Arquivo da categoria: PSG

O “novo” Neymar

Leia o post original por Flavio Prado

Thomas Tuchel, técnico muito competente do PSG, percebeu a dificuldade de fazer seu time jogar com apenas estrelas do futebol. O grande Johan Cruyff já dizia: “onze grandes jogadores, não significam um grande time de futebol”. O jogo é coletivo e o equilíbrio, fundamental. Tuchel percebeu que a bola precisaria chegar com qualidade nos ótimos atacantes que têm. Perdeu Thiago Motta, que parou. Verratti não vinha bem. Então o jeito foi “improvisar”. E inventou o “novo” Neymar

Pegou o melhor que tinha e propôs um acordo. Neymar deixaria o ataque em nome de um maior equilíbrio da equipe. No começo foi esquisito, mas agora já vemos uma desenvoltura bem interessante. No jogo contra o Napoli, Neymar meteu 3 bolas impressionantes para M’bappé, inclusive uma que terminou em gol.

Neymar está jogando como os saudosistas gostavam de chamar o meia de ligação. Ele é o velho “camisa 10”, o armador, o ponto de apoio da equipe milionária francesa. Esse primeiro passo pode ser interessante também para a carreira dele e, em algum momento, até para a seleção brasileira. O cara que pensa o jogo costuma ajeitar as grandes equipes. A falta dele podem gerar desequilíbrio. Estou ansioso por ver mais do “novo” Neymar.

Para estafe, seguidores embalam valorização da imagem de Neymar

Leia o post original por Perrone

Como mostrou a coluna De Primeira, segundo Altamiro Bezerra, diretor financeiro da NR Sports, ligada a Neymar, a imagem do jogador se valorizou desde a última Copa do Mundo. O cálculo é de que já houve um incremento de 60% no faturamento em relação ao ano anterior graças a novos contratos e renovações. Segundo o estafe do jogador, o aumento gradual se deve em parte à valorização dos perfis do atleta nas redes sociais.

Na conta dos que trabalham para o astro do PSG, ele tem cerca de 250 milhões de seguidores em diferentes contas. A quantidade de gente que “consome” Neymar na rede é vista como importante atrativo para os patrocinadores.

O argumento é de que a maioria das empresas que procura o jogador está mais preocupada com o número de postagens em que suas marcas vão aparecer do que com as horas que terão para gravar comerciais de TV com Neymar. Nessa avaliação, as parceiras conseguem atingir mais eventuais consumidores pela internet do que pela televisão. Nas redes sociais, o contato do público alvo com o garoto-propagada também sugere mais proximidade.

Fãs do jogador da seleção brasileira já estão acostumados a ter conhecimento dos fatos mais relevantes da vida dele pela internet. Foi através das redes sociais, por exemplo, que ele se manifestou de maneira oficial pela primeira vez após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo.

Claro que nessa equação também é vital o desempenho esportivo do jogador, além de seu comportamento dentro e fora de campo.

Ainda segundo quem integra a equipe responsável pela imagem de Neymar, a maior parcela das empresas querem contar com o jogador no ciclo completo para o próximo Mundial, em 2022, no Qatar.

Nos próximos dias, ele deve anunciar mais de um novo patrocinador. Os nomes dos futuros parceiros estão sendo mantidos em sigilo.

 

Opinião: atuação de Neymar em vitória reforça erro de Tite na Copa

Leia o post original por Perrone

A boa atuação de Neymar na vitória do PSG por 3 a 1 sobre o Angers, neste sábado, reforça a opinião deste blogueiro de que Tite errou feio com o principal jogador da seleção brasileira na Copa da Rússia.

O bom desempenho do astro brasileiro na partida do Campeonato Francês foi resultado principalmente de uma mudança de função. Thomas Tuchel, novo treinador do Paris Saint-Germain, o colocou para atuar como armador, o articulador central de jogadas da equipe. Assim, foi mais participativo, distribuiu o jogo, prendeu menos a bola e, consequentemente, sofreu menos faltas.

Em solo russo, Tite teimou em deixar Neymar plantado na esquerda. Isso limita a exploração das qualidades de um atleta de alto potencial.

Como ponta, o camisa 10 da seleção dependia da aproximação de outros jogadores, principalmente do lateral, para tabelar. E isso aconteceu menos do que devia, sobretudo quando Marcelo esteve em campo.

