é melhor sonhar grandão!

PS. Na Vila Belmiro já tem gente falando em trazer Neymar de volta, mas ainda é boato.

Santos dá olé, como nos velhos tempos

Leia o post original por Antero Greco

O Santos completou seu 500. º jogo no Pacaembu. Foi contra o São Paulo.

E comemorou em grande estilo: levou velhos ídolos ao tradicional estádio e promoveu a paz , com os dois times em um único ônibus. Seria a demonstração de que duas torcidas também poderiam conviver em paz no mundo das arquibancadas.

Aliás, acompanhando pessoalmente a vitória santista por 3 a 0 estavam Pepe e Coutinho, entre outros craques dos tempos de Pelé.

Na época de ouro, o grande Santos subia a Serra do Mar em cinco ou seis táxis contratados pela diretoria. Perdendo ou ganhando, os jogadores eram levados de volta após as partidas para a porta da Vila Belmiro.

Seu Pepe lembra que nem depois de ter feito três gols no Palmeiras, em um inesquecível 7 a 6, o chofer o levou até a porta de casa: “O português era pão-duro e eu tinha que pegar ônibus de madrugada”, relembra.

Bom, mas no domingo, Pepe e companhia com certeza lembraram dos tempos em que o Rei estava no auge: em 144 jogos no Pacaembu, Pelé marcou 113 vezes.

Para que a lembrança ficasse viva, teve um gol logo aos 41 segundos, anunciando que a festa santista contra os são-paulinos estava garantida. O contra-ataque foi mortal e, após falha do goleiro Denis, Vitor Bueno tocou para as redes.

Mais preocupado em guardar os melhores jogadores para as semifinais da Libertadores, o técnico Edgardo Bauza montou um São Paulo que não fez frente aos adversários. Paulo Henrique Ganso não foi sequer para o banco de reservas.

E o tricolor pagou caro por isso. No fim do primeiro tempo, o time já perdia de 2 a 0, gol de Rodrigão.

Depois disso, o artilheiro Calleri preocupou-se mais em arrumar encrencas, uma delas machucando o goleiro Vanderlei. Lugano tanto fez que foi expulso no final, após ver seu time levando olé. Antes, várias confusões ocorreram entre os jogadores.

Sobrou para os são-paulinos o gostinho de ter presenciado a participação de um menino de futuro: Luiz Araújo, criado nas equipes de base do Morumbi. Fora ele, foi uma tarde para Bauza esquecer.

Para os santistas foi a certeza de que Lucas Lima faz a diferença. Aos 15 minutos do segundo tempo deu um chapéu e um lançamento de cinema. Depois comandou a troca de passes sob os gritos de olé da torcida orgulhosa. Aos 45, cobrou falta  “à la Messi”, para definir o placar: 3 a 0.

Seu Pepe deve ter deixado o Pacaembu também orgulhoso e certo de que o Santos pode chegar mais longe que o terceiro lugar neste Brasileiro – posição que ocupa agora com 19 pontos ganhos. Bem-humorado como sempre, o grande ponta-esquerda deve ter pensado: “Será que depois de tantas confusões os jogadores voltaram no mesmo ônibus que vieram?”

Melhor seria voltar no taxi no português, como nos velhos tempos.

(Com participação de Roberto Salim.)

Seu Pepe e o bêbado

Leia o post original por Antero Greco

Crônica de Roberto Salim.

Semana de Santos e Palmeiras, na minha juventude, era semana santificada.

Duelos entre Pelé e Aldemar, um dos melhores marcadores do Rei. Não sabem quem foi Aldemar?

Então não têm 60 anos… Adivinhei? Aldemar era elegante se comparado ao seu parceiro de zaga, o Waldemar Carabina.

Uma vez perguntei ao Carabina – já velho e treinador de futebol – se o Viola fizesse “porquinho” na sua frente o que aconteceria. E ele na maior naturalidade: “Viola ficaria de quatro o resto da vida”.

O Aldemar não. Era elegante.

Mas teve um Santos e Palmeiras que nem elegância, nem nada. Foi um jogo de 13 gols. Não tinha defesa de Palmeiras ou de Santos que desse jeito. Era gol em cima de gol. E seu Pepe fez três. O penúltimo deles de cabeça: 7 a 6 para o esquadrão santista – 6 de março de 1958.

“A gente voltava de táxi para Santos”, relembra o Canhão da Vila. Eram quatro, cinco carros com “chauffer” carregando aqueles jogadores mágicos. Pepe sempre voltava no táxi de um português fuinha, pão-duro que dava gosto: “Ele deixava a gente na Vila Belmiro, não levava ninguém até em casa”.

