Arquivo da categoria: Recopa

Luan e Geromel precisam ir à Copa

Leia o post original por Rica Perrone

Eu nem acho o Thiago Silva tão fundamental assim. Aliás, a história prova ano após ano que sua apurada técnica não basta para ser o que ele almeja.

Acho que ele é melhor que o Geromel se você der a mesma bola na altura do joelho para ambos. O Thiago vai dominar melhor, sim.

Se der a bola nos pés de um rival frente a frente, na velocidade, possivelmente o Thiago roube a bola antes do Geromel.

Mas se você for jogar uma grande partida, fora de casa ou contra um time muito forte, eu também não tenho a menor dúvida em quem confiar mais.

Luan é a mesma coisa. Não deve jogar mais que o Jesus, Coutinho, Firmino, talvez.  Mas se você precisar jogar contra o Boca em Buenos Aires, desses todos o único que vai entrar na área dos caras andando e dar um tapa por cima é o gremista.

“Bandido”.

Não o que comete crimes. O que não tem medo de cara feia. O que adora o desafio. O sujeito que quanto pior, melhor.

Copa do Mundo são 7 jogos, 3 pedreiras, sem jogo de volta. É matar ou morrer. E toda vez que ganhamos isso tivemos em campo ou ao menos no grupo diversos jogadores que se divertiam com o pânico.

Não me interessa quem vai sair. Me interessa saber que teremos na defesa e no ataque os jogadores mais decisivos possível. E que eles não gostem tanto de brilhar no domingo a tarde.

Craque brilha na quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

AQUI NÃO, MALANDRO. AQUI É GALO.

Leia o post original por K.O.N.G

Somos os donos do continente.

Fala, cambada!

Que jogo foi aquele? É sério, o Ministério da Saúde precisa colocar aquelas tarjas de contra-indicação no início de toda transmissão, proibindo terminantemente as pessoas que possuem algum tipo de doença cardíaca de assistirem aos jogos do Galo. Eu, hipertenso desde o ano passado – foi o legado que a Libertadores 2013 me deixou – quase bati as botas ontem. Tá doido.

Sabíamos que seria difícil entrar em campo desconsiderando a vantagem que havíamos construído na Argentina. Só que quando Tardelli meteu seu centésimo gol com a camisa alvinegra, aos 5 minutos de jogo, até eu pensei que a coisa seria mais fácil do que eu tinha pensado. Pô, hoje vai ser só alegria…. ledo engano. Não deu tempo nem de tuitar os “100 gols… 100 gols… 100 gols…” e lá estavam os hermanos avacalhando nossa festa. A coisa ficou feia quando marcaram o segundo e visivelmente o Atlético sentiu o baque.

Confesso que temi pelo pior. O Galo tem dessas: até quando a coisa é fácil, faz questão de dificultar só para manter o tradicional “se não for sofrido, não é Galo”. Só não precisava ser tanto.

Quando Maicosuel empurrou a bola para dentro das redes do excelente goleiro Marchesín, senti um alívio danado. Quem já teve ataque de diarréia e chegou em casa a tempo de não se borrar todo sabe bem o que estou falando. Parei de suar feito uma chaleira e me enchi de confiança novamente. Acontece que os times voltaram para o segundo tempo e quem jogou bola foi o Lanus. Os argentinos jogaram muita bola. O Galo tomou uma pressão enorme e no finalzinho, faltando poucos segundos para o fim da partida, foi castigado. Foi um castigo justo, é importante dizer.

Me veio à memória o gol de Leonardo Silva, na Libertadores do ano passado. Lembrei do gol de Guilherme, contra o Newells. Sabia que a carga emocional de um gol no finalzinho era brutal. Naquela hora o Lanus virava o jogo e se tornava o favorito na prorrogação. O Galo todo modificado – sem Ronaldinho, Maicosuel e Tardelli – teria que se superar para garantir o título. E foi isso que aconteceu.

A sorte de campeão esteve conosco novamente e os argentinos, descontrolados, fizeram o serviço.

O Galo levantou a Recopa, deu volta olímpica e festejou. E é pra comemorar mesmo, porque o Lanus vendeu muito caro o título unificado do continente. Foram guerreiros, mas nós fomos mais do que eles. Normal.

Porque argentino campeão no Mineirão, só o Estudiantes de Verón. Aqui não, malandro. Aqui é Galo.


Exorcismo

Leia o post original por RicaPerrone

O termo “exorcismo” designa o ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar espíritos malignos.

Ao Galo demos esta missão santa no amaldiçoado Mineirão dos 7×1.