Isolado, Neymar se limitava a partir para as jogadas individuais. Os adversários dobravam ou até triplicavam a marcação, o que fazia as chances de sucesso do brasileiro serem reduzidas. Perder a bola ou sofrer a falta eram os desfechos mais prováveis.

Deixar um cara do nível de Juninho, como ele é chamado pelo pai, fixo na esquerda equivale chamar o chef Alex Atala para cozinhar na sua casa e pedir apenas que ele corte as cebolas. Desperdício puro.

Tuchel indica entender que Neymar é mais útil como 10 do que como 11. Sendo o homem da criação. Tite deveria se inspirar no trabalho do colega e reprogramar o estilo de jogo de seu atleta mais talentoso na seleção.

Opinião: Neymar dá motivos para mais rejeição ao monetizar desabafo

Leia o post original por Perrone

“Uma desculpa feita por um redator publicitário?”. A pergunta foi postada por Ewerton Moraes Sarmento na página da Gillette no Facebook. Ela dá a o tom do efeito contrário que a maneira como Neymar escolheu para fazer sua principal manifestação após a Copa do Mundo tem potencial para causar.

O comercial veiculado neste domingo em intervalo do “Fantástico” com o jogador narrando comentários sobre as críticas disparadas contra sua atuação no Mundial é repleto de brechas para quem pega no pé do atacante pegar mais ainda.

A principal delas é o fato de o astro da seleção brasileira monetizar até seu discurso sobre a queda (ou suas quedas) na Rússia. Grande parte dos torcedores que olham torto para Neymar o enxerga como quem coloca o dinheiro acima de tudo. Substituir declarações na zona mista depois da derrota por 2 a 1 para Bélgica por um ensaiado texto divulgado por um de seus patrocinadores, obviamente, não ajuda a apagar essa imagem.

“Trava de chuteira na panturrilha, joelhada na coluna, pisão no pé. Você pode achar que eu exagero. E, às vezes eu exagero mesmo. Mas a real é que que eu sofro dentro de campo”, diz trecho do discurso publicitário. E qual atacante não sofre? É a pergunta natural que se faz ao ouvir o desabafo. Prato cheio para quem acusa o craque do PSG de estar mais preocupado em se fazer de vítima do que em vitimar rivais com seu futebol refinado.

“Agora você não imagina o que eu passo fora dele (camp0)”, diz Neymar completando a afirmação anterior. Nesse ponto é como se ele passasse um marcador de texto nas palavras do coordenador da seleção brasileira, Edu Gaspar, responsáveis por irritar boa parte dos brasileiros. O cartola falou que “não é fácil ser Neymar” e que “chega a dar pena em alguns momentos porque o que esse menino sofre não é fácil”.

Agora imagine o trabalhador que já se prepara para dormir e levantar às 5h da manhã para pegar no batente na segunda-feira ouvir um dos jogadores mais bem pagos do planeta se queixar das durezas de sua vida. E isso ganhando dinheiro para falar. Não pode descer bem.

Se Neymar sofre com algo terrível fora de campo e que impede uma análise correta sobre seus atos, ele já deveria ter revelado o problema faz tempo. Mas, se entende ser algo estritamente pessoal, deve guardar para ele. Falar de maneira enigmática só confunde a opinião pública.

Na peça publicitária, o jogador também lembra o menino que existe dentro dele. Um dos argumentos de seus críticos é o de que ele ainda não amadureceu. Mais uma vez, as palavras escolhidas não o favorecem.

Neymar ainda afirma que demorou a aceitar as críticas. Como acreditar na sinceridade da declaração feita em um comercial?

Para encerrar, o atacante diz que você “pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. E quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo”. Nada poderia ser tão emblemático do que deixar para o encerramento o argumento que norteia sua família e seu estafe. O de que os brasileiros, incluindo os jornalistas, não devem criticar Neymar, mas sim apoiá-lo de maneira incondicional. Não faltaram nem os parças, também campeões de rejeição entre os que apontam o estilo de vida do jogador do PSG como obstáculo para ele alcançar Messi e Cristiano Ronaldo.

O conjunto da obra publicitária aproxima o atacante da figura intragável pintada nas redes sociais por “haters”. E o distancia do Neymar visto no hotel da seleção em Sochi. Um cara solícito diante dos fãs na maioria das vezes, que brincava com filhos de outros jogadores, convivia sem melindres com os jornalistas por lá hospedados e demonstrava preocupação em relação à família, em especial no tocante à irmã Rafaella. Ou seja, um sujeito muito mais cativante do que aquele que tentou conquistar consumidores no intervalo do “Fantástico”.