E Pepe precisava pegar ônibus. O jogo tinha sido à noite no Pacaembu.  Já era alta madrugada. Pepe, o goleador de um jogo histórico, o artilheiro da partida, o que deixou Pelé para trás naquela noite… na fila do busão.

Finalmente o coletivo chegou e Pepe foi sentar no último banco. Logo foi alcançado por um bêbado. O cara queria conversa: começou falando do inacreditável jogo de algumas horas atrás. “Sete a seis… e o Pepe acabou com a partida”. Mesmo com sono, o seu Pepe se animou com a conversa.

“Eu sou o Pepe”, apresentou-se seu José Macia..

“Tá bom… e eu sou o Pelé”, indignou-se o bêbado, que se levantou e foi sentar em outro banco, resmungando: “Como tem mentiroso neste mundo”.

Bons tempos, os de Pepe, Pelé, Carabina e Aldemar que, por sinal, não jogou esta partida – só foi contratado do Santa Cruz no fim daquele ano.

 

A eterna magia de Pelé

Leia o post original por Quartarollo

pelé

Hoje Pelé comemora 75 anos de idade. Edson Arantes do Nascimento, que lhe empresta o corpo e a voz, vai nessa carona e também faz a festa.

A magia de Pelé continua eterna. Imbatível. Todos os dias quando surge um bom jogador logo já se diz: “É o novo Pelé”

É Pelé disso, Pelé daquilo. Pelé suplantou Edson há muito tempo e passou a ser sinônimo de coisa genial, de alta qualidade.

Não é necessário falar dos feitos do eterno Pelé, isso todos já falam, mas a magia perdura e atravessa décadas e invadiu o novo século.

Esse é um cara iluminado. Convivi com Pelé menos do que gostaria e mais do que muita gente pretendia.

Sou um cara de sorte. Entrevistei Pelé várias vezes, nunca no auge do seu futebol.

Nasci em 1957 quando ele explodia genialmente para o mundo. Conheço suas histórias e suas conquistas, mas vi Pelé jogando pela primeira vez contra o XV de Piracicaba no Barão de Serra Negra, em Piracicaba, em 1973, se não estou equivocado.

Não foi o grande Pelé de sempre, já caminhava para se despedir, mas ainda é o que mais chamava a atenção da torcida e dos adversários.

O XV festejou porque empatou em casa com o Santos de Pelé, 0 x 0, com direito a bola na trave do rei e com Edu jogando demais na ponta-esquerda.

Comecei em rádio em 1972, ele ainda era a majestade dos campos. Quando cheguei em São Paulo, na Rádio Gazeta, em 1980, tive mais contato profissional com Pelé.

O entrevistei várias vezes e via que ele atendia a todo mundo com o mesmo carinho. Vi Pelé deixar de almoçar, deixar a comida esfriando no prato, para atender seus fãs.

Quantos cafezinhos ficaram nas xícaras por causa disso. Era dar uma bicadinha e já vinha alguém, posso tirar uma foto com o senhor seu Pelé?

E lá ia o Rei atender seus súditos independente de onde eram, quem eram ou para quem torciam.

Em 1985, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em Assunção, no Paraguai, estávamos todos, imprensa e jogadores, concentrados no Hotel Ita Enramada, e naquela época você entrevistava os craques da Seleção a qualquer hora.

Tomava café com eles, jogava baralho e na folga tomava até cerveja junto. Eram todos muitos próximos, jogadores e imprensa, nem a figura atual do assessor, ou censor de imprensa, existia.

Na manhã do jogo com o Paraguai, no saguão do hotel, estávamos fazendo matérias para rádio, jornal e televisão e todos os jogadores ali batendo papo e a torcida querendo também falar com os atletas.

Nisso chegou Pelé. Falecido Sócrates, do alto da sua inteligência, começou a sorrir.

Eu olho para ele e pergunto: “Tá rindo de quê, Magrão?” e ele respondeu: “Agora acabou nosso papo com vocês, todos vão querer falar com o maior de todos. O rei chegou, a atenção é para ele. Qualquer coisa tô no café”

O incrível é que naquela seleção havia gente consagrada como o próprio Doutor Sócrates, Falcão, Careca, Casagrande, Renato Gaúcho, Leandro, Júnior e outros mais.

Era a base do belíssimo time de 82 com algumas mexidas. Ninguém era maior que Pelé e Sócrates sabia disso de longe.

Eu estava lá pela rádio Record e o grande Roberto Silva, ainda na Rádio Bandeirantes, tinha mais intimidade com Pelé e foi falar com ele.

“Pelé, a gente precisa fazer uma entrevista com você. Pode ser agora?”