Não veremos alemães tão cedo por aqui. Mas a dívida está paga desde que, aliados, evitaram uma tragédia por nós no Maracanã.

Dívida não há. Mas sim, uma silenciosa dor que nunca mais vai deixar o Mineirão.  Pode ser aliviada, no entanto, com periódicas sessões de descarrego.

Hoje, no primeiro ato autorizado e oficial, fizemos o primeiro sacrifício em busca de paz de espírito.

O sacrificado, como sempre, era você sabe quem.

Com os mesmos 7 que tanto nos perseguem, divididos para os dois lados para que houvesse algum sintoma de drama valorizando a pouco valorizada noite da Recopa.

Pouco por quem não a disputa ou quem perde. Muito para quem devolveu sorrisos ao Mineirão.

Título é título. Vale mais do que “vaga”. E vaga tem quem comemore. Logo…

O Galo que nunca ganhava agora ganha.  O estádio que chorava agora sorri. E os argentinos que há 2 semanas choravam, continuam chorando.

abs,
RicaPerrone

Contando com mais sorte que juízo, Galo conquista mais um título de peso, mas deve perder R49; Corinthians, enfim, aprende como se vence em casa; Palmeiras ganha bem em Santa Catarina e dá passo importante para a classificação

Leia o post original por Milton Neves

placar 24-07

Atlético-MG 4 x 3 Lanús

Pois é, meus amigos…

Os que adoravam zombar do Atlético-MG, dizendo que o clube de maior torcida de Minas Gerais só ganhava títulos importantes no passado, está precisando recentemente engolir as palavras.

Nesta noite, mais uma taça foi para a riquíssima sala de troféus do Galo, a da Recopa Sul-Americana.

Mas a vitória veio de uma maneira nada tranquila.

Disperso em diversos momentos do duelo, o Galo deixou que o Lanús desempatasse a partida nos acréscimos e levasse a decisão para a prorrogação.

No entanto, no tempo extra, brilhou a estrela de Luan, que, com uma ajudinha do zagueiro Gomez, garantiu o título do Atlético.

Para fechar de vez o caixão da equipe argentina, Ayala ainda marcou contra.

No entanto, o torcedor do Galo tem um motivo para se lamentar: este pode ter sido o último jogo de Ronaldinho Gaúcho pelo clube.

Caso a informação se confirme, é impossível mensurar a falta que ele fará ao Maior de Minas.

Corinthians 3 x 0 Bahia

Já o Corinthians parece ter aprendido o caminho da vitória em casa, hein?

Em duelo válido pela Copa do Brasil, o Timão bateu com muita facilidade o time do Bahia, pelo placar de 3 a 0.

Destaque para a ótima atuação do paraguaio Romero, que marcou um gol e deixou a torcida animada com seu desempenho.

Agora, o Timão praticamente garantiu a sua classificação na competição nacional e chegará cheio de moral para o clássico diante do…

charge corinthians x bahia

Avaí 0 x 2 Palmeiras

… Palmeiras, que em Santa Catarina conseguiu a sua primeira vitória sob o comando de Ricardo Gareca e deu passo importante para avançar na Copa do Brasil.

A equipe do Palestra Itália bateu o Avaí por 2 a 0, com os dois tentos anotados por Felipe Menezes.

Agora, vamos ver se o Palmeiras embala para o clássico de domingo diante do Corinthians.

Opine!

O BOM FILHO A CASA TORNA

Leia o post original por K.O.N.G

Fala, cambada!

Como é bom poder voltar ao Mineirão para mais uma decisão. Mesmo com o Independência eternizado pela campanha da Libertas do ano passado, é do Gigante da Pampulha que guardo minhas melhores lembranças quando o assunto é futebol. Foi lá que aprendi a torcer para o Galo, foi lá que pisei pela primeira vez numa arquibancada, ainda acompanhado do meu velho. Jogos memoráveis, quando a torcida de verdade metia mais de 100 mil nos degraus de concreto e sem as frescuras que o padrão FIFA impõe atualmente. Foi lá que fiz vestibular, segurando prancheta na mão. Passei. É… o monstro de cimento estará na minha memória para sempre.

O tempo passou, as coisas mudaram e o velho Mineirão foi ao chão para surgir um novo estádio, completamente diferente do Mineirão das minhas lembranças de menino. O fato é que aquele estádio pulsa de alegria quando vê seu filho predileto voltando pra casa e, assim como o pai bondoso, nos veste com as melhores roupas e jóias para celebrar nosso retorno. Roupas alvinegras, jóias em forma de troféu.