Neymar foi o segundo jogador que mais rendeu ao Santos em 2017

Leia o post original por Perrone

Vendido pelo Santos em 2013, Neymar foi o segundo jogador que mais rendeu aos cofres do clube em 2017. De acordo com o balanço financeiro do alvinegro referente a 2017, ele só fica atrás de Thiago Maia, negociado na temporada anterior com o Lille, da França.

As demonstrações financeiras da agremiação apresentam a relação de valores obtidos com venda e empréstimos de atletas, além de “outros mecanismos” em 2017. Estão registradas 17 operações. No total foram arrecadados R$ 78.632.000. Desse montante, cerca de R$ 32,07 milhões foram pagos ao Santos por causa da transferência do atacante do Barcelona para o PSG. O dinheiro é relativo ao mecanismo de solidariedade, criado pela Fifa para dar porcentagens de negociações a clubes formadores dos futebolistas.

Já a venda de Thiago Maia para os franceses colocou nas mãos dos santistas R$ 35.899.000. A quantia corresponde aos 70% dos direitos econômicos que pertenciam ao clube. Vale lembrar que, segundo o conselho fiscal do Santos, a agremiação se comprometeu a pagar cerca de R$ 4 milhões ao empresário Giuliano Bertolucci pela negociação, além de aproximadamente R$ 1,7 milhão para a MJF Publicidade, empresa da família Figer, de tradicionais agentes.

A Fifa determina que em cada venda de atleta 5% do valor pago seja destinado aos clubes que participaram da formação do jogador entre os 12 anos e os 23 anos. A fatia de cada um é proporcional ao tempo em que ficaram com o jovem.

No cálculo sobre quanto recebeu em 2017 pelas negociações, o Santos contabiliza apenas o dinheiro já recebido. Por exemplo, se o atleta foi pago em prestações anuais, as parcelas futuras aparecerão nas próximas demonstrações financeiras.

No quadro denominado “contas a receber de negociações de atletas” estão anotados R$ 308 mil como parte do mecanismo de solidariedade relativo à venda de Paulo Henrique Ganso do São Paulo para o Sevilla. Essa quantia não tinha sido paga até 31 de dezembro. Aparecem como já pagos 170 mil euros (R$ 698,3 mil em valores atuais) pela mesma operação.

 

Contas do Santos têm empréstimo de agente e dívida de boca com Robinho

Leia o post original por Perrone

Nesta segunda (26), o conselho deliberativo do Santos vota se aprova as contas do clube referentes a 2017, último ano de Modesto Roma Júnior na presidência. A comissão fiscal da agremiação preparou parecer recomendando que os conselheiros reprovem as contas. Valores que envolvem Robinho, dinheiro emprestado por um influente empresário e até o direito do alvinegro receber uma pequena fatia relativa à venda de Neymar para o PSG fazem parte da celeuma.

Se houver reprovação, Modesto poderá apresentar explicações e fazer eventuais correções no balanço. O documento, então, voltaria ao conselho fiscal para uma nova avaliação e encaminhamento novamente ao conselho deliberativo. Caso seja mantida a reprovação, Modesto e seus diretores podem ser punidos com advertência, suspensão e até expulsão (possibilidade considerada remota por conselheiros).

O ex-presidente nega irregularidades. “Esse parecer é uma análise política e não técnica”, afirmou Modesto.

Já o atual presidente, José Carlos Peres, tem posição diferente. “Concordo com o parecer. O mais preocupante é que a gestão anterior entregou o clube com terríveis problemas financeiros, mas, com essa marca maravilhosa, levantaremos o clube rapidamente”, declarou o dirigente.

Abaixo conheça cinco pontos importantes dos 18 citados no parecer do conselho fiscal.

Empréstimo com empresário

Em um dos argumentos que embasam sua indicação pela reprovação das contas, o conselho fiscal cita que o Santos, na gestão de Modesto, fez empréstimos junto ao um agente que detém direitos econômicos dos jogadores e que outras “fatias” de atletas são dadas como garantia. Essa parte do relatório não revela o nome do parceiro. Porém, documentos anexados a ele e obtidos pelo blog, mencionam que o alvinegro pegou dinheiro emprestado com Giuliano Bertolucci.

