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Vai começar: A Copa nada tem a ver com nossas mazelas

Leia o post original por Pedro Ernesto

Sete longos anos nos separam daquela reunião de autoridades brasileiras com dirigentes da Fifa, em Zurique. Estava lá cobrindo pela RBS. Todos festejaram de forma ruidosa a escolha do Brasil para sediar a Copa. Por aqui, muitos acharam ótimo e não se ouviu nem viu protestos. Tudo foi misturado. Erradamente. A Copa é um evento que nada tem a ver com nossas mazelas. Já que gastamos muito convoco os brasileiros a recuperar o investimento. Turistas geram impostos. A conta pode ser paga.

Gabriel Lain / Agência RBS

Gabriel Lain / Agência RBS

Segurança
Uma pessoa me desafiou pelas redes sociais a falar sobre os R$ 2 bilhões que serão gastos pelo governo para a segurança no Mundial. Aprovo esse cuidado necessário em um grande evento. Presidentes de muitos países virão, haverá gente de todos os lados do mundo, jogadores famosos. Claro que se faz necessário segurança para todos. O que lamento é que daqui  a 30 dias voltaremos à insegurança absoluta de nossos dias no Brasil inteiro.

Preocupação
O jogo de hoje é o mais complicado desta fase de grupos. Felipão deve saber disso. Sendo estreia, ainda complica mais.  Será preciso encurtar o campo tirando os espaços de contra-ataque dos croatas. Eles têm jogadores experientes que saberão enfrentar o Brasil. Confesso que esse jogo me preocupa.

Demaiisssss
O brasileiro tem comportamento que me agrada muito. As seleções que chegaram foram muito bem recebidas. Viamão nos deu grande exemplo. Nos treinos, vemos públicos de 8 mil a 10 mil pessoas. Sem falar que os ingressos são disputados a tapa por muita gente.
Demenos
O eloquente discurso da presidente Dilma Roussef não condiz com a realidade. O governo fracassou. Fora do campo, o Brasil perdeu a Copa. Dilma desafiou os que diziam que os estádios não estariam prontos. Alguns não estão mesmo. Os aeroportos não foram duplicados. Veja o Salgado Filho. A Fifa quase enlouqueceu com a nossa baderna. Erramos demais.

Diego Costa
O centroavante brasileiro que disputará a Copa pela Espanha está preocupado com a repercussão de sua atitude. Luiz Felipe declaro que ele traiu o povo brasileiro. Bobagem. Ou Luiz Felipe teria traído o Brasil quando nos enfrentou treinando a Portugal?

Vai dar tudo certo

Leia o post original por RicaPerrone

Caro amigo visitante, seja você do país que for, eu em nome de muitos – não de todos – quero te deixar mais calmo.

A mídia está passando com terrorismo a idéia de que o Brasil está em guerra contra a Copa. Não é verdade, é apenas uma matéria sensacionalista pra chamar sua atenção.

Você não está em risco, ninguém aqui te odeia por você vir nos visitar, ao contrário, recebemos como ninguém.

Pode chegar.

Tem uma dúzia de pessoas, como em todo lugar, que não sabe separar as coisas e que quer descontar em você, turista, o fato de não sabermos votar e de só nos darmos conta que vamos ter um filho no dia do parto, não no dia do sexo.

Não julgue o brasileiro por uma % insignificante e barulhenta. Nós estamos insatisfeitos com o governo, com nossos problemas há mais de 500 anos. Mas a Copa foi eleita a “vilã” das coisas e muito ignorante abraçou.

Saibam que investimos cerca de 25 bilhões na Copa, sendo 8 em estádios, uma boa parte disso como empréstimo e portanto será devolvido. O restante em coisas estruturais que, em tese, atingem a todos não apenas a quem vai jogar uma partida de futebol.

Pois bem, algumas pessoas gritam, pilhadas e desinformadas por terceiros de intenções duvidosas, que este gasto estaria prejudicando a condição social dos nossos brasileiros.

Tolos. Eles não procuraram pra saber que de 2010 pra cá, por exemplo, enquanto gastávamos 25 bilhões em Copa, gastamos 825 bilhões em saúde e educação.

Está ruim? É claro. Mas aqui ainda não notaram que o problema é o que fazem com os 825 e não a falta que vão fazer os 25 da Copa.

