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CBF está em maus lençóis

Leia o post original por Craque Neto 10

Muita polêmica tem agitado os bastidores da realização dessa Copa América no Brasil. Para começar, é bom que se lembre que nem Colômbia – que vive uma espécie de guerra civil – e nem a Argentina aceitaram a competição de Seleções do continente. Os hermanos assim como a gente estão em ‘guerra’ sanitária contra esse […]

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CBF: jogo na TV Brasil foi por viabilidade, não para agradar ao governo

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Nesta quarta (14), o blog publicou post opinativo comentando sobre a exibição do jogo contra o Peru na TV Brasil mostrar como a seleção  brasileira pode ser usada para empoderar cartolas da CBF. Isso porque o Governo Federal pediu que a partida passasse em TV aberta, e a entidade comprou os direitos cedendo-os à emissora pública. Apesar de ser uma opinião, este blogueiro recebeu à noite telefonema de integrante da confederação refutando argumentos apresentados no artigo.

A versão relatada é de que a CBF não negociou com o Governo Federal pela exibição do jogo e que o principal interesse da cúpula da entidade foi permitir que as pessoas pudessem assistir à seleção sem custos. Também foi negado que os dirigentes vão pedir favores ao governo em troca da transmissão da partida.

O blog não afirmou que isso vai acontecer, mas argumentou que dirigentes de clubes com dificuldades para serem ouvidos em Brasília podem recorrer a Rogério Caboclo, presidente da CBF, que recebeu abraços e agradecimentos do governo durante a transmissão.

A versão informada por membro da confederação dá conta de que a entidade tinha a informação, ainda na terça, de que Globo e SBT tentariam transmitir o jogo. Por volta das 17h, vendo que nenhuma negociação avançou, Caboclo acionou Edu Zebini, diretor de mídia da CBF, e pediu que ele tentasse negociar com a Mediapro, que comprou os direitos da partida junto à federação peruana.

A avaliação na CBF foi de que havia clima para negociar porque a empresa já realizou ação relacionada ao “Museu Seleção Brasileira” e tem interesse em direitos de transmissão de partidas da seleção.

Segundo a mesma fonte, a Mediapro disse que não venderia os direitos do jogo com o Peru se a CBF fizesse uma revenda ou os repassasse para uma emissora que comercializasse cotas de patrocínio, informações anteriormente publicadas pelo “Blog do Marcel Rizzo”. A explicação foi de que a empresa perderia credibilidade no mercado, se isso acontecesse.

Nesse ponto, a confederação entendeu que só a TV Brasil teria condições de cumprir essas exigências. Ela não vende cotas de patrocínio e poderia transmitir o jogo para todo o território nacional, pois já transmite a Série D do Brasileiro.

Zebini, então, ligou para representante da emissora pública, ligada ao poder executivo, para se certificar de que ela poderia viabilizar a transmissão. Com a resposta afirmativa, ele concluiu a negociação com a Mediapro.

A CBF não revela quanto pagou pelos direitos de transmissão do jogo, mas o comentário na entidade dá conta de que “não foi barato”. O relato ouvido pelo blog é de que o interesse em que o público tivesse uma alternativa para ver a partida sem ter que pagar para assistir pelo canal EI Plus e dar visibilidade a seus patrocinadores, especialmente a Nike, motivaram o investimento feito pela CBF.

Em relação ao comentário deste blogueiro sobre existirem interesses em jogo no futebol brasileiro que passam por Brasília, como MP do Mandante e repactuação das dívidas fiscais dos clubes, o mesmo integrante da confederação afirmou que são questões que não estão ligadas diretamente à CBF e que estão no Congresso Nacional, não nas mãos do executivo. E que não existe a possibilidade de a entidade pedir favores ao governo.

Outro ponto negado foi que a CBF possa usar eventual proximidade com o governo federal para manter uma relação de clientelismo junto aos clubes.

Após ouvir todos os argumentos, o blog entendeu ser justo publicá-los. Porém, mantém sua opinião de que a transmissão do jogo pela TV Brasil reforçou que a seleção pode ser usada para aumentar o cacife político  de dirigentes. Não é, no entanto, uma afirmação de que,  necessariamente, cartolas e governantes irão trocar favores.

