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O que mudou na relação entre Palmeiras e FPF

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Mais de um ano após ter rompido com a Federação Paulista de Futebol, o Palmeiras entende estar numa fase de reconstrução de seu relacionamento com a entidade.

O clube se afastou da FPF por acreditar ter havido interferência externa  anulação de um pênalti a seu favor na final do Estadual de 2018, contra o Corinthians, que se sagrou campeão.

Hoje, a avaliação da diretoria palmeirense é de que parte de suas reivindicações, feitas depois daquele episódio foi, atendida. Por isso não há motivo para manter a mesma postura extrema de antes.

A decisão é de voltar a participar de reuniões na FPF nas quais o clube julgue ser importante se posicionar.

Mas, por enquanto, é improvável a presença de Maurício Galiotte. O presidente deve enviar representantes quando considerar ser interessante participar das reuniões na federação.

Antes, por conta do momento crítico, a diretoria entendia ser mais importante protestar com sua ausência. Entre os pedidos que o Palmeiras considera atendidos, o principal é o uso do VAR, utilizado nos mata-matas do último Paulistão.

O alviverde entende ter sido importante para a implantação do sistema no campeonato estadual.

No clube, a informação é de que depois de um áudio de comunicação entre uma equipe de arbitragem ser usado pelo STJD, o mesmo deve acontecer no próximo Estadual.

A gravação e a disponibilização do material em casos de dúvida era outro pedido dos palmeirenses.  No alviverde é dado como certo que após o STJD utilizar áudio no julgamento que rejeitou pedido de anulação feito pelo Botafogo em jogo contra o próprio Palmeiras, o TJD agirá da mesma forma no Paulista.

A aproximação só não é maior porque Galiotte tem pelo menos uma reivindicação que não foi atendida. Ele ainda quer a troca da cúpula da arbitragem da FPF.

A visão da FPF

Por sua vez, a federação entende que o pedido é descabido. O exemplo dado na entidade é que seria o mesmo que a FPF se envolver na administração do clube.

Mesmo assim, Bastos  enxerga a situação de maneira parecida com a de Galiotte. O relacionamento não é o mesmo de outrora, mas está sendo reconstruído.

Em entrevista ao portal da Band, na última terça (25), o presidente da FPF disse que a relação é “sem dificuldades. Não é igual era antigamente, mas tenho uma relação muito boa com o Maurício [Galiotte], com o Palmeiras”. Ele também afirmou que o problema é página virada.

Internamente, a ausência do alviverde nas reuniões da FPF era vista como um buraco na política de Bastos de ouvir os clubes. Ele quer que essa seja uma das marcas de sua administração.

Por isso é importante para a federação o Palmeiras voltar a ocupar sua cadeira em encontros na entidade. Mesmo que não seja em todos e não pelo presidente.

Recentemente, Bastos e Galiotte se encontram em eventos fora da FPF e tiverem breves conversas que ajudaram a consolidar o novo status.

 

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Rompido com FPF, Palmeiras boicota votação da seleção do Paulista

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Em atrito com a FPF, presidida por Reinaldo Carneiro (foto), Palmeiras não foi à festa do Paulistão. Foto: Alexandre Battibugli/FPF

A crise entre Palmeiras e Federação Paulista de Futebol teve mais um capítulo, desta vez relacionado ao encerramento do Estadual de 2019. O time alviverde foi o único clube que não votou na seleção dos melhores jogadores da competição.

O colégio eleitoral foi composto pelos treinadores e capitães dos 16 times participantes. Só Felipão e Bruno Henrique não votaram.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o clube não quis comentar o assunto. Porém, o blog apurou que a abstenção foi por conta do rompimento com a federação.

Nenhum representante do Verdão, aliás, compareceu ao evento que premiou os melhores jogadores da competição, mesmo tendo o atacante Dudu entre os escolhidos como 11 melhores do torneio. A justificativa oficial dada por Caio Ribeiro, que apresentou o evento, foi que Dudu não compareceu por conta da preparação para o jogo da Libertadores, contra o Melgar, que só acontece na próxima quinta-feira.