Eles acham que o problema é a falta de dinheiro, não a má utilização dele.

Compraram uma briga justa, pelo motivo errado, usando os meios mais absurdos. Perderam para eles mesmos quando tiveram a maioria ao seu lado, pois não conseguiram encontrar um pedido claro e um rumo.

As manifestações acabaram. Hoje tem uma turma de minoria violenta quebrando tudo pra chamar sua atenção e te causar medo. Tentando te dizer que sua Copa é culpada pelos problemas do país, isentando os nossos eleitores do que fazemos a cada 4 anos sem contestar o destino dos 825 bilhões, por exemplo.

Os 25 vão causar gritos de gol, e isso incomoda algumas pessoas que não suportam a idéia de se cobrar melhorias sendo feliz ao mesmo tempo.

Vem pra cá. Nós adoramos recebe-los e mostrar nosso futebol, nosso samba, nossas praias. Como vocês, como todos, mostramos o que temos de bom. Se você quiser saber o que tem de ruim, também temos, mas sabemos não ser culpa de vocês.

Temos problemas estruturais, mas se você não souber como resolver, pergunte. Em lugar nenhum do mundo você será tão bem tratado para encontrar uma resposta quanto aqui.

Nossa gente é complexada, cheia de defeitos, mas é uma gente muito boa. Não julgamos por raça, religião, nada disso. Tratamos todos iguais, com raras exceções que vocês também conhecem em seu país.

Idiotas tem em todo lugar. Não é uma exclusividade nossa. Aliás, pouca coisa que nos envergonhamos é exclusividade nossa. Mas para nós, parece ser.

Lamento muito pelos problemas que podemos ter ao recebe-los, mas tenho alguma convicção que vai dar tudo certo. Sempre deu.

Fazemos fora do prazo, mas fazemos. Aos trancos e barrancos, de forma pouco organizada, abrindo espaço para sermos roubados, mas no final, fazemos.

Venham tranquilos. O povo brasileiro não é contra a Copa, muito menos contra vocês. Uma minoria barulhenta que não sabe separar as coisas, sim. Mas estes, tenham certeza, serão sufocados pela gigantesca maioria que ou não concorda ou não acha justo prejudicar sua viagem por problemas nossos.

Mas por favor, caro turista. Não sinta pena de nós. Vivemos colhendo o que plantamos e não somos dignos de pena. Somos, talvez, dignos de uma perplexidade por não sermos a potência que deveríamos.

Mas pena, não. Jamais.

Sejam bem vindos. Nós adoramos futebol, receber amigos e sorrir pra eles. Não será diferente.

#VaiterCopa #umaGrandeCopa

abs,
RicaPerrone

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Versão em inglês traduzida por André Fran.

It’s gonna be all right!

 

Dear Tourist friend, from whatever country you may be, I, in the name of many like me (although not everyone), would like to make you feel more at ease.

The media in Brazil is doing what we could call a terrorist job. Saying that Brazil is at war against the World Cup. That’s not true. That’s just alarmist news to sell papers and draw attention.

You’re not at risk. Nobody here hates you because you decided to visit us. It’s actually quite the contrary: we love to be hosts! And we are very good at that.

You can come to Brazil!

There’s half a dozen people, like everywhere else, that don’t know how to separate things and is focusing on other people the fact that we not very good at electing some people and that we just realize the problem when it’s already too late. Brazilians realize they are having a baby only at the day of birth not when we are having sex.

Don’t judge Brazil by an insignificant and noisy minority that shouts against the World Cup. We are not pleased with our government and our problems for more than 500 years. But the Cup was named today’s villain and some stupid people bought that.

We invested around 25 billion in the World Cup, 8 billion in stadiums, a big part of that was from government loans that will be payed back. The rest was in infrastructure things  that benefit all not just those that like football.

Some people shout passionately and uninformed, motivated by people wit other interests at hand, that this money is hurting Brazilians as a whole.

Fools. They didn’t even try to look into the matter and see that while Brazil spent 25 billion in the World Cup we also spent 825 billion in health and education.

Is the situation bad? Yes, of course. But the problem is more what they do with this 825 billion and less what they do with the 25 billion for the World Cup.

They think the problem is the lack of money, e not the bad administration of it.