Um dos principais empresários brasileiros e com influência na Europa, ele atua em diversas negociações ao lado do iraniano Kia Joorabchian, peso pesado internacional do ramo.

O empréstimo foi de R$ 6.163.000. De acordo com o conselho fiscal, além de se comprometer a pagar o valor até 31 de dezembro, o clube cedeu para Bertolucci exclusividade em eventuais vendas de Thiago Maia e Vítor Bueno. O agente receberia 8% de cada negociação.

O francês Lille comprou Thiago por 14 milhões de euros (cerca de R$ 57,1 em valores atuais). Ainda conforme dados anexos ao parecer, o Santos teve direito a 9,8 milhões de euros (R$ 40 milhões atualmente) por deter 70% dos direitos do atleta. Dessa quantia, foram separados aproximadamente R$ 4 milhões para a empresa Bertolucci Assessoria e Propaganda a título de intermediação. Porém, o conselho fiscal afirmou que o clube arcou integralmente com esse montante, sendo que sua responsabilidade seria apenas sobre 70%. Os outros 30% deveriam ser descontados do atleta, que também tinha participação nos direitos.

Bertolucci ainda não recebeu de volta o dinheiro do empréstimo. A dívida aparece no balanço, ainda não publicado, no valor de R$ 6.338.000 na relação de débitos com terceiros. O documento aponta que Thiago também não recebeu a sua parte (cerca de R$ 14,4 milhões).

“O clube precisava de dinheiro e pegamos emprestado com o Bertolucci. Ele cobrou juros bem menores do que os de banco. Não pagamos porque não tivemos dinheiro”, disse Modesto. Sobre o Santos ter arcado sozinho com 8% de comissão, o ex-presidente afirmou que isso ocorreu porque há uma disputa na judicial envolvendo empresários pelos 30% que pertenciam ao atleta. “O valor teve que ser descontado só do Santos até que a questão na Justiça se resolva”, declarou.

Acerto de boca com Robinho

O conselho fiscal aponta em sua análise que dos R$ 3.294.614 que o Santos se comprometeu a pagar em acordo para quitar dívida com Robinho, em junho de 2017, cerca de R$ 1,4 milhão não aparecem nos contratos firmados com o atleta. No trato, a quantia está registrada como diferença de remuneração.

“Segundo informações de representantes do departamento contábil e jurídico, em reunião de esclarecimentos com membros do conselho fiscal, teria sido um acordo verbal entre o presidente (à época Modesto) do CG (comitê de gestão) e o atleta, sem qualquer formalização”, diz documento anexo ao parecer.

O ex-presidente confirma que havia acertado verbalmente o pagamento dessa quantia com o Robinho. “Foi para completar a diferença entre o que ele recebia no Milan e no Santos”, disse Modesto.

Para o conselho fiscal é “descabido o pagamento de qualquer valor, por menor que seja sem documento de suporte”.

Mecanismo de solidariedade por Neymar

O parecer contrário à aprovação das contas menciona ressalva feita ao balanço de 2017 do Santos pela empresa de auditoria Macso Legate referente à quantia recebida pelo clube pela transferência de Neymar do Barcelona para o PSG.

Em dezembro, a auditoria identificou dívida de R$ 1,7 milhão com a empresa Quantum Solutions Limited, com sede em Malta. Segundo análise dos auditores contratados pela diretoria, o débito se refere à intermediação para que o alvinegro recebesse quantia referente ao mecanismo de solidariedade pela nova transferência de Neymar.

“Exceto por algumas trocas de correspondências eletrônicas, até o encerramento de nossos trabalhos, não obtivemos documentação, como relatórios ou documentos formais entre a Quantum e o PSG que atestem a efetiva prestação de serviços de intermediação”, diz a ressalva assinada pelos auditores. “Não sei que outro documento teria (para a empresa de auditoria examinar)”, afirmou Modesto. Ele nega irregularidade na operação e sustenta que é uma exigência da legislação francesa contratar uma empresa para intermediar o recebimento da quantia relativa ao mecanismo de solidariedade.

O conselho fiscal alega que em janeiro foi informado pelo departamento jurídico do clube, já sob a batuta do novo presidente, sobre supostas irregularidades nessa operação. O órgão, então, recomendou que o conselho deliberativo exigisse o bloqueio do pagamento. O caso foi encaminhado para comissão de inquérito e sindicância do clube.