Hoje o Galo volta a pisar no gramado mais sagrado das Minas Gerais para confirmar a unificação dos títulos continentais. A vitória em terras hostis nos deu vantagem na decisão, mas é importante que cada atleticano saiba que ainda não tem nada ganho, até que o juiz assopre o apito pela última vez. Sempre vencemos nossas batalhas com respeito ao adversário e hoje não pode ser diferente. Em 2013 fomos prova cabal de superação, enquanto nossos inimigos comemoravam vitória antes da hora. Sabemos bem o que aconteceu.

Que a noite de hoje entre para a história novamente. Que celebremos a conquista, pois será merecida.

E que todo aquele que veste o preto e o branco possa soltar, mais uma vez, o grito de É CAMPEÃO.

Vamos à luta.

#GaloSempre


DEJAR TODO EN LA CANCHA

Leia o post original por K.O.N.G

Fala, cambada!

Em dois dias o Galo estará decidindo a “nega” do continente contra o Lanus, na Argentina. Os campeões da Libertadores e da Copa Sulamericana medirão forças para ver quem é que manda de verdade na América Latina. A Libertadores tem mais glamour, dá mais dinheiro e é mais tradicional. Por isso é mais valorizada. Já a Sulamericana carrega a fama de caça-níqueis, sendo muitas vezes deixada de lado pelos clubes brasileiros por ser disputada no mesmo período que o Campeonato Brasileiro, menina dos olhos do futebol nacional. O fato é que ambas são importantes e a CONMEBOL considera as duas como títulos sul-americanos, tanto que classifica o Galo como tri-campeão continental devido à conquista de duas Copas Conmebol, antigo formato da atual Sulamericana. Há quem faça beicinho quando vê isso e só podemos dizer uma coisa: o choro é livre.

A Recopa Sulamericana também entra na categoria de título continental e é por isso que precisamos lutar com todas as nossas forças para conquistá-la. Não só para ostentarmos o status de campeão máximo do continente, mas também para limpar o nome do futebol brasileiro depois do vexame nessa copa.

Só que para vingarmos o futebol tupiniquim, teremos que passar por cima de muita coisa. Já está mais do que claro que reforços não virão, mesmo a diretoria tendo todo o tempo do mundo para reforçar o elenco. Se foi por falta de grana ou competência, não se sabe. As lesões voltaram a assombrar e perdemos Edcarlos, substituto de Réver na zaga. Com isso, teremos que meter Jemerson na defesa e isso me preocupa, pois La Fortaleza – que já faz muito marmanjo tremer na base – pode ter um efeito psicológico brutal em cima do menino. Mas é aquilo: guerreiros são forjados no fogo e se é pra ser assim, que seja.

Jô e Victor voam hoje para a Argentina, não sei se em condições de jogo para a primeira partida da decisão. De toda maneira, confio em Levir. O “burro com sorte” saberá colocar o que temos de melhor em campo. E que esses caras aproveitem a estadia no CT da AFA para botar em prática o mais belo jargão hermano: dejar todo en la cancha.

#GaloSempre

ACABOU A COPA, ESTAMOS DE VOLTA.

Leia o post original por K.O.N.G

Galo na Argentina, CT da AFA.

Fala, cambada!

A Copa terminou de maneira trágica para as seleções da Espanha, Itália, Inglaterra e de maneira pornográfica para a seleção brasileira. A pátria de chutarias está descalça, dizem por aí. Descalça e com os shorts arriados, se formos mandar a real. Depois do estupro coletivo de ontem, restou ao torcedor canarinho choramingar pelos cantos e caçar um buraco para enfiar a cabeça… e convenhamos, no país das obras inacabadas, buraco é o que não falta.

É evidente que os próximos dias serão de caça às bruxas e não poderia ser de outra maneira. Ninguém pode sair impune depois do que vimos ontem. A culpa é de alguém. Se é do técnico, dos zagueiros, do goleiro amarelão, do atacante que não faz gols ou do reserva que só entrou em campo uma vez nessa Copa, em breve saberemos. A imprensa é voraz e muito rápida em criar bodes expiatórios quando precisa proteger os seus. Certamente aparecerão idiotas crucificando Bernard para poupar Fred, o pior centro avante brasileiro da história das Copas. Se bobear, sobra até para o Victor. Vai vendo.