 

 

They got in a fair fight, but for the wrong reasons. And using the worst means they could. They lost to themselves when they had the majority of the people on their side but couldn’t define a clear focus for their demands.

The protests that crowded the streets in Brazil last year have ended. Today, a minority of violent people is just willing to make a fuss and draw attention. They say that the World Cup is the reason of our problems. They forget to blame us, the people who vote, for what we do every 4 years. Wich includes not questioning what they do with those 825 billion, for example.

Those 25 million are gonna be responsible for screams of Goal! And that bothers people that don’t support the idea that we can be happy and critic of our government at the same time.

Come to Brazil! We will love to host and show you our football, our samba, our beaches. If you want to see the bad sides of Brazil, we can also show you. But we know that it’s not your fault.

We have some structural problems, but you have any trouble don’t be afraid to ask. We’d love to help. Nowhere in the world you’ll find such a happy to help people like in Brazil.

Our people have complexes, some flaws, but we are good people. We don’t judge people by race, religion, nothing like that. We treat everyone like equals. With the few sorry excepetions, like you probably have in your country.

There are idiots everywhere. That’s not something exclusive of Brazil. By the way, few things that we are ashamed of happen in other countries too. But we seem to think it happens only in Brazil.

I’m sorry for the inconveniences we may have while welcoming you to our country. But I’m pretty sure everything is going to be all right. It always does.

We may do it a little late, but we do it. We may do it in a disorganized fashion, allowing others to take advantage of us and our money, but in the end we make it happen.

You can come with open hearts. Brazilians are not against the World Cup. We are not against tourists or tourism. This minority that doesn’t know how to separate things may be loud but they will be silenced by the majority that doesn’t think it’s fair to disturb your trip because of our problems that only concerns ourselves.

But please, dear tourist, don’t feel sorry for us. We reap what we saw. Although we may astonish you with our undeveloped potential, we don’t deserve your pitty.

Welcome! We love football, we love making friends, and we love smiling with them. And this time it won’t be different.

There will be a World Cup! And it’s gonna be great!

Best regards,
RicaPerrone

Manifestantes prometem protestos na Espanha e no Chile contra Copa

Leia o post original por Perrone

O apedrejamento da embaixada brasileira em Berlim, nesta segunda, aconteceu em meio ao plano de manifestantes brasileiros de internacionalizar o movimento contrário ao Mundial no Brasil. Na Alemanha, o ato teria sido contra os gastos do governo do nosso país com o evento.

Nesta quinta, o Comitê Popular da Copa promove o “Dia Internacional de Lutas Contra a Copa do Mundo”. Segundo os organizadores, além de protestos em diversas cidades do país, estão confirmados atos na capital do Chile (Santiago) e em Barcelona, na Espanha. Existe a possiblidade de que o movimento receba apoio em outros países.

De acordo com a assessoria de imprensa do Comitê Popular, as manifestações no exterior serão realizadas por estrangeiros e brasileiros que lá residem. E devem ocorrer nas proximidades das embaixadas brasileiras.

Também segundo a assessoria, o movimento não teve contato com os autores da depredação em Berlim e não sabe quem são eles.

No Brasil, os protestos serão em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, Vitória, Belo Horizonte, Curitiba, Belém, Recife, São Carlos (SP) e Sorocaba (SP).

O lema será: “Copa sem povo, tô na rua de novo.”

Odeie a Copa

Leia o post original por RicaPerrone

Só tem uma coisa mais insuportável do que não ter o direito de expressar.  É quando aqueles que resolvem se expressar te proíbem de “não se expressar”.

A Copa do Mundo está pronta. Vai acontecer em alguns dias e queiram ou não vai deixar todo mundo maluco com a idéia de termos a maior competição de futebol do planeta em nossa terra.

A Copa, vilã de muita gente, é como uma ponte superfaturada. Você não deixa de usar a ponte pra ir trabalhar, deixa?

Óbvio que não. Porque você sabe, se for razoavelmente inteligente, que a ponte não tem culpa mas sim quem eventualmente a superfaturou.  Quando você não quer saber, porém, fica complicado estar por perto.

É impossível curtir a Copa do Mundo.

A revolta de alguns é tão delirante e apaixonada, tão determinada a mostrar no facebook o quanto você é engajado, que te causa constrangimento gritar gol perto de uma pessoa assim.