Endividamento

Outro argumento usado para pedir a reprovação das contas pelo conselho fiscal é de que a dívida do clube foi superior a 10% da receita orçada para 2017, o que teria ferido o estatuto santista. O órgão alega que o endividamento no período foi de R$ 49,7 milhões. A quantia, segundo o relatório equivale a 15,57% da receita prevista no orçamento.

O artigo 89 do estatuto do clube diz que o limite de 10% só pode ser ultrapassado se o novo endividamento for feito para substituir financiamentos anteriores e sob condições mais favoráveis. “Não houve irregularidade porque o aumento passou de 10% por causa do acordo para pagar a dívida com a Doyen (empresa responsável por levar Leandro Damião ao Santos). Respeitamos o estatuto porque foi para substituir uma dívida com condições melhores”, declarou o ex-presidente.

Apesar da polêmica, a dívida total do Santos caiu de R$ 206 milhões em 2016 para R$ 202 milhões em 2017. De acordo com o balanço financeiro, houve superavit contábil de R$ 2,9 milhões em 2017.

Impostos não pagos

Segundo o parecer, a diretoria comandada por Modesto Roma Júnior pode ter cometido crime de apropriação indébita por reter valores de encargos trabalhistas na fonte e não recolher os impostos. O conselho fiscal alega que há R$ 12,9 milhões em impostos atrasados e que a quantia será acrescida de aproximadamente R$ 1,6 milhão referentes a juros e correções.

“Foi uma opção de fluxo de caixa, e aconteceu nos últimos quatro meses. O Peres disse que pagou, então já tá pago. Não interessa se fui eu ou ele, o clube já pagou”, argumentou Modesto.

Com Samir Carvalho, do UOL, em Santos

Zico pede intervenção na CBF e critica clubes

Leia o post original por Perrone

 

Zico em frente ao Pacaembu                      Foto: Ricardo Perrone/UOL

 

No banco traseiro de um carro, durante os 34 minutos do trajeto entre o estádio do Pacaembu e o Aeroporto de Congonhas, o blog entrevistou Zico na última segunda (13). O ex-jogador pediu intervenção na CBF, criticou cartolas de clubes por não se rebelarem contra a entidade e defendeu Neymar na polêmica do pênalti com Cavani.

A conversa aconteceu depois de ele participar da série “10×10”, que reúne entrevistas com vários astros que vestiram a camisa 10. A produção vai ao ar em maio pelo Esporte Interativo, canal no qual o Galinho é comentarista.

Abaixo, leia a entrevista em que Zico falou de seleção brasileira, do comportamento suspeito de cartolas da Fifa em sua tentativa de disputar eleição na entidade e da segurança no Rio de janeiro, entre outros temas.

Blog – A convocação do Tite para os últimos amistosos antes da Copa te surpreendeu muito?

Zico – Já tierei essa palavra surpresa do meu dicionário do futebol. O treinador tem todo direito de convocar quem ele acha que deve ser convocado porque é sempre a cabeça dele que está a prêmio. E a gente tem que respeitar isso. Ele é um cara que realmente vai aos estádios, vês os jogos. Então, por tudo aquilo que ele tem feito na seleção, acho que a gente tem que dar uma certa credibilidade a ele no sentido de dar um voto de confiança quando há um nome que as pessoas não esperam.

Blog – O preparador físico da seleção, Fábio Mahseredjian, disse que na lesão do Neymar há um lado positivo: o fato de ele chegar menos desgastado na Copa…

Zico – Isso aconteceu com Ronaldo e Rivaldo em 2002. Eles tiveram tempo suficiente para se recuperar de lesões e se preparar para a Copa do Mundo. Acho que o importante é isso, você conseguir a tempo para se recupear da parte clínica porque a parte física um jovem como o Neymar consegue rapidinho. O problema maior é a confiança na recuperação na parte clínica.

Blog – Tem se discutido muito a questão disciplinar do Neymar e também sobre individualismo. O que você pensa sobre essas duas questões?

Zico – Cara, eu não sou favorável a essa coisa, não. Vejo o Neymar jogando muito bem na seleção. É uma característica dele, das jogadas individuais, é por isso que hoje é o jogador de maior número de assistências no clube dele. E o time sentiu muito a ausência dele no segundo jogo contra o Real Madrid (pela Champions League), por essa falta de assistências, de jogadas individuais que ele cria e que desarma os adversários. Então, lógico, o jogador que tem uma boa condição individual, alguma vezes, é normal que exagere um pouco. Mas é tudo na tentativa de criar condições pro time dele. Se você pegar as médias dele, de assistências, de tudo,  ele tem sido muito mais decisivo do que individualista.