Mesmo não torcendo para a CBF, reconheço que foi foda. Vi amigos e parentes tristes e isso tocou meu coração. Galera, cabeça erguida! Até quando se está na merda é preciso olhar o lado positivo. O poeta já dizia: “tenha fé porque até no lixão nasce flor”. Então. Foi de 7, mas não foi de 9. Porque se fosse de 9, aí sim seria tenso. E digo mais: se a dor não passar, basta utilizarem o modus operandi celeste para superar mais esse trauma, pô. O Teorema de Sorín diz que se não há vídeo, não há jogo. É só apagar os vídeos da partida e pronto, olha que maravilha.

De todo jeito, não vai ter mais Copa. Acabou, já era. Mas vai ter Recopa. Em poucos dias, estarão frente a frente o campeão da Copa Sulamericana e o campeão da Libertadores, num jogo que traz muitas lembranças para o torcedor atleticano. Lanus X Galo entrou para a história mais pela porradaria que rolou no fim do jogo na Argentina do que qualquer outra coisa. Mas teve goleada em solo hermano e o Galo levantando seu segundo caneco internacional. Engraçado o destino colocando no nosso caminho velhos fregueses, em tão pouco tempo. Primeiro foi o Olimpia, na decisão da Libertadores. Agora o Lanus. Que a escrita continue.

O Galo está na Argentina desde a semana passada, no centro de treinamentos da AFA. Nenhuma contratação – além de Maicosuel – foi feita, frustrando a expectativa da torcida. Vamos com o que tem. Na verdade, vamos mais enfraquecidos, já que Otamendi e Fernandinho deixaram o clube antes da Copa. Réver ainda está fora e Jô chegará junto com Victor na última hora. A boa notícia é a volta de Luan e Marcos Rocha.

Quem pretende ir para a Argentina conferir a partida de perto já pode comprar os ingressos na Sede do Galo, em Lourdes. Para o jogo da volta, no Mineirão, a venda ainda não está liberada. Boatos diziam que finalmente poderíamos comprar os ingressos pela internet, mas algo deu errado e abortaram a idéia. Informações de bastidores confirmam que Maluf prometeu o sistema funcionando em breve… ou seja, comprar ingressos on-line só em 2017.

E olhe lá.

UPDATE:

Já soltaram informações sobre a venda para o jogo de volta. Dia 12/07, em Lourdes, exclusivo para GNV prata. A partir do dia 14/07, em Lourdes e Labareda, venda aberta. Abaixo, mapa do estádio com valores de acordo com os setores:


Recopa define campeão

Leia o post original por Pedro Ernesto

ZÉ ALBERTO ANDRADE – interino
ze.alberto@rdgaucha.com.br

Novidade no futebol gaúcho, a Recopa define hoje o primeiro campeão do estado em 2014. A competição não tem tradição ainda. A realização logo no início do ano não é a mais recomendável do ponto de vista técnico. O espírito, porém, é outro. É uma forma de abrir oficialmente a temporada com confronto que já vale taça. Além disso, será numa cidade que gosta muito de futebol e garante a mobilização da torcida.

Em campo, um Pelotas animado pelo final de ano, com a galera em maioria e contando com uma lenda no seu elenco, o eterno Sandro Sotilli, espécie de Sepé Tiaraju do futebol. O Inter vai com o time que estreará no Gauchão, treinado por Clemer, com jovens precisando de afirmação e desprovido de qualquer favoritismo em função da camisa. Alguém fará festa no fim da noite na Boca do Lobo. Viva o futebol gaúcho.

Basta

O grande Cacalo defende arduamente a pacificação entre Grêmio e OAS. Tem total razão o ex-dirigente. Independentemente de alguma trapalhada gremista no contrato ou da inexperiência clara da parceira em administrar um estádio, as discussões só prejudicam a todos.

É proibição para cá, acusações para lá, só lambança. A Arena precisa ser orgulho tricolor. Até porque é majestosa e digna de todo esse orgulho. Também a empresa precisa se sentir honrada porque o parceiro é o clube. O belo só tem significado porque é “Arena do Grêmio”.

Joguinho

No sábado, a turma se preparou com cervejinha gelada e petiscos para o final da tarde. Em campo a dupla Messi/Neymar do Barcelona na casa do Atlético de Madrid, de Diego Costa, Valia a liderança do Espanhol ao final do primeiro turno.

Antes de a bola rolar, começou a frustração. Os dois craques do Barça ficaram no banco, numa decisão surpreendente do técnico Tata Martino. Iniciado o jogo e nada de magia, movimentação total ou toque de bola. Gols? Nem pensar. O truncado 0×0 foi um balde de água fria em quem esperava a melhor partida deste início de ano.

É demais!