E não, a culpa não é sua. Ela é que é chata pra caralho. Mas está na moda ser chato pra caralho, então, foda-se você.

Deve-se odiar a Copa, a Rede Globo e o que mais as minorias barulhentas determinarem.  Acreditem, senhores! Para estes, não fossem estádios, estariamos cheios de hospitais hoje sem nenhum tipo de problema com corrupção.  Afinal, a culpa é da Copa.

Mas por outro lado, esclarecidos que somos, não dispostos a fazer papel de revolucionário do facebook, podemos contestar o que houve de errado em breve quando votaremos em nossos líderes. Assim como podemos distinguir as duas coisas e curtir o fato de recebermos o mundo em casa pela primeira vez, já que em 1950 a Copa não levava nem 10% dos turistas que leva hoje.

Podemos gritar gol. Pintar a rua, a cara, comprar a camisa. Podemos também ser voluntários, pois quando a FIFA abre inscrição ela não diz que vai te pagar. E tem tanta gente revoltada com isso que já cheguei a desconfiar que os voluntários estavam sendo forçados a irem lá com uma arma na cabeça.

Mas não. Era só gente afim de fazer parte do show. Disposto a não receber por isso. Mesmo que pra algumas pessoas isso seja impossível de entender. E então, eles te obrigam a se revoltar.

E se você não odiar a Copa, não virar as costas pra ela, meu caro… é um alienado político! Um brasileirinho acomodado que aceita tudo isso.

Os “Zé Ongs” estão cada dia mais alucinados com a perda de militantes para queimar figurinhas ou esconder o rosto pra quebrar tudo fingindo ser macho em bando. Agora eles já querem te proibir de sentir prazer com o evento.

Para um Brasil melhor, seja infeliz. Sinta o tempo todo os problemas do seu país e não sorria pra nada. Reclame. Faça tipo de justiceiro e use sua carteirinha de estudante pra pagar meia, mesmo se  você não estudar.

Hoje, o que mais vejo são amigos com VERGONHA de curtir a Copa do Mundo. Não porque eles acham que não devem, ou porque não tem vontade. Mas porque os chatos não permitem.

Será que tão difícil assim curtir o beneficio sem abrir mão de questionar os problemas dele? Você precisa mesmo questionar a integridade do noivo no altar? Não dava pra ser no começo do namoro, ou, quem sabe, quando os convidados forem embora?

#VaiterCopa.  E vai ser uma grande Copa.

Me deixem curti-la sem culpa. O futebol não é culpado pela má fé alheia, nem seu sofá pelo seu chifre.

abs,
RicaPerrone

A grande família

Leia o post original por RicaPerrone

José e Maria não viviam em paz. Seus filhos, Leo e Bia, nunca entenderam bem a relação dos pais e cresceram em meio a violência, hipocrisia e muitas mentiras.

Maria apanhava muito. Mas não era santa, já que traia José quase semanalmente.

Toda vizinhança sabia da relação conturbada, mas não desconfiava que chegaria as vias de fato, afinal, nada prendia Maria a José. Não tratava-se de um sequestro, mas sim de um casamento.

Se Maria estava lá é porque queria estar. José, então, é problema dela. Não dos vizinhos.

Um dia José informou em casa que havia convidado 2 casais de amigos para um churrasco. Maria questionou sobre a churrasqueira e José prometeu construir uma a tempo, já que o tal evento aconteceria apenas dali a 2 meses.

Em dúvida sobre a idéia, Maria questionou o preço da churrasqueira.

José disse que podia pagar. Que valorizaria o imóvel num futuro.
Maria aceitou. Sorriu, pensou na picanha e nas boas risadas que daria no tal churrasco.

Enquanto interditava o quintal para obras, José teve que desligar a máquina de lavar de Maria por alguns dias. Ela se irritou.

Discutiram. Rebelde, Maria disse que não queria mais receber ninguém.

José ponderou que já tinha feito a maior parte da obra, que seus amigos viriam de longe e que não era elegante e nem muito possível desfazer o convite.

Então, Maria surtou.

José a espancou mais uma vez. Chorando, foi ao banheiro tentar fazer com que ninguém ouvisse as lágrimas incoerentes de quem se mantém casada por vontade própria, mesmo que agredida constantemente.