O Rei todo sorridente e atendendo todo mundo que se aproximava: “Roberto, prazer em revê-lo, estou chegando de viagem, vou subir tomar um banho e em meia hora desço para falar com vocês e atendo todo mundo”

Não deu outra, meia hora depois estava e eu e outros companheiros ao vivo com Pelé para o rádio do Brasil, como costumamos dizer.

Quando saiu para o estádio ainda perguntou se tinha atendido todo mundo e isso valia também para os torcedores que queriam fotos e autógrafos.

Há pouco tempo, Flávio Prado resolveu fazer um programa para a TV Gazeta reunindo os cinco jogadores daquele que é considerado o melhor ataque de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Pelé topou a parada na hora e avisou: “Vamos fazer lá na minha casa, no Guarujá”

Flávio topou e na época eu estava participando da campanha da Jovem Pan por respeito ao Hino Nacional nos estádios e faltava falar com Pelé que sempre estava viajando.

Pois com Pelé é assim, se você chegar perto passa a ser do time dele e ele te abraça e os assessores não falam mais nada, mas se precisar de ajuda para chegar e ele não sabe que você quer falar com ele, há uma certa complicação.

Pedi ao Flávio para que ele gravasse um depoimento de Pelé sobre o Hino Nacional. Ele fez mais do que isso, me convidou para ir junto.

“Já falei com Pelé que você vai conosco e ele falou que não precisava nem pedir. Você está convidado, vamos lá”

Lá fui eu com um motorista e um técnico da rádio. Pelé nos recebeu de braços abertos, se emocionou ao reencontrar seus antigos companheiros, fez questão de que a TV Gazeta pagasse um cachezinho, com o qual ele colaborou pessoal e secretamente para que não ficassem melindrados, para cada um dos seus velhos amigos, fez comida para a gente almoçar, levou-nos ao altar da Santa de sua devoção que cuida todos os dias com carinho e contou histórias de vida, de família como se fosse um igual a nós.

Ah, antes de tudo isso, foi buscar pessoalmente o motorista e o técnico da rádio que estavam no carro lá fora esperando pela matéria para voltar à São Paulo.

Foram levados para dentro para almoçar e passar o dia com a gente. Esses dois jamais esqueceram o fato: “Ser convidado por Pelé em pessoa era demais para eles”

O gozado foi Pelé me perguntando. “Cadê os meninos que vieram com você?”

Estão lá fora me esperando, vou passar a matéria e voltar para São Paulo.

“Vai nada, espera aí, vou chamar os dois. Nada disso. Vamos almoçar todos juntos” e assim aconteceu.

Tempos depois estou entrevistando Mané Maria, ex-excelente ponta-direita do Santos dos anos 70 e amigo pessoal de Pelé até hoje, e ele me fala assim: “Quartarollo, tenho aqui um garoto que quer pedir uma ajudar para você. Você pode conversar com ele na Jovem Pan?”

“É claro que posso, bota o menino aí no telefone”.

“Oi seu Quartarollo, aqui é o Edson, tô procurando um time para jogar e ninguém me dá chance”

“Ah, é? O que você sabe fazer?

“Sei chutar com o pé direito, com o pé esquerdo. Sei cabecear, driblo bem, faço muitos gols, mas ninguém me dá chance”

E eu entrando na brincadeira do Rei. “Ah, você sabe tudo isso. Quem você pensa que é, pensa que é o Pelé?”

Gargalhadas à parte, veio na sequência mais uma grande entrevista cheia de histórias boas e análises sobre os rumos do futebol brasileiro.

É por isso que quando alguém quer comparar algo muito bom, pode se comparar a Pelé, mas ele é inigualável, é o maior de todos sem nenhum favor.

Quando um jogador se destaca muito a primeira questão é: “Esse é melhor que Pelé, esse é igual a Pelé”

Agora é a vez de Messi ser comparado. Logo, logo isso passa. No passado outros também foram comparados a ele, mas Pelé só existe um, mas é gente igual a gente. Tenha certeza disso.

Pelé tem um grande coração. É do tamanho desse aí de cima na foto magistral de Luiz Paulo Machado que teve a felicidade de pegar o exato momento em que o suor fazia um desenho perfeito no peito do Rei.

E ele conseguiu isso numa época em que as máquinas fotográficas eram bem diferentes dessas de hoje. Não dava para inventar e nem montar. Era isso ou isso e nada mais.

Machado era um dos Pelés das fotografia. E era ótimo. Parece que realmente os polos, ou os pelés, se atraem.

Obrigado, capitão Zito

Leia o post original por Antero Greco

A rapaziada de hoje conhece até o reserva do zagueiro do time juvenil do Shandong Luneng. Sem contar que tem na ponta da língua os nomes dos capitães de Barcelona, Bayern, Real, Manchester United e tantos outros times da moda mundo afora. Bacana, isso é consequência da globalização do futebol e das infinitas opções para ver estrelas internacionais em ação.

