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Caboclo se descola de falhas de copa e ganha com Bolsonaro e beijo em Tite

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Perto dos integrantes da seleção brasileira e de Jair Bolsonaro, porém, mantendo distância regulamentar dos muitos problemas de organização da Copa América. Com essa fórmula, Rogério Caboclo aproveitou a competição vencida pelo Brasil para transformar pontos fracos em fortes.

O cartola terminou o torneio com uma coleção de fotos ao lado do presidente brasileiro, de Tite e dos jogadores, incluindo a comemoração da conquista do título. Contudo, mesmo sendo o CEO do COL (Comitê Organizador Local) da Copa América, ele praticamente não teve seu nome ligado às falhas de organização. Caboclo foi discreto na função, mas ativo como presidente da Confederação Brasileira. Pouco se viu o cartola no papel de explicar problemas de logísticas e gramados ruins, por exemplo.

Já a aproximação com Bolsonaro poderá facilmente ser usada por ele como uma conquista de sua gestão. Mesmo organizando uma Copa do Mundo, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, seus antecessores, não conseguiram se aproximar de Lula e Dilma Rousseff, enquanto os petistas estavam no poder. Quando Caboclo sentou na cadeira mais cobiçada da CBF, em abril deste ano, a entidade era criticada por dirigentes de clubes e federações por estar distante do governo federal. A realidade parece ser diferente agora.

Assim que o atual presidente foi eleito, antes da Copa da Rússia, para assumir em 2019, uma de suas claras fragilidades era não ser boleiro. Por outros cartolas era descrito como alguém que pouco falava sobre jogos e que não tinha intimidade com atletas.

Caboclo começou a trabalhar contra essa imagem na Copa da Rússia. Apesar de não ficar em período integral com a seleção como chefe da delegação, ele assistiu a treinos e começou a conhecer os atletas. Neste domingo (7), durante a premiação dos campeões, exibiu sua nova versão. Ficou à vontade com jogadores e comissão técnica. Cumprimentou Tite trocando beijinhos e deu até tapinhas nas mãos de atleta parecendo um “parça”.

Mas havia outro ponto a ser atacado. A ausência de Del Nero em reuniões da Conmebol e da Fifa desde que cartolas começaram a ser presos fora do país sob a acusação de corrupção, fizeram o Brasil perder força nos bastidores. Dirigentes de clubes brasileiros reclamavam principalmente de falta de prestígio na entidade sul-americana dizendo-se constantemente prejudicados nas competições continentais.

Hoje, não dá pra saber exatamente quanto Caboclo progrediu nos gabinetes da Conmebol. No entanto, a reclamação da associação argentina para a entidade de suposto favorecimento ao Brasil pode ser usada pelo dirigente brasileiro como demonstração de que pelo menos o Brasil teria anulado uma suposta desvantagem nos bastidores. Mas, claro, o episódio também pode ser interpretado como vergonhoso, como fazem os argentinos.

Nesse cenário, assim como Tite fez levantando a taça, Caboclo sai da Copa América fortalecido nos bastidores. Entretanto, parece longe de conquistar algo que foi impossível para os outros que ocuparam sua posição: a simpatia do torcedor.

Del Nero, Tite, arbitragem: entenda os desafios do novo presidente da CBF

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(Com Pedro Lopes, do UOL, no Rio de Janeiro)

Nesta terça (9), Rogério Caboclo, que já vinha liderando a CBF, pois o atual presidente, coronel Nunes, pouco agia, assumirá oficialmente a presidência da entidade. Abaixo, veja os principais desafios do cartola.

Distância de “padrinho”

Uma das principais missões do novo presidente é descolar sua imagem da de Marco Polo Del Nero. Para parte dos cartolas de federações e clubes, caboclo ainda ouve seu antecessor e padrinho político. O dirigente nega. Antes da posse do novo presidente, que já liderava a confederação, houve o rompimento com alguns parceiros comerciais dos tempos do ex-chefe, banido pela Fifa e que recorre da punição. Del Nero foi o articulador da eleição de Caboclo, até então seu braço direito.