Blog – E a questão disciplinar?

Zico – Isso aí é do ser humano. O que vejo que o Neymar  tem que ter preocupação quando o time tá perdendo. Aí ele se enerva um pouco mais. Aí ele comete alguns erros disciplinares. Isso que ele tem que entender. Quando você tá perdendo a calma tem que estar mais a frente disso tudo. Não pode se desesperar porque é desarmado. O Neymar é um jogador que a bola pra ele é um grande brinquedo. Então, ele quer ficar com a bola o tempo inteiro. Se o cara tira a bola dele, ele fica revoltado com o cara. E aí ele esquece que é um profissional. Então isso é normal de um garoto que gosta de jogar futebol. É um jogador que não sabe marcar, como eu era. Então ele tem que ter essa tranquilidade. Perdeu a bola, é mais cercar do que ir em cima do adversário pra tirar a bola porque às vezes ele se desespera, faz faltas desenecesárias e corre o risco de sair de um jogo. E ele tem que entender que é importante, não pode deixar um time, uma seleção na mão por causa de um ato impensado.

Zico não vê motivo para Cavani reclamar de Neymar       Foto: AFP PHOTO/CHRISTOPHE SIMON

Blog – Você cita o exemplo de um pênalti que deixou de bater na Copa de 1986 pro Careca cobrar porque ele disputava a artilharia. Neymar teve uma situação semelhante em relação ao Cavani e fez questão de bater. Acha que ele deveria ter tido uma atitude como a sua?

Zico – Isso aí é de cada um. É aquele momento que você vive o clima ali na hora. Não acho que tenha sido errado. Acho que é questão de você saber o que pode ser melhor no momento. Acho que o Cavani não tem que reclamar nada dele porque o Neymar deixa o Cavani toda hora na cara do gol pra fazer gol. Eu, no lugar do Cavani, fico na minha esperando a hora porque uma hora a bola vem no meu pé, às vezes até sem goleiro. Acho que isso é um erro muito grave. Por isso que o Real Madrid é grande, o Barcelona é grande, o Bayern é grande, o Milan já foi grande. Porque essas picuinhas não saem com facilidade (na imprensa). Eles detonam isso logo de cara. E o PSG ainda tá imaturo nessa questão. São muitas coisas que saem e parece que não há uma estrutura adequada pra fazer com que essas coisas não saiam e não perturbem o ambiente.

Blog – Agora sobre Vinícius Júnior. Você acha melhor ele se transferir no meio deste ano para o Real Madrid ou só sair do Flamengo em 2019?

Zico – O melhor é ele continuar jogando. Não tenho dúvida que, chegando lá, se o Real achar que ele ainda não tá preparado, vai fazer alguma coisa com ele (emprestar para alguém). Hoje, eu vejo ele totalmente preparado para jogar de início no time do Flamengo. Se for pra jogar em outro time (emprestado pelo Real), acho melhor ele jogar aqui. Ele já tá consolidado aqui. Lá ele vai ter que ter performance muito boa porque sempre vão estar comparando o valor da transação (45 milhões de euros). Ele sempre vai carregar esse peso. Os caras que custam isso aí, não tem como não fazer esse tipo de comparação hoje no futebol.

Blog – E eu não tenho como não comparar. Se os caras valem tudo isso que valem hoje, quanto você acha que valeria se jogasse nessa época?

Zico – Ah, cara. É difícil porque você tem que colocar em termos de números. Hoje, a valorização de um jogador acontece pelos números dele. De gols, de participação, assistência. Hoje fazem uma matemática nesse sentido. Então, hoje eu seria um jogador muito valorizado por isso, né? Porque eu tinha resultado nessas avaliações.

Quanto valeria Zico hoje?                         Foto: Homero Sérgio -15.out.1988/Folhapress

Blog – Você lembra por quanto foi vendido do Flamengo para a Udinese?

Zico – Lembro. Por quatro milhões de dólares.

Blog – Hoje você não compra ninguém por esse valor.

Zico – É, acho que hoje é difícil (risos).