Neste ano, os palmeirenses já tinham boicotado as reuniões na sede da FPF para definir os detalhes das quartas de final e das semifinais do Estadual. O clube também chegou a atacar a federação e chamar o campeonato de Paulistinha por discordar de decisão do VAR que não anulou gol do Novorizontino em partida das quartas de final.

Em outra atitude fora de sintonia com a federação, o alviverde recusou oferta da entidade para receber palestra sobre o uso do VAR nos mata-matas da competição. A alegação na ocasião foi de que o clube já tinha recebido orientações sobre o árbitro de vídeo de Conmebol e da CBF.

O atrito dos palmeirenses com a federação, presidida por Reinaldo Carneiro Bastos, começou na final do Paulista do ano passado. Jogando em casa, o alviverde reclamou que teria havido interferência externa na arbitragem na anulação de pênalti a seu favor. O rompimento foi uma decisão do presidente do clube, Maurício Galiotte.

FPF descarta ir atrás do Palmeiras: clube é que precisa querer voltar

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Não é a Federação Paulista que tem que pedir para o Palmeiras voltar a frequentar a entidade. É o clube que precisa querer se reaproximar. Esse é o pensamento da cúpula da FPF.

Mais uma vez, o alviverde não enviou representantes para a reunião na sede da federação que definiu os detalhes das quartas de final do Paulista nesta quinta, 21. “A vontade do Palmeiras é não comparecer, e nós respeitamos isso”, disse Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da federação durante entrevista coletiva.

Internamente, o discurso do dirigente é de que sua principal preocupação não é trazer o Palmeiras de volta, mas fazer o futebol paulista ter uma gestão melhor, o que inclui acabar com atrasos salarias. Atualmente, o Santos é afetado por pagamentos atrasados.

Com essa postura definida, a direção da FPF não tem feito gestões para tentar se reaproximar do alviverde. O presidente palmeirense, Maurício Galiotte, rompeu com a entidade desde a final do Estadual do ano passado. Ele entende que houve interferência externa da arbitragem na anulação de um pênalti a favor de seu time na decisão com o Corinthians, que saiu como campeão.

Apesar da ausência nas reuniões da entidade, as partes mantêm relações profissionais. Um tema em comum entre ambos é o uso do Pacaembu no Brasileirão. O estádio municipal hoje não atende requisitos de iluminação para receber jogos do Nacional. Bastos tem conversado com prefeitura, Palmeiras, Santos, São Paulo e o consórcio Patrimônio SP, vencedor da licitação para operar o estádio e hoje suspensa pela Justiça, para solucionar o problema. As conversas são para definir como cobrir os custos para o aumento da potência dos holofotes.

Com Arthur Sandes, do UOL, em São Paulo

Santos teme efeito de “traição” de Coronel Nunes na Conmebol

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Diretoria e conselheiros do Santos temem que o julgamento do caso “Sánchez” na Conmebol, na próxima segunda, tenha componente político.

Os santistas avaliam que a CBF está enfraquecida na entidade por conta do voto de seu presidente, Coronel Nunes, no Marrocos como sede para a Copa de 2026. Os países da entidade sul-americana tinham combinado votar em bloco na candidatura tripla de Canadá, México e Estados Unidos, que saiu vencedora.

O gesto do dirigente foi visto como traição e gerou duas críticas de cartolas da Conmebol à CBF.

Na diretoria do Santos, assim como no conselho do clube, há quem acredite que pode haver má vontade com os argumentos do clube como forma de retaliação à confederação brasileira.

O receio aumenta porque Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, foi afastado de seu posto na entidade sul-americana pela CBF. O afastamento aconteceu depois de ele tentar, sem sucesso, lançar candidatura de oposição a Rogério Caboclo, que assumirá a presidência em abril do ano que vem.