 

Jogo na TV Brasil reforça como seleção pode ajudar a empoderar cartolas

Leia o post original por Perrone

A transmissão da vitória da seleção  brasileira por 4 a 2 sobre o Peru nesta terça (13) pela TV Brasil é o exemplo mais bem acabado de como o time pentacampeão mundial pode ser usado para dar cacife político aos comandantes da CBF.

Depois de pedido do Governo Federal pela exibição do jogo em TV pública, a confederação  comprou os direitos da partida e cedeu para a TV Brasil, que já transmite a Série D.

O investimento feito por Rogério Caboclo, presidente da CBF, certamente valeu pela gratidão do governo e consequente aproximacão com os governantes. Tanto que o dirigente e cartolas da CBF receberam abraços e agradecimentos da Secretaria de Comunicação do governo pela cessão dos direitos.

Num país em que cartolas vivem pedindo favores, especialmente repactuações  de dívidas fiscais ao Governo Federal,  o uso da seleção  para essa aproximação entre CBF e governantes é preocupante.

É natural imaginar que, depois dessa, cartolas com dificuldades para terem pedidos atendidos em Brasília recorram a Caboclo, aumentando seu poder político e, talvez, tornando clubes mais vulneráveis às vontades da CBF.

Há muitas questões  em jogo no futebol brasileiro neste momento tendo Brasília na rota. MP do Mandante, dívidas fiscais dos clubes e questões trabalhistas relacionadas a jogadores e agremiações. Isso deixa evidente como o gesto por meio da seleção foi importante para a CBF.

Há também o lado do governo, que ganhou o time de Tite para fazer a velha e má política do pão e circo, igualzinho aos tempos da ditadura militar.

Pelo meio do caminho, ficou o canal por assinatura  EI Plus, único  que tinha os direitos de transmissão da partida. Ou seja, o governo acabou, indiretamente, interferindo em questões comerciais privadas.

O movimento da CBF pode ter reflexos em diversas áreas do futebol brasileiro, por isso o favor feito por Caboclo para o governo merece atenção. Personagens que estejam do lado oposto da CBF em eventuais questões  que passem pelo executivo não terão a seleção nas mãos para se aproximar dos governantes. A isonomia pode ser ameaçada.

 

 

Após gritaria, cartolas ainda tentam acordo por volta de público

Leia o post original por Perrone

Mesmo após a reunião virtual da CBF para discutir o tema terminar em gritaria e sem resolução, cartolas que defendem a volta de público nos estádios só quando todas as praças puderem adotar a medida seguem tentando um acordo favorável à isonomia.

Eles avaliam que apenas Flamengo e Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) são contra a ideia.

Como mostrou o “Blog do Rodrigo Mattos”, a reunião desta quinta (24) foi interrompida após discussão entre Rubens Lopes, presidente da Ferj, e Rogério Caboclo, mandatário da CBF.

A sessão virtual foi interrompida sem definição sobre o assunto e sem uma data para a pauta ser retomada.

Mas o dia terminou com um vilão eleito pelos cartolas que pregam a isonomia em relação ao público: o presidente da Ferj. Dois dirigentes de agremiações da série A ouvidos pelo blog usaram adjetivos impublicáveis para definir Lopes.

O entendimento da maioria que pede a liberação da torcida no mesmo momento para todos é de que o presidente da Ferj sabia que perderia a votação proposta por Caboclo a respeito do e forçou a barra acabando com o clima para a continuidade da reunião.

Assim como o Flamengo, a federação do Rio defende que a venda de ingressos seja liberada nos municípios que autorizarem a medida, independentemente da situação em outros locais em relação ao combate à pandemia de Covid-19.

Há entre os defensores da isonomia a avaliação de que a CBF é soberana para decidir sobre público nos jogos do Brasileirão e que Lopes deve tentar judicializar a questão. O blog não conseguiu entrar em contato com o presidente da Ferj.

Segundo, o “Blog do Rodrigo Mattos”, Caboclo aumentou o tom de voz depois de Lopes apontar que não se tratava de um conselho arbitral para votar a questão do público. No meio da gritaria, o presidente da Ferj perguntou se o colega tinha deixado de tomar remédio no dia, o que justificaria o nervosismo.

O estado do Rio já autorizou a volta de público nos estádios com 30% da capacidade. A prefeitura liberou o Maracanã. A ideia é fazer Flamengo x Athletico com torcedores nos  próximo dia 4. No entanto, uma batalha em relação a esse plano está armada nos bastidores do futebol brasileiro.