A noite, foi pro samba trair o marido como “vingança”. E assim, entre socos e mentiras, mantiveram um lar de aparências, uma bomba relógio prestes a explodir.

Chegou o final de semana do tal churrasco. Ao acordar no sábado, prestes a ir ao aeroporto receber as visitas, José se deparou com Maria sentada amarrada a churrasqueira gritando: “Não vai ter churrasco!”.

José argumentou ainda ponderadamente que não dava mais pra cancelar. As visitas já haviam chegado e que não era prudente punir as visitas por problemas internos.

Afinal, que culpa tem os hospedes?

Rebelde, cansada, desgostosa com a própria omissão e covardia, Maria gritou mais alto. Não queria mais apenas se impor a José, mas sim a vizinhança inteira.

José a agrediu mais uma vez. Desta, sem deixar marcas para que as visitas não notassem.

As visitas chegaram e José foi logo mostrando a churrasqueira nova onde fariam o tal churrasco. As crianças foram receber as visitas e com a alegria e pureza de quem só enxergava uma tarde feliz em meio a tanta confusão.

Sentindo-se traída pelo marido, pelos filhos e principalmente por si mesma, Maria esperou todos sentarem, José acender o carvão e então desceu as escadas gritando que havia sido agredida.

As visitas não sabiam o que fazer. Maria se jogava no chão e contava barbaridades em prantos, como quem pede ajuda. Os vizinhos ouviram, se aproximaram, tentaram conter José, que já ameaçava agredi-la novamente.

Um tumulto daqueles. Veio a polícia, o bairro todo passou a saber que aquela família era uma mentira e José, violento.

Quebra-quebra, picanha voando, muita discussão e mesmo quando tudo se acalmou, não havia clima para churrasco.

Os hospedes se foram, a carne estragou. A churrasqueira, novinha, sofreu danos em meio a confusão. E Maria, agora vítima de um marido cruel aos olhos de todos, se via amparada por um monte de gente que não lhe dá a mínima.

A noite, quando todos vão embora, Maria se deita ao lado de José e faz sexo com ele.

Pela manhã, sai de casa ainda machucada e todos na rua olham com pena, com a certeza que ali vai uma mulher livre de seu marido cruel para não mais voltar.

Maria encontra seu amante. Passa a tarde com ele e volta para José, causando espanto na vizinhança.

Ao entrar em casa Maria olha as crianças, a churrasqueira quebrada, José bêbado no sofá e diz:
– Vamos consertar a churrasqueira?
– Porra, Maria! Tu quebrou tudo, estragou o churrasco, me fodeu na frente das visitas e agora quer que eu conserte a churrasqueira?!
– Agora que já fez, adianta deixar ai quebrada? Vê quanto é e conserta.
– E os nossos amigos, Maria? Como fica?
– Convide-os para um final de semana em casa e uma feijoada.
– Mas aí tem que consertar o fogão, trocar a cama e fazer um quarto de hospedes pra caber todo mundo!
– Tudo bem, José. É até bom. Valoriza o imóvel…
– E a gente?
– O que tem a gente?
– Tudo bem?
– Tudo. Normal… Você leva as crianças na escola?
– Levo…

abs,
RicaPerrone

Vira-latas

Leia o post original por RicaPerrone

Sim, Nélson tinha razão.  Sua mais brilhante visão sobre o nosso dia-a-dia foi quando registrou com o termo “vira-latas” aquilo que nos faz ser quem e o que somos.

Basta 5 minutos de um novo dia para ler ou ouvir alguém dizer “que este país é uma merda”.  E eu, pacheco, digo que não.  Mas não porque eu discorde, e sim por entender que não se mudará nada com rebeldia, mas sim com orgulho.

Orgulho de quê? Ora, de mim, de você, dos seus. Se por um país você não pode se orgulhar, por você, no mínimo, dá pra tentar. E não adianta fazer discurso, fingir ser o que fingimos no facebook todos os dias. O Brasil somos nós, e nós somos o Brasil.

Hoje anunciaram que as Olímpiadas custarão quase o dobro do que foi dito inicialmente.  E sim, isso me revolta. Como deixa qualquer pessoa que tem medo de ser assaltado a cada esquina puta da vida. Ou aquele que não consegue um leito no hospital, talvez uma escola pra filha.

Mas e aí?