Bastos era visto pelos clubes paulistas como único representante de seus anseios na Conmebol e conhecedor dos meandros da entidade.

Desde que estourou a denúncia de que Carlos Sánchez teria jogado suspenso contra o Independiente pela Libertadores, Peres buscou apoio da CBF e também de Bastos para tentar minimizar o cenário considerado hostil nos bastidores.

Outra preocupação é em relação à influência do clube argentino. Os santistas consideram o Independiente forte nos bastidores. Um dos argumentos usados como suposta prova dessa força é a rapidez com que a confederação sul-americana abriu investigação contra o Santos.

O discurso da direção santista é de que se o julgamento for técnico, o clube está seguro, pois acredita ter argumentos convincentes.

O alvinegro contratou o advogado Mário Bittencourt, responsável por salvar no “tapetão” o Fluminense do rebaixamento para a série B em 2013.

O Santos corre o risco de ser declarado derrotado por 3 a 0 na partida na Argentina, que terminou com empate sem gols.

Como briga política pressiona ainda mais árbitro de Corinthians x Palmeiras

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A briga entre o grupo político de Marco Polo Del Nero, situacionista na CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, aumenta a pressão sobre o árbitro do clássico entre Corinthians e Palmeiras neste domingo.

Anderson Daronco já entraria pressionado pelo imbróglio no final do Campeonato Paulista e pelas críticas do Dérbi que apitou em novembro de 2017. Porém, pelo fato de a revolta do alviverde com a FPF ter reflexos na crise política entre Bastos e a cúpula da CBF, a situação do árbitro fica mais delicada.

Um eventual erro grave do juiz a favor do Corinthians deverá dobrar a ira palmeirense. A entidade paulista deixaria de ser o único foco de revolta do clube comandado por Maurício Galiotte. Como o jogo é pelo Brasileirão, a confederação entraria na mira.

Caso uma falha gritante aconteça a favor do Palmeiras, será a vez de o Corinthians disparar contra a CBF. Vale lembrar que Andrés Sanchez é aliado histórico de Bastos. O presidente corintiano não votou em Rogério Caboclo, eleito para assumir a confederação a partir de abril do ano que vem com indicação de Del Nero. Há um histórico de rusgas entre o deputado federal petista e o cartola banido do futebol pela Fifa (ele vai recorrer).

Mais do que isso, o mandatário da FPF pretendia se candidatar à presidência da confederação, mas não conseguiu devido à manobra que fez Caboclo, ungido por Del Nero, ser candidato único.

Nesta semana, como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, o cartola paulista foi retirado de seu cargo na Conmebol pelo atual presidente da CBF, Coronel Nunes. Ele também não vai cuidar mais das Séries B e C do Brasileiro. Os dois postos davam ao dirigente proximidade com cartolas de clubes. O substituto de Bastos na confederação sul-americana será Nunes. É comum presidentes das entidades nacionais ocuparem cargos na Conmebol. O dirigente paulista assumira o posto porque Del Nero não viajava para as reuniões no Paraguai com receio de ser preso por causa de acusações de corrupção que sofre nos Estados Unidos. Ele nega ter cometido crimes.

Nesse cenário bélico, uma atuação impecável de Daronco no clássico é fundamental para a CBF deixar a bomba só nas mãos da FPF. A solução rápida de uma dúvida do juiz consultando seus auxiliares, por exemplo, seria uma “aula” para a entidade chefiada por Bastos. A crise com o Palmeiras começou porque no segundo jogo da final estadual a arbitragem demorou para cancelar um pênalti que havia sido marcado para o alviverde contra o alvinegro. A demora deu início às suspeitas palmeirenses de que houve irregular interferência externa na decisão.