Já que é seguro, Feldman e Caboclo topariam viajar com times no Brasileiro?

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O mais importante é que nenhuma vida de atleta foi colocada em risco”. A frase traiçoeira foi dita ao UOL Esporte por Walter Feldman, secretario-geral da CBF a respeito do protocolo contra a Covid-19 elaborado pela entidade. Isso apesar de nas séries A, B e C jogadores conviverem  com companheiros contaminados por conta de atrasos nas entregas dos testes.

Pelo Brasileirão, Goiás x São Paulo foi adiado depois de o time da casa saber que 10 de seus atletas têm covid-19 e acionar o STJD para a partida não acontecer neste domingo (9).

Apesar de toda essa perigosa lambança, Feldman disse que “o balanço é positivo. Tivemos sucessos em todas as outras operações”.

Diante da segurança das palavras de Feldman, uma pergunta é inevitável: o secretário-geral da CBF e seu presidente, Rogério Caboclo, topariam viajar e se concentrar com um time das três divisões do Campeonato Brasileiro a cada rodada?

Pensar nessa pergunta talvez ajudasse a dupla a enxergar como a confederação está sendo arrogante e alienada. Tal postura expôs jogadores a riscos desnecessários.  Confederação e clubes subestimaram a  pandemia.

Incrível terem feito isso depois de o novo coronavírus já ter mostrado ao mundo do que é capaz.

Ao contrário dos chineses, primeiros a enfrentar o problema, os cartolas brasileiros não estão pisando num solo totalmente desconhecido, apesar das inúmeras perguntas ainda sem resposta na pandemia.

Dava para desconfiar que laboratórios em locais mais sobrecarregados tivessem dificuldade para entregar os exames. Se a testagem em massa é um gargalo no Brasil desde o começo da pandemia, porque não seria para o futebol? Não seria mais humano deixar esses testes pra quem divide um cômodo com vários parentes e não tem como se proteger?

Não é egoísmo inventar testes periódicos para times de três divisões enquanto o país ainda não se livrou da macabra marca de mais de mil óbitos por covid-19 registrados por dia?

O confiante Feldman diz que “não há risco zero”. Nesse caso há, sim. Se não houver campeonato e nem treino, não tem como jogador se contaminar no exercício da profissão.

Forçar a volta do futebol antes de uma melhora média radical da situação no país é pensar que podemos controlar o vírus quando quisermos. As incontáveis mortes pelo mundo mostram dolorosamente que não funciona assim.

Não bastasse a arrogância de desafiar o vírus, os cartolas responsáveis pela volta do Brasileirão não tiveram nem a humildade de tentar aprender com a NBA. Num país que lidou mal com a doença como o nosso, a liga norte-americana de basquete enxergou o óbvio: não dá pra ficar colocando jogador em aeroporto com um vírus tão severo à solta.

Os responsáveis por um dos campeonatos mais famosos do mundo entre todas as modalidades se adaptaram, adotaram novo formato com  sede única na tentativa de diminuir os riscos.

Pessoalmente, também acredito que a NBA ainda não deveria ter voltado, e que sua bolha não é infalível, mas pelo menos houve um reconhecimento de que era preciso mudar.

No futebol brasileiro prevalece o “temos que entregar todos os jogos para a TV, senão ficamos sem parte do dinheiro”.

Preferiram colocar a saúde de atletas e demais profissionais em risco e passar vergonha a ter bom senso e enfrentar efeitos financeiros mais agudos da pandemia. A primeira rodada do Brasileiro deixou isso claro.

Porém, pelas palavras de Feldman, não teremos uma mudança radical em nome  da saúde. Pelo jeito, ele aposta numa velha máxima da cartolagem: “vamos acertando as coisas com o tempo. Quando os gols começarem a sair, esquecem os problemas”.

 

 

 

Por fim de torcida única, presidentes da CBF e da FPF se reúnem com Doria

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Na próxima segunda (9), o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e Reinaldo Carneiro Bastos, que preside a Federação Paulista de Futebol (FPF), irão se encontrar com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O principal tema da reunião será a imposição de torcida única nos clássicos paulistas. Os dirigentes defendem o fim da medida imposta em 2016 pela Secretaria de Segurança Pública do Estado com apoio do Ministério Público estadual e da Polícia Militar.