Blog – Sobre CBF. Marco Polo Del Nero (presidente suspenso preventivamente por acusações de corrupção negadas por ele) fez uma manobra e praticamente assegurou que seu sucessor será Rogério Caboclo (CEO da confederação), que é seu homem de confiança… (Zico interrompe).

Zico – Mas essa manobra não foi feita agora, os clubes silenciaram, aceitaram. Desde o momento em que ele (Del Nero) criou aquele critério dos pesos dos votos (dando peso maior para as entidades estaduais do que para os clubes), tava na cara. Qualquer manobra é pinto perto do que ele fez. Se ele tem as federações nas mãos, desde o momento em que os clubes aceitaram aquilo, aceitam qualquer coisa. Se eles não se rebelaram, é porque eles estão satisfeitos com o que está acontecendo hoje na CBF.

Blog – Parece que os clubes não querem ser ajudados.

Zico – Exatamente. Hoje eu só trabalho pra quem tem uma causa.

Blog – Talvez por isso que você tentou ser candidato à presidência da Fifa, mas não teve vontade de se candidatar à CBF agora?

Zico – Porque a CBF passou, cara. Você chega a um ponto que passa. Ou é naquele momento ou não é. Então, hoje, quando entra o presidente atual da CBF, ele vai ficar 12 anos. Ele (Del Nero) fez um trabalho para ficar 12 anos, só não deu por causa dessa questão da suspensão dele (imposta preventivamente pela Fifa até seu caso ser julgado). Mas tava na cara que isso iria acontecer. Então, hoje, ninguém consegue entrar. Pra se candidatar você precisa de oito federações e cinco clubes. Ele pegou vinte cartas (federações), só sobraram sete. Não tem mais carta para os outros.

Blog – A primeira coisa que deveria mudar é essa exigência de apoios pra se candidatar?

Zico – Claro, a primeira coisa que você tem que mudar é o tipo de eleição. Tem que aumentar o colégio eleitoral. Não sei porque os clubes da Série C e da Série D não têm direito a voto. Por que os atletas não votam? Podia se criar um modelo, atletas que foram campeões mundias, que têm tantos títulos têm direito a voto. Aí você não teria essa possibilidade de ter só um grupo e se eleger. Por isso, hoje ninguém vai conseguir entrar.

Blog – Por isso não te motivou?

Zico – Não me motiva. De maneira nenhuma. Aquele momento da Fifa era importante e aconteceu a mesma coisa. Você tinha que ter cinco cartas (apoios de federações nacionais) pra poder se candidatar, o que é difícil porque esse sistema tá viciado. E um sistema viciado te leva a ter que oferecer alguma coisa. Você fala o teu projeto, aí você para de falar e o cara fica: “e aí?”. Ele quer aquele extra que o pessoal tá acostumado a dar. E não tem esse extra. Daí o cara vai te dar carta? Nunca. Ele não vai ganhar nada com isso. É a troca que eles fazem.

Blog – Chegaram a te propor essa troca na Fifa?

Zico – Eu não falava. Eles não vão propor, né? Porque me conhecendo, eles não vão se meter a falar alguma coisa.

Blog – Mas chegaram a insinuar que queriam algo em troca para te apoiar?

Zico – Basicamente, o cara ficava esperando você falar alguma coisa. Como eu não falava… Eu vi isso no congresso da Fifa. Teria uma eleição após o congresso. Antes de encerrar, o (Joseph) Blatter (ex-presidente da Fifa afastado por acusações de corrupção) falou: “a gente teve um saldo positivo e vai destinar uma quantia tal para todas as federações”. Todo mundo sorriu. Daí ele continuou: “vocês acham que eu devo ser eleito? Quem for a favor levanta o braço. Todo mundo levantou o braço. Mas dois minutos antes o cara deu uma verba pra cada federação. Isso é vergonhoso. Não é à toa, onde tá o cara? Um dia pegam, né?

Blog – E é difícil imaginar que isso não se reflita aqui.

Zico – Sem dúvida, se você tem um preso (José Maria Marin), outro (Del Nero) não pode sair do país, suspenso, e outro também acusado (Ricardo Teixeira), é sinal de que a conivência é total. (nota do blog: os três cartolas negam terem cometido irregularidades).

Blog – Onde o futebol brasileiro vai parar desse jeito, com cartolas se perpetuando no poder?