Para esquentar mais o caldeirão do clássico, há um histórico recente de desentendimento entre os jogadores dos times. Os últimos duelos também demonstraram disposição dos atletas em apitar os jogos, pressionando o juiz sempre que possível. Isso aconteceu justamente com Daronco no Dérbi do segundo turno do Brasileirão do ano passado, com muita reclamação palmeirense.

Essa explosiva combinação de fatores fará com que o gramado da Arena Corinthians se transforme num campo minado para a equipe de arbitragem.

 

Crise com Palmeiras coloca presidente da FPF em xeque

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Os recentes ataques de Maurício Galiotte deixam a autoridade da Federação Paulita de Futebol (FPF) e do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) em xeque. Consequentemente, Reinaldo Carneiro Bastos, mandatário da entidade estadual, também fica numa situação delicada.

O presidente do Palmeiras já chamou o Campeonato Paulista de Paulistinha duas vezes, além de criticar em várias oportunidades a maneira como a federação e o tribunal trataram a denúncia do clube em relação ao jogo decisivo da competição. Para o alviverde, houve interferência externa na decisão que anulou um pênalti (marcado incorretamente) a favor de sua equipe na segunda partida da final com o Corinthians.

Galiotte se revoltou com o fato de o tribunal decidir não julgar o caso alegando falta de provas e porque a FPF não tomou medidas disciplinares contra os envolvidos na suposta interferência. Também ficou irritado ao ver o tribunal alegar que seus advogados perderam o prazo para pedir a impugnação do jogo.

Chamar o torneio de Paulistinha fez Galiotte ser denunciado pelo TJD. Ele promete não comparecer ao julgamento marcado para esta segunda-feira, o que em tese aumentaria a crise.

O grau de rebeldia do dirigente palmeirense é raro em termos de FPF. O atual presidente da entidade vinha se mostrando afinado com os clubes paulistas e até virou representante de seus anseios na Conmebol.

Agora, porém, vê sua autoridade contestada. A falta de uma punição para Galiotte pode deixar a federação vulnerável a outros ataques de cartolas, o que enfraqueceria a entidade. Por outro lado, um castigo pesado certamente fará o presidente palmeirense gritar mais alto prolongando a briga.

A crise acontece justamente num momento em que Bastos precisa do apoio dos clubes para tentar não perder espaço na CBF e na Conmebol. O presidente da FPF pretendida se candidatar à presidência da confederação, mas não conseguiu o número mínimo de indicações de federações e times para registrar chapa. Agora, ele corre o risco de ser afastado dos cargos de diretor remunerado das séries B e C e de representante da CBF na Conmebol. Isso a partir do início da gestão de Rogério Caboclo, a partir de abril de 2019.

Se não contornar o problema com o Palmeiras, ele perderá um importante apoio para manter seus planos em termos nacionais e internacionais. Além disso, pode passar a conviver com uma oposição indesejada em seu próprio território, a FPF.

MP recorre para tentar afastar presidente da Federação Paulista

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O Ministério Público de São Paulo entrou com recurso na Justiça nesta terça para tentar reverter decisão que rejeitou pedido de liminar para afastar Reinaldo Carneiro Bastos provisoriamente da presidência da Federação Paulista de Futebol.

A ação é de responsabilidade do promotor Marcelo Milani (Patrimônio Público e Sócial). Ele alega que o dirigente não atendeu a recomendações do MP para combater a violência nos estádios no Estado e, assim, feriu o Estatuto do Torcedor por omissão. A federação considera a ação descabida e alega tomar todas as medidas necessárias à segurança dos torcedores.

No último dia 12, a Justiça negou a liminar em primeira instância, mas o processo que solicita ainda o afastamento definitivo do cartola segue.

No recurso, o MP reforça a tese de omissão da FPF e também da Polícia Militar. Os afastamentos dos policiais militares Alexandre Gaspar Gasparian Nivaldo Cesar Restivo também foram pedidos e negados em primeira instância. Milani alega que a PM não apresentou um plano estratégico de combate aos torcedores violentos cobrado por ele. Já a federação é cobrada principalmente por não implantar o controle biométrico na entrada dos estádios.

