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A terceirização do caráter

Leia o post original por RicaPerrone

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Uma vez meu avô me disse que “ser homem é saber dizer não”. Eu demorei um tanto pra entender o que ele queria dizer, mas acho que aprendi.

Claro que sua intenção era que eu soubesse que é muito mais “firme” aquele que recusa a maconha na escola do que o que faz o que todos fazem. Mas seu conselho ia além, mesmo que involuntariamente.

Hoje mais um jogador de futebol foi alvo de racismo. Um imbecil qualquer gritou, em meio a milhares: “Macaco!”. Pronto, tornou-se um anônimo terceirizando crime.

Quem paga? O clube. O estádio. A torcida. A história. Mas ele, não.

É como quando um jovem mata 10 pessoas num shopping e a culpa é do video game, não mais dele e de seus pais, que eventualmente não notaram o serial killer que criavam em cativeiro.

Ou quando inventaram as justificativas psicológicas para todo e qualquer fracasso humano. Ser um imbecil era motivo de punição, hoje é motivo de estudo. Mais importa o que o levou a fazer merda do que mandar que ele limpe.

Torcidas respondem por marginais. Partidos por políticos ladrões, clubes por torcedores, empresas por funcionários e seguimos escondendo nosso caráter atrás de algo maior.

Ninguém é responsável por nada. É a era dos poréns.

Ele matou, “porém”… a culpa é do preconceito, do racismo, da sociedade, da polícia, da mãe dele, do tio, do amigo que fez bullyng na terceira série, do pai ausente e, por fim, também dele.

“É a influência da mídia”. “Os games violentos”. Como se todas as crianças do mundo estivessem atirando passarinhos em porcos verdes entre tábuas.

Nos eventos de grande porte pessoas bebem além da conta e as vezes cometem erros. Culpa da bebida. Então, a proibimos.

Como algumas pessoas não conseguem controlar o impulso de jogar até ir a falência, proibimos o jogo.

Num cenário moderno um tiro é culpa da arma, não de quem apertou o gatilho. Afinal, sem a arma, ele jamais atiraria. Mas e sem o autor? Ela seria disparada?

Somos tratados como imbecis, e assim nos acostumamos.

Se eventualmente você achar que escrevo um monte de absurdos neste blog, me ofenda numa rede social qualquer. Não é você que é estúpido e mal educado.

A culpa é da internet.

abs,
RicaPerrone

Parece ritual: falta de ritmo, “desconforto” e desgaste físico

Leia o post original por Mion

Craque, atleta, trabalhador sério. Com 37 anos, Seedorf jogou 81 jogos pelo Bota.

Craque, atleta, trabalhador sério. Com 37 anos, Seedorf jogou 81 jogos pelo Bota.

Parece ritual nos últimos cinco anos no futebol brasileiro. Além de reclamar da falta de uma pré-temporada mais elaborada, o que é justo, em seguida vem a tal falta de ritmo. Os campeonatos regionais começaram há mais de um mês e ainda tem jogador falando nisso. A partir de março surgem os tais desconfortos musculares e para fechar com “chave de ouro” em outubro o assunto é desgaste físico, final de temporada etc e tal.

Seedorf chegou ao Brasil na manhã do dia 30 de junho de 2012 e à tarde estava treinando. Após 1 ano e meio de Botafogo atuou em 81 jogos, 25 em seis meses de 2012 e 56 no ano passado. Aos 37 anos não entrou em campo poucas vezes. Chegou a reclamar de cansaço, mas nem por isso deixou de atuar.

Escolho alguns casos interessantes: Deivid deixou o Flamengo e assinou com o Coritiba em agosto de 2012. Após o mesmo tempo de contrato de Seedorf, jogou apenas 47 partidas ( pouco mais de 50% do holandês). Deixou o Coxa na semana que antecedeu o Carnaval reclamando de direitos de imagem. Tudo bem, o clube está errado porque não cumpriu o compromisso, mas qual imagem? A de Deivid no departamento médico?