Se é verdade que a dupla Gre-Nal enfrenta lá suas dificuldades neste início de ano, é bom sentir que a magia e a mística de Grêmio e Inter não se apagam. As recepções que tiveram as delegações na Serra animam. Essa paixão dos torcedores precisa ser compreendida, especialmente, pelos jogadores, para dar a dimensão da seriedade e da responsabilidade que têm sobre os ombros.

Ciclos do futebol*

Leia o post original por Antero Greco

O futebol tem ciclos, como qualquer atividade humana. Há fases de amadurecimento, de alta, de realizações e conquistas, de baixo astral e declínio, de retomada e reconstrução. E, como na vida, até de desaparecimento. Homens morrem (inevitavelmente, como é nosso destino), assim como empresas e clubes (não necessariamente, mas também).

O momento de destaque é do Corinthians, como já foi do São Paulo, do Palmeiras, do Santos, do Flamengo, do Vasco, de acordo com a época. Em um ano e alguns dias, a turma alvinegra se fartou com proezas internacionais – Libertadores, Mundial e Recopa -, fora miudezas como Copa do Brasil, Brasileiro, Paulista, taças que vira e mexe saboreia como o cafezinho quente no bar da esquina.

Lógico, portanto, que esteja em evidência e que aproveite. Por isso, nas temporadas recentes, o Corinthians ganhou espaço na mídia, aumentou o faturamento com publicidade, bilheteria e ações de marketing. Por extensão, se permitiu aventuras no mercado ao contratar jogadores habilidosos e úteis (com as bolas fora de praxe), que contribuem para manter a regularidade do desempenho. Tem estado na boca do povo. E assim o círculo virtuoso tende a estender-se pelas bandas do Parque São Jorge. Por muito ou por pouco tempo? Dependerá da gestão administrativa, da sensibilidade de quem comanda.

A propósito: a cartolagem é tão importante quanto os atletas. Se estes envelhecem e cedem lugar a jovens, pois chega uma hora em que pernas e pulmões não acompanham a rapidez do raciocínio e as exigências do jogo, o mesmo ocorre com dirigentes. Quando o tempo os alcança, o sensato é passar o bastão, dar espaço para ideias e sangue arejados. Caso contrário, prejudicam a entidade, viram motivo de esculhambação e desrespeito. Avaliar a hora de abdicar do poder é gesto de coragem, inteligência e desprendimento.

O Corinthians compreendeu a necessidade da guinada no modo de agir ao cair para a Segunda Divisão no fim de 2007. Não abriu mão de apostar na força da marca, fortíssima. Mas não se caiu na simplória conversa fiada de que a Fiel seria suficiente para garantir o retorno à elite e etc e tal. Discurso bonito, com quê de verdade e um bocado de folclore e imobilismo. Foi à luta.

Decisivo foi abandonar postura provinciana e assumir a grandeza, com atitudes atrevidas em todas as áreas. Várias foram tiros n’água e ainda assim válidas, porque revelavam desejo de sacudir-se. Uma delas, que tocou o torcedor, foi a manutenção de Tite, após o vexame histórico contra o Tolima em 2011. À frente do projeto (aí a palavra faz sentido), liderou o time a ser protagonista. Os fãs festejam, os rivais lamentam. Normal, e assim tem de ser.

O Corinthians de agora é o São Paulo de ontem. Até pouco tempo atrás, tricolores gabavam-se de ser arrojados e de remarem contra corrente e o lugar-comum. Com razão e baseados em fatos e fotos – as diversas Libertadores, os Mundiais, os Brasileiros a enriquecer o acervo de prêmios. Repunham bem o grupo, vendiam em geral com lucro, davam estabilidade à comissão técnica. Mudou demais.

O São Paulo dos últimos anos errou em contratações, perdeu-se nos bastidores (era dos raros a permitir só uma reeleição para presidência) e troca de professor como relés mortais. Tanto abdicou de característica saudável que o presidente, na semana passada, na chegada de Paulo Autuori, listou o entra e sai que havia no Corinthians antes da gestão de Tite, para mostrar que não havia mal algum em que fizesse o mesmo. Na tentativa da ironia, ressaltou o quanto o rival progrediu nesse aspecto e o tanto que o clube dele andou para trás.

Hoje, diretor dá indireta em Rogério Ceni, e vice-versa. Inimaginável em outras eras. É necessária revisão geral no Tricolor, para retomar o ciclo vencedor, que um dia retornará. Até lá, não vai contrariar a lógica, como imaginei possível na crônica de anteontem, e cairá fácil diante de favoritos, como foi no clássico pela Recopa. Cairá até contra não favoritos.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 19/7/2013.)