Cartolas dos grandes clubes paulistas também são esperados no encontro.

Em novembro do ano passado, a CBF chegou a anunciar que em janeiro de 2020 seu presidente se encontraria com Doria para tentar buscar, em conjunto com todos os interessados, “uma solução definitiva para essa situação”.

Também deve entrar na pauta do encontro o veto de Doria à lei que permitiria a volta da venda de bebidas alcoólicas nos estádios paulistas.

Caboclo se descola de falhas de copa e ganha com Bolsonaro e beijo em Tite

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Perto dos integrantes da seleção brasileira e de Jair Bolsonaro, porém, mantendo distância regulamentar dos muitos problemas de organização da Copa América. Com essa fórmula, Rogério Caboclo aproveitou a competição vencida pelo Brasil para transformar pontos fracos em fortes.

O cartola terminou o torneio com uma coleção de fotos ao lado do presidente brasileiro, de Tite e dos jogadores, incluindo a comemoração da conquista do título. Contudo, mesmo sendo o CEO do COL (Comitê Organizador Local) da Copa América, ele praticamente não teve seu nome ligado às falhas de organização. Caboclo foi discreto na função, mas ativo como presidente da Confederação Brasileira. Pouco se viu o cartola no papel de explicar problemas de logísticas e gramados ruins, por exemplo.

Já a aproximação com Bolsonaro poderá facilmente ser usada por ele como uma conquista de sua gestão. Mesmo organizando uma Copa do Mundo, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, seus antecessores, não conseguiram se aproximar de Lula e Dilma Rousseff, enquanto os petistas estavam no poder. Quando Caboclo sentou na cadeira mais cobiçada da CBF, em abril deste ano, a entidade era criticada por dirigentes de clubes e federações por estar distante do governo federal. A realidade parece ser diferente agora.

Assim que o atual presidente foi eleito, antes da Copa da Rússia, para assumir em 2019, uma de suas claras fragilidades era não ser boleiro. Por outros cartolas era descrito como alguém que pouco falava sobre jogos e que não tinha intimidade com atletas.

Caboclo começou a trabalhar contra essa imagem na Copa da Rússia. Apesar de não ficar em período integral com a seleção como chefe da delegação, ele assistiu a treinos e começou a conhecer os atletas. Neste domingo (7), durante a premiação dos campeões, exibiu sua nova versão. Ficou à vontade com jogadores e comissão técnica. Cumprimentou Tite trocando beijinhos e deu até tapinhas nas mãos de atleta parecendo um “parça”.

Mas havia outro ponto a ser atacado. A ausência de Del Nero em reuniões da Conmebol e da Fifa desde que cartolas começaram a ser presos fora do país sob a acusação de corrupção, fizeram o Brasil perder força nos bastidores. Dirigentes de clubes brasileiros reclamavam principalmente de falta de prestígio na entidade sul-americana dizendo-se constantemente prejudicados nas competições continentais.

Hoje, não dá pra saber exatamente quanto Caboclo progrediu nos gabinetes da Conmebol. No entanto, a reclamação da associação argentina para a entidade de suposto favorecimento ao Brasil pode ser usada pelo dirigente brasileiro como demonstração de que pelo menos o Brasil teria anulado uma suposta desvantagem nos bastidores. Mas, claro, o episódio também pode ser interpretado como vergonhoso, como fazem os argentinos.

Nesse cenário, assim como Tite fez levantando a taça, Caboclo sai da Copa América fortalecido nos bastidores. Entretanto, parece longe de conquistar algo que foi impossível para os outros que ocuparam sua posição: a simpatia do torcedor.

Del Nero, Tite, arbitragem: entenda os desafios do novo presidente da CBF

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(Com Pedro Lopes, do UOL, no Rio de Janeiro)

Nesta terça (9), Rogério Caboclo, que já vinha liderando a CBF, pois o atual presidente, coronel Nunes, pouco agia, assumirá oficialmente a presidência da entidade. Abaixo, veja os principais desafios do cartola.