Resgaste de imagem

Na esteira de mostrar independência em relação a Del Nero, Caboclo tem como desafio dar credibilidade à CBF. Além do último ex-presidente, José Maria Marin, preso nos Estados Unidos, e Ricardo Teixeira sofreram acusações de cometerem atos irregulares. Todos negam.

Arbitragem

A CBF tem sido muito pressionada para melhorar o nível dos árbitros. A cobrança valeu disparos de dirigentes de clubes à arbitragem. Uma das primeiras medidas de Caboclo a serem anunciadas por ele como presidente deverá ser a troca do coronel Marcos Marinho pelo ex-árbitro e comentarista Leonardo Gaciba no comando da arbitragem na confederação. O uso do VAR em todos os jogos do próximo Brasileirão já foi anunciado.

Globo x Estaduais

Caboclo terá que conciliar interesses contrários entre a Globo e as federações estaduais. A entidade quer a diminuição da duração desses campeonatos. A redução afeta presidentes das federações que dependem dos votos dos clubes, assim como o cartola da CBF precisa do apoio político dos dirigentes estaduais. O futuro presidente já encaminhou, com a concordância das federações, redução de 18 datas dos estaduais para 16. A alteração agrada ao grupo Globo.

Tite

Quando chegou à seleção brasileira, o ex-técnico do Corinthians era quase que unanimidade nacional. Depois da eliminação na Copa da Rússia, nas oitavas de final, e de maus resultados em amistosos recentes, ele tem sido muito criticado por imprensa e torcedores. Um eventual fracasso na Copa América, deve gerar pressão para sua demissão. Cabe ao novo presidente administrar a situação.

Base

Outra desafio para Caboclo é fazer a seleção brasileira voltar a ser forte em todas as categorias de base, após seguidos resultados negativos. Um passo nessa tentativa já foi dado: a contratação de André Jardine (ex-São Paulo), como técnico da equipe sub-20.

Clubes e atletas

Uma antiga reivindicação dos presidentes de clubes e jogadores, não atendida pela CBF, é de que eles tenham mais participação nas decisões que os afetam, principalmente na eleição para presidente da entidade. Entre parte dos cartolas paulistas há ligeiro otimismo sobre Caboclo ser mais sensível a seus anseios em relação às administrações anteriores.

Brasília

Na lista de metas do novo presidente, está reorganizar a bancada da bola na Câmara. Nas últimas eleições, a entidade sofreu baixas. Marcus Vicente, vice-presidente da confederação, não conseguiu se reeleger, e Vicente Cândido, ex-diretor da CBF e agora dirigente do Corinthians, nem se candidatou.

Fifa

Desde a explosão de denúncias contra Marin e Del Nero, a CBF perdeu força na federação internacional. O ex-presidente passou a se ausentar das reuniões da entidade, pois evita sair do país. Há o receio de ser preso. Caberá a Caboclo tentar recuperar o espaço perdido. Uma oportunidade de agir nesse sentido será durante sua posse, já que Gianni Infantino, presidente da Fifa, confirmou presença.

Briga com MP e Romário

Caboclo ainda precisa vencer o Ministério Público que pede a anulação da assembleia que o elegeu por supostas irregularidades negadas pela CBF. O ex-jogador e senador Romário também entende que a reunião deve ser anulada.

Como semifinais da Libertadores interferem na política do futebol nacional

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As semifinais da Libertadores ganharam profunda importância política para a CBF. Arbitragens sem erros graves contra Grêmio e Palmeiras, além de vitórias dos brasileiros em eventuais disputas fora de campo serviriam para a confederação afastar a imagem de que o Brasil está sem força na Conmebol.

No primeiro teste, no triunfo gremista por 1 a 0 sobre o River, na última terça (23), na Argentina, a CBF saiu intacta. Nesta quarta, é a vez de Bocar Juniors e Palmeiras, também em solo argentino.