Sabe o que nós vamos fazer? Porra nenhuma. Vamos reclamar no facebook e só vamos sair de casa para tentar algo quando os gringos estiverem aqui pra noticiar.  Nós somos verdadeiras vadias que apanham do marido e só gritam quando os vizinhos podem ouvir.  Não queremos parar de apanhar, mas sim que tenham pena de nós.

Até porque, sabemos, no fundo no fundo, que merecemos alguns dos tapas que levamos.  Já falei uma vez, não vou me alongar em dizer que quem tem amigos de carteirinha de estudante falsa ou gato da net não pode achar absurdo que um político não denuncie o colega pelo mensalão. Afinal, eles te representam.

Somos como eles. Porque eles são eleitos por nós.

“Não generalize!”.  Generalizo, pelo simples fato de que não há outra forma de falar sobre grandes nações.  É absolutamente óbvio que não são todos. Mas é tão óbvio que vai sempre ter gente contestando. O que comprova, de fato, que “não são todos” que podem entender.

Então por eles, por nós e por princípios, eu lhes pergunto:  Porque não agora? Porque eu preciso ver as Olímpiadas prontas, ser roubado para, enfim, reclamar da segurança?  Porque não quero evitar o roubo?

Porque sempre pros outros?

Faz 500 anos que temos vergonha do que somos, de onde vivemos e de tudo que é nosso.  Basta um arroto em ingles para ser mais imponente que uma poesia em nossa lingua.  Mas adiantou alguma coisa?

Que tal mudar a estratégia? Tratar o nosso país com amor e orgulho e não como caso perdido.

Afinal, se é um caso perdido, perdemos todos. E eu não gosto de perder.

Não vamos mudar nada com revolta, gritaria, hipocrisia e menos ainda com alarde pra gringo. Vamos mudar com orgulho. Quando e se um dia tivermos.

Mas se nem o pouco que temos sabemos valorizar, porque vamos lutar pelo resto se “ser nosso”, pra maioria de nós, significa “ser uma merda”?

A hora é agora. Em 2016 é hipocrisia.

abs,
RicaPerrone

O selinho e os machões

Leia o post original por Wanderley Nogueira

Emerson Sheik sabia que o beijo no amigo Isaac Azar provocaria uma grande polêmica.
 Emerson
Não é nenhum homem sem experiência de vida.
O assunto continua sendo muito comentado pelas redes sociais e nos corredores das empresas.
Emerson  e namorada e Isaac e esposa falavam sobre a “cura gay”  e quiseram mostrar que não é preciso ser homossexual para lutar contra a homofobia, segundo consta na coluna da Monica Bergamo.
Mas, torcedores rivais do Corinthians aproveitaram para comentar o assunto. Comentários com bom humor, criatividade e lúcidos, mostraram que o gesto foi recebido com naturalidade.
Outros, porém , extrapolaram . Agressivos, ofensivos e investiram na baixaria.
O mais triste foi ver  um grupo de torcedores do Corinthians, com faixas escritas apressadamente, ameaçando o jogador do clube.
“Vai beijar na PQP”, dizia uma delas.
Um integrante do bando dizia que “aqui é homem… aqui só joga macho… atacante do nosso time beijando um barbudo, não dá”.
Deixaram de avaliar o atacante para julgar as opiniões e posições do cidadão Emerson.
Esse grupelho não aceita que o machão do seu time encare as coisas de forma normal e decida mostrar que respeita a opção sexual de todas as pessoas.
E fez isso, publicamente.
Esses “manifestantes” iriam vaiar  Sócrates, o filósofo, e rejeitariam a genialidade de Leonardo Da Vinci…


Ricardo Teixeira sente alívio por estar longe de protestos

Leia o post original por Perrone

Ricardo Teixeira disse a amigos que está dormindo muito bem nos últimos dias. Ele se sente aliviado por não estar no Brasil, na CBF e no COL(Comitê Organizador Local da Copa)  em meio aos protestos que se espalharam pelo país.

O Mundial de 2014 virou alvo dos manifestantes. E Teixeira, segundo seus interlocutores, avalia que estaria no centro do furacão, se estivesse no Brasil.

O episódio marca uma mudança de comportamento do ex-presidente da CBF e do COL. Segundo alguns dos cartolas brasileiros que seguem conversando com ele, Teixeira até então estava deprimido por ter largado o osso.