Distância de “padrinho”

Uma das principais missões do novo presidente é descolar sua imagem da de Marco Polo Del Nero. Para parte dos cartolas de federações e clubes, caboclo ainda ouve seu antecessor e padrinho político. O dirigente nega. Antes da posse do novo presidente, que já liderava a confederação, houve o rompimento com alguns parceiros comerciais dos tempos do ex-chefe, banido pela Fifa e que recorre da punição. Del Nero foi o articulador da eleição de Caboclo, até então seu braço direito.

Resgaste de imagem

Na esteira de mostrar independência em relação a Del Nero, Caboclo tem como desafio dar credibilidade à CBF. Além do último ex-presidente, José Maria Marin, preso nos Estados Unidos, e Ricardo Teixeira sofreram acusações de cometerem atos irregulares. Todos negam.

Arbitragem

A CBF tem sido muito pressionada para melhorar o nível dos árbitros. A cobrança valeu disparos de dirigentes de clubes à arbitragem. Uma das primeiras medidas de Caboclo a serem anunciadas por ele como presidente deverá ser a troca do coronel Marcos Marinho pelo ex-árbitro e comentarista Leonardo Gaciba no comando da arbitragem na confederação. O uso do VAR em todos os jogos do próximo Brasileirão já foi anunciado.

Globo x Estaduais

Caboclo terá que conciliar interesses contrários entre a Globo e as federações estaduais. A entidade quer a diminuição da duração desses campeonatos. A redução afeta presidentes das federações que dependem dos votos dos clubes, assim como o cartola da CBF precisa do apoio político dos dirigentes estaduais. O futuro presidente já encaminhou, com a concordância das federações, redução de 18 datas dos estaduais para 16. A alteração agrada ao grupo Globo.

Tite

Quando chegou à seleção brasileira, o ex-técnico do Corinthians era quase que unanimidade nacional. Depois da eliminação na Copa da Rússia, nas oitavas de final, e de maus resultados em amistosos recentes, ele tem sido muito criticado por imprensa e torcedores. Um eventual fracasso na Copa América, deve gerar pressão para sua demissão. Cabe ao novo presidente administrar a situação.

Base

Outra desafio para Caboclo é fazer a seleção brasileira voltar a ser forte em todas as categorias de base, após seguidos resultados negativos. Um passo nessa tentativa já foi dado: a contratação de André Jardine (ex-São Paulo), como técnico da equipe sub-20.

Clubes e atletas

Uma antiga reivindicação dos presidentes de clubes e jogadores, não atendida pela CBF, é de que eles tenham mais participação nas decisões que os afetam, principalmente na eleição para presidente da entidade. Entre parte dos cartolas paulistas há ligeiro otimismo sobre Caboclo ser mais sensível a seus anseios em relação às administrações anteriores.

Brasília

Na lista de metas do novo presidente, está reorganizar a bancada da bola na Câmara. Nas últimas eleições, a entidade sofreu baixas. Marcus Vicente, vice-presidente da confederação, não conseguiu se reeleger, e Vicente Cândido, ex-diretor da CBF e agora dirigente do Corinthians, nem se candidatou.

Fifa

Desde a explosão de denúncias contra Marin e Del Nero, a CBF perdeu força na federação internacional. O ex-presidente passou a se ausentar das reuniões da entidade, pois evita sair do país. Há o receio de ser preso. Caberá a Caboclo tentar recuperar o espaço perdido. Uma oportunidade de agir nesse sentido será durante sua posse, já que Gianni Infantino, presidente da Fifa, confirmou presença.

Briga com MP e Romário

Caboclo ainda precisa vencer o Ministério Público que pede a anulação da assembleia que o elegeu por supostas irregularidades negadas pela CBF. O ex-jogador e senador Romário também entende que a reunião deve ser anulada.

Como semifinais da Libertadores interferem na política do futebol nacional

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As semifinais da Libertadores ganharam profunda importância política para a CBF. Arbitragens sem erros graves contra Grêmio e Palmeiras, além de vitórias dos brasileiros em eventuais disputas fora de campo serviriam para a confederação afastar a imagem de que o Brasil está sem força na Conmebol.

No primeiro teste, no triunfo gremista por 1 a 0 sobre o River, na última terça (23), na Argentina, a CBF saiu intacta. Nesta quarta, é a vez de Bocar Juniors e Palmeiras, também em solo argentino.