Desde os primeiros jogos da competição, há o entendimento de pelo menos parte dos dirigentes dos times brasileiros no torneio de que eles têm sido prejudicados pela Confederação Sul-Americana dentro e fora de campo.

O motivo seria uma retaliação da entidade pelo voto do presidente da CBF, Coronel Nunes, na candidatura do Marrocos para a Copa do Mundo de 2026. Os países sul-americanos haviam combinado votar na candidatura tripla de Estados Unidos, México e Canadá, que foi a vencedora. A surpresa preparada pelo cartola foi interpretada pela Confederação Sul-Americana como uma traição.

Rogério Caboclo, eleito para presidir a CBF a partir de abril do próximo ano, sempre discordou da tese da retaliação.

No último dia 16, ele escoltou os presidentes de Palmeiras (Maurício Galiotte) e Grêmio (Romildo Bolzan) na reunião entre os semifinalistas na sede da Conmebol, no Paraguai.

Sua presença tem o valor simbólico de mostrar que o futuro presidente da Confederação Brasileira tem trânsito na entidade.

Entre os dirigentes que se queixam nos bastidores de perda de força na América do Sul há o argumento de que o afastamento de Reinaldo Carneiro Bastos do cargo que ocupava no conselho da Conmebol enfraqueceu o país. A vaga ficou com Coronel Nunes.

Presidente da Federação Paulista, Bastos virou desafeto da antiga, da atual e da futura administração da CBF. Isso porque tentou, sem sucesso concorrer à presidência contra Caboclo, apadrinhado por Marco Polo Del Nero, presidente afastado da confederação.

Desde que Del Nero, atualmente banido pela Fifa, deixou de viajar para fora do país em meio a investigações de autoridades americanas, Bastos se tornou o principal porta voz dos clubes brasileiros na Confederação Sul-Americana.

É nesse ponto que aumenta a importância política do duelo entre Palmeiras e Boca. Galiotte está rompido com a Federação Paulista, presidida por Bastos. Em tese, o fato de o alviverde se sentir apoiado na Sul-Americana por Caboclo ajuda o futuro presidente da Confederação Brasileira a se afastar da sombra do adversário político.

Galiotte chegou a pedir a união dos clubes brasileiros após a polêmica expulsão do cruzeirense Dedé em jogo com o Cruzeiro contra o Boca pelas quartas de final. O cartão acabou sendo anulado pela entidade.

“A gente não pode ficar apenas reclamando de A,B ou C. Como clubes temos que nos unir. O problema não é o VAR. O problema é que temos que ter representatividade na Conmebol”, disse o dirigente na ocasião.

Semifinais e eventuais finais sem percalços em relação à arbitragem e nos bastidores ajudariam a CBF a argumentar que essa representatividade existe. Sem Bastos e apesar do Coronel Nunes.

 

Caso Everton fortalece Tite: dispensa da seleção só em caso de lesão

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A decisão da CBF de não dispensar o gremista Everton dos amistosos da seleção brasileira contra Arábia Saudita e Argentina, nos próximos dias 12 e 16, é uma vitória de Tite.

Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio, havia se reunido na semana passada com Walter Feldman, secretário-geral da Confederação Brasileira, e Rogério Caboclo, eleito para presidir a entidade a partir de abril do ano que vem. Na ocasião, o dirigente tricolor trabalhou pela liberação do jogador.

Apesar de a CBF não admitir oficialmente, avaliou a possibilidade de liberar o atleta, o que eliminaria o risco de um atrito político. Tanto que a resposta negativa não foi dada imediatamente para o presidente do clube gaúcho.

A principal pedra no caminho da pretensão do Grêmio foi o técnico Tite, que fez questão de manter a convocação. A eventual dispensa de Everton abriria um precedente e deixaria a comissão técnica enfraquecida diante de pedidos futuros.