Zico – Eu não sei. Se não houver uma intervenção, acho que fica difícil. Acho até que a CBF, na parte de baixo tem trabalhos bons, que às vezes ficam escondidos por causa de quem tá em cima. (Nota do blog: o Ministério Público do Rio tenta obter uma liminar para o afastamento da atual diretoria da confederação com a consequente nomeação de um interventor. Também é pedido o afastamento definitivo por suposta irregularidade na reunião que mudou o peso dos votos já que os clubes não participaram).

Blog – Por falar em intervenção na CBF, o que você pensa da intervenção militar na segurança do Rio?

Zico – Acho que o importante é se fazer qualquer coisa em termos de segurança da população porque isso não pode ser uma coisa pontual, passageira. Tem que ser um projeto que possa trazer benefício pra segurança do Rio de Janeiro. É uma cidade maravilhosa, porta de entrada do Brasil, então, os caras que estão lá vendo acham que a necessidade é essa, temos que dar um voto de confiança. Do jeito que estava, é complicado.

Blog – Como chegamos ao aeroporto, a última: como você vê o estágio atual do futebol carioca, com públicos baixíssimos nos jogos.

Zico – Nota 1. Uma tristeza. O campeonato sendo disputado fora do Estado. Daí você abre o Maracanã pra 5 mil pessoas, 300 pessoas. Não do. Lamento porque isso já foi motivo de grandes competições, grandes públicos, grandes rivalidades. Você não pode ter um campeonato que você jogue 11 jogos sendo oito deficitários. É lamentável.

Blog – Por que chegou nessa situação?

Zico – Pela falta de infraestrutura e de valorização de competição.

 

 

Champions

Leia o post original por Flavio Prado

Foto: AFP

Os jogos de Liverpool e Manchester City eram amistosos. Com as goleadas na ida, os dois ingleses já tinham a classificação garantida.

O segundo jogo entre PSG e Real Madrid foi muito inferior ao primeiro. A vantagem de dois gols do time espanhol era considerável e a equipe de Cristiano Ronaldo não deu a chance do adversário sonhar. Zidane foi feliz nas substituições no primeiro jogo e na escalação do segundo. O jovem Asensio foi decisivo no duelo.

O grande jogo da semana foi entre Tottenham e Juventus. O time inglês foi muito bem nas duas partidas, diferente do PSG que teve bons momentos apenas em Madrid. Mauricio Pochettino elevou muito o nível do Tottenham, hoje consegue competir em alto nível na Europa. A Juventus segue com sua força defensiva e com jogadores letais no ataque, principalmente os argentinos Dybala e Higuain. Massimiliano Allegri é ótimo técnico, merece um lugar mais destacado nas análises de treinadores pelo mundo.

Mattos vai a jogo entre PSG e Real, fala em reforço, mas recebe críticas

Leia o post original por Perrone

Alexandre Mattos está em Paris e vai assistir ao jogo entre PSG e Real Madrid nesta terça pela Champions League. Ele viajou com José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, donos da Crefisa e da FAM, patrocinadores do Palmeiras. A viagem gerou queixas internas de conselheiros críticos do diretor-executivo. Afirmam que ele abandonou o clube às vésperas do clássico com o São Paulo, na próxima quinta, apenas para acompanhar a partida.

Procurado pelo blog, Mattos confirmou a viagem com os parceiros, porém disse que viajou para tratar de possíveis contratações e que assistir à partida é apenas uma consequência. De acordo com ele, o duelo reúne em Paris agentes de todas as partes, o que facilita a realização de reuniões.

O cartola, no entanto não falou quem são os alvos. A prioridade do Palmeiras é um zagueiro.

Existe a possibilidade de o dirigente ir também para a Inglaterra.

Na direção alviverde, há ainda a expectativa de Mattos voltar ao Brasil com alguma proposta de venda para a próxima janela de transferências para a Europa.

Já as críticas pela ida para a França antes de um jogo importante são tratadas na diretoria como gesto político de quem é contra o dirigente.

Não é a primeira vez que Mattos vira alvo de críticas ao viajar e explica a saída com tentativas de negociações. Em novembro do ano passado, conselheiros criticaram o executivo por não participar de uma entrevista coletiva com a presenta de todos os jogadores num momento em que a equipe era pressionada pela torcida. A explicação de pessoas próximas ao dirigente para a ausência foi de que ele tinha viajado em busca de reforços para a temporada seguinte.