Outro caso, o de Valdivia no Palmeiras. Levou 3 anos e meio para jogar 117 jogos, dá poucos mais de 30 jogos por ano. Menos da metade de Seedorf. Mesmo com problemas físicos permanentes, o Palmeiras renovou seu contrato. Inexplicável para um clube que anda em crise financeira.

Poderia citar muitos outros exemplos. Peguei Valdivia e Deivid por serem jogadores consagrados e bem conhecidos do torcedor brasileiro. Se observarmos a Europa, Messi na temporada 2011/2012 quando o Barcelona ganhou tudo atuou em 61 jogos e Cristiano Ronaldo nas últimas três temporadas atuou em 166 jogos. Somando as 31 partidas defendendo a seleção poirtuguesa de 2011 a 2013, dá 197 jogos, uma média de 65 partidas/ano.

Cito os dois maiores craques do mundo, jogaram mais de que Valdivia e Deivid. Ambos poderiam usufruir de algumas regalias e serem poupados. Não são porque ganham altos salários e precisam trabalhar forte para dar retorno aos seus clubes. Como qualquer atleta de alta performance sofrem com muitas dores, principalmente porque apanham demais em campo. Superam tudo por serem conscientes da necessidade de dar retorno para que os clubes paguem seus compromissos.

No Brasil não há este comprometimento. A responsabilidade com o clube não consta no contrato assinado. No fundo todos querem prolongar as suas carreiras, jogam pouco e vivem da fama construída num início brilhante de carreira. Boa parte vive curtindo noitadas, festas, pouco se importam se isto irá enfraquecer o organismo e ocasionar lesões ou baixo rendimento.

Outro dia estava num restaurante quando cumprimentei empresário de jogadores indignado. Ao acertar novo compromisso de um dos seus principais atletas, esse fez um pedido no mínimo incomum: ” Cara, o meu irmão quer vir do Nordeste. Vê se arranja contrato pra ele. Não precisa garantia de ser titular, qualquer 15 mil tá bom”. Não precisa ser titular? Qualquer 15 mil? Como se fosse um favorzinho qualquer. Este é o mundo da fantasia que vem afundando os nossos clubes e por consequência o futebol brasileiro.

 

Antes o dele do que o meu

Leia o post original por Mion

Luxa não vai carregar sozinho a responsabilidade do fracasso. Ronaldinho tem que assumir a sua parte que é grande.

O técnico Vanderlei Luxemburgo não está disposto a levar toda a culpa. O discurso de o projeto de 2011 é conquistar  vaga para a Libertadores não convence ninguém. A contratação de Ronaldinho credenciou o Flamengo a brigar pelo título no mínimo até a última rodada. Não é isso que se vê em campo principalmente nas últimas cinco rodadas.

Ronaldinho pratica um futebol comum sem ser decisivo no momento crucial do campeonato. Luxemburgo tem falado da decepção com Gaúcho. No fundo não vai assumir sozinho o fracasso. Com toda a razão divide a responsabilidade com o maior salário do clube, inclusive bem acima do dele.

A volta de Ronaldinho ao futebol brasileiro pouco adicionou. O Mengão possui um ótimo time, talvez com Thiago Neves e Bottinelli sem a sombra da celebridade de Gaúcho, teria mais chance de vencer o título. Não foi coincidência a queda de produção da equipe após a lesão do argentino.

Não vou criticar Luxemburgo. Deveria assumir a responsabilidade pelo fracasso, mas no caso específico de Gaúcho, tem sim que dividir o “pepino”. Ronaldinho reforçou bastante a noite carioca, aproveitou demais. Não seria justo Luxemburgo “pagar o pato” sozinho. Além disso, Luxa deve pensar: antes o dele do que o meu. Como não é possível, pois não sairá ileso, então vão os dois mesmo. Pelo menos divide.