Na última quarta à noite (3), os gremistas foram avisados oficialmente pela CBF de que não haverá liberação. O artilheiro desfalcará a equipe de Porto Alegre contra o Palmeiras, pela 29ª rodada do Brasileirão.

Um dia antes do aviso formal, o discurso da cúpula da entidade já era de que ninguém  deixa uma convocação a não ser por lesão. Ou seja, o caso de Everton servirá de exemplo em eventuais novos pedidos de clubes.

Com Marinho Saldanha e Pedro Ivo Almeida, do UOL em Porto Alegre e no Rio de Janeiro

Opinião: banir Del Nero na prática imediatamente é impossível

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Não será fácil para a Fifa fazer valer na prática sua decisão de banir definitivamente Marco Polo Del Nero por supostos atos de corrupção negados por ele.

A história recente do futebol brasileiro mostra que ex-presidente de entidade não costuma perder imediatamente sua influência. Foi assim com Ricardo Teixeira, que por bom tempo continuou com uma dose de poder após renunciar e passar o bastão para a dupla José Maria Marin e Del Nero.

No caso atual há um fato prático. Mesmo nas cordas, Marco Polo teve força para fazer de Rogério Caboclo seu sucessor. O novo presidente eleito é seu homem de confiança. Além disso, antes de levar o tiro de misericórdia da Fifa, Del Nero conseguiu conquistar para o seu lado os antigos opositores Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação Baiana, e Francisco Novelletto. Ambos compraram o projeto de Marco Polo para sua sucessão, mesmo sabendo que ele agonizava, e se elegeram vice-presidentes. Irão assumir junto com Caboclo. A posse, incialmente, está prevista para maio do ano que vem.

A partir do momento em que a Fifa considera um presidente de federação nacional culpado, é natural imaginar que a entidade atingida tem interesse em investigar se a mesma foi prejudicada pelos atos do cartola. Mas como esperar que isso aconteça na CBF se o acusado escolheu seus sucessores? Como impedir que os novos dirigentes façam consultas informais com o ex-presidente se preservam boa relação com ele? Del Nero já deixou o seu legado, e não há decisão da Fifa que possa destruí-lo imediatamente. Só o passar dos anos deve enfraquecer Marco Polo.

 

MP pregunta à Fifa se Del Nero violou suspensão em eleição na CBF

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O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou no final de março inquérito para investigar a suposta influência de Marco Polo Del Nero no processo eleitoral na CBF com o objetivo de colocar no poder Rogério Caboclo, seu homem de confiança. As primeiras medidas foram enviar para a Fifa cópias de reportagens sobre suposta manobra do presidente suspenso temporariamente e indagar à Federação Internacional se ele violou a suspensão ao articular a escolha de seu sucessor.

Del Nero está suspenso provisoriamente enquanto a Fifa o julga por acusações de atos de corrupção negados por ele. Mesmo afastado, ele teria articulado com federações estaduais um apoio em massa a Caboclo, eleito presidente nesta semana. Com o suporte das entidades estaduais, não sobraram outras oito instituições para apoiar uma candidatura alternativa. Também era necessário o aval de cinco clubes para um opositor disputar o pleito. Essa suposta articulação é vista como possível manipulação pelo MP.

O blog não conseguiu falar com Del Nero sobre o assunto. A interlocutores, Caboclo assegurou que o presidente suspenso não participou das reuniões que ele fez com dirigentes das federações em busca de votos. O atual CEO da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem.

O promotor Pedro Rubim Borges Fortes também pede que a Fifa compartilhe em até 60 dias com o MP cópia integral dos processos instaurados no Comitê de Ética da entidade relacionados a Del Nero.

No documento que determina a abertura de inquérito, o Ministério Público cita que há “notícia de abuso de poder político e econômico caracterizado pelo pagamento de uma contribuição mensal às federações”. O texto também faz referência à “importância da observância do princípio democrático da imparcialidade e do exercício equilibrado do poder para o direito dos torcedores” em relação à qualidade das competições esportivas.