Na metade do ano passado, o promotor enviou recomendações administrativas para federação e  Polícia Militar relacionadas à segurança em dias de jogos. Ele entende que não foram tomadas as providências requisitadas.

No recurso, o MP apresentou um relatório sobre nove brigas de torcidas em trens que teriam sido apartadas por seguranças ligados ao transporte público para reforçar a tese de deficiência da PM.

Justiça nega pedido de liminar para afastar presidente da FPF

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A Justiça de São Paulo negou nesta segunda liminar pedida pelo Ministério Público para afastar Reinaldo Carneiro Bastos da presidência da Federação Paulista enquanto tramita processo contra ele. A ação foi elaborada pelo promotor Marcelo Milani (Patrimônio Público e Social). Ele alega que o dirigente não atendeu a recomendações do MP referentes ao combate da violência relacionada a jogos de futebol, ferindo o Estatuto do Torcedor por omissão.

Ainda foram negadas as liminares para afastar os policiais militares Alexandre Gaspar Gaspariann e Nivaldo Cesar Restivo, também por não atenderem ao promotor sobre o mesmo assunto.

“Não é caso de concessão da tutela de urgência pretendida”, escreveu em sua decisão a juíza Alessandra Barrea Laranjeiras.

Milani afirmou ao blog que vai recorrer para tentar obter a liminar. Sem ou com ela, o processo corre na 14ª Vara da Fazenda Pública. Ou seja, a Justiça ainda vai decidir sobre o afastamento definitivo de Bastos e dos policiais.

O presidente da FPF nega ter cometido irregularidades. Já PM não respondeu ao blog sobre o assunto.

 

‘Cara do Del Nero’ e ‘homem do não’. Conheça Rogério Caboclo

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A sala de reuniões na Federação Paulista estava repleta de cartolas entediados e apressados para deixar o local. Em pé, empolgado, apresentando infinitas planilhas estava Rogério Caboclo, então jovem dirigente da entidade que hoje está prestes a se transformar no novo presidente da CBF.

Foi mostrando organização e obsessão pelo controle das finanças da entidade estadual, como na longínqua cena descrita acima, que ele começou a conquistar Marco Polo Del Nero. Nesta quinta, seu padrinho político articulou a manobra que assegura apoio da maioria das federações estaduais para a candidatura de Caboclo, 45 anos, à presidência da confederação. Não sobraram entidades para outro candidato conseguir o aval e atingir o mínimo de oito federações para se candidatar, além do apoio de mais cinco clubes. A eleição pode ocorrer até abril de 2019.

Conselheiro do São Paulo e filho do Carlos Caboclo, tradicional cartola tricolor, Rogério foi diretor executivo do clube aos 28 anos na gestão do presidente Paulo Amaral, que hoje atua na federação paulista. Dois anos depois, Caboclo chegou à FPF. Lá organizou e blindou a área financeira. Só passava informações para o presidente Del Nero. Reinaldo Carneiro Bastos, que era vice e atualmente preside a entidade, tinha acesso a todas as áreas, mas ficou sem trânsito em relação às finanças.

Reinaldo foi justamente o maior prejudicado com a decisão de Marco Polo de transformar Caboclo em seu sucessor. O presidente da federação preparava campanha para tentar sentar na cadeira mais cobiçada da CBF.

Lealdade

Demonstrando fidelidade canina à Del Nero, Rogério virou seu homem forte. Naquela época, ele começou a mostrar uma característica que mais tarde viria a incomodar presidentes de federações na confederação: a facilidade em dizer não a pedidos de dirigentes e a dificuldade em liberar verbas. Ninguém conseguia nada sem convencer Marco Polo a falar com seu diretor.