Para não perder o pique*

Leia o post original por Antero Greco

O povo andava desacostumado de ir pra rua para protestar. E, ao sair da letargia, começou com um objetivo específico (reclamar do aumento da tarifa do transporte público), tomou gosto e, nos últimos dias, passou a atirar pra todo lado. Despejou bronca sobre políticos, corrupção, abandono da saúde e da educação, PEC37, reforma agrária, até chegar à Copa das Confederações, ao Mundial e aos Jogos de 2016. A farra da gastança na área esportiva só agora ganhou repercussão, apesar dos alertas de vozes isoladas nos últimos seis anos.

Os desdobramentos das passeatas têm merecido análises sérias, nos meios de comunicação, e se percebe que deixam perplexos sociólogos, cientistas políticos e governantes. Eu não iria me meter a dar opinião em área alheia. Certamente, cometeria pênalti. Por isso, fico no meu canto a observar.

Mas já que o futebol entrou na mira dos manifestantes de variadas tendências e classes sociais, me atrevo a fazer algumas considerações. Porque frequento essa seara há décadas – primeiro, como torcedor fanático, daqueles de tomar chuva e bordoadas por causa do time. Depois, e principalmente, como profissional, de jornal e televisão.

A turma que pretende deitar tudo abaixo, na base da persuasão ou da pancada, despejou ira sobre a Fifa (que desembarcou aqui botando banca), a CBF e figuras emblemáticas do imaginário popular, como Ronaldo e Pelé, por entender que pertencem ao mesmo meio. O mundo deles é o da bola, e posturas são tomadas por interesses ou por maior ou menor grau de discernimento. O Rei do Futebol é embaixador do Mundial de 14, enquanto o Fenômeno assumiu cargo no Comitê Organizador Local e dele não abre mão. Poderia, se quisesse, se livrar do mico.

A gente que bradou slogans contra a Copa fez com que Blatter se escafedesse antes do tempo (com a promessa de voltar para a final), levou Marin a encolher-se e ouviu da presidente Dilma Rousseff promessa de que o governo vai até o fim na realização das duas competições e que o dinheiro público usado nos estádios retornará aos cofres, pois se trata de empréstimos.

Fica a dúvida. Verbas destinadas a clubes, como Inter, Atlético-PR, Corinthians, terão de ser amortizadas. E, espera-se, sem calotes. Mas e aquelas levadas para municípios e estados responsáveis pelas praças esportivas? Eram necessárias? Aliás, elefantes brancos, como o de Brasília, foram erguidos por quê? Com o consentimento de quem? E quem vai mantê-los? E como explicar, por exemplo, o bilhão de reais torrado no Maracanã, para em seguida repassá-lo para iniciativa privada? Por que não se fez parceria antes da reforma?

As cobranças são pertinentes, apesar de virem tarde, no que se refere a esses eventos. A onda moralista pode ter consequências benéficas no futebol, se o manifestante/torcedor fizer a parte dele. Como? Ao não apoiar dirigente corrupto, nem se deixar iludir pelo conformismo do “rouba, mas faz” (igualzinho ao da política). Se não achar que vale tudo por vitória de sua equipe (até o malfadado “gol de mão” ou vitória com ajuda do juiz). Se continuar calado diante dos abusos e violência de bandos organizados. Se defender liberdade de expressão dos fãs adversários nos estádios.

Mas o torcedor/consumidor também pode ajudar ao exigir preços justos nos ingressos e nos serviços das tais arenas, se ajudar a conservar banheiros e áreas comuns, se não se submeter à chantagem dos flanelinhas e cambistas, se não furar fila, se respeitar o assento dos outros. (Vaiar o time e xingar juiz pode, vai.)

Ajuda, no futebol e no cotidiano, se as pessoas reaprenderem a usar expressões simples como bom dia, boa tarde, por favor, obrigado; se não oferecerem propina para livrar-se de multa; se não falsificarem carteirinha para entrar no cinema, no teatro, no estádio; se não arranjarem atestados fajutos; se devolverem o troco dado a mais, etc. Enfim, se abrirem mão das pequenas transgressões que legitimam as grandes e contra as quais agora dizem combater.

*(Minha coluna publicada na primeira edição do Estado de hoje, dia 23/6/2013.)