Outra medida do promotor foi requerer o auxílio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor criado pela Procuradoria-Geral de Justiça.

 

Juiz dá prazo para CBF exibir ata, e MP não deve conseguir evitar pleito

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A Justiça do Rio de Janeiro se manifestou nesta quarta sobre processo no qual o Ministério Público pede o afastamento da atual diretoria da CBF. O juiz Bruno Monteiro Ruliere, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, deu cinco dias para a confederação apresentar ata de assembleia que é contestada pelo MP.

A decisão não foi bem recebida pelo Ministério Público, pois dificulta que o órgão consiga evitar a eleição para presidente da confederação marcada para o próximo dia 17. O prazo dado pelo juiz deve contar apenas dias úteis. Além disso, o magistrado ainda precisará de tempo para analisar a ata e tomar sua decisão.

O promotor Rodrigo Terra entrou com a ação no final de julho do ano passado por entender que a assembleia responsável por mudar regras eleitorais da entidade, em 23 de março de 2017,  foi irregular. Isso porque os clubes não foram convocados para ela. A reunião deu peso maior de voto para as federações, praticamente impedindo os times de lançarem um candidato com chances de vitória.

Alegando descumprimento do Estatuto do Torcedor, por haver no entendimento dele transgressão ao princípio da transparência, Terra pediu liminar para afastar a diretoria da CBF até a decisão definitiva da Justiça. Também solicitou a anulação da assembleia, porém nenhuma dessas decisões foi tomada. O juiz alegou que a ata da assembleia contestada não consta dos autos, assim, estipulou prazo para a confederação apresentar o documento.

Depois de a CBF marcar a próxima eleição para 17 de abril, o promotor fez novo pedido para a Justiça. Solicitou que  ao menos fossem suspensas as mudanças estatutárias para que a eleição não acontecesse com regras contestadas. Dessa forma, o prazo dado para a confederação mostrar a ata da assembleia desagradou ao promotor.

“Com essa decisão, a Justiça não vai ter sido capaz de evitar um dano ainda maior, que é a realização de uma eleição com base em um estatuto alterado de maneira irregular. Isso depois de o processo ficar mais de um mês para a conclusão”, declarou Terra ao blog.

A CBF nega ter havido irregularidade na assembleia e afirma que os clubes não foram chamados por se tratar de uma reunião administrativa.

Na semana passada, o blog tentou entrevistar o juiz Ruliere. No entanto, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que ele não poderia falar porque o processo estava concluso para análise do pedido de liminar. “Segundo o juiz, a decisão será proferida o mais breve possível, observando, contudo, que a complexidade da matéria e a sensibilidade do tema exigem um tempo maior de análise da questão”, informou a assessoria na ocasião.

O novo presidente da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem, quando começará seu mandato. O estatuto da entidade permite que a eleição ocorra com um ano de antecedência.

Diante do risco de levar uma longa suspensão da Fifa por causa de acusações de envolvimento em atos de corrupção, Marco Polo Del Nero desistiu de se candidatar. Ele está suspenso temporariamente pela Fifa enquanto aguarda a decisão da federação internacional sobre seu futuro. O cartola nega ter praticado crimes.

Del Nero fez uma costura política que assegurou a seu homem de confiança, Rogério Caboclo, atual CEO da CBF, ser candidato único do pleito. Não sobraram oito federações, número mínimo de apoios exigido, para o lançamento de uma chapa concorrente. Também é preciso o aval de cinco clubes.

Pelo caminho, ficou Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista e que sonhava em ocupar o posto máximo da confederação.

 

 

Eleição para presidência da CBF será em 17 de abril

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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, no Rio de Janeiro

A CBF decidiu fazer sua próxima eleição presidencial no dia 17 de abril. Após manobra de Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo, atual CEO da confederação, deve ser candidato único. Depois de 20 federações se comprometerem com o escolhido pelo presidente suspenso pela Fifa, não sobraram oito entidades estaduais para aprovar outra chapa.