Desde os primeiros jogos da competição, há o entendimento de pelo menos parte dos dirigentes dos times brasileiros no torneio de que eles têm sido prejudicados pela Confederação Sul-Americana dentro e fora de campo.

O motivo seria uma retaliação da entidade pelo voto do presidente da CBF, Coronel Nunes, na candidatura do Marrocos para a Copa do Mundo de 2026. Os países sul-americanos haviam combinado votar na candidatura tripla de Estados Unidos, México e Canadá, que foi a vencedora. A surpresa preparada pelo cartola foi interpretada pela Confederação Sul-Americana como uma traição.

Rogério Caboclo, eleito para presidir a CBF a partir de abril do próximo ano, sempre discordou da tese da retaliação.

No último dia 16, ele escoltou os presidentes de Palmeiras (Maurício Galiotte) e Grêmio (Romildo Bolzan) na reunião entre os semifinalistas na sede da Conmebol, no Paraguai.

Sua presença tem o valor simbólico de mostrar que o futuro presidente da Confederação Brasileira tem trânsito na entidade.

Entre os dirigentes que se queixam nos bastidores de perda de força na América do Sul há o argumento de que o afastamento de Reinaldo Carneiro Bastos do cargo que ocupava no conselho da Conmebol enfraqueceu o país. A vaga ficou com Coronel Nunes.

Presidente da Federação Paulista, Bastos virou desafeto da antiga, da atual e da futura administração da CBF. Isso porque tentou, sem sucesso concorrer à presidência contra Caboclo, apadrinhado por Marco Polo Del Nero, presidente afastado da confederação.

Desde que Del Nero, atualmente banido pela Fifa, deixou de viajar para fora do país em meio a investigações de autoridades americanas, Bastos se tornou o principal porta voz dos clubes brasileiros na Confederação Sul-Americana.

É nesse ponto que aumenta a importância política do duelo entre Palmeiras e Boca. Galiotte está rompido com a Federação Paulista, presidida por Bastos. Em tese, o fato de o alviverde se sentir apoiado na Sul-Americana por Caboclo ajuda o futuro presidente da Confederação Brasileira a se afastar da sombra do adversário político.

Galiotte chegou a pedir a união dos clubes brasileiros após a polêmica expulsão do cruzeirense Dedé em jogo com o Cruzeiro contra o Boca pelas quartas de final. O cartão acabou sendo anulado pela entidade.

“A gente não pode ficar apenas reclamando de A,B ou C. Como clubes temos que nos unir. O problema não é o VAR. O problema é que temos que ter representatividade na Conmebol”, disse o dirigente na ocasião.

Semifinais e eventuais finais sem percalços em relação à arbitragem e nos bastidores ajudariam a CBF a argumentar que essa representatividade existe. Sem Bastos e apesar do Coronel Nunes.

 

Caso Everton fortalece Tite: dispensa da seleção só em caso de lesão

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A decisão da CBF de não dispensar o gremista Everton dos amistosos da seleção brasileira contra Arábia Saudita e Argentina, nos próximos dias 12 e 16, é uma vitória de Tite.

Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio, havia se reunido na semana passada com Walter Feldman, secretário-geral da Confederação Brasileira, e Rogério Caboclo, eleito para presidir a entidade a partir de abril do ano que vem. Na ocasião, o dirigente tricolor trabalhou pela liberação do jogador.

Apesar de a CBF não admitir oficialmente, avaliou a possibilidade de liberar o atleta, o que eliminaria o risco de um atrito político. Tanto que a resposta negativa não foi dada imediatamente para o presidente do clube gaúcho.

A principal pedra no caminho da pretensão do Grêmio foi o técnico Tite, que fez questão de manter a convocação. A eventual dispensa de Everton abriria um precedente e deixaria a comissão técnica enfraquecida diante de pedidos futuros.

Na última quarta à noite (3), os gremistas foram avisados oficialmente pela CBF de que não haverá liberação. O artilheiro desfalcará a equipe de Porto Alegre contra o Palmeiras, pela 29ª rodada do Brasileirão.

Um dia antes do aviso formal, o discurso da cúpula da entidade já era de que ninguém  deixa uma convocação a não ser por lesão. Ou seja, o caso de Everton servirá de exemplo em eventuais novos pedidos de clubes.

Com Marinho Saldanha e Pedro Ivo Almeida, do UOL em Porto Alegre e no Rio de Janeiro