Depois de ser vice da FPF, ele virou CEO da CBF, com José Maria Marin como presidente, mas por obra de Del Nero. A patente de oficial do exército de Marco Polo ficou rapidamente evidente para quem trabalhava na confederação. Um ex-funcionário conta que Marin foi logo avisando: “cuidando com o que você fala para o Rogério porque ele é homem de confiança do Marco Polo”.

O novo executivo impressionou seus colegas de trabalho pela formalidade e gentileza no trato diário. Mesmo gentil, ele colecionou desafetos por conta de uma série de demissões atribuída a ele. O paulista organizado e polido passou a ser visto como uma pessoa obcecada em abrir espaço para os homens da confiança de Del Nero na confederação.

Entre dirigentes, consolidou a fama de ser “o homem do não” por causa dos pedidos negados. Enquanto isso, Caboclo se orgulha de ter cortado gastos e aumentado receitas, entre outros feitos na CBF. Um deles é negociação do novo contrato referente à transmissão da Copa do Brasil. Segundo a entidade, a competição se tornou a mais rentável do hemisfério sul pagando R$ 50 milhões para o campeão.

Recentemente, Rogério também foi escolhido para ser CEO da Copa América de 2019, marcada para o Brasil.

Cartolas que frequentam a Confederação, classificam Caboclo como técnico, objetivo, eficiente na área financeira, porém sem conhecimento político. Essa é a principal crítica dos que são contrários à sua candidatura. Ele não teria desenvoltura para agir nos bastidores da Fifa, por exemplo, por nunca ter dirigido uma entidade antes. Isso, na análise de alguns conhecedores da CBF, é sinal de que Caboclo será guiado por Marco Polo.

Suspenso provisoriamente pela Fifa, ele terá seu caso decidido até o próximo dia 15. No cenário atual, se for banido ou levar um longo gancho por conta de acusações de corrupção, Del Nero teria o conforto de ser sucedido por alguém que, acredita, nunca o trairá.

Hoje, apesar de o vice Coronel Nunes ter assumido a presidência, Caboclo já é tido como quem preside a confederação defendendo os desejos do presidente afastado. Marco Polo nega as acusações.

Rogério Ceni

Ao mesmo tempo em que elogiam a capacidade administrativa do provável novo comandante da confederação, cartolas e ex-funcionários da CBF apontam a falta do assunto futebol em suas conversas. Jogos e atuações de jogadores são temas que não parecem empolgar o candidato à presidência.

Um de seus interlocutores ouvidos pelo blog afirma ter como rara lembrança de Caboclo falando sobre futebol uma mágoa com Ceni. Pelo relato, o dirigente não engoliu o episódio em que representante do ex-goleiro apresentou uma proposta que seria do Arsenal. O presidente são-paulino na ocasião, Paulo Amaral, de quem Caboclo era diretor, consultou o clube inglês que negou ter feito a oferta. O episódio terminou com uma suspensão ao goleiro.

O pupilo de Del Nero pode ser ainda descrito como um homem que gosta dos negócios em família. Casado e com um filho, seu nome aparece na Junta Comercial como sócio em quatro negócios, todos ao lado de parentes. Advogado e administrador de empresas, ele está, segundo os registros, entre os donos de Caboclo Participações e Empreendimentos Imobiliários, Caboclo Distribuidor e Romma Distribuidora, que são dois atacados de mercadorias, em especial alimentos, e Cromma Logística Empresarial, voltada para transporte de cargas.

Doença

Já como cartola da CBF, Caboclo passou por um momento dramático. Esteve internado por causa de uma grave doença. Ele se recuperou e reassumiu suas funções bem mais magro. O blog pediu à assessoria de imprensa da CBF explicações sobre a enfermidade, mas não obteve resposta.

Já um pedido de entrevista foi negado pela assessoria. Caboclo não quer se pronunciar neste momento. Procurado pelo blog, o cartola não foi gentil como descrevem seus colegas. Não atendeu ao telefone e nem respondeu à mensagem de texto.