É necessário também o aval de cinco clubes das Séries A e B. Caboclo tem o apoio da maioria.

A chapa terá ainda os quatro vice-presidentes atuais da confederação: coronel Nunes, hoje presidente em exercício, Fernando Sarney, Gustavo Feijó e o deputado federal Marcus Antônio Vicente (PP-ES). Como o novo estatuto ampliou para oito o número de vice-presidentes, também estão na chapa de Caboclo os mandatários das federações mineira, Castellar Guimarães Neto, acreana, Antônio Aquino Lopes, gaúcha, Francisco Noveletto, e baiana, Ednaldo Rodrigues, como mostrou o Blog do Marcel Rizzo.

A eleição acontecerá enquanto Del Nero aguarda se ele será punido definitivamente pela Fifa por conta das acusações de suposta prática de corrupção negada por ele, que inicialmente planejava se candidatar. Com Caboclo o cartola assegura que terá um aliado como sucessor. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, queria disputar o cargo, mas ficou sem ação após a estratégia adotada pelo presidente suspenso.

No pleito, o voto das federações terá peso três. Cata indicação de time da Série A terá peso dois, e os votos dos clubes da Série B valerão apenas um. Com candidato único, o valor diferente não importa. Porém, o sistema é contestado pelo Ministério Público na Justiça do Rio. O MP  pede a nulidade da reunião em que a alteração foi feita sob a alegação de que os clubes não participaram da decisão. Também é pedido o afastamento da atual diretoria primeiro em caráter liminar e depois em definitivo.

No mesmo dia da votação, deve acontecer a assembleia para analisar as contas da confederação.

CBF decide fazer eleição em abril, e Justiça fica mais pressionada

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Rogério Caboclo, atual diretor-executivo da CBF, deve ser eleito presidente da entidade já em abril. A confederação decidiu fazer a eleição no mesmo dia em que fará uma assembleia para aprovar as suas contas. Assim, já aproveitará a presença dos dirigentes, evitando novo deslocamento. A data do pleito, no entanto, ainda não foi definida oficialmente.

Pelo estatuto da CBF, a eleição poderia acontecer até abril do ano que vem, quando o novo mandatário tomará posse. Porém, foi escolhido o mesmo mês em que a Fifa definirá se pune definitivamente Marco Polo Del Nerto, suspenso preventivamente por atos de corrupção negados por ele.

A decisão de definir o próximo presidente em abril aumenta a pressão para a Justiça do Rio de Janeiro resolver em primeira instância se concede liminar para anular as últimas mudanças estatutárias na entidade e afastar toda a diretoria atual até o caso ser julgado definitivamente.

Como mostrou o blog, o promotor Rodrigo Terra, autor da ação, e o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), responsável por acionar o Ministério do Público, cobram celeridade do juiz Bruno Monteiro Ruliere, que é quem cuida do processo agora. A ação foi distribuída em julho de 2017, mas ainda não houve resolução sobre a liminar.

Promotor e parlamentar alegam que se a decisão não for tomada antes da próxima eleição, o pleito acontecerá com regras contestadas na Justiça.

Terra entrou com a ação porque a CBF mudou seu estatuto numa reunião sem a presença dos clubes. As agremiações nem foram avisadas sobre a assembleia que aumentou o peso do voto das federações. O representante do MP alega que, como as agremiações não foram convocadas para discutir a mudança, houve falta de transparência e descumprimento do Estatuto do Torcedor.

Pelas normas antigas, votavam as 27 federações e os 20 clubes da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. Agora, o de cada federação tem peso 3. Os dos clubes da Série A valem 2. Já a indicação de time da Segunda Divisão possuem valor unitário.

No novo formato, mesmo estando em menor número, as federações continuam ganhando se votarem em conjunto. É o que deve acontecer em abril. Após articulação de Del Nero, a maioria das entidades estaduais se comprometeu a votar em Caboclo, seu homem de confiança. Não sobraram oito federações para apoiar outro candidato, como exigem as regras. Também é necessário o aval de cinco clubes. Desta forma, Caboclo deverá ser candidato único.