Fico na dúvida, porém, a respeito de quantos conhecem, mas conhecem de fato, quem foi José Eli de Miranda, na arte da bola conhecido por Zito. Pois afirmo, para quem não saiba, que foi um gigante, um dos maiores volantes de seu tempo. O quê? Um dos mais brilhantes jogadores de meio campo de todos os tempos. Sem favor nenhum, muito menos exagero sentimental.

Zito pôde ostentar muitos complementos – mestre, guia, líder, comandante – e todos lhe caíam bem, eram adequados ao personagem. Mas Zito foi sobretudo capitão, O capitão, do maior Santos da história. O Santos dos anos 1950/60, em que brilhavam estrelas como  Gilmar, Dorval, Lima, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe.

Uma coleção de gênios, de artistas, de globetrotters da bola. Com Zito a liderá-los. Para aquele Santos, era indiferente jogar na Vila, no Pacaembu ou Presidente Prudente, na disputa do Paulista, como ir para o Maracanã enfrentar o Milan pelo mundial de Clubes ou perambular por Europa, África, Ásia, Américas para que as plateias pudessem apreciar seus shows.

Zito era sério, ranheta, aplicado, marcador implacável e bom, bom demais. Não era a versão deturpada dos volantes que nas décadas seguintes viraram cães de guarda das defesas. Zito era o coordenador daquela turma, a voz que falava grosso em campo. Era quem dava broncas tremendas num tal Pelé e… o rei aceitava, na boa, sem contestar.

Zito foi bicampeão mundial. Em 1958, na Suécia, entrou a partir do terceiro jogo (2 a 0 na URSS), junto com Pelé e Garrincha. Quatro anos mais tarde, no Chile, foi titular do começo ao fim. Na decisão, contra a antiga Checoslováquia, fez um dos gols nos 3 a 1.

Mais do que seleção, Zito era sinônimo de Santos, o clube do qual nunca se distanciou. Nem se poderia dissociar um do outro; não faria sentido. Parceria que durou para sempre.

Zito morreu neste domingo, aos 82 anos. Deixa como herança a emoção que proporcionou a todos que curtem futebol e tiveram a felicidade de vê-lo em campo.

Vai em paz e obrigado, capitão!

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?

A Alemanha tem um certo Thomas que também é Müller. Portugal tem um Ronaldo que não foi Cristiano e nem Ronaldo

Leia o post original por Quartarollo

A Alemanha não tomou conhecimento de Portugal que estava órfão do grande Cristiano Ronaldo, em Salvador. Houve uma caricatura do melhor do mundo em campo, mas nem Cristiano e nem Ronaldo apareceram. Claramente o atacante está sem suas suas melhores … Continuar lendo

Chocolate alemão!

Leia o post original por Neto

Infantil, Pepe foi expulso após cabeçada em Thomas Müller

Infantil, Pepe foi expulso após cabeçada em Thomas Müller

Estive acompanhando de perto o duelo entre Alemanha e Portugal do estádio da Fonte Nova, em Salvador, e fiquei impressionado com a superioridade dos alemães. Apesar de ter o melhor jogador do mundo na equipe, os lusitanos foram presas fáceis para o bem posicionado time do técnico Joachim Löw. Taticamente perfeito e com vários jogadores técnicos. A bola que mostrou o atacante Thomas Müller foi de encher os olhos. Fez três gols e já figura na artilharia da competição. Aos 20 anos ele já tinha sido o goleador máximo do Mundial da África com cinco gols. Lembram?

Duas coisas me chamaram a atenção: primeiro a qualidade do elenco alemão. Saía um grande jogador, como o Müller, e entrava outro como o Podolski. Depois a postura ridícula do zagueiro Pepe, que com a expulsão arrebentou sua Seleção. Ou seja, se Portugal já ia sofrer com a Alemanha naturalmente, piorou demais com um jogador a menos no gramado. Por sinal os letrados e a geração ‘playstation’ valorizam tanto esse cara que cheguei a pensar que estava exagerando. Pelo amor de Deus! Ele é mesmo um fanfarrão. Bate até na mãe!

De forma geral acho que a Alemanha vai brigar até o fim pelo título mundial. Seria o tetra. Em contrapartida o time de Portugal ficar nessa tiriça não deve passar da primeira fase. Muito fraco. O pior de tudo é que o Cristiano Ronaldo, que tem potencial para jogar nas melhores equipes do planeta, terá que se contentar com mais um Mundial frustrado. Isso é que dá ser um estranho no ninho.