Num momento em que a notícia da manobra de Del Nero por ele ainda chacoalha os bastidores do futebol brasileiro, o provável futuro presidente da CBF demonstra não querer se expor.

Colaborou Rodrigo Mattos, do UOL, no Rio de Janeiro

Manobra de Del Nero deixa em xeque estilo discreto de presidente da FPF

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Parte dos opositores de Marco Polo Del Nero e dos cartolas que não querem Rogério Caboclo, diretor-executivo de gestão da CBF, como novo comandante da entidade, tem em Reinaldo Carneiro Bastos a única esperança de ver o plano do presidente suspenso da confederação fracassar. Para viabilizar seu nome, porém o número 1 da Federação Paulista de Futebol terá que abandonar o estilo discreto característico de sua carreira e ir para a guerra aberta com Del Nero e Caboclo.

Como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, Del Nero marcou reuniões reuniões com presidentes de federações estaduais nesta quinta e também no dia seguinte para tentar consolidar seu candidato como único na próxima eleição.

Para isso, o cartola investigado por autoridades norte-americanas e pela Fifa por suspeita de corrupção tenta obter o apoio de 21 das 27 federações para assegurar que Caboclo não tenha concorrente. Ele nega ter cometido irregularidades.

Para registrar uma chapa é preciso ter a assinatura de oito federações e de cinco clubes. Se a estratégia der certo, não sobrarão entidades estaduais suficientes para o lançamento de outra candidatura. A eleição, na qual votam federações e clubes das Séries A e B com peso maior para as entidades estaduais, pode ser marcada entre o próximo mês e abril de 2019.

Como até 15 de março a Fifa pode anunciar uma longa punição a Del Nero, o que inviabilizaria sua candidatura à reeleição, o cartola suspenso deflagrou a operação por Caboclo.

Automaticamente, o plano pressiona Bastos a definir se será candidato e a iniciar a sua campanha, entrando em conflito com Del Nero. Até cartolas que querem apoiar o presidente da FPF têm dúvidas se ele irá abandonar seu estilo de agir mais nos bastidores e ir para a trincheira.

Bastos, Del Nero e Caboclo atuaram juntos por muito tempo na Federação Paulista. A convivência faz com que conheçam os pontos fortes e, principalmente, os fracos uns dos outros. Esse cenário pode causar uma guerra fratricida, com riscos de graves danos para todas as partes.

O atual mandatário da federação paulista e Del Nero possuem uma relação de altos e baixos, mas até aqui sempre acabaram na mesma canoa. Na maioria dos momentos críticos do relacionamento, Bastos tentou evitar a briga escancarada. Esse quadro deixa cartolas interessados na sucessão em dúvida sobre qual será reação de dele, que até aqui não assumiu ser candidato.

Elementos para conquistar apoio não faltam ao presidente da FPF. Seu maior trunfo é o fato de ser o cartola brasileiro mais influente na Conmebol desde que Del Nero deixou de viajar para driblar o risco de prisão. Essa influência interessa especialmente aos clubes. É importante para eles ter bom relacionamento com um dirigente que pode, por exemplo, abrir portas para suas reivindicações em momentos decisivos da Libertadores.

Do outro lado da balança, Caboclo tem a máquina a seu favor, o que pesa principalmente para as federações. Ele já tinha sido anunciado como idealizador do projeto de convidar todos os dirigentes de entidades estaduais para viajarem até a Rússia a fim de acompanharem a Copa do Mundo.

Uma das primeiras declarações públicas após Del Nero colocar seu plano em marcha foi de Andrés Sanchez, que chamou a manobra de golpe e conclamou os clubes para definirem um nome de consenso. O presidente do Corinthians é aliado político de Bastos. Naturalmente, sua fala soa como um incentivo ao lançamento da candidatura do amigo, que agora se vê em xeque. O chefe do futebol paulista tem pouco tempo para decidir se segue silencioso nos bastidores ou veste o uniforme e vai para o campo de batalha contra íntimos oponentes.