 

 

Manobra de Del Nero vira argumento a favor de ação contra CBF

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A última manobra de Marco Polo Del Nero dá mais força para ação na Justiça contra a CBF. Isso no processo em que  é requerida a anulação da mudança estatutária responsável por dar peso maior aos votos das federações nas eleições da entidade. Também é pedido o afastamento da atual diretoria. Essa é a avaliação do promotor Rodrigo Terra e do deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ).

O parlamentar fez no ano passado uma representação ao Ministério Público e, em seguida, o promotor entrou com a ação.

Na última quinta, Del Nero, suspenso preventivamente pela Fifa por suspeitas de corrupção, articulou o apoio da maioria das federações a seu preferido para sua sucessão, o diretor executivo Rogério Caboclo. Não sobraram federações disponíveis para que outro candidato consiga disputar o pleito. São necessários os apoios de oito instituições estaduais e cinco clubes. Os representantes dos times nem foram chamados para as reuniões.

Promotor e parlamentar entendem que a jogada de Del Nero reforça os argumentos de que a diretoria precisa ser afastada e a mudança estatutária anulada.

“Na ação já mostrávamos que isso podia acontecer. Agora esse episódio prova que o estatuto da CBF se transformou num chancelador da vontade de quem está no poder. Por isso, é ainda mais importante que a Justiça tome uma posição rapidamente”, declarou Terra ao blog.

“Essa escolha do sucessor do Del Nero é a prova da prepotência da CBF. Eles não esperaram nem a Justiça decidir (sobre as novas regras para a eleição)”, afirmou Leite.

A ação com pedido de liminar para o afastamento imediato dos cartolas e a suspensão dos efeitos da alteração no estatuto foi distribuída em 25 de julho de 2017, mas até agora não houve decisão.

Tempo é algo que o juiz Bruno Monteiro Ruliere não tem, caso queira evitar que a situação se complique mais ainda. Isso porque, conforme apurou o blog, a CBF pretende marcar a eleição presidencial para o próximo mês com as regras que são contestadas na Justiça. O estatuto permite que o novo presidente seja eleito agora e só tome posse no ano que vem, quando começa o novo mandato.

“Pedimos a liminar porque sabíamos que algo assim poderia acontecer. Por isso é importantíssimo que uma decisão seja tomada rapidamente”, afirmou o promotor.

Marco Polo agiu num momento em que a Fifa está prestes a decidir seu futuro. Até o próximo dia 15 a entidade deve anunciar o resultado de seu julgamento. Se o cartola for banido definitivamente ou levar um longo gancho, terá a tranquilidade de saber que um dirigente obediente a ele assumirá o comando da CBF. Del Nero nega ter cometido atos de corrupção.

Caso a Justiça determine a suspensão da mudança estatutária antes da próxima eleição, os clubes passariam a ter maior poder. Antes da alteração, votavam as 27 federações e os 20 times da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. A alteração colocou os 20 clubes da Série B também no colégio eleitoral. Porém, para manter as entidades estaduais com mais poder, a CBF ampliou o peso delas para 3. Os votos dos times da Série A tem peso 2. Os da Segunda Divisão possuem valor unitário. Ou seja, se todas as federações votarem em conjunto, jamais serão derrotadas.

Caso opte pela suspensão da alteração, porém, a Justiça não mudará o fato de que o acordo costurado por Del Nero coloca Caboclo como candidato único. O estatuto antigo previa o mesmo número mínimo de apoios necessários para o lançamento de chapas.

A mudança estatutária aconteceu em assembleia sem a presença dos representantes dos clubes. Alegação foi de que se tratava de uma reunião administrativa, o que dispensaria a exigência de convocação das agremiações. Terra, no entanto, entende que houve falta de transparência e consequente desrespeito ao Estatuto do Torcedor, por isso entrou com a ação. Já a CBF diz que não houve ilegalidade.